Mesmo não representando considerável perigo na forma conhecida por "intoxicação metais pesados", o plutônio mostra-se particularmente tóxico se inalado. Sua toxidade por inalação supera em cerca de 10.000 vezes sua toxidade por ingestão, e a aspiração de minúsculas quantidades deste elemento pode levar - a médio prazo - a uma morte por câncer de pulmão.[7]Na década de 80 o físico Ralph Nader afirmou que com apenas um quilograma de Plutônio-239 seria teoricamente possível a extinção da população humana a longo prazo (considerado uma dose letal por inalação de poucos microgramas e os danos genéticos com uma dose mutagênica de poucos nanogramas). [8][9][10]. Essa afirmação só é verdadeira quando não é considerado que existe uma dose não fatal de plutônio. Em 1989 o físico Bernard L. Cohen desafiou Ralph Nader, propondo ingerir a quantidade de plutônio que Ralph Nader usou para fazer essa afirmação. Ralph Nader recusou o desafio [11][12]. Levando em conta quanto plutônio é realmente absorvido na inalação e o tempo de exposição, é possível calcular o número de mortes para 2 milhões por libra, ou 0.45 quilos, mostrando o plutônio como menos tóxico do que o anthrax [13] .Em um ano, um reator nuclear de 1200 MW (como p. ex. o de Angra 2) produz 265kg desse material, que tem uma meia-vida de 24.000 anos, e há material de sobra para se produzirem danos consideráveis às populações humanas e meio ambiente em geral.

Acidentes nucleares[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Acidente nuclear
O acidente no reator de Chernobyl (ex-URSS) contaminou radioativamente uma área de aproximadamente 150.000 km² (corresponde mais de três vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro), sendo que 4.300 km² possuem acesso interditado indefinidamente. Até 180 quilômetros distantes do reator situam-se áreas com uma contaminação de mais de 1,5 milhões de Becquerel por km², o que as deixa inabitáveis por milhares de anos.
Um reator nuclear precisa de resfriamento, mesmo em estado desligado, pois os processos de decaimento espontâneos desenvolvem uma quantidade de calor que pode chegar até 10% da força máxima do reator. Caso todos os sistemas de resfriamento falhem, o reator se esquenta, fazendo com que os metais dos combustíveis entrem em fusão, que acontece a temperaturas em volta de 2000°C. Nesse caso existe perigo do combustível fundir um buraco no contêiner de segurança, com a inevitável contaminação radioativa dos arredores da usina. Para evitar tal caso, uma usina nuclear tem cascatas de sistemas de resfriamento.
A falha de resfriamento pode ser causado por erros humanos, impacto de catástrofes naturais ou ataques terroristas. Foram falhas de funcionários no caso do acidente da usina Three Mile Island perto de Harrisburg, Pennsylvania, E.U.A que levou a destruição completa do reator e o vazamento de substâncias radioativas com mais de 1,6 · 1015 Bq no dia 28 de março de 1979 (nível 5 na escla INES).
Um terremoto da 8,9 na escala Richter e o subsequente tsunami levou ao acidente nuclear de Fukushima I (nível 7 na escala INES). A falha de resfriamento fez os níveis de água nos tanques de de arrefecimento baixar, provocando aquecimento dos combustíveis e a formação de hidrogênio em 4 dos 6 blocos da central. As seguintes explosões destruíram os prédios e causaram vazamentos em contêineres de segurança com liberação de materiais radioativos.
Em 1993 uma pessoa demente ultrapassou as barricadas de segurança da usina "Three Mile Island" com um carro e chegou até o salão de turbinas. Nesse momento o reator estava em operação sob plena carga. Foi condenada sob acusação de causar ou arriscar a uma catástrofe e internada em psiquiatria.[14]

Perigos aos funcionários[editar | editar código-fonte]

