quinta-feira, 7 de julho de 2016

CANAFISTULA

A canfístula é uma árvore decídua a semidecídua, com florescimento decorativo e muito utilizada na arborização urbana na América do Sul. Seu porte é grande, alcançando de 15 a 40 metros de altura, com copa ampla e globosa. O tronco atinge 50 a 120 cm de diâmetro e possui casca fina quando jovem, que engrossa e se torna escamosa com o passar do tempo. Apresenta folhas bipinadas, alternas, com foliólulos ovalados e coriáceos. As inflorescências surgem no verão. Elas são grandes, terminais e do tipo espiga, carregadas de botões dourados que se abrem em flores amarelas da base em direção ao ápice. O fruto é um legume, seco, indeiscente, lanceolado e achatado, contendo uma a duas sementes elípticas.
A canafístula é uma excelente opção para o paisagismo urbano ou rural. Ela produz sombra fresca no verão e perde parte ou todas as folhas no inverno. Sua floração é um verdadeiro espetáculo de flores amarelas e forma um tapete de pétalas no chão. Ecologicamente é considerada uma importante árvore oportunista, que se beneficia de clareiras, sendo por este motivo utilizada em recuperação de áreas degradadas. Sua madeira é rosada, moderadamente densa e de boa durabilidade quando seca. É utilizada em trabalhos de marcenaria, construção civil e no fabrico de dormentes, entre outros.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solo fértil, drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente no primeiro ano após o plantio. Tolera o frio e geadas, adaptando-se ao clima subtropical e temperado. Multiplica-se por sementes, que devem ser escarificadas para quebra de dormência. Emergem cerca de 15 a 30 dias após a semeadura. As mudas devem estar bem desenvolvidas antes de plantar no local definitivo, pois são sensíveis a formigas e ao vandalismo.De acordo com o Sistema de classificação de Cronquist, a taxonomia de Pe/tophorum dubium obedece à seguinte hierarquia: Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae) Classe: Magnoliopsida (Dicotiledonae) Ordem: Fabales Família: Caesalpiniaceae (Leguminosae: Caesalpinioideae) Espécie: Pe/tophorum dubium (Sprengel) Taubert, Engler et Prantl, Natürl. Pflanzenf. ed. I. 3(3).77:176, 1892. Sinonímia botânica: Caesa/pinia dubia Sprenger; Cassia disperma Vellozo; Pe/tophorum voge/ianum Bentham Nomes vulgares no Brasil: acácia-amarela; amendoim, amendoim-falso, angico-bravo, camurça, curucaia, ibirá e monjoleiro, em São Paulo; amendoim-bravo; angico; angicoamarelo e angico-cangalha, em Minas Gerais; angico-vermelho e pororoca, no Paraná; barbatimão, cabeça-de-negro e cabelo-de-negro, no Rio de Janeiro; cambuí, em Mato Grosso do Sul e em Minas Gerais; canafiste; canafrista-branca, no Paraná; canafrístula; cancença e favinha, em Pernambuco; canela-de-veado; canhafistula; caobi; cássia-amarela; farinha-seca e faveira, na Bahia e em Minas Gerais; faveiro, no Distrito Federal, em Minas Gerais e em São Paulo; guarucaia, em Minas Gerais e em São Paulo; guazu; ibira-puitá, no Rio Grande do Sul e em São Paulo; jacarandá-de-flor-amarela; madeira-nova, em Pernambuco e na Paraíba; pau-vermelho; quebra-serra, na Bahia; sobrasil; tamboril, na Bahia, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; tamboril-branco; tamboril-bravo, na Bahia e em São Paulo; tamburi. Nomes vulgares no exterior: arbor de artigas, no Uruguai; cariafístula e ybira puitá, na Argentina; pacay, na Bolívia, e yvyra pyta, no Paraguai. Etimologia: Pe/tophorum, o que conduz o disco, referindo-se ao estigma; dubium, . Em tupi-guarani, é conhecida como ibira-puita-guassú, que significa "madeira-vermelhagrande" (Longhi, 1995) Descrição Forma: árvore caducifólia (perde totalmente as folhas no inverno), com 10 a 20 m de altura e 35 a 90 cm de DAP, podendo atingir excepcionalmente 40 m de altura e 300 cm de DAP,na idade adulta. No Nordeste do Brasil, atinge 12 m de altura. 