Paraguai (pronunciado em português europeu: [pɐɾɐˈgwaj]; pronunciado em português brasileiro: [paɾaˈgwaj]; em espanhol: Paraguay, pronunciado: [paɾaˈɣwaj]; em guarani:Paraguái), oficialmente República do Paraguai (em castelhano: República del Paraguay; em guarani: Tetã Paraguái), é um país do centro da América do Sul, limitado a norte e oeste pela Bolívia, a nordeste e leste pelo Brasil e a sul e oeste pela Argentina.[7] O Paraguai é um dos dois países da América do Sul que não possuem uma saída para o mar, juntamente com a Bolívia. Possui uma área de 406 752 quilômetros quadrados,[8] um pouco maior que o estadobrasileiro de Mato Grosso do Sul.[9] A população paraguaia foi estimada em cerca de 6,5 milhões de habitantes em 2009, a maioria dos quais estão concentrados na região sudeste do país. A capital e maior cidade é Assunção,[10] cuja região metropolitana é o lar de cerca de um terço da população do país. Em contraste com a maioria das nações latino-americanas, a cultura e a língua nativa do país — o guarani — permaneceram altamente influentes na sociedade. Em cada censo, os residentes predominantemente identificam-se como mestiços, refletindo anos de miscigenação entre os diferentes grupos étnicos do país. O guarani é reconhecido como língua oficial, junto com o espanhol, e ambos os idiomas são falados pela população.
O Paraguai está localizado no centro-sul da América do Sul. A topografia da área do leste do país é extensamente plana.[11] O principal produto de exportaçãocultivado nessa região é a soja.[12] No oeste, a principal atividade econômica do cerrado do Gran Chaco é a pecuária.[13] O rio Paraguai divide o país entre o norte e o sul. O próprio rio é a mais importante rota comercial de transporte num país que não tem saída para o mar. São parte integrante da população do Paraguai uma grande quantidade de brasileiros, os brasiguaios. Os brasiguaios abrangem uma área muito grande próximo à fronteira com o Brasil.[14] Essa área ocupada pelos brasiguaios é uma fonte de preocupação para os demais habitantes da região.[15]
Os nativos guaranis viviam no atual território paraguaio por pelo menos um milênio antes dos espanhóis conquistarem o território no século XVI. Os colonizadores espanhóis e missões jesuíticas introduziram o cristianismo e a cultura espanhola para a colônia. O Paraguai estava na periferia do Império Espanhol, com poucos centros urbanos e uma população escassa. Após a independência da Espanha em 1811, o país foi governado por uma série de ditadores que implementaram políticas isolacionistas e protecionistas. Este desenvolvimento foi truncado pela desastrosa Guerra do Paraguai (1864–1870), no qual o país perdeu entre 60 e 70 por cento da sua população, por conta da guerra e de doenças, e perdeu cerca de 140 000 quilômetros quadrados do seu território para a Argentina e o Brasil. No século XX, o Paraguai sofreu uma sucessão de governos autoritários, culminando no regime de Alfredo Stroessner, que liderou a mais longa ditadura militar da América do Sul, de 1954 a 1989. Ele foi derrubado durante um golpe militar interno e eleições multipartidárias livres foram organizadas e realizadas pela primeira vez em 1993. Um ano depois, o Paraguai se juntou a Argentina, Brasil e Uruguai para fundar o Mercosul, uma colaboração econômica e política regional.
O Paraguai é um dos países mais pobres e isolados da região, embora desde a virada do século XXI tenha experimentado um rápido crescimento econômico. Em 2010, sua economia cresceu 14,5 por cento, a maior expansão econômica da América Latina e a terceira mais rápido do mundo (depois de Qatar eSingapura).[16] Em 2011, o crescimento econômico desacelerou para 6,4%, mas manteve-se superior à média global.[17] No entanto, a desigualdade de rendae o subdesenvolvimento permanecem generalizados. A dependência econômica do setor primário torna o país dependente do clima como, por exemplo, em 2009 e 2012, quando a economia registrou um crescimento negativo devido a condições climáticas adversas. O índice de desenvolvimento humano (IDH) do país é 0,669, um dos mais baixos da América do Sul e ainda menor do que o da Bolívia.
Índice
[esconder]Etimologia[editar | editar código-fonte]
O topônimo Paraguay tem origem relativamente incerta; sabe-se que provém do guarani e que teria sido dado inicialmente ao rio, porém não há umaetimologia fidedigna de seu significado no idioma.[18] As alternativas prováveis são "águas do mar" (de pará, "mar", guá, que denota origem, e ý, "água", significando "água que vem do mar",[19] onde "mar" provavelmente se refere ao Pantanal) ou uma modificação de payagua-í ("água" ou "rio dos paiaguás").[19]
Em guarani, costuma-se escrever o nome como Paraguái, e usa-se, ocasionalmente, a forma Paragua-y para se referir à cidade de Assunção.[19] Em tupi, o vocábulo teria origem no termo Paragoáy (de paragoá, "papagaio" e ý, "rio"), com o significado de "rio do papagaio".[20] Eduardo de Almeida Navarro defende que o nome do país e do rio provém da língua guarani antiga, significando "rio dos paraguás" pela junção deparagûá (paraguá, uma variedade de psitacídeo) e 'y (rio).[21]
História[editar | editar código-fonte]
Era pré-colombiana e colonização[editar | editar código-fonte]
Quando da chegada dos espanhóis ao território do Paraguai Oriental, ou seja, a área entre o rio Paraná a leste e o rio Paraguai a oeste, o território era habitado por diversas etnias indígenas que se encontravam em estado de guerra entre elas. Estas etnias pertenciam a três grupos diferentes: os do Pampa, os lágidos e os amazônicos. Ainda não se sabe qual destes grupos chegou primeiro ao território. O que se sabe é que até o século XV os guaranis conseguiram avançar desde o norte, isto graças à sua superioridade numérica e posse de uma cultura material mais desenvolvida, onde praticavam o cultivo da mandioca, milho eamendoim. A prática de uma agricultura de roça permitia que obtivessem excedentes necessários para manter uma população em contínuo crescimento demográfico, e que necessitava de novos territórios.
Os primeiros colonos espanhóis chegaram ao Paraguai no início do século XVI.[22] A cidade de Assunção, fundada em 15 de agosto de 1537,[23] logo se tornou o centro de uma província nas colônias espanholas na América do Sul, conhecida como "Província Gigante de Indias".
| “ | …o Paraguai não chegou a formar grandes latifúndios exportadores, em mãos de uma camada poderosa de proprietários rurais, como aconteceu em muitos países latino-americanos. (…) Os camponeses livres, na sua maioria mestiços, haviam sido, no início do século XVIII, os protagonistas das grandes rebeliões "comuneras" contra os jesuítas e as autoridades espanholas ligadas a eles."[24] | ” |
Antes da chegada dos europeus, os territórios situados entre os rios Paraná e Paraguai eram ocupados pelos guaranis, que viviam da agricultura, da caça e da pesca. Acossados, no século XV, por tribos da região do Grande Chaco, os guaranis cruzaram o rio Paraguai e submeteram seus inimigos, levando o conflito aos limites meridionais do império Inca. Eram, assim, os aliados naturais dos primeiros exploradores europeus que procuravam rotas mais curtas para as minas do Peru.
