Mogeiro é um município brasileiro localizado na microrregião de Itabaiana, estado da Paraíba. Sua população em 2013 foi estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 13.349 habitantes,[3] distribuídos em 219 km² de área.
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[esconder]Topônimo[editar | editar código-fonte]
Recebeu o nome de um riacho que corta suas terras, "Riacho de Mogeiro", cuja significação ainda não foi descoberta, apenas existem hipóteses a esse respeito. A primeira diz vir do substantivo masculino "Mugeiro", que significa espécie de águia que pesca mugens; a segunda supõe vir do vocábulo indígena "mong-eir", que significa mel pegajoso. Outra versão para a origem do nome da cidade refere-se aos monges que habitavam a região. Nas suas moradias, conservadas até a metade do século passado, celebravam-se missas, realizavam-se batizados, casamentos e novenas. E os moradores diziam: "vamos para os monges", "para casa dos monges", "para o mosteiro" e, finalmente, "Mogeiro". Há quem diga que os monges residiam nas proximidades de uma pedra denominada Pedra do Convento e a origem do nome vem da junção dos nomes Monge + Lajeiro[nota 1] = Mongeiro, depois Mogeiro. Essa é a versão mais comum e conhecida pela população.[7]
História[editar | editar código-fonte]
A região onde se situa o município era primitivamente habitada pelos índios Cariris.[8] O primeiro registro de posse foi requerido em 11 de maio de 1758, por Manoel Pereira de Carvalho ao então Governador da Província, José Henrique de Carvalho,[9] que recebeu uma porção de terras situadas em Taipu, entre o rio Paraíba e o riacho Mogeiro, onde foi iniciada a colonização. Em 1856, através da Lei Provincial n° 210, foi criado o termo "Mongeiro de Baixo" (atribuído à Fazenda São João, hoje conhecida como Mogeiro de Baixo), pertencente a Ingá. Em 1874, pela Lei Provincial n° 569, foi criado o termo "Mogeiro de Cima" (atribuído a um povoado que surgira próximo a Mogeiro de Baixo), também pertencente a Ingá, e que pela Lei Provincial n° 512, de 5 de julho do mesmo ano, o tornou na Freguesia de Nossa Senhora das Dores.[8]
Pela Lei n° 612, de 5 de julho de 1876, foi criado o distrito de Mogeiro de Cima,[8] vinculado à jurisdição de Ingá. Em 18 de maio de 1890, devido à grande influência do Conselheiro Manoel Faustino da Silva, a Lei n° 125 foi assinada pelo governador Venâncio Neiva, anexando o distrito ao município de Itabaiana, ao qual pertenceu até a sua emancipação.[10]
Até o ano de 1900, realizava-se uma feira livre em Mogeiro de Baixo, quando o subdelegado Henrique de Andrade Bezerra transferiu-a para o povoado de Mogeiro de Cima.[8] Dado o seu desenvolvimento, Mogeiro de Cima passou a sede do município, cuja emancipação se deu pela Lei n° 2.618, de 12 de dezembro de 1961, desmembrado de Itabaiana, com a denominação de Mogeiro. Quanto a Mogeiro de Baixo, como é conhecido até hoje, passou à condição de bairro da cidade.[10]
História política[editar | editar código-fonte]
Com a emancipação do município, o primeiro prefeito nomeado como interventor foi Diomendes Martins da Silva.[11] Na primeira eleição para prefeito, em 1962, foi eleito o Sr. José Benedito da Silveira,[12] José Silveira, como era conhecido. A antecipação de sua posse, antes de expirar o prazo fixado pela Justiça Eleitoral para o prefeito em exercício, Diomendes Martins da Silva, deixar o cargo, constituía-se numa atitude arbitrária, mas ainda sim ele insistiu. Colocou uma mesa numa sala anexa a uma casa residencial, convocou seus vereadores, improvisou uma seção e empossou-se no cargo. Daí em diante, houve ameaças e descomposturas, culminando no seu assassinato em 7 de novembro de 1962. Do ponto de vista político José Silveira é lembrado até hoje e considerado a maior personalidade política do município.[13]
