domingo, 6 de novembro de 2016

SALVADO

Salvador, fundada como São Salvador da Bahia de Todos os Santos,[10] é um município brasileirocapital do estado da Bahia, localizado na Mesorregião Metropolitana de Salvador e Microrregião de Salvador. Situada na Zona da Mata da Região Nordeste do Brasil, Salvador é notável em todo o país pela sua gastronomiamúsica e arquitetura,[11] também reconhecidas internacionalmente. A influência africana em muitos aspectos culturais da cidade a torna o centro da cultura afro-brasileira.[12][13][14] Primeira sede da administração colonial portuguesa do Brasil, a cidade é uma das mais antigas da América e uma das primeiras cidades planejadas, ainda no período do Renascimento.[15][16] Sua fundação em 1549 por Tomé de Sousa ocorreu por conta da implantação do Governo-Geral do Brasil pelo Império Português.[17] Determinadas a partir do marco da fundação da cidade, no Forte de Santo Antônio da Barra, suas coordenadas são 12° 58' 16'' sul e 38° 30' 39'' oeste.[3]
centralização como capital junto à colonização escravocrata foram importantes fatores na formação do perfil do município, da mesma forma que certas características geográficas. A construção da cidade se deu acompanhando a topografia acidentada, inicialmente com a formação de dois níveis (Cidade Alta e Cidade Baixa) sobre uma escarpa acentuada[16] e, mais tarde, com a concepção das avenidas de vale.[18][19] Com 692,819 quilômetros quadrados de área,[4]seu território emerso é peninsular e o litoral é margeado pela Baía de Todos os Santos a oeste e pelo Oceano Atlântico a leste.[20][21] O Centro Histórico de Salvador, iconizado no bairro do Pelourinho, é conhecido pela sua arquitetura colonial portuguesa com monumentos históricos que datam do século XVII até o início do século XX, tendo sido declarado como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1985. Palco de um dos maiores carnavais do mundo (maior festa de rua do mundo segundo o Guiness Book),[22][23][24][25] o reconhecimento internacional da música de Salvador veio pelo anúncio de dezembro de 2015 da integração do município à Rede de Cidades Criativas da Unesco, tendo sido reconhecida como "Cidade da Música", título singular no país.[26][27]
Com mais de 2,9 milhões de habitantes, é o município mais populoso do Nordeste e o terceiro do Brasil. Dentre as cidades latino-americanas é a nona, superada por São PauloCidade do MéxicoBuenos AiresLimaBogotáRio de JaneiroSantiago e Brasília (esta ultrapassou Salvador em 2016, mas é um distrito federal, e não um município).[28][29] É núcleo de região metropolitana conhecida como "Grande Salvador", que possuía 3 573 973 habitantes recenseados em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),[30] o que a torna a terceira área metropolitana mais populosa do Nordestesétima do Brasil e uma das 120 maiores do mundo.[31] Por essas dimensões urbano-populacionais, é classificada pelo estudo do IBGE sobre a rede urbana brasileira como uma metrópole regional.[32]
Centro econômico do estado, Salvador é também porto exportador, centro administrativo e turístico.[15] Em 2013, tinha o maior produto interno bruto (PIB) dentre os municípios nordestinos.[8] Ademais, é sede de importantes empresas regionais, nacionais e internacionais, a exemplo da Organização Odebrecht,[33] da BraskemCoelbaSuzano.[34] Além de empresas, a cidade sedia ou sediou também muitos eventos, organizações e instituições, como a Universidade Federal da Bahia (segunda melhor do Norte-Nordeste e a 58.ª da América Latina),[35][36][37][38] a Escola de Formação Complementar do Exército Brasileiro,[39] a Confederação Brasileira de Surf,[40] o 12.º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal em 2010,[41] III Conferência Ibero-americana em 1993,[42] o Campeonato Pan-americano de Judô de 2003,[43][44] a II Conferência de Intelectuais da África e da Diáspora,[45] a Copa América de 1989,[46] a Copa das Confederações FIFA de 2013, a Copa do Mundo FIFA de 2014 e o futebol dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016.[47]