Aleixo Garcia, que partiu do litoral brasileiro em 1524 e Sebastião Caboto, que subiu o Paraná em 1526, foram os primeiros a atingir as terras interiores da bacia Platina, hoje pertencentes ao Paraguai, mas coube a Domingos Martínez de Irala a primazia dos primeiros núcleos coloniais (1536-1556). Juan de Ayolas, Juan de Salazar e Juan de Garay também realizaram penetrações na região. Irala lançou os fundamentos do Paraguai, que logo se transformou no centro da transformação espanhola na região sul-oriental da América do Sul. Sua política de colonização consistiu na delimitação das fronteiras com o Brasil através da construção de uma linha de fortes contra a expansãoportuguesa, na fundação de vilas e na intensa miscigenação de espanhóis com guaranis, principal fator da formação da população do país.
A partir do início do século XVII e por mais de 150 anos, missões jesuíticas do sudeste do Paraguai exerceram governo efetivo sobre cerca de 100 000 índios com 33 reduções, as quais serviam como centros de conversão religiosa, de produção agropecuária, de comércio e manufaturas, mas também como postos avançados contra a expansão portuguesa.
Independência e conflitos (1811-1870)[editar | editar código-fonte]
Em 15 de maio de 1811, o Paraguai declarou a sua independência da Espanha, sem luta nem guerra. O Dr. José Gaspar García Rodríguez de Francia, mais conhecido como o "Dr. Francia", ou "O Supremo", governou o país até sua morte, ocorrida em 1840. Durante seu governo, o Dr. Francia isolou o Paraguai do resto do mundo, não mantendo relações com nenhum país e proibindo a emigração e a imigração. Reprimiu a oposição ao regime e utilizou a política isolacionista como meio de deter as ambições expansionistas do Brasil e daArgentina e a penetração estrangeira. A fim de evitar a necessidade de comércio exterior, o ditador estimulou a autossuficiência agrícola, mediante a introdução de novas culturas e desenvolveu as manufaturas. Essa política isolacionista contribuiu para preservar o caráter homogêneo do povo paraguaio e seu espírito de independência.
Sobre este caudilho afirmam Antonio Mendes Junior e Ricardo Maranhão:
| “ | As imensas terras dos jesuítas, que após sua expulsão, em meados do século XVIII, haviam passado para as mãos do Estado espanhol, foram arrendadas por baixo preço a camponeses livres. (…) "El Supremo" apoiou-se exclusivamente nos camponeses mestiços e índios. (…) preocupou-se muito com a educação primária dos mestiços: defensor do ensino obrigatório e gratuito, atacou o analfabetismo; ao morrer, em 1840, não existia um só analfabeto no Paraguai, caso único em toda a América Latina."[25] | ” |
Francia foi sucedido por Carlos Antonio López (1840-1862), que abandonou o isolacionismo, expandiu o comércio externo e a educação e abriu as portas do país para técnicos estrangeiros. Aumentava, contudo, a fricção entre o Paraguai e seus dois poderosos vizinhos, Brasil e Argentina. O ditador argentino Juan Manuel Rosas ergueu obstáculos aocomércio exterior paraguaio, mediante bloqueio econômico, enquanto reavivavam-se disputas fronteiriças. Consciente do perigo, Antonio López, tratou de fortalecer o exército, que seu filho Francisco Solano López (1862-1870) teria amplas oportunidades de usar. Treinado por oficiais alemães e equipado com armas europeias modernas, o exército paraguaio tornou-se uma força formidável empregada numa aventura expansionista.
Há um mito muito divulgado sobre o Paraguai dessa época que diz que o Paraguai era uma potência regional e um país autossuficiente, com um exército poderoso, procurando uma saída para o mar. Tal narrativa, segundo alguns historiadores, não passaria de um mito. O Paraguai de Francia e Solano López, segundo esses historiadores, nada mais seria que um país que buscava se fortalecer militarmente com medo de possíveis tentativas de anexação da Argentina. Outro fato importante ressaltado por alguns historiadores é que o Paraguai tinha, sim, uma receita de exportações baseada na madeira e na erva-mate. Ainda em oposição ao mito de um país industrializado e autossuficiente, alguns historiadores argumentam que o país, naquela época, não era industrializado nem tampouco era uma potência regional.
As perdas territoriais paraguaias para seus vizinhos começaram quando a província de Misiones foi cedida à Argentina em 1852 por Carlos Antonio López, pai de Francisco Solano López, em troca do reconhecimento argentino da independência paraguaia.[26] A província de Formosa foi perdida após a guerra do Paraguai, chamada pelos paraguaios de guerra de La Triple Alianza.
| “ | Para a Argentina, a guerra do Paraguai havia representado um passo decisivo para completar o processo de formação de seu estado nacional, pela eliminação ou incorporação da maioria das oposições provinciais ao governo de Buenos Aires. A oligarquia portenha sentia-se à vontade para aspirar à efetiva aplicação do tratado da Tríplice Aliança, que lhe daria de presente todo o chaco paraguaio. O governo argentino, chefiado então por Sarmiento (que sucedera a Mitre) e tendo como ministro das relações exteriores Tejedor, empenhou-se em pôr em prática sua política anexionista. (…) As discussões e disputas se arrastaram por dois anos, tornando-se mais graves a partir de janeiro de 1872, quando o barão de Cotegipe assinou um tratado em separado com o governo títere de Assunção. Os protestos de Buenos Aires levaram a um clima em que a possibilidade de guerra contra o império não era descartada. Principalmente porque o governo do Rio de Janeiro, apresentando-se como "benévolo", perante os paraguaios, contentou-se com a fixação de fronteiras nos limites reivindicados antes da guerra e contestados por Solano López. (…) Finalmente, a 3 de fevereiro de 1876, o tratado de Irigoyen-Machain entre Buenos Aires e Assunção, aceito pelo Rio de Janeiro, encerrou a questão. Segundo ele, a Argentina teria uma parte do território do Chaco até o rio Pilcomayo e as tropas brasileiras se retiravam do Paraguai, respeitando as cláusulas brasileiro-paraguaias de 1872."[27] | ” |
A chamada guerra do Paraguai desenvolveu-se entre 1865 a 1870, contra a Tríplice Aliança, composta pela Argentina, Brasil e Uruguai, apoiados economicamente pelo Reino Unido. Diversos motivos levaram os países envolvidos ao conflito bélico, que acabou custando muito ao Paraguai, como a perda do seu exército poderoso frente aos demais países da América do Sul, como também o mais grave, que foi a morte de dois terços da população do sexo masculino e a perda de territórios, em grande parte, para o Brasil e a Argentina: como resultado da guerra, que se encerrou em 1870, além de Misiones, os paraguaios perderam a região do Chaco correspondente à província de Formosa para a Argentina. Conforme transcrito acima, ambas as anexações foram definitivamente reconhecidas em 1876, depois do tratado de Irigoyen-Machain que firmou a paz com o governo de Buenos Aires. Uma parte do seu território (nordeste) foi anexada ao Mato Grosso (hoje, Mato Grosso do Sul). A economia paraguaia ficaria estagnada pelos cinquenta anos seguintes.
Século XX[editar | editar código-fonte]
A reconstrução econômica do país foi perturbada pela sequência de crises políticas, golpes de Estado e guerras civis das últimas décadas do século XIX. Apesar da existência de partidos políticos, Colorado e Liberal, a formação dos governos era, quase sempre, fruto de intervenções militares e revoluções palacianas. Durante a Primeira Guerra Mundial, quando o país permaneceu neutro, houve um período de certa prosperidade. Cresciam paralelamente as disputas com a Bolívia pela posse do Chaco. Desde os primeiros anos do século XX os dois países construíram fortes na área contestada. Após choques esporádicos, estourou a guerra do Chaco (1932-1935), que os paraguaios, comandados pelo coronel José Félix Estigarribia, venceram a muito custo. O Tratado de Paz de 1938, assinado com a intermediação do Brasil, Argentina, Chile,Peru, Uruguai e Estados Unidos, deu ao Paraguai a maior parte do território disputado e à Bolívia uma saída para o rio Paraguai via Puerto Suárez.
