sexta-feira, 24 de julho de 2015

OUVIDO HUMANO

O ouvido humano

O ouvido consiste em 3 partes básicas - o ouvido externo, o ouvido médio, e o ouvido interno. Cada parte serve para uma função específica para interpretar o som. O ouvido externo serve para coletar o som e o levar por um canal ao ouvido médio. O ouvido médio serve para transformar a energia de uma onda sonora em vibrações internas da estrutura óssea da ouvido médio e finalmente transformar estas vibrações em uma onda de compressão ao ouvido interno. O ouvido interno serve para transformar a energia da onda de compressão dentro de um fluido em impulsos nervosos que podem ser transmitidos ao cérebro. As três partes do ouvido podem ser vistas abaixo.
O ouvido externo consiste da orelha e um canal de aproximadamente 2 cm. A orelha serve para proteger o ouvido médio e prevenir danos ao tímpano. A orelha também canaliza as ondas que alcançam o ouvido para o canal e o tímpano no meio do ouvido. Devido ao comprimento do canal , ele é capaz de amplificar os sons com frequências de aproximadamente 3000 Hz. À medida que o som propaga através do ouvido externo, o som ainda está na forma de uma onda de pressão, que é um sequência alternada de regiões de pressões mais baixas e mais altas. Somente quando o som alcança o tímpano, na separação do ouvido externo e médio, a energia da onda é convertida em vibrações na estrutura óssea do ouvido.
O ouvido médio é uma cavidade cheia de ar, consistindo na bigorna e 3 pequenos ossos interconectados - o martelo, a bigorna o estribo. O tímpano é uma membrana muito durável e bem esticada que vibra quando a onda a alcança. Como mostrado acima, uma compressão força o tímpano para dentro e a rarefação o força para fora. Logo, o tímpano vibra com a mesma frequência da onda. Como ela está conectada ao martelo, os movimento do tímpano coloca o martelo, a bigorna, eo estribo em movimento com a mesma frequência da onda. O estribo é conectado ao ouvido interno. Assim, as vibrações do estribo são transmitidas ao fluido do ouvido médio e criam uma onda de compressão dentro do fluido. Os 3 pequenos ossos do ouvido médio agem como amplificadores das vibrações da onda sonora. Devido à vantagem mecânica, os deslocamentos da bigorna são maiores do que a do martelo. Além disso, como a onda de pressão que atinge uma grande área do tímpano é concentrada em uma área menor na bigorna, a força da bigorna vibrante é aproximadamente 15 vezes maior do que aquela do tímpano. Esta característica aumenta nossa possibilidade de ouvir o mais fraco dos sons.  O ouvido médio é uma cavidade cheia de ar que é conectada ao tubo de Eustáquio e à boca. Esta conexão permite a equalização da pressão das cavidades cheias de ar do ouvido. Quando esta passagem fica congestionada devido a um resfriado, a cavidade do ouvido é impossibilitada de equalizar sua pressão; isto frequentemente leva a dores de ouvido e outras dores.
O ouvido interno consiste de uma coclea, canais semicirculares, e do nervo auditivo. A coclea e os canais semicirculares são cheios de um líquido. O  líquido e as células nervosas dos canais semicirculares não têm função na audição; eles simplesmente servem como acelerômetros para detetar movimentos acelerados e na manutemção do equilíbrio do corpo.  A coclea é  um orgão em forma de um caramujo que pode esticar até 3 cm. Além de estar cheio de um fluido, a superfície interna da coclea está alinhada com cerca de 20.000 células nervosas que performam a funções mais críticas na nossa capacidade de ouvir. Estas células nervosas possuem comprimentos diferentes, por diferenças minúsculas; eles também possuem diferentes graus de elasticidade no fluido que passa sobre eles. À medida que uma onda de compressão se move da interface entre o martelo do ouvido médio para a janela oval do ouvido interno através da coclea, as células nervosas na forma de cabelos entram em movimento.  Cada célula capilar possui uma sensibilidade natural a uma frequência de vibração particular . Quando a frequência da onda de compressão casa com a frequência natural da célula nervosa, a célula irá ressoar com uma grande amplitude de vibração. Esta vibração ressonante induz a célula a liberar um impulso elétrico que passa ao longo do nervo auditivo para o cérebro. Em um proceso que ainda não é compreendido inteiramente, o cérebro é capaz de interpretar as qualidades do som pela reação dos impulsos nervosos.A orelha (do latim: auricula) ou órgão vestibulococlear (parte externa) e o ouvido (parte interna), constituem os órgãos do sistema auditivo responsáveis pela audição e equilíbrio.1 2 Nos mamíferos, as orelhas apresentam-se aos pares localizando-se na cabeça, podendo estar em outras partes do corpo ou mesmo serem ausentes em outros animais. As aranhas possuem pelos nas patas que são responsáveis pela deteção do som. O ouvido dos répteis apresenta apenas um osso, a columela, que é considerado homólogo ao estribo dos mamíferos.
Em muitos animais, as orelhas apresentam músculos que as seguram ao crânio capazes de executar movimentos semicirculares, ampliando a área de alcance das orelhas. Os morcegos possuem orelhas excepcionalmente grandes e complexas que operam como receptor de ondas hipersônicas emitidas pelo animal, que refletem sobre qualquer superfície e são interpretadas pelo cérebro como uma imagem, e assim permitem a localização espacial do animal no escuro.
Já os elefantes e outros animais de savana apresentam orelhas grandes que possuem outras funções, como radiador por dissipação. Intensamente irrigadas por vasos sanguíneos, as orelhas são abanadas de forma a dissipar o calor em excesso do corpo, equilibrando a sua temperatura interna.
Nos seres humanos, as orelhas possuem arquitetura complexa, mas são relativamente menores que em outros grandes primatas, como o chimpanzé, e raramente possuem capacidade de movimento.
Muitas culturas utilizam a orelha como chamariz, prendendo adornos de pedrametal, ou outros materiais à sua cartilagem. Em algumas comunidades, a laceração dolóbulo da orelha é um símbolo de status, e quanto maior o buraco (aberto e ampliado por objetos como discos, ou pesos), mais alta é a posição do indivíduo na sociedade. De maneira geral, o lóbulo da orelha, bem como sua curva superior, são apontadas como zonas erógenas.
O ouvido humano é dividido em três regiões anatômicas: ouvido externoouvido médio e ouvido interno.1 3