Topônimo[editar | editar código-fonte]

Salvador foi fundada como São Salvador da Bahia de Todos os Santos, grafia do português arcaico,[10] em homenagem a Jesus Cristo, o Salvador no cristianismo, feita pelos colonizadores católicos do Império Português.
Era, antigamente, chamada de "Bahia" ou "cidade da Bahia". Também recebeu epítetos como Roma Negra e Meca da Negritude, por ser uma metrópole com uma percentagem grande de negros. Segundo dados de 2014, cerca de 82% da população de Salvador se declarou negra.[48] De acordo com o antropólogoVivaldo da Costa Lima, a expressão "Roma Negra" é uma derivação de "Roma Africana", cunhada por Mãe Aninha, fundadora do Ilê Axé Opó Afonjá. Nos anos 1940, em depoimento à antropóloga cultural Ruth Landes. Segundo Mãe Aninha, assim como Roma é o centro do catolicismo, Salvador seria o centro do culto aos orixás. Posteriormente, em seu livro Cidade das Mulheres, Landes traduziu a expressão como Negro Rome. Posteriormente, quando o livro foi traduzido para o português, Negro Rome transformou-se em Roma Negra.[49]
Pelo seu nome de fundação, o acrônimo SSA faz referência tanto à cidade, quanto ao seu aeroporto (pelo código aeroportuário IATA).[50]
Os seus habitantes são chamados de soteropolitanosgentílico criado a partir da tradução do nome da cidade para o gregoSoterópolis (romanizado), ou seja, "cidade do Salvador", composto de Σωτήρ ("salvador") e πόλις ("cidade").[51][52]

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História de Salvador

Primeiros povos e contato europeu[editar | editar código-fonte]

Guerreiro tupinambá portando um ivirapema. No chão, a cabeça de um inimigo decapitado.
Por volta do ano 1000, os índios tapuias que habitavam a região foram expulsos para o interior do continente devido à chegada de povos tupis procedentes da Amazônia. No século XVI, quando chegaram os primeiros europeus à região, a mesma era habitada por um desses povos tupis, os tupinambás.[53]
A presença dos europeus data desde, pelo menos, o naufrágio de um navio francês em 1510, de cuja tripulação fazia parte Diogo Álvares, o famoso Caramuru. Em 1534, foi fundada a capela em louvor a Nossa Senhora da Graça, porque ali viviam Diogo Álvares e sua esposa, Catarina Paraguaçu.
Em 1535, chegou, à região, o primeiro dos donatários portugueses criados com a instituição do sistema das capitanias hereditáriasFrancisco Pereira Coutinho, que recebeu a capitania das mãos do rei português dom João III. Coutinho fundou o Arraial do Pereira, nas imediações onde hoje está a Ladeira da Barra. Esse arraial, doze anos depois, na época da fundação da cidade, foi chamado de Vila Velha.[15]
Os índios não gostavam de Pereira Coutinho por causa de sua crueldade e arrogância no trato. Por isso, aconteceram diversas revoltas indígenas enquanto ele esteve na vila. Uma delas obrigou-o a refugiar-se em Porto Seguro, com Diogo Álvares; na volta, já na Baía de Todos os Santos, enfrentando forte tormenta, o barco, à deriva, chegou à praia de Itaparica. Nessa, os índios fizeram-no prisioneiro, mas deram liberdade a Caramuru. Francisco Pereira Coutinho foi retalhado e servido numa festa antropofágica.

