segunda-feira, 27 de julho de 2015

CAPRINOCULTURA

Caprinocultura é parte da ciência que trata do estudo e da criação de caprinos.
Cabra pastando
cabra foi o primeiro animal a produzir alimentos (leite e carne) domesticado pelo Homem, há cerca de 7.000 anos, servindo também para produzir couro, pêlo e esterco.
cabra doméstica é a Capra hircus. Silvio Doria de Almeida Ribeiro, citando o Production Yearbook 1994, diz que a população mundial de caprinos é de 609 milhões de cabeças. O leite de cabra é o terceiro mais consumido no mundo, depois do de vaca e do de búfala.
As principais raças caprinas leiteiras do mundo são as Alpinas (SaanenParda AlpinaAlpina Americana, Oberhasli, Toggenbourg e outras) e a Anglo-Nubiana. A principal raça caprina produtora de carne é a Boer. No Brasil foram desenvolvidas algumas raças "crioulas": a canindé, a moxotó, a mambrina, repartida e a marota.

Introdução[editar | editar código-fonte]

Muito se tem falado sobre a caprinocultura de corte nacional, particularmente sobre o seu futuro, pois de seu passado todos reconhecem a importância social, embora raras vezes seja levantado um exemplo de um empreendimento de sucesso. Cabaceiras - PB é hoje conhecida nacionalmente como a cidade que mais tem cultivado a caprinocultura é por isso que existe a FESTA DO BODE REI que atrai muitos turistas e criadores de bodes. Com a expansão da raça Boer, o interesse pela caprinocultura de corte tomou proporção jamais vista na caprinocultura de corte mundial e esse efeito pode ser claramente percebido no Brasil. Porém, esse bom esteve em um primeiro momento muito mais associado à venda de animais puros para reprodução do que à produção de carne propriamente dita. Embora essa visão ainda seja a predominante, a cada dia evidencia-se que, para o desenvolvimento sustentável da atividade, muitos outros elementos devem ser adicionados à equação. Fica claro que a atividade só irá prosperar se evoluir como um todo, com os diversos elos da cadeia produtiva participando do processo e se tratada como um agronegócio, ou seja, com profissionalismo e uma visão empresarial.

Situação atual da caprinocultura do Brasil e no mundo[editar | editar código-fonte]

Segundo a FAO (2001), o rebanho mundial de caprinos em 2.000 era de 715.297.550 cabeças, das quais 96% estão em países em desenvolvimento, com apenas 4% nos países desenvolvidos, conforme pode ser observado na Tabela 1. Na mesma tabela é possível verificar que 40 anos atrás o efetivo caprino dos países desenvolvidos era de 31,7 milhões de cabeças, sendo atualmente de 29,1 milhões, o que representa um decréscimo de 9%, enquanto nos países em desenvolvimento esse número era de 315,9 milhões em 1961 e de 686,2 milhões em 2.000, mostrando um aumento de 117%. Atualmente a China é o maior rebanho mundial, com 148,4 milhões de cabeças, o que representa 20% do efetivo mundial. Em seguida vêm a Índia e o Paquistão. O Brasil fica na décima colocação, com um rebanho de 1.260.000 cabeças, cerca de 2% do rebanho mundial.
Com relação à distribuição geográfica do efetivo caprino brasileiro, pelos dados do IBGE (2.001), referentes ao censo agropecuário de 1.996, o quadro apresenta um padrão idêntico ao mundial. Considerando-se as regiões Sul e Sudeste como desenvolvidas e Norte, Centro-Oeste e Nordeste como em desenvolvimento, 4% dos caprinos estão no primeiro grupo e 96% no segundo. Vale ressaltar que 94% do rebanho nacional está na região Nordeste, onde prevalecem condições edafo-climáticas desfavoráveis. Nessa situação os caprinos assumem uma grande importância social, pois chegam a ser a única fonte de renda em determinadas circunstâncias e deles depende a sobrevivência de muitos nordestinos. Porém, talvez até mesmo associado a esse papel,mesmo no Nordeste raras vezes a caprinocultura é vista como uma atividade empresarial e é freqüentemente considerada uma atividade marginal, e não uma atividade pecuária de grande potencial econômico.(...)
O próprio nordestino, criador de "bode", evidencia claramente o seu preconceito, associando uma imagem de maior status ao criador de boi, renegando a espécie que de fato o sustenta. Nas demais regiões do país, onde o efetivo é muito menor, muitos assimilam de maneira distorcida o conceito de "rusticidade" dos caprinos, imaginando que, se no Nordeste, onde as condições são precárias, se produz "bode", os resultados obtidos em condições mais "favoráveis" seriam muito melhores. A realidade não é bem essa, e sob certos aspectos é mais difícil criar caprinos nas tais condições "favoráveis".

Os novos cenários[editar | editar código-fonte]

Alguns conceitos vêm transformando radicalmente as atividades pecuárias de interesse econômico. Embora não se esquecendo do papel social da caprinocultura, essa nova realidade deve ser absorvida também por essa atividade. Deve-se enfocar: - o "agronegócio da caprinocultura", onde o objetivo não é produzir mais cabritos ou kg de carne por área ou por matriz: o objetivo é produzir mais lucro para o empresário. Logicamente, certos conceitos complementares não devem ser esquecidos, como sustentabilidade do investimento e a utilização de práticas ecologicamente adequadas. Diz respeito ao tratamento de uma atividade agropecuária como um negócio; e a "cadeia produtiva da caprinocultura", onde deve estar clara a idéia de que ninguém está sozinho na atividade. No assunto em questão, a produção de caprinos envolve desde os fornecedores de insumos até o consumidor final, passando pelos serviços de extensão e pesquisa, abatedouros, açougues, supermercados, restaurantes, curtumes, indústria calçadista e de vestuário, entre tantos outros elementos que poderiam aqui ser mencionados. No meio de tudo isso está o caprinocultor. Ele tem sido o foco das maiores atenções, mas o segmento menos organizado, que menos tem evoluído, que menos tem se tecnificado, e em conseqüência disso, o segmento que paga as contas. Acaba por sustentar os elos precedentes e posteriores da dita "cadeia produtiva". A partir do momento que ele se conscientizar de que desenvolve um agronegócio, vai se preocupar com seu desempenho econômico de uma forma mais abrangente, vai entender a importância da utilização de tecnologia mais adequada, e perceber que ao se reunir em associações e cooperativas ele beneficia o seu vizinho, mas que também é beneficiado com isso. Vai, então, visualizar com mais clareza que o sucesso de seus fornecedores depende do seu sucesso, e que ele também é responsável pelo sucesso do segmento para o qual fornece seu produto. Então entenderá que todos têm que participar da discussão do futuro da atividade. Se cada segmento der o seu quinhão de colaboração, todos se beneficiarão e a atividade poderá, de fato,prosperar.
Um dado importante e que deve ser a base de todo esse processo, é o mercado efetivo e potencial, e o que vem acontecendo com ele. Se observado o que vem acontecendo no Brasil nos últimos 50 anos, o quadro é desanimador: o consumo de carne é rigorosamente o mesmo nas últimas 4 décadas. Se, por outro lado, for avaliado o mercado potencial, e comparando-se o histórico de outras carnes, algumas simulações feitas para a Região Sudeste indicam que, para alcançar o consumo médio mundial per capita de carne caprina, o rebanho dessa região deveria se multiplicar 40 vezes. Se consideradas as perspectivas do mercado mundial, em especial dos países árabes, que já por mais de uma vez fizeram sondagens da possibilidade de importação do Brasil, evidencia-se um mercado potencial muito promissor.

Sistemas de criação[editar | editar código-fonte]

Classicamente, existem três sistemas básicos de criação: intensivo, semi-intensivo e extensivo. Esses conceitos estão associados ao nível de tecnologia e produtividade, bastante elevada no primeiro, e precário ou quase inexistente no último. Portanto, a criação em pastejo rotacionado pode ser considerada um sistema intensivo, assim como a utilização racional da caatinga pode ser considerado semi-intensivo, da mesma forma que uma pastagem artificial utilizada sem um manejo adequado pose ser considerada um sistema intensivo. Qualquer sistema de criação deve considerar uma série de áreas de atuação, conforme representado na Figura 1.Todos os itens estão interligados e os resultados só serão satisfatórios se a atuação ocorrer em todos os segmentos, de forma contínua, organizada e coordenada, com o nível de esforço necessário e compatível com cada setor. Principalmente, é fundamental o conceito de adequação ao sistema de produção, ou seja, o que funciona em uma situação não apresentará necessariamente os mesmos resultados em um sistema com características diferentes. Figura 1. Corrente representativa dos setores de atuação e de tomada de decisão dentro de um sistema de produção.

Nutrição[editar | editar código-fonte]

Com relação à nutrição, o principal objetivo deve ser o de maximizar as potencialidades de cada região, aproveitando da melhor forma possível o que ela pode oferecer. Portanto, em região de terras férteis e clima favorável, deve-se considerar a utilização intensiva de insumos, buscando-se alta produtividade. Em regiões menos privilegiadas, deve-se buscar otimizar o seu potencial de produção sustentável, ou seja, o quanto é possível produzir, com investimentos passíveis de retorno, e de forma sustentável, sem degradar a vegetação existente e sem prejudicar o ambiente. Portanto, em algumas regiões haverá alimento suficiente para lotações de até 50 cabras por hectare e com animais prontos para o abate aos 4 meses de idade ou até menos. Em outras regiões, a lotação será medida em hectares por animal e o abate será muito mais tardio, pois caso utilize uma lotação muito elevada, os alimentos disponíveis simplesmente se extinguirão em pouco tempo. Uma situação não é necessariamente melhor do que a outra. É, sim, mais ou menos adequada a cada realidade. A identificação da potencialidade de cada região deverá determinar as opções alimentares mais adequadas.