Orelha externa[editar | editar código-fonte]

A orelha externa é composta de duas partes: o pavilhão da orelha, também conhecido como pina, e o meato acústico externo.

Pavilhão da orelha[editar | editar código-fonte]

O pavilhão da orelha humana e seus componentes: 1.hélice; 2.fossa escafoide; 3.fossa triangular; 4.anti-hélice; 5.concha; 6.trago; 7.antitrago; 8.lóbulo
O pavilhão da orelha é o apêndice que se situa lateralmente na cabeça e circunda a abertura do meato acústico externo.1 Também chamado de pina, é formado por uma lâmina de cartilagem elástica de formato irregular, recoberta por uma fina camada de pele. Possui várias depressões e elevações, sendo a concha a maior depressão.4 A margem elevada da orelha é chamada de hélice, e, localizada logo abaixo da hélice se encontra a escafa ou fossa escafoide, que é uma longa depressão que se encontra logo abaixo da hélice. Abaixo da escafa, se encontra uma elevação chamada anti-hélice, que termina bifurcada em dois ramos, encontrando-se uma fossa entre eles, chamada de fossa triangular ou navicular. O lóbulo é uma pequena porção de tecido mole que se encontra na região inferior do pavilhão. Localizados superiormente ao lóbulo, encontram-se o trago e o antitrago, o primeiro localizado logo na abertura do meato acústico externo e o segundo, logo acima do lóbulo.
A função principal do pavilhão auditivo é coletar sons, agindo como um funil e direcionando o som para o conduto auditivo.3 Outra função é a filtração do som, processo este que ajuda a localizar a origem dos sons que chegam ao individuo. Além disso, no caso dos humanos, o processo de filtração seleciona sons na faixa de frequência da voz humana facilitando o reconhecimento.