2 Canafístula Tronco: cilíndrico, mais ou menos reto ou levemente curvo e achatado e com base acanalada. Fuste com até 15 m de comprimento. Ramificação: dicotômica, cimosa. Copa ampla, umbeliforme, largamente achatada-arredondada. Casca: com espessura de até 25 mm. A casca externa é marrom-escura, rugosa, provida de pequenas fissuras longitudinais, que se desprendem em lâminas pequenas quando jovem e em placas retangulares em exemplares velhos. Quando jovem, apresenta abundantes lenticelas, de distribuição difusa ou colunar multisseriada; solitárias ou anastomosadas, de disposição e abertura horizontal (Gartland & Salazar, 1992). A casca interna é dura, rósea, pouco fibrosa. Folhas: compostas, bipinadas, alternas, de até 50 cm de comprimento por 25 cm de largura, com 16 a 21 pares de pinas, de cor verde-escura; cada pina com 24 a 30 pares de folíolos elípticos-oblongos, opostos, de 5 mm alO mm de comprimento e 2 mm a 3 mm de largura, ápice acuminado e base desigual. Flores: amarelo-vivas ou alaranjadas, com até 2 cm de comprimento, em vistosas panículas ou racemos terminais ferrugíneos e tomentosos, medindo até 30 cm de comprimento. Fruto: sâmara com 4 a 9,5 cm de comprimento e 1 a 2,5 cm de largura. Contorno longitudinallanceolado ou elíptico, com ápice agudo e base estreitada. Superfície castanho-avermelhada a marrom, puberulenta, com nervuras predominantemente no sentido longitudinal; estas são mais fortes na região central, delimitando o núcleo seminífero que se estende até o ápice. Em cada fruto, com uma a quatro sementes no sentido longitudinal. Semente: de contorno longitudinal ovado e transversal, elíptico; superfície lisa, brilhante, amarelo-esverdeada. Testa membranácea. Na parte basal-Iateral, encontra-se um hilo oval, micrópila visível e rafe curta e fina, oposta à micrópila (Oliveira & Pereira, 1984). Com cerca de 1 cm de comprimento e 4 mm de largura. Biologia Reprodutiva e Fenologia Sistema sexual: planta hermafrodita. \(etor de polinização: principalmente as abelhas e diversos insetos pequenos. Floração: de setembro a março, em São Paulo; de outubro a março, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina; em novembro, no Mato Grosso do Sul; de dezembro a março, no Rio Grande do Sul e no Paraná e, de março a agosto, em Pernambuco. Frutificação: os frutos amadurecem de abril a outubro, no Rio Grande do Sul; de abril a agosto, no Paraná; em maio, no Distrito Federal; de maio a dezembro, em São Paulo e, de junho a agosto, em Santa Catarina. O processo reprodutivo inicia entre sete e doze anos de idade, em plantio. Dispersão de frutos e sementes: autocórica, principalmente barocórica, por gravidade, e anemocórica: os frutos são lentamente dispersos pelo vento. As sementes da canafístula são encontradas no banco de sementes do solo. Ocorrência Natural Latitude: 7° S (Paraíba) a 30° S (Rio Grande do Sul), no Brasil, atingindo o limite Sul a 300 25'S em Artigas, no Uruguai. Variação altitudinal: de 30 m (Rio de Janeiro) a 1.300 m (Minas Gerais) de altitude. Distribuição geográfica: Peltophorum dubium ocorre de forma natural no nordeste da Argentina, nas províncias de Misiones, Corrientes, Formosa e Chaco (MartinezCrovetto, 1963; Arboles, 1992), no leste do Paraguai (Lopez et al., 1987), no norte do Uruguai (Lombardo, 1964) e no Brasil (Mapa 1), em Alagoas (Heringer & Ferreira, 1973), na Bahia (Mello, 1968/1968; Lima, 1977; Occhioni, 1981; Harley & Simmons, 1986; Lewis, 1987; Pinto et aI., 1990; Lima & Lima, 1998), no Espírito Santo, em Goiás, em Mato Grosso do Sul (Conceição & Paula, 1986; Leite et aI., 1986; Assis, 1991; Conceição, 1991; Souza et