Instalações[editar | editar código-fonte]

Com relação às instalações, deve-se, inicialmente, definir com clareza quais as suas finalidades, como proteger os animais das intempéries climáticas e de predadores, dando-lhes maior bem estar, além de favorecer a rotina de trabalho e as práticas de manejo pertinentes. Um erro de concepção pode implicar dificuldades operacionais que teriam sido evitadas com um pouco mais de cuidado e atenção. Além disso, esse é um investimento realizado na fase de implantação do projeto, quando normalmente o fluxo de entradas ainda não se estabeleceu, e implica um elevado montante de recursos financeiros. Portanto, pode acarretar um impacto no tempo necessário para o investimento começar a retornar, mas também tem impacto nos custos variáveis, uma vez que pode influenciar no desempenho dos animais e da mão-de-obra.
Outro aspecto a considerar são as particularidades de cada região, tanto no que diz respeito aos fatores climáticos, quanto diz respeito aos materiais disponíveis. Certamente as instalações no Sertão de Pernambuco serão diferentes das necessárias para a Zona da Mata Mineira ou do Brejo Paraibano. Quanto ao nível de investimento, mais do que nunca se deve considerar sua relação benefício: custo, logicamente atrelado à disponibilidade de recursos. Ainda, vale ressaltar que as instalações não melhoram ao longo do tempo. Muito pelo contrário, pioram, se desgastam, se deterioram, sendo algo complexo e oneroso sua recuperação ou melhoria, diferente do que pode ser feito com os demais itens.

Sanidade[editar | editar código-fonte]

A sanidade do rebanho deve ser consideradas em vários aspectos e momentos. No início de atividade, a preocupação deve ser definir com bastante clareza os cuidados a serem tomados, para começar com o rebanho "limpo". Esse é o melhor momento, talvez o único, para evitar a entrada de importante problemas sanitários no rebanho. A idéia de que no início da atividade não há necessidade de se preocupar muito com esse aspecto, que depois que as coisas tiverem mais organizadas é possível "limpar" o rebanho, é totalmente equivocada. Ainda nesse contexto, sempre que possível é conveniente a utilização de rebanho "fechado", ou seja, rebanhos onde, após a aquisição inicial de animais, só sai, entrando apenas animais utilizados para o melhoramento genético do rebanho. Nessa situação, minimiza-se o risco de entrada de novas doenças no rebanho.
Além das doenças, deve-se preocupar com caracteres indesejáveis no rebanho. É o caso da politetia, por exemplo. É uma características hereditária que, uma vez introduzida, dificilmente será erradicada. Outro aspecto diz respeito aos chifres: se a opção for por trabalhar com animais mochos ou descornados, a presença de alguns animais chifrudos poderá vir a ser um transtorno. Além disso, ao se utilizar fêmeas mochas deve haver um cuidado especial na escolha do machos, para se evitar problemas de intersexualidade. Esses cuidados devem ser ainda maiores quando se utiliza machos naturalmente mochos.
A outra linha de atuação diz respeito aos problemas sanitários introduzidos no criatório, muitos dos quais inevitáveis. Para eles, deve-se estabelecer práticas de rotina adequadas, para minimizar o seu aspecto. Em alguns casos o correto é a erradicação da doença. Em outros, o razoável são as práticas que minimizam os prejuízos e que permitam um convívio aceitável com a doença. Portanto, de uma forma em geral, esse assunto deve freqüentemente ser considerado, desde o início da atividade e durante o seu transcorrer. Um momento de descuido pode colocar a baixo anos de trabalho sério e cuidadoso.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

O desempenho reprodutivo determina, em grande parte, a quantidade a ser comercializada e é através dela que o melhoramento genético se efetiva. Da fertilidade, principalmente quando associada à prolificidade, depende o número de animais nascidos. Mas de uma boa habilidade materna depende o número e as condições em que os cabritos são desmamados. Alguns procedimentos simples podem ter um importante impacto em seu desempenho, como separação das crias antes de entrarem na idade reprodutiva, para evitar cruzamentos indesejáveis, escolha e manejo adequado dos reprodutores, suplementação alimentar estratégica.
Práticas mais sofisticadas permitem uma importante aceleração nos resultados, mas exigem uma grande organização do rebanho e níveis de investimento mais elevados. Encontram-se nessa situação a inseminação artificial e a transferência de embriões. A primeira deve se popularizar mais rapidamente, ainda porque é fundamental para programas de melhoramento mais consistentes. A segunda, ainda por um tempo, deverá ficar restritas aos criatórios de elite, que comercializam reprodutores e matrizes. De qualquer forma, mais uma vez o fundamental é definir quais as exigências e as potencialidades de cada sistema, e determinar as práticas de manejo reprodutivo mais adequadas a cada um.

Manejo[editar | editar código-fonte]

As práticas de manejo são totalmente dependentes do sistema de criação adotado, e devem ser definidas em sua função. Um conceito que deve ficar claro é que a produção de carne deve ser desenvolvida em sistemas bem mais simples do que a produção de leite. Como a receita por matriz é substancialmente menor, o custo também deve ser reduzido ao mínimo, para que o investimento se viabilize. Esse aspecto leva a um outro ponto importante: a questão da escala, que deve ser bem maior na caprinocultura de corte do que na de leite. As práticas de manejo estarão intimamente associadas a esses conceitos, pois na produção de carne um homem deverá ser responsável por um número de animais muito maior do que na exploração de leite. Isso implica encarar a atividade de uma maneira mais massal e simplificar ao máximo as diversas operações. Logicamente, sistemas mais intensivos terão uma maior demanda de mão-de-obra, mas isso deverá estar vinculado a um aumento de receita compatível.

Melhoramento genético[editar | editar código-fonte]

