sexta-feira, 24 de julho de 2015

CELULAS

As células, base dos estudos de biologia - fundamentais para a prova do Enem -, foram descobertas com o auxílio de um microscópio pelo cientista inglês Robert Hooke (1635 – 1703), a partir de uma cortiça que tem a função de proteger os troncos das árvores. Ele observou pequenas cavidades que seriam a parede celular das células mortas e deu-lhes o nome de células (diminutivo latino de cella, lugar fechado, pequeno cômodo).
Na década de 1820, foi feita outra descoberta, a visualização do núcleo. Na década de 1830, um botânico e um zoólogo concluíram que a célula era a unidade básica de todas as plantas e animais. Assim surgia o conceito de que todos os seres vivos são formados por células (teoria celular). Mais descobertas foram feitas ao longo do século XIX, quando concluiu-se que a célula corresponde à unidade morfológica e fisiológica dos seres vivos.

ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS CÉLULAS

Com base em estudos, as primeiras células surgiram na terra há 3,5 bilhões de anos, no começo do período pré-cambriano. A hipótese é que componentes da atmosfera primitiva, composta por amônia (NH_3_3), metano (CH_4_4), água (H_2_2O), gás hidrogênio (H_2_2) e gás carbônico (CO_2_2) sofreram influência de descargas elétricas oriundas de tempestades frequentes, dos raios ultravioletas e do calor. Com isso, os componentes combinaram-se formando as primeiras moléculas orgânicas. Tais moléculas teriam se aglomerado, formando aglomerados protéicos e, assim, dado origem às primeiras formas de vida primitivas, que se alimentavam dos compostos carbônicos inorgânicos presentes nos aglomerados, ou seja, seriam heterotróficos (hetero = diferente; trofo = alimento). A partir do metabolismo desses aglomerados, formaram-se novos compostos.
Os primeiros seres primitivos teriam sido anaeróbios, já que ainda não existia oxigênio na atmosfera. Outra característica é que esses seres teriam a capacidade de se auto reproduzir, mantendo sua individualidade, ou seja, seu DNA. Mecanismos evolutivos favoreceram o surgimento de organismos autotróficos, que utilizavam o gás carbônico, água e energia do sol para produzir seu próprio alimento. Com isso, estes produziram oxigênio liberado na atmosfera durante o processo da fotossíntese, possibilitando o aparecimento de seres cada vez mais diversificados, complexos e pluricelulares. 
Os primeiros seres vivos seriam: Simples; Unicelulares; Heterotróficos; Fermentadores; Anaeróbicos.

HIPÓTESE DE ENDOSSIMBIOSE

Os primeiros seres vivos possuíam uma organização muito simples, eram procariontes (pro = primitivo; cario = núcleo). O processo evolutivo a partir dessas células mais simples originou células de organização mais complexas, chamadas de eucariontes (eu = Verdadeiro) 
Uma das hipóteses mais aceitas para o processo evolutivo das células eucariontes defende que as células procariontes teriam englobado células bacterianas determinando uma relação ecológica chamada de simbiose, pela qual a célula fornece proteção do meio externo e nutriente e o microrganismo favorece maior rendimento e aproveitamento energético através do processo de respiração celular, sendo assim mutuamente vantajosa. Diante disso, as mitocôndrias e cloroplastos são organelas supostamente derivadas desta associação (FIGURA 1).
Origem e evolução das células e hipótese de endossimbiose (Foto: Reprodução)Figura 1 (Foto: Reprodução)
A hipótese de endossimbiose foi formulada pela microbiologista americana Lynn Margulis em 1981, no livro “Symbiosis in CellEvolution”. As mitocôndrias possuem dupla membrana, assim como muitas bactérias, e a membrana interna das mitocôndrias não são similares à membrana citoplasmática das células. As mitocôndrias e cloroplastos também possuem seu próprio DNA em forma circular - assim como as bactérias - e sua própria síntese de proteínas, que não interferem na atividade da síntese nuclear. Além disso, os ribossomos dessas organelas encontradas nas células eucariontes são semelhantes aos ribossomos nas células procariontes, favorecendo assim a ideia da teoria da endossimbiose.
Apesar de aceita pela comunidade científica, algumas questões ainda são levantadas com relação à hipótese endossimbiótica, pois experimentos mostraram que essas organelas não sobreviveriam fora da célula e que algumas proteínas codificadas pelo DNA nuclear são essenciais para o funcionamento das mitocôndrias e dos cloroplastos. No entanto, essa associação, ao longo de milhares de anos, poderia ter ocasionado uma associação dependente que sofreram uma coevolução com as células.

