O Sistema Cantareira é o maior dos sistemas administrados pela Sabesp, destinado a captação e tratamento de água para a Grande São Paulo e um dos maiores do mundo, sendo utilizado para abastecer 8,8 milhões de clientes da Sabesp.[3] [4] O sistema é composto por seis barragens interligadas por um complexo sistema de túneis, canais, além de uma estação de bombeamento de alta tecnologia para ultrapassar a barreira física da Serra da Cantareira.[5] O sistema chama atenção ainda pela distância de sua estrutura em relação ao núcleo urbano ao qual ela serve e também pela extensão da sua área de drenagem, que se estende até o sul do estado de Minas Gerais.[1]
Na crise hídrica no estado de São Paulo em 2014–2015 o sistema cantareira é um dos mais afetados. A gestão da Sabesp tem sido responsabilizada pela crise.[6]
Índice
[esconder]História[editar | editar código-fonte]
Por volta de 1960, o governo paulista, preocupado com o alto crescimento demográfico da cidade de São Paulo e dos municípios vizinhos, cuja população já totalizava 4,8 milhões de habitantes, decide reforçar o abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo planejando a construção de diversas represas nas nascentes da bacia hidrográfica do rio Piracicaba, iniciando assim o Sistema Cantareira[7] .
Em 1966, iniciou-se a construção das barragens do Rio Juqueri (hoje, Paiva Castro), Cachoeira e Atibainha. Em 1976, foram iniciados os reservatórios de Jaguari e Jacareí, acrescentando uma capacidade de 22 mil litros/segundo ao sistema[1] .
Represas[editar | editar código-fonte]
- Paiva Castro (1973), no rio Juqueri
- Águas Claras (1973), no topo da Serra da Cantareira
- Cachoeira (1975), no rio Cachoeira
- Atibainha (1975), no rio Atibainha
- Jaguari (1981) , no rio Jaguari
- Jacareí (1981), no rio Jacareí
Crise hídrica de 2014–2015[editar | editar código-fonte]
Ver também: Seca na Região Sudeste do Brasil em 2014–2015
Devido a sucessivas baixas históricas no início de 2014, a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Água e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE) determinaram uma redução da vazão máxima de captação de água do sistema, de 31 para 27,9 m3/s, a partir de 10 de março de 2014. Para atender esta determinação, a Sabesp utilizou água dos sistemas Guarapiranga e Alto Tietê para abastecer clientes antes atendidos pelo sistema Cantareira.[9] [10] [11]
Em 1 de fevereiro de 2014, a Sabesp anunciou um programa de descontos, válido de fevereiro a setembro, para incentivar a redução do consumo de água de clientes atendidos pelo sistema Cantareira. Clientes que reduzirem em ao menos 20% o consumo em relação à média dos 12 meses de 2013 terão desconto de 30% na conta.[12]
Em 17 de março de 2014, a Sabesp iniciou obras nas represas de Nazaré Paulista e Joanópolis, orçadas em 80 milhões de reais, para captar o chamado "volume morto", uma reserva de 300 bilhões de litros de água que fica abaixo do nível das atuais comportas e que é capaz de abastecer a região metropolitana de São Paulo por 4 meses.[13]
Em 18 de março de 2014, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pediu autorização para retirar água do Rio Paraíba do Sul e colocá-la no sistema Cantareira. Essa autorização deve ser analisada pela Agência Nacional de Águas já que o Paraíba do Sul é um rio interestadual e é utilizado para abastecer o estado do Rio de Janeiro.[14]
Em 31 de março de 2014, o governo de São Paulo e a Sabesp anunciaram a ampliação, a partir de 1 de abril, do programa de descontos nas tarifas de água e esgoto para todos os 31 municípios da região metropolitana de São Paulo atendidos pela empresa .[15]
Em 21 de abril de 2014, durante evento na cidade de Franca, o governador Geraldo Alckmin anunciou que a Sabesp a partir de maio utilizará também 500 litros de água por segundo do Sistema Rio Grande para abastecer clientes antes atendidos pelo sistema Cantareira.[16] Também a partir de maio, clientes da Grande São Paulo que tiverem consumo acima da média dos 12 meses de 2013 terão que pagar multa de 30% na conta.[16]
