segunda-feira, 27 de julho de 2015

GOVERNO DILMA NORDESTE

A Presidenta Dilma herdou de seu antecessor um Nordeste revigorado. Isto resultou do fato do Governo Lula ter atuado na região com base em várias linhas de ação.

Primeiro, ao priorizar as políticas sociais e a elevação real do salário mínimo o Governo Federal chegou com força aos mais pobres e á maioria dos trabalhadores da região. Mais renda, junto com crédito farto e bem escalonado, associado ao emprego em crescimento estimularam o consumo popular na região, de forma nunca vista. O consumo dinâmico mexeu com as frágeis economias dos pequenos municípios e ativou as bases produtivas dos médios e grandes municípios, atraindo investimentos privados, sobretudo nos setores ligados ao consumo popular.

Em segundo lugar, definiu e executou uma política de investimento (especialmente via Petrobras e via PAC) definindo projetos de peso e estruturadores de um novo momento da economia regional. Três refinarias, estaleiros, a ferrovia Transnordestina, a interligação de bacias, ao lado de outros projetos, mostraram uma prioridade clara em dotar a região de investimentos de peso e despertaram ali, um potencial latente.

Finalmente, ao definir várias políticas setoriais, o Governo pedia sempre o mapa das ações e atuava para estimular iniciativas no Nordeste. Exemplos disso são a presença de novas Universidades e vários novos campi das Federais no interior nordestino, diversos Institutos Federais e Escolas Técnicas, também preferencialmente localizados no interior da região. Além de centros de pesquisa nacionais em áreas de ponta da Ciência e Tecnologia – como fármacos, neurociências...

O resultado é conhecido, tanto em termos sociais como econômicos, políticos e eleitorais. Mas este novo momento do Nordeste gerou também impactos psico sociais: o orgulho de ser conterrâneo de um presidente tão respeitado aqui e fora do país, se fez acompanhar pela nova imagem que as outras regiões passaram a ter do Nordeste, mesmo que resquícios de preconceito viessem de vez em quando à tona. Igualmente importante foi a recuperação da confiança dos nordestinos no seu futuro. Muitos até fizeram o caminho de volta para a região.

A nova presidenta parece experimentar uma situação diferente. Há fatos novos e tendências que merecem reflexão.

Um dado inicial é a conjuntura mundial, muito mais desafiadora e difícil que a que vigorou na maior parte do Governo Lula. Isto deixa os espaços de manobra mais estreitos.

Por seu turno, os impactos adicionais esperados das políticas sociais e da política de reajuste do salário mínimo (mesmo com a prioridade do Brasil sem Miséria), devem ser menores que os observados na fase anterior. Além disso, os investimentos públicos mais relevantes para o Nordeste, que ficaram para ser concluídos ao final do período Lula, enfrentam grandes dificuldades de execução nos vários níveis de Governo. Perderam fôlego, o que tem irritado a própria presidenta.

Além disso, a leitura regional que impregnava as políticas setoriais parece ter perdido força. Uma preocupação correta do novo Governo é com a continuidade da industrialização do país. Mas como o mais ameaçado é o parque industrial produtor de bens de mais alto valor agregado e maior conteúdo tecnológico, e ele está fortemente concentrado no Sudeste/Sul, o “ Brasil Maior” e o pacote recente deixam o Nordeste à margem das medidas principais.

De seu lado, a exploração do petróleo no pré-sal (localizada na costa das regiões Sudeste/Sul), pelo marco regulatório corretamente definido, será um dos elementos chave da promoção da indústria no país nas próximas décadas (tanto que o setor do Petróleo e Gás (P&G) já lidera os investimentos industriais brasileiros). Mas o núcleo central da cadeia produtiva de fornecedores que ele mobilizará (setores eletro-metal-mecânico) também está fortemente concentrado no Sudeste/Sul. O Brasil tem, assim, no novo momento da política do setor de P&G, uma cunha no modesto movimento de desconcentração industrial que beneficiava o Nordeste.

Outro exemplo é o da indústria automotiva, cuja importância está ligada ao seu poder de difusão de dinamismo. Ela vai crescer rapidamente seus investimentos no Brasil nos próximos anos, mas já se encontra fortemente concentrada no Sudeste/Sul do país, onde existem melhores condições de competitividade. Se a decisão de localização for entregue apenas ao mercado, a concentração espacial dos novos investimentos será inevitável. O recente anuncio da Volkswagen de não vir para o Nordeste e ampliar sua fábrica de Taubaté aponta para esta tendência. No entanto, o novo marco do setor automotivo não tem sequer resquício de alguma preocupação regional...

Por seu turno, o avanço da produção de etanol, se dá concentrado em São Paulo e em parte do Centro-Oeste. O Nordeste perde seguidamente peso na produção nacional deste combustível.

Os exemplos acima sinalizam para a possibilidade dos próximos anos ficarem na história econômica do Brasil como um novo momento de concentração da base produtiva nacional, rompendo tendência à modesta desconcentração regional que se observava desde os tempos do II Plano Nacional de Desenvolvimento e que foi impulsionada no Governo anterior, beneficiando o Nordeste.