Meato acústico externo[editar | editar código-fonte]

Localização do meato acústico externo (cor) na orelha humana
O meato acústico externo tem a função de transmitir os sons captados pela orelha para o tímpano, além de servir de câmara de ressonânciaampliando algumas frequências de sons.
Nos seres humanos, o meato se estende por cerca de 25-30 milímetros de comprimento, desde a concha até a membrana do tímpano,5 que divide a orelha externa da orelha média.1 Tem composição cartilaginosa em seu terço lateral, e óssea nos dois terços mediais. É revestido por uma pele fina, sem papilas dérmicas, que se torna mais fina internamente, onde cobre a face externa da membrana do tímpano e se prende firmemente ao periósteo. Otecido subcutâneo da sua porção cartilaginosa apresenta glândulas sebáceasceruminosas e folículos pilosos.6 A presença de glândulas apócrinas tubulares enoveladas que secretam cerume é um elemento característico do revestimento cutâneo do meato acústico externo.7 Já na porção óssea, pelos e glândulas ocorrem apenas na parede superior.6

Orelha média[editar | editar código-fonte]

Localização da orelha média
orelha média é um espaço no osso temporal preenchido com ar,2 situado entre a membrana do tímpano e as estruturas da orelha interna.7 É composta pelos ossículosmartelobigorna e estribo, denominados dessa forma por sua semelhança conspícua com esses objectos,8 3 e pela tuba auditiva ou trompa de Eustáquio.
Os mamíferos são os únicos animais que possuem três ossos no ouvido, ligando o tímpano à orelha interna. Os ossículos são os menores ossos do corpo humano e já estão em seu tamanho completo ao nosso nascimento, menores do que um grão de arroz. Estão localizados na cavidade em forma de ervilha da orelha média, e conectam-se entre si, formando uma ponte entre a membrana timpânica e a janela oval.
A principal função da orelha média é transmitir os sons da membrana do tímpano às estruturas cheias de líquido da orelha interna.7 As vibrações sonoras são conduzidas pelos ossículos através de um sistema de membranas. Enquanto as ondas sonoras movem a membrana timpânica, esta move os ossículos, por meio de um sistema de alavancas que transfere a energia das ondas sonoras.
Outra parte da orelha média é a tuba auditiva que conecta a cavidade da orelha média com a nasofaringe.9 8 A extremidade superior é normalmente aberta, pois é rodeada de ossos, enquanto que a inferior é normalmente fechada, pois é cercada por um tecido fino. A tuba auditiva ajuda a manter o equilíbrio da pressão do ar entre a cavidade timpânica e o ambiente externo.10
A tuba apresenta-se normalmente fechada, mas abre-se durante a mastigação, a deglutição e o bocejo, permitindo uma equalização entre a pressão do ouvido externo e do ouvido médio.2 Uma sensação de pressão pode ser causada na orelha por este processo de equalização em um avião ou em situações de mudanças de altitude.

Orelha interna[editar | editar código-fonte]

