quarta-feira, 17 de maio de 2017

CAFE FILHO

João Fernandes Campos Café Filho GCTE • GCBTO (Natal3 de fevereiro de 1899 — Rio de Janeiro20 de fevereiro de 1970) foi um advogado e político brasileiro, sendo presidente do Brasil entre 24 de agosto de 1954 e 8 de novembro de 1955, quando foi deposto. Filho de Presbítero da Igreja Presbiteriana, foi o único potiguar e o primeiro protestante a ocupar a presidência da república do Brasil (junto com Ernesto Geisel, são os únicos protestantes ex-presidentes do Brasil).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascido no Rio Grande do Norte, (Segundo alguns historiadores, Café Filho nasceu em Extremoz, município vizinho a Natal) trabalhou como jornalista e advogado durante a juventude. Participou da Aliança Liberal na campanha de 1930. Em 1933 fundou o Partido Social Nacionalista (PSN) do Rio Grande do Norte, e alguns anos mais tarde, o Partido Social Progressista de Ademar Pereira de Barros. Em 1934 e 1945 foi eleito deputado federal.

Eleições de 1950[editar | editar código-fonte]

Nas eleições de 1950, o governador de São Paulo Ademar de Barros impôs o nome de Café Filho à vice-presidência como condição de apoiar a candidatura de Getúlio Vargas. Getúlio resistiu pois o nome de Café Filho desagradava os militares e a igreja católica, que o consideravam um político de tendências esquerdistas. Café Filho foi contra a aplicação da Lei de Segurança Nacional em 1935. Em 1937 denunciou o Plano Cohen como uma tapeação militar para legitimar a ditadura do Estado Novo. No parlamento fazia campanha contra o cancelamento do registro do PCB e a extinção do mandato dos parlamentares comunistas, além de ser defensor do divórcio[4]
Ademar, no entanto, se irritou com a resistência de Getúlio e lançou uma advertência pela imprensa: "A eleição de Vargas depende do PSP", afirmara o governador paulista. E conclui: “A candidatura do Café Filho a vice-presidente será mantida, custe o que custar”[5] O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) acabou formalizando ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o nome de Café Filho como vice apenas na data limite do registro eleitoral. Mesmo companheiro de chapa, Getúlio nunca confiou em Café Filho. [6]
Nas eleições de 1950 a escolha do vice era desvinculada do presidente. Mesmo assim, Café Filho foi eleito vice-presidente com uma diferença de 200 mil votos para o segundo colocado, Odilon Duarte Braga da União Democrática Nacional (UDN).[7]
Além de ser eleito vice-presidente naquela eleição, Café Filho também foi reeleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (algo possível na legislação eleitoral da época). Na ocasião, conseguiu ser o deputado federal mais votado de seu estado com mais de 19 mil votos, superando políticos como Aluízio AlvesDjalma MarinhoValfredo GurgelJerônimo Dix-huit Rosado e José Augusto Bezerra de Medeiros[8].

Vice-presidente[editar | editar código-fonte]

Em 20 de setembro de 1951 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito de Portugal.[9]
Após o atentado da rua Tonelero, o país entrou em grave crise política. Café Filho sugeriu, então, a Getúlio Vargas, que ambos renunciassem ao governo simultaneamente, abrindo as chances para um governo interino de coalizão. Getúlio disse a Café que iria consultar alguns amigos e pensar a respeito da proposta.[10]Getúlio Vargas consultou o ministro da justiçaTancredo Neves, que recomendou rejeitar o plano, afirmando que era um golpe de Café Filho.[11] Getúlio avisou a Café Filho que não renunciaria. Café Filho respondeu que, rejeitada sua proposta, não devia mais lealdade a Getúlio: "Caso o senhor deixe desta ou daquela maneira este palácio, a minha obrigação constitucional é vir ocupá-lo."[12]

Presidente da República[editar | editar código-fonte]

Com o suicídio de Vargas em 24 de agosto de 1954, assumiu a presidência, exercendo o cargo até novembro de 1955. Em 26 de abril desse ano foi agraciado com a Grã-Cruz da Banda das Três Ordens.[13]
Seu governo foi marcante pelas medidas econômicas liberais comandadas pelo economista Eugênio Gudin.
Em novembro de 1955 foi afastado da presidência por motivos de saúde, assumindo em seu lugar o presidente da Câmara, Carlos Luz, este deposto por tentar impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.

Eleições de 1955 e o Movimento de 11 de Novembro[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Movimento de 11 de Novembro
Nas eleições presidenciais de 1955, o candidato apoiado por Café Filho foi derrotado pelo governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, do PSD, e pelo vice João Goulart, do PTB. Sob a ameaça de golpe arquitetado pela UDN e uma ala do exército, Café Filho manteve-se pelo menos indiferente quanto ao respeito às instituições, o que levou o general Henrique Lott, seu ministro da Guerra, que por sinal tinha votado no candidato oficial, general Juarez Távora, a desferir um golpe de Estado preventivo (o "retorno aos quadros constitucionais vigentes") para garantir a posse de Juscelino e, principalmente, a manutenção da democracia no Brasil.
Alegando questões de saúde, Café Filho licenciou-se do cargo de presidente da República alguns meses antes de Juscelino ser empossado, assumindo interinamente Carlos Luz, então presidente da Câmara. Por pressão do general Lott, Carlos Luz foi deposto e impedido de governar, assumindo a presidência interina Nereu Ramos, então vice-presidente do Senado. Na época, para garantir a posse dos eleitos JK e Jango, foi aprovado o estado de sítio e o impedimento (confirmado pelo STF) de Café Filho, pois este declarou que pretendia retornar a ocupar o cargo.

Após a presidência[editar | editar código-fonte]

Após a presidência, Café Filho trabalhou em uma imobiliária no Rio de Janeiro até ser nomeado em 1961 pelo governador Carlos Lacerda para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da Guanabara até obter aposentadoria em 1969.

Ministros do Governo Café Filho[editar | editar código-fonte]

Café Filho

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
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Referências

  1. Ir para cima «João Fernandes Campos Café Filho (Natal, 3 de fevereiro de 1899 —Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 1970) foi um advogado e político brasileiro, sendo presidente do Brasil entre 24 de agosto de 1954 e 8 de novembro de 1955, quando foi deposto. Foi o único potiguar e o primeiro protestante a ocupar a presidência da república do Brasil». Consultado em 22. Nov 2016 Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  2. Ir para cima «Café Filho, 18º Presidente do Brasil». Consultado em 22. Nov 2016 Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. Ir para cima «Evangélicos que presidiram o Brasil». Consultado em 22. Nov 2016 Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. Ir para cima Dicionário histórico-biográfico brasileiro, publicado pelo CPDOC-FGV
  5. Ir para cima Diário da Noite, 26 de agosto de 1950
  6. Ir para cima Samuel Wainer, Minha razão de viver: Memórias de um repórter, p.39
  7. Ir para cima Walter Costa Porto, O voto no Brasil, pp. 289-90.
  8. Ir para cima «Dados estatísticos: eleições federais e estaduais, realizadas no Brasil em 1950». . Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Consultado em 7 de setembro de 2016
  9. Ir para cima «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "João Café". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 16 de abril de 2015
  10. Ir para cima CAFÉ FILHO. Do sindicato ao Catete: Memórias políticas e confissões humanas. pp. 318-48.
  11. Ir para cima RIBEIRO, J. A. A Era Vargas. Volume 2. p. 156.
  12. Ir para cima CAFÉ FILHO. Do sindicato ao Catete: Memórias políticas e confissões humanas. pp. 333-334.
  13. Ir para cima «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "José Café Filho". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 16 de abril de 2015
  14. Ir para cima Todos os nomes e datas foram tirados do sítio oficial: Biblioteca da Presidência

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CARVALHO, Leonardo Dallacqua de. ; SOUZA, Breno Sabino Leite de . A representação humorística do Presidente Café Filho nas capas da Revista Careta. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais, v. 7, p. 42-60, 2015.[1]
  • _____, Visita do Presidente João Café Filho a Portugal, Serviço de Documentação, 1955.
  • CAFÉ FILHO, João Fernandes. Do sindicato ao Catete: memórias políticas e confissões humanas. Rio de Janeiro : José Olympio, 1966.
  • FGV. Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Trecho disponível em http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/biografias/joao_cafe_filho. Acesso em 07 de setembro de 2016.
  • KOIFMAN, Fábio, Organizador, Presidentes do Brasil, Editora Rio, 2001.
  • SILVA, Hélio, Café Filho e a Crise Institucional - 1954-1955, Editora Três, 1983.
  • SILVA, Hélio, A Novembrada - o Governo Café Filho 1955, Editora Três, 1998.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Nereu Ramos
Vice-presidente do Brasil
1951 — 1954
Sucedido por
João Goulart
Precedido por
Getúlio Vargas
Brasil.
17º. Presidente do Brasil

1954 — 1955
Sucedido por
Carlos Luz

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