aI., 1997; Romagnolo & Souza, 2000), em Minas Gerais (Thibau et aI., 1975; Occhioni, 1981; Brandão et aI., 1989; Gavilanes & Brandão, 1991; Brandão, 1992; Brandão & Araújo, 1992; Brandão & Silva Filho, 1993; Brandão et aI., 1993; Brandão & Araújo, 1994; Vilela et aI., 1994; Brandão et aI., 1995; Carvalho et aI., 1995; Pedralli & Teixeira, 1997; Brina, 1998; Carvalho et aI., 2000), na Paraíba (Ducke, 1953), no Paraná (Inoue et aI., 1984; Roderjan & Kuniyoshi, 1989; Goetzke, 1990; Roderjan, 1990a; Roderjan, 1990b; Oliveira, 1991; Soares-Silva et aI., 1992; Silva et aI., 1995; Nakajima et aI., 1996; Souza et aI., 1997), em Pernambuco (Ducke, 1953; Lima, 1954; Tavares, 1959; Lima, 1970), no Rio de Janeiro (Mello, 1950; Guimarães, 1951; Barroso, 1962/1965; Occhioni, 1974; Bloomfield et aI., 1997b), no Rio Grande do Sul (Mattos, 1983; Reitz et aI., 1983; Brack et aI., 1985; Thum, 1992}.em Santa Catarina (Reitz et aI., 1978; Occhioni, 1981), e no Estado de São Paulo (Mainieri, 1970; Nogueira, 1976; Baitello & Aguiar, 1982; Nogueira et aI1982; Silva, 1982; Bertoni et aI., 1987; Demattê et aI., 1987; Pagano et aI., 1987; Vieira et aI., 1989; Nicolini, 1990; Kotchetkoff-Henriques & Joly, 1994; Durigan & Leitão Filho, 1995; Nave et aI., 1997; Cavalcanti, 1998; Durigan et aI., 1999) Aspectos Ecológicos Grupo sucessional: espécie secundária inicial (Durigan & Nogueira, 1990), mas com caracteristica de pioneira (Marchiori, 1997). Características sociológicas: a canafístula é abundante em formações secundárias, mas com poucos indivíduos, geralmente de grande porte, ocupando o estrato dominante do dossel em floresta primária. Desempenha papel pioneiro nas áreas abertas, em capoeiras e em matas degradadas. É comumente encontrada colonizando pastagens, ocupando clareiras e bordas de mata. É árvore longeva. Regiões fitoecológicas: Peltophorum dubíum é freqüente em todo o domínio da Floresta Estacionai Semidecidual Submontana e Montana, onde ocupa o estrato dominante (Roderjan, 1990). É também encontrada em outras tipologias florestais, como Floresta Estacionai Decidual austral, na bacia do rio Jacuí, onde ocupa o estrato emergente (Klein, 1984); Cerradão (Bertoni et aI., 1987; Durigan et aI., 1999); Chaco Sul-Mato-Grossense (Conceição, 1991); Encraves vegetacionais na Região Nordeste (Tigre, 1964; Fernandes, 1992); Caatinga (Lima & Lima, 1998), e Pantanal Mato-Grossenseçonde ocorre nas áreas de transição entre as partes úmidas e secas (Conceição & Paula, 1986). A espécie também tem sido observada na flora de áreas erodidas de calcário bambuí, no sudoeste da Bahia (Lima, 1977). Fora do Brasil, é encontrada na Selva Misionera na Argentina e parte do Chaco no Paraguai. Clima Precipitação pluvial média anual: desde 700 mm (Bahia) a 2.300 mm (Santa Catarina). Regime de precipitações: chuvas uniformemente distribuídas na Região Sul (excetuando-se o norte do Paraná), e periódicas, com chuvas concentradas no verão ou no inverno, nas outras regiões. Deficiência hídrica: moderada, no inverno, no oeste do Estado de São Paulo, norte do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul, e forte, com estação seca de cinco a sete meses na Região Nordeste (Bahia, Paraíba e Pernambuco) e centro-norte de Minas Gerais. Canafístula 3 Temperatura média anual: 18,1°C (Diamantina, MG) a 25,3°C (Bom Jesus da Lapa, BA). Temperatura média do mês mais frio: 13,8°C (Francisco Beltrão, PR) a 23,7°C (Bom Jesus da Lapa, BA). Temperatura média do mês mais quente: 20°C (Diamantina, MG) a 27,2°C (Corumbá, MS). Temperatura mínima absoluta: -7,1°C (Campo Mourão, PR). Número de geadas por ano: médio de zero a quinze; máximo absoluto de 40 geadas, na Região Sul. Tipos climáticos (Koeppen): principalmente em subtropical úmido (Cfa); subtropical de altitude (Cwa e Cwb); tropical (Aw), e eventualmente em temperado úmido (Cfb) e em semi-árido (Bsh), na Bahia (Lima & Lima, 1998). Solos e Nutrição Peltophorum dubíum ocorre naturalmente em vários tipos de solos, aparecendo em solos ácidos, inclusive de Cerradão, até solos de alta fertilidade química. Em plantios experimentais, tem crescido melhor em solos de fertilidade química média a alta, bem drenados e com textura de franca a argilosa. Não tolera solos rasos, pedregosos ou demasiadamente úmidos. Esta espécie é bastante exigente em N (nitrogênio) (Nicoloso et aI., 2000). Recomenda-se aplicar 2,5 g de fertilizante da formulação NPK 4-14-8, por recipiente (volume de terra: 400' ml) (Pacheco, 1977). A adição de lodo ou de esterco de curral e esterco de galinha bem curtidos, na composição de substrato, são eficazes em produzir mudas de canafístula de elevada qualidade (Guerra, 1983). Sementes Colheita e beneficiamento: os frutos da canafístula devem ser colhidos quando mudam de coloração verde-escura para marrom-elara-acinzentada. Como os frutos permanecem na árvore por muito tempo, quando as sementes são colhidas muito secas, geralmente apresentam germinação lenta e irregular, mesmo se deixadas imersas na água por tempo superior a 72 horas (Duarte, 1978). Por se encontrarem no interior de vagens indeiscentes, as sementes de canafístula são de difícil extração. A extração é feita manualmente, com o auxílio de um cacete, ou em máquinas beneficiadoras, tipo debulhadora de milho adaptada para sementes florestais (Ragagnin & AmaralNúmero de sementes por quilograma: 4.200 (Castiglioni, 1975) a 25.000 (Amaral & Araldi, 1979). Um quilograma de frutos contém aproximadamente 200 g de sementes (Longhi, 1995), ou entre 4.900 e 12.000 sementes (Arboles ..., 1992; Durigan et al., 1997) e o número de frutos/kg é igual a 5.280. Tratamento para superação da dormência: as sementes da canafístula apresentam forte dormência tegumentar, que pode ser superada em ambientes naturais pelo aumento repentino da temperatura do solo por ocasião da abertura de clareiras na floresta (Costa & Kageyama, 1987). Para obtenção de mudas, com os tratamentos: escarificação mecânica por dois a cinco minutos (Figliolia & Silva, 1982) ou 30 minutos (Alcalay et al., 1988) e escarificação com papel de lixa (Arboles ..., 1992); pelo corte do tegumento na região oposta à da emergência da radícula (Alcalay et al., 1988) ou corte do tegumento na região radicial (Figliolia & Silva, 1982); imersão em ácido sulfúrico concentrado por dois a dez minutos (Bianchetti & Ramos, 1981), 20 minutos (Guerra et al., 1982; Perez et al., 1999) ou por 30 minutos (Capelanes, 1991), ou imersão em água ambiente por 24 horas (Marchetti, 1984). Os tratamentos de imersão em água quente fora do aquecimento (70 a 95°C) não são eficientes para superar a dormência (Bianchetti & Ramos, 1981). As sementes mantêm germinação baixa e irregular, se não forem submetidas a tratamento para superação da dormência. Para sementes não tratadas, os tratamentos pré-germinativos utilizados por Figliolia & Silva (1982), não foram eficazes na permeabilização do tegumento. Longevidade e armazenamento: as sementes da canafístula são de comportamento ortodoxo (Eibl et aI., 1994; Perez et aI., 1999). Sementes com faculdade germinativa inicial de 99%, armazenadas em sacos de papel Kraft, em câmara seca e em temperatura ambiente, com umidade relativa de 50%, aos 25 meses apresentaram germinação de 92%, enquanto as armazenadas em sala apresentaram uma germinação de 82% (Amaral et al., 1988). Sementes com faculdade germinativa inicial de 95%, armazenadas em tamborete em câmara fria (3 a 5°C e 92% de UR) apresentaram germinação de 41% após sete anos de armazenamento. Germinação em