A Geografia é a ciência que estuda o conjunto de fenómenos naturais e humanos, os quais são aspectos da superfície da Terra, considerada na sua distribuição e relações recíprocas.[1] A Geografia estuda a superfície terrestre.[2] A origem etimológica do termo é derivada dos radicais gregos geo = "Terra" + grafia = "escrita".[3][4] Descreve as paisagens que resultaram da relação entre o homem e a natureza.[2] Desde a mais alta antiguidade o homem se preocupava com o conhecimento do espaço em que vivia (ambiente).[5] Certas vezes esse conhecimento era uma resposta desejada pela curiosidade.[5] Outras vezes tais conhecimentos tinham objetivos econômicos ou políticos.[5] O conhecimento sistematicamente abordado da Terra é o objetivo específico da Geografia.[2] A Geografia é uma disciplina que nasceu na própria época em que surgiu o homem. Mas o homem só categorizou a Geografia como ciência depois que a civilização grega floresceu.[5][6]
Na superfície da Terra são compreendidas quatro esferas: a atmosfera, a litosfera, a hidrosfera e a biosfera. É o habitat, ou meio ambiente. Nela vivem os animais (seres humanos e não humanos) e as plantas.[6][7]
A superfície da Terra é conhecida pela sua habitabilidade.[8] Na superfície da Terra são apresentadas diversas características. Uma das características de maior importância é a complexidade interativa dos elementos físicos, biológicos e humanos. Dentre esses elementos podemos citar o relevo, o clima, a água, o solo, a vegetação, a agricultura e a urbanização.[nota 1] Outra característica é o fato de que o ambiente varia muito de um lugar para outro, conforme os lados antagônicos: de um lado o calor dos trópicos e, por outro o frio das regiões polares,[9] a aridez dos desertos ao contrário das umidade das florestas equatoriais, a vastidão das planícies rebaixadas em contraposição à ingremidade das montanhas e as superfícies geladas[10] e despovoadas em oposição às grandes metrópoles que ultrapassam os milhões de habitantes.[11] Outra característica ainda é o registro regular dos certos fenômenos, como os climáticos.[12] O registro regular dos fenômenos climáticos faz com que sua distribuição espacial seja generalizada por esses fenômenos climáticos.[12] Os exemplos mais verdadeiros são a mediçõestérmicas e pluviométricas. As medições térmicas e pluviométricas são os principais elementos climáticos para a agropecuária e outras atividades feitas pelo homem.[6]
Na geografia há quatro preocupações particulares. Primeiro, onde o seu objeto se localiza.[13] Segundo, como os fenômenos se inter-relacionam (em especial o modo como a humanidade e a território se relacionam, de modo igual que a ecologia).[14] Terceiro, a regionalização.[15] E, quarto, as áreas correlatas.[6] Pela geografia são pesquisados os locais onde desenrola a vida das pessoas, de como os locais se distribuem acima da superfície terrestres e os fatores de ambiente, cultura, economia e fatores que se relacionam à recursos da natureza.[16] Todos esses fatores têm influência nessa distribuição.[16] Trata-se de uma tentativa de respostas e perguntas a respeito de como é possível uma região ser reconhecida pela população, modus vivendi, cultura e a respeito dos movimentos e relações ocorridas entre os locais diferenciados.[6] Foi sistematizada como disciplina acadêmica em atribuição aos pesquisadores Alexander von Humboldt e Carl Ritter, que viveram no Século XIX.[nota 2] O profissional desta disciplina é o geógrafo.[6][17]
Índice
[esconder]- 1Definição
- 2História
- 3Subdivisões
- 4Filosofia
- 5Geógrafo e Professor de Geografia
- 6Métodos da geografia
- 7Campos relacionados
- 8Técnicas geográficas
- 9Notas
- 10Referências
- 11Ver também
Definição
Etimologia
