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Carboidratos
A sacarose, conhecida comumente como açúcar, é um sólido cristalino à temperatura ambiente, que se dissolve em água e possui sabor doce. A sacarose é encontrada em diversas plantas, principalmente na beterraba e na cana-de-açúcar. Por muito tempo, até meados do século XVIII, o açúcar foi considerado artigo de luxo e, por isso, não era usado na alimentação, mas apenas como calmante.
Com o cultivo da cana-de açúcar na América e da beterraba na Europa, o uso desse produto se intensificou.
No Brasil, obtém-se o açúcar principalmente através da cana-de-açúcar, que é moída, obtendo-se a garapa, com alto teor de sacarose. Posteriormente, essa garapa é aquecida, formando um melaço, que contém aproximadamente 40% de sacarose em massa; e parte dessa sacarose se cristaliza, formando o açúcar comum.
Cristais de açúcar vistos ao microscópio.
A fórmula química da sacarose é C12H22O11 e é formada através da condensação da glicose e da frutose, conforme mostrado abaixo. A condensação é a união desses compostos com a perda de uma molécula de água. Visto que existem isômeros da glicose e da frutose (formas α e β), também se obtém isômeros da sacarose.
Síntese de formação da sacarose.
A glicose e a frutose são carboidratos ou glicídios, classificados como oses, pois não sofrem hidrólise. Já a sacarose é um osídio, pois pode sofrer hidrólise. Ela é um dissacarídeo, pois, ao reagir com a água, forma duas moléculas de oses, que são exatamente a glicose e a frutose. Visto que essa é a reação inversa de sua formação, o resultado da mistura de glicose e frutose é denominado açúcar invertido.
Síntese de hidrólise da sacarose para a formação do açúcar invertido.
Conforme a figura acima mostra, essa reação ocorre em meio ácido (H+) ou pela ação de uma enzima denominada invertase.
Açúcar invertido por meio da hidrólise da sacarose.
Esse açúcar invertido é muito usado em indústrias de doces, pois a sacarose tem um sabor muito mais adocicado que o açúcar comum. Assim, eles hidrolisam a sacarose e gastam menos açúcar. Além disso, em chocolates com recheio líquido ou pastoso, o recheio ainda sólido é misturado com sacarose, água e invertase e depois se coloca a cobertura, com ele ainda sólido. Até chegar ao consumidor, a sacarose já reagiu e, como a frutose e a glicose são mais solúveis na água do que a sacarose, o recheio passa a ser líquido.Falando, escrevendo, dando dicas e receitas da Alimentação Desintoxicante ou sobre O poder de cura do Limão, sempre surgem pessoas perguntando: posso colocar açúcar no meu suco desintoxicante? Posso tomar o limão com açúcar? Posso usar mel? Posso usar adoçantes?
Enfim, mesmo tendo como foco (propósito) a desintoxicação ou a prática da medicina preventiva, as pessoas insistem em adoçar a sua grande oportunidade de cura e conquista da saúde. Vejamos o quanto de in-sano (não saudável) existe nesta necessidade.
Até cerca de 300 anos atrás a humanidade não usava aditivos doces na sua dieta ordinária. Os povos antigos e civilizações passadas não conheciam este famoso aditivo doce. O mel era usado eventualmente, mais como remédio. Como remédio!
Certamente consumia-se amêndoas, castanhas, nozes e pistache, maçãs, figos, uvas, azeitonas e amoras, cevada, trigo, centeio e painço, pepinos, melões, alho-poró, alfarroba, hortelã, aniz, cebola e alho, batatas, lentilha, soja e feijões, mostarda, tomate, leite, mel e uma infinidade de presentes da natureza. Todas transbordantes de açúcares naturais.
Este processo histórico prova que o açúcar concentrado ou refinado é desnecessário como alimento. Foi só a partir dos 5 últimos séculos que o açúcar começou a ser produzido cada vez em maior escala e ser consumido de forma cada vez mais intensa. Cada vez mais purificado, o açúcar de cana (ou beterraba) se transformou em sacarose branca. Um pó branco.
