sábado, 18 de julho de 2015

CANDOMBLE

Candomblé

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Candomblé
Casa branca engenho velho.jpgIlê Axé Iyá Nassô Oká - Terreiro da Casa Branca - a casa de candomblé mais antiga de Salvador, na Bahia

Princípios Básicos Deus queto | Olorum | OrixásJeje | Mawu | Vodun Banto | Nzambi | Nkisi




Candomblé é uma religião derivada do animismo africano1 onde se cultuam os orixásvoduns ou nkisis, dependendo da nação.2 Sendo de origem totêmica e familiar, é uma das religiões de matriz africana mais praticadas, tendo mais de três milhões de seguidores em todo o mundo, principalmente no Brasil.2 Também é possível encontrar o chamado povo do santo em outros países como UruguaiArgentina3 , VenezuelaColômbiaPanamáMéxicoAlemanha4 , ItáliaPortugal e Espanha5 6 .
Cada nação africana tem, como base, o culto a um único orixá. A junção dos cultos é um fenômeno brasileiro em decorrência da importação de escravos onde, agrupados nas senzalas nomeavam um zelador de santo também conhecido como babalorixá no caso dos homens e iyalorixá no caso das mulheres.
A religião tem, por base, a anima (alma) da Natureza, sendo, portanto, chamada de anímica. Os sacerdotes africanos que vieram para o Brasil como escravos, juntamente com seus orixás/nkisis/voduns, sua cultura, e seus idiomas, entre 1549 e 1888, é que tentaram de uma forma ou de outra continuar praticando suas religiões em terras brasileiras,foram os africanos que implantaram suas religiões no Brasil, juntando várias em uma casa só para a sobrevivência das mesmas. Portanto, não é invenção de brasileiros.7
Diz Clarival do Prado Valladares em seu artigo "A Iconologia Africana no Brasil", na Revista Brasileira de Cultura (MEC e Conselho Federal de Cultura), ano I, Julho-Setembro 1999, p. 37, que o "surgimento dos candomblés com posse de terra na periferia das cidades e com agremiação de crentes e prática de calendário verifica-se incidentalmente em documentos e crônicas a partir do século XVIII". O autor considera difícil para "qualquer historiador descobrir documentos do período anterior diretamente relacionados à prática permitida, ou sub-reptícia, de rituais africanos". O documento mais remoto, segundo ele, seria de autoria de dom Frei Antônio de Guadalupe, bispo visitador de Minas Gerais em 1726, divulgado nos "Mandamentos ou Capítulos da visita".
Embora confinado originalmente à população de negros escravizados, inicialmente nas senzalas, quilombos e terreiros, proibido pela igreja católica, e criminalizado mesmo por alguns governos, o candomblé prosperou nos quatro séculos, e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888. Estabeleceu-se com seguidores de várias classes sociais e dezenas de milhares de templos. Em levantamentos recentes, aproximadamente 3 milhões de brasileiros (1,5% da população total) declararam o candomblé como sua religião.8 Na cidade de Salvador existem 2.230 terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros e catalogados pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, (Universidade Federal da BahiaMapeamento dos Terreiros de Candomblé de Salvador.
Entretanto, na cultura brasileira as religiões não são vistas como mutuamente exclusivas, e muitas pessoas de outras crenças religiosas — até 70 milhões, de acordo com algumas organizações culturais Afro-Brasileiras — participam em rituais do candomblé, regularmente ou ocasionalmente.9 Orixás do candomblé, os rituais, e as festas são agora uma parte integrante da cultura e uma parte do folclore brasileiro.
O candomblé não deve ser confundido com umbandamacumba, e/ou omoloko, e outras religiões afro-brasileiras com similar origem; e com religiões afro-americanassimilares em outros países do Novo Mundo, como o vodou haitiano, a santería cubana, e o obeah, em Trinidade e Tobago, os shangos (similar ao tchamba10 11 africano, xambá e ao xangô do nordeste do Brasil) oourisha, de origem iorubá, os quais foram desenvolvidas independentemente do candomblé e são virtualmente desconhecidos no Brasil.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo "candomblé" é uma junção do termo quimbundo candombe (dança com atabaques) com o termo iorubá ilé ou ilê (casa): significa, portanto, "casa da dança com atabaques".12

Nações[editar | editar código-fonte]

Barracão de candomblé em Pernambuco
Os negros escravizados no Brasil pertenciam a diversos grupos étnicos, incluindo os iorubás, os ewe, os fon e os bantos. Como a religião se tornou semi-independente em regiões diferentes do país, entre grupos étnicos diferentes evoluíram diversas "divisões" ou "nações", que se distinguem entre si principalmente pelo conjunto de divindades veneradas, o atabaque (música) e a língua sagrada usada nos rituais.
A lista seguinte é uma classificação pouco rigorosa das principais nações e subnações, de suas regiões de origem, e de suas línguas sagradas:

Crenças[editar | editar código-fonte]

O candomblé é uma religião monoteísta,15 16 embora alguns defendam a ideia que são cultuados vários deuses, o deus único para a Nação Ketu17 é Olorum, para a Nação Bantu18 é Nzambi e para a Nação Jeje éMawu, são nações independentes na prática diária e em virtude do sincretismo existente no Brasil a maioria dos participantes consideram como sendo o mesmo Deus da Igreja Católica.
Os orixás/inquices/voduns recebem homenagens regulares, com oferendas de animaisvegetais e minerais, cânticos, danças e roupas especiais. Mesmo quando há na mitologia referência a uma divindade criadora, essa divindade tem muita importância no dia a dia dos membros do terreiro, mas não são cultuados em templo exclusivo, é louvado em todos os preceitos e muitas vezes é confundido com o Deus cristão.
O candomblé cultua, entre todas as nações, umas cinquenta das centenas deidades ainda cultuadas na África. Mas, na maioria dos terreiros das grandes cidades, são doze as mais cultuadas. O que acontece é que algumas divindades têm "qualidades" que podem ser cultuadas como um diferente orixá/inquice/vodun em um ou outro terreiro. Então, a lista de divindades das diferentes nações é grande, e muitos orixás do queto podem ser "identificados" com os voduns do jeje e inquices dos bantos em suas características, mas na realidade não são os mesmos; seus cultos, rituais e toques são totalmente diferentes.
Adeptos do candomblé
Orixás têm individuais personalidades, habilidades e preferências rituais, e são conectados ao fenômeno natural específico (um conceito não muito diferente do Kami do japonês xintoísmo). Toda pessoa é escolhida no nascimento por um ou vários "patronos" Orixás, que um babalorixá identificará. Alguns Orixás são "incorporados" por pessoas iniciadas durante o ritual do candomblé, outros Orixás não, apenas são cultuados em árvores pela coletividade. Alguns Orixás chamados Funfun (branco), que fizeram parte da criação do mundo, também não são incorporados.
Acreditam na vida após a morte, e que os espíritos dos babalorixás falecidos possam materializar-se em roupas específicas, são chamados de babá Egum ou Egungun e são cultuados em roças dirigidas só por homens no Culto aos Egungun, os espíritos das iyalorixás falecidas são cultuados coletivamente Iyami-Ajé nas sociedades secretasGelede, ambos cultos são feitos em casas independentes das de candomblé que também se cultuam os eguns em casas separadas dos Orixás.
Acreditam que algumas crianças nascem com a predestinação de morrer cedo são os chamados abikus (nascidos para morrer) que podem ser de dois tipos, os que morrem logo ao nascer ou ainda criança e os que morrem antes dos pais em datas comemorativas, como aniversário, casamento, e outras.