Ouvido interno
Componentes do ouvido interno

orelha interna é composta por uma parte anterior, relacionada com a audição e denominada cóclea ou caracol, e uma parte posterior, relacionada com o equilíbrio, e formada pelo vestíbulo e pelos canais semicirculares.3
O último osso da cadeia ossicular, o estribo, está acoplado a uma fina membrana chamada de janela oval. A janela oval é na realidade uma entrada para a orelha interna, que contém o órgão da audição, a cóclea. Quando o osso estribo move, a janela oval move com ele. No outro lado da janela oval está a cóclea, um canal em forma decaracol preenchido por líquidos e, quando as vibrações chegam à cóclea provenientes da orelha interna, são transformadas em ondas de compressão que por sua vez ativam o órgão de Corti que é responsável pela transformação das ondas de compressão em impulsos nervosos que são enviados ao cérebro para serem interpretados.8
O líquido é agitado pelos movimentos da janela oval e, dentro da cóclea, o órgão de Corti é formado por milhares de células ciliadas que são colocadas em movimento toda vez que o líquido é movimentado.
A estimulação destas células, por sua vez, causa impulsos elétricos que são enviados para o cérebro. Os impulsos elétricos representam a quarta mudança na mensagem sonora de uma energia para a outra: da energia acústica das ondas sonoras entrando na orelha, para a energia elétrica dos impulsos que viajam para o cérebro.
O ouvido interno também contém um órgão muito importante que está na verdade conectado com a cóclea, mas que não contribui para o nosso sentido da audição, osistema vestibular, formado por três pequenos canais semicirculares, que nos ajudam a manter o equilíbrio e auxiliar na visão já que as rotações da mesma precisam ser compensadas para que possamos ter uma visão clara sem ser borrada. É através dele que se pode saber por exemplo quando se esta com o corpo inclinado mesmo estando de olhos vendados.
Problemas com os canais semicirculares podem resultar em sintomas como a vertigem. A audição é um factor chave na manutenção de trocas intelectuais, mas possivelmente ainda mais importante, a audição supre o pano de fundo auditivo que dá o sentimento de participação e segurança.

Afecções[editar | editar código-fonte]

Os acontecimentos que acometem a orelha externa (pavilhão auricular e conduto auditivo externo) podem ser desde malformações congênitas até processos inflamatórios e infecciosos, inclusive metabólicos. Odiabetes pode favorecer infecções no aparelho auditivo.
São exemplos de malformações congênitas: a anotia, a microtia, a macrotia e a atresia do conduto auditivo. O tubérculo de Darwin, o Coloboma Auris, e a fístula pré-auricular são tecidos remanescentes de malformações congênitas. A orelha de couve-flor é um problema decorrente de lesão.
Erisipela no pavilhão da orelha
pavilhão auricular e o conduto auditivo podem ainda sofrer os mesmos processos que a pele:

Ouvido[editar | editar código-fonte]

Desde 1895, especialistas buscam criar uma nomenclatura anatômica padronizada.11 Em 1935, o Congresso de Anatomia realizado na cidade de Jena, na Alemanha, aprovou uma proposta, chamada Jenaer Nomina Anatomica (JNA), que continha os nomes em latim, facultando a cada país a tradução dos termos nas línguas nacionais. O sistema auditivo era dividido em duas partes, traduzidas como "auris interna" e "auris externa". Posteriormente, a "auris interna" foi subdividida em "auris média" e "auris interna".
Com a Segunda Guerra Mundial, a JNA não foi amplamente adotada, e em 1950, um comitê foi formado para produzir um novo padrão. A primeira versão do documento, que passou a se chamar simplesmenteNomina Anatomica, foi aprovada no Congresso Internacional de Anatomia de 1955, realizado em Paris, e publicada em 1956. A Sociedade Brasileira de Anatomia cogitava publicar uma nomenclatura em língua portuguesa, possivelmente com apoio de Portugal e formou uma comissão para elaborar proposta, discutir com as universidades e apresentar em seus congressos. Em 1958, surgia a primeira nomenclatura anatômica brasileira oficial, na qual o órgão da audição passava a ser denominado "orelha", dividido em "orelha interna", "orelha média" e "orelha externa".11
Segundo a tradução da última edição da Nomina Anatomica (que mudou de nome, passando a chamar-se Terminologia Anatomica) para a língua portuguesa, publicada pela Sociedade Brasileira de Anatomia em2001, usa-se orelha para designar tanto o órgão da audição em sua totalidade, como a parte visível e externa que corresponde ao pavilhão auricular. Em Portugal mantém-se a denominação de ouvido em lugar de orelha para o órgão da audição.