Ele está intimamente ligado com todos os tópicos até aqui abordados. Da mesma forma que não existe o alimento perfeito, não existe a raça perfeita. Existe, sim, a raça, ou, talvez melhor, o tipo de animal mais adequado a cada sistema de produção. Porém, estranhamente, muitas vezes esse é o primeiro tema a ser considerado pelo interessado em ingressar na atividade. Na realidade se um dos últimos, vindo depois de um levantamento cuidadoso das potencialidades e limitações de cada situação.
Segundo Gipson, "todos os caprinos são de corte", uma vez que podem ser abatidos e consumidos. E esse conceito é compartilhado por muitos. Porém, quando se encara a caprinocultura de corte por um prisma empresarial, dando-lhe o enfoque de uma atividade especializada, existem muitas características desejáveis nos animais para que se obtenha bons resultados.
Deve-se buscar animais com um bom rendimento de carcaça, com uma proporção músculo: gordura: ossos adequada e com uma boa distribuição do músculo na carcaça. Ou seja, é conveniente um elevado rendimento de uma carcaça com um bom volume de músculo e a gordura necessária para garantir sua suculência, conservação e sabor, com uma maior proporção de deposição muscular nos cortes mais nobres. Porém, isso não basta: não se pode esquecer a qualidade dessa carne. Nesse item devem ser consideradas as características visuais, sensoriais e nutricionais. Em outras palavras, o o consumidor deve olhar para a carne e se sentir atraído por ela, mas essa manifestação favorável deve permanecer quando de seu consumo, com o atendimento às suas expectativas em termos de paladar. Se ainda for uma carne com aspectos nutricionais atraentes, como baixos níveis de colesterol, tanto melhor. Mas não basta: é fundamental um bom ritmo de crescimento, situação em que devem ser considerados os pesos e os ganhos em peso para diferentes idades. Muitas vezes os menos avisados se impressionam com reprodutores muito grandes e pesados, mas se esquecem que não é esse o tipo de animal habitualmente consumido. Portanto, deve-se buscar aquele animal que apresenta melhor desempenho para o peso de abate exigido pelo mercado em questão.
As características reprodutivas também devem ser consideradas, buscando-se animais que não sejam sazonais, com uma boa fertilidade e prolificidade, com um pequeno intervalo de partos e cabras com uma boa habilidade materna, que permitam a obtenção de um bom número de cabritos desmamados por cabra. Em outras palavras, é desejável que uma boa proporção das cabras conceba, mas que além disso seja gerado um bom número de cabritos por parto e que esses nascimentos ocorram com regularidade ao longo do ano. Mas não basta nascer: a cabra deve ser capaz de cuidar bem de sua(s) cria(s), favorecendo o seu desmameem boas condições. Se o intervalo de partos for curto, melhor ainda: o número de partos e, conseqüentemente, de crias desmamadas será maior ao logo da vida produtiva da cabra. Outros aspectos que também devem ser considerados são adaptabilidade e resistência a doenças. Os animais devem se adaptar e produzir de maneira eficiente em diferentes condições climáticas e de manejo, sendo susceptíveis a problemas sanitários como endoparasitoses.
Uma vez conhecidas as características desejáveis nos animais destinados à produção de carne, deve-se avaliar o material disponível na região ou para importação, para decidir com o que trabalhar. Ao se estudar a necessidade de importação de animais deve-se antes de tudo, comparar o desempenho da população existente e dos produtos de cruzamentos com a raça importada em questão. Se o desempenho da população local for superior, não se justifica a importação, partindo-se então para a seleção do material disponível. Caso os cruzamentos com a raça exótica apresentam resultados superiores, deve-se avaliar que proporção dessa raça apresenta o melhor desempenho. Se forem os animais puros, o caminho são os cruzamentos absorventes; se forem animais cruzados, a informação necessária é qual a proporção de cada raça que permite o melhor desempenho. De um estudo sério e cuidadoso, buscando respostas a essas questões, é que deve partir a orientação ou não de uma nova raça e a forma mais adequada para sua utilização. Vale lembrar que na avaliação da melhor raça, ou proporção de raças, o que deve ser observado é o desempenho econômico dos produtos.
Hoje existe uma verdadeira apologia aos caprinos Boer, raça de origem sul-africana que tem sido aclamada pelo mundo como a grande produtora de carne dos caprinos. De fato, trata-se de uma raça com excepcionais características: uma excelente carcaça, animais com um bom desempenho, mas o que de fato se conhece dessa raça nos dias de hoje? Embora o volume de informações disponíveis nos mais variados veículos de comunicação seja enorme, aquelas de boa qualidade, provenientes de trabalhos de pesquisa sérios e isentos, são raras. E mais: é difícil identificar dentre um volume tão grande de informações no que de fato se pode confiar.
Uma informação equivocada que é freqüentemente apresentada com relação à raça Boer é de que ela é a única raça caprina especializada para corte. Ela pode até ser a melhor, mas certamente não é a única. Dentre outras, pode-se mencionar a Kiko, a Miotônica, a Spanish, a Savana e a própria Pygmy, além da Anglo Nubiana, considerada uma raça de dupla aptidão por excelência. Dentre as raças utilizadas para produção de carne caprino, no mundo, podem ser citadas:
Boer - A raça tem esse nome por ser a palavra alemã que representa carne. Provavelmente é derivada de cabras indígenas africanas com possível contribuição de raças indianas e européias, no século passado. Os caprinos Boer "melhorados" surgiram no início deste século, quando um grupo de criadores iniciou a criação de um caprino tipo carne com boa conformação, alta taxa de crescimento e fertilidade, pelo branco curto e marcações vermelhas na cabeça e peito. Desde 1970 esta raça foi incorporada ao Esquema Nacional de Teste de desempenho de Ovinos e Caprinos de Corte da África do Sul, o que faz com seja a única raça caprina envolvida efetivamente em teste de desempenho para produção de carne. São animais grandes, com altura de 82 a 90 cm para os machos e 65 a 80 cm para as fêmeas. Quanto ao peso, os machos pesam de 80 a 90 kg e as fêmeas entre 50 e 70 kg, ainda que possam alcançar pesos maiores. Tem orelhas pendentes e chifres. Originalmente tinha pelo curto de cores variadas, mas atualmente é preferivelmente branca com cabeça e peito vermelhos.
Kiko - Esta raça australiana de corte foi desenvolvida em duas décadas de seleção intensiva. Foi iniciada pelo cruzamento de cabras australianas selvagens (já descritas) com bodes de raças leiteiras (especialmente Anglo Nubiano), com a primeira geração de progênie fêmea sendo selecionada para conformação geral, vigor, temperamento prolificidade, taxa de crescimento e, especialmente, tamanho e, então, retrocruzadas com bodes leiteiros. A palavra Maori para carne é "Kiko".
Miotônica ou Tennessee - São animais de tamanho médio, com pelagem branca, preta ou em faixas. Conta a história que todos os caprinos dessa raça nos Estados Unidos descendem de 4 animais deixados no Tennessee no início do século. São animais que sofrem de um miotonia hereditária, que faz com que os membros animais por vezes fiquem rígidos, por alguns segundos.
Pygmy - É uma raça originária das West African Dwarf e apresentam principalmente uma coloração denominada Agouti, com marcas dorsais e faciais escuras. São animais pequenos, pesando de 15 a 25 kg. É um caprino resistente e adaptável a diversos climas. Também são utilizados como "pets".
Anglo Nubiana - É considerada uma raça de dupla aptidão (carne e leite). Esta raça foi desenvolvida na Inglaterra a partir de raças indianas, africanas e européias leiteiras. São animais grandes, onde as fêmeas podem chegar a 90 kg e os machos, a 140 kg. Com pelagem de qualquer coloração, têm orelhas longas e pendentes.
Dentre os tipos raciais, citam-se:
Spanish - São caprinos com origem não necessariamente espanhola ou mexicana, encontrados inicialmente no Texas, vindo de uma herança mista, havendo pouca padronização na aparência ou desempenho. Geralmente apresentam orelhas curtas.
Australiana e Neozelandesa selvagem - Não são genuinamente animais selvagens, mas sim animais domésticos que fugiram ou foram libertados. Se intercruzaram amplamente com a maioria das raças, formando um grupo heterogêneo. Apresentam baixa produtividade nas condições em que vivem, mas têm considerável potencial para maiores produções em ambiente mais favorável. Tem sua importância pela sua disponibilidade e número, sendo abatidos e exportados para diversos países. Contudo, não há na literatura muitos resultados disponíveis de desempenho, no Brasil, da maioria destas raças.
Em termos de Brasil, especial atenção deve ser dada às raças nativas, como a Moxotó e a Canindé, e a grande maioria do rebanho nordestino, que não apresenta uma padronização, mas apresenta uma série de características comuns, são bem adaptadas àquelas condições e que constituem o grande efetivo nacional.

Considerações finais[editar | editar código-fonte]