A guerra do Chaco permitiu o surgimento do primeiro movimento político importante destinado a reformar instituições. O coronel Rafael Franco, líder de um novo partido, oFebrerista, assumiu a 17 de fevereiro de 1936 com grande apoio popular. Empregando métodos ditatoriais, Franco promoveu uma distribuição limitada de terras, promulgou leis sociais e trabalhistas e nacionalizou fontes de matérias-primas. Os reformistas sofreram um revés com um golpe de Estado desfechado pelo exército, mas, em 1939, elegeram o herói da guerra do Chaco, José Félix Estigarribia, como presidente da república. Estigarribia promulgou a constituição reformista de 1940. Seus planos progressistas que previam a reforma agrária e modernização do país caíram por terra após sua morte num acidente aéreo.
Sob o governo do general Higino Morínigo (1940-1948), o Paraguai recaiu na ditadura militar, em que as liberdades civis foram suprimidas e restabelecidos os direitos do latifundiários. A oposição cresceu a partir de 1944, e, em 1947, liberais e febreristas, com o apoio de parte do exército, sublevaram-se. Embora derrotados, provocaram a renúncia do ditador. Após sucessivos golpes de Estado que levaram ao poder quatro presidentes, inclusive o escritor Juan Natalicio González, o líder do Partido Colorado,Federico Chávez (1949-1954), assumiu o governo. Sua administração caracterizou-se pelo alinhamento com o regime de Juan Domingo Perón, na Argentina. Dificuldades econômicas e financeiras, decorrentes do forte processo inflacionário que se seguira à Guerra Civil de 1947, contribuíram para sua deposição.
Em maio de 1954, o comandante do exército, general Alfredo Stroessner, tomou o poder, Stroessner fez-se eleger presidente nesse ano e foi reeleito em 1958, 1963, 1973, 1978, 1983 e 1988. Para cada eleição, suspendeu-se por um dia o estado de sítio. Stroessner garantiu seu regime exilando os líderes democráticos, cercando-se de áulicos e controlando diretamente as forças armadas. Aos apelos da Igreja em favor dos presos políticos, reagiu expulsando do país vários sacerdotes. No campo econômico, o Paraguai foi marcado por contrabando e pela inauguração da usina hidrelétrica de Itaipu, um projeto conjunto entre Brasil e Paraguai.
Era contemporânea[editar | editar código-fonte]
Ver também: Crise política de 2012 no Paraguai
Stroessner foi deposto em 3 de fevereiro de 1989 em golpe liderado pelo general Andrés Rodríguez que deixou dezenas de mortos. Empossado na presidência, Rodríguez levantou a censura à imprensa, autorizou a volta dos exilados, legalizou organizações políticas, que estavam proibidas e convocou eleições. Em 1 de maio, foi eleito presidente. Em 1991, assinou, em Assunção, junto com os presidentes do Brasil, Argentinae Uruguai, o tratado de criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul).
Nas eleições presidenciais e legislativas de 9 de maio de 1993, ganhou Juan Carlos Wasmosy, do partido Colorado, que tomou posse na presidência em 15 de agosto do mesmo ano. Investigações sobre a ligação de paraguaios com o narcotráfico internacional e o veto aos protestos de militares, em 1994, geraram conflitos entre Wasmosy e o chefe do exército, Lino Oviedo, que tentou um golpe, frustrado por manifestações no país e dos demais membros do Mercosul e dos Estados Unidos. Oviedo foi indicado a concorrer à presidência, mas um tribunal militar o condenou a dez anos de prisão, em março de 1998, pela tentativa de golpe, tornando-o inelegível. Seu substituto, Raúl Cubas, venceu o pleito em maio e libertou Oviedo por decreto. A corte Suprema declarou ilegal o indulto, mas Cubas ignorou essa posição.
Em março de 1999, o vice-presidente eleito, Luis María Argaña, rival do Oviedo no Partido Colorado, foi morto a tiros em Assunção. Manifestantes exigiram a destituição de Cubas, apontado pelo executor Pablo Vera Esteche juntamente com Oviedo como mandantes do crime [28] [29] . No dia 26, seis manifestantes foram assassinados enquanto pediam a saída de Cubas. Ele renunciou depois e refugiou-se no Brasil. Luis González Macchi, presidente do congresso, assumiu. Em outubro, um pistoleiro confessou ter matado Argaña e implicou Oviedo e Cubas no crime. No leste do país, cresceu a tensão entre paraguaios e brasileiros.
Militares se rebelaram em maio de 2000, mas a nova tentativa de golpe fracassou, outra vez por causa da pressão externa. O governo declarou estado de sítio e atribuiu a tentativa de Oviedo, que foi preso por policiais em Foz do Iguaçu e levado para Brasília. Após cinco anos de exílio retorna ao Paraguai. Ao chegar ao país, foi preso [30] e cumpriu pena até 2007.O colorado Nicanor Duarte Frutos foi eleito presidente em abril de 2003. Os colorados mantiveram a maioria no congresso, mas com menos força: o número de deputados do partido caiu de 45 para 37 e o de senadores de 24 para 16. O PLRA elegeu 21 deputados e doze senadores. Em agosto, Duarte tomou posse, em meio a grave crise econômica. Fora da presidência, Macchi foi proibido pela justiça de sair do país, onde deveria responder às acusações de corrupção.
Em 20 de abril de 2008, Fernando Lugo foi eleito o novo presidente do Paraguai dando fim a quase seis décadas de domíno do partido Colorado. O ex-bispo católico e teólogo prometeu realizar uma reforma agrária dentro dos marcos constitucionais, ampliar o sistema de seguridade social do Paraguai e lutar pela soberania energética do país. Foi votado no dia 22 de junho de 2012 um processo de afastamento de Lugo, no qual o presidente sofreu um impeachment pelo Parlamento paraguaio em pouco mais de 24 horas. O presidente teve apenas 2 horas de defesa, o que gerou protestos por parte de apoiadores, governos estrangeiros e entidades internacionais. Em uma reunião realizada emMendoza, Argentina em 29 de junho de 2012, a Unasul, em consenso dos chefes de estado participantes, considerou o processo uma violação da ordem democrática [31] Segundo a ministra da defesa do Paraguai, o chanceler da Venezuela teria instigado os militares paraguaios a usarem a força contra a decisão do congresso, o que foi confirmado por um comandante paraguaio.[32] Na mesma reunião que decidiu pela suspensão do Paraguai do Mercosul, os demais membros aceitaram a Venezuela no bloco, processo que se encontrava parado devido ao Congresso paraguaio. De acordo com o vice-presidente uruguaio, isso viola o tratado de Assunção que instituiu o bloco.[33]
Geografia[editar | editar código-fonte]
O Paraguai faz fronteira com a Bolívia ao norte e a noroeste, com o Brasil a leste e a nordeste, e com a Argentina a sudeste, ao sul e a oeste. A localização da cidadeAssunção fica na margem esquerda do rio Paraguai, na parte frontal da foz do rio Pilcomayo. O rio Paraguai desce da parte setentrional para a parte meridional. O próprio rio faz a divisão do Paraguai em duas regiões geográficas distinguidas — a Región Oriental (Região Oriental) e a Región Ocidental (Região Ocidental). Outro nome dado à essa última, é o Chaco Boreal.
