O gesso é um mineral aglomerante produzido a partir do aquecimento da gipsita, um mineral abundante na natureza, e posterior redução a pó da mesma. É composto principalmente por sulfato de cálcio hidratado (CaSO4•2H2O) e pelo hemidrato obtido pela calcinação desse (CaSO4•½H2O). É encontrado em praticamente o mundo todo, e ocorre no Brasil em terrenos cretáceos de formação marinha, principalmente no Maranhão, no Ceará, no Rio Grande do Norte, no Piauí e em Pernambuco. Sua cor geralmente é branca, mas impurezas podem conferir a ele tons acinzentados, amarelados, rosados ou marrons.[1]
Ao humedecer o gesso com cerca de um terço de seu peso em água, forma-se uma massa plástica que sofre expansão e endurece em cerca de dez minutos. Esta é utilizada na confecção de moldes, na construção, em acabamentos de reboco e tetos de construções, e, modernamente, na produção de rebaixamentos e divisórias, em conjunto com o papelão. Também é usado em aparelhos ortopédicos, trabalhos de prótese dentária, confecção de formas e moldes, imobilização, adubo (na forma de gipsita), retardador ou acelerador de presa no cimento Portland, e isolante térmico, já que seu coeficiente de condutividade térmica é 0,46 W/m·°C.[1] [nota 1]
O gesso cristaliza no sistema monoclínico, formando cristais de espessuras variadas chamados de selenita. Pode ser encontrado também na forma de agregados granulares chamados alabastro ou em veios fibrosos com brilho sedoso chamados espato-de-cetim.[1]
Apresenta grande impacto ambiental, pois seu processo de calcinação precisa de altas temperaturas, requerendo consumo energético, que e retirado da flora local, onde a maioria das empresas não se propõem em criar um plantio para esse fim devastando a flora, a fauna e a resiliência do lugar. Durante o processo é liberada grande quantia de água e resíduos da combustão, resíduos estes que não são utilizados gerando um impacto devido a deposição inadequada do mesmo, no processo de calcinação são liberados óxidos de enxofre (SOx) que reagem com a água, resultando em gás sulfídrico (H2S) e ácido sulfúrico (H2SO4) criando uma possibilidade de chuva acida.
Índice
[esconder]História[editar | editar código-fonte]
O gesso é conhecido há muito tempo, sendo um dos mais antigos materiais de construção que exigem transformação no processo de obtenção, assim como a cal e o barro. Escavações na Síria e na Turquia revelaram que o gesso é utilizado desde há oito mil anos antes da era comum, na forma de rebocos que serviam de apoio a frescos decorativos, no preparo do solo e confecção de recipientes. Escavações em Jericó revelaram uso do gesso em moldagem há seis mil anos. A Pirâmide de Quéops, de aproximadamente 2800 a.C., preserva um dos mais antigos vestígios do emprego de gesso em construção.[1]
No século XVIII houve grande generalização no emprego do gesso em construção, de tal forma que a maior parte das edificações terem sido construídas com painéis de madeira tosca rebocados com gesso. Entretanto, nesta época a produção do gesso ainda era rudimentar e experimental. Em 1768 Lavoisier apresenta à Academia de Ciências o primeiro estudo científico acerca dos fenômenos presentes no preparo do gesso.[1]
No século XIX, vários autores realizaram trabalhos explicando cientificamente a desidratação da gipsita, principalmente os de VantHoff e os de La Chatelier. Estes trabalhos serviram de base para uma profunda transformação nos equipamentos utilizados no processo. Apesar disto, apenas no século XX, devido à evolução da indústria, é que as transformações mais profundas foram introduzidas, resultando nos equipamentos atuais.[1]
Mineralogia[editar | editar código-fonte]
O gesso é uma rocha sulfetada, com a fórmula química Ca[SO4]•2H2O. Como mineral cristaliza no sistema monoclínico, com um hábito prismático, em que por vezes, aparecem cristais de hábito tabular. Ocasionalmente possui maclas em ferro de lança e/ou em cauda de andorinha. A gipsite é um material granular, por vezes fino, em forma de maciço. Possui cores variáveis como o branco, cinza, verde ou incolor. As cores devem-se frequentemente à presença de impurezas que lhe estão associadas, como a calcite, dolomite, pirite, óxidos de Fe, argilas, barite, anidrite e quartzo secundário. O seu brilho pode ser vítreo, nacarado ou sedoso. É frequentemente translúcido. O gesso possui uma dureza de 2 e uma densidade que vai do 2,3 a 2,4. Pode possuir clivagens e a sua risca é de cor branca. A sua cor de florescência é verde. O gesso pode aparecer em diversas variedades, como:
- Gipsite: é das variedades mais abundantes de gesso. Facilmente se transforma em anidrite (variedade desidratada de gesso) se as condições de calor, pressão e presença de água variarem.