Sincretismo[editar | editar código-fonte]

No tempo das senzalas, os negros, para poderem cultuar seus orixás, nkisis e voduns, usaram, como camuflagem, um altar com imagens de santos católicos e ,por baixo, os assentamentos escondidos. Segundo alguns pesquisadores, este sincretismo já havia começado na África, induzida pelos próprios missionários cristãos para facilitar a conversão.
Depois da libertação dos escravos, começaram a surgir as primeiras casas de candomblé, e é fato que o candomblé de séculos tenha incorporado muitos elementos do cristianismo. Imagens e crucifixos eram exibidos nos templos, orixás eram frequentemente identificados com santos católicos, algumas casas de candomblé também incorporam entidades de caboclos, que eram consideradas pagãs como os orixás.
Mesmo usando imagens e crucifixos, inspiravam perseguições por autoridades e pela Igreja Católica, que viam o candomblé como paganismo e bruxaria, muitos mesmo não sabendo o que era isso.
Nos últimos anos, tem aumentado um movimento em algumas casas de candomblé que rejeitam o sincretismo aos elementos cristãos e procuram recriar um candomblé "mais puro" baseado exclusivamente nos elementos africanos.22

Templos[editar | editar código-fonte]

Os templos de candomblé são chamados de casas, roças ou terreiros. As casas podem ser de linhagem matriarcal, patriarcal ou mista: Casas pequenas, que são independentes, possuídas e administradas pelo babalorixá ou iyalorixá dono da casa e pelo Orixá principal respectivamente. Em caso de falecimento do dono, a sucessão na maioria das vezes é feita por parentes consanguíneos, caso não tenha um sucessor interessado em continuar a casa é desativada. Não há nenhuma administração central.
Casas grandes, que são organizadas tem uma hierarquia rígida, não é de propriedade do sacerdote, nem toda casa grande é tradicional, é uma Sociedade civil ou beneficente.
A lei federal 6 292, de 15 de dezembro de 1975, protege os terreiros de candomblé no Brasil contra qualquer tipo de alteração de sua formação material ou imaterial. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Instituto Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) são os responsáveis pelo tombamento das casas.
A progressão na hierarquia é condicionada ao aprendizado e ao desempenho dos rituais longos da iniciação. Em caso de morte de uma ialorixá, a sucessora é escolhida, geralmente entre suas filhas, na maioria das vezes por meio de um jogo divinatório Opele-Ifa ou jogo de búzios. Entretanto, a sucessão pode ser disputada ou pode não encontrar um sucessor, e conduz frequentemente ao rachar ou ao fechamento da casa. Há somente três ou quatro casas em Brasil que viram seu 100° aniversário.

Hierarquia[editar | editar código-fonte]

No Brasil, existe uma divisão nos cultos: IfáEgungunOrixáVodun e Nkisi são separados por tipo de iniciação ao sacerdócio.
  • No culto de ifá, participam tanto homens quanto mulheres, sendo um culto patriarcal conduzido pelos babalaôs.
  • No culto aos egunguns, participam tanto homens quanto mulheres, sendo Culto patriarcal que lida diretamente com a ancestralidade, conduzidos pelos Ojé.
  • No candomblé queto, participam tanto homens quanto mulheres, sendo conduzido tanto por homens (babalorixás) quanto por mulheres (ialorixás), entram em transe com orixá.
  • No candomblé jeje, participam tanto homens quanto mulheres, sendo conduzido tanto por homens quanto por mulheres Vodunsis, entram em transe com vodun.
  • No candomblé banto, participam tanto homens quanto mulheres, sendo conduzido tanto por homens quanto por mulheres iniciadas muzenzas: entram em transe com nkisi.

Sacerdócio[editar | editar código-fonte]

Nas religiões afro-brasileiras, o sacerdócio é dividido em:

Temas polêmicos[editar | editar código-fonte]

Preconceito[editar | editar código-fonte]

Manuel Raimundo Querino foi um abolicionista ferrenho, lutou contra as perseguições existentes aos praticantes das religiões afro-brasileiras que eram rotuladas de religiões bárbaras e pagãs.
Procópio de Ogum teve o seu reconhecimento por ter participado da legitimação da religião do candomblé, durante a perseguição às religiões afro-brasileiras promovida pelas autoridades do Estado Novo. Nesse período, o Ilê Ogunjá foi invadido pela polícia baiana, sob a supervisão do famoso delegado Pedrito Gordo. Procópio foi preso e espancado. O jornalista Antônio Monteiro foi uma das pessoas que ajudou na libertação de Procópio. Tal acontecimento - caso Pedrito - registrou o nome de Procópio na história popular baiana, chegando mesmo a fazer parte de uma letra de samba-de-roda:
Cquote1.svg"Não gosto de candomblé que é festa de feiticeiro quando a cabeça me dói serei um dos primeiros Procópio tava na sala esperando santo chegá quando chegou seu Pedrito Procópio passa pra cá Galinha tem força n’aza o galo no esporão Procópio no candomblé Pedrito é no facão." "Acabe com este santo Pedrito vem aí lá vem cantando ca ô cabieci"Cquote2.svg
(Alvarenga, 1946, p. 200)
Cquote1.svgO Jornal da Bahia, de 3 de maio de 1855, faz alusão a uma reunião na casa Ilê Iyá nassô: "Foram presos e colocados à disposição da polícia Cristóvão Francisco Tavares, africano emancipado, Maria Salomé, Joana Francisca, Leopoldina Maria da Conceição, Escolástica Maria da Conceição, crioulos livres; os escravos Rodolfo Araújo Sá Barreto, mulato; Melônio, crioulo, e as africanas Maria Tereza, Benedita, Silvana... que estavam no local chamado Engenho Velho, numa reunião que chamavam de "candomblé"".Cquote2.svg
Pierre Verger.
Brasília - Ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial para Políticas de Promoção da Igualdade Racial, com a Baiana Mãe de Santo Raida, naConferência Regional das Américas
intolerância e a perseguição às religiões afro-brasileiras continua até os dias atuais, a liberdade religiosa constante da Constituição Brasileira nem sempre é respeitada.
Abdias do Nascimento conta, em uma entrevista concedida ao Portal Afro:
Cquote1.svgOs cultos afro-brasileiros eram uma questão de polícia. Dava cadeia. Até hoje, nos museus da polícia do Rio de Janeiro ou da Bahia, podemos encontrar artefatos cultuais retidos. São peças que provavam a suposta delinquência ou anormalidade mental da comunidade negra. Na Bahia, o Instituto Nina Rodriguesmostra exatamente isso: que o negro era um camarada doente da cabeça por ter sua própria crença, seus próprios valores, sua liturgia e seu culto. Eles não podiam aceitar isso.Cquote2.svg

Homossexualidade[editar | editar código-fonte]

A homossexualidade está presente na maioria das religiões, porém oculta, indiscutivelmente abafada por princípios e muitas vezes negada pelos ex-homossexuais.
No candomblé, a homossexualidade é amplamente aceita e discutida nos dias atuais, mas já teve um período que homens heterossexuais e homossexuais não podiam ser iniciados como rodantes (termo usado para pessoas que entram em transe), não era permitido em festas que um homem dançasse na roda de candomblé mesmo que estivesse em transe.
O mais famoso e revolucionário homossexual do candomblé foi sem dúvida Joãozinho da Goméia, que afrontou as matriarcas e ocupou seu espaço tornando-se conhecido internacionalmente. Tiveram muitos outros, mas nenhum conseguiu suplantá-lo em ousadia e popularidade.

Aborto[editar | editar código-fonte]

As religiões afro-brasileiras, que, na maioria, são religiões derivadas das religiões tribais africanas, são contra o aborto: o africano vê o filho como a continuação da própria vida, filho é o bem mais precioso que o homem africano possa ter. Em consequência disso, foram trazidos para o Brasil alguns conceitos.
  • No conceito social: amparam e orientam adolescentes e mulheres grávidas.
  • No conceito religiosoOxum é quem rege o processo de fecundidade, cuida do embrião, evita o aborto espontâneo, não aprova o aborto provocado, mantém a criança viva e sadia na barriga da mãe até o nascimento. Uma mulher quando não consegue engravidar, recorre à Oxum.
  • No conceito jurídico: só aprova a interrupção da gravidez, nos casos previstos em lei.
Mas, como em toda religião, quando acontece uma gravidez indesejada, muitas mulheres procuram soluções alternativas fora dos terreiros, como: chásremédios e até mesmo clínicas de aborto.

