quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

artigo

Artigo é um termo com significado e aplicações diferentes em áreas distintas. Na área comercial, artigo é cada unidade de mercadoria, cada objeto de negócio.
Nos textos jurídicos, leis, decretos e códigos, artigo é cada uma das divisões do texto numeradas ordinalmente. Exemplo: Art. 12º do Código Penal
Em termos gramaticais, artigo é uma palavra variável que antecede o substantivo e indica o gênero (masculino ou feminino) e número (singular ou plural).
- Os artigos o, a, os, as são denominados artigos definidos (quando identifica o substantivo de maneira precisa). Exemplo:O professor está ensinando os alunos.
- Os artigos um, uma, uns, umas são denominados indefinidos (quando se refere ao substantivo de maneira vaga). Exemplo: Comprou um caderno e uma caneta.
Em Jornalismo, é considerado artigo uma publicação escrita para um jornal ou uma revista (ou mesmo para ser veiculada através do rádio ou televisão), e que contenha a opinião do autor sobre um tema específico. Os artigos de jornais impressos geralmente são escritos por autores convidados para comentarem sobre um determinado tema.
Na elaboração de trabalhos acadêmicos, o artigo científico se caracteriza pela descrição e apresentação de dados resultantes de uma pesquisa realizada seguindo um método científico e avaliado por cientistas. Um artigo científico deve obedecer a linguagem e métodos próprios da área da ciência para a qual é feita a investigaçãoDá-se o nome de artigo às palavras que se antepõem aos substantivos para indicar se esses têm um sentido individual, já determinado pelo discurso ou pelas circunstâncias, chamados definidos, ou se os substantivos não são determinados, chamados indefinidos. [1] [2] [3]
Por exemplo, quando se diz o príncipe, o artigo o indica que o substantivo [Nota 1] príncipe deve ser tomado em um sentido individual, que a circunstância do Reino e da Nação, em que vive o autor da frase, o determina. [1]
Por outro lado, quando se diz um príncipe é digno de casar com uma princesa, ou um crime tão horrendo merece a morte, etc, o artigo um indica que se fala, no primeiro caso, de um indivíduo e, no segundo caso, de um crime individual, porém o sentido é vago, e não se deseja nomear este príncipe ou este crime. [1]
Os artigos devem concordar com substantivo em gênero e grau[1]
Os artigos são:[1]
Artigo definido
São: oaosas.
Artigo indefinido
São: umumaunsumas.
O artigo indefinido não deve ser confundido com o numeral um, que é usado para expressar quantidade. Nos exemplos um homem da corte/uma mulher da corte tem mais espírito e viveza que um aldeãoum vassalo deve obedecer ao reium rei deve ser o pai de seu povoum homem de juízo deve ser senhor de suas paixõesAntónio é um CíceroCícero é um bom orador, o artigo um pode, em alguns casos, ser substituído pelo artigo o, porém nunca pela expressão exatamente um[Nota 2] [1]

Usos do artigo[editar | editar código-fonte]

Significado restrito[editar | editar código-fonte]

Todo substantivo [Nota 3] cujo significado é restringido, tanto pelo discurso, ou por algum adjetivo, exceto quando forem usados determinativos especiais,[Nota 4] deve ser precedido de um determinativo geral, ou seja, de um artigo, utilizando-se o artigo definido para dizer que aquele nome tem um significado individual determinado, e o artigo indefinido para indicar que, apesar de único, seu significado é vago e indeterminado. [1]
Exemplo: Pedro foi tratado com honra. Neste caso, honra não necessita de artigo, porque a palavra está sendo usada em seu sentido geral. Porém, quando ocorre uma restrição, ou seja, Pedro foi tratado com honra devida ou Pedro foi tratado com honra devida a seu merecimento, é preciso utilizar o artigo: Pedro foi tratado com a honra devida, se a honra foi determinada e certa, ou Pedro foi tratado com uma honra devida, se a honra é qualquer e indeterminada. [1]

Determinação do substantivo em relação ao sujeito da oração[editar | editar código-fonte]

Nenhum substantivo pode ser sujeito de qualquer oração sem ser determinado, expressa ou implicitamente, por algum determinativo, geral ou especial. Utiliza-se o artigo definido quando se fala de um indivíduo certo, ou o indefinido quando se fala de um indivíduo vago. [1]
Exemplos: O príncipe justo, que nos governa, é também pio e indulgenteUm príncipe, que é justo, também deve ser pio e indulgente[1]