EXERCÍCIOS

1) ENEM 2002 - Na solução aquosa das substâncias orgânicas prebióticas (antes da vida), a catálise produziu a síntese de moléculas complexas de toda classe, inclusive proteínas e ácidos nucléicos. A natureza dos catalisadores primitivos que agiam antes não é conhecida. É quase certo que as argilas desempenharam papel importante: cadeias de aminoácidos podem ser produzidas no tubo de ensaio mediante a presença de certos tipos de argila. (...) Mas o avanço verdadeiramente criativo que pode, na realidade, ter ocorrido apenas uma vez ocorreu quando uma molécula de ácido nucléico aprendeu a orientar a reunião de uma proteína, que, por sua vez, ajudou a copiar o próprio ácido nucléico. Em outros termos, um ácido nucléico serviu como modelo para a reunião de uma enzima que poderia então auxiliar na produção de mais ácido nucléico. Com este desenvolvimento apareceu o primeiro mecanismo potente de realização. A vida tinha começado.
Adaptado de: LURIA, S.E. Vida: experiência inacabada. Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1979. 
Considere o esquema abaixo:
Origem e evolução das células e hipótese de endossimbiose (Foto: Reprodução)
O "avanço verdadeiramente criativo" citado no texto deve ter ocorrido no período (em bilhões de anos) compreendido aproximadamente entre (A) 5,0 e 4,5. 
(B) 4,5 e 3,5.
(C) 3,5 e 2,0.
(D) 2,0 e 1,5.
(E) 1,0 e 0,5. 
Resolução: letra B Há 4,5 bilhões de anos, o surgimento do primeiro ácido nucléico, com a sua capacidade de autoduplicação e, portanto, reprodução, deu origem à vida. Há 3,5 bilhões de anos, o surgimento das primeiras células originou os ancestrais dos organismos que hoje classificamos nos Reinos Monera, Protista, Fungi, Animalia e Plantae(vegetais). 
   
2) UERJ 2012 - Durante o processo evolutivo, algumas organelas de células eucariotas se formaram por endossimbiose com procariotos. Tais organelas mantiveram o mesmo mecanismo de síntese proteica encontrado nesses procariotos.
Considere as seguintes organelas celulares, existentes em eucariotos:
1 - mitocôndrias
2 - aparelhogolgiense
3 - lisossomas
4 - cloroplastos
5 - vesículas secretoras
6 - peroxissomas 
Nas células das plantas, as organelas que apresentam o mecanismo de síntese proteica igual ao dos procariotos correspondem às de números:
a) 1 e 4
b) 2 e 3
c) 3 e 6
d) 4 e 5 
Resolução: letra A
A questão aponta para as noções de teoria endossimbiôntica. Segundo essa teoria, as mitocôndrias e os cloroplastos devem ser derivados de organismos procariotos que invadiram outras células há milhões de anos e associaram-se a elas, estabelecendo uma relação de benefício mútuo, uma simbiose. 
A menor unidade da vida é a célula. Todas as funções e características dos seres vivos dependem das células que os constituem, pois as células são as unidades morfológicas e fisiológicas de todos os organismos vivos no planeta. Células originam outras células e podem tanto ter vida livre (como muitas bactérias), ou, quando se associar, formar colônias e até organismos multicelulares (como é o caso dos seres humanos).

É possível dividir as células em dois grandes grupos: o grupo das células procarióticas e o grupo das células eucarióticas. A origem dos termos é grega; o termo “pro” significa primeiro (ou anterior) e o termo “eu” significa verdadeiro. Já “cario” vem do grego karyon, termo que faz referencia a “núcleo”. Logo, procariontes são células que não possuem um núcleo verdadeiro – ou seja – um núcleo bem definido e revestido por membrana, mas elas costumam apresentar uma região normalmente central, conhecida como nucleóide, onde se encontra o material genético. O nucleóide das células procarióticas é anterior ao núcleo das células eucarióticas, surgindo primeiro na história evolutiva das células. Em células eucarióticas (eucariontes) o material genético encontra-se em um envoltório nuclear membranoso denominado carioteca.