Fundação e período colonial[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Colonização do Brasil
Chegada de Tomé de Sousa à BahiaGravura do começo do século XIX.
Em 29 de março de 1549 chegam, pela Ponta do Padrão, na BarraTomé de Sousa e comitiva, em seis embarcações: três naus, duas caravelas e um bergantim, com ordens do rei de Portugal de fundar uma cidade-fortaleza chamada do São Salvador. Nasce assim a cidade de Salvador: já cidade, já capital, sem nunca ter sido província. Todos os donatários das capitanias hereditárias eram submetidos à autoridade do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa. No local de desembarque, na Praia do Porto da Barra, está o "Marco da Fundação da Cidade", uma coluna de 6 metros de altura feita em pedra de lioz. O monumento foi posto pela comunidade portuguesa na Bahia em 1952, restaurado em 2013.[15]
Com o governador vieram nas embarcações mais de mil pessoas.[15] Trezentas e vinte nomeadas e recebendo salários; entre eles o primeiro médico nomeado para o Brasilpor um prazo de três anos: Dr. Jorge Valadares; e o farmacêutico Diogo de Castro, seiscentos militares,[15] degredados, e fidalgos, além dos primeiros padres jesuítas no Brasil, como Manuel de Nóbrega, João Aspilcueta Navarro e Leonardo Nunes, entre outros. As mulheres eram poucas, o que fez com que os portugueses radicados no Brasil, mais tarde, solicitassem ao Reino o envio de noivas.
Tomé de Sousa após de um funcionário a notícia de que o substituto estava a caminho, ele disse-lhe: "Vedes isto, meirinho? Verdade é que eu desejava muito, e me crescia a água na boca quando cuidava em ir para Portugal; mas não sei por que agora se me seca a boca de tal modo que quero cuspir e não posso".
Por ocasião dos 450 anos da cidade, o historiador Cid Teixeira comparou o empreendimento de construção da primeira capital do Brasil, no século XVI, com a construção de Brasília, no século XX. As duas cidades surgiram de uma decisão política de ocupação do território, e ambas, cada uma a seu tempo, trouxeram inovações urbanísticas. Era pelo porto que a cidade se articulava com o mundo. Assim, Salvador foi desde o primeiro instante cosmopolita. "Não se tratava de um povoado que foi crescendo. A cidade já surge estruturada. Salvador não nasce de um passado, mas de um projeto de futuro que era construir o Brasil", analisa o escritor Antonio Risério.[54]
A cidade de Salvador foi fundada por ordem do rei dom João III de Portugal
A cidade segue o modelo de urbanização adotado por várias cidades costeiras portuguesas, que incorpora as características do meio físico ao desenho urbano. "A escolha de sítios elevados para a implantação dos núcleos defensivos; a estruturação da cidade em dois níveis: a cidade alta, institucional e política, e a cidade baixa, portuária e comercial; a cuidadosa adaptação do traçado das ruas às características topográficas locais; um perímetro de muralhas, que não acompanhava o tecido construído, mas se adaptava às características do território; e uma concepção de espaço urbano em os edifícios localizados em posições dominantes davam sentido e estruturavam os espaços envolventes" - são características se observam em LisboaPorto ou Coimbra, assim como em cidades coloniais como Salvador, Luanda (fundada na segunda metade do século XVI) e Rio de Janeiro. Ademais, "na cidade portuguesa, os edifícios públicos, civis ou religiosos, localizados em pontos proeminentes do território e associados a uma arquitetura mais cuidada que os destacava na malha urbana, tinham um papel estruturante fundamental na organização da cidade." [55]