A origem etimológica do nome "geografia" é derivada do vocábulo grego geographía (γεογραπηία), que significa "descrição da Terra" e "carta geográfica".[18] O termo é composto pelos radicais gregos geo = "terra", + graphein = "descrever". O nome da disciplina é representado no latim como geographia[18]. Esta é a fonte do eruditismo em cinco línguas europeias: em língua portuguesa e italiana, geografia (século XVI);[19][20]em língua espanhola, geografía, (1615);[21] em língua francesa, geographie (aproximadamente 1500);[21] em língua inglesa, geography (século XVI).[22] A palavra inglesa geography é uma palavra emprestada do vocábulo francês e alemão Geographie (século XVI).[22] ;[21] O vocábulo alemão Erdkunde é derivado de duas palavras: Erde = "terra", + Kunde = "conhecimento".[22] Esta palavra foi registrada pelo especialista em linguística alemão Johann Christian Adelung (1732-1806), em 1774.[22] Erdkunde é traduzido do vocábulo francês e alemão Geographie.[22]
O conceito de geografia
A geografia é uma ciência na qual é estudado o modo como os habitantes se relacionam com a Terra. O desejo dos geógrafos é ter o conhecimento do lugar onde passa a vida dos homens, das plantas e dos animais e a localização dos rios, dos lagos, das montanhas e das cidades. Pelos geógrafos é estudado o porquê desses elementos são encontrados na sua localização e como são inter-relacionados entre si. A origem etimológica da palavra "geografia" é derivada do grego geographía (γεογραπηία), cujo significado é descrição da Terra.[23]
A geografia é grandemente dependente em relação às demais disciplinas para a obtenção de informações básicas, em especial de certos ramos especializados. Na ciência geográfica são utilizados os dados de outras disciplinas com a química, da matemática, da física, da astronomia, da antropologia e da biologia e esses dados são relacionados com estudos das populações e de seu meio ambiente.[23]
Os geógrafos são utilizadores de um grande número de técnicas que vai da análise de mapas, leituras especializadas e análises estatísticas de censos demográficos. Os mapas constituem o instrumento e o meio de expressão de maior importância que não pode faltar no trabalho de um geógrafo, seja em casa, na sala de aula, no expediente comercial, nas palestras, nas viagens, nas reuniões, em qualquer lugar, em qualquer idioma. Além de serem estudados os mapas, estes são atualizados pelos geógrafos graças à especialização das pesquisas, fazendo com que seja aumentado o nosso conhecimento geográfico.[23]
Dada a utilidade do conhecimento geográfico no cotidiano das pessoas, a geografia começa a ser aprendida no jardim de infância ou no ensino fundamental com extensão até o ensino superior. Na ciência geográfica é objetivada a base do estudo do senso de saber para onde vai viajar dirigir um meio de transporte, de ser capaz de ler mapas, de compreender as relações espaciais e de conhecer o tempo, o clima e os recursos naturais.[23]
O homem sempre teve necessidade e fez uso do conhecimento geográfico. Pelos povos pré-históricos era necessário encontrar cavernas que pudessem servir como moradias, próximas de reservas regulares de água e locais propícios a caça. Tinham o conhecimento da localização dos rastros deixados pelos animais e as trilhas por onde os inimigos passavam. Pelos povos pré-históricos eram utilizados carvão ou argila em cores para elaborar o desenho dos primeiros mapas de sua região nas paredes das cavernas ou na secura da pele dos animais.[23]
No passar do tempo, o homem foi aprendiz da agricultura e da domesticação dos animais. Por essas atividades o homem foi forçado a ser atencioso ao clima e aos pastos que ele pretendia localizar. Porém, o seu conhecimento geográfico era verdadeiramente restrito à distância possível de ser percorrida num dia.[23]
Atualmente, não é mais possível a nossa satisfação com o limite de um conhecimento geográfico da área de cercania de nossas residências. Hoje, nem mesmo era o bastante às pessoas o conhecimento das terras e dos mares na sua maior proximidade, como era ocorrente na época em que o Império Romano tinha o mesmo tamanho das nações modernas do Brasil e dos Estados Unidos. O geógrafo só realiza satisfatoriamente sua tarefa, quando considera em suas análises os diversos aspectos conhecidos do nosso planeta.[23]
História
Antiguidade greco-romana
