Saudosismo foi um movimento estético, uma escola literária que envolveu um grupo de obras literárias produzidas em Portugal no inicio do século XX e que tem como base a saudade, vista como uma atitude humana frente ao mundo e que é testemunhado pela literatura portuguesa.
O saudosismo, congregou muitos espíritos desejosos de agindo no plano da cultura promover a reconstrução do país minado pelas dissensões políticas que a instituição da Republica não resolveu.
O saudosismo não é somente um sentimento individual, mas é elevado a uma relação do homem com Deus e com o mundo, correspondendo a uma doutrina política e social. O saudosismo surgiu no começo do século, num clima mental nacionalista, tradicionalista e romântico e tomava a saudade como um princípio dinâmico e renovador para a regeneração do país.
Como era uma corrente ligada a idéias messiânicas e proféticas, acabou pelo afastamento de muitos de seus membros, como Fernando Pessoa que criou o movimento modernista português onde foi alvo de escândalos e controvérsias.
O saudosismo apesar de se manter ligado na obra de alguns escritores e pensadores, desapareceu como uma corrente literária e espiritual.Saudosismo foi um movimento estético ocorrido em Portugal no primeiro quartel do século XX, de que foi mentor Teixeira de Pascoaes. Intimamente ligado à revista A Águia, órgão da Renascença Portuguesa, congregou intelectuais como Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, António Carneiro, António Sérgio e, pela sua vertente de sebastianismo messiânico, Fernando Pessoa.
O saudosismo consubstancia uma atitude humana perante o mundo que tem como base a saudade, considerada por Pascoaes o grande traço espiritual definidor da alma portuguesa[1] : — o que, segundo o poeta, é testemunhado pela literatura portuguesa ao longo dos séculos. No entanto, mais do que sentimento individual, a saudade é elevada a um plano místico (relação do Homem com Deus e com o mundo, ânsianostálgica da unidade do material e do espiritual) e corresponde a uma doutrina política e social.
Surgido no clima mental nacionalista, tradicionalista e neo-romântico de inícios do século, o saudosismo pretendia, tomando a saudade como princípio dinâmico e renovador (de forma algo obscura) levar a cabo, pela acção cultural, a regeneração do país. Seria, de acordo com o seu teorizador, a primeira corrente autenticamente portuguesa. Ligado a uma expectativa messiânica e profética, o saudosismo acabou por dar azo ao afastamento de alguns dos seus adeptos — como António Sérgio, que não reconhecia no seu passadismo capacidade de renovação, ou até Fernando Pessoa, que, embora partilhando este elemento messiânico, acabou por preferir o projecto cosmopolita e revolucionário da Revista Orpheu.
O saudosismo, embora tenha desaparecido como corrente literária e espiritual, mantém ainda ecos na obra de alguns escritores e pensadores ligados à análise do carácter nacional e dos seus traços definidores.
Referências
Bibliografia[editar | editar código-fonte]
- Fernando Pessoa: A nova poesia portuguesa. Inquérito, Lisboa 1944, p. 51, 73.
- Jacinto do Prado Coelho: Prefácio a "Teixeira de Pascoaes, Obras Completas". Volume I. Bertrand, Lisboa 1965.
- Georg Rudolf Lind: Teoria poética de Fernando Pessoa. Inova, Porto 1970.Nos dicionários, Saudosismo significa “saudade do passado, nostalgia, afeto ao passado”. Foi uma corrente estética ocorrida em Portugal, no século XX, segundo a qual o ser humano viveria sua vida com base na saudade do passado, e este sentimento seria capaz de mudar a atitude de vida das pessoas de modo a realizar a regeneração do país.O mentor deste movimento foi Teixeira de Pascoaes, que era ligado à revista A Águia, órgão da Renascença Portuguesa. Para tanto, ele juntou intelectuais como Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, António Carneiro, António Sérgio e Fernando Pessoa.O saudosismo tem como base a saudade, que Pascoaes considera o traço espiritual que define a alma humana (portuguesa, em especial). Segundo o poeta, este sentimento é descrito pela Literatura Portuguesa ao longo do tempo. Por ele, a saudade é elevada de um simples sentimento humano, individual, a um plano místico, que determina a relação do Homem com Deus e com o mundo. O Saudosismo, portanto, corresponde a uma doutrina política e social.O Saudosismo tinha como pretensão a regeneração do país, pois surgia em meio a uma mentalidade nacionalista, tradicionalista e neo-romântica. Faria isso, portanto, utilizando a saudade como princípio renovador que agiria através da ação cultural (literatura e demais artes em que o saudosismo se manifestou).Quanto à linguagem utilizada, os Saudosistas davam preferência a uma expressividade mais tradicional, clássica, através do “verso escultural” de Pascoaes, e não se preocupavam muito em analisar o subconsciente. Davam, antes, preferência ao pensamento intuitivo e à criação de mitos.Ao longo do tempo, alguns adeptos foram se afastando do Saudosismo por não concordar com algumas de suas características. A nova tendência, como doutrina político-social, não satisfazia os espíritos positivistas, o que faz com que Antonio Sérgio e Raul Proença (os dois sócios da “Renascença Portuguesa”) manifestem seu desagrado na revista, acusando Pascoaes de ser “utópico e passadista, fechado num lusitanismo xenófobo, provinciano, incompatível com o moderno espírito europeu”, atitude que gerou grande polêmica no grupo. Assim, outros membros foram se afastanto, como Fernando Pessoa, que preferiu aderir a um projeto cosmopolita e revolucionário, através da Revista Orpheu, acabando por criar o movimento modernista português e por causa dele ser alvo de escândalos e controvérsias no meio artístico e social português.Essa dissidência fez com que o movimento desaparecesse enquanto corrente literária, porém nota-se que ainda há vestígios seus presentes nas obras de alguns autores da atualidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário