João Fernandes Campos Café Filho GCTE • GCBTO (Natal, 3 de fevereiro de 1899 — Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 1970) foi um advogado e político brasileiro, sendo presidente do Brasil entre 24 de agosto de 1954 e 8 de novembro de 1955, quando foi deposto. Filho de Presbítero da Igreja Presbiteriana, foi o único potiguar e o primeiro protestante a ocupar a presidência da república do Brasil (junto com Ernesto Geisel, são os únicos protestantes ex-presidentes do Brasil).
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[esconder]Biografia[editar | editar código-fonte]
Primeiros anos[editar | editar código-fonte]
Nascido no Rio Grande do Norte, (Segundo alguns historiadores, Café Filho nasceu em Extremoz, município vizinho a Natal) trabalhou como jornalista e advogado durante a juventude. Participou da Aliança Liberal na campanha de 1930. Em 1933 fundou o Partido Social Nacionalista (PSN) do Rio Grande do Norte, e alguns anos mais tarde, o Partido Social Progressista de Ademar Pereira de Barros. Em 1934 e 1945 foi eleito deputado federal.
Eleições de 1950[editar | editar código-fonte]
Nas eleições de 1950, o governador de São Paulo Ademar de Barros impôs o nome de Café Filho à vice-presidência como condição de apoiar a candidatura de Getúlio Vargas. Getúlio resistiu pois o nome de Café Filho desagradava os militares e a igreja católica, que o consideravam um político de tendências esquerdistas. Café Filho foi contra a aplicação da Lei de Segurança Nacional em 1935. Em 1937 denunciou o Plano Cohen como uma tapeação militar para legitimar a ditadura do Estado Novo. No parlamento fazia campanha contra o cancelamento do registro do PCB e a extinção do mandato dos parlamentares comunistas, além de ser defensor do divórcio. [4]
Ademar, no entanto, se irritou com a resistência de Getúlio e lançou uma advertência pela imprensa: "A eleição de Vargas depende do PSP", afirmara o governador paulista. E conclui: “A candidatura do Café Filho a vice-presidente será mantida, custe o que custar”. [5] O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) acabou formalizando ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o nome de Café Filho como vice apenas na data limite do registro eleitoral. Mesmo companheiro de chapa, Getúlio nunca confiou em Café Filho. [6]
Nas eleições de 1950 a escolha do vice era desvinculada do presidente. Mesmo assim, Café Filho foi eleito vice-presidente com uma diferença de 200 mil votos para o segundo colocado, Odilon Duarte Braga da União Democrática Nacional (UDN).[7]
Além de ser eleito vice-presidente naquela eleição, Café Filho também foi reeleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (algo possível na legislação eleitoral da época). Na ocasião, conseguiu ser o deputado federal mais votado de seu estado com mais de 19 mil votos, superando políticos como Aluízio Alves, Djalma Marinho, Valfredo Gurgel, Jerônimo Dix-huit Rosado e José Augusto Bezerra de Medeiros[8].
Vice-presidente[editar | editar código-fonte]
Em 20 de setembro de 1951 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito de Portugal.[9]
Após o atentado da rua Tonelero, o país entrou em grave crise política. Café Filho sugeriu, então, a Getúlio Vargas, que ambos renunciassem ao governo simultaneamente, abrindo as chances para um governo interino de coalizão. Getúlio disse a Café que iria consultar alguns amigos e pensar a respeito da proposta.[10]Getúlio Vargas consultou o ministro da justiça, Tancredo Neves, que recomendou rejeitar o plano, afirmando que era um golpe de Café Filho.[11] Getúlio avisou a Café Filho que não renunciaria. Café Filho respondeu que, rejeitada sua proposta, não devia mais lealdade a Getúlio: "Caso o senhor deixe desta ou daquela maneira este palácio, a minha obrigação constitucional é vir ocupá-lo."[12]
Presidente da República[editar | editar código-fonte]
Com o suicídio de Vargas em 24 de agosto de 1954, assumiu a presidência, exercendo o cargo até novembro de 1955. Em 26 de abril desse ano foi agraciado com a Grã-Cruz da Banda das Três Ordens.[13]
Seu governo foi marcante pelas medidas econômicas liberais comandadas pelo economista Eugênio Gudin.