Se as considerações fossem baseadas na situação atual da caprinocultura de corte nacional, nos índices de produtividade alcançados pelos produtores e na adequação dos sistemas às diferentes realidades, o quadro seria desanimador. A outra alternativa é considerar o potencial do Brasil para o desenvolvimento dessa atividade, o tamanho do rebanho nacional e as perspectivas de mercado tanto nacional quanto mundial. A opção mais adequada parece ser reconhecer as limitações atuais da atividade, tanto no campo tecnológico quanto de organização, para determinar onde há necessidade de maior atenção e investimento, seja por parte dos produtores, seja por parte dos fornecedores de insumos, consumidores e governo. Se isto for feito de maneira séria e organizada, o Brasil poderá, em breve, ser o mais importante país no cenário da caprinocultura de corte mundial. Se isso não for feito, se prevalecer o interesse de uns poucos, de grandes lucros hoje e nenhuma preocupação com o amanhã, a caprinocultura será mais uma atividade mal explorada, onde poucos ganharão muito e a maioria esmagadora amargará repetidos prejuízos.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Sobre o desenvolvimento de tecnologias de produção, reprodução, sanitária, agroindustrial e organizacional para a caprinocultura brasileira veja o Centro Nacional de Pesquisa de Caprinos, em Sobral CE.
  • FarmPointCaprinocultura 1
    Caprinocultura Caprinocultura é parte da zootecnia especial que trata do estudo e da criação de caprinos.
    Cabra pastando
    A cabra foi o primeiro animal a produzir alimentos (leite e carne) domesticado pelo Homem, há cerca de 7.0 anos, servindo também para produzir couro, pêlo e esterco.
    A cabra doméstica é a Capra hircus. Silvio Doria de Almeida Ribeiro, citando o Production Yearbook 1994, diz que a população mundial de caprinos é de 609 milhões de cabeças. O leite de cabra é o terceiro mais consumido no mundo, depois do de vaca e do de búfala.
    As principais raças caprinas leiteiras do mundo são as Alpinas (Saanen, Parda Alpina, Alpina Americana, Oberhasli, Toggenbourg e outras) e a Anglo-Nubiana. A principal raça caprina produtora de carne é a Boer. No Brasil foram desenvolvidas algumas raças "crioulas": a canindé, a moxotó, a mambrina, repartida e a marota.
    Introdução
    Muito se tem falado sobre a caprinocultura de corte nacional, particularmente sobre o seu futuro, pois de seu passado todos reconhecem a importância social, embora raras vezes seja levantado um exemplo de um empreendimento de sucesso. Cabaceiras - PB é hoje conhecida nacionalmente como a cidade que mais tem cultivado a caprinocultura é por isso que existe a FESTA DO BODE REI que atrai muitos turistas e criadores de bodes. Com a expansão da raça Boer, o interesse pela caprinocultura de corte tomou proporção jamais vista na caprinocultura de corte mundial e esse efeito pode ser claramente percebido no Brasil. Porém, esse bom esteve em um primeiro momento muito mais associado à venda de animais puros para reprodução do que à produção de carne propriamente dita. Embora essa visão ainda seja a predominante, a cada dia evidencia-se que, para o desenvolvimento sustentável da atividade, muitos outros elementos devem ser adicionados à equação. Fica claro que a atividade só irá prosperar se evoluir como um todo, com os diversos elos da cadeia produtiva participando do processo e se tratada como um agronegócio, ou seja, com profissionalismo e uma visão empresarial.
    Situação atual da caprinocultura do Brasil e no mundo
    Segundo a FAO (2001), o rebanho mundial de caprinos em 2.0 era de 715.297.550 cabeças, das quais 96% estão em países em desenvolvimento, com apenas 4% nos países desenvolvidos, conforme pode ser observado na Tabela 1. Na mesma tabela é possível verificar que 40 anos atrás o efetivo caprino dos países desenvolvidos era de 31,7 milhões de cabeças, sendo atualmente de 29,1 milhões, o que representa um decréscimo de 9%, enquanto nos países em desenvolvimento esse número era de 315,9 milhões em 1961 e de 686,2 milhões em 2.0, mostrando um aumento de 117%. Atualmente a China é o maior rebanho mundial, com 148,4 milhões de cabeças, o que representa 20% do efetivo mundial. Em seguida vêm a Índia e o Paquistão. O Brasil fica na décima colocação, com um rebanho de 12.60.0 cabeças, cerca de 2% do rebanho mundial.
    Com relação à distribuição geográfica do efetivo caprino brasileiro, pelos dados do IBGE (2.001), referentes ao censo agropecuário de 1.996, o quadro apresenta um padrão idêntico ao mundial. Considerando-se as regiões Sul e
    Caprinocultura 2
    Sudeste como desenvolvidas e Norte, Centro-Oeste e Nordeste como em desenvolvimento, 4% dos caprinos estão no primeiro grupo e 96% no segundo. Vale ressaltar que 94% do rebanho nacional está na região Nordeste, onde prevalecem condições edafo-climáticas desfavoráveis. Nessa situação os caprinos assumem uma grande importância social, pois chegam a ser a única fonte de renda em determinadas circunstâncias e deles depende a sobrevivência de muitos nordestinos. Porém, talvez até mesmo associado a esse papel,mesmo no Nordeste raras vezes a caprinocultura é vista como uma atividade empresarial e é freqüentemente considerada uma atividade marginal, e não uma atividade pecuária de grande potencial econômico.
    O próprio nordestino, criador de "bode", evidencia claramente o seu preconceito, associando uma imagem de maior status ao criador de boi, renegando a espécie que de fato o sustenta. Nas demais regiões do país, onde o efetivo é muito menor, muitos assimilam de maneira distorcida o conceito de "rusticidade" dos caprinos, imaginando que, se no Nordeste, onde as condições são precárias, se produz "bode", os resultados obtidos em condições mais "favoráveis" seriam muito melhores. A realidade não é bem essa, e sob certos aspectos é mais difícil criar caprinos nas tais condições "favoráveis".
    Os novos cenários
    Alguns conceitos vêm transformando radicalmente as atividades pecuárias de interesse econômico. Embora não se esquecendo do papel social da caprinocultura, essa nova realidade deve ser absorvida também por essa atividade. Deve-se enfocar: - o "agronegócio da caprinocultura", onde o objetivo não é produzir mais cabritos ou kg de carne por área ou por matriz: o objetivo é produzir mais lucro para o empresário. Logicamente, certos conceitos complementares não devem ser esquecidos, como sustentabilidade do investimento e a utilização de práticas ecologicamente adequadas. Diz respeito ao tratamento de uma atividade agropecuária como um negócio; e a "cadeia produtiva da caprinocultura", onde deve estar clara a idéia de que ninguém está sozinho na atividade. No assunto em questão, a produção de caprinos envolve desde os fornecedores de insumos até o consumidor final, passando pelos serviços de extensão e pesquisa, abatedouros, açougues, supermercados, restaurantes, curtumes, indústria calçadista e de vestuário, entre tantos outros elementos que poderiam aqui ser mencionados. No meio de tudo isso está o caprinocultor. Ele tem sido o foco das maiores atenções, mas o segmento menos organizado, que menos tem evoluído, que menos tem se tecnificado, e em conseqüência disso, o segmento que paga as contas. Acaba por sustentar os elos precedentes e posteriores da dita "cadeia produtiva". A partir do momento que ele se conscientizar de que desenvolve um agronegócio, vai se preocupar com seu desempenho econômico de uma forma mais abrangente, vai entender a importância da utilização de tecnologia mais adequada, e perceber que ao se reunir em associações e cooperativas ele beneficia o seu vizinho, mas que também é beneficiado com isso. Vai, então, visualizar com mais clareza que o sucesso de seus fornecedores depende do seu sucesso, e que ele também é responsável pelo sucesso do segmento para o qual fornece seu produto. Então entenderá que todos têm que participar da discussão do futuro da atividade. Se cada segmento der o seu quinhão de colaboração, todos se beneficiarão e a atividade poderá, de fato,prosperar.
    Um dado importante e que deve ser a base de todo esse processo, é o mercado efetivo e potencial, e o que vem acontecendo com ele. Se observado o que vem acontecendo no Brasil nos últimos 50 anos, o quadro é desanimador: o consumo de carne é rigorosamente o mesmo nas últimas 4 décadas. Se, por outro lado, for avaliado o mercado potencial, e comparando-se o histórico de outras carnes, algumas simulações feitas para a Região Sudeste indicam que, para alcançar o consumo médio mundial per capita de carne caprina, o rebanho dessa região deveria se multiplicar 40 vezes. Se consideradas as perspectivas do mercado mundial, em especial dos países árabes, que já por mais de uma vez fizeram sondagens da possibilidade de importação do Brasil, evidencia-se um mercado potencial muito promissor.
    Caprinocultura 3
    Sistemas de criação
    Classicamente, existem três sistemas básicos de criação: intensivo, semi-intensivo e extensivo. Esses conceitos estão associados ao nível de tecnologia e produtividade, bastante elevada no primeiro, e precário ou quase inexistente no último. Portanto, a criação em pastejo rotacionado pode ser considerada um sistema intensivo, assim como a utilização racional da caatinga pode ser considerado semi-intensivo, da mesma forma que uma pastagem artificial utilizada sem um manejo adequado pose ser considerada um sistema intensivo. Qualquer sistema de criação deve considerar uma série de áreas de atuação, conforme representado na Figura 1.Todos os itens estão interligados e os resultados só serão satisfatórios se a atuação ocorrer em todos os segmentos, de forma contínua, organizada e coordenada, com o nível de esforço necessário e compatível com cada setor. Principalmente, é fundamental o conceito de adequação ao sistema de produção, ou seja, o que funciona em uma situação não apresentará necessariamente os mesmos resultados em um sistema com características diferentes. Figura 1. Corrente representativa dos setores de atuação e de tomada de decisão dentro de um sistema de produção.
    Nutrição
    Com relação à nutrição, o principal objetivo deve ser o de maximizar as potencialidades de cada região, aproveitando da melhor forma possível o que ela pode oferecer. Portanto, em região de terras férteis e clima favorável, deve-se considerar a utilização intensiva de insumos, buscando-se alta produtividade. Em regiões menos privilegiadas, deve-se buscar otimizar o seu potencial de produção sustentável, ou seja, o quanto é possível produzir, com investimentos passíveis de retorno, e de forma sustentável, sem degradar a vegetação existente e sem prejudicar o ambiente. Portanto, em algumas regiões haverá alimento suficiente para lotações de até 50 cabras por hectare e com animais prontos para o abate aos 4 meses de idade ou até menos. Em outras regiões, a lotação será medida em hectares por animal e o abate será muito mais tardio, pois caso utilize uma lotação muito elevada, os alimentos disponíveis simplesmente se extinguirão em pouco tempo. Uma situação não é necessariamente melhor do que a outra. É, sim, mais ou menos adequada a cada realidade. A identificação da potencialidade de cada região deverá determinar as opções alimentares mais adequadas.
    Instalações
    Com relação às instalações, deve-se, inicialmente, definir com clareza quais as suas finalidades, como proteger os animais das intempéries climáticas e de predadores, dando-lhes maior bem estar, além de favorecer a rotina de trabalho e as práticas de manejo pertinentes. Um erro de concepção pode implicar dificuldades operacionais que teriam sido evitadas com um pouco mais de cuidado e atenção. Além disso, esse é um investimento realizado na fase de implantação do projeto, quando normalmente o fluxo de entradas ainda não se estabeleceu, e implica um elevado montante de recursos financeiros. Portanto, pode acarretar um impacto no tempo necessário para o investimento começar a retornar, mas também tem impacto nos custos variáveis, uma vez que pode influenciar no desempenho dos animais e da mão-de-obra.
    Outro aspecto a considerar são as particularidades de cada região, tanto no que diz respeito aos fatores climáticos, quanto diz respeito aos materiais disponíveis. Certamente as instalações no Sertão de Pernambuco serão diferentes das necessárias para a Zona da Mata Mineira ou do Brejo Paraibano. Quanto ao nível de investimento, mais do que nunca se deve considerar sua relação benefício: custo, logicamente atrelado à disponibilidade de recursos. Ainda, vale ressaltar que as instalações não melhoram ao longo do tempo. Muito pelo contrário, pioram, se desgastam, se deterioram, sendo algo complexo e oneroso sua recuperação ou melhoria, diferente do que pode ser feito com os demais itens.
    Caprinocultura 4
    Sanidade
    A sanidade do rebanho deve ser consideradas em vários aspectos e momentos. No início de atividade, a preocupação deve ser definir com bastante clareza os cuidados a serem tomados, para começar com o rebanho "limpo". Esse é o melhor momento, talvez o único, para evitar a entrada de importante problemas sanitários no rebanho. A idéia de que no início da atividade não há necessidade de se preocupar muito com esse aspecto, que depois que as coisas tiverem mais organizadas é possível "limpar" o rebanho, é totalmente equivocada. Ainda nesse contexto, sempre que possível é conveniente a utilização de rebanho "fechado", ou seja, rebanhos onde, após a aquisição inicial de animais, só sai, entrando apenas animais utilizados para o melhoramento genético do rebanho. Nessa situação, minimiza-se o risco de entrada de novas doenças no rebanho.
