O dialeto nordestino central, também chamado simplesmente "sotaque nordestino", (ouvir) é a variante da língua portuguesa mais usada nos estados doNordeste brasileiro, sendo o dialeto com maior número de falantes dessa região, com mais de 53 milhões, sofrendo variações. Segundo a classificação proposta por Antenor Nascentes, esses dialetos, juntamente com os dialetos da costa norte, o dialeto recifense e os dialetos amazônicos, constituem o chamado português brasileiro setentrional, em comparação com as variantes do português faladas nos demais estados brasileiros.
O estudo do dialeto nordestino teve como marco a obra de Mário Marroquim, A Língua do Nordeste, 1945.1
Variantes[editar | editar código-fonte]
As principais variantes dialetais (ou sub-dialetos) em que se subdivide o dialeto nordestino são:
- Dialeto do Eixo Agreste-Caatinga: É a forma típica do dialeto nordestino, falada propriamente no interior da maioria do estados da região, caracterizada por não apresentar palatalização nas consoantes /d/ e /t/ antes da vogal /i/ e da semivogal /j/ (mesmo em sílabas finais "de" e "te") e por palatalizar fricativas antes de /d/ (/z/ vira /ʒ/) e /t/ (/s/ vira /ʃ/), e também a mais difundida pelos meios de comunicação quando se trata do Nordeste. Falado nas regiões Agreste e Sertão, possui expressões bem típicas em cada estado. Ocorre na maioria dos estados nordestinos, do Rio Grande do Norte até Sergipe, em algumas regiões daBahia (Nordeste Baiano, Centro-Norte Baiano e microrregiões de Juazeiro e Paulo Afonso) e na porção Sul do Ceará (na região da Serra do Pereiro e nas mesorregiões Sul e Centro-Sul, as duas últimas popularmente conhecidas como Cariri).2
- Dialeto da Zona da Mata: Ocorre, como o nome mesmo sugere, na região da Zona da Mata, em estados que possuem essa região. Muito parecido com o dialeto interiorano, porém sofre influências dos dialetos de outras regiões do Brasil, e até mesmo de outras variantes dialetais nordestinas. É conhecido pela maneira de falar "mais rápida" que a do interior, além de expressões não existentes no dialeto interiorano. Este sub-dialeto é característico das metrópoles litorâneas entre Natal e Maceió (com exceção somente de Recife)2
- Dialeto do Meio-Norte: Fala já bastante influenciada pelos dialetos nortista e costa norte, havendo um meio-termo entre a palatalização de fricativas, que pode ser mais fraca ou mais intensa, dependendo da proximidade dos estados que falam essa variante com outras regiões, podendo até não haver nenhuma palatalização de fricativas. Falado nas regiões oeste e central do Maranhão, e na região sudeste do Piauí.2
Vale ressaltar que os dialetos da costa norte e recifense, apesar de os mesmos terem se originado a partir deste, o dialeto baiano e a parte sul maranhense que fala o dialeto da serra amazônica não são considerados como parte do dialeto nordestino,2 visto que são classificados como dialetos à parte. Embora popularmente sejam usados como sinônimos as expressões "dialeto nordestino" e "sotaque nordestino", por justamente ser o dialeto mais falado da região, essa definição é um tanto errônea, por não contemplar os demais dialetos falados na mesma, e deve ser evitada o máximo possível, sobretudo, em estudos e artigos científicos sobre o mesmo. Trata-se, na verdade, de um dialeto central na Região Nordeste do Brasil, e os demais dialetos citados anteriormente podem ser considerados "dialetos nordestinos periféricos", que compartilham características semelhantes a este dialeto e parecem ter origem do mesmo, onde as diferenças entre este e os dialetos periféricos se notam porque nestes há introdução de fonemas alófones, diferença na eloquência e contato cultural com outros dialetos.3
Características[editar | editar código-fonte]
O dialeto nordestino possui em si muitas características peculiares, tais como:
Fonética[editar | editar código-fonte]
Consoantes
- Pronúncia e palatalização de /s/ final e entre consonantes: Como na maioria dos dialetos, a grafia e a pronúncia divergem bastante. No caso desse dialeto isso pode ser notado na pronúncia do /s/ e do /z/, que em palavras antes de certas consoantes é pronunciado como /ʃ/ e /ʒ/, mas em outras como é realmente escrita. De modo geral, a palatalização de fricativas, nesses subdialetos sempre ocorre antes de consoantes alvéolo-dentais (/t/ e /d/, sendo /ʃ/ antes de /t/ e /ʒ/ antes de /d/), mas isso não é uma regra geral, pois em certas regiões dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia pode não haver essa palatalização. Essa característica intermediária entre o /s/-/z/ e /ʃ/-/ʒ/ indica um arcaísmo transitório entre o português clássico original de séculos anteriores melhor preservado e o português do século XIX já com maior influência do "chiado" da Galiza que muito influenciou o idioma do norte de Portugal, que sempre enviou mais emigrantes por sua demografia e natalidade maior ao longo do hinterland e vale do Douro. Para se ter uma ideia, há vocábulos na Galiza em que fonemas tais como /x/ (som de "r" aspirado) são substituídos por /ʃ/ literalmente, e em partes do norte de Portugal o fonema /s/ mesmo antecedendo vogais assume o som de /ʃ/ (por exemplo na palavra "seis" que vira [ʃejʃ]), coisa que nem mesmo no dialeto recifense (o único no Nordeste onde os fonemas /ʃ/ e /ʒ/ predomina sobre a forma escrita, inverso portanto ao centro-oeste pernambucano) ocorre. No Nordeste, "busca" se pronuncia ['buskɐ] e "turismo" [tu'ɾizmu]. Mas "astro" se diz ['aʃtru] e "desde" ['deʒd̪i].