Referências

  1. ↑ Ir para:a b c d Thibodeau 2002, p. 213
  2. ↑ Ir para:a b c Ganong 1968, p. 151
  3. ↑ Ir para:a b c d Borges, Antonio. Noções da anatomia da orelha (em português) Inclusão e Tecnologias Assistivas. Visitado em 28 de dezembro de 2012.
  4. Ir para cima Zorzetto 2006, p. 24-25
  5. Ir para cima Zorzetto 2006, p. 25-26
  6. ↑ Ir para:a b Zorzetto 2006, p. 26
  7. ↑ Ir para:a b c Kierszenbaum 2012, p. 284
  8. ↑ Ir para:a b c Thibodeau 2002, p. 214
  9. Ir para cima Kierszenbaum 2012, p. 285
  10. Ir para cima Kierszenbaum 2012, p. 286
  11. ↑ Ir para:a b MANGABEIRA-ALBERNAZ, Paulo (janeiro de 1959). A nomenclatura anatômica oficial brasileira e a otorrinolaringologia Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. Visitado em 28 de dezembro de 2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
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  • Linguagem Médica: Orelha e Ouvido (em português)O ouvido humano pode ser separado em três grandes partes, de acordo com a função desempenhada e a localização. São elas: o ouvido externo, o ouvido médio e o ouvido interno. Segue-se então uma vista panorâmica do sistema auditivo humano na qual as suas três zonas constituintes são discriminadas.
    Figura 1 - Vista panorâmica. (Passe com o rato por cima da imagem para ver as legendas)
    1. O ouvido externo
    Fazem parte do ouvido externo o pavilhão auricular e o canal auditivo, cujas funções são recolher e encaminhar as ondas sonoras até ao tímpano. É também no canal auditivo que se dá a produção de cera, que não é mais do que uma forma de este se manter húmido e limpo. Isto porque a cera ajuda a reter partículas de pó, sujidade e microorganismos. Será importante referir que os vulgares cotonetes não devem ser introduzidos no canal auditivo. Isto porque ajudam a empurrar a cera contra o tímpano podendo danificá-lo ou, no mínimo, formar uma barreira que dificulta a audição.
    pavilhão auricular é muito desenvolvido em muitas das espécies de mamíferos terrestres (sendo fundamental na localização de presas e de predadores) e é dotado de movimento. Com a evolução da nossa espécie, essa capacidade foi-se perdendo. Contudo, existem humanos que ainda hoje conseguem produzir pequenos movimentos com as orelhas.
    2. O ouvido médio
    ouvido médio, também denominado de caixa timpânica, representado com algum detalhe na Figura 2, é uma cavidade com ar, por detrás da membrana do tímpano (4), através da qual a energia das ondas sonoras é transmitida, do ouvido externo até à janela oval na cóclea, esta já no ouvido interno. Essa transmissão de energia é efectuada através de três ossos minúsculos (o martelo (1), a bigorna (2) e o estribo (3)), que vibram, solidários com otímpano. Estes três ossos (seis, se contarmos com os dois ouvidos) são os mais pequenos que podemos encontrar no corpo humano. No ouvido médio existe ainda um canal, em parte ósseo, em parte fibrocartilagíneo, denominado de trompa de Eustáquio (6), que o mantém em contacto com a rinofaringe. Esta é a forma encontrada pela natureza de manter uma pressão constante no ouvido médio. Para que isso possa acontecer, a trompa de Eustáquio abre e fecha constantemente.
    membrana do tímpano é, na realidade, constituída por três camadas, sendo a camada exterior uma continuação da pele do canal auditivo. A parcela superior da membrana denomina-se de pars flaccida, enquanto que a parcela inferior se chama pars tensa. É na parte central da pars tensa que se localiza a área vibrante activa, em resposta a um estímulo sonoro. A membrana timpânica é uma estrutura auto-regenerativa, sendo por isso capaz de corrigir um furo na sua estrutura.
    A cadeia de pequenos ossos, as suas articulações e ligamentos estão revestidos por uma mucosa e pode tornar-se mais ou menos tensa, pela acção de dois pequenos músculos, o do martelo e o do estribo. Através deste mecanismo é possível limitar a transmissão de energia para o interior da cóclea (algo que é útil para evitar danos no ouvido interno quando estamos expostos a sons de intensidade elevada).

