Se considerarmos a fantasia decorrente da observação de algum objeto, assim como uma roupa íntima ou parte do corpo, tais como os pés da pessoa amada, como preparação ou auxílio no processo erótico de excitação, trata-se de uma manifestação normal e até desejável da sexualidade humana.
A sexualidade e o erotismo se fazem muito mais da nossa imaginação e dos significados que podemos dar a cada objeto, imagem, palavra e toque do que propriamente do contato físico. O contato físico seria a atuação prática de um roteiro já escrito na mente das pessoas. O que for diferente disso seria apenas instinto animal de procriação, seria reduzir a sexualidade humana a um nível muito inferior, seria perder o melhor da festa.
Por outro lado devo alertar que o ditado popular ''se um pouco é bom, mais será melhor'' não se pode aplicar no campo da saúde mental. Assim sendo, tudo que for demais ou tudo que produzir sofrimentos e limitações trará prejuízos e será objeto de nossas preocupações, estudos e intervenção clínica.
O fetichismo foi classificado pela psicanálise inicialmente como uma perversão, ou seja, uma manifestação disfuncional da sexualidade. Hoje o manual de diagnóstico e estatística de transtornos mentais da Associação de Psiquiatria Americana define o fetichismo como uma parafilia.
O fetichismo é considerado um transtorno quando o sujeito é incapaz de amar outra pessoa real, ou de sentir prazer com ela sexualmente. Ao contrário disso, o desejo é dirigido para uma parte dessa pessoa tais como seus pés, mamas, nádegas ou para um objeto inanimado que esta pessoa use, assim como uma calcinha, um sutiã etc... Desta forma, o fetichista não necessita da presença da outra pessoa para completar seu prazer sexual. Ele pode, por exemplo, obter orgasmo se masturbando com seu objeto de prazer (fetiche).
A psicanálise considera que todas as pessoas são fetichistas em algum grau. Cada uma sentindo-se atraída por determinado estilo de vestimenta ou indivíduos com certos atributos ou características físicas. O que não é normal é a pessoa não conseguir obter prazer sexual sem o seu fetiche.
Embora possamos normalmente admirar certas características específicas da outra pessoa, isso não deve ser todo o objeto de desejo como ocorre no fetichista. Elas seriam apenas uma parte em relação a um todo físico e psíquico (da pessoa desejada) que forma, em conjunto, a outra pessoa. Enquanto uma pessoa considerada saudável se satisfaz sexualmente com outra que lhe atrai como um todo (físico, mente, intelecto e caráter), o fetichista se excita com apenas alguma particularidade desta pessoa, ou simplesmente com um objeto que a ela pertence (calcinhas, sutiãs, sapatos, mãos, nariz, e até mesmo um defeito físico).
O fetichista não consegue obter prazer sexual sem o seu fetiche. O fetichista tem o fetiche como o elemento necessário e suficiente para sua excitação sexual. Um fetiche (do francês fétiche, que por sua vez é um empréstimo do português feitiço cuja origem é o latim facticius "artificial, fictício") é um objeto material ao qual se atribuem poderes mágicos ou sobrenaturais, positivos ou negativos. Inicialmente este conceito foi usado pelos portugueses para referir-se aos objetos empregados nos cultos religiosos dos negros da Áfricaocidental. O termo tornou-se conhecido na Europa através do erudito francês Charles de Brosses em 1757.
Psicologia[editar | editar código-fonte]
Em psicologia o fetichismo é uma parafilia. O objeto do fetiche é a representação simbólica de penetração, tem conotação sexual, é um objeto parcial e não representa quem está por trás do objeto. Os fetiches mais comuns na sociedade ocidental são os pés (no Brasil, a adoração por pés recebe um nome especial: podolatria), os sapatos e a roupa íntima. Os objetos usados na prática do sadomasoquismo são os fetiches.
Sociologia[editar | editar código-fonte]
Karl Marx desenvolveu uma teoria econômica e política para o fetiche, central em sua obra, que é aplicada, por exemplo, à crítica dos meios de comunicação de massa, da mercadoria e do capital. Para a escola marxista, o fetiche é um elemento fundamental da manutenção do modo de produção capitalista. Consiste numa ilusão que naturaliza um ambiente social específico, revelando sua aparência de igualdade e ocultando sua essência de desigualdade.
O fetiche da mercadoria, postulado por Marx, opõe-se à idéia de "valor de uso", uma vez que este refere-se estritamente à utilidade do produto. O fetiche relaciona-se à fantasia (simbolismo) que paira sobre o objeto, projetando nele uma relação social definida, estabelecida entre os homens.
Bruno Latour, sociólogo da ciência contemporânea, relativiza a noção de fetiche ao constatar que toda descoberta científica é também uma invenção, e vice-versa. Desse modo, os fatos são também ficções, e as ficções são também fatos. O simbolismo seria constituinte da própria realidade. A artificialidade seria uma condição positiva dos fatos.[carece de fontes]
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