Fanatismo religioso é uma forma de fanatismo caracterizada pela devoção incondicional, exaltada e completamente isenta de espírito crítico, a uma ideia ou concepção religiosa. Em geral, o fanatismo religioso também se caracteriza pela intolerância em relação às demais crenças religiosas. Um fanático religioso é, muitas vezes, um indivíduo disposto a se utilizar de qualquer meio para afirmar a primazia da sua fé sobre as demais. 1
O termo 'fanatismo' tem uma origem religiosa (do latim. Fanaticus (vocábulo latino derivado de fanum, 'templo', significando 'pertencente ao templo;2 inspirado pelos deuses'3 ), entre os romanos, era o indivíduo inspirado pela divindade ou "impregnado" da presença divina. Os gregos, por sua vez, usavam a palavra ενθουσιαστές , entousiastés (de ενθουσιάζω, entousiazo: ser inspirado por deus"), da qual deriva o termo "entusiasmo", em português. Essa proximidade entre os termos 'fanatismo' e 'entusiasmo' caracterizou inicialmente o uso filosófico do termo, no século XVIII. Segundo Lord Shaftesbury (1671 – 1713), da palavra 'entusiasmo' ter-se-ia originado o uso do termo 'fanatismo' no sentido original, usado pelos antigos, de "aparição que captura a mente".
Logo, porém, os dois termos se distanciaram: 'entusiasmo' manteve um sentido positivo, enquanto 'fanatismo' tornou-se sinônimo de exaltação cega e perigosa, em razão da qual se está pronto a usar a violência contra quem não compartilha das mesmas ideias. Foram os iluministas franceses, em particular, Voltaire (1694 — 1778), que fizeram do fanatismo objeto de polêmica, associando-o à superstição, especialmente religiosa, e suas conseqüências violentas, como as guerras e perseguições. Note-se que, na época, a Europa recentemente havia saído de um longo período de sangrentas guerras religiosas (desde o início do século XVI até meados do XVII) entre católicos e protestantes, além das perseguições a que eram submetidos, por parte das várias igrejas, os supostos hereges. Ademais, todos os estados tinham uma religião oficial, e negá-la era um crime. Enfim, o fanatismo ‒ entendido como devoção cega a um conjunto de ideias, implicando o uso de violência para sua afirmação ‒ foi, até o século XVIII, um fenômeno essencialmente religioso.1 Naquela época, tal como na atualidade, o fanatismo religioso não se limitava aos adeptos de uma ou outra religião em especial.
Referências
- ↑ Ir para:a b Enciclopedia dei ragazzi. Fanatismo. Por Stefano De Luca (2005).
- Ir para cima↑ Enciclopedia Italiana (1932).Fanatismo. Por Umberto Fracassini.
- Ir para cima↑ Dicionário Houaiss: "fanático"
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Em nossa época, supostamente dominada pela ciência e pela tecnologia, o fanatismo parece ser uma reação made in recalcado do inconsciente da humanidade. Fanatismo, vem do latim fanaticus, quer dizer "o que pertence a um templo", fanum. O indivíduo fanático ocupa o lugar de escravo diante do senhor absoluto, que, pode ser uma divindade, um líder mundano, uma causa suprema ou uma fé cega. O fanatismo é alimentado por um sistema de crenças absolutas e irracionais que visa servir [1] à um ser poderoso empenhado na luta contra o Mal. Ou seja, o fanático acha que pode exorcizar pessoas e coisas supostamente possuídas pelo demônio" [2] , "combater as forças do Mal" ou "salvar a humanidade" do caos.
Tendo origem no dogma religioso, o fanatismo não se restringe a esse campo único; existe fanatismo por uma raça, um time de futebol, por um partido político, sobretudo por ideologias revolucionárias quando extrapolam a dimensão racional, sentindo-se guiada pela "fantasia da escolha divina". Foi fanatismo religioso que fez muitos seguirem Jin Jones (Templo do Povo), Asahara (Verdade suprema), David Koresh (Ramo davidiano), Jo Dimambro (Templo Solar) e tantos outros místicos ou charlatães que terminaram causando tragédias coletivas, noticiadas no mundo todo. A história conheceu também os histerismos coletivos da "caça as bruxas", a perseguição aos negros, índios, comunistas, homossexuais, prostitutas. O movimento da Jihad islâmica contra os "infiéis do ocidente" e a "guerra aos terroristas" do ocidente cristão, demonstram que o fanatismo está vivo e atuante em nossa época supostamente "científica" e "tecnológica". Precisamos admitir que, a história da humanidade é também a história dos vários fanatismos dominando grupos humanos, sempre com conseqüências trágicas. Esse pedaço da história renegado nos causa vergonha, medo e sinalizam alertas para possíveis efeitos negativos no rumo da civilização.