laboratório: os substratos areia a 26 e 30°C, papel mata-borrão branco a 22 e 26°C e papeltoalha a 24 e 26°C, podem ser utilizados nos estudos de germinação desta espécie (Ramos & Bianchetti, 1984). As sementes de canafístula são indiferentes à qualidade e intensidade da luz (Perez et al., 1999). Produção de Mudas Semeadura: pode ser feita diretamente em recipientes, sendo recomendado semear duas sementes. Se o recipiente for saco de polietileno, recomenda-se que este tenha dimensões mínimas de 20 cm de altura e 7 cm de diâmetro. As mudas de canafístula, produzidas em tubetes de polipropileno de tamanho médio.iapresentararn um custo total de produção três vezes menor em relação ao apresentado pelas mudas formadas em sacos de polietileno (Machado et al., 1998). A repicagem, quando necessária, deve ser feita entre três a cinco semanas após a germinação, ou quando a muda atingir 3 a 6 cm de altura. A canafístula apresenta elevada tolerância à poda radicial, podendo-se podar as mudas a 20 cm de profundidade (Locatelli & Galvão, 1980). As mudas são formadas por uma raiz pivotante muito desenvolvida em comprimento e espessura, da qual saem umas poucas raízes laterais, curtas e bem mais finas (Carvalho & Carpanezzi, 1982). Germinação: epígea, com início entre seis e 120 dias após a semeadura. O poder germinativo é alto, até 95% em sementes com superação da dormência, e baixo, até 28% em sementes sem superação da dormência. As mudas atingem porte adequado para plantio, cerca de quatro meses após a semeadura. Mudas com 50 cm de altura, de raiz nua e pseudo-estacas de canafístula também apresentam bom pegamento no plantio (Souza Cruz, 1992). Para Portela et aI. (1999), mudas desta espécie não necessitam de sombreamento na fase de viveiro, podendo ser produzidas sob pleno sol. Associação simbiótica: as raízes da canafístula não associam-se com Rhizobium (Campelo, 1976; Allen & Allen, 1981;Carvalho & Carpanezzi, 1982; Faria et al., 1984a; 1984b; Gaiad & Carpanezzi, 1984; Oliveira, 1999). Entretanto, no Paraguai, menciona-se que suas raízes têm nódulos grandes e que fixam nitrogênio (Lopez et al., 1987). Deve-se investigar a presença de fungos micorrízicos arbusculares. Propagação vegetativa: propaga-se por enxertia através do método da garfagem em fenda cheia apresentando, após 30 dias, 100% de pegamento (Silva, 1982). Propaga-se também por estacas radiciais. Segundo Kirst & Sepel (1996), a canafístula apresenta capacidade de micropropagação através de emissão de gemas laterais, embora nas condições testadas, o número médio de gemas obtido por ápice tenha sido relativamente baixo (duas a três para cada ciclo de quatro semanas). Segundo os autores, para que se obtenham clones de canafístula, que possam ser testados a campo, é necessário que se otimize a capacidade dos ápices desenvolverem gemas laterais por períodos mais longos, que taxas de multiplicação sejam maiores e que se obtenha uma freqüência de rizogênese maior. Características Silviculturais A canafístula é uma espécie heliófila (Ferreira, 1977; Inoue & Galvão, 1986); mediana mente tolerante a baixas temperaturas. Sofre lesões por geadas com temperatura mínima de - 1°C (Embrapa, 1986). Em florestas naturais, árvores adultas toleram temperaturas de até - 7°C. No Estado de São Paulo é considerada tolerante às geadas (Durigan et al., 1997), e tolera perfeitamente as baixas temperaturas do inverno gaúcho (Maixner & Ferreira, 1976). Hábito: variável, geralmente irregular, com perda de dominância apical, com bifurcação desde a base ou com formaçâo de galhos grossos, ainda que não seja rara a forma monopódica. Há ocorrência de desrama natural. Não obstante a característica ramificação dicotômica do tipo ortotrópica, a canafístula deve sofrer poda