Manjedoura é uma daquelas palavras que, como panetone, só existem no Natal. Não, eu não ignoro que manjedoura – “tabuleiro em que se deposita comida para vacas, cavalos etc. em estábulos” (Houaiss) – é um termo vernacular nascido no século 15. O que quero dizer é que, ofuscado na língua da pecuária brasileira do dia a dia por um sinônimo popular como cocho ou coche, tornou-se um vocábulo de ares nobres que vive quase exclusivamente do papel que desempenha nos presépios, como nome do berço improvisado do recém-nascido Jesus.
A origem da palavra manjedoura está cercada de controvérsia. É evidente, em sua composição, a influência remota do latim manducare (mastigar), que gerou o francês manger, o italiano mangiare e o português manjar (todos verbos que significam comer, ingerir alimentos). A isso, foi só juntar o sufixo -douro, que indica o local onde se passa a ação, para ter manjedoura. A dúvida é se a formação se deu já em português ou por influência do italiano mangiatoia, vocábulo que precede manjedoura em mais de dois séculos.O dia 25 de dezembro é o dia chamado de Natal. Recebe esse nome porque se comemora o nascimento de Jesus Cristo. Mas, na realidade, ninguém sabe de fato o dia que Jesus nasceu. Além disso, a última coisa que a nossa sociedade hipócrita pensa fazer no dia 25 de dezembro é comemorar de verdade o aniversário de Jesus.
Basta observar as pessoas e o que se passa TV nessa data do ano: no dia em que é comemorado o seu “aniversário” Jesus é esquecido e até mesmo confundido com o Papai Noel. Ora, quem é o Papai Noel senão uma caricatura inspirada em São Nicolau, um santo adorado no catolicismo romano, portanto um símbolo da idolatria. No Natal, na casa das pessoas, Jesus passa totalmente despercebido. Entra em cena o Papai Noel, a árvore iluminada, o presépio enfeitado, a entrega dos presentes, a mesa farta de comida e a bebedeira. Porém, nada de Jesus.
O comércio aproveita para aumentar as vendas, tornando a data meramente uma oportunidade de lucro financeiro. Na TV, os programas com temas natalinos, vê-se de tudo: mais Papai Noel, neve, renas, trenós, mensagens de paz... Mas não se ouve falar do Jesus da Bíblia que nasceu e morreu para nos salvar. Nos locais de trabalho, na véspera do dia 25 de dezembro, os colegas se despedem desejando uns aos outros “um feliz Natal”, sem ter a menor idéia do seu real significado.
Quero ressaltar que não tenho nada contra em comemorar o Natal, embora alguns cristãos radicais abominem a festa por considerá-la pagã. Radicalismos à parte, acredito que nós, os cristãos genuinamente nascidos de Deus que conhecemos o verdadeiro sentido do nascimento de Jesus, não podemos perder a oportunidade de anunciar ao mundo o real significado e propósito do nascimento do Salvador, justamente na época quando os olhos do mundo inteiro estão fitos na manjedoura, e, portanto, mais suscetíveis para ouvir o Evangelho.
Por falar em manjedoura... Para muitas pessoas, um dos símbolos do Natal é o presépio, onde ali é representado o nascimento de Jesus, e Ele, recém-nascido, posto numa manjedoura. As pessoas olham para o presépio, olham para a manjedoura, acham tudo aquilo muito lindo... E isso é o Natal para elas: o menino Jesus na manjedoura, muita comilança, bebedeira e troca de presentes.
De fato, após nascer, Jesus foi colocado em uma manjedoura, segundo descreve Lucas 2:7. A manjedoura era o local onde se colocava comida para os animas se alimentarem. Mas a mensagem do nascimento de Jesus fica incompleta se parar ali, na manjedoura. Porém, é isso que as pessoas fazem no Natal. Quando se lembram de Jesus no Natal, o vêem somente na manjedoura, como um bebê. Desse modo, desprezam o mais importante: o propósito do seu nascimento.
A manjedoura de Jesus não aponta somente para o seu nascimento, aponta, sobretudo para o seu propósito. Quando entendemos isso, o nascimento de Jesus se reveste de real significado.
Segundo a Bíblia, a Palavra de Deus, a manjedoura de Jesus aponta para a sua divindade, pois o profeta Isaías, sete séculos antes de Jesus nascer, profetizou sobre Ele: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9:6). O Senhor Jesus não é qualquer deus; Ele não é um buda ou um espírito de luz super-evoluído; nem mesmo um revolucionário de seus dias. Jesus é Deus! Deus que se fez homem para morrer em nosso lugar.
A manjedoura de Jesus aponta para a salvação, a vida eterna. É o que dizem todas estas passagens bíblicas: “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2:11); “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores...” (1Tm 1:15); “Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor” (Rm 5:21). Jesus nasceu, morreu e ressuscitou para dar a vida eterna a todos os que crêem nele.
A manjedoura de Jesus aponta para a graça e a justificação dos pecadores. O apóstolo Paulo diz que “existe uma diferença entre o pecado de Adão e o presente que Deus nos dá. De fato, muitos morreram por causa do pecado de um só homem; mas a graça de Deus é muito maior, e ele dá a salvação gratuitamente a muitos, por meio da graça de um só homem, que é Jesus Cristo” (Rm 5:15). Graça significa “favor imerecido”. Deus nos salva pela sua graça, isto é, pelo seu favor imerecido. Nós não merecemos, mas Ele nos salva pela sua graça mediante a nossa fé em Jesus. Não pelos nossos méritos, mas pelos méritos de Cristo, por aquilo que Ele fez na cruz por nós: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8, 9). Que o nosso Deus seja louvado eternamente por isso!
A manjedoura de Jesus aponta para o seu sacrifício redentor: Paulo também declara que Jesus “... subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2:5-8). Jesus morreu para nos salvar, para nos dar a vida eterna.
A manjedoura de Jesus aponta para a sua ressurreição. Jesus nasceu para morrer. E morreu para ressuscitar. E ressuscitar para nos dar a vitória eterna. Jesus Cristo, o nosso amado Salvador, “foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4:25). Por esta razão, podemos pelo poder do sangue de Jesus e de sua ressurreição, que também nos ressuscitou para uma nova vida (Rm 6:4), entrar com plena certeza de fé na presença bendita do nosso Deus (Hb 10:19-22).
Diante de tudo o que representa o nascimento de Jesus, o que realmente importa não é a data que Jesus nasceu. O mais importante é que Ele de fato nasceu! E, o mais importante ainda, é o porquê Jesus nasceu.
Portanto, a manjedoura de Jesus perde o sentido sem a cruz de Jesus. A manjedoura sem a cruz perde seu propósito, a razão de ter acolhido o Rei quando Ele nasceu.
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