Contudo, essas não são as únicas diferenças entre esses dois grandes grupos de células. Existem várias outras características que podem diferenciar células eucarióticas de células procarióticas. Células eucarióticas, por exemplo, possuem - em seu citoplasma - diversas organelas membranosas responsáveis por diversas atividades fisiológicas fundamentais dos eucariontes. Estas organelas membranosas citoplasmáticas estão ausentes em células procarióticas. Outro exemplo de estrutura celular exclusiva de células eucarióticas é o citoesqueleto. O citoesqueleto corresponde a uma serie de microfilamentos protéicos responsáveis pela integridade estrutural, aquisição da forma, pelo transporte das já citadas organelas e, muitas vezes, pelo movimento celular de seres eucariontes. Enfim, várias outras diferenças podem ser mencionadas aqui, mas esta abordagem mais aprofundada não é o objetivo do presente artigo.

Talvez, um dos fenômenos mais importantes na história da vida na Terra tenha sido o surgimento das células eucarióticas, pois elas possibilitaram que os organismos vivos adquirissem maior complexidade ao longo da evolução, com isso, novas funções, interações e adaptações puderam ser desenvolvidas pelas formas de vida até então existentes.


Origem primitiva da linhagem das mitocôndrias e dos cloroplastos


Segundo a teoria cientifica mais aceita atualmente, as mitocôndrias e os cloroplastos, duas organelas celulares que hoje conhecemos, surgiram por eventos de simbiogênese entre células hospedeiras e procariontes. A Simbiogênese é definida como o surgimento de uma nova classe de organismos como resultado de uma associação simbiótica favorável. Porém a história das mitocôndrias e cloroplastos começa muito antes disso.

Acredita-se que os primeiros organismos vivos a surgir foram procariontes anaeróbios (há 3,5 bilhões de anos). Esses organismos unicelulares realizam um processo denominado fermentação para conseguir sua energia essencial. A fermentação é um processo ineficiente no que diz respeito ao saldo energético resultante. Porém, provavelmente, demorou mais algumas centenas de milhões de anos para que a vida desse o próximo passo, resultando em uma forma mais eficiente de adquirir energia. Esse ‘próximo passo’ reflete-se no surgimento de uma molécula funcional chamada clorofila. A clorofila é capaz de canalizar a energia da luz solar em energia química através do processo de fotossíntese. Com isso, alguns tipos de células passaram a tirar proveito dessa vantagem energética. Surgiram, assim, os procariontes fotossintetizantes. A fotossíntese também é um processo produtor de oxigênio (O2), dessa forma, tais células liberavam esse gás no ambiente.

O surgimento dos seres fotossintetizantes alterou completamente a atmosfera da Terra primitiva, gerando uma grande revolução na historia do planeta e redirecionando a evolução dos organismos vivos. O O2 liberado para a atmosfera foi se acumulando pouco a pouco com o passar dos milhões de anos. Em algum momento a concentração de O2 atmosférico se tornou favorável ao surgimento da respiração aeróbia (uma nova e vantajosa maneira de obtenção energética) e assim originou-se a linhagem de organismos que hoje conhecemos como procariontes aeróbios.

Nessa época, provavelmente, os ancestrais da linhagem que mais tarde originariam as mitocôndrias e cloroplastos surgiram.

Contudo, a respiração não foi à única vantagem que o oxigênio possibilitou para a vida na Terra. O acumulo de oxigênio na atmosfera possibilitou o surgimento de uma camada protetora na estratosfera terrestre. Esta é a famosa Camada de Ozônio, que protege os seres vivos contra as radiações ultravioleta, emitidas pelo Sol. Talvez o surgimento dessa barreira protetora tenha ajudado as formas de vida a se desenvolver e ocupar novos ambientes ao redor da Terra.



