sexta-feira, 25 de setembro de 2015

MALEMOLENTE

Malemolente significa mole, indolente, que tem malemolência. A palavra malemolente é um regionalismo, que não consta no dicionário da língua portuguesa, porém pode ser empregada em vários sentidos.
Malemolente é um adjetivo que faz referência a quem é malandro, boêmio. É também aquele que faz uso de artimanhas para se esquivar de algo ou de alguèm.
Ser malemolente é ser preguiçoso, não ter disposição para fazer algo. É aquele que está sentindo moleza, indisposição ou uma calma excessiva.
Com relação à música, a rítmo, malemolente é um gingado, uma atitude e gestos lentos dos malandros e boêmios. É o jeito de falar ou mover-se como manha, com malícia e  elegância.
Malemolente vem de mole, molejo. É uma expressão criada no Rio de Janeiro, pelo estilo de vida de muitos cariocas. Inicialmente descrevia o modo de caminhar dos malandros, dos capoeiras, depois passou a ser usada também para descrever uma maneira de levar a vida. O cantor Bezerra da Silva dizia que o carioca tinha um caminhar malemolente devido ao fato de estar acostumado a descer as ladeiras e becos do morro onde morava.
A palavra malevolente é um adjetivo de dois gêneros que se refere a quem tem má vontade contra alguém, que tem má índole, que é malévolo.A impressão que se tem é que o mundo está cada vez menor e mais dinâmico. As diversas inovações tecnológicas, que visam à adequação das pessoas a um novo estilo de vida, refletem esse novo cenário. Em tempos de wi-fi, redes sociais e excesso de informações, é quase impossível sobreviver sem um smartphone ou uma conta no Facebook, não é? Para uma pequena parcela da população, a resposta é não.


Essas pessoas existem e optaram por não ter aparelhos ultramodernos nem viver conectados às redes sociais. São os chamados “autoexcluídos digitais”, que preferem ir contra a maioria, que não vive mais sem essas tecnologias.

Os motivos são variados: falta de paciência para as redes sociais, dificuldade de adaptação, preocupação com privacidade, entre outros. Há ainda a falta de confiança de muitos usuários em relação à segurança dos meios digitais, que engloba desde a perda de perfis até roubo de senhas bancárias.

Um outro caminho
Thiago Carvalho

O Brasil possui atualmente 107 milhões de internautas, número que o coloca como quinta maior potência mundial no quesito, podendo ultrapassar o Japão ainda esse ano. Segundo projeções da consultoria eMarketer, até 2018 esse número atingirá aproximadamente 126 milhões. De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a cada segundo é registrado 1,8 novo pedido para acionar linha de internet. A Anatel também mostra que no Brasil há mais de 282 milhões de linhas telefônicas móveis ativas, o que representa uma teledensidade de 138,3 acessos por 100 habitantes.

Os dados acima evidenciam o quanto as plataformas digitais estão presentes no cotidiano dos brasileiros. Todavia, a participação da internet na vida das pessoas pode gerar uma discussão acerca de possíveis efeitos sociais. A grande exposição e os problemas proporcionados por ela têm sido uma constante na vida de muitos, ocasionando para alguns uma autoexclusão digital.

Para ilustrar tal problemática, foram ouvidos Ana e Pedro, que tiveram seus verdadeiros nomes ocultados, para preservação de sua privacidade. O casal chegou a se separar devido ao uso incorreto de uma popular ferramenta de troca de mensagens de texto, áudio e imagens, o WhatsApp. Pedro contou que recebia diariamente material de conteúdo adulto, que logo foi descoberto por Ana. “Achava que essas mensagens não passavam de brincadeira, mas o caso ficou sério quando minha esposa achou o contrário” - destaca Pedro. Depois do ocorrido, o casal demorou um mês para se reconciliar e tomou a decisão, benéfica para ambos, de abolir o uso de smartphones e redes sociais, que facilitam esse tipo de interação.


Uma opção para os excluídos
Jonas Ribeiro

Autoexcluídos tem recorrido ao dumbphone
foto: João Meireles
Em pesquisa feita pela International Data Corporation (IDC), empresa de consultoria e conferência no setor industrial de tecnologia da informação (TI), em 2013, os smartphones superaram em vendas os feature phones, aqueles celulares mais “comuns” e dobráveis, pela primeira vez no Brasil. Em 2014, as vendas de smartphones atingiram seu ápice, com 54,5 milhões exemplares vendidos. Em previsão corrigida deste mesmo órgão para o ano de 2015, a venda destes aparelhos superará novamente a marca de 54 milhões. Entretanto, em 2014 os feature phones, ou ainda os dumbphones (os chamados celulares “burros”, que possuem ainda menos funcionalidades do que os feature phones), venderam cerca de 15,8 milhões de unidades.

