Larica é um termo coloquial para fome. É uma gíria da língua portuguesa que tem origem incerta e que é usada de forma mais comum por jovens e adolescentes.
Muitas pessoas associam o termo larica com o uso de drogas como a maconha. Apesar disso, ter larica não significa necessariamente que um pessoa consumiu drogas. Pode simplesmente estar relacionada com uma grande vontade de comer, que muitas vezes que acontece de forma repentina.
Em inglês, a palavra larica pode ser traduzida por "the munchies". Por exemplo:I've got the munchies!!! - Estou com uma larica!!
No âmbito da botânica, larica é uma palavra usada para descrever o joio que normalmente cresce junto com o trigo.Larica é uma palavra de uso antigo na língua portuguesa e familiarmente designa a fome; encontra-se registrada com esta acepção nos dicionários de Cândido de Figueiredo (1913)[1] e em verbete original deCaldas Aulete (1881-1987)[2] . Modernamente, a expressão larica também é usada para designar a fome aguda que atinge quem se encontra sob o efeito da maconha ou do álcool. É usada apenas em alguns estratos sociais, sobretudo por jovens, quando se referem a uma fome ligeira, por exemplo, quando desejam uma sanduíche para o lanche, ou uma refeição substancialmente inferior ao almoço ou jantar ou cafe da manhã.
Renato Malcher-Lopes, um pesquisador brasileiro do Instituto Cérebro Mente de Lausanne, na Suíça, apesar de evitar a expressão "larica", estuda o papel no controle do apetite de substâncias semelhantes aoTHC da maconha mas que são produzidas pelo próprio cérebro. O que acabou por esclarecer que a larica causada pela maconha é semelhante a fome causada pelos canabinóides endógenos (do próprio cérebro) que são produzidos quando o animal está em jejum. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em junho de 2006, ele diz: "Nós mostramos que o endocanabinóide da área do cérebro que controla o apetite é regulado por dois hormônios muito relevantes para a fisiologia dos animais: os glucocorticóides e a leptina". O pesquisador mostrou ainda que enquanto os hormônios estimuladores de apetite produzidos pela glândula adrenal, os glicocorticóides, fazem aumentar a concentração de canabinóides endógenos na região do cérebro que controla o apetite, a leptina, um hormônio que inibe o apetite, a faz cair. Ou seja, a grande fome que sentimos após muitas horas em jejum é produzida pela ativação dos mesmos mecanismos ativados artificialmente pela maconha.
Em um estudo publicado no periódico científico "The Journal of Neuroscience", Renato mostra passo a passo quais são as enzimas envolvidas nesse processo. "A indústria farmacêutica pode agora olhar para cada uma delas e tentar buscar alterar suas atividades específicas", diz ele. Contudo, ressalta que "o endocanabinóide também inibe o dispositivo que o cérebro tem para levar o animal a parar de comer".
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