Modificação por gênero e número[editar | editar código-fonte]

O artigo definido o, não modificado por gênero e número, seguido do verbo substantivo ser ou outro equivalente traz à memória a oração antecedente, de qualquer gênero e número. Exemplo: Há verdades, que a nós não parecem, não por não o serem, mas (etc) (H. Pinto), Ia todos os dias ver a sepultura do seu irmão, e que o havia de ser sua (Lobo), As feias nem por o serem, deixam de ter partes estimáveis. Segundo Barbosa, este uso do artigo neutro e indeclinável é muito elegante e frequente. [1]

Substantivação[editar | editar código-fonte]

O artigo definido substantiva qualquer parte da oração e orações inteiras, para que sejam o sujeito ou objeto do discurso. [1]
Substantiva o adjetivoo lícito e o ilícitoo justo e o injusto.
Substantiva o verbo, não só nas formas impessoais, como em A natureza fez o comer para o viverA gula faz o comer muito para o viver pouco, mas também nas formas pessoais, como em O gabares-te de sábio mostra seres ignorante
Substantiva as preposiçõesO amor não está no por isso, mas no porque
Substantiva os advérbiosNão sabemos o quando, o como, o quanto
Substantiva orações inteirasPelo que, do que se segue, (etc)Nunca o que de sua natureza é bom pode perder, ou danar-se por muitoNem o que é mau melhorar por pouco[1]
Se usado com nomes próprios, o artigo definido indica familiaridade, mas trata-se de uso opcional, podendo também ser omitido: "O João não veio hoje", "A Ana está sempre presente nos encontros dominicais". [4]

Colocação diante de um nome próprio[editar | editar código-fonte]

O artigo indefinido, se colocado diante de um nome próprio, muda seu sentido para um apelativo: Este homem é um CíceroJoão de Barros é o livro portuguêsCamões é o Homero lusitano. Neste sentido também usa-se em expressões como os Brasisas Angolasas Goasas Málacasos Macaus, etc. O uso do artigo faz estes substantivos próprios serem transformados em substantivos comuns. [1]

Quando não devem ser usados artigos[editar | editar código-fonte]

Sentido geral[editar | editar código-fonte]

Quando o substantivo tem sentido geral. Em Macaco não é homemOnde há homens há cobiça, os substantivos homemhomens e cobiça não tem artigo, porque estão sendo usados em sentido geral e indeterminado. [1]

Determinativo especial[editar | editar código-fonte]

Quando o substantivo vem precedido de um determinativo especial, de qualidade ou de quantidade, que os determinam, não como indivíduo, não precisam de artigo. Meu paiMinha mãeSeu paiSua mãe,Nossos paisVossos avósEste homemAquele sujeitoMuitos homensAlguns homensUm/dois/três homem/homens, etc. [1]
Algumas exceções são mesmo e qual, que sempre levam artigo: o mesmo homema mesma mulhero qual homema qual mulher. O demonstrativo conjuntivo que não admite artigo exceto no gênero neutro, como em O que de sua natureza é bom (etc). Quando se diz Os queAs que, sempre se entende como Os homens queAs mulheres que[1]

comunicac

Demonstrativo de quantidade[editar | editar código-fonte]

Os demonstrativos de quantidade toda e toda, quando usado no sentido de cada, não é usado com artigo: Todo homemToda parte. Quando é um universal coletivo, usa-se artigo: Todos os homensTodas as partes. O cardinais DoisTrêsQuatro, etc, não tem artigo, exceto quando for necessário individualizar, como em Os dois exércitos inimigosAs três armadas combinadas. Os ordinais PrimeiroSegundo, etc, tem artigo, quando precedem aos substantivos, como em O primeiro séculoO segundo século, porém não tem, quando seguem o substantivo, como em D. João primeiro. Tirando estas exceções, os demais adjetivos determinativos não são usados com artigo. [1] [Nota 5]

Nomes próprios[editar | editar código-fonte]

