quarta-feira, 9 de agosto de 2017

NORDESTE ORIENTAL

Nordeste Oriental é uma subdivisão geográfica do Nordeste brasileiro que engloba os estados de SergipeAlagoasPernambucoParaíbaRio Grande do NorteCeará e se refere não apenas à semelhança geográfica da área, mas também às culturais, históricas, humanas e econômicas.[2][3][nota 1] É nela onde se situam cinco das nove capitais da região Nordeste: FortalezaNatalJoão PessoaRecife e Maceió. Esta sub-região nordestina tem quase meio trilhão de reais em PIB, ou seja, mais da metade da riqueza macrorregional.[6]
O conceito inclui ainda a região hidrográfica do Atlântico Nordeste Oriental, uma das doze regiões hidrográficas do território brasileiro segundo a Agência Nacional de Águas (ANA).[6]

História[editar | editar código-fonte]

Escravos cortando cana no século XIX
Acredita-se que em fins do século XV Vicente Pinzón tenha explorado essa região do Brasil antes da descoberta oficial por Cabral. Antes de rumar para a foz do Amazonas, Pinzón teria navegado entre os dois cabos que mais se projetam na costa — o Cabo Branco, no extremo leste oriental, e de São Roque, que divide a entre a costa norte e leste do Brasil.
Nos séculos XVI e XVII o Nordeste Oriental torna-se a potência econômica do país em virtude das exportações de cana-de-açúcar, mercadoria mais valiosa do comércio da época. Os principais núcleos urbanos de então eram as cidades de Filipeia e Recife, assim como as vilas de Olinda e Goiana.[nota 2] É então que a migração expansionista e pecuarista sobe o rio São Francisco e os sertões nordestinos no século XVIII e dá impulso à economia local com a conquista das “terras devolutas” dos tapuias. A saturação do ciclo da cana e a emergência do ciclo algodoeiro relacionado à industrialização se projeta no século XIX. A abolição da escravatura em 1888 provoca grandes mudanças sociais.
Com a entrada do século 20, o setor primário perde força na região e seu PIB passa a contar mais com a produção industrial e, sobretudo, o setor terciário. Finalmente, a partir dos fins do século XX a urbanização e a modernização se espalha pelas metrópoles regionais e os pólos do interior.
A região sofreu ao longo da história brasileira grandes pressões antrópicas, as quais foram responsáveis não só pela derrubada da Mata Atlântica para implantação da cultura de cana-de-açúcar e degradação dos manguezais e lagoas da zona costeira, em virtude do avanço urbano, como também pela devastação da caatinga em virtude da expansão da atividade pecuária no sertão brasileiro.[6]

Geografia[editar | editar código-fonte]

A região tem uma área de 384.115 km², abrangendo em seu território os estados de SergipeAlagoasPernambucoParaíbaRio Grande do Norte e Ceará, ou seja, em torno de um quarto da superfície da região Nordeste, que apresenta 1.558.196 km². O seu maior rio a leste é o Paraíba, que deságua na zona da mata, enquanto no setor centro-oeste e norte destacam-se o Jaguaribe e o Piranhas-Açu.
A Bacia do Atlântico Nordeste Oriental caracteriza-se pela ausência de grandes rios, configurando-se num cenário de baixa disponibilidade hídrica com relação às demandas, principalmente em períodos de estiagem. Dentre as principais baciais, destacam-se os rios AcaraúJaguaribePiranhas–AçuParaíbaCapibaribe e Una.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

Notas

  1. Ir para cima Geograficamente, é a região compreendida entre o rio São Francisco e o Ceará. Apesar de estar ao sul do São Francisco, Sergipe é incluído por suas semelhanças culturais e sua história econômica comum com o restante dos estados.[4] O Nordeste Oriental é uma área de clima quente e úmido, dotada de ricos massapês.[5]
  2. Ir para cima No século XVIII, o Nordeste Oriental é invadido pelos neerlandeses e se torna a mais próspera e lucrativa colônia batava no mundo.

Referências

  1. Ir para cima «Divisão Regional Brasileira». Portal Brasil Escola. Consultado em 17 de Janeiro de 2012
  2. Ir para cima Gilberto Osório de O. Andrade e Manuel Correia de O. Andrade (1959). Os Rios-do-açúcar do Nordeste Oriental. [S.l.]: Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais. 154 páginas
  3. Ir para cima Brasil. Departamento Nacional da Produção Mineral (1984). Principais depósitos minerais do Nordeste Oriental. [S.l.]: DNPM. 437 páginas
  4. Ir para cima Joaquim do Amor Divino Caneca (2001). Coleção Formadores do Brasil. [S.l.]: Editora 34. 643 páginas. ISBN 9788573262131
  5. Ir para cima Aziz Nacib Ab'Sáber (2004). São Paulo: ensaios entreveros. [S.l.]: EdUSP. 518 páginas. ISBN 9788531407215
  6. ↑ Ir para:a b c Adm. do portal (2008). «Regiões Hidrográficas». Agência Nacional de Águas – ANA. Consultado em 24 de fevereiro de 2014

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