Assim, núcleo urbano primitivo da primeira capital brasileira é construído no cume de um monte, e a organização da cidade se dá em dois níveis - Cidade Alta, sede do poder civil e religioso, e Cidade Baixa, onde se desenvolviam as atividades marítimas e comerciais. Nas instruções dadas em 1548 por D. João III a Tomé de Sousa estão expressas as preocupações da Coroa com a regularidade do traçado da nova cidade. Foi, portanto, uma cidade planejada, e o seu traçado que se adaptava, por um lado, à topografia local e, por outro, a um perímetro de fortificações de forma trapezoidal. No seu interior, era constituída por quarteirões retangulares, do que resultava uma malha regular, mas não perfeitamente ortogonal. Na cidade inicialmente delineada por Luís Dias havia dois conjuntos de quarteirões retangulares de diferentes proporções. Um desses conjuntos tinha uma estrutura idêntica aos quarteirões de cidades medievais planejadas. Os quarteirões do outro conjunto tinham uma forma mais quadrada, e cada um deles era composto por lotes dispostos costas-com-costas ou fazendo frente para as quatro faces do quarteirão, numa estrutura idêntica à encontrada no Bairro Alto de Lisboa ou na cidade de Angra do Heroísmo, ambos contemporâneos da fundação de Salvador. Na parte alta da cidade, localizavam-se os principais edifícios institucionais e grande parte das áreas habitacionais, enquanto na parte baixa desenvolveram-se as funções portuárias e mercantis.[55]
Após Tomé de Sousa, Duarte da Costa foi o governador-geral do Brasil. Chegou a 13 de julho de 1553, trazendo 260 pessoas (entre elas, o filho Álvaro), jesuítas, como José de Anchieta, e dezenas de órfãs para servirem de esposas para os colonosMem de Sá, terceiro governador-geral, que governou até 1572, realizou uma profícua administração.
Uma nova muralha, desenhada em 1605, envolvia uma área que correspondia a três ou quatro vezes a área original da cidade. No centro da nova expansão urbana, desenvolvida ao longo da segunda metade do século XVI, situavam-se o Colégio dos Jesuítas e o Terreiro de Jesus. O traçado dessa nova área de expansão da cidade é mais ortogonal e regular do que o núcleo original. A estrutura de loteamento dos quarteirões é igualmente regular, idêntica na sua estrutura e dimensões à do Bairro Alto. O Terreiro de Jesus foi concebido desde o início como uma praça regular e terá sido o elemento gerador de uma malha urbana circundante. Trata-se agora de uma concepção radicalmente diferente - e moderna - de espaço urbano e de estruturação urbana. A praça, e não mais os edifícios singulares, passa a ser o elemento estruturador da urbanização.[55]
"Planta da restituição da Bahia" (João Teixeira Albernaz, o velho, 1631): em primeiro plano a Armada Espanhola contra os invasores da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais.
A cidade foi invadida pelos neerlandeses em 1624-1625 e em 1638. O açúcar, no século XVII — assim como no século anterior —, era o produto mais exportado pela América Portuguesa, e a Bahia era a segunda maior capitania produtora de açúcar no Brasil, atrás de Pernambuco.[56] Na época, os limites da cidade iam da freguesia de Santo Antônio Além do Carmo até a freguesia de São Pedro Velho.
A Cidade do São Salvador da Bahia de Todos os Santos foi a capital e sede da administração colonial do Brasil até 1763.
Em 1798, ocorreu a Revolta dos Alfaiates, na qual estavam envolvidos homens do povo como Lucas Dantas e João de Deus, e intelectuais da elite, como Cipriano Baratae outros profissionais liberais.
Em 1809, Marcos de Noronha e Brito, o conde dos Arcos, iniciou sua administração. Em 1812, inaugurou o Teatro São João, onde mais tarde Xisto Bahia cantaria suas chulas e lundus, e Castro Alves inflamaria a plateia com os maravilhosos poemas líricos e abolicionistas. Ainda no governo do Conde dos Arcos, ocorreram os grandes deslizamentos nas Ladeiras da Gameleira, Misericórdia e Montanha.