    Legenda
    1. Martelo
    2. Bigorna
    3. Estribo
    4. Tímpano
    5. Janela Redonda
    6. Trompa de Eustáquio

    Figura 2 - Ouvido médio em mais detalhe.
    3. O ouvido interno
    É no ouvido interno ou labirinto que se encontra a parte mais importante do ouvido periférico (o que se encontra entre o pavilhão auricular e os nervos auditivos). É ela a cóclea, em forma de caracol e responsável em grande parte pela nossa capacidade em diferenciar e interpretar sons. De facto, desenrola-se na cóclea uma função complexa de conversão de sinais, em resultado da qual os sons nela recebidos (do tipo mecânico) são transformados em impulsos eléctricos que "caminham" até ao cérebro pelo nervo auditivo, onde são depois descodificados e interpretados. Como se pode ver na Figura 3a cóclea parece uma concha do mar, sendo constituída por um "tubo" ósseo enrolado sobre si próprio, com as dimensões aproximadas de uma ervilha.

    Legenda
    1. Canais semicirculares
    2. Nervo Auditivo
    3. Membrana Basilar
    4. Cóclea

    Figura 3- Ouvido interno em mais detalhe.
    Para além da cóclea, no ouvido interno encontra-se também o labirinto vestibular, constituido pelo sáculo (4) e pelo utrículo (14), que são os órgãos do sentido do equilíbrio e que informam o nosso cérebro sobre a posição do corpo no espaço. Repare-se na figura seguinte. Os canais semicirculares lateraisanteriores, e posteriores fazem também parte do labirinto vestibular, informando o cérebro sobre o movimento rotatório no espaço. A informação proveniente do labirinto vestibular e da cóclea é transmitida ao cérebro pelo nervo auditivo, como ser pode verificar na Figura 3.

    Legenda
    1. Canal Semicircular Anterior
    2. Canal Superior
    3. Canal Lateral
    4. Sáculo
    5. Ducto Coclear
    6. Helicotrema ou Apex
    7. Canal Lateral
    8. Canal Posterior
    9. Canal Posterior
    10. Janela Oval
    11. Janela Redonda
    12. Ducto Vestibular (Scala Vestibuli)
    13. Ducto Timpanico (Scala Tympani)
    14. Utrículo
    Figura 4- A cóclea e os canais semicirculares.

    O "tubo" ósseo enrolado que constitui a cóclea encontra-se dividido em toda a sua extensão em três secções, estando todas preenchidas com um fluído semelhante à água. A primeira denomina-se de scala vestibuli (rampa vestibular) e está ligada à janela oval, enquanto que a última, a scala tympani (rampa timpânica) se encontra ligada à janela redonda. Estas duas secções unem-se apenas no fim da cóclea, no chamado helicotrema, e estão separadas por uma terceira secção denominada de ducto coclear. A separação entre as três secções referidas é efectuda por duas membranas. Assim a separar a scala vestibuli do ducto coclear encontra-se a membrana de Reissner e entre o ducto coclear e a scala tympani está a membrana basilar. A membrana basilar é muito importante pois é ela que suporta o orgão de Corti. No orgão de Corti localizam-se as células ciliadas que, quando agitadas pelas vibrações sonoras, produzem impulsos eléctricos que o cérebro descodificará. Na figura seguinte podemos observar um corte transversal da espiral coclear, sendo de notar as três secções referidas.

    Legenda
    1. Ducto Coclear
    2. Scala Vestibuli
    3. Scala Tympani
    4. Espiral Ganglionar
    5. Nervo Auditivo
    Figura 5 - A cóclea seccionada.

