São Paulo - A goiana Kátia Abreu era presidente da Confederação Nacional da Agricultura quando encomendou um estudo sobre o perfil dos produtores rurais brasileiros. A constatação: há no Brasil 3,7 milhões de propriedades rurais cuja renda mensal é de 947 reais. No comando do Ministério da Agricultura desde o início do ano, Kátia elegeu como prioridade levar assistência técnica para essa população para que ela possa aumentar a produtividade e ascender socialmente.
EXAME - Como aumentar a produtividade na agropecuária brasileira?
Kátia Abreu - Temos de formar uma classe média rural, que no mundo todo é um dos motores da produtividade no campo. Mas, aqui no Brasil, apenas 17% dos produtores se encaixam nesse perfil. Estamos falando de 3,7 milhões de pequenos proprietários rurais que podem ascender socialmente — e o caminho para isso passa por dar a eles condições técnicas para que melhorem arentabilidade de suas propriedades.

EXAME - O que é preciso fazer para que os agricultores pobres melhorem de vida?
Kátia Abreu - Boa parte dos agricultores mais pobres não tem acesso à tecnologia agrícola. Um dos programas que estou implantando no ministério propõe levar cursos de administração e programas de aperfeiçoamento para esse público. Falta a eles conhecimento técnico e de gestão.
EXAME - Quais as metas desse programa?
Kátia Abreu - Estamos num ano difícil. A economia do país passa por ajustes, o que impõe restrições no nosso orçamento. Mesmo assim, a meta é começar um trabalho com 100 000 pequenos agricultores. De início, vamos procurar instituições que possam ajudar a diminuir a carência de assistência técnica no campo.
Penso, por exemplo, em contar com apoio do Sebrae para qualificar as habilidades de gestão dos pequenos produtores, num modelo semelhante ao que é feito com os microempresários urbanos.
EXAME - Dá para fazer algo também da porteira para fora?
Kátia Abreu - Precisamos corrigir as imperfeições que existem no mercado. Os pequenos agricultores pagam mais pelos insumos do que os grandes produtores porque compram em pequenas quantidades. Como sozinhos eles têm pouca força para negociar, também acabam perdendo dinheiro por vender a produção mais barato.
Temos a ideia de agrupá-los. Onde for possível, em cooperativas, que é um modelo bastante conhecido em certas regiões, como no sul do país. Em locais onde não há a cultura do cooperativismo, porém, vamos incentivar a formação de associações de produtores para que façam negociações de compra e venda em conjunto, ganhando escala. Não é preciso reinventar a roda.
EXAME - Onde o programa vai começar?
Kátia Abreu - Em cinco estados a partir de julho — os demais devem ser incluídos até a metade do ano que vem. Aumentar a produtividade dos pequenos agricultores é importante do ponto de vista ambiental: é o melhor caminho para expandir a produção agrícola brasileiraaris - Os preços agrícolas mundiais diminuirão nos próximos dez anos graças ao aumento da oferta e à redução dos custos de alguns fatores da produção, como o petróleo, afirmaram nesta quarta-feira a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento da Europa (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
No entanto, as cotações dos produtos se manterão globalmente acima do nível atingido antes das altas geradas pela crise de produção de 2007 e 2008, indicaram as entidades em seu relatório anual de Perspectivas Agrícolas.
Essa evolução geral apresenta diferenças significativas entre os produtos vegetais de base, com tendência de baixa dos preços, e carne, leite e cereais secundários - ou as oleaginosas usadas para alimentar o gado -, que serão mantidas em um patamar mais alto.

Um dos principais motivos para que esse grupo fique acima dos vegetais é a demanda, sobretudo nos países em desenvolvimento, onde o crescimento da população unido às melhorias nas condições de vida dos mais pobres abrem espaço para o consumo de proteínas animais.
A redução das cotações do barril do petróleo representa uma menor pressão sobre os preços agrícolas, mas podem influenciar diretamente a produção de biocombustíveis de primeira geração, pouco rentável nessa situação.
Apesar disso, as duas entidades indicam que, no Brasil, a obrigação de incorporar mais etanol nos combustíveis irá representar um impulso para o setor da cana-de-açúcar, algo parecido com o que ocorrerá por meio dos benefícios fiscais concedidos pela Índia aos produtores de biodiesel.
O crescimento da produção agrícola na Ásia, Europa e América do Norte até 2024 ocorrerá, quase exclusivamente, devido à melhoria da produtividade. Na América do Sul, também a expansão da superfície cultivada também terá grande influência na alta.
Por isso, no que se refere aos intercâmbios internacionais, o grosso das exportações se concentrará em um menor número de países, gerando mais riscos de mercado. Em particular, no caso de catástrofes naturais, embargos ou restrições às exportações.
Por outro lado, haverá mais países importadores de alimentos.
Nas projeções sobre os cereais, a OCDE e a FAO antecipam que o nível elevado dos estoques e a queda dos custos de produção vão diminuir ainda mais os preços nominais a curto prazo. Porém, a forte demanda resultará em altas num horizonte mais prolongado.
A produção mundial de trigo, que foi de 700,4 milhões de toneladas entre 2012 e 2014, será de 723,8 milhões neste ano. As entidades projetam que o volume seja de 786,7 milhões em 2024.
Tópicos: Agricultura, Trigo, OCDE, Preços sem ter de aumentar o desmatamento. Basta fazer com que os pequenos sejam melhores.
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