No Paraguai existem três diferentes regiões geográficas. O Chaco é uma planície de grande extensão na parte ocidental do país. Em compartilhamento com a Bolívia e aArgentina, é caracterizado pela altitude que se declina gradualmente da parte norte-ocidental para a parte sul-oriental. É revestida de áreas pantanosas e ocorrem muitascheias durante a época em que chove. O campo é a vegetação predominante da região central. Seu relevo é de morros e a fertilidade dos vales serranos. O tipos de vegetação característicos são a savana, as matas de galeria e a vegetação de pântano. A área florestal está localizada em um acidente geográfico de terra baixa. Os morros de baixa altitude recortam essa região e alcançam aproximadamente 700 metros nas cordilheiras de Amambay e Mbaracayú, ambas na fronteira com o Brasil.
A rede hidrográfica é caracterizada pela presença de numerosos rios que estão intimamente relacionados com a vida econômica e política do país. Os rios formam a maior parte das fronteiras do Paraguai e constituem seus mais importantes meios de transportes. As fronteiras oeste, sul e sudeste com a Argentina são demarcadas pelos riosPilcomayo, Paraguai e Paraná, enquanto os rios Paraguai, Apa e Paraná separam o país do Brasil, ao norte e leste. O Paraguai e o Paraná são os mais importantes cursos d'água do país. O primeiro nasce em terras brasileiras e atravessa extensas planícies de aluvião, dividindo o país em duas partes (oriental e ocidental).
Clima[editar | editar código-fonte]
O clima do Paraguai é, geralmente, subtropical, menos em alguns trechos da região do Chaco, com temperatura parecida à do Planalto Central Brasileiro, onde é quente e úmido. O país é cortado pelo trópico de Capricórnio ao centro, próximo a Concepción. A posição central e plana do Paraguai, praticamente sem barreiras naturais, favorece os rápidos efeitos dos ventos quentes originários do Equador, e dos ventos frios que vêm da Argentina, causando variações térmicas acentuadas.
No verão, as temperaturas variam entre 26 °C e 33 °C, e no inverno entre 15 °C e 26 °C. A temperatura média é de 23 °C, enquanto que a máxima absoluta de 41 °C e a mínima é de 1 °C. A diferença entre a temperatura média do verão e a do inverno é de 6 °C. Uma das características do clima paraguaio é a alta temperatura sentida no verão, especialmente na região dos campos e do Chaco, e o frio intenso que ocorre no período do inverno.
São muito frequentes e quase sempre abundantes as chuvas no território paraguaio. O tamanho do país tem influência na quantidade de chuvas, acentuando a estação seca especialmente na fronteira com Bolívia e Argentina. Pode-se considerar bem elevado o índice de chuvas no Planalto do Paraná, com 2.000 mm anuais. Na capital, Assunçãocai para 1.300 mm e no Chaco para 800 mm. Os meses de concentração das chuvas são dezembro, janeiro e fevereiro, caindo durante o inverno.
Biodiversidade[editar | editar código-fonte]
O território do Paraguai tem três regiões com vegetação característica em função da diferença na precipitação pluviométrica. Há florestas, o Chaco e campos. As florestas situam-se na região Oriental, principalmente nos vales próximos aos grandes rios, onde há madeiras de lei como o urunday, o cedro, o curupay e o lapacho, entre outras. Os campos situam-se na parte central do país, onde há grandes fazendas de criação de gado, que se beneficiam da grande variedade de pastagens naturais, entre as quais muitas gramíneas. Nessa região de campos, há, também, florestas diversas acompanhando as margens dos rios.
Já a região do Chaco é formada por gramíneas e florestas próximas ao rio Paraguai. O quebracho é uma árvore característica da região, de onde se extrai o tanino, de grande valor comercial e vendido especialmente para os mercados estadunidense e britânico. Nas regiões mais secas do Chaco há arbustos e cactos gigantes. Em função do clima, tipo de solo e vegetação, o Chaco é considerado uma região inóspita, ocupando cerca de sessenta por cento do território do país. Os campos, que ocupam cerca de vinte por cento da superfície do Paraguai, foram ocupados em primeiro lugar. No entanto, nas últimas décadas, as florestas também passaram a ser ocupadas pelos fazendeiros, que implantaram, ali, extensas plantações de soja, que é exportada, em sua maior parte, através do porto brasileiro de Paranaguá. Milhares de colonos brasileiros se estabeleceram no Paraguai, especialmente nas fronteiras, como donos de fazendas ou trabalhadores rurais.
A fauna paraguaia, idêntica à do Centro-Oeste brasileiro, inclui a onça, muito frequente no Chaco, o queixada, o cervo, tatu e tamanduá. Há também muitas espécies de pássaros e aves tropicais, como emas,seriemas, garças, tucanos e papagaios.
Demografia[editar | editar código-fonte]
Embora não exista nenhum dado oficial sobre a composição étnica do Paraguai, estima-se que a maior parte da população seja o resultado da mestiçagem entre indígenas e imigrantes europeus, que teve início na época do domínio espanhol. A população atual é conformada por descendentes de uma nova mestiçagem entre a população tradicional hispano-guarani que sobreviveu ao extermínio durante a Guerra do Paraguai e imigrantes (europeus especialmente e asiáticos) que chegaram após a Guerra do Paraguai com o objetivo de repovoar o país.[34] No final do século XX, o número de habitantes aumentou a uma taxa de 2,6% ao ano. Com o ritmo acelerado de crescimento, a população deve duplicar em um período de 21 anos.
Segundo pesquisa de 2011 do Latinobarómetro, dos paraguaios entrevistados, 55% identificaram-se como mestiços, 29% como brancos, 3% como índios, 1% como mulatos, 1% como negros e 2% outra "raça".[35]
A densidade populacional é considerada baixa (14,1 hab./km²). Existem grandes contrastes de ocupação entre as distintas partes do país: o Chaco é a região mais despovoada. As planícies próximas ao rio Paraná têm densidade moderada. A porcentagem da população urbana é de 56,7%. Os habitantes concentram-se nas principais cidades do país, como Assunção, Ciudad del Este, San Lorenzo e Fernando de La Mora. A taxa de natalidade é elevada — cada mulher tem em média 3,8 filhos. A taxa demortalidade infantil é moderada e gira em torno de 26 por mil. A expectativa de vida é de 68,5 anos para homens e de 73 anos para mulheres.
A imigração após a Guerra do Paraguai foi fundamental para a reconstrução do país: "Após a Guerra contra a Tríplice Aliança, o Paraguai dizimado precisava recuperar a sua sociedade, tanto do ponto de vista demográfico como social, cultural, econômico e político. O governo paraguaio começou uma campanha para atrair imigrantes, especialmente europeus, para renovar e transformar a sociedade, atingindo assim o país, contingentes de italianos, argentinos, espanhóis, franceses, brasileiros, portugueses, alemães, uruguaios, austríacos, britânicos, entre outros, que foram os primeiros em abrir grupos empresariais e da indústria, mudando o tipo de vida cotidiana. A contribuição dos imigrantes no final do século XIX foi muito importante para o Paraguai, pois ajudaram a reativar a economia e influenciaram a construção de uma nova sociedade e, portanto, uma nova cultura nacional." (Regeneración de la Sociedad Paraguaya: Aporte de los Inmigrantes (1870-1904), Raquel Zalazar).[36]
Alemães,[37] italianos,[38] japoneses,[39] [40] coreanos,[41] chineses, sírios, árabes,[42] brasileiros e argentinos estão entre as nacionalidades minoritárias que se instalaram no Paraguai.
Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]
|
Cidades mais populosas do Paraguai Censo 2010 | |||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Assunção Ciudad del Este | |||||||||||
| Posição | Localidade | Departamento | Pop. | Posição | Localidade | Departamento | Pop. | San Lorenzo Luque | |||
| 1 | Assunção | Distrito Capital | 742 574 | 11 | Pedro Juan Caballero | Amambay | 100 480 | ||||
| 2 | Ciudad del Este | Alto paraná | 387 755 | 12 | Mariano Roque Alonso | Central | 90 484 | ||||
| 3 | San Lorenzo | Central | 356 594 | 13 | Itauguá | Central | 84 162 | ||||
| 4 | Luque | Central | 264 438 | 14 | Villa Elisa (Paraguai) | Central | 72 423 | ||||
| 5 | Capiatá | Central | 235 201 | 15 | San Antonio | Central | 76 808 | ||||
| 6 | Lambaré | Central | 180 324 | 16 | Hernandarias | Alto Paraná | 69 616 | ||||
| 7 | Fernando de la Mora | Central | 173 941 | 17 | Presidente Franco | Alto Paraná | 71 613 | ||||
| 8 | Limpio | Central | 142 824 | 18 | Caaguazú | Caaguazú | 69 302 | ||||
| 9 | Ñemby | Central | 138 818 | 19 | Coronel Oviedo | Caaguazú | 78 395 | ||||
| 10 | Encarnación | Itapúa | 104 671 | 20 | Concepción | Concepción | 59 128 | ||||
Idiomas[editar | editar código-fonte]
O guarani, língua falada pela maioria da população, e o espanhol são os idiomas oficiais, sendo que 95% da população é bilingue. O dialeto falado no país é o espanhol rioplatense. Há também dezenas de milhares de falantes puramente indígenas de dialetos guaranis no Paraguai.[43]
O idioma guarani é uma língua do grupo macro-tupi, falada por 4 000 000 de pessoas (das quais 2 000 000 a têm como língua materna) no Paraguai (onde é língua oficial), no nordeste de Argentina, no sul do Brasil e no Chaco boliviano. É a língua nativa dos guaranis, um povo nativo da região, mas também goza de uso extenso fora da etnia. Na América pré-colonial e do início da colonização europeia, foi utilizada como língua franca em uma ampla região a leste da Cordilheira dos Andes, desde o mar das Antilhas até o Rio da Prata. O guarani é o idioma oficial do Paraguai e é falado por noventa por cento da população paraguaia.
Esta situação se deveria principalmente à originária constituição da sociedade paraguaia. Como consequência da superioridade numérica de falantes do guarani e da relação de parentesco que existia entre espanhóis e indígenas, a língua nativa gozou desde o começo de uma ampla aceitação social. Esta língua era a diária na vida paraguaia e a aceitação social era paralela à do castelhano, em contraste ao que ocorria ou ocorre no resto da América.
O Paraguai é único em muitos aspectos e diferente de outros países latino-americanos. O Paraguai tem uma população mestiça que é bastante homogênea (hispânica na aparência e na cultura). As pessoas não aparentam, nem vestem ou se comportam como indígenas. Os termos ladino e mestizo não são usados no espanhol paraguaio e não existem conceitos sobre mistura cultural ou racial, como existem em outros países latino-americanos. No entanto, apesar da espanholização da maioria dos moradores, noventa por cento da população é falante da língua indígena guarani. Por esse motivo, o Paraguai é único no hemisfério e o país é, frequentemente, citado como uma das poucas nações bilíngues no mundo.[44]
Religião[editar | editar código-fonte]
O catolicismo é a religião mais popular, não mais oficial desde a atual constituição. A constituição de 1992 admite a livre prática de qualquer tipo de religião ou crença. 89,6% da população são católicos e 6,2% são protestantes, com predominância de menonitas. Há também minorias que incluem 1,1% de cristãos de outras afiliações, 1,9% de outras religiões e 1,1% de ateus.
Os primeiros missionários foram os franciscanos (1542), seguidos dos jesuítas, que fundaram no começo do século XVII as Missões, onde se concentraram mais de 300 000guaranis, em sete reduções, no sudeste do Paraguai. Esse notável empreendimento catequético e social tinha bases econômicas definidas: agricultura, pastoreio, artesanato,indústria, artes, ao lado de magníficas igrejas.
As Missões constituíram um verdadeiro estado autossuficiente, de caráter teocrático e comunitário, que chegou a existir por mais de 150 anos (1610-1768), resistindo ao assédio dospaulistas. Com o tratado de Madrid e com a expulsão dos jesuítas (1767), as Missões foram invadidas e devastadas, voltando os índios ao estado primitivo.
O arcebispo de Assunção era membro do conselho de Estado até 1992, que designava altos dignitários eclesiásticos pelo direito do padroado real. Cerca de metade dos padres dopaís (quatrocentos no total, um para cada mil pessoas) são franciscanos, membros de ordens predominantemente europeias e têm criticado as violências da ditadura de Alfredo Stroessner.
As denominações protestantes (menonitas, batistas, pentescostais) dependem predominantemente das missões estrangeiras, sem suficiente liderança nacional.
Composição étnica[editar | editar código-fonte]
Não existem dados oficiais sobre a composição étnica da população paraguaia, devido a que a Dirección General de Estadísticas, Encuestas y Censos do Paraguai[45] não inclui o item raça ou etnia, embora inclua a porcentagem de indígenas que habitam o país (segundo o censo do ano 2002, a população indígena do Paraguai representava 1,7% da população).[46] Cerca de 40.000 índios puros habitam as florestas do Chaco Ocidental e do Nordeste. A população do país, que antes da Guerra do Paraguai (1864-70) era de 500.000 habitantes, foi reduzida a menos da metade depois do conflito. A evasão por questões políticas ou econômicas também contribuiu para a baixa densidade demográfica. Existe, porém, uma ampla presença europeia, que representa uma grande parte da população, principalmente de espanhóis, alemães, italianos (que têm contribuído a repovoar o país após a Guerra da Tríplice Aliança).[34] Uma das últimas e importantes correntes imigratórias do país foi a dos menonitas alemães estabelecidos, maiormente, na Região Ocidental.