    Além das doenças, deve-se preocupar com caracteres indesejáveis no rebanho. É o caso da politetia, por exemplo. É uma características hereditária que, uma vez introduzida, dificilmente será erradicada. Outro aspecto diz respeito aos chifres: se a opção for por trabalhar com animais mochos ou descornados, a presença de alguns animais chifrudos poderá vir a ser um transtorno. Além disso, ao se utilizar fêmeas mochas deve haver um cuidado especial na escolha do machos, para se evitar problemas de intersexualidade. Esses cuidados devem ser ainda maiores quando se utiliza machos naturalmente mochos.
    A outra linha de atuação diz respeito aos problemas sanitários introduzidos no criatório, muitos dos quais inevitáveis. Para eles, deve-se estabelecer práticas de rotina adequadas, para minimizar o seu aspecto. Em alguns casos o correto é a erradicação da doença. Em outros, o razoável são as práticas que minimizam os prejuízos e que permitam um convívio aceitável com a doença. Portanto, de uma forma em geral, esse assunto deve freqüentemente ser considerado, desde o início da atividade e durante o seu transcorrer. Um momento de descuido pode colocar a baixo anos de trabalho sério e cuidadoso.
    Reprodução
    O desempenho reprodutivo determina, em grande parte, a quantidade a ser comercializada e é através dela que o melhoramento genético se efetiva. Da fertilidade, principalmente quando associada à prolificidade, depende o número de animais nascidos. Mas de uma boa habilidade materna depende o número e as condições em que os cabritos são desmamados. Alguns procedimentos simples podem ter um importante impacto em seu desempenho, como separação das crias antes de entrarem na idade reprodutiva, para evitar cruzamentos indesejáveis, escolha e manejo adequado dos reprodutores, suplementação alimentar estratégica.
    Práticas mais sofisticadas permitem uma importante aceleração nos resultados, mas exigem uma grande organização do rebanho e níveis de investimento mais elevados. Encontram-se nessa situação a inseminação artificial e a transferência de embriões. A primeira deve se popularizar mais rapidamente, ainda porque é fundamental para programas de melhoramento mais consistentes. A segunda, ainda por um tempo, deverá ficar restritas aos criatórios de elite, que comercializam reprodutores e matrizes. De qualquer forma, mais uma vez o fundamental é definir quais as exigências e as potencialidades de cada sistema, e determinar as práticas de manejo reprodutivo mais adequadas a cada um.
    Manejo
    As práticas de manejo são totalmente dependentes do sistema de criação adotado, e devem ser definidas em sua função. Um conceito que deve ficar claro é que a produção de carne deve ser desenvolvida em sistemas bem mais simples do que a produção de leite. Como a receita por matriz é substancialmente menor, o custo também deve ser reduzido ao mínimo, para que o investimento se viabilize. Esse aspecto leva a um outro ponto importante: a questão da escala, que deve ser bem maior na caprinocultura de corte do que na de leite. As práticas de manejo estarão intimamente associadas a esses conceitos, pois na produção de carne um homem deverá ser responsável por um número de animais muito maior do que na exploração de leite. Isso implica encarar a atividade de uma maneira mais massal e simplificar ao máximo as diversas operações. Logicamente, sistemas mais intensivos terão uma maior
    Caprinocultura 5 demanda de mão-de-obra, mas isso deverá estar vinculado a um aumento de receita compatível.
    Melhoramento genético
    Esse certamente é um pouco crítico. Ele está intimamente ligado com todos os tópicos até aqui abordados. Da mesma forma que não existe o alimento perfeito, não existe a raça perfeita. Existe, sim, a raça, ou, talvez melhor, o tipo de animal mais adequado a cada sistema de produção. Porém, estranhamente, muitas vezes esse é o primeiro tema a ser considerado pelo interessado em ingressar na atividade. Na realidade se um dos últimos, vindo depois de um levantamento cuidadoso das potencialidades e limitações de cada situação. Segundo Gipson, "todos os caprinos são de corte", uma vez que podem ser abatidos e consumidos. E esse conceito é compartilhado por muitos. Porém, quando se encara a caprinocultura de corte por um prisma empresarial, dando-lhe o enfoque de uma atividade especializada, existem muitas características desejáveis nos animais para que se obtenha bons resultados. Deve-se buscar animais com um bom rendimento de carcaça, com uma proporção músculo: gordura: ossos adequada e com uma boa distribuição do músculo na carcaça. Ou seja, é conveniente um elevado rendimento de uma carcaça com um bom volume de músculo e a gordura necessária para garantir sua suculência, conservação e sabor, com uma maior proporção de deposição muscular nos cortes mais nobres. Porém, isso não basta: não se pode esquecer a qualidade dessa carne. Nesse item devem ser consideradas as características visuais, sensoriais e nutricionais. Em outras palavras, o o consumidor deve olhar para a carne e se sentir atraído por ela, mas essa manifestação favorável deve permanecer quando de seu consumo, com o atendimento às suas expectativas em termos de paladar. Se ainda for uma carne com aspectos nutricionais atraentes, como baixos níveis de colesterol, tanto melhor. Mas não basta: é fundamental um bom ritmo de crescimento, situação em que devem ser considerados os pesos e os ganhos em peso para diferentes idades. Muitas vezes os menos avisados se impressionam com reprodutores muito grandes e pesados, mas se esquecem que não é esse o tipo de animal habitualmente consumido. Portanto, deve-se buscar aquele animal que apresenta melhor desempenho para o peso de abate exigido pelo mercado em questão. As características reprodutivas também devem ser consideradas, buscando-se animais que não sejam sazonais, com uma boa fertilidade e prolificidade, com um pequeno intervalo de partos e cabras com uma boa habilidade materna, que permitam a obtenção de um bom número de cabritos desmamados por cabra. Em outras palavras, é desejável que uma boa proporção das cabras conceba, mas que além disso seja gerado um bom número de cabritos por parto e que esses nascimentos ocorram com regularidade ao longo do ano. Mas não basta nascer: a cabra deve ser capaz de cuidar bem de sua(s) cria(s), favorecendo o seu desmame em boas condições. Se o intervalo de partos for curto, melhor ainda: o número de partos e, conseqüentemente, de crias desmamadas será maior ao logo da vida produtiva da cabra. Outros aspectos que também devem ser considerados são adaptabilidade e resistência a doenças. Os animais devem se adaptar e produzir de maneira eficiente em diferentes condições climáticas e de manejo, sendo susceptíveis a problemas sanitários como endoparasitoses. Uma vez conhecidas as características desejáveis nos animais destinados à produção de carne, deve-se avaliar o material disponível na região ou para importação, para decidir com o que trabalhar. Ao se estudar a necessidade de importação de animais deve-se antes de tudo, comparar o desempenho da população existente e dos produtos de cruzamentos com a raça importada em questão. Se o desempenho da população local for superior, não se justifica a importação, partindo-se então para a seleção do material disponível. Caso os cruzamentos com a raça exótica apresentam resultados superiores, deve-se avaliar que proporção dessa raça apresenta o melhor desempenho. Se forem os animais puros, o caminho são os cruzamentos absorventes; se forem animais cruzados, a informação necessária é qual a proporção de cada raça que permite o melhor desempenho. De um estudo sério e cuidadoso, buscando respostas a essas questões, é que deve partir a orientação ou não de uma nova raça e a forma mais adequada para sua utilização. Vale lembrar que na avaliação da melhor raça, ou proporção de raças, o que deve ser observado é o desempenho econômico dos produtos. Hoje existe uma verdadeira apologia aos caprinos Boer, raça de origem sul-africana que tem sido aclamada pelo mundo como a grande produtora de carne dos caprinos. De fato, trata-se de uma raça com excepcionais características: uma excelente carcaça, animais com um bom desempenho, mas o que de fato se conhece dessa raça nos dias de hoje? Embora o volume de informações disponíveis nos mais variados veículos de comunicação seja enorme, aquelas de boa qualidade, provenientes de
    Caprinocultura 6 trabalhos de pesquisa sérios e isentos, são raras. E mais: é difícil identificar dentre um volume tão grande de informações no que de fato se pode confiar. Uma informação equivocada que é freqüentemente apresentada com relação à raça Boer é de que ela é a única raça caprina especializada para corte. Ela pode até ser a melhor, mas certamente não é a única. Dentre outras, pode-se mencionar a Kiko, a Miotônica, a Spanish, a Savana e a própria Pygmy, além da Anglo Nubiana, considerada uma raça de dupla aptidão por excelência. Dentre as raças utilizadas para produção de carne caprino, no mundo, podem ser citadas:
    Boer - A raça tem esse nome por ser a palavra alemã que representa carne. Provavelmente é derivada de cabras indígenas africanas com possível contribuição de raças indianas e européias, no século passado. Os caprinos Boer "melhorados" surgiram no início deste século, quando um grupo de criadores iniciou a criação de um caprino tipo carne com boa conformação, alta taxa de crescimento e fertilidade, pelo branco curto e marcações vermelhas na cabeça e peito. Desde 1970 esta raça foi incorporada ao Esquema Nacional de Teste de desempenho de Ovinos e Caprinos de Corte da África do Sul, o que faz com seja a única raça caprina envolvida efetivamente em teste de desempenho para produção de carne. São animais grandes, com altura de 82 a 90 cm para os machos e 65 a 80 cm para as fêmeas. Quanto ao peso, os machos pesam de 80 a 90 kg e as fêmeas entre 50 e 70 kg, ainda que possam alcançar pesos maiores. Tem orelhas pendentes e chifres. Originalmente tinha pelo curto de cores variadas, mas atualmente é preferivelmente branca com cabeça e peito vermelhos.
    Kiko - Esta raça australiana de corte foi desenvolvida em duas décadas de seleção intensiva. Foi iniciada pelo cruzamento de cabras australianas selvagens (já descritas) com bodes de raças leiteiras (especialmente Anglo Nubiano), com a primeira geração de progênie fêmea sendo selecionada para conformação geral, vigor, temperamento prolificidade, taxa de crescimento e, especialmente, tamanho e, então, retrocruzadas com bodes leiteiros. A palavra Maori para carne é "Kiko". Miotônica ou Tennessee - São animais de tamanho médio, com pelagem branca, preta ou em faixas. Conta a história que todos os caprinos dessa raça nos Estados Unidos descendem de 4 animais deixados no Tennessee no início do século. São animais que sofrem de um miotonia hereditária, que faz com que os membros animais por vezes fiquem rígidos, por alguns segundos.
    Pygmy - É uma raça originária das West African Dwarf e apresentam principalmente uma coloração denominada Agouti, com marcas dorsais e faciais escuras. São animais pequenos, pesando de 15 a 25 kg. É um caprino resistente e adaptável a diversos climas/. Também são utilizados como "pets". Anglo Nubiana - É considerada uma raça de dupla aptidão (carne e leite). Esta raça foi desenvolvida na Inglaterra a partir de raças indianas, africanas e européias leiteiras. São animais grandes, onde as fêmeas podem chegar a 90 kg e os machos, a 140 kg. Com pelagem de qualquer coloração, têm orelhas longas e pendentes. Dentre os tipos raciais, cita-se:
    Spanish - São caprinos com origem não necessariamente espanhola ou mexicana, encontrados inicialmente no Texas, vindo de uma herança mista, havendo pouca padronização na aparência ou desempenho. Geralmente apresentam orelhas curtas. Australiana e Neo-zelandesa selvagem - Não são genuinamente animais selvagens, mas sim animais domésticos que fugiram ou foram libertados. Se intercruzaram amplamente com a maioria das raças, formando um grupo heterogêneo. Apresentam baixa produtividade nas condições em que vivem, mas têm considerável potencial para maiores produções em ambiente mais favorável. Tem sua importância pela sua disponibilidade e número, sendo abatidos e exportados para diversos países. Contudo, não há na literatura muitos resultados disponíveis de desempenho, no Brasil, da maioria destas raças. Em termos de Brasil, especial atenção deve ser dada às raças nativas, como a Moxotó e a Canindé, e a grande maioria do rebanho nordestino, que não apresenta uma padronização, mas apresenta uma série de características comuns, são bem adaptadas àquelas condições e que constituem o grande efetivo nacional. 5. Considerações finais Se as considerações fossem baseadas na situação atual da caprinocultura de corte nacional, nos índices de produtividade alcançados pelos produtores e na adequação dos sistemas às diferentes realidades, o quadro seria desanimador. A outra alternativa é considerar o potencial do Brasil para o desenvolvimento dessa atividade, o tamanho do rebanho nacional e as perspectivas de mercado tanto nacional quanto mundial. A opção mais adequada parece ser reconhecer as limitações atuais da atividade, tanto no campo tecnológico quanto de organização, para determinar onde há necessidade de maior atenção
    Caprinocultura 7 e investimento, seja por parte dos produtores, seja por parte dos fornecedores de insumos, consumidores e governo. Se isto for feito de maneira séria e organizada, o Brasil poderá, em breve, ser o mais importante país no cenário da caprinocultura de corte mundial. Se isso não for feito, se prevalecer o interesse de uns poucos, de grandes lucros hoje e nenhuma preocupação com o amanhã, a caprinocultura será mais uma atividade mal explorada, onde poucos ganharão muito e a A cabra foi o segundo animal domesticado, há mais de 10 mil anos, quando houve a chamada Revolução Neolítica, com o Homem aprendendo a plantar e a domar os bichos, para seu proveito. Antes dela, foi o cachorro, como parceiro nas andanças à cata de alimentos silvestres. Comida e companhia, são o essencial para a vida humana, até hoje. 