- Uso predominante de oclusivas dentais: Uma característica marcante e curiosa deste dialeto é que assim como certos locais do interior paulista e sulino, esse dialeto também preserva o modo indo-europeu clássico de pronunciar as consoantes "t" e "d" na vogal /i/, que se dá pela pronúncia de oclusivas dentais surdas (/t̪/) e sonoras (/d̪/), ou seja, do modo como é escrito e grafado, ao contrário de dialetos em que não há pronúncia similar ao modo europeu e mesmo estadunidense do "ti" e "di" falados de forma pura e modo original similar ao que ocorria com o proto-indoeuropeu, e, como no português, a vogal "e" final de toda palavra tem sempre som /i/, essa pronúncia de /d/ e /t/ indoeuropeia é preservada também em sílabas finais "de" e "te". Exemplos: "dia" se diz ['d̪iɐ] e "noite" se diz ['nojt̪i] (diferente de boa parte do português brasileiro, que realizada africadas pós-alveolares sonoras - /dʒ/ e surdas - /tʃ/ antes do som de /i/).
- Glotalização do /ʁ/ e substituição por /h/-/ɦ/: Duas características são compartilhadas entre este e os dialetos da costa norte, baiano e recifense: o som da letra "r", onde a fricativa uvular surda (/ʁ/) é substituída. O som de "r", portanto, é bem glotal quando forte, podendo ser surda (/h/) ou sonora (/ɦ/) (nunca aspirado como a fricativa velar surda - /x/, usada no Rio de Janeiro e na língua espanhola), e suave quando fraco (vibrante simples alveolar - /ɾ/), sempre em encontros consonantais e nunca no meio ou fim de sílabas como em dialetos do Centro-Oeste, Sul e Sudeste brasileiros, além de não ser pronunciado no final das sílabas. Geralmente a glotal sonora é usada em encontros consonantais, como em "corda" ['kɔɦdɐ], e a glotal surda quando inicia palavras ou no dígrafo "rr", como em "rabo" ['habu] e "barragem" [ba'haʒẽj].
- Presença, ou não, de africadas alveolares em sílabas finais: Também são realizadas africadas apenas alveolares surdas e sonoras (/dz/ e /ts/), sempre no fim das sílabas "des"/"dis" e "tes"/"tis", caracterizadas como uma "palatalização fraca" por diferenciar-se da palatalização ocorrida na maioria dos dialetos brasileiros, pois essa também possui som dental, embora também alveolar (por exemplo: em "partes" ['paɦts] e "amizades" [ɐmi'zadz]); mas essa regra nunca vale pra essas sílabas em começo de palavras (como em "desmantelo" [d̪ ɨzmɐ̃'telu]), nem pra sílabas próximas a sílabas tônicas ou palavras monossilábicas tônicas (como em "diz" ['d̪iz] e "tesoura" [t̪ɨ'zowɾɐ]); em alguns casos ocorre substituição de /e/ por /ɨ/.
- Substituição de oclusivas bilabiais surdas (/b/) por fricativas bilabiais surdas (/β/) antes de "l" e "r": Em encontros consonantais "bl" e br", a letra "b" é pronunciada como uma consoante fricativa na maioria dos casos. Assim, "bloco" é falado ['βlɔku] e "branco" ['βɾɐ̃ku].