Sacrifício[editar | editar código-fonte]

No candomblé, esta parte do ritual denominada de sacrifício não é propriamente secreta; porém não se realiza senão diante de um reduzido número de pessoas, todos fiéis da religião.
Uma pessoa especializada no sacrifício, o Axogun, que tem tal função na hierarquia sacerdotal, é quem o realiza ou, na sua falta o babalorixá. O Axogun não pode deixar o animal sentir dor ou sofrer porque a oferenda não seria aceita pelo Orixá. O objeto do sacrifício, que é sempre um animal, muda conforme o Orixá ao qual é oferecido; trata-se, conforme a terminologia tradicional, ora de um animal de duas patas, ora de um animal de quatro patas, galinha, pombo, bode, carneiro. Na realidade não se trata de um único sacrifício: sempre que se fizer um sacrifício a qualquer Orixá, deve ser antes feito um para Exú, o primeiro a ser servido.

Mudança de hábitos e costumes[editar | editar código-fonte]

As casas de candomblé são frequentadas e habitadas por um número variável de pessoas, pode variar de 20 a 300 pessoas dependendo do tamanho da casa e da ocasião ou do evento. Fora do período de festas na casa só ficam as pessoas residentes, mas nas obrigações e festas além dos residentes virão os outros filhos de santo da casa, os visitantes e convidados. Quanto maior o número de pessoas, maior será a preocupação com a higiene e alimentação. Os animais são abatidos pelo Axogum e limpos, as comidas são preparadas sempre sob a vigilância encarregada da cozinha e responsável pela qualidade dos alimentostanto para os orixás como para as pessoas.
A maior preocupação nas casas de candomblé e das outras religiões afro-brasileiras sempre foi com as doenças infecciosas, principalmente a tuberculose e hepatite, por serem transmissíveis através de copos etalheres. Por esse motivo, cada filho da casa deve ter seu prato e caneca identificados, iyawos durante o período de recolhimento não usam talheres, só passam a usá-los depois da caída de quelê. A higiene com pratos, talheres e copos sempre foi constante. Nos tempos modernos, quando já existem os materiais descartáveis, ficou um pouco mais fácil de lidar com o problema.
Com o surgimento de novas doenças como a aids,24 muitos hábitos e costumes do candomblé tiveram que ser mudados.25 Na iniciação os Iyawos tinham suas cabeças raspadas e curas feitas por uma únicanavalha que a Iyalorixá recebia de sua mãe-de-santo quando da posse do cargo, isso passou a ser feito com mais cuidado, adotando-se navalhas individuais ou descartáveis.
Um dos maiores problemas enfrentados nas casas de candomblé tem sido com a dengue, principalmente nas regiões onde os focos do mosquito estão sendo combatidos. Os potes de abô (infusão de folhas sagradas) foram esvaziados para evitar possível proliferação do mosquito, os banhos são preparados com água e folhas frescas e usados imediatamente.
A presença de crianças durante as festas de candomblé tem sido foco de discussões nos terreiros da Bahia, após a proibição feita pela Federação Baiana do Culto Afro-Brasileiro.26

Referências

  1. Ir para cima L'animisme au Bénin
  2. ↑ Ir para:a b Religions - CandombléBBC. 15 de setembro de 2009. Página visitada em 7 de janeiro de 2014.
  3. Ir para cima Umbanda e candomblé enfrentam a tradição católica argentina e constroem terreiros na terra do tango
  4. Ir para cima Umbanda e candomblé na Europa
  5. Ir para cima Cadastro de terreiros, ilês, tendas, casas de culto de umbanda, candomblé e outros cultos afros situados em Portugal e na Europa
  6. Ir para cima Europa discute fortalecimento do candomblé
  7. Ir para cima Revista da USP-De africano a afro-brasileiro: etnia, identidade, religião-por Reginaldo Prandi
  8. Ir para cima Identidade também nas religiões
  9. Ir para cima Candomblé e umbanda no mercado religioso Prof.Reginaldo Prandi
  10. Ir para cima Mama Tchamba
  11. Ir para cima http://mamiwata.com/tchamba.html Mami Wata]
  12. Ir para cima CUNHA, A. G. Dicionário etimológico Nova Fronteira da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1982. p. 146.
  13. Ir para cima A origem da palavra Jeje
  14. Ir para cima As duas africanidades estabelecidas no Pará
  15. Ir para cima Festivais da Mitologia e Religião Yoruba
  16. Ir para cima Religiões africanas são monoteísta
  17. Ir para cima Negritude e Experiência de Deus por Josuel dos Santos Boaventura *Teocomunicação, Porto Alegre, v. 37, n. 156, p. 203-222, jun. 2007
  18. Ir para cima Bantus no Brasil
  19. Ir para cima O Culto de Ifá e UNESCO
  20. Ir para cima Vodoun
  21. Ir para cima Mitologia Bantu
  22. Ir para cima Mãe Stella: "Candomblé não é brincadeira" por Claudio Leal
  23. Ir para cima Preconceito ainda marca religiões afro
  24. Ir para cima AIDS: O que é e como evitá-la
  25. Ir para cima Pais-de-santo querem evitar Aids em candomblé da Bahia
  26. Ir para cima Crianças no candomblé

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
WikcionárioDefinições no Wikcionário
CommonsImagens e media no Commons

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Cultura iorubá: palestra de Juarez Tadeu de Paula Xavier
  • Mapeamento dos Terreiros feito pelo Ministério do Desenvolvimento Social
  • Eles são o Candomblé
  • Fietreca Federação de Candomblé
  • Matéria sobre IPTU dos Templos afro-brasileiros
  • Do Calundu ao Candomblé, por Renato da Silveira. Revista de História, 19 de setembro de 2007
  • O Calundu – As origens do Candomblé, por Renato da Silveira.O candomblé é uma religião africana trazida para o Brasil no período em que os negros desembarcaram para serem escravos. Nesse período, a Igreja Católica proibia o ritual africano e ainda tinha o apoio do governo, que julgava o ato como criminoso, por isso os escravos cultuavam seus Orixás, Inquices e Vodus omitindo-os em santos católicos.
    Os orixás, para o candomblé, são os deuses supremos. Possuem personalidade e habilidades distintas, bem como preferências ritualísticas. Estes também escolhem as pessoas que utilizam para incorporar no ato do nascimento, podendo compartilhá-lo com outro orixá, caso necessário.
    Os rituais do candomblé são realizados em templos chamados casas, roças ou terreiros que podem ser de linhagem matriarcal (quando somente as mulheres podem assumir a liderança), patriarcal (quando somente homens podem assumir a liderança) ou mista (quando homens e mulheres podem assumir a liderança do terreiro). A celebração do ritual é feita pelo pai de santo ou mãe de santo, que inicia o despacho do Exu. Em ritmo de dança, o tambor é tocado e os filhos de santo começam a invocar seus orixás para que os incorporem. O ritual tem no mínimo duas horas de duração.
    O candomblé não pode ser igualado à umbanda. No candomblé, não há incorporação de espíritos, já que os orixás que são incorporados são divindades da natureza; enquanto na umbanda, as incorporações são feitas através de espíritos encarnados ou desencarnados em médiuns de incorporação. Existem pessoas que praticam o candomblé e a umbanda, mas o fazem em dias, horários e locais diferentes.Iwa Pele é geralmente traduzido como bom caráter,
    Vem da elisão:
    Iwa opè ile.
    Que significa:
    Eu vim para cumprimentar a Terra.
    Na cultura yorùbá tradicional saudamos os nossos idosos. Para associar bom caráter com a saudação da Terra, a Terra é o nosso “mais velho”. Isso também sugere que viver em harmonia com a Terra é uma obrigação espiritual. Para mim, a única maneira de aprender com a Terra é a capacidade de sobreviver na natureza contando apenas com os recursos disponíveis no seu ambiente. Sobrevivência com base na dependência direta em seu ambiente não será possível se você não for capaz de negociar uma variedade de estados alterados de consciência. É por isso que a posse e estados alterados de consciência é um aspecto integral da iniciação de Ifá/Òrìşà e seu treinamento.
    Iniciados em Èşù entram em estados alterados e aprendem a falar a língua da natureza, eles aprendem a ler os padrões climáticos e ouvem os sons de uma floresta tropical que está sofrendo de desequilíbrio.
    Iniciados de Òsóòsì entram em estados alterados e aprendem a caçar usando a viagem astral para ver a floresta e localizar a boa sorte na floresta tropical.
    Iniciados de Ògún entraram estados alterados e aprendem a se comunicar com animais para atraí-los para fora do esconderijo e para aprender a caçar, sem colocar qualquer espécie em perigo.
    Iniciados de Ợbàtálá têm uma obrigação coletiva no tocante a moral, ao entrar em estados alterados e pedir a essas visões que mostrem como a comunidade deve viver em harmonia com os recursos do ambiente.
    Iniciados de Yemọjá entraram em estados alterados e encontram o medicamento dos assessores do nascimento da criança e apoia o desenvolvimento para crianças saudáveis.
    Iniciados de Ợya entraram em estados alterados para abrir a porta para direcionar influência ancestral para toda a comunidade.
    Iniciados de Òşún entraram estados alterados para tornar-se sensível às necessidades do rio, sem água potável não há vida.
    Iniciados de Òsànyìn entraram em estados alterados para se comunicar com a flora para determinar sua função em diversas situações.
    Iniciados de Ifá são os guardiões da fé.
    Tornamo-nos Babalawo ou Iyalawo (Iyanifá) Pai ou Mãe dos segredos. Os segredos aqui referidos não são os segredos de como fazer um ritual. Essa é uma interpretação ocidental que não tem base na história das origens de nossa fé. O objetivo de Ifá para cada homem, mulher e criança na cultura yorùbá tradicional é aprender o awo. Awo é uma referência aos segredos da natureza, os mistérios da vida em harmonia com a Terra e a capacidade de compreender esses mistérios. A única maneira de compreender esses mistérios será em estados alterados. Deixe-me dizer que mais uma vez, a única maneira de compreender esses mistérios é através de estados alterados. Não há nenhuma exceção, nenhuma.
    Você não pode aprender o awo de um livro, você não pode aprender o awo abraçando uma fixação em fazer rituais corretamente, você não pode aprender awo nem mesmo de um ancião. A função de um mais velho é guiá-lo através desses estados alterados de consciência que lhe permitem ser tocados pela graça.
    Ser tocado pela Graça significa estar conectado diretamente à Terra através as forças da natureza que chamamos de Òrìşà.
    Como Babalawo e Iyalawo é nosso trabalho preservar o awo, e a única maneira de preservar awo é pela passagem do sagrado estado alterado de consciência para guiar a próxima geração. Nós ensinamos a posse e a conexão com o Espírito, este é o nosso trabalho.
    Então, minha pergunta é simples, em nome de tudo que é sagrado:
    Como seremos capazes de ensinar a próxima geração como entrar em estados alterados de consciência, como Babalawo e Iyalawo, sem ser capaz de entrar por nós mesmos?
    A resposta é que não poderemos.
    Deixe-me dizer que mais uma vez a resposta:
    Não poderemos.
    O título de Babalawo e Iyalawo significa que somos detentores do awo, o que significa que somos capazes de ir à posse com todos os 256 Odu (aqui falamos das interpretações sagradas de cada Odù) e se comunicar diretamente com o Espírito de cada Odu. Isto significa que o Babalawo e a Iyalawo têm uma obrigação espiritual comunitária para ser um veículo de cada presença espiritual que influencia a nossa relação com a Mãe Terra. Nossa capacidade de fazer isso é regulado pela sociedade Ogbóni, que significa:
    A sabedoria da Terra.
    A religiosidade Ogbóni tem a Mãe Terra (Onile) como irunmolè de adoração.
    Por favor, precisamos ligar os pontos.
    Então, isso levanta a questão de como nos tornamos tão afastados das fontes de nossa fé e agora estamos confusos sobre a função do ase que temos recebido através da iniciação. A resposta na minha opinião é não considerar a Terra como nosso professor. No mundo ocidental, a Terra é considerada uma coisa a ser explorada para ganho pessoal. Perdemos o sentido da Terra como uma aldeia global e nós perdemos a noção de que a destruição da Terra irá destruir a possibilidade de reencarnação em futuras gerações. Ifá diz que para alcançarmos a imortalidade devemos ser lembrados por sete gerações.
    Estamos em um lugar na história da vida na Terra, onde a exploração põe em risco a capacidade da Terra sobreviver por sete gerações. Qualquer pessoa em sã consciência que olhar para o desastre com usinas de energia nuclear no Japão vai saber com absoluta certeza que se nós não resolvermos esse problema hoje, na próxima hora, neste exato momento, se nós não fizermos isso, colocaremos a sobrevivência do planeta em risco.
    Que significa que haverá uma bola de terra girando em torno do Sol que um dia foi chamado de Terra, mas será desprovida de qualquer tipo de vida.
    Temos chegado a este estado patético como consequência da nossa incapacidade de nos curvar à Terra como nosso mestre supremo e como viver neste planeta. Para mim, isso não é uma ideia complicada. A Terra é o nosso mestre. Esse é o ponto de Ifá, que é uma disciplina baseada na Natureza espiritual e é o ponto da sociedade Ogbóni que monitora o ìwà pèlé.
    Que significa: A nossa capacidade de viver em harmonia com a Terra.
    Então, para todos aqueles que insistem que iniciados em Ifá não entram em estados alterados de consciência, eu digo isso e digo sabendo que será um desafio e sei que muitas pessoas vão me achar como ou inapropriado. Olhe para a sua resistência em entrar em estados alterados de consciência.
    Ouça-me agora e acredite, permanecer no reino humano da consciência é fácil, porque o autoengano vai nos possuir o tempo todo.
    Quando você entra no reino do Espírito, não há espaço para autoengano. A parte assustadora de entrar no reino do Espírito é que ela está enraizada na verdade e não tem tolerância para decepção. Ao se tornar conhecedor disso, quando você entrar no reino dos Espíritos, significa que você recebeu a bênção da Graça e que possui a capacidade de retornar à consciência normal com o dom da bênção da Graça, ou seja, o dom de saber viver em harmonia com a Terra.
    Qualquer um que pense que este dom envolve denegrir outras pessoas, qualquer um que acredita que isso resulta em destruir os outros por não fazer ritual a sua maneira, qualquer um que acredite que este dom envolve racismo, sexismo ou homofobia está sendo auto enganado e está muito longe dos desafios e dos fundamentos de nossa fé.
    Se você acha que entende nossa fé, se você pensa que isto é provar do awo, então, passe um fim de semana na natureza sem nada, mas, com a abundância que a Natureza oferece. Essa é uma experiência profundamente humilhante e em seu núcleo é o awo do Igbòdù. A palavra Igbodu é usada para descrever o lugar da iniciação.
    Igbò Odù
    Cuja elisão significa:
    O ventre da floresta.
    Em linguagem simbólica de Ifá, Odu é um portal para o reino dos Espíritos.
    Olhe sua língua, não entramos no Igbòdù para comprar títulos, entramos no Igbòdù para experimentar o reino dos Espíritos e usar essa experiência para entender como viver em harmonia com a Terra no processo de desenvolvimento de ìwà pèlé.
    Isso nunca foi feito, isso não pode ser feito, isso nunca vai ser feito em um estado normal e mundano, mesmo usando o limite da consciência.
    Nós vamos para a porta do mundo do Espírito, ao entrar por aquela porta e quando entramos por aquela porta estamos negociando um mundo diferente. Estamos experimentando o Ợrún, a Fonte de toda a Criação.
    Fazemos isso com o espectro total da consciência, fazemos isso integrando a cabeça, o coração e o Eu superior. Fazemos isso através da abertura de todos os portais do nosso cérebro e acessando o espectro completo da percepção humana. No idioma Inglês nos referimos a este processo como ir à posse (incorporar o òrìşà).
    Se você vier me pedir conselhos, eu diria que não importa como David Wilson pensa. Se você vier me pedir conselhos, o ase do Babalawo Falokun Fatunmbi que foi abençoado para se tornar um veículo de Ęlà (Espirito que encarna toda a pureza do universo), em virtude da orientação daqueles anciãos de Ifá, que também eram veículos de Ęlà, essa pessoa sim, poderá ter uma mensagem do Espírito da Terra que poderá ter algum valor.
    Mas isso é apenas minha opinião, eu posso estar errado.
    Por Awo Fa’lokun Fatunmbi