Os primeiros registros de conhecimentos geográficos são encontrados em relatos de viajantes no século V a.C. Um famoso exemplo de viajante daquela época foi o grego Heródoto, o pai da história. O conhecimento dos cidadãos da Grécia Antiga a respeito da Terra era grandemente avançado. Especialistas em filosofia como Pitágoras e Aristóteles tinham a crença de que a Terra era redonda. No século III a.C., Eratóstenes de Cirene foi o primeiro a utilizar a palavra Geografia. Esta palavra aparece escrita numa obra de domínio público denominada Geografia. O cientista grego fez o cálculo da circunferência da Terra com aproximação gigantesca.[24]
Depois, o geógrafo e historiador grego Estrabão selecionou todo o conhecimento clássico sobre Geografia. Todo esse conhecimento encontra-se reunido numa obra de 17 volumes sobre a época em que Jesus Cristo viveu. Esta publicação se tornou a única referência sobre obras gregas e romanas desaparecidas. Outra importante contribuição foi a do astrônomo e geógrafo Ptolomeu. Ptolomeu viveu no século II da era cristã. Por mais que o astrônomo tivesse grande contribuição, seus estudos apresentavam erros.[24]
Idade Média, Renascimento e Iluminismo
Devido à queda do Império Romano no Ocidente, o conhecimento geográfico greco-romano foi perdido na Europa. Porém, entre os séculos XI e XII foi preservado, revisto e ampliado por geógrafos muçulmanos da Península Arábica. Mas os acréscimos e acertos feitos pelos geógrafos árabes Edrisi, Ibn Battuta e Ibn Khaldun foram ignorados pelos pensadores europeus. Durante as cruzadas, foram retomadas as primeiras teorias. Assim, os erros de Ptolomeu continuaram no Ocidente até as Grandes Navegações. As Grandes Navegações passaram a reabastecer a Europa de informações mais detalhadas e exatas sobre o restante do mundo. Em 1570, o cartógrafo flamengo Abraham Ortelius organizou diversos mapas num livro só. Seria este, talvez, o atlas mais antigo do mundo.[24]
Uma importante personalidade que retomou os estudos de geografia foi o alemão Bernhardus Varenius (Bernhard Varen). O livro Geographia generalis (1650; Geografia geral) sofreu várias revisões. Este livro continuou sendo a principal obra de referência durante um século ou mais. O cartógrafo mais importante do século XVI também era de Flandres: Gerardus Mercator. Gerardus Mercator (Gerard de Cremer) ficou famoso por criar um novo sistema de projeções. O então cartógrafo aprimorou os sistemas de projeções que utilizavam longitudes e latitudes.[24]
No século XVIII, James Cook fez a fixação de novos padrões precisos e técnicos em navegação. Foi responsável pelas viagens científicas. Na segunda viagem, circunavegou o globo. Esta viagem científica ocorrida entre 1772 e 1775 foi o mais famoso de seus itinerários. Na França foi criado o primeiro estudo de pesquisadores sobre topografia detalhada de um grande país. Este trabalho intelectual foi realizado entre os séculos XVII e XVIII por quatro gerações de especialistas em astronomia e profissionais de pesquisa da família Cassini. A partir do trabalho, o atlas nacional da França foi publicado pela primeira vez em 1791.[24]
Como muitos que o antecipavam, Alexander von Humboldt fez uma proposta de conhecimento sobre as demais partes do mundo. Apesar dessa proposta, acabou por fazer a distinção por dois objetivos. Primeiro, pela cautelosa elaboração que antecipava suas viagens bem-sucedidas. E, segundo, pela busca e exatidão de suas análises. São de especial interesse seus estudos sobre os Andes. Estes estudos foram feitos numa viagem às Américas Central e do Sul. Isso ocorreu entre 1799 e 1804. Inicialmente, foi feita uma descrição sistemática e inter-relacionada de cinco características. São elas: altitude, temperatura, vegetação e agricultura em montanhas que se localizam em regiões de latitude em direção à linha do Equador.[24]
Surgimento da Geografia moderna