- Ditongos crescentes em sílabas pós-tônicas com palatalização facultativa: Dependendo de variações geográficas e de influência de dialetos próximos, em palavras como "prédio" e "pátio", que possuem ditongos crescentes com "di" e "ti" na sua composição, pode haver a pronúncia de africadas pós-alveolares, mas sem ser uma palatalização completa como na maior parte do português brasileiro, sendo pronunciadas muitas vezes ['pɾɛdʒu] e ['patʃu], respectivamente. Ainda em ditongos pós-tônicos, palavras como "família" e "alumínio" com "li" e "ni" na sua composição tem palatalização e comumente são ditas [fɐ'miʎɐ] e [alu'mĩɲu].
Vogais
- Abertura das vogais pré-tônicas: Outra característica marcante deste dialeto (porém, não exclusiva deste) é a abertura das vogais pré-tônicas /e/ e /o/ para /ɛ/ e /ɔ/ (sendo que no dialeto interiorano essa abertura pode variar dependendo da região, havendo o fenômeno da harmonia vocálica apenas na região do subdialeto do eixo Agreste-Caatinga, e nas demais regiões onde é falado o dialeto, essa abertura varia) Por exemplo, segundo a regra de harmonia vocálica, em todos os subdialetos provavelmente as pessoas pronunciam a palavra "rebolar" como [hɛbɔ'la], enquanto que pessoas do Sul-Sudeste do país pronunciam geralmente [ʁebo'laɾ]. Mas uma pessoa do interior do Ceará, do Rio Grande do Norte ou da Paraíba, regiões com influência próxima do dialeto da costa norte, pronunciariam a palavra "mesada" como [me'zadɐ] (por derivar de "mês" ['me(j)s], ao passo que em algumas regiões do interior de Pernambuco, de Alagoas, de Sergipe e da Bahia a mesma palavra seja pronunciada como [mɛ'zadɐ], por influência do dialeto baiano, onde há uma super abertura dessas vogais.
- Monotongação antes de /e/-/ɛ/: No geral, o dialeto interiorano realiza muita monotongação em palavras com ditongo, como, por exemplo, em "feijão" que é comumente pronunciado [fe'ʒɐ̃w] em vez de [fej'ʒɐ̃w] como em boa parte do português brasileiro.
- Iotização das consoantes aproximante lateral palatal (/ʎ/) e nasal palatal (/ɲ/), e posterior redução silábica: Em relação ao som de "lh" e "nh", palavras como "velho" e "manhã" tem esses sons substituídos por /j/, e quando as mesmas terminam com "o" há uma redução silábica (['vɛj] em vez de ['vɛʎu] e [mɐ̃'jɐ̃] em vez de [mɐ̃'ɲɐ̃]).
- Substituição de /e/ por /ɨ/ e /o/ por /ʊ/: Ocorre com frequência nas regiões de agreste e caatinga, onde ocorre o fenômeno de harmonia vocálica, mas também pode ser percebido nas capitais (e suas regiões metropolitanas da zona da mata).^ Por exemplo, a palavra "botão" é pronunciada como [bʊ'tɐ̃w] em vez de [bo'tɐ̃w], e a palavra "escola" é dita [ɨs'kɔlɐ] em vez de [es'kɔlɐ]. Esse fenômeno é compartilhado com outros dialetos compatriotas, especialmente o carioca e os demais dialetos setentrionais.
Gramática[editar | editar código-fonte]
Algumas peculiaridades gramaticais do português falado no Nordeste são: a omissão do artigo definido antes de nome próprio com a função implícita e instintiva de diferenciar objetos, animais e coisas de pessoas e afins, poupando assim artigos que seriam desnecessários e em demasiado "artificialismo" (forçado, algo não-natural e não-espontâneo), e acordo com os falantes dessa variação (p. ex.: "Maria foi à feira" em vez de "A Maria foi à feira") e a inversão da colocação da partícula negativa (p. ex.: "Sei não" em vez de "Não sei").
