Sobre os adivinhos, curandeiros, benzedeiras, etc., que benzem para curar alguma doença, essas coisas, é verdade? Elas curam, tiram mal-olhado…?
E também sobre o candomblé que há na Bahia, que se mistura com a Igreja Católica, quando há a lavagem das escadas da Igreja do Sr. do Bonfim, como fica a Igreja diante disso? E as pessoas que dizem que vê a aura das pessoas, que vêem espíritos, como aquela mulher que estava no ”programa Gugu”, que foi junto com ele ao Carandiru e lá via almas sofrendo, etc., Isso então é tudo visão que o demônio dá à essas pessoas?
A Igreja não autoriza as bênçãos por pessoas leigas; logo, essas benzedeiras não fazem algo legal e deve ser evitado. A mesma condenação pesa sobre os adivinhos, necromantes, cartomantes, búzios, etc; devem ser totalmente evitados, pois é uma prática que é pecado contra o primeiro mandamento, pois busca-se poder ou informação sem a vontade de Deus.
Sobre essas pessoas que vêem espíritos a Igreja recomenda cautela; pois ensina que os espíritos de pessoas não se manifestam; pode ser ação do demônio ou apenas ação da própria pessoa no campo natural ou paranormal; não se deixe levar por isto.
A Igreja condena todo tipo de sincretismo (mistura) religioso, pois as crenças dessas seitas, candomblé, macumba, etc, não se coadunam com a fé da Igreja Católica.A Bíblia condena cartomantes, feiticeiros, benzedeiros, adivinhos, ocultistas e mais uma lista de arte que o povo cria. A condenação é sobre a prática dessas coisas.
Por mais que se fale, há uma série de mal-estares e doenças que desaparecem com uma “boa bênção”. Mas fica uma pergunta: “Não é pecado ir benzer?”
Cada cristão abençoa e santifica o mundo, as coisas e as pessoas pela vida que leva, pela vivência de sua fé. O pai, a mãe, padrinhos, madrinhas, tios, todos abençoam. Vejam na Bíblia a bênção que o velho pai deu a Tobias em sua viagem. A bênção é a palavra boa que colocamos sobre as pessoas, invocando o nome do Senhor, dos santos ou de Nossa Senhora, para agradecer, pedir algo ou manifestar um bom desejo.
Por si todos podem benzer, a bênção terá a força de sua fé, de sua comunhão com a comunidade. E para benzer há diversos gestos que expressam a fé e o ato de invocar o Senhor. O que então está errado?
Está errado procurar pessoas que não possuem uma vida digna que os recomende, pessoas que não participam de comunidade, pessoas que fazem disso um meio de vida, pessoas que não têm comunhão com Deus.
Está errada a mistura que se faz com ideias espíritas, com ritos esquisitos e outras tantas coisas para impressionar. Está errado o receituário que essas pessoas dão para executar depois que se chega a casa. Estão erradas as ideias que espalham, os gestos que fazem e outras coisas que são pura charlatanice. Está errado o abuso de coisas santas. Tudo o que não traz equilíbrio, tudo o que parece esquisito não é de Deus. O que vem de Deus é transparente, é simples.
São Paulo orienta-nos quando diz: “Tudo o que fizerdes, fazei-o em nome de Jesus”. É assim que rezamos sobre os doentes, abençoamos as pessoas, abençoamos as plantações, abençoamos o mundo em que vivemos e assim somos agradecidos a Deus que nos envia a grande bênção que é JesusSem dúvida, o misticismo popular vem desde o Brasil colonial, quando o povo se valia das crendices e fórmulas naturais em busca de melhorias na luta contra as enfermidades, diante da precária assistência à saúde. Assim, de acordo com os costumes e levado pelo limitado conhecimento científico disponível na época, o homem une os recursos da natureza à própria fé, dando início a uma variada farmacopéia composta de meizinhas, garrafadas, infusões, chás, amuletos e oferendas aos santos para tratamento médico. A essas crendices se misturaram os traços culturais e religiosos das três raças que formaram a etnia brasileira, resultando em receitas, habilidades e saberes que se perpetuaram oralmente, passando de pai para filhos de geração a geração.
Ainda hoje, em qualquer parte do Brasil, principalmente no Nordeste rural, é possível encontrarmos pessoas dispostas a exercer seus conhecimentos dando assistência às aflições físicas, existenciais e espirituais. Essas pessoas carregam consigo uma áurea misteriosa que inspira respeito e confiança aos que as procuram. Dependendo da maneira como são usados esses saberes, numa mistura de dom, solidariedade e ofício, é possível identificar tipos e denominações diferentes em relação as suas características de atuação.
Rezadeiras e benzedeiras são denominações distintas para designar quase o mesmo ofício. Porém, segundo o livro Rezas, benzeduras e simpatias, a diferença é que benzedeiras são em geral mulheres, sendo mais solicitadas para prestação de serviços e muitas vezes são as únicas parteiras do lugar. Por ser uma função exercida em geral por mulheres, é sempre referida no feminino.
As rezadeiras e benzedeiras se diferenciam de outros indivíduos que promovem a cura das doenças e afastamento do mal, pois fazem da oração a principal forma de assistência, embora muitas vezes a rezadeira faça uso de ramos de plantas durante a benzedura. Todo o trabalho da rezadeira, seus gestos, jaculatórias, palavras e expressão corporal dão um clima de misticismo ao ambiente e acabam proporcionando um grande poder de sugestão sobre os presentes.
Nas rezas são usadas formas modificadas das orações oficializadas pela Igreja Católica, misturadas a palavras resmungadas e incompreensíveis de um latim corrompido. Essas rezas abrangem as mais variadas necessidades, podendo solucionar conflitos familiares, chamar pessoas de volta à responsabilidade, acabar com o poder maléfico de um ambiente, e outros problemas que contribuem para a credibilidade da rezadeira, como a cura do mau-olhado, quebranto, espinhela caída, cobreiro, febre, tristeza, míngua, ar na cabeça, erisipela, dores em geral e outras doenças que muitas vezes variam de nome de acordo com a cultura local.
Por serem consideradas portadoras de um dom divino especial, as rezadeiras não costumam cobrar por seus serviços, mesmo porque em geral os usuários desses serviços são pessoas de baixa renda ou com renda mínima e com dificuldades de acesso a serviços formais de saúde. Mas, caso o paciente possa e queira pagar, elas aceitam a contribuição.
No meio rural as rezadeiras e benzedeiras comumente têm formação católica, já nos centros urbanos, seus rituais variam seguindo a diversidade religiosa local conforme preceitos que podem ser católico, kardecista, adventista, umbandista ou esotérico. Entretanto, mesmo baseadas em cultos ou religiões diferentes, as rezadeiras e benzedeiras seguem os mesmos princípios de humildade, solidariedade, justiça e contato diário com o divino.
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