Humboldt apresentou as bases da Geografia moderna. As bases da Geografia moderna tinham destaque na análise direta e nas medições precisas como base para leis generalistas. O especialista em filosofia Immanuel Kant foi autor da obra Kritik der reinen Vernunft (1781: Crítica da razão pura). Na obra, Kant definiu de modo satisfatório o lugar da Geografia em relação às diferentes áreas do conhecimento. A definição de Kant afirma que a Geografia lida com os fenômenos espaciais. É a mesma coisa que dizer que a história lida com os fatos já ocorridos no passado. Tanto Kant quanto Humboldt ensinaram Geografia física e eram da mesma época que Carl Ritter. Carl Ritter era professor da primeira disciplina de Geografia estabelecida numa instituição de ensino superior dos tempos modernos.[24]
Três inovações institucionais do século XIX também exerciam importante função no surgimento da Geografia moderna. Primeiro, o novo retrato das instituições de ensino superior. Segundo, a fundação de sociedades geográficas e as perguntas sobre aspectos e recursos naturais que os governos de várias nações patrocinavam. E, terceiro, a implantação de estações que se dirigem à análise geográfica sistemática ajudou na elaboração de mapas com dados sobre vários fenômenos da natureza.[24]
A Geografia é uma disciplina universitária, isto é, um campo de pesquisas e estudos avançados em instituições de ensino superior. A disciplina geográfica foi estabelecida assim na Prússia nos anos 70 do século XIX. Depois estabeleceu-se na França e nos demais países europeus. Entre os mais importantes conhecedores dessa época de processo expansivo e explicação definitiva do objeto geográfico estavam o especialista em geografia e geologia alemão Ferdinand von Richthofen. Ferdinand von Richthofen escreveu uma grandiosa enciclopédia de cinco volumes. Esta publicação enciclopédica trata de temas relacionados à Geografia da China. Ferdinand Paul Wilhelm provocou o desenvolvimento do método geográfico na Alemanha e nas demais nações. Outro alemão, Friedrich Ratzel, líder da escola determinista, escreveu trabalhos pioneiros em Geografia humana e política. Para Ratzel, o meio natural condiciona a atividade humana.[24]
A quantidade de geógrafos com formação acadêmica avançada cresceu muito. Esse fator fez com que surgissem diferenciadas correntes no interior da área do conhecimento. Diferem quanto aos pontos de vista e na ênfase dada a certas características. Apesar disso, a preocupação de todas as escolas foram as questões próprias da civilização humana e suas diferenças inter-regionais. Paul Vidal de La Blache encabeçava a escola possibilista. A escola possibilista acreditava que a natureza oferece diferentes escolhas possíveis do ser humano em cada área geográfica. Paul Vidal de La Blache foi um dos principais responsáveis por fazer surgir a disciplina geográfica dos tempos modernos na França. Deve-se a ele a explicação definitiva do campo da Geografia regional. Esta explicação definitiva destacava-se no estudo de áreas de menor porte e homogêneas de modo relativo. Foi o primeiro professor de Geografia da Sorbonne. Paul Vidal de la Blache realizou o planejamento de uma obra gigantesca. Esta enciclopédia tratava de temas relacionados à Geografia regional no mundo inteiro. Entretanto, a vida de La Blache era muito curta para terminar de publicar a futura enciclopédia. Géographie universelle (1927-1948) foi concluída por seu colega de faculdade Lucien Gallois. Esta coleção de livros é uma das melhores publicações impressas sobre Geografia regional.[24]
Século XX
No século XX, a Geografia evoluiu rapidamente. A disciplina geográfica recebeu novas conceituações e métodos. No começo, a geomorfologia foi o campo geográfico de maior atração. Na geomorfologia, predominam as teorias do americano William Morris Davis. William Morris Davis na primeira metade do século XX, foi desenvolvedor do conceito de ciclo de erosão. O especialista em geomorfologia constituiu uma nova geração de profissionais da geografia.[24]
Até a metade do século XX, focalizou-se em particular a Geografia Regional e a grande quantidade de lugares e povos do mundo. Depois da Segunda Guerra Mundial, os profissionais da Geografia regional de modo frequente se associavam com a realização de programas econômicos em áreas subdesenvolvidas. Nos anos 60 do século XX, a atenção se voltou para dois objetivos. Primeiro, o aperfeiçoamento de metodologias de quantidade. E, segundo, a ação construtiva de padrões sistemáticos relacionados à natureza e o homem. No final dos anos 1960 e começo dos anos 1970, voltaram a serem discutidos os cuidados com o meio ambiente. Antes disso, esse tema foi relativamente esquecido por muito tempo.[24]