Léxico[editar | editar código-fonte]
O léxico adotado no Nordeste é, em sua maioria, o mesmo usado nas demais regiões do Brasil e em Portugal; contudo, pode haver grandes mudanças semânticas. Alguns exemplos dessas mudanças são palavras como "zunir", que quer dizer "arremessar", enquanto em outros lugares do Brasil designa o ruído do vento; ou "prenda", que no nordeste significa "presente", enquanto em outras regiões do Brasil significa "grávida" ou "garota". O "tu", assim como no Sul do Brasil, é usado frequentemente na região nordeste. Em 2004, o jornalista Fred Navarro lançou o Dicionário do Nordeste, contendo cerca de cinco mil palavras e expressões peculiares à região. Vale ressaltar que apesar dos estados nordestinos terem o seu léxico próprio de palavras e expressões típicas, dependendo dos dialetos de regiões limítrofes, o léxico pode estar associado ao de outros dialetos vizinhos.
Referências
- ↑ Bagno, Marcos. Gramática Pedagógica do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola Editorial, 2011. ISBN 8579340373
- ↑ a b c d RAMOS, Jânia M. Avaliação de dialetos brasileiros: o sotaque. Universidade Federal de Minas A cultura nordestina é bastante diversificada, uma vez que foi influenciada por indígenas, africanos e europeus. Os costumes e tradições muitas vezes variam de estado para estado.Tendo sido a primeira região efetivamente colonizada por portugueses, ainda no século XVI, que aí encontraram as populações nativas e foram acompanhados por africanos trazidos como escravos, a cultura nordestina é bastante particular e típica, apesar de extremamente variada. Sua base é luso-brasileira, com grandes influências africanas, em especial na costa de Pernambuco à Bahia e no Maranhão, e ameríndias, em especial no sertão semi-áridoA riqueza cultural da região nordeste é visível para além de suas manifestações folclóricas e populares. A literatura nordestina tem dado grande contribuição para o cenário literário brasileiro, destacando-se nomes como João Cabral de Melo Neto, José de Alencar, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Rachel de Queiroz, Gregório de Matos, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Ferreira Gullar e Manuel Bandeira, dentre muitos outros.Na literatura pode-se citar a literatura popular de cordel que remonta ao período colonial (a literatura de cordel veio com os portugueses e tem origem na Idade médiaeuropeia) e numerosas manifestações artísticas de cunho popular que se manifestam oralmente, tais como os cantadores de repentes e de embolada.Na música erudita, destacaram-se como compositores Alberto Nepomuceno e Paurillo Barroso, assim como o cearense Liduíno Pitombeira na atualidade, e Eleazar de Carvalho como maestro. Ritmos e melodias nordestinas também inspiraram compositores como Heitor Villa-Lobos (cuja Bachiana brasileira nº 5, por exemplo, em sua segunda parte - Dança do Martelo - alude ao sertão do Cariri).Na música popular, destacam-se ritmos tais como coco, xaxado, martelo agalopado, samba de roda, baião, xote, forró, Axé e frevo, dentre outros ritmos. O movimento armorial do Recife, inspirado por Ariano Suassuna, fez um trabalho erudito de valorização desta herança rítmica popular nordestina (um de seus expoentes mais conhecidos é o cantor Antônio Nóbrega).Na dança, destacam-se o maracatu, praticado em diversas partes do Nordeste, o frevo (característico de Pernambuco) o bumba-meu-boi, o xaxado, diversas variantes do forró, o tambor-de-crioula (característico do Maranhão), etc. As músicas folclóricas quase sempre são acompanhadas de danças.O artesanato é também uma parte relevante da produção cultural do Nordeste, sendo inclusive o ganha-pão de milhares de pessoas por toda a região. Devido à variedade regional de tradições de artesanato, é difícil caracterizá-los todos, mas destacam-se as redes tecidas e, às vezes, bordadas com muitos detalhes; os produtos feitos emargila, madeira (por exemplo, da carnaúba, árvore típica do sertão) e couro, com traços bastante particulares; além das rendas, que ganharam destaque no artesanato cearense. Outro destaque são as garrafas com imagens feitas manualmente em areia colorida, um artigo produzido para venda para turistas. No Maranhão, destacam-se artesanatos feitos