    Iphan reconhece Roça do Ventura como patrimônio. Foto: Mila Cordeiro/ Ag. A TARDE 18.01.2012Foto: Mila Cordeiro
    Iphan reconhece Roça do Ventura como patrimônio Histórico Cultural do Brasil. 
    04 de dezembro de 2014.
    Mais um terreiro de candomblé acaba de ser reconhecido como patrimônio brasileiro: a Roça do Ventura, que tem o nome sagrado de Zogbodo Male Bogun Seja Unde, localizado em Cachoeira, Bahia. Dessa forma, o Ventura é o primeiro terreiro de nação jeje da Bahia reconhecido como espaço de riqueza cultural, histórica e artística do Brasil. O título é dado  pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
    A solicitação para o tombamento do terreiro, que é identificado como da tradição jeje-mahi foi feita pela Sociedade Religiosa Zogbodo Male Bogum e aprovada em reunião realizada na tarde de hoje pelo Conselho Consultivo do Iphan. O processo para o reconhecimento foi iniciado em 2008 e é recebido com festa pois a comunidade religiosa tem enfrentado uma intensa batalha para conservar seus espaços sagrados por conta da expansão imobiliária no município situado no recôncavo baiano.
    A tradição jeje é uma das mais importantes na configuração do candomblé brasileiro como indicam diversos estudos antropológicos como A família de santo nos candomblés da Bahia, de Vivaldo da Costa Lima; Brancos e Pretos na Bahia, de Donald Pierson, escrito na década de 30; A  formação do candomblé, do antropólogo e professor da Ufba, Nicolau Parés, dentre outros.
    A Roça do Ventura teve sua história iniciada em 1858. O terreiro ainda hoje consegue manter os assentamentos de suas divindades, os voduns, no amplo espaço verde que possui em meio a fontes, lagoas e árvores.
    Com o reconhecimento da Roça do Ventura, o Brasil passa a ter mais sete terreiros tombados:  Casa Branca, Gantois, Ilê Axé Opô Afonjá, Bate Folha e Casa de Oxumaré, localizados na Bahia e a Casa das Minas, situada no Maranhão.
    Ludovina Pessoa, natural da cidade Mahi (marri), daomeana foi escolhida pelos Voduns para fundar O templo para Dan: Kwé Ceja Hundé, que ficou  conhecido como Roça do Ventura por ser o Senhor Ventura o dono das terras, também chamada de Kpó Zehen (Pó zerren) ou ainda “Zogbo Male Gbogun seja Unde”, em cachoeira, Bahia.
    Postado: Cleidiana Ramos

    Protesto contra intolerância une diferentes religiões na Zona Norte

    Familiares de menina apedrejada e representantes religiosos caminharam juntos na Vila da Penha

    O DIA
    Rio – Pessoas de diferentes religiões se reuniram na manhã deste domingo no Largo do Bicão, na Vila da Penha, na Zona Norte, para protestar contra a intolerância religiosa após o apedrejamento da menina candomblecista Kailane Campos, de 11 anos. Usando vestimentas próprias de suas crenças, eles caminharam até o local onde a menina foi agredida. Tanto a família de Kailane quanto o pastor que organizou a passeata disseram estar surpresos com a adesão ao ato, que reúne cerca de 500 pessoas.

    Protesto contra intolerância uniu na manhã deste domingo diferentes religiões no Largo do Bicão, na Vila da Penha, na Zona Norte
    Foto:  Carlos Moraes / Agência O Dia
    “Não esperávamos tantas pessoas unidas nesse ato. É importante que juntemos todos os segmentos religiosos. Mostramos que somos todos irmãos independente de religião”, declarou a avó da menina, conhecida na religião como Vó Kathi, Kátia Coelho Marinho Eduardo, de 53 anos.
    A marcha foi organizada pelo pastor João de Melo, da Primeira Igreja Batista em Vila da Penha. “Repudiamos qualquer ato de intolerância, anunciamos um Senhor que é paz e amor”, afirmou o pastor. “Não poderíamos nos calar diante desse fato porque Cristo não se calaria”, disse.
    Ao ser perguntada se perdoa os agressores da filha, Karina Coelho afirmou que “quem perdoa é Deus”. “Não vou ser eu que vou apontar para os outros”, declarou a mãe de Kailane. Ela ainda ressaltou a importância de conviver bem com outros segmentos religiosos. “Sempre fui criada com uma família com várias religiões. Não vou negar a minha família”, disse.
    VEJA MAIS

    No último dia 14, Kailane Campos, de 11 anos, levou uma pedrada na cabeça por estar vestida com roupas do Candomblé
    Foto:  Carlos Moraes / Agência O Dia
    Intervenção do governo
    O babalorixá Ivani dos Santos também destacou a importância da união entre diferentes segmentos religiosos e pediu uma intervenção do governo. “Esse fato da intolerância religiosa acontece todos os dias, há perseguições em escolas “, declarou o religioso. “É uma atitude fascista que não condiz com a atitude de uma sociedade democrática. Quando você tenta impor uma doutrina sem respeitar a do outro, isso te torna um fascista”, completou o babalorixá.
    “O estado precisa tomar uma posição, ele precisa convocar as lideranças evangélicas e de outras religiões para sentar e discutir uma pauta em comum sobre intolerância. Essa questão não aconteceu só com a menina”, afirmou. “Também não dá para tirar responsabilidade de maus pastores”, completou.
    O ator reuniu ainda a responsável pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos, Teresa Cosentino e o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que falou sobre a discriminação da religiões de matriz africana. “Há muito mais afrofobia do que cristofobia”, declarou ao dizer que o respeito deve existir para todas as religiões.
    “Eu como representante da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados posso afirmar que a Câmara é unânime e somos contra a intolerância religiosa”, disse Chico Alencar. “Os atos de intolerância religiosa já são considerados crime na Constituição, mas é preciso colocar isso em prática”, completou.
    Reportagem de Gabriela Mattos 

    Axabó

    Axabó
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    Axabó é um Orixá feminino, cultuado na Bahia, mas pouco conhecido, é da família de Xangô, algumas vezes tratada até como sua versão feminina.
    De origem da região de Tapa e Nupê na África possui fundamentos muito parecidos com os de Xangô.
    Iyagbá Axabó, precursora da família de Oyó, é a irmâ de Iyá Massé Malé, e assim sendo tia de Xangô.
    Trata-se de uma iyagbá das águas mornas, ligada à toda a ancestralidade da dinastia de Oyó, com ligação com as Iyá-mi, com poderes e dons de cura e alta magia. 
    Rege a intuição feminina, o sonho como presságio ou vidência, o sono, o poder curativo e terapêutico dos banhos de axé.
    Ligada às artes e à música, representa a mulher de sociedade, altiva e hierárquica.
    Axabó é uma Orixá da Casa de Xangô, muito cultuada no Gantois e no Nagô Pernambucano. 
    Segundo o que se diz ela cuidava da alimentação de Xangô e preparava os banhos da casa. 
    Nas cantigas dela sempre se ressalta a associação dela com as águas e as folhas:
    ERIN LÔ NIBÔ Ò AXABÓ NILÊ ODÔ
    ORIXÁ IYN NI IMALÉ AXABÓ LOMI ODÔ 
    (O Elefante é o dono da floresta, Axabó dona de uma casa no rio.
    Venha Orixá dos Ancestrais, Axabó senhora do rio). 
    Se diz que nunca teve filhos sendo dai o termo: Agbá-ijena para Senhoras respeitáveis que não parem filhos. 
    É forte, feminina, muito confundida com Obá e Oyá, mas se trata de uma orixá à parte, muito pouco conhecida e cultuada, sendo os seus fundamentos relegados à poucos axés e zeladores.
    Usa vestimentas nas cores vermelho e branco ou rosa (podendo ser estampado). Usa sempre pano da costa. Traz na mão uma lira.
    Dizem os mais antigos ser com essa lira, à qual ela tocando que ela encantava Xangô ao sono, para que ele repousasse, descansasse e retomasse o trono e o andamento de suas guerras.
    Adora carneiro, cágado e a maioria das outras comidas rituais de Xangô. 
    Responde nos odus 6 Obará, e 12 Ejilaxeborá que representa toda a dinastia de Oyó.
    Iya Axabó faz parte dos fundamentos do quarto de Xangô, e segundo algumas tradições Xangô não deve ser assentado sem ela.
    Axabò não é considerada uma Iyá porque nunca teve filhos, e assim como Otí não gerou descendentes no Ayé.
    Mesmo assim existem algumas filhas dela no Brasil, principalmente nos grandes terreiros tradicionais da Bahia.
    Em alguns axés seus iniciados são filhas de Yemanjá que são entregues à ela pela irmã. 
    Só se inicia uma pessoa para Axabó quando é mulher e sem filhos e o jogo apontou ser filha de Yemanjá e esta pessoa possui um cargo específico na Casa de Xangô. 
    Orixá extremamente raro e só aparece para ser iniciada quando sua filha tem um cargo específico de cuidar do agbô e dos alimentos da casa de Xangô.
    Iyá Axabó também faz parte fundamental dos ritos da fogueira de Xangô.
    Muitos sacerdotes abrem axés, mas esquecem muitos detalhes e às vezes detalhes que fazem a diferença dentro de um ilêAxé e esta divindade tem por obrigação ser assentada a quem faz fogueira para Xangô e Airá e a família de Oyó.
    Principalmente as pessoas que são destes orixás mas é um grupo pequeno e restrito que tem tal conhecimento de tal iyagbá e é ela quem proporciona o sonho aos Iyawos (iniciados enquanto recolhidos).
    E também juntamente e fundamentalmente fundamentada com Iyá mí sendo uma delas também no culto Geledé, e Osanyin o senhor das folhas tanto que ela rege todo o omi eró feito no axé juntamente com ele, ela deve ser arrumada no quarto de Xangô e lá cultuada.
    Em algumas tradições Axabó não tem parte com Iyá mí, mas com o culto Egungun (mesmo este sendo um rito fechado e relegado apenas aos homens…). 
    Lembrando que ao arrumar Iyá Massé Malé (mãe de Xangô) tem que arrumar Iyá Asagbó e vice e versa: uma não caminha sem a outra e só se acende a fogueira para Xangô caso tenha ela assentada em um Ile Axé não e apenas pegar uma amontoado de lenhas e tacar fogo.
    Muito pelo contrário, há vários orixás como exemplo Iyá Sogbá (Yemonjá) também responsável por participar da fogueira de Xangô que devem ser assentados para que se realize esta maravilhosa festa uma das mais lindas do candomblé.
    Portanto sem esta iyagbá assentada não se pode ser feita a fogueira com seu total axé e com Xangô e Airá satisfeitos senhores principais da fogueira.
    MITOLOGIA
    Por que Iyá Asagbó se tornou importante para o banho de folhas dadas aos iniciados:
    Em Oyó, terra onde Xangô foi rei, houve uma terrível época de seca e neste período como a cidade do rei Xangô sempre estava em guerra com outros estados vizinhos e não poderia sair de sua cidade e palácio.
    Então Xangô enviou AIRÁ seu ministro a cidades vizinhas que se encontravam em dificuldade para que seu povo obtivesse ajuda e água.
    Algum tempo depois AIRÁ voltou frustrado sem nada ter conseguido isso pelo fato de na época ninguém gostar de Xangô, e por ele mesmo ter tido várias guerras com estes povos.
    No entanto em visita à região, sua tia Iyá Asagbó viu a situação de seu sobrinho e ela mesmo tomou os apetrechos das mãos de Airá e partiu para os mesmos povos.
    Conseguiu com seu temperamento quente e utilizando de magia que aprendera com as Iyá -mi tudo que precisava e a tão sagrada água dos povos vizinhos fazendo com que o povo de Oyó se limpasse e recolocasse tudo em ordem.
    Trouxe de um babalawô local um amuleto e entregou aos cuidados de Airá Adjaosí (responsável pelas chuvas) e desde então jamais faltou água à casa e ao reino de Xangô.
    Este reconhecido e grato,confiou a Iyá Assagbó sua tia, a missão de todo e quaisquer iniciados no seu culto ou o culto yorubá que nenhum banho abençoasse nenhum iniciado que não fosse consagrado além de Osanyin, e também à Iyá Asagbó.
    E todo ano também em virtude das grandes festas que acontecem em Oyó e indispensável a sua presença para a fogueira.
    Fonte: Babalorixá Willian Ty Ògún
    Fernando D’Osogiyan
    II II
    I I
    I II
    I I
    Òfún’sá
    Eriwo ya!
    Saudamos todos vocês em nome de Òlódùmarè, Ọrúnmìlà e todos os outros Òrìşà. Nós também estendemos os cumprimentos de Àràbà Agbaye (da cidade de Ilè Ifé) a todos vocês nesta época do Ifá Festival Mundial. Nós, os membros do Comité de Ética e Escrituras do Conselho Internacional para religião de Ifá, O Odù Ifá que saiu para este ano é Òfún’sá
    O Odù veio com ire Aiku, que significa vida longa e um ebo é recomendado para atingir o objetivo. Este Ifá serve para Nigéria, Benin, Brasil, Trinidad e Tobago, Alemanha, Estados Unidos, Venezuela e Cuba. Todos estes países estavam representados e fizeram suas contribuições.
    Os versos de Òfún’sá recitados com suas narrativas são as seguintes:
    Comentários de Áwo Fa’lokun.
    Quando uma divinação vem com ire Aiku ou seja, bênção de vida longa a implicação fala em alinhamento perfeito com o destino.
    Durante o passado a estrutura de nossa fé tem estado sob ataque de dentro de nossas hostes.
    O Odù nos endereça esta questão e gostaríamos de encorajar todos a meditar sobre o significado da mensagem dos imortais no que diz respeito a preservação de nossa fé.