Origem das organelas membranosas e do envoltório nuclear

A hipótese mais aceita para o surgimento das organelas membranosas de células eucarióticas (com exceção das mitocôndrias e cloroplastos) é que a partir de mutação genética e seleção não aleatória de caracteres (e aqui entra a evolução por seleção natural), alguns procariontes teriam começado a sintetizar novos tipos de proteínas. Esse processo acarretou no surgimento do citoesqueleto celular que, como já comentado, traz várias vantagens adaptativas para a célula e, neste caso, não foi diferente. O citoesqueleto possibilitou as células realizarem movimentos de envaginação (projeção da membrana celular para fora da célula) e ivaginação (dobras da membrana celular para o interior da célula). Assim, supõe-se, a partir de evidencias que serão mostradas neste artigo, que as organelas membranosas surgiram a partir de invaginações favoráveis nas celulas – criando diversos centros funcionais especializados em diferentes atividades metabólicas – que hoje conhecemos como organelas celulares. Organelas como os lisossomos e o aparelho de Golgi teriam surgido dessa maneira. Esse mesmo processo foi responssavel pelo surgimento do envoltório nuclear (principal característica das células eucarióticas) que envolve e protege o material genético.



A Teoria da Endossimbiose

Evidências indicam que as mitocôndrias e os cloroplastos não tiveram a mesma origem das demais organelas membranosas de células eucarióticas, como já foi mencionado. Segundo a teoria da endossimbiose, proposta por Lynn Margulis, essas duas organelas surgiram a partir de interações mutuamente vantajosas entre organismos distintos.

Com o advento do citoesqueleto, os movimentos celulares possibilitaram o fenômeno da fagocitose. Na fagocitose o alimento é englobado por envaginações da membrana celular e a partícula englobada é então levada até o citoplasma e digerida. Possivelmente esse fenômeno ocorrera de forma que células procariontes englobadas não foram digeridas pelo fagócito (célula capaz de realizar a fagocitose), mas passaram a viver no interior dele em uma relação mutualistica - interação benéfica para ambos os organismos.

Procariontes aeróbios (os endossimbiontes) beneficiavam-se de proteção, ambiente favorável e nutrição necessária para suas atividades enquanto forneciam energia extra para a célula eucariótica maior (célula hospedeira). Isso teria originado as "protomitocôndrias”.

Fenômeno parecido deve ter ocorrido para dar origem aos cloroplastos, mas, no caso desses, as células englobadas foram procariontes fotossintetizantes que forneciam energia, originária da luz solar, às células hospedeiras.

Assim, células procariontes teriam passado a viver no interior de células eucariontes primevas, em simbiose. Essa simbiose seria bastante vantajosa para ambos os organismos, de modo que passaram a existir em co-evolução.

Com a endosibiose, genes do endossimbionte foram transferidos para o organismo hospedeiro como conta a Bióloga Sônia Lopez, em texto adaptado do livro Biologia Molecular e Evolução:
“Uma vez ocorrida a endossimbiose, genes do endossimbionte podem ser transferidos lateralmente para o núcleo da célula hospedeira. Os produtos desses genes devem ser então direcionados às organelas. Mitocôndrias e cloroplastos são, portanto, semi-independentes, já que necessitam dos produtos de alguns genes que agora são codificados no núcleo. Em alguns complexos enzimáticos, uma parte das subunidades é codificada pelo genoma nuclear e uma parte pelo genoma da organela. Transferências de genes entre mitocôndrias e cloroplastos também podem ter ocorrido. A transferência específica de genes entre os compartimentos celulares varia nos diferentes organismos. O mecanismo pelo qual se dá essa transferência lateral no interior das células não está estabelecido. Esses eventos de transferência intensificam a dependência entre organelas e núcleo, e provavelmente são essenciais à manutenção da associação endossimbiótica. Apesar de eventos de transferência e perda de genes ocorrerem provavelmente ao acaso, aparentemente existe uma direcionalidade, já que o núcleo apresenta uma tendência de adquirir genes, enquanto as organelas parecem perder genes redundantes. Uma explicação para essa direcionalidade seria que o núcleo é um ambiente geneticamente mais estável que as organelas.”

Isso demonstra que esses organismos criaram uma complexa relação interativa, onde os mecanismos de mitose são integrados. Células eucariontes não podem sobreviver sem mitocôndrias - da mesma forma que - eucariontes fotossintetizantes não podem sobreviver sem cloroplastos e, os endossimbiontes, não podem sobreviver fora dos hospedeiros.

Hoje, os procariontes com maior grau de parentesco com as atuais mitocôndrias são as bactérias pertencentes ao gênero Rickettsia; parasita intracelular obrigatório carregado por vários carrapatos, pulgas, e piolhos, e - em seres humanos - causador de doenças como o tifo.