| N° | Nome | Início do mandato | Fim do mandato | Observação |
| 1 | Diomendes Martins da Silva | 1961 | 1962 | Interventor |
| 2 | Djalma Silveira Lira | 1962 | 1966 | Vice-prefeito |
| 3 | Luiz Gonçalves de lima | 1967 | 1969 | |
| 4 | Walfrido de Melo Silveira | 1970 | 1972 | |
| 5 | Luiz Gonçalves de Lima | 1973 | 1976 | 2° mandato |
| 6 | Walfrido de Melo Silveira | 1977 | 1982 | 2° mandato |
| 7 | Luiz Gonçalves de Lima | 1983 | 1988 | 3° mandato |
| 8 | José Antônio da Silva | 1 de janeiro de 1989 | 31 de dezembro de 1992 | |
| 9 | Margarida Maria Silveira Gomes | 1 de janeiro de 1993 | 31 de dezembro de 1996 | |
| 10 | José Paulo da Silva | 1 de janeiro de 1997 | 31 de dezembro de 2000 | |
| 11 | Margarida Maria Silveira Gomes | 1 de janeiro de 2001 | 31 de dezembro de 2004 | 2° mandato |
| 12 | Margarida Maria Silveira Gomes | 1 de janeiro de 2005 | 31 de dezembro de 2008 | 3° mandato |
| 13 | Antônio José Ferreira | 1 de janeiro de 2009 | 31 de dezembro de 2012 | |
| 14 | Antônio José Ferreira | 1 de janeiro de 2013 | Atualidade | 2° mandato |
Geografia[editar | editar código-fonte]
| Gráfico climático para Mogeiro | |||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| J | F | M | A | M | J | J | A | S | O | N | D |
49
31
20
|
69
29
20
|
126
29
20
|
161
29
20
|
196
27
20
|
220
26
18
|
153
26
18
|
106
26
18
|
53
28
18
|
23
30
19
|
28
30
20
|
32
30
20
|
| Temperaturas em °C • Precipitações em mm Fonte: Jornal do Tempo[nota 2] | |||||||||||
O município está localizado na zona fisiográfica da caatinga, na Mesorregião do Agreste Paraibano e na microrregião de Itabaiana, significando que o mesmo encontra-se inserido no semi-árido nordestino e na região chamada de polígono das secas. Sua área é de 219 km², representando 0,42% do território do estado da Paraíba.[16]
Relevo e Hidrografia[editar | editar código-fonte]
Mogeiro situa-se na depressão sublitorânea, tendo uma superfície colinosa. Seu relevo é suavemente ondulado e drenado por riachos e alguns rios, de vales abertos e pouco profundos. Em sua porção centro-norte ocorre uma área cristalina elevada de maciços residuais com formação de serra, onde o relevo é fortemente ondulado e montanhoso.[16]
Situado na Bacia Hidrográfica do Baixo Paraíba, é cortado pelo rio Ingá (ou Camurim, como também é conhecido) e pelos riachos de Mogeiro e Poço Verde e, servindo como divisor dos municípios limítrofes, os rios Paraíba, Cantagalo e Gurinhém.[16]
O rio Paraíba propicia grande potencial de irrigação para beneficiamento e diversificação de culturas no município, favorecendo, ainda, a prática da piscicultura.[16]
Vegetação[editar | editar código-fonte]
No município predomina como cobertura nativa a vegetação de floresta caducifólia com porte arbóreo de 8 a 10 metros de altura, clara, pouco densa, com árvores muito ramificadas e um estrato arbustivo. Na estação seca esta vegetação perde totalmente as folhas, com exceção de poucas espécies.[16]
Em menor parte do território encontra-se a floresta subcaducifólia, com porte arbóreo em torno de 20 metros de altura, densa e pouco clara, com caules geralmente retilíneos, engalhamento alto e predominando as folhas miúdas. Na estação seca parte das árvores perde suas folhagens. Ocorre também, em algumas áreas, a presença da caatinga hipoxerófita, apresentando-se com porte arbóreo, com menos frequência arbóreo-arbustivo e normalmente densa, sendo a presença decactáceas baixas e bromeliáceas restrita às áreas mais pedregosas.[16]
