sábado, 5 de dezembro de 2015

BARRIGA DAGUA

Ascite, ou barriga d’água, é o nome que se dá ao acúmulo anormal de líquidos dentro da cavidade abdominal, num compartimento limitado pelo peritônio (membrana que reveste também as paredes do abdômen e da pélvis e alguns dos seus órgãos). Esse líquido sai dos vasos sanguíneos por duas diferentes razões: redução da pressão oncótica ou aumento da pressão hidrostática.
No primeiro caso, a concentração de proteínas que ajudam a conter o líquido dentro dos vasos (veias e artérias) fica menor do que fora deles. Como os vasos são constituídos por tecido permeável, essa diferença de pressão permite que os fluídos atravessem suas paredes e ocupem o espaço extravascular.
No segundo caso, a concentração de proteínas no sangue é normal, mas ocorre um aumento da pressão hidrostática no sistema vascular provocada por um processo infeccioso ou inflamatório. Essa reação pode distender os vasos que irrigam o peritônio e/ou aumentam a permeabilidade vascular, favorecendo o extravasamento de líquidos para a cavidade abdominal.
A composição do líquido ascítico pode variar de acordo com a doença de base. Por isso, entre outras substâncias, ele pode conter conteúdo proteico variável, biles ou suco pancreático, por exemplo.
O mecanismo responsável pela formação da ascite é semelhante ao dos edemas.
Causas
A ascite não é uma doença em si mesma, mas uma condição associada a algumas doenças, entre elas as insuficiências renal, cardíaca e hepática, certos tipos de câncer, algumas pancreatites, e infecções, como a esquistossomose e a tuberculose.
A causa mais comum da ascite, porém, costuma ser a cirrose hepática, uma doença crônica do fígado provocada pelos vírus B e C das hepatites e pelo uso abusivo de bebida alcoólica. A principal característica dessa enfermidade é a formação de nódulos e tecido fibrótico (cicatrizes) que bloqueiam a circulação do sangue e provocam aumento da pressão dentro dos vasos que convergem para a veia porta (hipertensão portal). A cirrose pode ser responsável também por menor produção de albumina, uma proteína que ajuda a conter a água no interior das veias e artérias. Nas duas situações, os fluidos escapam dos vasos com mais facilidade e vão acumular-se na cavidade abdominal.
Sintomas
No início, a ascite é um evento quase sempre assintomático. Com a evolução do quadro, de acordo com o volume de líquido retido no abdômen, podem surgir os seguintes sintomas: ganho injustificado de peso, inchaço, crescimento da barriga e da cintura, dor abdominal difusa, perda de apetite, náuseas, vômitos, dificuldade para respirar, especialmente na posição deitada, por causa da pressão que o líquido exerce sobre o diafragma.
Dependendo da enfermidade de base, o paciente pode apresentar, ainda, outros sinais e sintomas, tais como fígado aumentado, emagrecimento, edemas nas pernas e nos pés, extremo cansaço, icterícia, ginecomastia, encefalopatia hepática.
Diagnóstico
Nas fases iniciais, a avaliação clínica é insuficiente para detectar a presença de líquido na cavidade abdominal. O diagnóstico definitivo depende da realização de exames de sangue e de imagem (ultassonografia, tomografia, ressonância magnética). Outro recurso importante é a paracentese diagnóstica, ou seja, a retirada de pequena amostra do liquido ascítico através de punção direta por meio de uma agulha introduzida no abdômen.
Tratamento
Basicamente, o tratamento consiste na introdução de medidas paliativas com o objetivo de remover o líquido que se depositou na cavidade peritoneal e controlar sua produção e extravasamento. Entre elas, podemos destacar o uso de diuréticos, a restrição de sal na dieta diária, a interrupção do consumo de bebidas alcoólicas e a administração de albumina.
A prescrição de antibióticos torna-se necessária nos casos de infecção do líquido ascítico (peritonite bacteriana espontânea), uma complicação que pode ser grave e exige internação hospitalar durante o tratamento.
A paracentese abdominal é um recurso terapêutico alternativo para a retirada de líquido por punção. Ela é indicada quando as outras formas de tratamento não surtiram o efeito desejado, ou para aliviar os sintomas. O ideal, porém, é que o tratamento da ascite esteja sempre voltado para o controle da enfermidade responsável pelo distúrbio.
Recomendações
Não há como prevenir o aparecimento da ascite, uma vez que ela surge como consequência de uma enfermidade previamente instalada. O que se pode fazer é evitar o contato com essas doenças ou, então, adotar medidas para evitar o agravamento do quadro de ascite. Por isso, é sempre importante:
* não exagerar no consumo de bebidas alcoólicas;
* vacinar-se contra as hepatites A e B;
* certificar-se de que o sangue das transfusões foi rigorosamente analisado;
* manter a restrição de sal, quando indicada;
*jamais entrar em contato com a água de rios, córregos, represas ou de enxurradas. Ela pode estar contaminada pelas larvas transmissoras da esquistossomose, que se alojam em caramujos para dar continuidade a seu ciclo evolutivo.
Ascite, algumas vezes chamada popularmente de barriga d'água, é um termo para a acumulação de fluidos na cavidade peritoneal. A presença de ascite pode ser um sintoma de problemas médicos graves, como cirrose e doença renal severa. O diagnóstico da causa da ascite é geralmente através de testes de sangue, ultra-som do abdômen, e remoção direta do fluido por agulha ou paracentese. O tratamento pode ser por medicamentos (diuréticos), paracentese ou outros tratamentos direcionados à causa da ascite.
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Sinais e sintomas da ascite ou barriga d'água