    A Bíblia, além de um elo entre o Homem e a Divindade, contém, em certo sentido, a crônica da vida de um povo numa região seca. Fala em cabra 130 vezes e as ovelhas permeiam seus textos, além de ensinar a viver com dignidade, quando nada, no horizonte de uma pobreza honrada. O menino Jesus ao nascer, foi acomodado sobre um travesseiro feito com feno, numa manjedoura que tinha em volta de si, uma vaca, uma cabra, uma ovelha e um jumento, frutos da atividade predominante no semi-deserto de Belém e Nazaré, num simbolismo revelador, do que significa a Pecuária para uma zona seca.

    A cabra é o ruminante mais expressivamente disseminado, pela mais fácil adaptação de suas funções produtivas ao calor, ao frio, ou à seca de cada pedaço do mundo e, dependendo do lugar, uma é preferida por causa do leite, outra por causa da pele ou dos pêlos e, das duas, se aproveita a carne enxuta como bom alimento.
    No Brasil não havia cabras nativas. Vieram inicialmente, como nós, da Península Ibérica e depois, em menor escala, nos navios negreiros da África, logo preferindo expandir-se no Nordeste, por onde o Brasil da civilização ocidental começou, como que dizendo que ali era seu lugar e era bom.

    O menosprezo às Cabras foi muito grande aqui. Desde as Instituições Oficiais (Ministérios, Órgãos de Ensino e Pesquisa ou de Financiamento) até os fazendeiros, que além da herança colonial (os portugueses não cuidavam muito de cabras, ao contrário dos espanhóis), defendiam suas lavouras lotéricas da fama de esperteza e traquinagem das cabras.

    Largadas na Caatinga aberta comum, a seleção natural foi negativa para a função leiteira, porém geneticamente muito valiosa para rusticidade, prolificidade e qualidade da pele. A primeira iniciativa oficial de classificar uma raça e proceder ao seu melhoramento, só veio ocorrer em 1934/35, aqui em Pernambuco, por iniciativa de Dr. Renato Farias, então Diretor da Secretaria de Agricultura, avistando e enxergando o tipo predominante no vale do Rio Moxotó.

    Cada região do mundo, tem suas raças animais bem definidas. De vacas, cavalos, cabras, ovelhas e, até, galinhas. Basta ver que os nomes dessas raças incluem sempre uma referência ao lugar onde elas se formaram: boi Hereford, cavalo Andaluz, cabra Murciana, ovelha Morada Nova, galinha Plymouth, etc. Leio nisso uma insinuante correlação dos animais com clima, ambiente, cultura, compatibilidade..... produção. Aqui no Brasil, fisiograficamente tão diversificado e com um potencial pecuário sem similar no mundo, ainda não é bem assim. Importam animais do Hemisfério Norte, importam suas doenças para importar os remédios e a comida, sem importar também o clima e a política agrícola de lá.

    As cabras nativizadas, por exemplo, cujos tipos o povo sertanejo bem definiu - Surrão, Moxotó, Canindé, Marota, Cabra Azul, Graúna, etc. - de cada um destacando uma vantagem, foram oficialmente rotuladas de SRD - Sem Raça Definida - convertendo o Brasil no único lugar do mundo onde suas cabras não têm, sequer, o direito ao batismo, sendo arroladas num pacote só, transcendendo a desdém e desvalorização. Confundiram o conceito de raça com o de padrão racial - atribuição de Órgãos Oficiais - que um comportamento subdesenvolvido e servil só soube estabelecer para as cabras de fora, com uma rotulagem de "P.O.Is" (Puras de Origem) que encanta e até deslumbra a muitos amadores desavisados e técnicos de alma alienada.

    Por uma perniciosa deformação cultural, em larga medida, brasileiros ainda se mantêm com o umbigo e a mente presas no Estrangeiro, como quem cultiva um complexo de inferioridade, colonial, negativo, menor. Um estadista paraibano - João Suassuna - já escreveu um documento de Governo (1926): "somos um Povo sugestionado pela política inferior do decalque.... ." No trabalho na terra, essa anomalia se exacerba, porque a diferença entre o mundo temperado e o tropical, mais que noutro campo do conhecimento e da vida, deveria impedir a prática do adotar sem adaptar, conceitos e técnicas somente aplicáveis em regiões de clima regular.

    Um país pode crescer com o aumento de seu PIB. Uma Nação só cresce com um caráter, uma fidelidade ao seu passado, uma luta pela sua identidade. Uma expressão de Ariano Suassuna falando sobre Arte em geral, bem completaria essa afirmação, dizendo que, só assim, "..... o que vier de fora, em vez de uma influência que nos descaracteriza e esmaga, passa a ser uma incorporação que nos enriquece".

    A identidade e o caráter das plantas, dos animais, do chão da terra e a forma de trabalhar nele, pedem consideração análoga, para que possam prestar. 

    O pesquisador e mestre zootecnista sul-africano Jan C. Bonsma, em conferência no Brasil (1982), sugeriu: "Sejam impiedosos no descarte seletivo para o melhoramento do gado, quanto a: 1º) adaptabilidade às condições locais, 2º) fertilidade, 3º) precocidade, 4º) conversão de alimentos, 5º) docilidade..... . 

    Marcus Catão, tribuno romano, ano 184, em sua obra "De Agriculturae", consultado sobre qual o melhor emprego das terras no trabalho rural, respondeu: 1º) Proveitosa criação de gados, 2º) Criação de gados com lucros modestos, 3º) Criação de gados sem lucros e 4º) O aramento de terras.... . Pensar no que ele disse, pensando no semi-árido, quando se valoriza muito a proteção do ambiente e do solo, é, ainda, mais pertinente.

    O pessoal da OCDE, discutindo a proximidade do "food power" prevalecer no concerto das grandes potências do mundo, já dizia (1983): "..... entre os tesouros mundiais, destacamos o espaço agricultável do Brasil.....", e mais, "..... que poderá produzir a carne mais barata do mundo, porque detém o milagre mundial do boi de fotossíntese .....". A conversa deles cheira, historicamente, a exploração, egoísmo, imposição, impiedade social, ou, para usar equivalentes atuais, a "competitividade" e "mercado globalizado".

    Não temos 1/3 do tempo sob friagens radicais e neves espessas. O zootecnista inglês T.R. Preston (1977) num Ensaio designado "Estratégia para Produção de Bovinos nos Trópicos", garantia que "..... os trópicos oferecem possibilidades de rendimento por unidade de área e de viabilidade econômica, que superam em muito as perspectivas atuais e mesmo futuras dos países de clima temperado". Adiante, criticando "..... as crenças ensinadas nos compêndios de Zootecnia sobre a especialização de bovinos para produzir leite ou carne", propõe que se confine "..... sobretudo na função do rúmen" e não se ponham os animais a competir com o homem pelo consumo de cereais e, por fim, afirma "..... já que necessitamos tanto de carne como de leite, a base de toda a estratégia pecuária racional é considerar as duas produções conjuntamente", fundamentando a genética da dupla função.

    Para as cabras nordestinas, essa afirmação torna-se ainda mais efetiva, pois, despidas dos pêlos longos que traziam, desenvolveram uma 3ª função econômica, convertendo sua pele num elemento ainda mais valioso do que a carcaça, para a fabricação das mais diversas utilidades humanas. 

    A não ser para a pequena parte irrigável artificialmente, onde produzimos qualificadas frutas, existe um triste contraste entre as realidades - boas e más - da zona seca e os mecanismos institucionais de lidar com elas, desde o ensino/pesquisa até a política de produção e assistência.

