O pai dela então perguntou:
- Que provas podes dar de sua força para pretender a mão da moça mais formosa da tribo?
- As provas do meu amor! - respondeu o jovem Jaebé.
O velho gostou da resposta, mas achou o jovem atrevido, então disse:
- O último pretendente de minha filha falou que ficaria cinco dias em jejum e morreu no quarto dia.
- Pois eu digo que ficarei nove dias em jejum e não morrerei.
Todos na tribo ficaram admirados com a coragem do jovem apaixonado. O velho ordenou que se desse início à prova. Então, enrolaram o rapaz num pesado couro de anta e ficaram dia e noite vigiando para que ele não saísse nem fosse alimentado.
A jovem apaixonada chorava e implorava à deusa Lua que o mantivesse vivo. O tempo foi passando e certa manhã, a filha pediu ao pai:
- Já se passaram cinco dias. Não o deixe morrer.
E o velho respondeu:
- Ele é arrogante, falou nas forças do amor. Vamos ver o que acontece.
Esperou então até a última hora do novo dia, então ordenou:
- Vamos ver o que resta do arrogante Jaebé.
Quando abriram o couro da anta, Jaebé saltou ligeiro. Seus olhos brilharam, seu sorriso tinha uma luz mágica. Sua pele estava limpa e tinha cheiro de perfume de amêndoas. Todos se admiraram e ficaram mais admirados ainda quando o jovem, ao ver sua amada, se pôs a cantar como um pássaro enquanto seu corpo, aos poucos, se transformava num corpo de pássaro!
Então foi naquele exato momento que os raios do luar tocaram a jovem apaixonada, que também se viu transformada em um pássaro. E, então, ela saiu voando atrás de Jaebé, que a chamava para a floresta onde desapareceram para sempre.
Podemos constatar a prova do grande amor que uniu esses dois jovens no cuidado com que o joão-de-barro constrói sua casa e protege os filhotes.
Os homens admiram o pássaro joão-de-barro porque se lembram da força de Jaebé, uma força que nasceu do amor e foi maior que a morte.
E foi assim que nasceu a Lenda do João de Barro...lindo não!Com barro, misturado a esterco, palha e pequenos galhos, o macho e a fêmea trabalham juntos por 18 dias para a construção do ninho. Em média, a casa tem 30 cm de diâmetro e 5 cm de espessura. O casal tem preferência por locais abertos para fazer o ninho, como em árvores isoladas e postes de iluminação. A casa é separada em duas partes por uma divisória: a entrada, que permite ao pássaro entrar sem se abaixar e é sempre voltada para o norte, evitando que o vento entre, e o interior do ninho.
A sua grande habilidade de manipular o barro dá nome ao passarinho. Outro destaque do joão-de-barro é o canto. Alto e forte, como uma gargalhada, a sua vocalização tem sequência rítmica prolongada como uma canção festiva, crescente e decrescente, e é cantada pelo casal canta nas horas mais quentes e claras do dia.
Características
O joão-de-barro mede aproximadamente 19 cm. Na parte superior do corpo, ele apresenta cor de ferrugem, na parte inferior, coloração marrom clara. Sua cauda tem uma tonalidade avermelhada.
Encontrado na Argentina, Brasil, Paraguai e Bolívia, o joão-de-barro come insetos, larvas, aranhas, opiliões, moluscos e, ocasionalmente, sementes. A fêmea põe de três a quatro ovos a partir de setembro. A gestação dura de 14 a 18 dias. Os filhotes são alimentados por um período de 23 a 26 dias. Depois, estão prontos para voar e partir.
João-de-barro no folclore brasileiro
Conta a lenda que em uma tribo do sul do Brasil, o jovem Jaebé se apaixonou por uma moça de grande beleza e foi pedi-la em casamento. O pai dela perguntou quais provas de força Jaebé poderia dar para se casar com a moça mais bela da tribo. O jovem rapidamente respondeu: “as provas do meu amor!”.
O pai da moça gostou da resposta, mas achou o jovem atrevido. O velho contou que o último pretendente prometeu ficar cinco dias de jejum, porém morreu no quarto dia. Jaebé desafiou: “ficarei nove dias em jejum e não morrerei”. Toda tribo ficou admirada com a coragem do jovem.
Para iniciar a prova, Jaebé foi enrolado em um pesado couro de anta e ficou dia e noite sob vigilância para que não fosse alimentado. A moça chorava e implorava à deusa Lua que o mantivesse vivo. O tempo passou e em uma manhã a filha pediu ao pai: “já se passaram cinco dias. Não o deixe morrer”. Mas o pai relutou: “ele é arrogante, falou nas forças do amor. Vamos ver o que acontece”.
Na última noite da prova, o pai da moça ordenou: “vamos ver o que resta do arrogante Jaebé”. Quando abriram o couro, o jovem saltou ligeiro. Seus olhos brilharam, seu sorriso tinha uma luz mágica. Ninguém acreditou quando, ao ver sua amada, o jovem se pôs a cantar como um pássaro enquanto se transformava, aos poucos, em uma pequenina ave. E naquele momento a moça, tocada pelos raios do luar, também se transformou em pássaro. Ambos voaram e desapareceram pela floresta.
Por ter sido um rapaz trabalhador e astuto, o joão-de-barro constrói sua casa com tanta habilidade e presteza junto com a fêmea.
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