Período imperial[editar | editar código-fonte]

No século XIX, no período imperial, alterações sociais provocaram a mudança da elite do Pelourinho para a Vitória. Casarões dessa época ainda persistem no Corredor da Vitória a despeito da especulação imobiliária.[15]
Em 1835, ocorreu a revolta dos escravos muçulmanos, conhecida como Revolta dos Malês. Durante o século XIX, Salvador continuou a influenciar a política nacional, tendo emplacado diversos ministros de Gabinete no Segundo Reinado, tais como José Antônio SaraivaJosé Maria da Silva ParanhosSousa Dantas e Zacarias de Góis. Com a proclamação da República, e a crise nas exportações de açúcar, a influência econômica e política da cidade no cenário nacional decresce.

Período republicano[editar | editar código-fonte]

Pelourinho em 1900
Em 1912, ocorreu o bombardeio da cidade, causado pelas disputas entre as lideranças oligárquicas na sucessão do governo: foram destruídos a biblioteca e o arquivo, perdendo-se, de forma irremediável, importantes documentos históricos da cidade.
Na virada entre os séculos XIX e XX, as influências das intervenções urbanísticas em Paris pelo Barão Haussmann chegaram à cidade. Por isso, em 1915 foi inaugurada a Avenida Sete de Setembro, construída a partir de algumas demolições. A nova avenida era a maior da cidade na época, com mais de quatro quilômetros de extensão, desde o Centro até a Barra.[15] De mesma forma, a organização urbano-financeira do centro de Londres e de Wall Street da cidade de Nova Iorque também marcaram sua influência. Após vários aterros sobre a Baía de Todos os Santos, o bairro do Comércio surgiu em 1920 para concentrar as atividades financeiras na cidade, com sedes de agências de exportação e de câmbio e instituições bancárias e financeiras.[15]
Durante a década de 1960, o processo de industrialização no estado atraiu a população do interior e intensificou a formação das periferias na capital. Soma-se ainda a venda de terras públicas municipais em 1968 para encarecer os terrenos do centro e da orla atlântica e empurrar os mais pobres para regiões mais distantes ou enclaves em volta do centro comercial.[57]
A partir da década de 1970 as atividades econômicas de comércio varejista passaram a agrupar-se em centros comerciais (shopping centers). Assim, empreendimentos do tipo surgiram na cidade e para lá se deslocaram lojas de vestuário e departamento bem como restaurantes.[15]
Vista panorâmica da atual região do Caminho das Árvores, na bacia do Rio Camarajipe, para onde a cidade começou a se expandir na início na década de 1970.[58]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Salvador situa-se no cruzamento da linha dos 12° 58' 16'' de latitude sul com a linha dos 38° 30' 39'' de longitude oeste na convergência dos hemisférios austral e ocidental, ponto em que se encontra o marco da fundação da cidade, no Forte de Santo Antônio da Barra.[3] Sua superfície ocupa 692,819 quilômetros quadrados (16.ª maior área dentre as capitais), conforme o IBGE.[4] No entanto, nessa contabilização está a soma dos 343 quilômetros quadrados aproximadamente de território emerso (seco) e outros 350 quilômetros quadrados da Baía da Todos os Santos que pertencem a Salvador como águas interiores (território molhado).[59][60][61] Em meio ao território molhado estão ilhas e ilhotas situadas naquela baía (de Marédos Fradesdo Bom Jesus dos Passosde Santo Antôniodos Santosdos Coqueiros), que somam 30 quilômetros quadrados. O restante do território seco é a porção continental, que é uma península de formato triangular banhada a oeste, sul e leste pelo mar. Assim, ao norte o município limita-se a Lauro de Freitas e a Simões Filho. Por mar, Vera CruzItaparicaSaubaraSão Francisco do CondeMadre de Deus e Candeias também são municípios limítrofes.[62]
Atualmente Salvador está restrita à península da entrada da Baía de Todos os Santos, entretanto, este corresponde a cerca de 1/3 da área que possuía no início da década de 1950, quando ainda não tinham se emancipados os distritos de Candeias (1958), Água Comprida (1961, hoje Simões Filho), Santo Amaro de Ipitanga (1962, hoje Lauro de Freitas), e Madre de Deus (1989).[62]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Lista de rios de Salvador (Bahia)
Obras de drenagem e tamponamento do Rio Lucaia na Avenida Vasco da Gama.
Vista da praia, com o Forte de Santa Maria ao fundo, a partir do qual se estende a ruína do quebra-mar original que dá nome à praia.
Falha geológica de Salvador, com bairro do Comércio no nível inferior.
Salvador está localizada em uma península pequena, mais ou menos triangular, que separa a Baía de Todos os Santos das águas abertas do Oceano Atlântico. A baía, que recebe esse nome por ter sido descoberta pelos portugueses no Dia de Todos-os-Santos, forma um porto natural. Salvador é um dos principais portos de exportação do país, encontrando-se no coração do Recôncavo Baiano, uma rica região agrícola e industrial, e englobando a porção norte do litoral da Bahia.
A capital baiana está inserida na Região hidrográfica do Atlântico Leste, mais especificamente na Região de Planejamento de Gestão das Águas do Recôncavo Norte (RPGA XI). A água que abastece a capital vem da Barragem de Pedra do Cavalo, no Rio Paraguaçu, e dos rios Joanes e Ipitanga, localizados na Região Metropolitana de Salvador. O município de Salvador tem dez regiões hidrográficas delimitadas: as mais expressivas são as bacias do rio Camarajipe e a do rio Jaguaribe. O Rio Camarajipe, com seus 14 quilômetros, e o Jaguaribe, que também é conhecido como Trobogi, por atravessarem muitos bairros de Salvador, são, consequentemente, os mais poluídos da cidade; por outro lado, o Rio do Cobre, que termina na Baía de Todos-os-Santos, é o único que ainda abriga vida em seu leito.[63]