Uma recente pesquisa científica realizada por uma equipe franco-paraguaia e publicada na revista europeia "International Journal of Immunogenetics" na edição de fevereiro de 2011[47] chegou à conclusão da predominância dos genes espanhóis em mestiços paraguaios. A pesquisa publicada compara o sangue paraguaio com o sangue espanhol de origem andaluza (região de origem da maioria dos conquistadores no século XVI) e também com o sangue "guarani". O DNA extraído dos glóbulos brancos de 40 índios "Mbya Guarani" foi analisado através de modernas técnicas de biologia molecular (PCR) e foi tipificado o grupo sanguíneo HLA (nos glóbulos brancos). Após ter analisado as frequências do grupo sanguíneo e comparadas as distâncias genéticas entre mestiços paraguaios, espanhóis e guaranis do Paraguai, chegou-se às seguintes conclusões: 1) Os guaranis do Paraguai são geneticamente "muito diferentes" dos mestiços paraguaios e também dos espanhóis. 2) As distâncias genéticas são muito próximas entre mestiços paraguaios e espanhóis, enquanto são "muito distantes" entre mestiços paraguaios e guaranis do Paraguai. A predominância genética espanhola em mestiços paraguaios pode ser explicada através da história. Em 1537, 57 conquistadores espanhóis fundaram Assunção, a capital. Juntaram-se às mulheres guaranis nos primeiros anos, para dar origem à mistura hispano-guarani. Esta mistura foi intensa apenas durante as primeiras décadas da conquista, e foi então substituída por uma mestiçagem "mestizo-criolla" (descendentes de espanhóis nascidos no Paraguai). Ao mesmo tempo, a população guarani diminuía rapidamente devido às doenças e às guerras contra os novos habitantes.[48]
Governo e política[editar | editar código-fonte]
O Paraguai é uma república presidencialista, onde o presidente é, ao mesmo tempo, chefe de Estado e de governo. A constituição do Paraguai, promulgada em 20 de agosto de 1992, estabelece que o país é uma república baseada na democracia e na divisão dos poderes. O chefe de estado e chefe de governo é o atual presidente Horacio Cartes e o vice-presidente, Juan Afara.
No final da década de 1980, a saúde declinante do general Alfredo Stroessner e com a consequente incapacidade de lidar com os golpes de Estado, disputas militares, sucessão e descontentamento econômico levaram o general Andrés Rodríguez em 1989, por meio de um golpe. Sua promessa de estabelecer a democracia foi cumprida em 1993, com as primeiras eleições livres após sessenta anos de governo militar. O Partido Colorado, o velho partido governante de Stroessner, ainda teve apoio suficiente para vencer as eleições para o Congresso e para a presidência. Mas Guillermo Cabalero Vargas representando o PEN, um dos expoentes da ideologia do novo mercado, obteve metade dos votos emAssunção.
O poder executivo é exercido pelo presidente, eleito por sufrágio universal direto para um mandato de cinco anos, sem possibilidade de reeleição. Ao presidente, que é auxiliado pelovice-presidente, compete nomear os ministros. O presidente e o vice-presidente são assessorados pelo Conselho de Ministros. O presidente participa da formulação da legislação e a promulga, podendo vetar leis emanadas do legislativo.
O Conselho de Ministros é constituído pelos membros do gabinete, o reitor da Universidad Nacional de Asunción, o presidente do Banco Central do Paraguai e representantes dos seguintes ministérios: agricultura e pecuária; educação e cultura; finanças; relações exteriores; indústria e comércio; interior; justiça; defesa; saúde e bem-estar social; obras publicase comunicações.
O poder legislativo é bicameral, compreendendo o Senado, (45 membros), e a Câmara dos Deputados, (80 membros); senadores e deputados têm cinco anos de mandato. As eleições para o Congresso se celebram em listas fechadas simultaneamente com a eleição presidencial (não se aplica o voto por cada candidato a deputado ou senador senão por uma lista apresentada por cada partido político). Os deputados se elegem por departamento enquanto os senadores se elegem em nível nacional, ambos para mandatos de cinco anos.
O número de representantes eleitos por cada departamento (divisão administrativa) relaciona-se com a população dos departamentos. Os senadores são eleitos por todos os eleitores em forma nacional. Os membros do poder legislativo são eleitos pelo método D'Hondt .
O poder judiciário inclui a Corte Suprema de Justiça (nove juízes), as Cortes de Apelação, o Tribunal de Primeira Instância, e os juízes de Arbitragem, de Instrução e de Paz. O Senado e o presidente selecionam seus nove membros sobre a base de recomendações de um conselho de magistrados (Conselho da Magistratura) segundo a atual constituição de 1992.
A Corte Suprema resolve todos os casos que lhe são enviados pelas cortes inferiores. É constituída por um juíz principal e oito juízes associados. O presidente do país indica os juízes, que cumprem um mandato de cinco anos. As cortes de apelação especiais tratam de casos criminais, civis e trabalhistas. As cortes civis lidam com casos comerciais. Os juízes de paz resolvem os casos menores.
Os principais partidos políticos são o Partido Colorado ou Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), o Movimento Pátria Querida (MPQ), a União Nacional dos Cidadãos Éticos (UNACE), o Partido País Solidário (PPS), o Partido Encontro Nacional (PEN) e o Partido Pátria Livre (PPL).
No que tange às relações internacionais, o Paraguai é membro da Organização das Nações Unidas, da Organização dos Estados Americanos, da Associação Latino-Americana de Integração e do Mercosul. Os principais objetivos do Paraguai são a integração ao Mercosul e a melhoria das relações diplomáticas com os Estados Unidos.
Eleições e partidos políticos[editar | editar código-fonte]
O voto é obrigatório para todos os paraguaios com idade de 18 a 75 anos. As eleições são regidas por um código eleitoral, que pode ser alterado pelo Congresso. Os residentes estrangeiros são autorizados a votar nas eleições municipais. Até 1990, o partido que ganhou uma maioria simples, foi premiado com dois terços das cadeiras em ambas as câmaras, que foi substituído por um sistema de representação proporcional.
A partir do final do século XIX, dois tradicionais partidos políticos do Paraguai foram o Partido Liberal (último no poder em 1940) ea Associação Nacional Republicana (Asociación Nacional Republicana; ANR), popularmente conhecido como Partido Colorado. De 1947 até 1962 o Partido Colorado foi o único partido legal no Paraguai, e manteve-se no poder ininterruptamente até 2008. Sob o governo do general Alfredo Stroessner (1954-1989), todos os partidos políticos estavam estreitamente controlados, incluindo as facções dissidentes do seu Partido Colorado. A polícia manteve dossiers sobre os cidadãos, particularmente os adversários políticos, e a repressão política era generalizada. Os generais desempenharam um importante papel no governo.
A liberdade política melhorou significativamente com presidentes Andrés Rodríguez (1989-1993) e Juan Carlos Wasmosy (1993-1998), e as facções internas do Partido Colorado eram abertamente toleradas. Em 2008, Fernando Lugo foi eleito presidente como candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (Alianza Patriótica para el Cambio; APC), coalizão de centro-esquerda que incluía o Partido Liberal Radical Autêntico(Partido Liberal Radical Autêntico, PLRA), uma ramificação do tradicional Partido Liberal, bem como um número de grupos que representam os interesses de índios, camponeses e sindicatos de esquerda. Entre outros partidos políticos do país são o Partido Comunista Paraguaio(PCP), o Partido Pátria Querida (Partido Patria Querida; PPQ) e União Nacional de Cidadãos Éticos (UNACE). Partes dedicadas à substituição da força da democracia não podem ser organizadas. Nenhum partido pode receber ajuda ou instruções de organizações estrangeiras ou Estados, ou estabelecer as estruturas que direta ou indiretamente, abracem aviolência como uma metodologia política.
A família geralmente determina o juramento do indivíduo aos partidos políticos, uma mudança de filiação partidária é muitas vezes considerado um ato de traição. Os membros do partido significam a adesão ausente a uma ideologia política do que o apoio indefectível de candidatos do partido. Especialmente nas áreas rurais, essa lealdade é muitas vezes o caminho para o emprego.
Forças armadas[editar | editar código-fonte]
As principais forças armadas do Paraguai são Exército, Marinha Nacional (que inclui Aviação Nacional, Corpo de Fuzileiros Navais e Prefeitura Naval Geral) e Força Aérea. AConstituição do Paraguai estabelece que o presidente do Paraguai é o comandante-em-chefe.