Estimativas sobre a época de origem dos primeiros eucariontes têm sido obtidas a partir do tamanho das células em registros fósseis. Tais estimativas indicam que eucariontes fotossintetizantes já existiam há mais de 2 bilhões de anos atrás. Isso indica uma origem ainda mais antiga para as mitocôndrias, pois todas as células que apresentam cloroplastos também possuem mitocôndrias, indicando assim que as mitocôndrias precederam os cloroplastos.




Evidencias simples


Invaginação da membrana plasmática

Não é difícil, a partir do conhecimento da composição e estrutura das membranas celulares, evidenciar a Teoria da Invaginação da Membrana Plasmática. Para começar, a composição e a estrutura das membranas plasmáticas e das membranas das organelas celulares são muito semelhantes, indicando mesma origem. Além disso, existe uma peculiaridade muito interessante entre elas. Todas as membranas plasmáticas possuem, ao redor do seu lado extracelular, uma estrutura formada por carboidratos, responsável pelo reconhecimento molecular e comunicação intercelular. Essa estrutura na membrana plasmática é conhecida como Glicocálix. Curiosamente, nas organelas, tais carboidratos (possivelmente derivados do Glicocálix) estão voltados para o interior das organelas (para o lúmen da organela). Tal fato é uma forte indicação da origem invaginativa dessas organelas membranosas.

Origem endossimbiótica de mitocôndrias e cloroplastos

Fortes evidências favorecem a teoria da simbiose entre organismos unicelulares. Uma delas, e possivelmente a mais importante, é o fato de que mitocôndrias e cloroplastos são envolvidos não por um, mais dois envoltórios membranosos. A membrana mais externa possui composição semelhante à membrana plasmática da célula hospedeira, além de possuir orientação contraria. Enquanto isso, a membrana mais interna possui composição semelhante às membranas plasmáticas de organismos procariontes e possui orientação original. Logo, a membrana externa tem origem no fagossomo (bolsa membranosa que contém a célula capturada pelo processo de fagocitose) da membrana da célula hospedeira e a membrana mais interna tem origem na membrana do procarionte “ingerido”.
Como se isso não fosse suficiente, ainda é possível apontar aqui outras evidencias sugestivas:


1 - as proteínas presentes nas mitocôndrias e cloroplastos são mais semelhantes aos seus análogos procarióticos do que aos eucarióticos;

2 - existem procariontes de vida livre com forte semelhança estrutural, bioquímica e genética com as respectivas organelas;

3 - as organelas possuem genoma próprio, com organização semelhante ao genoma procariótico;

4 - os RNAs (ribossômico, transportador e mensageiro) das organelas também são mais semelhantes aos de procariontes;

5 - as organelas são semi-independentes, com capacidade de replicação

6 – as organelas e suas funções estão, alternativamente, presentes ou ausentes das células eucarióticas, não sendo encontrados hoje, bilhões de anos depois, organismos em que esse processo deixou intermediários.


A humilde origem

As células eucarióticas, em nosso mundo atual, estão incrivelmente difundidas e especializadas. São elas que permitem a existência dos complexos organismos multicelulares que as mesmas compõem. Um exemplo disso são as células que formam o corpo humano, todas elas realizando diferentes funções ou estruturando diferentes tecidos. Existem trilhões de células eucarióticas em nosso corpo, consequentemente, existe quantidade ainda superior de mitocôndrias, produzindo a energia utilizada em atividades cotidianas. Já os cloroplastos, em células vegetais, produzem o alimento das plantas, sendo responsáveis, assim, por gerar a base de toda a cadeia alimentar. Ambos - mitocôndrias e cloroplastos - além de serem de fundamental importância para a manutenção da vida na Terra, inquestionavelmente, também nos fornecem indícios sobre a história da vida no planeta. É com esses indícios que constatamos o simples início de nossa existência.

Lagartos, gatos, algas, golfinhos, arvores, aranhas, cavalos, abelhas e, inclusive, seres humanos (dentre outros) são todos constituídos pelas mesmas unidades básicas originadas a partir desse processo aparentemente simples, porém extraordinário. Todos são constituídos por células eucarióticas que, apesar de diferirem em uma ou outra característica, possuem a mesma estrutura básica e a mesma origem humilde.

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