A Presidenta Dilma herdou de seu antecessor um Nordeste revigorado. Isto resultou do fato do Governo Lula ter atuado na região com base em várias linhas de ação.
Primeiro, ao priorizar as políticas sociais e a elevação real do salário mínimo o Governo Federal chegou com força aos mais pobres e á maioria dos trabalhadores da região. Mais renda, junto com crédito farto e bem escalonado, associado ao emprego em crescimento estimularam o consumo popular na região, de forma nunca vista. O consumo dinâmico mexeu com as frágeis economias dos pequenos municípios e ativou as bases produtivas dos médios e grandes municípios, atraindo investimentos privados, sobretudo nos setores ligados ao consumo popular.
Em segundo lugar, definiu e executou uma política de investimento (especialmente via Petrobras e via PAC) definindo projetos de peso e estruturadores de um novo momento da economia regional. Três refinarias, estaleiros, a ferrovia Transnordestina, a interligação de bacias, ao lado de outros projetos, mostraram uma prioridade clara em dotar a região de investimentos de peso e despertaram ali, um potencial latente.
Finalmente, ao definir várias políticas setoriais, o Governo pedia sempre o mapa das ações e atuava para estimular iniciativas no Nordeste. Exemplos disso são a presença de novas Universidades e vários novos campi das Federais no interior nordestino, diversos Institutos Federais e Escolas Técnicas, também preferencialmente localizados no interior da região. Além de centros de pesquisa nacionais em áreas de ponta da Ciência e Tecnologia – como fármacos, neurociências...
O resultado é conhecido, tanto em termos sociais como econômicos, políticos e eleitorais. Mas este novo momento do Nordeste gerou também impactos psico sociais: o orgulho de ser conterrâneo de um presidente tão respeitado aqui e fora do país, se fez acompanhar pela nova imagem que as outras regiões passaram a ter do Nordeste, mesmo que resquícios de preconceito viessem de vez em quando à tona. Igualmente importante foi a recuperação da confiança dos nordestinos no seu futuro. Muitos até fizeram o caminho de volta para a região.
A nova presidenta parece experimentar uma situação diferente. Há fatos novos e tendências que merecem reflexão.
Um dado inicial é a conjuntura mundial, muito mais desafiadora e difícil que a que vigorou na maior parte do Governo Lula. Isto deixa os espaços de manobra mais estreitos.
Por seu turno, os impactos adicionais esperados das políticas sociais e da política de reajuste do salário mínimo (mesmo com a prioridade do Brasil sem Miséria), devem ser menores que os observados na fase anterior. Além disso, os investimentos públicos mais relevantes para o Nordeste, que ficaram para ser concluídos ao final do período Lula, enfrentam grandes dificuldades de execução nos vários níveis de Governo. Perderam fôlego, o que tem irritado a própria presidenta.
Além disso, a leitura regional que impregnava as políticas setoriais parece ter perdido força. Uma preocupação correta do novo Governo é com a continuidade da industrialização do país. Mas como o mais ameaçado é o parque industrial produtor de bens de mais alto valor agregado e maior conteúdo tecnológico, e ele está fortemente concentrado no Sudeste/Sul, o “ Brasil Maior” e o pacote recente deixam o Nordeste à margem das medidas principais.
De seu lado, a exploração do petróleo no pré-sal (localizada na costa das regiões Sudeste/Sul), pelo marco regulatório corretamente definido, será um dos elementos chave da promoção da indústria no país nas próximas décadas (tanto que o setor do Petróleo e Gás (P&G) já lidera os investimentos industriais brasileiros). Mas o núcleo central da cadeia produtiva de fornecedores que ele mobilizará (setores eletro-metal-mecânico) também está fortemente concentrado no Sudeste/Sul. O Brasil tem, assim, no novo momento da política do setor de P&G, uma cunha no modesto movimento de desconcentração industrial que beneficiava o Nordeste.
Outro exemplo é o da indústria automotiva, cuja importância está ligada ao seu poder de difusão de dinamismo. Ela vai crescer rapidamente seus investimentos no Brasil nos próximos anos, mas já se encontra fortemente concentrada no Sudeste/Sul do país, onde existem melhores condições de competitividade. Se a decisão de localização for entregue apenas ao mercado, a concentração espacial dos novos investimentos será inevitável. O recente anuncio da Volkswagen de não vir para o Nordeste e ampliar sua fábrica de Taubaté aponta para esta tendência. No entanto, o novo marco do setor automotivo não tem sequer resquício de alguma preocupação regional...
Por seu turno, o avanço da produção de etanol, se dá concentrado em São Paulo e em parte do Centro-Oeste. O Nordeste perde seguidamente peso na produção nacional deste combustível.
Os exemplos acima sinalizam para a possibilidade dos próximos anos ficarem na história econômica do Brasil como um novo momento de concentração da base produtiva nacional, rompendo tendência à modesta desconcentração regional que se observava desde os tempos do II Plano Nacional de Desenvolvimento e que foi impulsionada no Governo anterior, beneficiando o Nordeste.
Estes são sinais de alerta para o Governo Dilma. Eles reafirmam que o Nordeste continua a necessitar de tratamento prioritário em termos de investimentos para desenvolver seu potencial. Só assim pode vencer a visão equivocada de que aqui só existe miséria e no máximo oportunidades para o turismo de praia e de eventos e para a fruticultura irrigada – como se dizia na era FHC. A região continua exibindo hiato inaceitável: tem quase 28% da população do Brasil e gera pouco mais que 13% do PIB do país. Não há outro exemplo no país de hiato tão gritante.
Nossa presidenta parece estar diante de um novo momento. E nele, o tratamento regional nas diversas políticas federais é, mais do que nunca, fundamental. Principalmente para o Nordeste.
Atualmente, apenas 16% dos nordestinos consideram o governo Dilma ótimo ou bom. A proporção daqueles que o consideram regular é de 28%. Já os que julgamruim ou péssimo atinge 55%.
Um mês antes das eleições, em setembro do ano passado, 45% dos moradores do Nordeste achavam ótimo ou bom o governo de Dilma; 36%, regular; e 17%, ruim ou péssimo.
No Norte, os atuais índices são: 21% (ótimo ou bom), 28% (regular) e 51% (ruim ou péssimo). Em setembro de 2014, os percentuais eram respectivamente: 39%, 41% e 18%.
A maior reprovação de Dilma ocorre na região Centro-Oeste, onde 75% consideram sua gestão ruim ou péssima e apenas 10% julgam boa ou ótima.
No Sudeste, a presidente é reprovada por 66% dos moradores. No Sul, por 64%.
Jogaram para baixo a avaliação de Dilma o aumento da inflação, o pessimismo sobre a economia do País e a possibilidade de avanço no desemprego.
O instituto ouviu 2.842 eleitores na segunda-feira (16) e na terça-feira (17).
A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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