    As Figuras 6 e 7 mostram o órgão de Corti que, como já referido, aloja as células ciliadas, assentando sobre a membrana basilar e seguindo a estrutura em espiral da mesma. Como pudemos já verificar, um som normal pode ser obtido como a soma de sons elementares com frequências diversas. Devido às características muito particulares da cóclea, cada uma dessas frequências excita uma determinada zona da membrana basilar, estimulando assim apenas as células ciliadas que aí se encontram. Esta particularidade, explorada mais aprofundadamente no tópico seguinte, constitui a razão da nossa capacidade em diferenciar sons de tonalidades (ou frequências) diferentes.

    Legenda
    1. Ducto Coclear
    2. Scala Vestibuli
    3. Scala Tympani
    4. Membrana de Reissner
    5. Membrana Basilar
    6. Membrana Tectória
    7. Stria Vascularis
    8. Fibras
    9. Espiral Laminar
    Figura 6- Desenho de um pormenor de um corte transversal da cóclea.

    Podemos verificar, analisando a Figura 7, que existem dois tipos de células ciliadas: as células ciliadas interiores (1) e as exteriores (2). É também possível verificar que a membrana tectória (6), imersa em endolinfo, cobre os dois tipos de células. Há três filas de aproximadamente 12000 células ciliadas exteriores. Embora sejam em muito maior número do que as células interiores, recebem apenas aproximadamente 5% das inervações das fibras do nervo auditivo. Estas células contêm uma espécie de filamentos musculosos que contraem quando estimulados e "afinam" a resposta da membrana basilar. Por causa deste efeito, as células ciliadas exteriores saudáveis soarão no seguimento de um estímulo sonoro. Ou seja, elas próprias produzem um pequeno som depois de serem estimuladas. Esta é também a razão que está na origem de certas perturbações, causando os conhecidos zumbidos (tinnitus).
    As células ciliadas internas distribuem-se ao longo de uma fila com aproximadamente 3500 células. Estas células recebem aproximadamente 95% das enervações das fibras do nervo auditivo, sendo as principais responsáveis pela produção da sensação de audição. Quando danificadas provocam perdas auditivas acentuadas e irreversíveis.

    Legenda
    1. Células Ciliadas interiores (CCI)
    2. Células Ciliadas exteriores (CCE)
    3. Tunel de Corti
    4. Membrana Basilar
    5. Membrana Reticular
    6. Membrana Tectorial
    7. Células de Deiter
    8. Espaço de Nuel
    9. Células de Henson
    10. Sulco da Espiral Interior
    Figura 7- Pormenor esquemático de uma secção transversal do órgão de Corti.

    Nas Figuras 6 e 7 é ainda possível observar a chamada membrana tectória (6), uma membrana delicada, flexível e gelatinosa que cobre as células cíliadas interiores e exteriores. Os cílios (tufos parecidos com cabelo que se extendem à superficie das células ciliadas) das células exteriores estão encaixados na membrana tectorial. Nas células interiores, os cílios podem ou não estar encaixados na membrana tectória. Quando um estímulo sonoro provoca oscilações na membrana basilar, a membrana tectória move-se, estimulando assim os cílios.

    © 2002 - Humberto FonsecaVasco SantosAníbal FerreiraO ouvido é um órgão avançado e muito sensível do corpo humano. A função do ouvido é transmitir e traduzir sons para o cérebro através das seguintes partes: ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno.
    A tarefa principal do ouvido é detectar, transmitir e traduzir sons. Outra função muito importante do ouvido é manter nosso senso de equilíbrio.

    A melhor maneira para descrever a função do ouvido é fazer uma descrição do caminho percorrido pelas ondas do som no ouvido. No video você poderá ver a viagem de ondas sonoras através do ouvido.

    As ondas do som se deslocam do ouvido externo através do canal auricular causando vibrações no tímpano, ou membrana timpânica. Esse movimento se processa nos três pequenos ossos conhecidos como ossículos, ou martelo. As vibrações movem-se através da janela oval em direção ao fluído na cóclea, no ouvido interno, estimulando milhares de cabelos das células.

    O ouvido está dividido em três diferentes partes:

    Nestas páginas você poderá ler descrições completas acerca das partes do ouvido e como elas funcionam.

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