Nos anos 1970 e 1980, surgiram modelos de quantidade que se baseiam em grandes grupos de dados calculados em censos e demais tipologias de pesquisa foi entendido por alguns profissionais de geografia como um exagero de ideia fixa com o espaço abstrato, em consequência ou em virtude do prejuízo ou dano causado à localização terrestre. Exigia-se, então, um tratamento mais comportamental. De acordo com a exigência, o envolvimento do tratamento mais comportamental era de percepções e escolhas únicas. Além disso, os geógrafos desejavam uma geografia mais humanística. Outras facções exigiam que tratassem de assuntos radicais. Porém, permeando todas as alterações, havia a intenção comum de favorecer quatro elementos. Primeiro, os seres humanos e suas sociedades. Segundo, o meio ambiente físico e biológico. Terceiro, o caráter regional de certas ocorrências; E, quarto, as associações e relações que acontecem em todas as regiões. Estas últimas podem ser observadas tanto do ponto de vista ecológico como sistêmico.[24]
Ainda no século XX, se espalharam as fontes de dados estatísticos. Em especial, foram realizados censos demográficos de diversos países. A fotografia aérea demonstrou que é um novo e útil instrumento de trabalho. No entanto, ainda mais eficientes e que cumprem os requisitos tecnológicos foram as possibilidades abertas pelo sensoriamento remoto. Isso se favoreceu com duas inovações tecnológicas: primeiro, a partir de satélites artificiais; e, segundo pelo uso de notebooks na abordagem de grandes quantidades de dados.[24]
O objetivo central do estudo da Geografia é a superfície da Terra. A superfície da Terra sofreu rápidas alterações na segunda metade do século XX. Os geógrafos começaram se preocupar com vários outros problemas. Esses problemas não são apenas preocupações dos geógrafos, mas também dos cientistas e acadêmicos de diversas outras áreas. Os problemas de maior preocupação dos geógrafos são os seguintes: a desertificação é causada tanto pelas frequentes secas quanto pela atividade humana; o desmatamento de florestas equatoriais afeta de maneira negativa o frágil equilíbrio ambiental; o perigo de desastres naturais de todos os tipos são também acidentes que os seres humanos causam, em particular os nucleares; a poluição ambiental, como a acidez da chuva e o ar poluído nas cidades; as altas taxas de crescimento populacional fazem com que as pessoas sejam incapazes de sobreviver em certos países de poucos recursos; o problema da desigualdade entre as regiões na divisão dos recursos e das riquezas; a ameaça da fome e da miséria é agravada por problemas econômicos e políticos.[24]
Entre os campos possíveis de desenvolvimento da Geografia encontram-se três perspectivas a seguir. Em primeiro lugar, os recursos minerais e de demais tipos nos oceanos são explorados. Em segundo lugar, a engenharia genética é usada para o crescimento da produtividade agrícola e a solução de problemas que as pragas criaram; estes problemas atrapalham a expansão dos cultivos em diversas regiões do mundo. E, em terceiro lugar, a supercondutividade é aperfeiçoada para a melhoria do problema da distribuição de energia elétrica. Todos esses problemas e perspectivas envolvem questões geográficas. Estão ligados a fatores naturais e humanos e a sua distribuição espacial. Estas dificuldades e dimensões apresentam sempre novos desafios para os especialistas.[24]
Novas perspectivas de análise
Na segunda metade do século XX apareceram recentes maneiras de análise da superfície terrestre e as relações de estabelecimento do ser humano com o meio em que vive. Entre as principais podemos citar:[25]