Hoje o planeta contém uma civilização consumidora de milhares de toneladas diárias de açúcar. "De 2 quilos de açúcar/ano passou-se a 80 quilos por americano/ano, em apenas 11 gerações" afirmava o Dr. Robert Atkins (EUA) faz uma década atrás.
O açúcar refinado é o resultado de um processo físico-químico que extrai da garapa (o caldo de cana) a sacarose purificada e anidra, usando e adicionando produtos químicos como clarificantes, antiumectantes e agentes de moagem. Tais aditivos químicos, sintéticos, são muitas vezes cancerígenos e/ou danosos à saúde, principalmente quando consumidos diária e frequentemente.
O açúcar refinado deve ser considerado como um produto quimicamente ativo, um produto sintético, pois se trata de uma substância resultante de um processo de purificação, um concentrado. Do xarope inicial, além de evaporado, são retiradas fibras, proteínas, sais minerais, vitaminas, impurezas etc. O produto final é a sacarose concentrada a mais de 90%, um carboidrato de elevado poder calórico, que libera doses excessivas de glicose e frutose no sangue.
Quando consumimos uma fruta ou chupamos 1 ou 2 bagos de cana, além de todos os nutrientes que estes alimentos contém, sua carga energética (carboidrato = caloria) está diluída na sua alquimia nutricional, e até faz uso destes demais nutrientes para ser usada como fonte de energia vital. Tais carboidratos "integrais e naturais" são facilmente absorvidos e usados pelo organismo, sem causar estresse ao pâncreas, ao fígado, ao cérebro e ao metabolismo como um todo.
Já a sacarose em pó (> 90% de concentração) ou líquida (xaropes de açúcar invertido) é um alimento vazio de nutrientes, ao contrário, rica em aditivos e resíduos de um processo físico-químico, razão pela qual devemos considerar o açúcar como um não alimento, zero de energiavital. Portanto, como na classificação do livro do Dr. Soleil – Você sabe se desintoxicar? - este produto sintético é um "alimento" biocídico (bio = vida + cídico = que mata).
O corpo humano não necessita de açúcar ou qualquer alimento refinado. O que ele realmente necessita é de glicose, ou seja, o tijolo básico dos carboidratos. Mas essa glicose pode ser facilmente obtida a partir de uma alimentação balanceada, onde frutas, cereais integrais, legumes e hortaliças são consumidas diariamente. Ao contrário do que dietas como a do Dr. Atkins e a de South Beach preconizam (quando evitam o consumo de carboidratos), a glicose é o principal combustível de ser humano, portanto é muito importante para o seu pleno metabolismo, quando gera energia de crescimento, regeneração, movimento, pensamento e manutenção. Assim, consumida da forma correta, de fontes naturais, que inclusive o organismo precisa digerir para obtê-la, existem tempos e condições que só fortalecem e favorecem o organismo.
Mas, o slogan dos produtores de sacarose é: "açúcar é energia".
Entretanto, esta é uma citação enganosa, pois na verdade, o correto seria dizer que: "açúcar é uma injeção de sacarose na veia”, ou seja, superabundância de energia química concentrada.
Atualmente nossos pâncreas têm que produzir em um único dia a quantidade de insulina que nossos ancestrais possivelmente produziam durante uma vida - Dr. Cyro Masci.
E aí reside o problema: açúcar refinado é sempre excesso de energia, acima das necessidades reais. E, uma vez ingerido, para onde vai este excesso? Causar estresse, desarmonias, doenças: • Depósito de gordura corporal nas vísceras, órgãos, sistemas... • Maior demanda de energia metabólica (estresse metabólico) para contornar as desarmonias energéticas geradas; • Envelhecimento precoce, pois a célula só usa o que necessita, todo o excesso passa a ser um "estorvo" metabólico; • Estímulo excessivo do pâncreas; • Depressão do sistema imunológico, incluindo problemas como doenças crônicas ou repetitivas; • Desmineralização orgânica, incluindo problemas de anemia, dentes e ossos; • Subnutrição pela depressão de enzimas digestivas, portanto pobre aproveitamento e fixação de nutrientes e; • Problemas digestivos, gases, constipações, mau-humor, afetividade, equilíbrio emocional, produtividade, etc.