Principalmente todo funcionário operando na proximidade de substâncias radioativas está exposto ao risco de contaminação e portanto deve cumprir regras rígidas de segurança radiológica. Mesmo assim, já aconteceram vários imprevistos na história da energia nuclear, nem todos classificados pela Agência Internacional de Energia Nuclear (IAEO).[15]
Um funcionário do instituto de pesquisa nuclear belga em Mol (EURATOM) sofreu um acidente em 1980 que o expôs a Plutônio-239 e provavelmente o levou a morte por leucemia 8 anos depois. Pesquisas feitas em cachorros, motivadas por esse incidente, demonstraram que 3,24 microgramas de Plutônio-239 absorvidos pelo pulmão resultam em morte por câncer. [16]

Segurança[editar | editar código-fonte]

Agência Internacional de Energia Atómica alertou que terroristas poderiam vir a comprar resíduos radioativos, por exemplo de países da ex-URSS ou de países com ditaduras que usam tecnologias nucleares, tais como Irã ou Coreia do Norte, e construir uma chamada "bomba suja".
O quão fácil é desviar materiais altamente radioativos é demonstrado pelo exemplo do acidente radiológico de Goiânia, no Brasil em 1987, onde uma cápsula contendo Césio-137 foi encontrada por moradores em um lixão, contida dentro de uma máquina hospitalar em um hospital abandonado.[17]
Uma usina nuclear, justamente por lidar com algo potencialmente perigoso e que já resultou em acidentes no passado, tem normas de segurança tanto nacionais quanto internacionais que garantem que cada procedimento seja feito de acordo com todos os padrões de segurança. A Agência Internacional de Energia Atômica é um órgão internacional regulatório que salva-guarda a construção e uso da energia nuclear no mundo. Os requisitos para a obtenção de salva-guarda são severos e reconhecidos pela exigência em relação à segurança e operação de usinas nucleares; sem uma salva-guarda, um país é proibido de realizar a construção de instalações nucleares. Um dos requisitos para a obtenção de salva-guarda é que a instalação em questão deve ser supervisionada durante toda a sua existência por um grupo internacional de supervisores especializados em segurança radiológica e nuclear.

Gases de estufa[editar | editar código-fonte]

Os insumos necessários e auxiliares à produção da energia nuclear, como a fabricação de recipientes próprios e refinamento do combustível nuclear, ou seja, para operacionalizá-la de forma geral, leva a uma consequente produção de gases de estufa entre 3 e 6 vezes maior comparada com a energia hídrica e eólica.[18]

Etapas do ciclo do combustível[editar | editar código-fonte]

elemento químico urânio é um metal encontrado em formações rochosas da crosta terrestre. Na usina de beneficiamento, o urânio é extraído do minério, purificado e concentrado sob a forma de um sal de cor amarela, conhecido como yellowcake, matéria prima para produção da energia gerada em um reator nuclear.
Na usina de conversão, o urânio sob a forma de yellowcake, é dissolvido e purificado, obtendo-se então o urânio nuclearmente puro. A seguir, é convertido para o estado gasoso, o hexafluoreto de urânio (UF6), a partir do qual se obtém enriquecimento do urânio. Nesta etapa aumenta-se a concentração do 235U acima do natural, que é de apenas 0,71% de 235U , para em torno de 3%, o que permite sua utilização como combustível para geração de energia elétrica.
O hexafluoreto de urânio enriquecido (UF6) é então transformado em dióxido de urânio (UO2). A reconversão é o retorno do gás UF6 ao estado sólido, sob a forma de pó UO2 . É a reconversão que permite a sua utilização como combustível. Este pó é transformado em pastilhas de UO2 , que possuem a forma de um cilindro com cerca de um centímetro de comprimento. Estas são então submetidas a diversos testes - dimensionais, metalográficos e químicos - para então compor o elemento combustível.[1]
Após o processo de maturação da pastilha, sob temperaturas de 1750°C são montados os elementos combustível, compostos pelas pastilhas de dióxido de urânio montadas em tubos de uma liga metálica especial. Um elemento combustível tem capacidade de fornecer energia para cerca de 42.000 residências médias durante um mês.

