sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

SONAMBULO

É um distúrbio do sono em que as funções motoras da pessoa despertam, mas sua consciência permanece inativa. Durante os surtos, que duram menos de uma hora, o sonâmbulo pode fazer coisas rotineiras, como andar pela casa, fazer xixi e assaltar a geladeira, sem se lembrar de nada no dia seguinte. E aquela imagem do sonâmbulo caminhando com braços estendidos e de olho fechados não passa de mito! Quem sofre de sonambulismo costuma andar normalmente, de olhos abertos e com expressão vaga e distante. Segundo a Fundação Nacional do Sono, dos EUA, o distúrbio atinge cerca de 20% das crianças de 3 a 10 anos, mas, geralmente não precisa de tratamento, pois desaparece com o crescimento. Entre os adultos norte-americanos, a incidência é de apenas 2,5%.
Acordar
 um sonâmbulo durante sua caminhada noturna não tem perigo nenhum, ao contrário do que reza a sabedoria popular.
DE OLHOS BEM ABERTOS
Conheça algumas habilidades de quem anda dormindo
SONÂMBULOS CONVERSAM?
Sim. Enquanto dormem, alguns são capazes de falar e executar tarefas mais complexas, como cozinhar, tomar banho, passear com o cachorro e fazer exercícios físicos. Já houve casos até de pessoas que ligaram o computador e mandaram e-mails convidando colegas para um jantar.
ALGUÉM JÁ MORREU DURANTE UM SURTO DE SONAMBULISMO?
Em janeiro de 2009, o eletricista norte-americano 
Timothy Brueggeman, 51 anos, saiu de casa à noite trajando apenas uma cueca e uma camiseta. O frio
 era de rachar: -26 °C. No dia seguinte, seu corpo 
foi encontrado congelado a 170 m de casa.
HÁ SONÂMBULOS QUE DIRIGEM?
Em 1987, o canadense Kenneth Parks, 
23 anos, dirigiu 23 km até a casa dos sogros durante um episódio de sonambulismo. Chegando lá, esfaqueou a sogra e estrangulou o sogro. E foi absolvido porque cometeu
 os crimes em estado de inconsciência.
SONÂMBULOS QUE COMETEM CRIMES VÃO PRESOS?
Não. Segundo o advogado criminalista Paulo Iasz de Morais, de São Paulo, “como o sonâmbulo está em estado de inconsciência, ele, em tese, não pode ser punido”.
 É preciso, porém, fazer uma ressalva: o suposto sonâmbulo tem que passar por exames minuciosos em clínicas de distúrbios do sono para atestar sua condição
BICHOS SOFREM 
COM SONAMBULISMO?
Um estudo do Hospital Veterinário da Universidade da Pensilvânia (EUA) mostra que gatos e cachorros sofrem um sonambulismo muito parecido com o que acomete humanos. Confira em abr.io/caosonambulo um vídeo que mostra um cachorro bem agitado enquanto dormeO noctambulismo ou hipnofrenose (sonambulismo para o sono não-REM, ou distúrbio comportamental do sono REM para o sono REM)[1] [2] é um transtorno comportamental do sono (parassonia), durante o qual a pessoa pode desenvolver habilidades motoras simples ou complexas. O sonâmbulo sai da cama e pode andar, urinar, comer, realizar tarefas comuns e mesmo sair de casa, enquanto permanece inconsciente. É difícil de acordar um sonâmbulo, mas, contrariamente à crença popular, não é perigoso fazê-lo, sendo inclusive perigoso não acordá-lo.[3] Contudo, esse despertar deve ser feito com cautela, já que alguns sonâmbulos podem ficar confusos e até mesmo ser violentos.[4]

Prevalência[editar | editar código-fonte]