A partir de 1 de maio, a Sabesp ampliou para mais 11 cidades o programa de desconto de 30% para quem consumir pelo menos 20% a menos do que a média de consumo de 2013, mas para estas cidades não está prevista multa caso haja aumento no consumo. As cidades são: Paulínia, Morungaba, Monte Mor, Hortolândia, Itatiba, Pinhalzinho, Bragança Paulista, Piracaia, Nazaré Paulista, Joanópolis e Vargem.[17]
Em 15 de maio de 2014, devido ao prolongado período de secas na região que abastece o Sistema Cantareira, seus reservatórios atingiram 8,2% de sua capacidade utilizável, o pior nível desde 1974, ano em que foi criado.[18]
Em 24 de outubro de 2014, o nível dos reservatórios do sistema Cantareira, incluindo a primeira cota da reserva técnica, atingiu 2,9% de sua capacidade. Neste dia a Sabesp incorporou a segunda cota da reserva técnica à medição do nível dos reservatórios do sistema Cantareira. Esta segunda cota possui um volume total de 105 bilhões de litros e adicionou 10,7 pontos percentuais ao nível medido.[19]
Características[editar | editar código-fonte]
As águas do Sistema Cantareira descem pelo efeito da gravidade desde as represas de Jaguari e Jacareí, na região de Bragança Paulista, passando para as represas de Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. De lá seguem por túneis até a Estação Elevatória Santa Inês, que bombeia as águas para a pequena represa de Águas Claras. Este reservatório tem uma função de segurança, permitindo que o funcionamento do sistema prossiga por até 3 horas em caso de alguma paralisação. De Águas Claras a água é enviada para a Estação de Tratamento de Água do Guaraú[20] , onde são tratados atualmente 23,0 m3/s de água[3] .
O sistema atende a cerca de 5,3 milhões de pessoas, quase metade da população da Região Metropolitana de São Paulo, nas zonas Norte, Central, partes das Zonas Leste e Oeste da capital, além dos municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul, parte dos municípios de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André[21] .
Reparos ambientais[editar | editar código-fonte]
A Sabesp mantém próximo à represa do Jaguari um viveiro que produz anualmente 300 mil mudas de espécies nativas destinadas ao reflorestamento e recomposição das matas ciliares. Ali também funciona um Centro de Educação Ambiental, que atende escolas e faculdades públicas e privadas. Na Represa Cachoeira, a Sabesp conserva livre de ocupação uma área de 200 hectares, visando futura recomposição vegetal.[1] .
Controvérsias e riscos ambientais[editar | editar código-fonte]
O Sistema Cantareira corre sérios riscos de degradação ambiental, juntamente com o Parque do Horto Florestal, com a construção do Trecho Norte do Rodoanel, segundo alguns ambientalistas. O projeto do Rodoanel tem sido objeto de intensa controvérsia, por atravessar a Serra da Cantareira, temendo-se a possibilidade de comprometimento do Sistema Cantareira e do abastecimento de água da cidade de São Paulo em razão da obra.[22] [23] [24] [25] [26] [27] [28]
Ver também[editar | editar código-fonte]
- Represa Guarapiranga
- Represa Billings
- Sistema Alto Cotia
- Sistema Alto Tietê
- Sistema Rio Claro
- Sistema São Lourenço
- Bacia Hidrográfica do Alto Tietê
Referências
- ↑ a b c d e SOLIA, Mariângela; FARIA, Odair Marcos; ARAÚJO, Ricardo. Mananciais da região metropolitana de São Paulo. São Paulo: Sabesp, 2007
- ↑ Sabesp. Sistema Cantareira (diagrama)
- ↑ a b Sabesp - Sistema Cantareira
- ↑ «Nível da Cantareira cai a 16,4%, novo recorde negativo». Estadão. 28 de fevereiro de 2014. Consultado em 1 de março de 2014.
- ↑ O Globo, 11/01/2010 Represas de SP chegam ao nível máximo de armazenamento e Sabesp alerta para risco de inundações - Visitado em 15 de agosto de 2010.