Os nomes próprios de divindades, homens, cidades, vilas e lugares, não tendo antes de si modificativo algum, estão determinados e individualizados, por isto não precisam de artigo. Dizemos DeusAlexandre,AugustoPortugalLisboa, etc, e com eles O bom DeusO grande AlexandreO Imperador AugustoO rico PortugalA nobre Lisboa, etc, porque aqui o artigo não cai sobre o nome próprio, mas sobre o adjetivo. [1]
Em alguns casos, o uso consagrou o uso de artigo para alguns nomes de regiões, províncias, ilhas, cidades, montes; e os nomes de rios sempre vem com artigo. Exemplos: A EuropaA ÁsiaA ÁfricaA AméricaO Brasil,[Nota 6] O AlgarveO AlentejoA ExtremaduraA BeiraO MinhoA MadeiraO FunchalO PortoA GuardaO MogadouroA GolegãO TejoO DouroO MondegoO Guadiana, etc. Isto acontece porque estes nomes eram, inicialmente, comuns, e foi necessário apropriá-los com artigo, ou porque há elipse do nome comum que os entende. [1]
Para alguns nomes, pode-se usar o artigo ou não, como em A EspanhaA FrançaA Inglaterra, e Vou para EspanhaFazendas de FrançaVenho de Inglaterra. Isto também vale para os metais: O OuroA Prata,O CobreCaixa de ouroEstojo de prataPagar em cobre. Usa-se também no caso de personificação: O poder da França, etc. [1]

Notas e referências

Notas

  1. Ir para cima No texto de Barbosa (1830), em vez de substantivo está escrito nome comum.
  2. Ir para cima No texto de Barbosa (1830), a expressão usada é um certo; no português de quase 200 anos depois, um certo tem o sentido equivalente ao artigo indefinido um.
  3. Ir para cima No texto de Barbosa (1830), Todo o nome Apellativo.
  4. Ir para cima De acordo com Barbosa (1830), os determinativos são dois grupos, os determinativos gerais são os artigos, e os demais são especiais. Neste último grupo estão os pronomes possessivosdemonstrativos, etc.
  5. Ir para cima No texto de Barbosa (1830), não existe numeração para estes casos, sendo o caso seguinte numerado como 4-, etc.
  6. Ir para cima No texto de Barbosa (1830), tratado como uma província de Portugal.

Referências

  1. ↑ Ir para:a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u Barbosa, Jeronymo Soares. (1830). Grammatica philosophica da lingua portugueza: ou Principios da grammatica geral applicados à nossa linguagem.
  2. Ir para cima Cunha, Celso. Gramática do Português Contemporâneo. 7 ed. Belo Horizonte: Bernardo Álvares, 1978. p. 144.
  3. Ir para cima {{citar livro |título=Caudas Aulete, Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa |ano=1974 |editora=Delta |local=Rio de Janeiro |volume=1 |página=359 |edição=3
  4. Ir para cima Bechara, Evanildo, 1928. Moderna gramática portuguesa. 37. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Lucerna, 2006. p. 154; 23 cm.São amigos inseparáveis do substantivo, pois toda vez que tiver artigo o mesmo estará se referindo a um substantivo. Esta referência poderá ser definindo ou indefinindo.
    Artigos definidos: tem a função de caracterizar o ser ou objeto em particular.
    Artigos indefinidos: tem a função de apresentar um elemento qualquer de uma espécie, ou seja, sem particularizar. Não brinque com os artigos, pois ele tem o poder de mudar as classes de algumas palavras.
    Exemplo:
    verbo passar a ser substantivo -> O cantar é belo.
    Adjetivo ganha a função de substantivo -> O azul do mar é irradiante.
    Advérbio funciona como substantivo -> Falou um não.
    ARTIGOS DEFINIDOSARTIGOS INDEFINIDOS
    OUM
    OSUNS
    AUMA
    ASUMAS
    Exemplos:
    “... o mal lhe cresce...” (Gregório de Matos)
    “Assim vamos de todo o nosso vagar contemplando este majestoso e pitoresco anfiteatro...” (Almeida Garret).
    “As crônicas da vila de Itaguaí...” (Machado de Assis).
    “-A ciência, disse ele a Sua Majestade, é o meu emprego único...” (Machado de Assis).
    “Não havia na colônia, e ainda no reino, uma só autoridade em semelhante matéria...” (Machado Assis).
    “... tinha decorado para os dramas majestosos dos elementos...” (José de Alencar).
    Não é todo dia que surge um craque de basquete.

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