Energia nuclear e impacto ambiental[editar | editar código-fonte]

Ao se discutir a energia nuclear e seus aspectos ligados ao meio ambiente, deve-ses primeiro conhecer o chamado ciclo do elemento combustível nuclear. Utiliza-se o termo elemento para designar o arranjo de varetas contendo o urânio encapsulado, que será consumido durante o funcionamento dos reatores nucleares. Esse ciclo inicia-se na etapa de mineração de urânio. A percentagem de urânio nos minérios, normalmente, é baixa, menos do que 1%. Desse modo, grandes quantidades de material têm de ser trabalhadas para se obter a quantidade necessária de urânio para o funcionamento de um reator nucleardurante um ano.[19]
Se não for adequadamente planejada, como qualquer atividade de mineração de grande porte, a mineração de urânio pode causar forte impacto ambiental. Esse planejamento deve incluir, entre outros, questões como: a geração de poeiras, a utilização das águas e a recuperação da área degradada após o fechamento do empreendimento.
Como consequência do baixo teor de urânio, grandes volumes de minério teriam de ser transportados e o custo do transporte para o seu processamento, em algum local distante da mineração iria inviabilizar financeiramente o empreendimento. Dessa forma, associa-se a mineração de urânio ao seu processamento. Durante essa etapa, o minério é tratado com ácido sulfúrico visando a solubilizar o urânio. Após, ele encontra-se na forma de íons uranila (UO2+2). Segue-se a precipitação do urânio com di-uranato de amônio [(NH4)2U2O7] , comumente chamado de yellow-cake ou bolo amarelo, segundo a reação abaixo.
Com exceção dos reatores do tipo BWR (Boiling Water Reactor - reatores de água fervente), todos os reatores nucleares de potência, ou seja, destinados à produção de energia elétrica, utilizam elemento combustível enriquecidos em 235U. A percentagem isotópica natural é de 0,73% , enquanto que reatores PWR (Pressurized Water Reactor - reatores de água pressurizada) empregam elemento combustível com cerca de 4% de 235U. Os processos de enriquecimento de urânio usam uma espécie gasosa contendo urânio: o hexafluoreto de urânio (UF6) Assim sendo, a etapa seguinte do processo é a conversão do (NH4)2U2O7 em UF6.
Para converter-se o (NH4)2U2O7 em UF6,são necessárias as etapas abaixo:
O hexafluoreto de urânio é, então, utilizado no processo de enriquecimento. No Brasil, emprega-se o enriquecimento através de ultracentrífugas e, como o fator de enriquecimento obtido em cada estágio é baixo, utiliza-se um conjunto dessas unidades chamado de cascata.
O impacto radiológico ambiental dessas duas unidades é considerado baixo e o maior problema ambiental está relacionado com o emprego de HF e de F2 , ambos bastante tóxicos e corrosivos.
Certamente, por questões de segurança, o emprego do urânio na forma gasosa em reatores nucleares não seria algo dos mais aconselháveis. Por essa razão, a etapa seguinte ao enriquecimento é chamada de reconversão, ou seja, ao contrário da etapa de conversão, temos a transformação do UF6 (gás) em UO2 (sólido).
Um reator nuclear de potência do tipo PWR – como os existentes em Angra dos Reis – trabalha com uma sequência de barreiras de contenção, a fim de que os produtos da fissão do urânio não atinjam o meio ambiente. A primeira dessas barreiras é a própria pastilha de urânio enriquecido.
O elemento combustível nuclear é um arranjo de vareta, produzido em uma liga metálica à base de zircônio chamada de Zircalloy. No interior dessas varetas, existem pastilhas cerâmicas de UO2.
Portanto, as varetas são consideradas a segunda barreira. O reator nuclear de Angra 2 possui 193 desses conjuntos contendo cada um 236 varetas, perfazendo um total de 45.548 varetas. Os elementos combustíveis permanecem cerca de três anos no núcleo do reator, período durante o qual a percentagem de 235U diminui para cerca de x%.