da fibra do buriti(palmeira), assim como artesanatos e produtos do babaçu (palmeira nativa do Maranhão).A culinária nordestina é variada, refletindo, quase sempre, as condições econômicas e produtivas das diversas paisagens geoeconômicas dessa região. Frutos do mar e peixes são bastante utilizados na culinária do litoral, enquanto, no sertão, predominam receitas que utilizam a carne e derivados do gado bovino, caprino e ovino. Ainda assim, há várias diferenças regionais, tanto na variedade de pratos quanto em sua forma de preparo (por exemplo, no Ceará, predomina o mugunzá - também chamado macunzá ou mucunzá - salgado, enquanto, em Pernambuco, predomina o doce). Na Bahia os principais destaques são as comidas feitas com azeite de dendê e com camarão, como as moquecas, o vatapá, o acarajé e os bobós; porém não são menos apreciadas comidas acompanhadas de pirão como mocotó e rabada e doces como acocada. No Maranhão, destacam-se o cuxá, o arroz de cuxá, o bobó, o peixe pedra e a torta de camarão, bem ao estilo maranhense. Também no Maranhão se destaca o refrigerante Jesus ou Guaraná Jesus que é patrimônio maranhense. Já o bolo-de-rolo é patrimônio imaterial de Pernambuco. Algumas comidas típicas da região são: obaião-de-dois, a carne-de-sol, o queijo de coalho, o vatapá, o acarajé, a panelada e a buchada, a canjica, o feijão e arroz de coco, o feijão verde e o sururu, assim como vários doces feitos de mamão, abóbora, laranja, etc. Algumas frutas regionais - não necessariamente nativas da região - são a ciriguela, o cajá, o buriti, a cajarana, o umbu, amacaúba, as frutas maranhenses juçara, bacuri, cupuaçu, buriti, murici e a pitomba, além de outras também comuns em outras regiões.Gerais. Belo Horizonte, 2010s dialetos nordestinos são os falares da língua portuguesa usados nos estados do Nordeste brasileiro. Não devem ser confundidos com sotaques.Segundo a classificação proposta por Antenor Nascentes, esses dialetos, juntamente com os dialetos amazônicos, constituem o chamado português brasileiro setentrional, em comparação com as variantes do português faladas nos demais estados brasileiros.O dialeto nordestino, entre outros dialetos compatriotas, pode ser dividido em dois grandes blocos. O primeiro bloco é formado pelos dialetos nordestino (setentrional) e "nordestino meredional" (baiano(s) ou nordestino do sul).O dialeto nordestino setentrional, é formado pelos dialetos nordestino do norte e do centro (central), além de abranger uma parte dodialeto nortista, que, na jurisdição da região Nordeste, passa a ser denominado meio-norte ou maranhense.Já o dialeto baiano pode ser divido em "baiano do oeste" e "baiano do recôncavo". Dessa forma, pode-se definir outra diferenciação, sendo em três grandes dialetos da região, dispensando os termos setentrional e meridional.Dessa forma, os dialetos mais aparentes podem ser definidos como Dialetos nordestinos:do meio-norte (nortista ou maranhense): presente do Maranhão e Piauí;do norte ou Dialeto cearense: presente no Ceará;do centro: presentes nos interiores do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas;do sudoeste (ou baiano do oeste): presente no interior da Bahia e Sergipe;do sudeste (ou baiano do recôncavo): presente do Recôncavo Baiano;metroplitanos: assim como no Recôncavo Baiano, há ligeiras diferenças entre o interior e as regiões metropolitanas dos estados como em João Pessoa e Recife, devido as recentes imigrações de outros estados.Pode-se observar que, em alguns estudos, os dialetos baianos influenciam áreas de outras regiões, como Minas Gerais, Goiás e Tocantins,[1] o que faz com que alguns linguistas considerem como uma parte integrande do grupo sulista.Apesar destes mesmos estudos demostrarem que o dialeto sulista e o baiano serem vizinhos, o termo "sulista" é mais adequado (e é usado) para definir o dialeto da região Sul, neste aspecto o melhor termo seria grupo "centro-sulista" que conota à região geoeconômica Centro-Sul e que relamente tem vizinhança com os dialetos baianos, com evidência aos dialetos mineiro e sertanejo.Outros linguistas contestam a relação entre os dialetos baianos e o grupo sulista, ou centro-sulista, em virtude da nítida semelhança do sotaque baiano com os demais sotaques do Nordeste.