É mais comum em crianças em idade escolar. Cerca de 25% das crianças entre 3 a 10 anos relatam pelo menos um episódio por ano e 15% tem episódios todos os meses.[5] Possui tendência genética pois gêmeos idênticos apresentam sonambulismo seis vezes mais frequentemente que os não-idênticos[6] e 40% das pessoas com sonambulismo possuem pelo menos dois outros parentes que também tem este distúrbio.[5] Estima-se que a prevalência nos países varie entre 1 a 15% da população, sendo mais comum nos países com população predominantemente jovem e com alto uso de sedativos (como álcool).[3]
Dentre as crianças entre 5 e 12 anos de idade, estima-se que 15 a 40% tenham apresentado algum episódio de sonambulismo, pelo menos uma vez na vida. A maior parte das crianças sonâmbulas deixa de apresentar este comportamento a partir da adolescência. Dentre os adultos, as pesquisas estimam que 0,5 a 4% apresentam sonambulismo.[7] Porém é importante lembrar que quando acordamos por curtos intervalos, o cérebro pode apagar essas memórias como desnecessárias junto com nossos sonhos, dando a impressão de um episódio de sonambulismo. Essa amnésia também é comum nas dissonias. Como crianças não tem as áreas responsáveis pela memorização tão bem desenvolvidas quanto adultos esse esquecimento é ainda mais comum nelas.

Características[editar | editar código-fonte]

Habitualmente, são episódios isolados, mas pode ter um carácter recorrente em 1-6% dos pacientes. O sonambulismo, segundo estudos de polissonografia, geralmente ocorre uma a duas horas depois de começar a dormir (estágios 3 e 4 do sono), na fase chamados sono de ondas lentas (SOL) e Lento único e afetivo (LUA).[8] Pode durar apenas alguns segundos ou mais de 30 minutos. É possível que ocorra durante a primeira hora de sono, sendo esse caso mais raro (0,05% dos sonâmbulos apresentam essa característica).[5]

Causas[editar | editar código-fonte]

A sua causa é desconhecida e não há tratamento eficaz. Acredita-se, erradamente, que o sonambulismo é a conversão, no estado de vigília, dos movimentos que o indivíduo efetua durante o sonho. Mas na realidade o sonambulismo ocorre antes do estágio de movimentos oculares rápidos (ver REM). O sono tem cinco estágios durante os quais as ondas cerebrais diminuem de intensidade até atingir um profundo estado de relaxamento.
A baixa atividade se mantém no hipotálamo, ligado à consciência, e no córtex cerebral, que controla os movimentos do corpo. No caso dos sonâmbulos, essas ondas, vindas de uma área do cérebro chamada ponte, são irregulares. Por isso não cumprem a contento a função de inibir a região motora.
Como as áreas motoras permanecem ativas, o sonâmbulo é capaz de se sentar, andar e trocar a roupa. Já a área relacionada à consciência e memória, no hipotálamo, se mantém quase inativa. E isso explica porque quem sofre desse distúrbio não percebe o que faz nem se lembra de nada no dia seguinte embora algumas vezes podendo se manifestar como por exemplo: ir pagar uma conta a um multibanco ou escrever uma carta devido uma grande preocupação.

Fatores de risco[editar | editar código-fonte]

Vários fatores aumentam a probabilidade de sonambulismo, dentre eles[9] :
Além disso, é mais frequente em pessoas que possuem transtornos como[4] :

Casos notáveis[editar | editar código-fonte]

Em 1846, Tirell Bickford foi acusado de matar a prostituta Mary Ann durante um episódio de sonambulismo, mas inocentado pelo critério de insanidade temporária.[10]
Recentemente houve um caso no qual um homem escalou uma montanha durante o sono, e acordou apenas lá em cima. O incrível é que bombeiros cheios de equipamentos e outros levaram horas para escalar a montanha para o resgate, já que a montanha era muito íngreme.[11]
Algumas pessoas já foram vistas caindo de janelas e escadas enquanto estavam sonâmbulas. Alguns sonâmbulos podem ser violentos, inclusive a ponto de matar acidentalmente pessoas próximas.[4] Em alguns casos internacionais de homicídios e tentativas de homicídio com pacientes sonâmbulos o juri declarou o réu inocente por critério de insanidade temporária.[12] Em outros casos esse argumento já foi negado e o réu condenado a morte, prisão ou confinamento em instituição psiquiátrica.[4]
Existem pelo menos 11 casos de abuso sexual do parceiro(a) durante o sono descritos na literatura (inclusive de mulheres). Os comportamentos incluíram: tirar própria roupa; molestar o parceiro; tentar tirar a roupa do(a) parceiro(a); auto-estimulação e tentar o coito forçado. Acordar o parceiro pode ser difícil mas é suficiente para que ele se controle, geralmente se sentindo culpado e envergonhado por esse comportamento.[13]

Comportamento violento[editar | editar código-fonte]