- ↑ Coutinho, Renato M.; Roberto A. Kraenkel, Paulo I. Prado. (2015). "Catastrophic Regime Shift in Water Reservoirs and São Paulo Water Supply Crisis". PLoS ONE 10 (9): e0138278.DOI:10.1371/journal.pone.0138278. PMID 26372224.
- ↑ Risco de racionamento de água no interior de São Paulo é alto, por Lucas Sampaio. Folha de S.Paulo, 4 de fevereiro de 2014 (inclui mapa dos sistemas que abastecem a Grande São Paulo)]
- ↑ Sabesp. Sistema Cantareira (diagrama)
- ↑ «Alckmin diz que vai remanejar água para evitar racionamento na Grande SP». Estadão. 6 de março de 2014. Consultado em 7 de março de 2014.
- ↑ Maior crise hídrica de SP expõe lentidão do governo e sistema frágil. 22 de Março de 2014
- ↑ Má gestão leva à pior crise de água em SP. Governo paulista ignorou relatórios sobre crise e superexploração de sistema que abastece Grande SP e interior. Por Rafael Zanvettor. Caros Amigos, 19 Março 2014.
- ↑ «Sabesp anuncia desconto para quem economizar água em SP». G1. 1 de fevereiro de 2014. Consultado em 1 de fevereiro de 2014.
- ↑ «Sabesp começa obras para captar volume morto de reservatório». G1. 17 de março de 2014. Consultado em 18 de março de 2014.
- ↑ «Alckmin pede para usar água do Paraíba do Sul no Cantareira». G1. 19 de março de 2014. Consultado em 19 de março de 2014.
- ↑ «Nível do Sistema Cantareira cai para 13,4%». G1. 31 de março de 2014. Consultado em 31 de março de 2014.
- ↑ a b Fabio Leite e Rene Moreira (21 de abril de 2014). «Alckmin anuncia 'reforço' ao Cantareira e confirma multa por desperdício». Estadão. Consultado em 22 de abril de 2014.
- ↑ «Sabesp amplia desconto em conta para 6 cidades da região de Campinas». G1. 1 de maio de 2014. Consultado em 1 de maio de 2014.
- ↑ «Nível do Sistema Cantareira cai novamente e chega a 8,2%». G1. 15 de maio de 2014. Consultado em 15 de maio de 2014.
- ↑ «Sabesp incorpora 2º volume morto à medição mas não inicia captação». G1. 24 de outubro de 2014. Consultado em 24 de outubro de 2014.
- ↑ Estação de Tratamento de Água do Guaraú (ETA Guaraú)
- ↑ Sabesp - Região Metropolitana de São Paulo
- ↑ Novo traçado do Rodoanel afetará zona norte
- ↑ Obras do Rodoanel Norte podem começar em fevereiro
- ↑ Após diversas denúncias encaminhadas ao BID, ambientalistas da Cantareira não entendem a demora da vinda do Painel MICI
- ↑ A Verdade do Rodoanel
- ↑ Jornal da Serra
- ↑ Instituto Socioambiental. Para quem serve o Rodoanel de São Paulo?
- ↑ Rodoanel vai fechar ruas de SP. Estadão, 7 de outubro de 2010
Bibliografia[editar | editar código-fonte]
- SOLIA, Mariângela; FARIA, Odair Marcos; ARAÚJO, Ricardo. Mananciais da região metropolitana de São Paulo. São Paulo: Sabesp, 2007
Ligações externas[editar | editar código-fonte]
- Mapa: Sistema Cantareira - Bacias hidrográficas formadoras
- Sabesp Situação dos Mananciais
- Diário do Sistema Cantareira
- Instituto Florestal. O Cinturão Verde da Cidade de São Paulo.
- WikiMapia. Estação de Tratamento de Água do Guaraú
- Site da Sabesp
- Cetesb
- Grupo Técnico de Assessoramento para gestão do Sistema Cantareira (GTAG-Cantareira)
- Renovação da outorga do Cantareira pode ficar para 2015, afirma DAEE. G1, 20 de março de 2014
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