- Geografia da percepção: esta facção tem uma relação com a disciplinas psicológica e sociológica. Leva em conta que qualquer indivíduo tem sua visão apropriada do meio em que vive. Por seu turno, a geografia da percepção é regularizada por mudanças na economia, na sociedade, na cultura e nas pessoas. Como consequência, as ligações entre o ser humano e o meio são diferenciados para cada indivíduo devido à sua compreensão da realidade.[25]
- Geografia radical: tem fundamento nas obras escritas pelo pensador alemão Karl Marx (1818-1883). Esta tendência é centrada na observação analítica dos processos ocorridos na sociedade. Entre esses processos podemos citar a desigualdade, o subdesenvolvimento e a pobreza. A principal finalidade da geografia radical é o melhoramento da compreensão das ligações homem-meio como mudança anterior para o direito de alteração dos aspectos ruins da vida real. Esta facção, em oposição ao poder político, coloca a geografia ao alcance da sociedade e aparece como tentativa de responder às desigualdades sociais que existem no mundo.[25]
- Geografia de gênero: esta dimensão foi criada na década de 1980 no Reino Unido e nos Estados Unidos, em curta ligação com o movimento feminista. Fazia a observação analítica de assuntos como a desigualdade feminina no ingresso na política, no trabalho e nos serviços sociais. As relações entre indivíduos dos sexos masculino e feminino em cada área geográfica e a função da mulher na sociedade.[25]
As metodologias de trabalho da Geografia, baseados de modo tradicional na observação analítica da vida real; na conquista de dados por intermédio do trabalho de campo; na descrição dos acontecimentos e ambientes geográficos; e na observação analítica por meio de instrumentos estatísticas, tiveram evolução rápida nas recentes décadas graças aos avanços da computação e ao uso de sistemas de análise remota da superfície da Terra, como as imagens de satélite.[25]
Geografia no Brasil
Quanto ao conhecimento geográfico no Brasil, não se pode deixar de observar a grande importância e influência do Geógrafo mais reconhecido do país seguido de Aziz Ab'Saber e seu pioneirismo, não por profissão, mas por méritos, Milton Santos. Com várias publicações, Milton Santos, tornou-se o pai da Geografia Crítica que faz análises e fenomenológicas dos fatos e incidências de casos. Isso é muito importante, visto que a Geografia é uma ciência global e abrangente, e somente o olhar geográfico aguçado consegue identificar determinados processos, sejam naturais ou sócio-espaciais. Vale ressaltar também os importantes estudos do professor Jurandyr Ross, que se dedicou a mapear, de forma bastante detalhada, o relevo brasileiro além das inúmeras publicações do professor doutor José William Vesentini que se tornaram referência no estudo da geografia do Brasil.
Não podendo esquecer de geógrafos como Armen Mamigonian, Manuel Correia de Andrade, Roberto Lobato Corrêa, Ruy Moreira, Armando Corrêa da Silva, Antonio Christofoletti, Ariovaldo Umbelino de Oliveira, entre outros de outras épocas, não tão conhecidos como os que fizeram suas carreiras na Universidade de São Paulo.
Subdivisões
Existem elementos muito variados na superfície da Terra. O estabelecimento das relações entre eles é muito complexa. A geografia está subdividida em diferenciados ramos. Por esses dois motivos, qualquer um desses ramos apresenta especial atenção a um certo fenômeno geográfico. Mas a interdependência que existe transforma a divisão entre as ramificações diferenciadas numa grande difusão. Isto se deve ao fato de que todos eles se inter-relacionam de um modo ou de outro.
O primeiro grau de divisão faz a distinção entre a geografia regional e a geografia geral ou sistemática. A geografia regional é o estudo da maneira circunstancial da combinação elementar e os fatores geográficos para traçar as regiões ou paisagens. O objetivo da geografia geral ou sistemática é o descobrimento dos princípios gerais. Esses princípios generalistas são a explicação das mais variadas paisagens que existem na Terra. Devido à tipologia da análise de elementos, a geografia geral é subdividida em duas disciplinas: a geografia física e a geografia humana.