Esses celulares são consumidos por quem não tem condições financeiras para ter um smartphone e também por quem é adepto da chamada exclusão digital opcional. É o caso do aposentado Antonio Araújo, 65 anos, que prefere os celulares comuns por serem mais fáceis de manusear e atenderem a sua necessidade principal, que é fazer ligações. “Pra mim, celular serve apenas pra ligar, até porque eu me enrolo com as outras funções dos smartphones”, completa o aposentado. Por sua simplicidade, os dumbphones são indicados para pessoas que não possuem intimidade com as novas tecnologias e desejam executar tarefas pouco complexas, como efetuar cálculos, programar o despertador, enviar mensagens de texto e ouvir rádio. Além disso, são ideias para as pessoas que desejam se desligar do mundo conectado.

No Japão, país conhecido principalmente pelo seu grande desenvolvimento tecnológico, as vendas de dumbphones e feature phones chegam a 30%. Curiosamente, em 2014, pela primeira vez em sete anos, cresceu a venda destes exemplares, enquanto a de smartphones caiu em relação ao ano anterior. Segundo o ministério das telecomunicações do Japão, a explicação para o aumento na venda destes aparelhos pode estar no preço proibitivo dos smartphones no país, um dos mais caros entre os países desenvolvidos.


#tôfora                                                                                                             
João Meireles

Além dos smartphones, outra febre mundial é o uso de plataformas de redes sociais na internet – acessadas, sobretudo, através dos próprios smartphones. Os números nesse terreno, vistos de qualquer ângulo, são assustadores. O Facebook, principal rede social da atualidade, divulgou em maio o total de seus usuários no último trimestre de 2014: nada menos do que 1,44 bilhão. Se fosse um país, seria o segundo mais populoso do mundo, atrás apenas da China. Seguindo esse parâmetro, o Whatsapp (800 milhões) e o Instagram (300 milhões) seriam, respectivamente, o quarto e o sexto do ranking.

Historicamente, o Brasil ocupa papel de destaque quando o assunto é redes sociais. Se há alguns anos éramos o país com o maior número de usuários no Orkut, hoje somos líderes no tempo gasto nas redes sociais, como aponta a pesquisa “Futuro Digital em Foco Brasil 2015” (Digital Future Focus Brazil 2015), divulgada este ano pela consultoria comScore. Segundo o estudo, os brasileiros gastam 650 horas por mês nessas plataformas.

Infográfico: reprodução da internet


Como sempre, contudo, há aqueles que remam contra a maré, o que, neste caso, significa não se importar com curtidas, tuitadas, compartilhamentos e afins. É o caso, por exemplo, do administrador Renato Fernandes, de 26 anos, que enumera as razões para não aderir à tendência:

“Exposição gratuita e exagerada da nossa privacidade; contato com um bando de informações desnecessárias e vídeos horríveis que não vão nos ajudar em nada; desperdício de um tempo que poderia ser usado para outras coisas, como fazer exercício, ler, tomar uma cerveja com os amigos, assistir a um bom filme... Ninguém consegue fazer essas coisas, se ficar grudado nos smartphones vigiando quantas curtidas e comentários teve o seu último post no Facebook. Não me importo se é moda ou se veio para ficar, não quero fazer parte disso”.

Renato Fernandes exibindo seu dumbphone
foto: João Meireles
Para o bancário Josué Mathias, de 37 anos, o interesse pelas redes sociais tende a diminuir conforme o avanço da idade e o acúmulo de tarefas:

“Eu até gostava, mas, à medida que o tempo passa, você vai mudando suas prioridades. Hoje, casado, com dois filhos e trabalhando o dia todo, não tenho tempo nem interesse para acessar as redes sociais. Meu tempo livre acaba sendo para fazer algum programa com a família ou descansar”.

Em alguns casos, porém, a autoexclusão das redes sociais não tem ligação alguma com a falta de interesse, mas com uma relação “custo x benefício”. O estudante de economia Ronaldo Gonçalves, de 23 anos, garante que se ausentar das redes sociais foi um sacrifício:

“Eu adoro redes sociais. Sair do Facebook e do Whatsapp, para mim, foi uma decisão difícil, uma escolha de Sofia, mas coloquei na balança as vantagens e desvantagens. Por um lado, me ajudavam a manter contato com amigos que não encontro sempre e também eram fontes de informações, por outro, me prejudicavam na faculdade e sempre ocasionavam discussões com minha namorada, que tinha ciúmes das minhas amigas”.

Após ter vivenciado o que no seu campo de estudo é conhecido como “trade-off”, isto é, situação de escolha entre opções conflitantes, Ronaldo garante que tomou a decisão correta, já que alcançou os resultados esperados: dedicou-se mais aos estudos e ingressou no mestrado e, além disso, diminuiu a quantidade de desentendimentos com a namorada. Contudo, confessa que sente falta de alguns aspectos das plataformas: “No caso do Face, o lembrete de aniversário, porque sou péssimo com datas e alguns amigos ficam chateados quando a gente esquece, e no Whatsapp, os grupos, porque geralmente a galera marca os eventos por lá. Já aconteceu de esquecerem de me convidar porque combinaram tudo pelo grupo e eu não estava lá. Fazer o quê? Não se pode ter tudo” – resume o jovem.

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