Em novembro de 1955 foi afastado da presidência por motivos de saúde, assumindo em seu lugar o presidente da Câmara, Carlos Luz, este deposto por tentar impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.
Eleições de 1955 e o Movimento de 11 de Novembro[editar | editar código-fonte]
Nas eleições presidenciais de 1955, o candidato apoiado por Café Filho foi derrotado pelo governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, do PSD, e pelo vice João Goulart, do PTB. Sob a ameaça de golpe arquitetado pela UDN e uma ala do exército, Café Filho manteve-se pelo menos indiferente quanto ao respeito às instituições, o que levou o general Henrique Lott, seu ministro da Guerra, que por sinal tinha votado no candidato oficial, general Juarez Távora, a desferir um golpe de Estado preventivo (o "retorno aos quadros constitucionais vigentes") para garantir a posse de Juscelino e, principalmente, a manutenção da democracia no Brasil.
Alegando questões de saúde, Café Filho licenciou-se do cargo de presidente da República alguns meses antes de Juscelino ser empossado, assumindo interinamente Carlos Luz, então presidente da Câmara. Por pressão do general Lott, Carlos Luz foi deposto e impedido de governar, assumindo a presidência interina Nereu Ramos, então vice-presidente do Senado. Na época, para garantir a posse dos eleitos JK e Jango, foi aprovado o estado de sítio e o impedimento (confirmado pelo STF) de Café Filho, pois este declarou que pretendia retornar a ocupar o cargo.
Após a presidência[editar | editar código-fonte]
Após a presidência, Café Filho trabalhou em uma imobiliária no Rio de Janeiro até ser nomeado em 1961 pelo governador Carlos Lacerda para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da Guanabara até obter aposentadoria em 1969.
Ministros do Governo Café Filho[editar | editar código-fonte]
- Aeronáutica: Eduardo Gomes (agos 1954 - nov 1955)
- Agricultura: Apolônio Jorge de Faria Salles (agos 1954), José da Costa Porto (agos 1954 - mai 1955), Bento Munhoz da Rocha (mai 1955 - nov 1955)
- Educação e Cultura: Edgar Rêgo Santos (agos 1954 - set 1954), Cândido Mota Filho (set 1954 - nov 1955)
- Fazenda: Eugênio Gudin (agos 1954 - abril 1955), Interinos: Octávio Bulhões, José Maria Whitaker (abril 1955 - out 1955), Mário Leopoldo Pereira da Câmara (out 1955 - nov 1955)
- Guerra: General Euclydes Zenóbio da Costa (agos 1954), Marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott (agos 1954 - nov 1955), General de Exército Álvaro Fiúza de Castro (tomou posse, mas não se efetivou no cargo)
- Justiça e Negócios do Interior: Miguel Seabra Fagundes (agos 1954 - fev 1955), Alexandre Marcondes Machado Filho (fev 1955 - abril 1955), José Eduardo do Prado Kelly (abril 1955 - nov 1955)
- Marinha: Vice-Almirante Renato de Almeida Gilhobel (agos 1954), Vice-Almirante Edmundo Jordão Amorim do Vale (agos 1954 - nov 1955), Interino: Saladino Coelho
- Relações Exteriores: Vincente Ráo (agos 1954), Raul Fernandes (agos 1954 - nov 1955), Interino: Antônio Camilo de Oliveira
- Saúde: Mário Pinotti (agost 1954), Aramis Taborda de Athayde (set 1954 - nov 1955)
- Viação e Obras Públicas: José Américo de Almeida (agos 1954), Interinos: Lucas Lopes (agos 1954 - jan 1955), Coronel Rodrigo Otávio Jordão Ramos (jan 1955 - abril 1955), Otávio Marcondes Ferraz (abril 1955 - nov 1955)
- Trabalho, Indústria e Comércio: Napoleão de Alencastro Guimarães (agos 1954 - nov 1955), interino: Waldyr Niemeyer [14]