Geografia física
Esta disciplina é a análise as diferentes variações da natureza ocorridas num certo lugar. A geografia física considera tanto os aspectos ambientais como a sua ligação com o ser humano. Exemplos destas pesquisas são o choque da atividade do homem sobre a natureza, ou a solução do ser humano para as características ambientais.[25]
Certos geógrafos físicos aplicam-se para estudar as formas do relevo, como as formações montanhosas e as terras baixas. Outros dedicam-se ao estudo dos oceanos, do clima e do tempo. Uma das ramificações da disciplina geográfica aplica-se a localização dos pontos precisos no globo terrestre. Qualquer uma dessas ramificações consiste quase numa ciência independente e possui nome próprio.[23]
De acordo com o fenômeno natural analisado, a geografia física é dividida nas áreas subsequentes:[25]
- Climatologia: é o estudo analítico das situações condicionais da atmosfera terrestre caraterísticas de um certo local ou território regional. A climatologia faz a observação dos valores medianos dos elementos climáticos. Entre os elementos climáticos podemos citar a chuva e a temperatura. A precipitação e a temperatura são elementos observados pela climatologia em todas as zonas da superfície terrestre. A climatologia faz o estabelecimento da divisão de cada tipo climático no nosso planeta. A climatologia é o estudo da influência climática nas formações vegetais, pedológicas e geomorfológicas; E, por último, a climatologia apresenta uma especial atenção à relatividade que existe entre o estado climático e o indivíduo da espécie Homo sapiens. Esta área do conhecimento tem relação com a disciplina meteorológica. Por esse motivo, o objeto de estudo da climatologia e da meteorologia é a atmosfera.[25]
- Geomorfologia: é o estudo dos aspectos das formas irregulares de relevo que existem na superfície terrestre. A geomorfologia dá atenção aos processos que deram origem aos mais diversos fatores. Exemplos desses fatores são os terremotos e os maremotos da crosta terrestre; as pedras que se levantaram e afundaram; e os terremotos que se transformaram respectivamente pela erosão. No interior desta área do conhecimento esses exemplos são identificados pela geomorfologia histórica. A geomorfologia histórica possui relação com a disciplina geológica. A geomorfologia histórica faz a análise do processo evolutivo das formações de relevos ao passar dos tempos. A geomorfologia dinâmica faz a análise dos processos majoritários em se transformou o relevo atual.[25]
- Biogeografia: se relaciona com as disciplinas biológica, ecológica, botânica e zoológica. A biogeografia é o estudo do espalhamento dos seres vivos na superfície da Terra, as ligações que existem entre as diferenciadas espécies dos reinos Animal e Plantae. Estuda também os fatores afetantes do seu espalhamento. Entre estes fatores podemos citar o clima, os solos e o relevo. A biogeografia é constituída de outras áreas do conhecimento com mais precisão. A fitogeografia estuda os tipos de vegetação. E a zoogeografia estuda cada característica que tem relação com o espalhamento e a diversidade das espécies do reino Animal. A biogeografia histórica estuda como estão distribuídos os elementos da biota (espécies dos reinos Plantae e Animalia). A biogeografia histórica considera a evolução diacrônica dos animais e das plantas.[25]
- Hidrologia: é o estudo dos aspectos do agrupamento que é constituído pelas águas que existem no nosso planeta. De acordo com a hidrologia, as águas podem existir tanto na superfície da Terra como no subsolo. As águas superficiais e subterrâneas compõem o que podemos chamar de hidrosfera. Entre outras características, a disciplina hidrológica faz exploração das propriedades físicas e químicas da água, o seu espalhamento e passagem na superfície da Terra. Estuda também as ligações que existem entre as massas de água e os outros elementos que constituem o nosso planeta (seres vivos, continentes e massa de ar atmosférico). A ligação da água com diversos elementos do Sistema Solar faz com que a hidrologia se associe a outras disciplinas meteorológica, química, física, a geológica e a biológica.[25]
- Edafologia: estuda os aspectos físicos e químicos das formações pedológicas. Estuda também a tipologia de substratos que existem e o respectivo espalhamento na superfície da Terra.[25]
- Geografia matemática: é o estudo do espaço e do tempo, da forma da terra e da localização geográfica precisa das regiões da Terra. A geografia matemática localiza os diferentes lugares do globo terrestre. A fim disso, os geógrafos fizeram a divisão da superfície terrestre Terra através de duas linhas imaginárias. As duas linhas imaginárias são denominadas meridianos e paralelos. Cada lugar do mapa-múndi pode se localizar através dessas linhas.[23]
- Oceanografia: é o estudo das ondas do mar, das marés, das correntes oceânicas e da profundidade dos oceanos.[23]
- Meteorologia: estuda o tempo, o ar em movimento, as variações térmicas, da nebulosidade, da precipitação pluviométrica e das precipitações nevosas.[23]
Biogeografia
A biogeografia é o estudo os fenômenos biológicos ocorridos na superfície terrestre. A biogeografia pode ser subdividida em dois ramos:[23]
- Geografia vegetal: o especialista nessa área faz o estudo dos tipos climáticos, pedológicos e demais fatores determinantes da vida vegetal de um território regional.[23]
- Geografia animal: estuda a distribuição geográfica dos animais e das aves dos variados territórios regionais. A tentativa do especialista nessa área é fazer a determinação do motivo da vida de determinados animais num território regional e outros em outra região. Uma das fases de grande interesse da zoogeografia é o fato de que os pássaros e os animais migram.[23]



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