Como dissemos, o fanatismo atua para além do efeito religioso, mas não extrapola ao campo ideológico como um todo. Há fanatismo entre crentes de todo o tipo, do menos ao mais irracional. Mas, não existe fanatismo racional, em que pese o fato de um certo tipo de razão (instrumental, cínica, etc) também ter cometidos os seus desatinos e crimes [3] . Assim, para o fanático religioso, não basta adorar um Deus visto como Senhor absoluto, é necessário ser soldado dele na terra, lutar pela causa superior, pregar, exorcizar, forçar os "infiéis" ou "divergentes" à conversão absoluta, à qualquer preço. O fanático está sempre disposto a dar provas do quanto sua causa suprema vale mais do que as próprias vidas: dele, de sua família ou mesmo de toda a humanidade. Ele mata por uma idéia e igualmente morre por ela.
Os sintomas do fanatismo
Os sintomas do fanatismo, em grupo, são: orações, privações, peregrinações, jejum, discursos monológicos e martírios que podem terminar com o sacrifício da própria vida visando salvar o mundo das "trevas" ou do que ele entende ser "o mal" [4] .
O fanático não fala, faz discursos; é portador de discursos [5] prontos cujo efeito é a pregação de fundo religioso ou a inculcação política de idéias que poderá vir a se tornar ato agressivo ou violento, tomado sempre como revelação da "ira de Deus" ou "a inevitável marcha da história" ou, ainda, a suposta "superioridade de uns sobre os demais". Faz discursos e não fala, porque enquanto a fala é assumida pelo sujeito disposto ao exercício do diálogo, da dialética, do discernimento da verdade, os discursos - especialmente o discurso fanático - fazem sumir os sujeitos para que todos virem meros objetos de um desejo divinizado; servir ao desejo divino e à produção da repetição de algo já pronto, onde o retorno do recalcado do sujeito faz do Eu (ego) um porta-voz de um sistema de crenças moralistas carregado de ódio em relação ao suposto inimigo ou adversário que precisa ser destruído para reinar o Bem.
Os textos sagrados, tomados literalmente, fornecem a sustentação "teórica" do discurso fundamentalista religioso; com ele, o indivíduo acredita, a priori, estar de posse de toda a verdade e por isso não se dá ao trabalho de levantar possíveis dúvidas, como confrontar com outro ponto de vista, ou desvelar outro sentido de interpretação, ou ainda, contextualizá-lo, etc. O fanático tem certeza e isso lhe basta. Creio porque é absurdo, já dizia Tertuliano. Certeza para ele é igual a verdade. (Segundo Popper, no campo científico, a certeza nada vale porque é "raramente objetiva: geralmente não passa de um forte sentimento de confiança, ou convicção, embora baseada em conhecimento insuficiente", já a verdade tem estatuto de objetividade, na medida em que "consiste na correspondência aos factos", na possibilidade da discussão racional com sentido de comprovação. (Popper, 1988, p. 48).
O problema da religião não é a paixão "fé", mas a inquestionalidade de seu método. O método de qualquer religião traz uma certeza divulgada em forma de monólogo, jamais de diálogo ou debate de idéias. O pastor, padre, rabino, ou qualquer pregador de rua, vivem o circuito repetitivo do monólogo da pregação; acreditam que "vale tudo" para difundir a "verdade única" que o tocou e o transformou para sempre! O estilo fanático usa e abusa do discurso monológico delirante, declarações, comunicados, que jamais se voltam para escuta ou o diálogo, exercício esse que faria emergir a verdade - não a "certeza" [6] .
Psicopatologia do fanatismo
Do ponto de vista psicopatológico, todo fanatismo parece ter relação com a fuga da realidade. A crença cega ou irracional parece loucura quando se manifesta em momentos ou situações específicas, porém se sua inteligência não está afetada, o fanático aparentemente é um sujeito normal. No entanto, torna-se um ser potencialmente explosivo, sobretudo se o fanatismo se combinar com uma inteligência tecnologicamente preparada. Fanático inteligente é um perigo para a civilização. O terrorismo, por exemplo, que atua com a única meta de destruir inimigos [7) aleatórios é realizado por indivíduos fanáticos cuja inteligência é instrumentada apenas para essa finalidade. No terrorismo é uma das expressões do fanatismo combinado com uma inteligência tecnológico, mas totalmente incapaz de exercitá-la por meios mais racionais, políticos e legais. Para o terrorismo sustentado no fanatismo, os inocentes devem pagar pelos inimigos; a destruição deve ser a única linguagem possível e a construção de um novo projeto político-econômico, não está em questão, porque a realidade no seu todo é forcluída [8] .