corretiva como complemento e desramas periódicas para aumentar a altura comercial. A espécierebrota dos pontos de poda. Métodos de regeneração: recomenda-se o plantio da canafístula a pleno sol, em plantio puro, com bom crescimento, porém forma inadequada. Na maioria dos plantios, apresenta sobrevivência superior a 80%, mas com heterogeneidade entre as plantas no crescimento em altura e diâmetro e na forma. Em plantio misto, associado com espécies pioneiras, apresenta poucos ramos, boa desrama e cicatrizaçâo natural, formando fuste alto e livre de nós (Kageyama et a(, 1990). A canafístula serve no tutoramento de espécies secundárias-clímax; em vegetação matricial arbórea, em capoeiras muito jovens, devendo-se abrir faixas largas, garantindo-se iluminação direta da copa ou em povoamentos densos espontâneos de Leucaena leucocephala com abertura de faixas, preferencialmente na direção Leste - Oeste (Zelazowski & Lopes, 1993). Brota vigorosa da touça, após corte. Sistemas agroflorestais: em sistema silviagrícola, na arborização de culturas perenes, como o chá (Thea sinensis) na Argentina. A espécie também é recomendada para sombreamento de pastagens, abrigos para o gado e em quebra-ventos, por apresentar copa ampla. Mudas grandes com 2 a 3 m podem ser transplantadas com sucesso com as raízes nuas (Maixner & Ferreira, 1976). Resiste a ventos fortes, sem quebra de galhos ou tombamento da árvore. No Paraguai, estacas de canafístula são usadas para postes vivos, que em pouco tempo brotam e começam a se desenvolver (Parodi, 1934). Canafístula 5 Melhoramento e Conservação dos Recursos Genéticos Peltophorum dubium está ameaçada de extinção no Estado de São Paulo (ltornan et al., 1992), sendo necessária preserva-Ia ex situ através de populações-base, sob a forma de testes de progênies e procedências (Siqueira & Nogueira, 1992). Instituições como o Instituto Florestal de São Paulo e a Embrapa Florestas têm-se preocupado com o melhoramento e a conservação genética desta espécie (Nogueira et al., 1982; Shimizu et al., 1987). Testes efetuados no Paraná e em São Paulo evidenciaram variabilidade genética entre procedências e entre progênies de canafístula (Siqueira et al., 1986; Shimizu et al., 1987). Para esta espécie, nos locais sem déficit hídrico, evidenciou-se a diferença entre as populações evoluidas em regiões com e sem déficit hídrico (Shimizu et aI., 1987). Crescimento e Produção A canafístula apresenta crescimento rápido (Tabela 1); a produtividade volumétrica máxima registrada é 19,60 m31 ha.ano' (Nogueira et al., 1982). O baixo crescimento observado em Concórdia - SC deveu-se às geadas fortes verificadas em todos os quatro anos do experimento. Higuchi (1978) elaborou equações volumétricas para volume comercial com e sem casca, para as condições edafo-c1imáticas de Foz do Iguaçu - PR e Guaíra - PRo Características da Madeira Massa específica aparente: a madeira da canafístula é densa (0,75 a 0,90 q/cm-). a 15% de umidade (Braga, 1960; Stillner, 1980; Mainieri & Chimelo, 1989). Massa específica básica: 0,53 a 0,65 q/cm" (Silva et al., 1983). Cor: alburno róseo-claro levemente amarelado; cerne com alternâncias irregulares de colorido róseo-acastanhado e de bege rosado-escuro, freqüentemente com veios escuros irregulares. Características gerais: superfície irregularmente lustrosa e um tanto grosseira ao tato; textura médio-grosseira; grã fortemente revessa e diagonal. Cheiro e gosto imperceptíveis. Durabilidade natural: resistência moderada ao apodrecimento. Estacas de cerne desta espécie mostraram-se ser altamente resistente a fungos e resistente a cupins (Cavalcante et al., 1982). Contudo, a vida média da madeira de canafístula em contato com

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