    Ifá diz que deve haver assistência mutua.
    Ifá quer que sejamos solidários e trabalhemos juntos.
    As pessoas devem fazer aquilo que acharem mais correto no tocante a diminuir as agressões do sistema reparando ou resgatando aqueles que estão em situação deplorável ou desprezível.
    Ebo deve ser feito para ter a chance de escolher as pessoas certas para esta tarefa.
    Os itens a serem sacrificados neste ebo são:
    Oito pombos, mel, gin, Àkàsà e dinheiro.
    Aqui o importante é saber que o ebo feito por pessoas não qualificadas, no caso será necessária a presença de um babalawo, pode resultar em danos espirituais para o curioso. Sem contar que o Odù deve ser tefado (marcado) no Ọpọn Ifá e a mecânica correta somente o babalawo saberá seguir.
    Aqui Ifá diz:
    Comentário de Awo Fa’lokun:
    Este primeiro verso, abaixo, vai direto ao ponto.
    Nossa fé foi criada por Ọrúnmìlà a muitos milhares de anos atrás. Ele criou nossa disciplina espiritual que conecta nossa vida a nossa família e ao mundo através de um sofisticado sistema de controles e equilíbrio relacionados com o: Ọbà (Rei), Ìyàámi, Ògbóni, Ifá e Egbè Òrìşà. Há uma crença comum (os famosos inventores, curiosos e modernistas) de que Ifá pode ser praticado sem os sistemas de controle e equilíbrio desta estrutura antiga.
    O Odù Òfún’sá está dizendo que isso não é verdade, estas estruturas tem um propósito e devem ser preservadas.
    Òfún saara
    Òfún seesee
    O sacerdote de Ifá de Eyin, O Dente
    Lançou Ifá para Eyin, O Dente.
    Quando o dente estava com saudades do Redentor
    Ele aconselhou a fazer ebo
    Ele fez
    Vamos juntar as mãos
    Para reparar nosso Dente
    Ele é muito branco
    Ele se tornou puramente branco.
    Comentário de Awo Fa’lokun:
    Nossa fé tem caído em desuso por causa de ataques que vinham de fora, agora estamos diante de ataques internos e será necessário um esforço coletivo para preservar as velhas formas. Os dentes são uma das ferramentas que usamos para nutrir o corpo. A referência ao dente branco e a ideia da nutrição baseada na pureza. Muitos dos ensinamentos originais de Ọrúnmìlà tem sido danificado por pessoas que usam a lente de outras religiões para interpretar suas palavras. As pessoas podem acreditar em Jesus, Maomé ou Buda, mas, cada um desses profetas pregou sua própria mensagem. Eu acredito que a mensagem de Ọrúnmìlà vale por si só e não precisa da lente de outras religiões como base para uma explicação.
    O que temos de mais importante dentro deste primeiro aspecto do Odù é ordem expressa de Ifá, para não perdermos o equilíbrio emocional com os ataques que vierem de dentro de nossa religião, aqueles que querem dividir, criar atrito, disseminar o ódio e todas estes sentimentos separatistas devem ser entregues a Ọrúnmìlà/Ifá nas horas de nossas orações.
    São estas pessoas que serão cuidadas diretamente por nosso pai.
    Não discuta por qualquer motivo, não levante sua voz.
    Entrar neste barco, das discussões, poderá lhe trazer mais prejuízos que ganhos.
    Os versos foram gravados e traduzidos por:
    Fayemi Fatunde Fakayode (Presidente, Comitê de Ética e Escritura)
    Àràbà Olusoji Oyekale (Rep. do Estado de Kwara)
    Ojesola Windare (Osun State Rep)
    Awo Fawale Adebayo (Ondo State Rep)
    Otunba Kehinde Idowu Fagbohun (Oyo State Rep)
    Fayemi Abidemi (Oyo State Rep)
    Chefe Fatunmbi Adeniji (Ogun State Rep)
    Fasola Faniyi Babatunde (Ogun State Rep)
    Awo Tosin Olomowewe (Lagos State Rep)
    Obs.
    Estamos cientes de que algumas pessoas têm publicado alguns versos deste Odù na internet. Aqui nós não estamos dizendo que os versos por eles publicados são incorretos, nós acreditamos fortemente que os que aqui apresentados são aqueles recitados com a inspiração de Òlódùmarè. O que queremos dizer é que pode haver mil versos de Òfún’sá, mas a inspiração é o que é necessário para recitar estes versos no momento de adivinhação, é a inspiração que dirige um sacerdote para o verso (s) ele recitar na esteira.
    Comentário Awo Falokun: Esta é uma regra de longa data em Ifá.
    Os versos que se aplicam a uma adivinhação são os versos que foram ditas no momento da adivinhação.
    Aqui o que os Anciãos de Ilè Ifé estão tentando explicar é que o momento da adivinhação tem um recado direto, quem não participou deste ritual (jogar e interpretar o oráculo), não pode ter a mesma certeza e a mesma conexão que foi atingida por eles.
    Nosso blog está mostrando apenas uma parte das revelações de Ifá para este ano yorùbá que se inicia. A informação é longa e deve ser interpretada por um expert (babalawo), o que queremos deixar gravado é necessidade de união, ajuda mútua e defesa de nossa fé.
    Estes requisitos se fazem necessário pelo alto nível de agressividade que viemos sofrendo ao longo dos anos. Porém, Ifá nos diz que não estamos sozinhos, que não seremos abandonados pelo Ợrún.
    Ifá
    Egbè Ợrún
    Okú Ợrún (Ancestres/Espíritos que partiram))
    Olokun
    Olosa
    Ogun
    Şàngó
    Ợya
    Òşún
    Òsànyìn
    Estes òrìşà, irunmolè e energias do plano astral estarão cuidando de nosso mundo e de nossa religião.
    Que as bênçãos de Òfún’sá possam se multiplicar sobre a cabeça de todos nós.
    Epá Odù. Epá Òrìșà.
    Texto do Conselho de Oke-Itase, Ile-Ife, Osun State, Nigéria.
    Comentários do Áwo Falokun.
    Tradução: Odé Gbafaomi.
    Egbé sempre, aqui no blog,  somos perguntados sobre quebra de preceitos, quebra de tabu, romper com os èèwò e as preocupações inerentes a este assunto.
    Uma das maiores preocupações de alguns sacerdotes é saber se o suplicante está correspondendo aos alertas enviados pelo oráculo. Pois, não pensem que sacerdote não se preocupa com a pessoa mesmo depois do ebo entregue.
    A preocupação não deveria tomar este lugar especial, uma vez que a vontade e as decisões cartesianas pertencem a pessoa em questão.
    Este poema de Ifá nos traz à reflexão para tentarmos desmontar os porquês de várias situações que não se concretizaram positivamente ou a favor do suplicante.
    Alabahun, a Tartaruga, vai nos deliciar com está história que mostra a inconformidade do pensamento humano, a corrente humana que pensa que tudo pode, a ala dos que acham que fechou a porta do Ilè Ase, minha ‘obrigação’ está terminada.
    Ainda temos muito que aprender, refletir e praticar.
    Os enamorados pelo culto, os abian, os recém iniciados, os mais antiguinhos, os cascudos, os Oyè, os sacerdotes e mesmo os mais velhos. Todos sem exceção, deveriam refletir sobre o texto, trazer suas experiências, contribuir para este assunto que é muito, mas, muito sério mesmo.
    Ele é mais sério que o ebo realizado. Ele pode lhe custar o esforça de uma vida inteira, toda dedicação em prol de um objetivo.
    Apreciem no meio do texto, o papel de Èşù como instigador e provador de caráter. As tentações lançadas fazem parte de seu arsenal de bondades, pois, se você não consegue resistir a carne, a curiosidade, a um tipo de alimento, cor ou comportamento, você deve voltar ao fim da fila, nascer novamente e prestar atenção aos bons conselhos.