Estes são sinais de alerta para o Governo Dilma. Eles reafirmam que o Nordeste continua a necessitar de tratamento prioritário em termos de investimentos para desenvolver seu potencial. Só assim pode vencer a visão equivocada de que aqui só existe miséria e no máximo oportunidades para o turismo de praia e de eventos e para a fruticultura irrigada – como se dizia na era FHC. A região continua exibindo hiato inaceitável: tem quase 28% da população do Brasil e gera pouco mais que 13% do PIB do país. Não há outro exemplo no país de hiato tão gritante.

Nossa presidenta parece estar diante de um novo momento. E nele, o tratamento regional nas diversas políticas federais é, mais do que nunca, fundamental. Principalmente para o Nordeste.
- See more at: http://www.revistanordeste.com.br/post/o+governo+dilma+e+o+nordeste-226#sthash.5ykKu6Sn.dpufA pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (18) mostra que a reprovação deDilma Rousseff cresceu em todas as partes do País e em todas as faixas de renda. As regiões Nordeste e Norte, onde a presidente teve maior vantagem nas eleições de outubro, também estão rejeitando mais a petista.
Atualmente, apenas 16% dos nordestinos consideram o governo Dilma ótimo ou bom. A proporção daqueles que o consideram regular é de 28%. Já os que julgamruim ou péssimo atinge 55%.
Um mês antes das eleições, em setembro do ano passado, 45% dos moradores do Nordeste achavam ótimo ou bom o governo de Dilma; 36%, regular; e 17%, ruim ou péssimo.
No Norte, os atuais índices são: 21% (ótimo ou bom), 28% (regular) e 51% (ruim ou péssimo). Em setembro de 2014, os percentuais eram respectivamente: 39%, 41% e 18%.
A maior reprovação de Dilma ocorre na região Centro-Oeste, onde 75% consideram sua gestão ruim ou péssima e apenas 10% julgam boa ou ótima.
No Sudeste, a presidente é reprovada por 66% dos moradores. No Sul, por 64%.
Jogaram para baixo a avaliação de Dilma o aumento da inflação, o pessimismo sobre a economia do País e a possibilidade de avanço no desemprego.
O instituto ouviu 2.842 eleitores na segunda-feira (16) e na terça-feira (17).
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

MAIS DILMA ROUSSEFF NO BRASIL POST:No Programa “Conversa com a Presidenta” desta quarta-feira (10), um dos assuntos abordados pela presidenta Dilma Rousseff é o conjunto de ações adotadas pelo governo federal relacionadas à seca que atinge o Nordeste e parte de Minas Gerais. Veja, abaixo, alguns trechos da mensagem presidencial.

“A seca no Nordeste e no norte de Minas Gerais já atingiu 1.415 municípios e exigiu novas medidas, com valor adicional de R$ 9 bilhões, que anunciei em 2 de abril, em Fortaleza. As obras estruturantes estão avançando – estamos investindo R$ 32 bilhões em barragens, canais, adutoras, estações elevatórias, e outras -, e já começam a levar água e alívio a muitas cidades”.
“Desde abril de 2012 o governo federal investe fortemente em ações emergenciais, em parceira com estados e municípios. Com os novos anúncios feitos em Fortaleza, sobem para quase R$ 17 bilhões os recursos para enfrentar os efeitos da seca. Veja as novas ações”.
“Os repasses dos recursos serão mais rápidos e simplificados, de um Fundo da União, para um fundo estadual ou municipal, sem convênios”.
“Cada um dos 1.415 municípios atingidos pela seca receberá R$ 1,46 milhão em equipamentos - uma retroescavadeira, uma motoniveladora, um caminhão-caçamba, um caminhão-pipa e uma pá-carregadeira”.
“Serão levadas 340 mil toneladas de milho ao Nordeste em abril e maio e outras 160 mil toneladas mensais enquanto a seca durar. O milho será vendido a preço subsidiado, a R$ 18,10 a saca. Os governos estaduais ajudarão a distribuir o produto, vendendo o milho doado pelo governo federal e utilizando os recursos para comprar volumoso para os rebanhos”.
“Os próximos planos-safra, das agriculturas familiar e comercial, conterão medidas para garantir a segurança produtiva do Nordeste. Como nos países temperados, que sustentam seus rebanhos nos invernos gelados, haverá apoio para que os produtores nordestinos façam armazenagem e silagem dos alimentos, para o plantio de forragens adaptadas à região, inclusive em perímetros irrigados, e para adoção de técnicas agrícolas mais adequadas ao semiárido”.
“Será prorrogado por dez anos o prazo para pagamento das parcelas das dívidas dos produtores rurais que vencem entre 2012 e 2014. No caso dos agricultores familiares, o início do pagamento ficou para 2016, com desconto de 80% para a prestação paga em dia, o chamado bônus de adimplência”.
“Para a agricultura comercial, ficou para 2015; aumentará em até 30% o número de carros-pipa. Hoje, há 4.746 carros distribuindo água em 777 municípios, e poderão chegar a 6.170 carros-pipa”.
“Até o fim do ano, serão entregues mais 240 mil cisternas para consumo humano, sendo 100 mil até julho. Até 2014 serão mais 67 mil cisternas para produção. Elas se somarão às cisternas já entregues - 270 mil para consumo familiar e 12 mil para produção”.
“Enquanto durar a seca, continuará o pagamento do Bolsa Estiagem (R$ 80) e do Garantia Safra (R$ 140), que já beneficiam 1,6 milhão de famílias”.
“O Nordeste foi a região brasileira que mais cresceu nos últimos anos. Essas ações mostram que faremos tudo para preservar essas conquistas, que são vitórias dos nordestinos e de todos os brasileiros”.
Fonte: Secom/Presidência da República
18/03/2015
 às 9:37