Ver também[editar | editar código-fonte]
Referências
- ↑ «João Fernandes Campos Café Filho (Natal, 3 de fevereiro de 1899 —Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 1970) foi um advogado e político brasileiro, sendo presidente do Brasil entre 24 de agosto de 1954 e 8 de novembro de 1955, quando foi deposto. Foi o único potiguar e o primeiro protestante a ocupar a presidência da república do Brasil». Consultado em 22. Nov 2016 Verifique data em:
|acessodata=(ajuda) - ↑ «Café Filho, 18º Presidente do Brasil». Consultado em 22. Nov 2016 Verifique data em:
|acessodata=(ajuda) - ↑ «Evangélicos que presidiram o Brasil». Consultado em 22. Nov 2016 Verifique data em:
|acessodata=(ajuda) - ↑ Dicionário histórico-biográfico brasileiro, publicado pelo CPDOC-FGV
- ↑ Diário da Noite, 26 de agosto de 1950
- ↑ Samuel Wainer, Minha razão de viver: Memórias de um repórter, p.39
- ↑ Walter Costa Porto, O voto no Brasil, pp. 289-90.
- ↑ «Dados estatísticos: eleições federais e estaduais, realizadas no Brasil em 1950». . Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Consultado em 7 de setembro de 2016
- ↑ «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "João Café". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 16 de abril de 2015
- ↑ CAFÉ FILHO. Do sindicato ao Catete: Memórias políticas e confissões humanas. pp. 318-48.
- ↑ RIBEIRO, J. A. A Era Vargas. Volume 2. p. 156.
- ↑ CAFÉ FILHO. Do sindicato ao Catete: Memórias políticas e confissões humanas. pp. 333-334.
- ↑ «Cidadãos Estrangeiros Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "José Café Filho". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 16 de abril de 2015
- ↑ Todos os nomes e datas foram tirados do sítio oficial: Biblioteca da Presidência
Bibliografia[editar | editar código-fonte]
- CARVALHO, Leonardo Dallacqua de. ; SOUZA, Breno Sabino Leite de . A representação humorística do Presidente Café Filho nas capas da Revista Careta. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais, v. 7, p. 42-60, 2015.[1]
- _____, Visita do Presidente João Café Filho a Portugal, Serviço de Documentação, 1955.
- CAFÉ FILHO, João Fernandes. Do sindicato ao Catete: memórias políticas e confissões humanas. Rio de Janeiro : José Olympio, 1966.
- FGV. Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. Trecho disponível em http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/biografias/joao_cafe_filho. Acesso em 07 de setembro de 2016.
- KOIFMAN, Fábio, Organizador, Presidentes do Brasil, Editora Rio, 2001.
- SILVA, Hélio, Café Filho e a Crise Institucional - 1954-1955, Editora Três, 1983.
- SILVA, Hélio, A Novembrada - o Governo Café Filho 1955, Editora Três, 1998.
Ligações externas[editar | editar código-fonte]
- Memória Viva de Café Filho www.memoriaviva.com.br
- O governo Café Filho no sítio oficial da Presidência da República do Brasil
- Mensagem ao Congresso Nacional 1955
| Precedido por Nereu Ramos | Vice-presidente do Brasil 1951 — 1954 | Sucedido por João Goulart |
| Precedido por Getúlio Vargas | 17º. Presidente do Brasil 1954 — 1955 | Sucedido por Carlos Luz |
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- Membros do Partido Social Progressista
- Grã-Cruzes da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito
- Grã-Cruzes da Banda das Três Ordens
- Políticos do Brasil depostos
- Naturais de Natal (Rio Grande do Norte)

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