    O que sempre dizemos:
    Nossa religião não proíbe ninguém de nada. Somente dos excessos.
    Os tabus são assuntos relacionados ao seu mapa astral, assim como todos dizem que respeitam seu Òrìșà, ao não respeitar seus tabus/èèwò/quizilas, seja lá o nome que você queira dar a ele, você estará desrespeitando não somente ao seu Òrìșà, como também a Ifá/Ọrúnmìlà que trabalhou para que você tivesse a oportunidade de viver em paz, com prosperidade, saúde e equilíbrio.
    Estamos zombando de uma força maior?
    Estamos desrespeitando uma energia imensurável?
    Estamos nos tornando desleixados em relação a todo esforço oferecido em prol de uma vida melhor para nós e nossa família?
    Acredito que o texto esteja ficando longo e não estamos em uma palestra.
    Que todos possam neste novo ano yorùbá, ter as bênçãos de Ęlà Ìwòrì, Ifá, Ọrúnmìlà e Irunmolè/Òrìșà.
    Òfún’sá e Ògúndá maa as sejam os conselheiros de todos neste ano que se inicia.
    Ire Aláàfia.
    Ese Ifá do Odù Òwónrín’ Ìrètè
    A curiosidade da Tartaruga lhe deixou na pobreza.
    Introdução
    Òpè kute
    Foi o Áwo que lançou
    Ifá para a Tartaruga
    Que sobe na palmeira
    No dia em que iria coletar
    Frutos no campo de ailerolodún
    Ele que levou o Áwo à casa da riqueza
    É o mesmo que o leva
    A casa da pobreza
    Que é a casa do pai da tartaruga
    Explicação:
    Aqui está Alabahun (Tartaruga) seu pai se dedicou a colher Eyin (fruto do Ikin).
    Quando Alabahun cresceu, também se dedicou a mesma profissão. Ele foi com seus Áwo para saber se ele iria prosperar em sua profissão e eles lhe disseram que ele teria que realizar ebo, disseram que teria que oferecer uma de suas ferramentas de trabalho no ebó. Alabahun tinha dois machados e ele ofereceu um no ebó como lhe disseram seus Áwo.
    Depois de realizar o ebó, ele foi trabalhar com a único machado que restava. Quando chegou ao lugar onde se encontravam as árvores de palma, começou a trabalhar portanto os ramos de Eyin e quando havia somente um ramo em uma palma que se encontrava na beira do rio, Alabahun começou a cortar a penca e quando estava cortando o machado saiu de mão e caiu dentro do rio. Alabahun ficou chateado quando seu machado caiu no rio e disse:
    Por que foi cair logo agora, quando faltava apenas uma penca para retirar?
    Como vou me cobrar, se não terminar de colher e completar meu trabalho?
    Alabahun desceu da palma para tentar encontrar seu machado e entrou na água, a correnteza o puxou e o arrastou até uma aldeia 9dentro da água). Nesta cidade, a maioria dos habitantes eram mulheres, muitas mulheres e de várias tonalidades de pele, dudu (negras), fun fun (brancas), pupa (rosadas), ayirin (várias cores) e também muito dinheiro, uma incalculável soma de dinheiro. Ao cair, Alabahun, naquela cidade, as pessoas daquele local não tinham um líder e já lhes haviam dito que eles encontrariam uma pessoa de fora da comunidade (estrangeiro) que iria ocupar este posto.
    Por isso quando Alabahun chegou a esta cidade, todos os habitantes foram atrás dele e o agarraram e Alabahun não sabia o porquê. Ele se assustou pensando que ele seria agredido e disse?
    O que eu fiz para vocês?
    Elas o levaram e o sentaram no trono do rei e ali lhe deram dinheiro, mulheres e etc.
    Nesta cidade não havia nenhum homem e Alabahun havia sido o único que havia chegado a este lugar.
    Eles disseram à Alabahun que naquele povoado elas tinham uma proibição, que era comer Eyin (fruto do Ikin). Elas levaram Alabahun ao pé de uma palma de Eyin e aquele tipo de Eyin não era o que ele conhecia, este era muito grande. O rei desta cidade não podia comer Eyin. Ele foi advertido que se ele comesse aquele fruto, as consequências iriam ser terríveis.
    No entanto eles lhe impuseram esta proibição. Ele podia entrar em qualquer parte do palácio, porém existia uma casa onde ele não podia entrar. Este era o quarto menor do palácio. Assim o tempo se passou, até que um dia, ao saírem todos do palácio e Alabahun ficar sozinho, ele se perguntou:
    Por que não posso comer Eyin, se este sempre foi o fruto do meu trabalho?
    Ele disse:
    Eles são tão bonitos e tão grandes!
    Eu vou provar um!
    Ele foi e comeu um, porém, pegou outros e os levou para seu quarto real para continuar comendo. Como Alabahun estava desfrutando do Eyin, Èşù o induziu dizendo:
    Não vê que rico é o Eyin que disseram para você não comer?
    Então, vê aquele quarto que te disseram para não entrar?
    O que você está esperando para entrar nele!
    E desta forma Alabahun foi induzido por Èşù, entrou no quarto e ele viu que ali estava a raiz da palma de onde havia caído seu machado e ao seu lado estava sua ferramenta.
    Quando ele foi nomeado rei, suas roupas sujas foram tiradas e elas também estavam ali.
    As pessoas da cidade agarraram Alabahun e o mandaram outra vez para fora, com a mesma roupa e sem nenhum dinheiro.
    O que leva um Áwo a riqueza
    Também leva um Áwo a pobreza
    Que é a casa do pai da tartaruga.
    Ifá diz que esta pessoa deve fazer ebo.
    Este Ese explica como Alabahun teve a riqueza por meio de ebo que os Áwo realizaram, porém, ao mesmo tempo os mostra que tão importantes é o respeito ao quarto, pois, ainda que o ebo tenha lhe trago toda riqueza, ele rompeu com o tabu e isto o levou novamente a mesma pobreza que ele já havia vivido com muito sofrimento.
    De que valeu o sacrifício feito, se não respeitou as proibições?
    De nada.
    Por esta razão é que explicamos que tão importante é conhecer e realizar os sacrifícios e mais importante ainda é respeitar os tabus ditados por Ifá.
    Muitos sacerdotes tanto de Ifá como de Òòșà (Òrìșà), são consagrados (iniciados) corretamente na religião, porém, muitos não conhecem seus èèwò e o que é pior, os conhecem e não os respeitam.
    E quando seus assuntos começam a dar errado, com certeza sua vida se tornará um calvário.
    O respeito aos tabus (èèwò) deve ser levado muito a sério, para que sua vida não se torne um rio de lamentações.
    Os sacerdotes de Ifá e Òòșà, devem levar sito muito a sério, para ter uma vida mais tranquila e com menos inconvenientes, pois, se os ebo nos levam a prosperidade, o respeito ao tabu nos faz manter esta mesma prosperidade.

    Os Candomblés de Egúngún

    .
    Quadro Histórico
    .

    VERA CRUZ *

    (+/- 1905)

    BABÁ OKULELE

    ALABÁ – Serafin

    MOCAMBO *

    (+/- 1830)

    BABÁ OLÚKOTÚN

    ALABÁ – Marcos Pimentel

    ENCARNAÇÃO

    BABÁ AGBÓULÁ
    ALABÁ – João Dois Metros
    OJÉ – Gregório

    TUNTUN

    BABÁ OLÚKOTÚN
    ALABÁ – Marcos Teodoro Pimentel.(+ 1935)
    OJÉ Baxorun – Manoel Antonio Daniel de Paula¹

    CORTA-BRAÇO*

    ALABÁ – Opé
    OJÉ – João Boa Fama

    ILÊ AGBÓULÁ – Candomblé das Amoreiras ²

    (+/- 1940)

    1º ALABÁ – Eduardo Daniel de Paula

    2º ALABÁ – Antonio Daniel De Paula (+ 1931)

    3º ALABÁ – Domingos ( atual dirigente)

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