Alguns pacientes violentos durante o sonambulismo também tem episódios recorrentes de terror noturno e pesadelos.[14] As principais características associadas este comportamento são [15] :
  • Sexo masculino;
  • Problemas familiares na infância;
  • História de abuso sexual;
  • Escala de Hamilton > 24;
  • História familiar de sonambulismo ou terror noturno;
  • Presença de desorganização no horário do sono, com ciclos vigília-sono mais caóticos;
  • História de abuso de substâncias.
Esse tipo de comportamento é bastante raro com apenas alguns poucos casos descritos na literatura.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Advertência: A Wikipédia não é consultório médico nem farmácia.
Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.
Primariamente, é importante tomar medidas de segurança para a proteção do paciente como dormir no andar térreo, em quarto amplo; proteger as janelas ou fechá-las; retirar mobílias baixas e outros obstáculos do quarto nos quais o paciente possa bater ou tropeçar e cair (como cadeiras, pufes e mesinhas); dificultar o acesso a objetos perfurantes ou cortantes (como tesouras, estiletes e agulhas).[14]
Em casos mais acentuados, pode ser necessário colocar o paciente para dormir em um saco com zíper. Deve-se tratar os fatores de piora, tais como estresse excessivo cotidiano, ansiedade e hábitos de sono irregulares, prevenindo a privação do sono. Para melhorar esses fatores pode-se utilizar ansiolíticospsicoterapia, técnicas de relaxamento e outras medidas para melhorar a higiene do sono.[14] [16]
Além disso, deve-se tratar outras possíveis condições clínicas associadas como: depressão, distúrbios respiratórios, narcolepsia, movimentos periódicos de membros e doenças neurológicas.[14]
Alguns medicamentos psiquiátricos também podem diminuir a frequência dos casos como o clonazepam em doses baixas, que podem ser aumentadas dependendo da resposta terapêutica, ou outrosbenzodiazepínicos como diazepan ou flurazepam. Nos casos de crises violentas comprovadas, são utilizados antiepiléticos.[14]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons possui uma categoriacontendo imagens e outros ficheiros sobre Sonambulismo

Referências

  1. Ir para cima [1]
  2. Ir para cima [2]
  3. ↑ Ir para:a b Sleep foundation.org
  4. ↑ Ir para:a b c d Ohayon MM, Caulet M, Priest RG. Violent behavior during sleep. J Clin Psychiatry. 1997;58(8):369-76; quis 377.
  5. ↑ Ir para:a b c RUBENS N. A. A. REIMÃO, ANTONIO B. LEFÈVRE (1980) DISTÚRBIOS DO SONO NA INFÂNCIA. http://pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/634.pdf
  6. Ir para cima BAKWIN, H. — Sleep-walking in twins. Lancet 2:446, 1970.
  7. Ir para cima Mahowald & Schenck. 1283.
  8. Ir para cima ABLON, S. L. & MACK, J £. — Sleep Disorders. In NOHSPITZ, J. D., ed. — Basic Handbook of Child Psychiatry. New York, Basic Books, 1979 p. 34.
  9. Ir para cima Kales JD, Kales A, Soldatos CR, Chamberlin K, Martin ED. Sleepwalking and night terrors related to febrile illness. Am J Psychiatry. 1979;136(9):1214-5.
  10. Ir para cima http://law.jrank.org/pages/2490/Albert-Tirrell-Trial-1846-Rufus-Choate-Defends-Tirrell.html
  11. Ir para cima http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL872856-15605,00-SONAMBULO+ACORDA+NO+ALTO+DE+MORRO+DE+METROS.html
  12. Ir para cima http://www.lakesidepress.com/pulmonary/Sleep/sleep-murder.htm
  13. Ir para cima Guilleminault C, Moscovitch A, Yuen K, Poyares D. Atypical sexual behavior during sleep. Psychosom Med. 2002;64(2):328-36.
  14. ↑ Ir para:a b c d e POYARES, Dalva et al. Violência durante o sono. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2005, vol.27, suppl.1 [cited 2011-04-01], pp. 22-26 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462005000500005&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1516-4446. doi: 10.1590/S1516-44462005000500005.
  15. Ir para cima Moldofsky H, Gilbert R, Lue FA, MacLean AW. Sleep-related violence. Sleep. 1995;18(9):731-9.
  16. Ir para cima JOVANOVIC, U. J. — Suggestions for the treatment of sleep disturbances and conclusions. In 1st Europ. Cong. Sleep Res., Basel, 1972. p. 45.

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