O orçamento anual de defesa é de US$ 6,3 milhões de dólares. As alterações nos gastos com defesa aumentaram 38% em 1989. Sob o governo do general Alfredo Stroessner, o exército, com efetivo total de 26 mil homens, tinha 42 generais e 245 coronéis. Em 1992, o chefe do exército e outros altos oficiais foram demitidos devido aoescândalo envolvendo contrabando de automóveis.
O Paraguai tem serviço militar obrigatório, e todos os homens de 18 anos de idade e 17 anos de idade no ano de seu aniversário de 18 anos são responsáveis por um ano de serviço ativo. Embora a Constituição de 1992 permite a objeção de consciência, não há legislação outorgada que ainda tenha sido aprovada.
Em julho de 2005, a ajuda militar sob a forma de Forças Especiais dos Estados Unidos, começaram a chegar na base aérea paraguaia de Mariscal Estigarribia, um imenso complexo construído em 1982.
Subdivisões[editar | editar código-fonte]
Departamentos[editar | editar código-fonte]
O Paraguai está dividido em 17 Departamentos (departamentos). Cada departamento é dividido em distritos (distritos). Até 1991, o governo central nomeou governadores departamentais e prefeitos, mas em maio desse ano direto eleições municipais foram realizadas pela primeira vez. A Constituição de 1992, em uma outra inovação, desde as eleições de governador e um conselho departamental de cada departamento, que também será realizada a cada cinco anos.
Durante a ditadura de Alfredo Stroessner, o exército estava encarregado da administração de Boquerón e Alto Paraguay, na região do Chaco.
Distritos[editar | editar código-fonte]
A unidade de governo local é o distrito, governado pela junta municipal e pelo prefeito. Os distritos estão subdividem-se em partidos e os partidos em compañias.
Os eleitores escolhem conselhos para governar os distritos. Os chefes de polícia, indicados pelo governo nacional, mantêm a lei nos partidos e nas compañias. Assunção, a capital, forma o distrito federal, com administração própria.
Economia[editar | editar código-fonte]
A economia paraguaia baseia-se em produto agropecuários e florestais, que representam 75% das exportações. Entre os recursos agrícolas destacam-se a cana-de-açúcar, oalgodão, a soja e o tabaco. O país também produz cereais, milho, erva-mate e mandioca, base tradicional da alimentação dos habitantes. A pecuária é muito desenvolvida. Em ordem de importância, conta com a criação de bovinos, suínos e ovinos. As principais espécies de madeiras florestais de exportação são o quebracho, o mogno, a nogueira e ocedro.
O Paraguai possui indústrias de erva-mate, cervejeira, alimentícia, de tabaco, de rum e álcool, de preparação de carnes e couros e ligada à exportação de tanino óleo de soja, de parket e lâminas de madeiras. Seus complexos hidrelétricos, como a Usina Hidrelétrica de Itaipu (co-financiada com o Brasil), fornecem um índice de cobertura energética de 175,2% — bem acima do consumo interno, porém tem também a Usina del Acaray em Hernandarias e a Usina de Yacyreta que está sendo construída em parceria com a Argentina. Os cursos fluviais dos rios Paraná e Paraguai funcionam como vias de comunicação. Dos países vizinhos importa principalmente maquinaria, materiais de construção e produtos têxteise químicos. No entanto, a indústria paraguaia é pouco desenvolvida. Os estabelecimentos existentes se destinam, em grande parte, a transformação de produto florestais, agrícolasou de pecuária. Indústrias do tanino, de óleos vegetais, carnes e conservas. Há fábricas de tecidos de algodão e outros bens de consumo, sapatos, cigarros, bebidas, açúcar,fósforos e sabão. Existem fundições que trabalham com o ferro de Ibytymi (Ibitimi), uma fábrica de cimento ao norte de Concepción e uma refinaria de petróleo em Assunção. Oartesanato indígena merece destaque.
O país exporta eletricidade — os rendimentos cobrem as importações de petróleo. O país é auto-suficiente em trigo e em outras matérias-primas alimentícias. Grande dependência da agricultura (a atividade responde por 50% do PIB e 90% das exportações). Poucos minériosexplorados comercialmente. As exportações paraguaias - que se destinam, sobretudo ao Brasil, Países Baixos, Argentina, Suíça, Alemanha, Estados Unidos e Itália - apoiam-se nos produtos agrários e extrativos. As fibras de algodão, soja, carnes enlatadas, essência para perfumaria, café e óleo vegetal perfazem 89,5% do total. Os principais importados - principalmente do Brasil, Japão, Argentina, Estados Unidos, Alemanha e Argélia - são as máquinas e os equipamentos detransporte, combustíveis e lubrificantes, fumo e bebidas, de produto químicos, farmacêuticos e de ferro.
Em 2010, o Paraguai está experimentando a maior expansão econômica da região e a mais alta da América Latina, com uma perspectiva histórica de crescimento do PIB de 9%, podendo chegar a 13% para o final do ano.[49] [50] [51] [52] Só no primeiro semestre de 2010, o país teve un crescimento econômico de 14%.[53] O 49,9% do crescimento do PIB corresponde à agricultura; o 9,7% à indústria (incluindo a construção e as utilidades públicas); o 34% corresponde a serviços e 6,1% às taxas.[50] Uma nova estimativa da consultora internacional norte-americana PricewaterhouseCoopers indica um crescimento de 10,5% da economia paraguaia para 2010.[54] [55] [56]
O principal banco paraguaio é o Banco Central do Paraguai, que administra o sistema financeiro do país. Os maiores bancos são o Interbanco, o Citibank, o Banco Amambay S.A., o Banco Regional e o Banco Nacional de Fomento. Argentina, Brasil, Estados Unidos e Inglaterra têm investimentos consideráveis no Paraguai. O guarani é a moeda corrente no país. Está dividida em cem cêntimos.
Setor primário[editar | editar código-fonte]
As pequenas propriedades agrícolas produzem milho, mandioca, cana-de-açúcar e fumo, utilizando técnicas em geral primitivas Porém com a abertura da colonização oriental do país para imigrantes brasileiros nas décadas de setenta, oitenta e início da década de noventa, as terras agricultáveis mudaram muito. Hoje grandes conglomerados de olho nessas terras, fizeram os preços valorizara-se muito. A agricultura é muito desenvolvida, principalmente no cultivo de soja e milho segunda safra. O advento da tecnologia e de técnicos formados no país, ou mesmo os que vieram de países vizinhos, colaborou para a exploração dos quase 3 milhões de hectares explorados em agricultura empresarial. As regiões algodoeiras estão situadas ao longo do rio Paraguai no Chaco, e as culturas de fumo no sul do país. O mate é cultivado, primcipalmente para consumo, na parte leste do território. Cultiva-se a laranja amarga, que é de importância, uma vez que, pela destilação da casca, se consegue uma essência fundamental para a indústria da perfumaria.
No rebanho paraguaio prepondera o gado bovino, com cerca de 8074000 cabeças, além de porcinos, equinos e lanígeros. O bovino mais bem adaptado às condições do país é o da chamada raça crioula, excelente para a fabricação de charque, conservas e produto e subprodutos. A produção de carne, em todas as suas fases, está na esfera de um órgão governamental, a Corporação Paraguaia de Carnes (COPACAR). O gado é criado de forma extensiva e as principais áreas de criação nos campos do Chaco e no departamento de Itapúa. Os grandes rios são muito piscosos, mas a pesca é praticada apenas de maneira artesanal.