Ao se consumir um produto extremamente concentrado, isolado, sem a alquimia dos alimentos oferecidos como tal pela natureza, será exigido do organismo uma compensação química pela ausência dos demais nutrientes daquele produto natural. Ou seja, no metabolismo de geração energética dos carboidratos, principalmente dos açúcares, é FUNDAMENTAL a presença de cálcio, ferro, magnésio, enzimas e vitaminas. Se tais substâncias não estão presentes, elas serão seqüestrados das reservas (caso existam) do indivíduo que fez uso daquela sacarose sintética.
Este é o motivo pelo qual o açúcar "rouba" do organismo depósitos destes minerais, e esta carência de cálcio, magnésio e ferro aumenta quanto maior a ingestão de açúcar. Podemos afirmar então que o açúcar é descalcificante, desmineralizante, desvitaminizante, um agente de desarmonização metabólica. Açúcar não é "alimento", mas um "antinutriente". Ele MATA a vida, pois ferro significa vitalidade, cálcio ossos e dentes, magnésio a conexão espiritual.
Lembramos que no consagrado livro de Willian Dufty - Sugar Blues - ele considera o açúcar como uma "droga doce e viciante que dissolve os dentes e os ossos de toda uma civilização".
E o pior, seus efeitos são como o de uma verdadeira droga, lentos, cumulativos e insidiosos, vão minando a saúde dia após dia, ano após ano.
Importante lembrar que todo alimento classificado como carboidrato ou energético, que são os cereais e suas farinhas, as frutas, os legumes e as verduras, são assim denominados porque se transformam em glicose durante seu processo digestivo. Também, uma pequena parte das carnes e até mesmo das sementes se converte em glicose.
Portanto, numa alimentação balanceada e consciente, esta é a rota energética natural de mantemos as necessidades bioquímicas do corpo. Isso explica por que povos antigos não necessitavam de açúcar concentrado, isolado e sintético.
Assim, se levarmos em conta que não necessitamos de açúcar “extra”, tudo o que se consome de açúcar nestes três últimos séculos é excessivo, exagerado, muito além do que o organismo necessita.
Vamos ao bom senso? O mais importante é fazer com que cada indivíduo entenda que a alimentação natural, sem aditição de sacarose sintética, contém quantidades suficientes de glicose e energia. Não mesmo adoçantes, exceção feita aos diabéticos.
Já que o açúcar refinado existe e é impossível negar seus prazeres, vamos ao bom senso, à criatividade, ao adaptar-se? Nestes tempos de modernidade e “high tech”, ingerimos muito mais "energia" do que o necessário. Principalmente porque a humanidade está muito menos física, ao contrário, mais sedentária.
E, como estamos falando de uma “droga”, quem consome muito açúcar torna-se um dependente orgânico, e quanto mais intoxicado, mais deseja açúcar, mais sedentário, porque tende a ter menos força física, emocional e mental. Grandes consumidores de açúcar geralmente são fracos, astênicos, e acreditam que não podem fazer nada sem consumir um pouco de doce. Vai uma dose extra aí?
O Brasil, um dos maiores produtores de açúcar do mundo, tem um problema cultural, pois sua economia iniciou-se pelo cultivo da cana. Infelizmente, o brasileiro consome cerca de 200 gramas de açúcar/dia. Por extensão são cerca de 6 quilos/mês ou 72 quilos/ano.
Portanto, a cada 13 anos a pessoa consome 1 tonelada de açúcar. Então um cidadão brasileiro de 40 anos já fez passar pelo seu organismo algo como 3 toneladas de açúcar.
Referência: "Relatório Orion" - Dr. Márcio Bontempo - L&PM Editores.
Recomenda-se a leitura na íntegra dos livros O poder de cura do Limão e Alimentação Desintoxicante - editora Alaúde, que fornecem indicações de uso e receitas. O fato de o limão ser um alimento natural não elimina a necessidade de seu consumo com responsabilidade e consciência.
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