Litoral[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Lista de praias de Salvador
Salvador possui famosas praias, como as de Itapuãdos Artistas e do Porto da Barra. As praias da cidade atraem tanto habitantes locais como turistas, principalmente devido à temperatura agradável da água. Algumas praias possuiam restaurantes típicos na própria areia (barracas de praia), - demolidas com base no Artigo 225 da Constituição brasileira[64] - onde se preparavam frutos do mar e bebidas diversas. Além disto, é comum encontrar tabuleiros de baianas, onde é possível provar um acarajé, e outros vendedores ambulantes. Também está em fase de ampliação o sistema cicloviário, como preparação antecipada da cidade para a Copa de 2014.[65]

Relevo[editar | editar código-fonte]

relevo de Salvador é acidentado e cortado por vales profundos. Conta com uma estreita faixa de planícies, que em alguns locais se alargam. A cidade está a oito metros acima do nível do mar.
Uma característica particularmente notável é a escarpa que divide Salvador em Cidade Baixa, porção noroeste da cidade, e Cidade Alta, maior e mais recente (corresponde ao resto da cidade), sendo que a primeira está 85 metros abaixo da última.[66] Um elevador (o primeiro instalado no Brasil), conhecido como o Elevador Lacerda, conectam-se as duas "cidades" desde 1873, já tendo sofrido diversos melhoramentos de lá para cá.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Ao longo da orla marítima estão presentes coqueiros[67][68] (com destaque para os coqueirais das praias de Jardim de Alá[69] e de Piatã)[70] e plantas rasteiras, como o capim-da-areia e a grama-da-praia. Na cidade, encontram-se importantes áreas de dunas - as Dunas da Bolandeira, no bairro de Costa Azul, as Dunas de Armação e o Parque Metropolitano do Abaeté, todos reconhecidos como áreas de valor cultural e ambiental pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador (lei 8167 de 2012).[71] Somente no nordeste soteropolitano são seis milhões de quilômetros quadrados de dunas, desde Itapuã à Praia do Flamengo.
Pelo intuito de preservar o ecossistema de dunas, lagoas e restingas da Área de Proteção Ambiental Lagoas e Dunas do Abaeté, foi criada a organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) chamada Unidunas. Em 2008, foi declarada de interesse público uma área, dentro da área de proteção ambiental (APA), visando à implementação do Parque das Dunas. No fim de 2013, o parque teve o reconhecimento como posto avançado da reserva da biosfera da Mata Atlântica pela Unesco. No entanto, a Unidunas, que administra o parque,[72] alerta para a degradação do ecossistema, sobretudo em razão da retirada da vegetação de restinga.[73]
O mesmo PDDU ainda estabeleceu o Sistema de Áreas de Valor Cultural e Ambiental de Salvador (SAVAM), que abrange quatro APA (Joanes-IpitangaBacia do Cobre - São BartolomeuBaía de Todos-os-Santos e Lagoas e Dunas de Abaeté) e 12 áreas de proteção de recursos naturais (Dunas de Armação, Vales do Cascão e CachoeirinhaPituaçuVales da Mata Escura e do Rio da Prata, Mata dos Oitis, São Marcos, Manguezal do Rio Passa Vaca, Jaguaribe, Bacias do Cobre e ParaguariAratu, Lagoa dos Pássaros e Dunas da Bolandeira), além de outras áreas urbanas e culturais.[71]

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