Índice
Peculiaridades gramaticais
Algumas peculiaridades gramaticais do português falado no Nordeste são: a omissão do artigo definido antes de nome próprio com a função implícita e instintiva de diferenciar objetos, animais e coisas de pessoas e afins, poupando assim artigos que seriam desnecessários e em demasiado "artificialesco"(forçado, algo não-natural e não-espontâneo), e acordo com os vossos falantes(p. ex.:"Maria foi à feira" em vez de "A Maria foi na feira") e a inversão da colocação da partícula negativa (p. ex.: "Sei não" em vez de "Não sei").Composição lexical
O léxico adotado no Nordeste é, em sua maioria, o mesmo usado nas demais regiões do Brasil e em Portugal; contudo, pode haver grandes mudanças semânticas. Alguns exemplos dessas mudanças são palavras como "zunir", que quer dizer "arremessar", enquanto em outros lugares do Brasil designa o ruído do vento; ou "prenda", que no nordeste significa "presente", enquanto em outras regiões do Brasil significa "garota". O "tu",assim como no Sul do Brasil,é usado frequentemente na região nordeste. Em 2004, o jornalista Fred Navarro lançou o Dicionário do Nordeste, contendo cerca de cinco mil palavras e expressões peculiares à região.Região de Pernambuco
- Palavras
- Abestalhado - Bobo, tolo, idiota.
- Abiúdo - Oportunista
- Abusar – Perturbar, passar dos limites,ser idiota
- Afolozado - Folgado
- Alpercata - Sandália de couro cru
- Alvoroçado - Apressado, estabanado
- Amostrado - Exibido
- Amuado - Acuado; aborrecido
- Aperriado – Aflito, irritado
- Aprochegar - Aproximar-se; se enturmar (fusão de aproximar e chegar; apro + chegar).
- Arenga - Briga
- Arretado – De boa qualidade, excelente
- Arretar - Aborrecer
- Arrochar - Apertar
- Avacalhar – Esculhambar; ironizar
- Avexar - Apressar
- Avoado - Distraído
- Bagaceira - 1.Algo ruim (ex: só sobrou a bagaceira = só sobrou a parte ruim); 2.Gandaia (ex: eu vou para a bagaceira = eu vou para a gandaia)
- Bicado - Embriagado
- Bexiga – Coisa ruim; situação complicada
- Bizu - Cola de prova; fraude em vestibular
- Bregueço - Objeto sem valor, desprezível
- Butuca - Ato de ficar de guarda
- Cabra - Homem
- Cabuloso – Chato; desagradável
- Cagado - Sortudo;
- Caninga - Insistência
- Carreira - Correr;
- Catinga – Mau-cheiro
- Catôta - Meleca
- Cotoco - Pequeno
- Desembestar - Apressar;
- Desenrolado - Esperto;
- Encabular - Estressar
- Farrapar – Não cumprir, falhar
- Folote - Folgado;
- Frangagem - 1.Frescura 2.Efeminação
- Frouxo - Medroso
- Fuleiro – Usa-se para classificar objeto/pessoa sem valor
- Fuleragem – Atitude desprezível
- Garapeiro - Oportunista
- Gasguito - Aquele que fala alto
- Gréia – Zombaria, gozação
- Inhaca - Fedor
- Jabá – Propina; qualquer comida sem muito preparo, grosseira
- Lábia – Habilidade para enganar
- Lambedor – Xarope caseiro
- Lapa – Grande
- Lapada – Dose (Normalmente de cachaça);Forte pancada
- Leso – Bobo; Pessoa esperta que se faz de boba para levar vantagem
- Mangar - Zombar
- Massa - Coisa boa, agradável
- Migué - Enganar
- Muído - Festa, barulho
- Mulesta - Expressão de raiva
- Munganga - Palhaçada
- Pirangueiro - Mesquinho, Mão-de-vaca
- Pisa - Sova
- Oitão - Corredor lateral entre a casa e o muro do quintal
- Ôxe – Exclamação de surpresa
- Pé-de-cana - Cachaceiro (as vezes ultilizado também como "cu-de-cana")
- Pedir penico - Fracassar, desistir
- Pitoco – Coisa ou pessoa pequena (também utiliza-se "cotoco"); Botão
- Resenha - Algo engraçado
- Roncha - Mancha de pancada
- Se abrir - 1. Achar graça
- Se aprochegue - Venha para cá; chegue mais perto
- Trancilim - Corrente
- Troço – Objeto pessoal; coisa
- Troncho - Torto
- Velhaco - Aquele que não paga suas dívidas
- Vôte, Vixe – Interjeição de espanto
- Xexêro - O mesmo que Velhaco
- Xodó – Namoro; paquera
- Xilindró – Presídio
- Zuada - 1. Barulho; 2. Confusão
- Muitas destas palavras também são utilizadas nos estados da Paraíba e principalmente no Rio Grande do Norte, onde o modo "coloquial" de se falar é muito parecido com o pernambucano (Porém, o sotaque é nítidamente diferente).
Fonte
Referências
Ver também
- Sotaques Brasileiros
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