Popularidade de Dilma derrete: 62% de ruim e péssimo contra apenas 13% de ótimo e bom; o Nordeste e os mais pobres desistiram da petista. Pior: há aloprados querendo piorar tudo

Datafolha março 1
A Secretaria de Comunicação do governo, cujo titular é Thomas Traumann, elaborou um documento aloprado sobre a situação política do país, propondo um conjunto de ações eivado de ilegalidades. Acredita-se na possibilidade de reverter o desgaste de Dilma na base da “guerrilha” de propaganda, como está lá. Leiam post a respeito. Entre as propostas, está intensificar a relação com os chamados “blogs sujos”, que seriam os “soldados de fora” que atirariam com munição fornecida pelo governo.  Pois é…
Se a receita fosse mesmo essa, a Secom teria que, literalmente, chafurdar no mar de lama. Por quê? Dilma Rousseff derreteu. Em pouco mais de um mês, os que consideravam seu governo ótimo e bom despencaram de 44% para 13%. Os que o avaliam como ruim ou péssimo saltaram de 23% para 62%, e caíram de 35% para 24% os que o veem como regular. Os números são do Datafolha e estão na edição da Folha desta quarta. O instituto entrevistou 2.842 pessoas entre os dias 16 e 17. Pode-se argumentar que os dados estão sob o impacto dos protestos do dia 15. Mas também é possível considerar que os protestos do dia 15 só foram tão bem sucedidos porque esses sãos os números, não é mesmo?
Datafolha março 2
Não há boa notícia possível para Dilma. Pela primeira vez, desde que o PT está no poder, a reprovação ao governo no Nordeste encosta nos números do Sudeste, onde a presidente conta com apenas 10% de ótimo e bom e 66% de ruim e péssimo. Entre os nordestinos, esses números são, respectivamente, 16% e 55%. A região mais severa com a presidente é o Centro-Oeste: 75% de ruim e péssimo e só 10% de ótimo e bom. No Sul, estes números são, na ordem, 64% e 13%. Só a Região Norte destoa um pouco, mas ainda com números francamente hostis à presidente: 51% de ruim e péssimo e 21% de bom e ótimo.
Datafolha março 3
Dilma, como eu já havia apontado aqui na pesquisa de fevereiro, viu desabar a sua popularidade entre os pobres: acham seu governo ruim ou péssimo 60% dos que ganham até dois salários mínimos; 66% dos que recebem de dois a cinco; 65% entre os que ganham entre cinco e dez e mais de dez. O seu mais alto índice de ótimo e bom, bem mixuruca, está na faixa de até dois mínimos: 15%; o mais baixo, na de dois a cinco: 10%.
Se os números são ruins, as expectativas podem ser piores. Sessenta por cento acreditam que a situação econômica vai piorar, e só 15%, que vai melhorar. Para 77%, a inflação vai subir, e só 6% acreditam que vai cair. Creem que o desemprego vai aumentar 69% dos entrevistados, contra apenas 12% que pensam o contrário. Segundo o Datafolha, é o maior pessimismo registrado no país desde 1997.
O governo e os petistas deveriam parar com essa bobagem de que os protestos contra o governo são coisa de rico, não é mesmo? Como se nota, os pobres formam hoje um formidável público potencial para as manifestações. Ainda que não tenham aderido em massa à mobilização do dia 15, parece que podem fazê-lo a qualquer momento. Se a tática desesperada da Secom for posta em prática, aí é que o bicho pode mesmo pegar. A nota atribuída pelos entrevistados a Dilma também caiu: de 4,8 em fevereiro para 3,7 agora.
O Congresso não merece avaliação melhor em tempos de petrolão: só 9% dizem que seu trabalho é ótimo ou bom, contra 50% que o têm como ruim e péssimo. Os números são péssimos, sim, mas é evidente que a crise política não tem origem no Parlamento.
Como Dilma sai das cordas? Uma coisa é certa: não é alimentando a guerra suja, como sugere um documento da Secom. Talvez um primeiro passo fosse se cercar de gente capaz de entender a natureza da crise. Até agora, não há ninguém com esse perfil. O petismo aloprado só a aproxima ainda mais do abismo.
texto publicado originalmente às 5:37
Por Reinaldo Azevedo

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O Funk de Dilma Rousseff em BH
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