Ascite leve é difícil de ser notada. Porém, ascite severa ocasiona distensão abdominal e é fácil a visualização do seu termo popular barriga d'água. Pacientes com ascite geralmente reclamam de progressivo peso e pressão abdominal, assim como falta de fôlego decorrente de prejuízo mecânico do diafragma. Ascite é detectada em exame médico físico do abdômen.

Outros sinais de ascite pode estar presentes em decorrência da condição médica que a causa. Por exemplo, pessoas com ascite decorrente de hipertensão portal podem ter inchaço nas pernas, ginecomastia (desenvolvimento de mamas em homens), hematemese (saída de sangue pela boca com origem no sistema gastrintestinal) ou alterações mentais decorrentes de encefalopatia. Aqueles que têm ascite decorrente de câncer podem apresentar como sintomas fadiga crônica ou perda de peso. Já os pacientes com ascite decorrente de insuficiência cardíaca podem sobrer falta de fôlego, respiração com chiado e intolerância a exercícios.
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Classificação da ascite

Ascite é classificada em três graus:
* Grau 1: moderada, somente visível por ultra-som.
* Grau 2: Detectável pro exame médico físico, com protuberância nos flancos.
* Grau 3: Diretamente visível, com a aparência de barriga d'água.
Causas da ascite ou barriga d'água

As causas de ascite incluem:
* Cirrose.
* Insuficiência cardíaca.
* Oclusão venosa hepática.
* Pericardite constritiva.
* Kwashiorkor.
* Câncer.
* Infecção.
* Pancreatite.
* Serosite
* Síndrome nefrótica.
* Angioedema hereditário.
 Outras causas mais raras de ascite:
* Síndrome de Meigs.
* Vasculite.
* Hipotireoidismo.
* Diálise renal.
* Mesotelioma peritoneal.
Tratamento da ascite ou barriga d'água

Ascite é geralmente tratada para prevenir complicação, aliviar os sintomas e prevenir progressão, enquanto a condição médica que a provoca é pesquisada. Em pacientes com ascite leve, o tratamento é usualmente sem hospitalização. O objetivo do tratamento é perda de peso de não mais de 1 kg por dia para pacientes com ascite e edema periférico, e não mais que 0,5 kg por dia para pacientes somente com ascite. Naqueles com ascite severa, causando abdômen tenso, é necessária hospitalização para paracentese (punção abdominal).
A esquistossomose é causada por platelmintos da classe Trematoda. Estes ocorrem em diversas regiões do mundo, sendo que, no Brasil, o responsável pela doença é o Schistossoma mansoni. Este tem a espécie humana como hospedeiro definitivo, e caramujos de água doce do gênero Biomphalaria, como hospedeiros intermediários.

Pessoas contaminadas permitem com que outros indivíduos adquiram a doença ao liberar ovos do parasita em suas fezes e urina, quando estas são depositadas em rios, córregos e outros ambientes de água doce; ou quando chegam até estes locais pelas enxurradas.

Na água, a larvas - denominadas miracídios - são liberadas e só continuam seus ciclos de vida se alojarem-se em caramujos do gênero Biomphalaria. Estes possuem como característica principal concha achatada nas laterais e de cor marrom acinzentada.

As larvas, agora denominadas cercárias, se desenvolvem e são liberadas na água. Em contato com a pele e mucosa humanas, penetram no organismo e podem causar inflamação, coceira e vermelhidão nessas regiões. Lá, desenvolvem-se, reproduzem-se e eliminam ovos a partir de veias do fígado e intestino, obstruindo-as.

Os sintomas, quando aparecem, surgem aproximadamente cinco semanas após o contato com as larvas.

Na fase aguda (a mais comum), a doença se manifesta por meio de vermelhidão e coceira cutâneas, febre, fraqueza, náusea e vômito. O indivíduo pode, também, ter diarreias, alternadas ou não por constipações intestinais.

Na fase crônica, fígado e baço podem aumentar de tamanho. Hemorragias, com liberação de sangue em vômitos e fezes, e aumento do abdome (barriga-d’água) são outras manifestações possíveis.

diagnóstico é feito via exames de fezes em três coletas, onde se verifica a presença de ovos do verme; ou por biópsia da mucosa do final do intestino. Há também como diagnosticar verificando, em amostra sanguínea, a presença de anticorpos específicos.

tratamento é feito com antiparasitários, geralmente em dose única.

prevenção consiste em identificação e tratamento das pessoas adoecidas, saneamento básico, combate aos caramujos, e informação à população de risco. Evitar contato com água represada ou de enxurrada e usar roupas adequadas ao entrar em contato com água suspeita de estar infectada são medidas individuais necessárias.

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