Notas

  1. Ir para cima O termo queima se refere ao processo de fissão de núcleos de urânio que causa a liberação de uma quantidade significativa de energia.
  2. Ir para cima Reação em cadeia é uma seqüência de reações de fissão nuclear, provocadas por um nêutron ou grupo de nêutrons, que gera novas reações entre os núcleos envolvidos.
  3. Ir para cima Material fissionável é a quantidade de elemento fissionável que é capaz de sustentar uma reação em cadeia de fissão nuclear.

Referências

  1. ↑ Ir para:a b c d Tânia Toyomi Tominaga, : (2009). Energia nuclear, o que é necessário saber? 1 ed. [S.l.: s.n.] p. 33. Parâmetro desconhecido |volumes= ignorado (|volume=) (Ajuda); |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (Ajuda)
  2. Ir para cima Tabela da Nagasaki University School of Medicine.
  3. Ir para cima [1]
  4. Ir para cima «O Japão é hoje um país sem energia nuclear».
  5. Ir para cima [2]
  6. Ir para cima http://www.tabela.oxigenio.com/actinidios/elemento_quimico_plutonio.htm
  7. Ir para cima «Findings on the Toxicity of Plutonium» (em inglês). Consultado em 29/03/2011.
  8. Ir para cima Steckbrief Plutonium(em alemão)
  9. Ir para cima http://www.ag-friedensforschung.de/themen/DU-Geschosse/plutonium.html
  10. Ir para cima http://www.fortfreedom.org/p22.htm
  11. Ir para cima http://atomicinsights.com/1995/05/how-deadly-plutonium.html
  12. Ir para cima http://www.fortfreedom.org/p22.htm
  13. Ir para cima http://www.phyast.pitt.edu/~blc/book/chapter13.html
  14. Ir para cima [3]
  15. Ir para cima http://www-news.iaea.org/news/default.asp
  16. Ir para cima http://www.ag-friedensforschung.de/themen/DU-Geschosse/plutonium.html
  17. Ir para cima http://www.brasilescola.com/quimica/acidente-cesio137.htm
  18. Ir para cima http://pt.scribd.com/doc/37066681/Energia-Nuclear
  19. Ir para cima Energia Nuclear e Impacto Ambiental 1 ed. [S.l.: s.n.] 2009. p. 11. Parâmetro desconhecido |volumes= ignorado (|volume=) (Ajuda); |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (Ajuda)

Referências adicionais[editar | editar código-fonte]

  • Gaynor Sekimori: Hibakusha: Survivors of Hiroshima and Nagasaki. Kosei Publishing Company, Japan 1986, ISBN 4-333-01204-X
  • Takeshi Ohkita: Akute medizinische Auswirkungen in Hiroshima und Nagasaki, in: Eric und Susanna Chivian u.a. (Hrsg.): Last aid. Die medizinischen Auswirkungen eines Atomkrieges. Heidelberg 1985
  • Robert P. Newman: Truman and the Hiroshima Cult. Michigan State University Press, 1995
  • Malheiros, TaniaBrasil, a bomba oculta: O programa nuclear brasileiro. Rio de Janeiro: Gryphus, 1993. 164 páginas.
  • Malheiros, TaniaBrasiliens geheime Bombe: Das brasilianische Atomprogramm. Tradução: Maria Conceição da Costa e Paulo Carvalho da Silva Filho. Frankfurt am Main: Report-Verlag, 1995. (em alemão)
  • Antônio D. Machado e Ennio Candoti (coord.): Energia Nuclear e Sociedade - Um debate, Editora: Paz e Terra, 1980, 322 páginas,
  • Gláucia Oliveira da Silva: Angra I e a melancolia de uma era - Um estudo sobre a construção social do risco, Editora: EdUFF, 1999, 284 páginas
  • Does Brazil have the Bomb?. World Information Service on Energy. December 19, 1994.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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