    A chamada Civilização do Couro, foi a fase mais próspera da Economia Nordestina. Técnicos argentinos, falando sobre o Chaco Seco de lá (1980), que tem a mesma extensão que o nosso Polígono das Secas, afirmam: "..... de acordo com a nossa experiência, quanto mais seca a região, sempre que se disponha de pasto e água, tanto maior é a produção pecuária" e mais: "..... estamos em condições de afirmar que todo plano puramente agrícola nestas regiões, está, de antemão, condenado ao fracasso. O risco das colheitas é demasiado grande para ser a base da exploração".

    O Brasil com o Nordeste seco bem incluído, tem a vocação e o destino de ser também, a grande Nação agropecuária, sobretudo Pecuária, do mundo. Basta neutralizar mentes coloniais e Ter a dignidade de estabelecer uma política decente de financiamentos rurais, calcada em parâmetros tecnicamente corretos e ajustados para cada região fisiográfica. Tomando o Brasil como referência para pensar o Brasil e a peculiar semi-aridez no NE para o NE. 

    O Nordeste é seco. O inverno é um pequeno intervalo de tempo entre dois estios, que, às vezes, se emendam. A grande vocação das terras secas é Pecuária de ruminantes e isso já começa a ser considerado, graças a Deus. Por mais óbvia que seja, quase sempre é preciso repetir uma mesma idéia até cansar. Há uma dramática não decisão em relação à semi-aridez do NE. Os moradores do semi-árido são credores do Brasil

    À medida que se está ideologicamente revogando a "filosofia da água", do "combate à Seca" - a água passando a ser buscada para resolver o problema da sêde, o uso primordial e sem alternativas que água tem e não o da fome, como "fator de produção" excludente, e vai clareando o caminho técnico-cultural-político de viver em sintonia com a Natureza desse mundo áspero, bonito, possível e mal tratado do sertão das águas desarrumadas, a Pecuária de múltipla função, sobre vegetais perenes, integrada por Bovinos, Caprinos e Ovinos, bem adaptados ao ambiente, recriará a Civilização do Couro em novas bases e o semi-árido poderá se transformar, também do ponto de vista da produção e da prosperidade, num belo pedaço do Brasil. A raça das plantas, como raça dos animais, para cada latitude, é um fator fundamental. 

    Nesse quadro amplo e verdadeiro, o papel que tem a Caprinocultura, é da maior significação. O consumo de leite de cabra, assim como o de carne, é muito pequeno ainda, no Brasil. As peles das cabras e das ovelhas deslanadas formadas no NE, estão entre as melhores do mundo, embora os criadores ainda não ganhem nada com isso e não haja uma preocupação firme com a preservação dessa qualidade, sobretudo pela importação de animais da Inglaterra, Estados Unidos e de outros ambientes nevados.

    O uso de leite de cabra nas cidades maiores começou há pouco tempo, pelo IMIP (Instituto Materno Infantil de Pernambuco), no Recife - iniciativa qualificada de seu dirigente, Prof. Malaquias Batista. Depois, ainda no Recife, geriatras começaram a prescrevê-lo na dieta dos mais velhos, copiando corretamente a sabedoria sertaneja, que já alimentava com leite de cabra, seus filhos, seus avós e a família inteira.

    Na Paraíba, só em Março de 1990, fomos nós que começamos a mandar parte do leite para consumo direto em Campina Grande e na Capital, o restante para o Rio e São Paulo, sob a forma de queijos maturados.

    O trabalho de preservação com regeneração (castiçamento), das cabras nordestinas, através do uso leve do sangue de suas homólogas pirenaicas atuais, iniciado em 1971, tentando somar virtudes, em rica parceria ideológica com meu primo de sangue e amante do mundo a partir do sertão, Ariano Suassuna, resultou, até, em nos "acusarem" de ter "inventado" cabra, esse animal bíblico, que já garantia a sobrevivência de persistentes nordestinos, à margem remota das secas, há mais de 400 anos. Na Fazenda, as cabras tomaram o lugar, com grande vantagem, do penar e do risco das lavouras temporárias, aumentando, inclusive, a ocupação de mão-de-obra, em relação à que trabalhava no tempo da loteria dos roçados.

    Atualmente, mais de uma dezena de produtores, já pasteurizam leite de cabra para consumo urbano, no Estado, e a carne vai passando a ser iguaria disputada em restaurantes.

    Um exemplo formidável do potencial da Caprinocultura, muito recente, nos dá o Rio Grande do Norte. A articulação entre Associações de Criadores e Governantes igualmente conscientizados, levou à substituição do leite importado, por leite fluido produzido lá, para a merenda nas escolas e suplementação alimentar dos carentes, o Estado assumindo a tarefa quando o Governo Federal cancelou o "Programa do Leite", pela mão do 1º Fernando apátria que assaltou o Poder Nacional.

    Essa atitude estadual teve o duplo propósito: manter a melhoria alimentar de necessitados, enquanto apoiava, na base, a atividade essencial do semi-árido potiguar, tradicional produtor de carne-de-sol e queijos.

    No programa de leite de vaca, que já cobria todo o Estado, foi aberto um espaço para o leite de cabra, no começo de 1998, ano de terrível seca. Dos 26 litros (R$ 0,75/litro, ao produtor) do dia 1º de abril, quando começou, logo alcançaram os 2.000 litros/dia do Convênio Inicial e já coletam hoje mais de 10 mil litros. O Rio Grande do Norte, em dois anos, obteve a maior redução na taxa de mortalidade infantil, garante a manutenção de milhares de empregos positivos no campo e reduziu o número de alistados nas "frentes de emergência" das secas posteriores que, por sinal, mudaram agora, mais uma vez, de nome, embora mantendo a mesma inversão de foco: em vez da atividade permanente do trabalho nas glebas, preferem a hipocrisia no trato da circunstância.

    Já funciona em Lages RN, a parte de abatedouro de pequenos ruminantes e instalam o Curtume anexo, além da Usina de desidratação de leite, da Associação de Criadores do Sertão do Cabugí, a iniciativa particular começando a suceder o Estado na ampla vereda que, cumprindo o seu papel decentemente abriu e garantiu. A natural convergência do interesse pelos três produtos - leite, pele e carne, bem demonstra a vantagem do Nordeste e suas cabras, sobre a especialização de raças de outros mundos, incorporando à prática, o que se sabe da superioridade de um mundo sem neve para produzir comida e utilidades, vindas do chão e do sol.

    Com a média diária de 132 mil litros de leite de vaca e 10 mil de cabras, o dispêndio do Estado pouco passa de 1% - um porcento - do orçamento anual. No setor da Saúde deve economizar mais do que isso, sem contar qualquer ICM, pelo aumento do poder de compra dos sertanejos. O Estado já se tornou auto-suficiente no abastecimento do leite.

    Quando começamos aqui na Carnaúba, o que havia publicado sobre Caprinos, no Brasil, era pouco e pobre, sobre raças, instalações apropriadas e manejos alimentar e sanitário. No máximo, eram simplórios decalques de outros mundos, onde, para começar, a neve impõe o confinamento radical dos animais, os rebanhos são pequenos, há sobra de cereais e fortes subsídios financeiros à produção.

    Pela via de errar e consertar, adaptando para as cabras o que sabíamos sobre Bovinos, escapamos dos modismos simplórios e nos fixamos, afinal, em trabalhar com as belas cabras da Caatinga Nordestina, com seleção dentro dos agrupamentos, ou repasse leve de reprodutores europeus homólogos, em instalações que nos custaram muito fazer e desmanchar. Segundo a acuidade de Ariano Suassuna, somo criadores de cabras IBERO-BRASILEIRAS, VERMELHAS, BRANCAS, NEGRAS e AZUIS, até por analogia e reverência ao povo brasileiro, na sua síntese entre brancos europeus, negros africanos e índios daqui mesmo.

    Mantemos com o Departamento de Zootecnia da UFPB, um Convênio de cooperação, desde 1989. Vou resumir em seguida, dados dos Controles que são feitos, incluindo, os da Avaliação Econômica do chiqueiro das cabras, apurados de 1990 até 1999, como informação que possa servir a outros criadores. A separação do tempo, para alguns, em antes e depois de 1994, se deve às conseqüências de terrível doença, até hoje não esclarecida, que naquele ano, causou enorme estrago por si e suas seqüelas:

    REBANHO TOTAL MÉDIO (10 ANOS): 305 adultos e 129 cabritos

    CONSUMO MÉDIO DE ALIMENTOS, EM TONELADAS POR ANO:

    88 - capim elefante
    164 - palma forrageira
    48 - casca de mandioca 28 - farelos 26 - diversos (feno, piolho de algodão, etc.) 2 kg de pasto/por cabeça/dia, até os meses de julho/agosto, dependendo da chuva.