O fanatismo parece surgir de uma estrutura psicótica. O fato do sujeito se ver como o único que está no lugar de certeza absoluta, de "ter sido escolhido por Deus para uma missão "x", já constitui sintoma suficiente para muitos psiquiatras diagnosticarem aí uma loucura ou psicose. Mas, seguindo o raciocínio de Freud, vemos que "aquilo que o psicótico paranóico vivencia na própria pele, o parafrênico experiência na pele do outro" [9], ou seja, somos levados a supor que o fanatismo está mais para a parafrenia que para a paranóia. Hitler, antes considerado um paranóico, hoje é mais aceito enquanto parafrênico [10] , pois seus atos indicam sua idéia fixa pela supremacia da raça ariana e a eliminação dos "impuros"; mais ainda, o gozo psíquico do parafrênico não se limita "ser olhado" ou "ser perseguido", tal como acontece com paranóicos, mas sim se desenvolve "umaação inteligente de perseguição e extermínio de milhares de seres humanos", donde extrai um quantum de gozo sádico. Portanto, deve existir membros de um grupo de fanáticos paranóicos, mas certamente o pior fanático é o determinado pela parafrenia, pois visa de fato destruir em atos calculados "os impuros", "os infiéis", enfim, todos os que não concordam com ele.
Hitler e seus comparsas usaram de inteligência para inventar e administrar a chamada "solução final" contra os judeus, porém, antes de ser este um fato criminoso era uma exigência interna de seu próprio psiquismo. Na parafrenia vigora a compulsão de observar e atuar o ser do Outro como alimentador de seu delírio interno. O parafrênico "faz acting out em nome de..." e jamais assume seu ato criminoso, pondo a responsabilidade em alguém que para ele encarna o "mal". Para sua "lógica", as vítimas são os únicos responsáveis. É curioso observar que ontem os judeus se agarravam ao sacrifício do holocausto [11] como modo de explicação da tragédia em que eram vítimas, mas hoje a ultra direita israelense, no poder, parece resgatar dos nazistas essa terrível idéia da "solução final" contra os palestinos. "Quem lutou muito contra dragão, também vira dragão", diz um antigo provérbio chinês.
Os fanáticos pela "solução final" dos judeus, no Julgamento de Nuremberg, não se consideravam culpados ou com remorsos pelo extermínio coletivo. Goering, considerado o segundo homem depois de Hitler, tentou se defender segundo o princípio de sua lealdade e fidelidade para com o Führer; "cumprira ordens" e "nenhuma vez ele se considerou um criminoso" [12] . Eis a "razão cínica": a culpa pelo genocídio era dos próprios judeus gananciosos por dinheiro, não de seus carrascos nazistas. Os israelenses da "era Sharon" também não se responsabilizam pelos atos criminosos de Israel contra os palestinos generalizados como terroristas.
Se no fanatismo o sujeito inexiste para dar lugar ao Senhor absoluto e maravilhoso, então faz sentido não assumir a sua própria responsabilidade, porque ela é "obra do Senhor" [Werk de herrn.] [13] , "o Senhor quer que eu faça", "foi a mão de Allah" [14] , etc. São mais do que frases, são efeitos de uma poderosa "fantasia da eleição divina" [sic!] onde o sujeito é nadificado para dar lugar ao discurso delirante da salvação messiânica [15] . O mundo fanático foi dividido entre "os eleitos" e os que continuam nas trevas e que precisam ser salvos ou serem combatidos por todos os meios, pois "são forças do mal".
O famoso caso Schreber, analisado por Freud [16] , que acreditava ter recebido um chamado de Deus para salvar o mundo, que lhe era transmitido por uma linguagem particular - só entre ele e Deus - , tornou-se o modelo psicanalítico para se pensar a relação loucura e fanatismo. Como já dissemos, o fanatismo é sustentado por sistema de crença delirante, psicótico, dominado por uma autoridade absoluta e invisível (Deus ou a causa da "supremacia da raça ariana", ou a "missão do povo judeu", ou "a Jihad islâmica", "ou salvar o mundo do diabo", enfim, um significante posto no lugar "absoluto" que comanda a ação do grupo fanático(17),etc). Segundo a psicanálise, isso poderia apontar para a hipótese de um "complexo paterno" de origem.