É grande a produção madeireira, embora a maior parte seja cortada para combustível. Os principais são o quebracho vermelho, apanhado no Chaco, e do qual se retira otanino; o cedro, obtido nas florestas do Paraná, e erva-mate, colhida nas florestas orientais e a oeste da serra de Amambay. A exploração ressente-se da falta de transporte e de equipamentos modernos. Há pouco reflorestamento.
O Paraguai tem sido considerado por muito tempo como um país pobre em recursos minerais. Desde 2009, essa ideia vem sendo rejeitada como consequência da descoberta de grandes reservas de urânio na área de Yuty, Departamento de Caazapá, por uma empresa de capital canadense (Chris Healey Transandes Paraguay).[57] [58][59] [60]
Desde então, as notícias do setor de mineração no Paraguai têm sido mais do que positivas. Esse ano foi anunciada a descoberta da que poderia ser a maior reserva mundial de titânio.[61] [62] [63] [64] [65] [66] [67]
O setor de mineração no Paraguai tornou-se muito atraente para os investidores estrangeiros e, segundo alguns especialistas, podem tornar o país como a nova potência latinoamericana em minerais.[68] Também foi descoberto ouro, cobalto, níquel e cromo.[69]
A possibilidade de extrair o petróleo do Chaco não se concretizou. Existem pequenas jazidas de ferro, manganês e cobre, de exploração incipiente.
Turismo[editar | editar código-fonte]
O Paraguai recebe 280 454 visitantes por ano. O número de visitantes aumentou um por cento em 1990. O turismo é fraco — exceto quanto ao grande número de brasileirose argentinos que cruzam a fronteira todos os dias para comprar, em Ciudad del Este, produtos eletrônicos originários do Extremo Oriente.
Sendo um país de características nacionais bastante acentuadas de música e folclore típicos, possui valioso potencial turístico. Algumas de suas atrações: o lago Ypacaraí, com os balneários de San Bernardino e Areguá; o Lago Ypoá; os saltos de Monday, Acaray, Guairá; as ruínas jesuíticas dos centros missionários de Trinidad, perto deEncarnación; o monumento ao marechal Solano Lopez e o panteão Nacional dos Heróis. Ainda constituem atrativos o festival de ñaduti, em Itauguá, onde é exposto esse tipo de renda fina feita à mão, vestidos de aho poí e artigos de madeira e de couro.
Infraestrutura[editar | editar código-fonte]
Energia[editar | editar código-fonte]
O Paraguai tornou-se autossuficiente em energia quando entrou em funcionamento, em 1976, complexo hidrelétrico de Acaray, com capacidade para 190 MW. A inauguração do complexo binacional brasileiro-paraguaio de Itaipu (12 000 MW), no rio Paraná, tornou o Paraguai exportador de energia de boa qualidade e baixo custo,[70] principalmente para o Brasil. Dois outros projetos, de Yacyretá-Apipé e de Corpus, em cooperação com a Argentina, enfretaram uma série de problemas, dentre os quais avultavam os de financiamento.
Saúde[editar | editar código-fonte]
A expectativa de vida ao nascer era de 75 anos em 2006,[71] e a oitava melhor posição do ranking na América do Sul de acordo com a Organização Mundial da Saúde. É o mesmo nível da Argentina. A despesa pública em saúde é de 2,6% do PIB e as despesas privadas em saúde 5,1%.[72] A mortalidade infantil era de 20 por mil nascimentos em2005.[72] A mortalidade materna foi de 150 por 100.000 nascidos vivos em 2000.[72] O Banco Mundial ajudou o governo paraguaio para reduzir a mortalidade materna e infantil do Paraguai. O Mother and Child Basic Health Insurance Project teve como objetivo contribuir para a redução da mortalidade, aumentando a utilização de serviçosselecionados de salvação de vidas incluídos no Mother and Child Basic Health Insurance Program (MCBI) por mulheres em idade fértil e crianças menores de idade seis em áreas selecionadas. Para este fim, o projeto também teve como objetivo a melhoria da qualidade e eficiência da rede de serviços de saúde dentro de determinadas áreas, além da gestão do Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social (MSPBS).[73]
Sarampo, tuberculose, infecções respiratórias agudas, disenteria, ancilostomíase e hepatite são prevalentes no Paraguai. O mal de Chagas e leishmaniose são endêmicas, e não foram registrados surtos esporádicos de dengue transmitida por mosquitos e febre amarela. Embora as taxas de mortalidade infantil ter diminuído significativamente desde a década de 1960, elas ainda são superiores aos de outros países sul-americanos. Desnutrição e serviços de saúde pública limitados, especialmente a implementação pobre dos programas de imunização, levaram milhares de mortes preveníveis, particularmente nas zonas rurais, onde a saúde dos moradores é geralmente pior do que suas contrapartes urbanas. Em 2000, cerca de quatro quintos dos paraguaios tinham acesso a água potável (de cerca de três quintos, em 1992), mas, em geral, o governo gastou menos para a assistência médica. Cerca de quatro quintos dos paraguaios não têm seguro de saúde. O Instituto de Previdência Social (IPS) é financiado por contribuições do governo, empregadores e empregados. Oferece pensões, assistência médica, e subsídios durante a doença, mas atinge apenas uma pequena percentagem dos trabalhadores assalariados.
Transportes e comunicações[editar | editar código-fonte]
O sistema de comunicação reflete as características do país. O transporte fluvial é importante e o sistema Paraná-Paraguai, que abrange uma rede navegável de 1 600 km, concentra a maior parte do tráfego comercial para o porto de Buenos Aires. Assunção é o principal porto do Paraguai. A rede ferroviária tem 44 km de extensão. As principais linhas são a da estrada de ferro Presidente Carlos Antonio López, que liga Assunção e Encarnación, servindo a região mais povoada do país e a de Ferrocaril de Norte, que faz a conexão entre Concepción e Horqueta.
As comunicações por estradas de rodagem são mais abrangentes, com 29 800 km, sendo que trinta por cento desse total é pavimentado (4 800 km asfaltados, 1 600 km empedrados e 2 500 km de saibro). A taxa de rodovias asfaltadas para cada milhão de habitantes é quase igual à rede brasileira e chilena e pode-se viajar a qualquer cidade importante do país, de norte a sul e de leste a oeste em boas rodovias asfaltadas, sendo que a maioria tem menos de dez anos de idade.
O aeroporto de Assunção é importante escala de linhas aéreas internacionais e o Aeroporto Internacional Guaraní, de Ciudad del Este, é um importante centro aéreo internacional de cargas. Ambos os aeroportos contam com pistas de mais de 3 500 metros de extensão, com possibilidades para qualquer tipo de aeronave, e o Aeroporto de Asunción permanece aberto os 365 dias do ano, devido à excelente visibilidade. Em 2008, o país alcançou o recorde de pasageiros em vôos internacionais, com aproximadamente 700 000 passageiros embarcados/desembarcados, sendo que oitenta por cento deste movimento foi realizado pela TAM Airlines, subsidiária da TAM Brasil, com sede em Assunção e voos para dez destinos internacionais regionais.
O Paraguai tem uma das menores taxas de linha telefônica fixa e uso da internet por pessoa na América do Sul. Parcialmente em resposta a isso, o uso do telefone celularaumentou radicalmente, com cerca da metade de paraguaios tendo um telefone celular.
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