    TAXA ANUAL DE MORTALIDADE, SEPARADAMENTE, PARA CABRITOS E PARA O REBANHO TODO, EM PORCENTAGEM:

    1990 a 1993: 12,0 e 10,4 1994 a 1997: 35,5 e 28,5 1998 a 1999: 27,1 e 18,4
    Globalmente: 1990 a 1999: 24,2 e 19,2

    TAXA ANUAL DE DESFRUTE (NASCIDOS + VENDIDOS - MORTOS, SOBRE O TOTAL DO 1º DIA DO ANO)

    1990 a 1993 - 144,6 %
    1994 a 1997 - 64,5 % 1998 a 1999 - 122,9 % Taxa Global: 1990 a 1999 = 104,2 %

    PRODUÇÃO DE CRIAS:

    1990 - 1993 = 2,17 cabritos/cabra/ano 1994 - 1997 = 1,52 cabritos/cabra/ano
    1990 - 1997 = 1,86 cabritos/cabra/ano Moxotós: 1,7 cabritos/parto Graúnas: 1,6 cabritos/parto Pardas: 1,5 cabritos/parto
    RECEITA EFETIVA DO CHIQUEIRO, COM LEITE E A VENDA DE ANIMAIS (10 ANOS)

    Leite: 69,5 % Venda - abate: 11,2 % Venda - recria: 19,3 % Receita mensal, por cabra adulta: R$ 7,53 Despesa mensal, por cabra adulta: R$ 7,05
    Saldo: R$ 0,48 
    O preço do leite variou, nesses anos, de 0,85 até 1,10 reais, por litro, com produção média de 1,7 litros/dia para novilhas e cabras e são ocupadas entre o Chiqueiro e a Queijeira 8 pessoas, incluindo a técnica encarregada da supervisão e controle zootécnico. 
    O detalhamento desses números (em anexo) acrescenta esclarecimentos e, por tudo, vou comentar algumas conclusões que podemos inferir, umas muito positivas e outras que recomendam prudência e reivindicação:

    1 - Pelo consumo médio das rações, uma gleba que possa ter 1 ha de capim elefante, dois revezos de capim buffel e 1,5 ha de Palma Forrageira, considerando a aquisição fora da Fazenda de farelos e outros subprodutos industriais, poderá manter em produção um rebanho de 300 cabras;

    2 - A receita do leite é fortemente majoritária, comprovando aqui, o que acontece no mundo inteiro: caprinocultura começa pelo leite, depois vem a produção de peles e depois o da carne;
    3 - O equilíbrio entre rusticidade e funções produtivas é da maior importância. Enquanto as Pardas pariam vezes, as Moxotós pariam 3, porque o repasse da Moxotó da França (Alpina Francesa Mantelada) foi mais leve. Tive de voltar com um Gurguéia pé duro, nas Pardas. O uso mais recente (1995) de Murcianas, nativas do árido Sul da Espanha e de superior resistência e produção, pode deslocar aquele Ponto de Equilíbrio, das Brancas para as Negras. A rusticidade delas eqüivale à das Graúnas, e transformam muito bem, capim Buffel, Feijão Brabo, Feno de Maniçoba, Malva Branca, casca de Mandioca ou Jureminha em rico leite e carcaça bem coberta.

    4 -  Eu já sabia que se confunde muito volume aparente com peso específico, em Bovinos, e que vaca Holandesa para produzir aquele leite todo, precisa comer comida de gente e viver sob banhos e ventiladores. Foi do que nos lembramos para correr dos Bujhs, Nubianos e cabras Saanens, por onde começamos, entrando no "moda" daquele tempo e se assustando com os custos e as ineficiências, até aprendermos que animais de porte médio são mais econômicos e que a maior produção não significa maior lucro;

    5 - As grandes doenças de Cabras são verminose e linfadenite. Depois de muito apanhar da primeira, obedecendo às bulas dos vermífugos (vacina de 6 em 6 meses, "no início das águas" e no "início da estação seca") e à conversa de que no sertão seco não havia lombriga, passamos a fazer aplicações regulares de vermífugos e controlar o mal do caroço com precoces injeções de formol, por sugestão de um amigo médico, depois de cansar as costas, acocorado para fazer cirurgias de remoção do pus, que, por mais que cuidasse, deixavam resíduos contaminadores.
    Cabra é como índio - rústico mas de saúde frágil - parecendo que quanto mais viva solta, mais saúde e produção apresentam. Mais que para outro animal, a Veterinária deve ser preventiva, condicionando desde as instalações até o uso de medicamentos, mesmo no saudável clima seco do semi-árido.
    Há surtos endêmicos de problemas sanitários, muito esquisitos e prejudiciais. O manejo dos cabritos é exigente, se se vai tomar o leite das mães, para consumo humano. As taxas de mortalidade são pesadas, embora menores do que nos começos, e muita gente as considera normais. Eu, não. As dos Bovinos mal chegam a 2 % ao ano, e só penso que das cabras, pode se aproximar disso.

    6 -  Nesse simples conjunto de dados, já fica bem evidente o que faz um ano de seca maior, na queda dos índices produtivos e no aumento dos custos de criação, afora o período seco de 8 ou 9 meses, normal, de cada ano. O cio das cabras não depende apenas do nível de nutrição. Quando a seca aperta, é que se exagera mesmo, a falta de apoio de uma Política Agrícola decente referida à diversidade fisiográfica do Brasil e ao potencial de produção de cada região.
    Política Agrícola é, essencialmente, Crédito Rural, de Investimentos e Capital de Giro, e além daí, o que há é muito academicismo, é tecnocrata maniqueísta praticando a arte de explicar porque não se faz. É horrível, sobre esse assunto, agüentar tanta erudição da inteligência e tanta exaltação do secundário. Nos países desenvolvidos, Crédito Rural é assunto resolvido, lá nos começos. Técnicos e Governantes, já discutem é sobre o tipo e volume dos SUBSÍDIOS da Política que praticam. No Brasil, o Crédito Rural, que é um "insumo de produção" e, portanto, um problema de parâmetros técnicos, nunca foi uma atribuição do seu Ministério da Agricultura. No semi-árido, então, nunca se perguntou à sua produção agrária, qual sua capacidade de remunerar capital. Taxas de juros, prazos de carência e amortização, continuam sendo fixados ao sabor do arbítrio de burocratas urbanóides, que nunca sequer entraram numa Fazenda, para saber como funciona. A falta dessa política pública é uma ameaça à expansão possível dessa produção pecuária, que vivia arquivada no abandono do sequeiro do Nordeste há tanto tempo e agora toma contornos positivos;

    7 - O custo de produção de leite de cabra é maior que o de vaca, mesmo essas vacas sendo zebuínas de dupla função, como Guzerá ou Sindi e as cabras também sendo rústicas. Por isso e porque seus glóbulos sólidos são menores, os queijos têm valor de iguaria qualificada no mundo inteiro, assim como a carne sadia e enxuta dos caprinos cresceu de importância, à medida que os médicos descobriam os inconvenientes das carnes entremeadas de gordura e colesterol;

    8 -  A comercialização de leite e carne de caprinos, normalmente produzidos em pequenas quantidades individuais, requer um nível de articulação e organização, ainda menor, que para outros produtos;
    Na contramão do roteiro clássico da migração dos nordestinos da seca, larguei a Engenharia Urbana de antes e assumi, por morte desavisada do Pai, o cuidado da Fazenda, sem considerar isso uma condenação. Desenvolvi com o Cariri da Seca, uma relação intensa, funda e inevitável, no tempo e empenho integrais que lhe dediquei, há mais de 30 anos.
    Após crescer a clareza e a crença no potencial do semi-árido, de tanto Ter que digerir o contraste entre o viável de fazer e o que acontece, em relação a esse meu mundo, sem perder nem por um instante a fé, freqüentemente cometo o pecado da ira. Às vezes penso que ainda falta completar a Revolução Neolítica do Nordeste seco.As Guzerás, as cabras e as ovelhas deslanadas me pacificam depois, e a esperança ganha do medo de não ver o Nordeste assumir sua seca e seu caminho verdadeiro.

    Taperoá, agosto de 2001



    CHIQUEIRO DAS CABRAS - CONSUMO DE ALIMENTOS1990 - 1999
    REBANHO                                                                    RAÇÕES- toneladas/ano
    AnoAdultosCabritosCapimPalmaMandiocaFarelosDiversosPastos
    199033114310424511450--
    1991343167108851104424-
    1992315185115129583013124
    1993317212107290163850-
    19943336579112112414125
    199526010778584221880
    19963219812814312264695
    19973171069319359142186
    19982839955267-213826
    199922910317119-1031107
    Médias305129881644828262 kg/cab



    Chiqueiro das cabras - RECEITAS 1990 - 1999

    R$                                 %                            Preço    R$/adulta/mês
    AnoReceita efetivaLeiteAbateRecria$/litroReceitaDespesa
    199039.33674,39,716,00,829,99,3
    199133.08477,53,718,80,888,06,3
    199226.73277,37,115,60,867,05,5
    199320.57962,426,211,40,815,47,6
    199420.56171,511,217,30,855,23,6
    199524.98881,44,314,30,858,06,0
    199631.25182,06,111,90,958,111,5
    199718.32568,38,623,10,854,86,6
    199825.11143,124,032,90,867,47,6
    199931.67756,811,331,91,1011,56,5
    Médias27.16469,511,219,37,537,05

    CHIQUEIRO DAS CABRASÍNDICES DE PRODUÇÃO E REPRODUÇÃOa

    TAXAS  % Mortalidade
    AnoCabritosReb. Tot.Desfrute
    199015,212,6-
    199110,68,6156,5
    199214,411,3104,4
    19937,89,2173,0
    199465,547,661,2
    199523,421,076,9
    199623,722,471,5
    199729,322,748,2
    199826,919,7112,1
    199927,317,0133,7
    Médias24,2119,21104,2

    
    
    TAXA ANUAL DE MORTALIDADE - %
    
    1990 - 1993: 12,0  10,4
    1994 - 1997: 35,5  28,5
    1998 - 1999: 27,1  18,4
    Sem 1994:     17,8  15,4
    Com 1994:     23,8  19,4
    Tudo:     24,4  19,2
    
    TAXA ANUAL DE DESFRUTE - %
    
    1990 - 1993: 144,6
    1994 - 1997: 64,5
    1998 - 1999: 122,9
    1990 - 1999: 104,2
    
    CRIAS / CABRA / ANO
    
    1990 - 1993: 2,17
    1994 - 1997: 1,52
    1990 - 1997: 1,86
    
    CABRITOS / PARTO
    
    Moxotó - 1,7
    Graúna - 1,6
    Parda - 1,5

  • maioria esmagadora amargará repetidos prejuízos. Será mais um vazio no cenário nacional...

Nenhum comentário:

Postar um comentário