A leitura lacaniana fala de "um buraco no Nome-do-Pai, que produz no sujeito um buraco correspondente, no lugar da significação fálica, o que provoca nele, quando é confrontado com essa significação fálica, a mais completa confusão. É isso que desencadeia a psicose de Schreber, no momento em que ele próprio é chamado a ocupar uma função simbólica de autoridade, situação à qual só teria podido reagir com manifestações alucinatórias agudas, às quais a construção de seu delírio iria pouco a pouco fornecer uma solução, constituindo, no lugar da metáfora paterna fracassada, uma "metáfora delirante", destinada a dar um sentido àquilo que, para ele, era totalmente desprovido de sentido" [18] .
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Histórias assim são menos raras do que parecem. Tendem a sumir depressa do noticiário, relegadas às seções de curiosidades inócuas. Mas não são inócuas.
Em 2011, autoridades colombianas descobriram que uma mulher vinha guardando o corpo do marido em casa já há um mês, na esperança de uma ressurreição milagrosa. Um ano antes, uma multidão de fiéis cristãos tinha se reunido no Quênia para rezar pela ressurreição de dois pastores evangélicos mortos num acidente de carro. O evento, a céu aberto, culminou com a viúva de um dos pastores sacudindo o caixão do marido, para que ele acordasse. Sem efeito.
Como já havia mencionado num artigo anterior, em 2013 um grupo de três religiosos sul-africanos foi preso por manter um cadáver num barraco por três meses, tentando trazê-lo volta à vida. E em 2002, na cidade de Paulínia (SP), dez pessoas chegaram a ser presas num cemitério, depois de violar um túmulo e remover o corpo de um bebê do caixão. Um dos envolvidos, um pastor neopentecostal, pretendia ressuscitá-lo.
Muitas dessas ocorrências parecem se basear numa leitura literal de um versículo do Evangelho de Mateus (10:8), em que Jesus promete a seus discípulos o poder de curar os doentes, ressuscitar os mortos e expulsar demônios.
No caso canadense, esse literalismo aparece implicado, também, na morte do homem que falhou em voltar dos mortos: Peter Wald, de 52 anos, era diabético e morreu em decorrência de uma infecção no pé que recusou a tratar, “acreditando que Deus o curaria”, segundo reportagem do jornal “Toronto Star”.
Nesse aspecto, a morte de Wald lembra a de uma menina americana de 11 anos, Madeleine Kara Neumann, também diabética, morta em 2008 enquanto seus pais rezavam para que fosse curada, recusando-se a levá-la a um hospital. A garota teria agonizado ao longo de um mês, enquanto os pais esperavam que suas preces fossem ouvidas. O pai, Dale Neumann, depois declarou à Justiça que se levasse a filha a um hospital, “estaria pondo o médico acima de Deus”.
Há situações em que a expectativa de ressurreição imediata abre as portas para a violência. Um caso clássico aconteceu na Europa, na fronteira entre Alemanha e Suíça, durante a Páscoa de 1823, quando Margaret Peter, de 29 anos, pediu para ser crucificada nas tábuas do piso de seu quarto. Ela foi atendida, pois havia prometido voltar dos mortos em três dias. Sua irmã, Elizabeth, tinha sido morta a marteladas e pauladas minutos antes, também na expectativa da ressurreição. Dias depois, quando a polícia finalmente entrou na casa, parentes e amigos das duas jovens ainda rezavam pelo retorno de ambas.
Em tempos mais recentes – o ano era 1993 –, na Austrália, Joan Vollmer foi morta pelo marido e amigos durante um ritual de exorcismo. Todos os envolvidos esperavam que ela ressuscitasse, uma vez livre do demônio: o marido, Ralph Vollmer, convidou a mídia para assistir à ressurreição, que deveria ocorrer durante o funeral. Mas Joan não se levantou do caixão.
Esse tipo de situação mobiliza paixões. Tanto Ralph Vollmer quanto os pais de Madeleine Neumann receberam várias manifestações de apoio. Mais de cem anos antes, a casa da família onde Margaret Peter foi morta, na Alemanha, viu-se demolida por ordem judicial – a fim de evitar que se convertesse num santuário dedicado à “mártir”.
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