Contudo, a maior parte da sua vegetação nativa já foi devastada, dando lugar à agricultura, principalmente de subsistência, e a pastagens para a pecuária, além da produção de lenha e carvão, e restam apenas cerca de 10% da reserva florestal nativa do município.[16]
As espécies nativas mais encontradas são: Braúna, Aroeira, Angico, Marmeleiro, Mulungu, Pau-d’arco amarelo,Juazeiro, Timbaúba e Catolé.[16]
Clima[editar | editar código-fonte]
De acordo com a classificação de Köppen, o município apresenta um clima tropical do tipo quente e úmido; sua temperatura média anual varia de 23º C a 26° C, sendo registrada temperatura mínima mensal de 19º C e máxima mensal de 32º.[16]
A precipitação pluviométrica média anual atual é de 431 mm, segundo o CPRM,[17] e de 450 mm, de acordo com o IDEME, com período médio de seis meses secos, tendo umidade relativa do ar em torno de 80%. Assim, o regime anual de seu clima é caracterizado unicamente pelo regime sazonal de chuvas, que compreende o período dos meses de fevereiro a agosto, com maior intensidade entre os meses de maio, junho e os mais secos de outubro e novembro.[16]
Distrito e comunidades[editar | editar código-fonte]
O território municipal é composto pelo distrito de Gameleira e suas principais comunidades são: Areal; Gavião; Pintado; Chã de Areia; Cabral; Granjeiro; Benta Hora; Tamanduá; Cumatí; Gaspar; Boa Vista; Estação; Juá; e Camurim.[16]
Notas
Referências
- ↑ a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008.
- ↑ IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 10 de setembro de 2012.
- ↑ a b «Estimativa Populacional 2013» (PDF). Estimativa Populacional 2013. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 01 de julho de 2013. Consultado em 13 de dezembro de 2013.
- ↑ PNUD. «Perfil do Município de Mogeiro, PB». Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013. Consultado em 4 de Agosto de 2013.
- ↑ a b IBGE/IDEME-PB. «PIB dos municípios paraibanos - 2010» (PDF). Governo da Paraíba. Consultado em 12 de dezembro 2012.
- ↑ Dicionário 10. «Lajeiro significado». Consultado em 11 de setembro de 2012.
- ↑ Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 20-1
- ↑ a b c d IBGE. «Histórico - Mogeiro(PB)». Consultado em 10 de setembro de 2012.
- ↑ Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 20
- ↑ a b Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 21
- ↑ Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 25
- ↑ a b Tribunal Superior Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). «Histórico de Municípios - Mogeiro». Sistema de Histórico de Eleições. Consultado em 13 de setembro de 2012.
- ↑ Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 26-7
- ↑ Alves, Barbosa, Lucena Filho 2008, pp. 25-6
- ↑ Somar Meteorologia. «CLIMATOLOGIA PARA MOGEIRO-PB». Jornal do Tempo. Consultado em 22 de dezembro de 2012.
- ↑ a b c d e f g h i j k Maria Leonilda da Silva. «Agricultura Familiar: Setor Estratégico para o Desenvolvimento Local no Município de Mogeiro» (PDF). UFPB: Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Departamento de Economia. Consultado em 12 de dezembro de 2012.
- ↑ Serviço Geológico do Brasil (CPRM) (outubro de 2005). «Aspectos Fisiográficos» (PDF). Diagnóstico do município de Mogeiro. Ministério de Minas e Energia. Consultado em 12 de setembro de 2012.
- Bibliografia
- Alves, Barbosa, Lucena Filho, José Antonio; João Batista Micena; Severino Alves (2008). Prefeitura Municipal de Mogeiro: ações de cultura e turismo como estratégias de relações públicas (João Pessoa: Editora Universitária da UFPB). p. 131. ISBN 978-85-7745-302-3.
Ligações externas[editar | editar código-fonte]
- Federação dos Municípios da Paraíba (em português)
- Dados municipais e mapa de alta resolução em PDF (em português)
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