- Anidrite: forma-se como mineral primário em sabkhas ou em bacias profundas. O termo está muito associado há gipsite porque a única diferença entre eles é as moléculas de água. A anidrite contém maior densidade que a gipsite, contudo, possui menor porosidade.
- Selenite: é um mineral de gesso macrocristalina, incolor, hialina e euédrica. Encontra-se, muitas vezes, a preencher fendas em rochas.
- Alabastro: o alabastro é uma variedade de gesso que faz lembrar o mármore, maciça, microgranular e translúcido. As suas cores dependem das impurezas contidas. Ocorre, frequentemente, em zonas de grandes depósitos de gesso.
- Espato: o espato é acetinado, fibroso e possui um brilho sedoso. Este material em forma de agulha deposita-se em fraturas e ao longo de planos de estratificação.
Gesso em Portugal[editar | editar código-fonte]
Em Portugal, o gesso encontra-se principalmente na bacia Lusitânica e teve como origem evaporítica. Soure, Monte Redondo, Óbidos, Caldas da Rainha, Sesimbra e Loulé (pertence à bacia do Algarve) são os locais principais onde ocorrem afloramentos de gesso, segundo Galopim de Carvalho. Estas formações têm idade Jurássica.
Bibliografia[editar | editar código-fonte]
- GALOPIM DE CARVALHO, A.M., Introdução ao estudo dos minerais, Âncora Editora, Lisboa, 2002
- GROVES, A.W., Gypsum and anhydrite, Her majesty´s stationery office, Londres, 1958
Referências
- ↑ a b c d e f VIABILIDADES TÉRMICA, ECONÔMICA E DE MATERIAIS DE UM SISTEMA SOLAR DE AQUECIMENTO DE ÁGUA A BAIXO CUSTO PARA FINS RESIDENCIAIS (PDF) 19-21 pp. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Junho de 2007). Visitado em 23 de outubro de 2011.
Notas
- ↑ Na referência citada a unidade de medida para condutividade térmica contém a temperatura relativa (°C), no entanto a temperatura absoluta (K) é usada na dedução da fórmula, o que pode causar discrepância e erros de cálculo.
Ver também[editar | editar código-fonte]Gesso é o termo genérico de uma família de aglomerantes simples, constituídos basicamente de sulfatos mais ou menos hidratados e anidros de cálcio; são obtidos pela calcinação da gipsita natural, constituída de sulfato biidratado de cálcio geralmente acompanhado de uma certa proporção de impurezas, como sílica, alumina, óxido de ferro, carbonatos de cálcio e magnésio.
O que é?
• Pó branco • predominantemente
–Ca2SO4.0,5H2O (semi-hidratado) OU –hemidrato
• pacotes 1kg
Definição
A gipsita é um mineral abundante na natureza e como tal existem jazidas espalhadas por muitos países do mundo.
Quimicamente é um sulfato de cálcio hidratado cuja fórmula é
Tem a composição estequiométrica média de: 32,5% de CaO,
O que é?
Composição Composição teórica dos sulfatos.
Fonte: JOHN; CINCOTTO (2007)
Fabricação
GIPSITA (Ca2SO4.2H2O)
GESSO (Ca2SO4.xH2O)
Reações Químicas - Fabricação Fases: britagem da pedra, trituração e queima. Cozimento industrial feito a baixa temperatura
Temperaturas de 100 a 300ºC
Denominações: Gesso de Paris, gesso de estucador, gesso rápido ou gesso de construção.
Bi-hidratado Semi-hidratado ou hemidrato
Fabricação
Quando calcinada a temperatura da ordem de 160ºC a gipsita desidrata-se parcialmente, originando um semi-hidrato conhecido comercialmente como gesso.
Sinônimos gipsita gesso gipso mais adequada ao mineral em estado natural termo mais apropriado para designar o produto calcinado
Gesso na Construção
Gesso na Construção FASES
| 100 ºC | Secagem da umidade da |
CALCINAÇÃO HETEROGÊNEA matéria-prima
| 150 ºC | Hemihidrato |
| 150 ~ 250 ºC | Anidrita I (instável) |
| 400 ~ 450 ºC | Anidrita I (estável) |
Ca2SO4 Pouco solúvel
Retarda a pega
Reações Químicas -Endurecimento
Reação de hidratação:
inversa à anterior, com desprendimento de calor, com dilatação térmica linear da ordem de 0,3%; e a retração por secagem é ligeiramente inferior a este valor.
Gesso na Construção Endurecimento
Quantidade de água necessária:
Teoricamente 25% Na prática 50 a 70% (evitar pega muito rápida).
Início de pega: 2 ou 3 minutos Fim de pega: 15 a 20 minutos
Pode-se alterar o tempo de pega pela adição de:
retardadores: Na2SO4, caseína, açúcar, álcool aceleradores: alúmen (silicato duplo de alumínio e potássio), sulfato de alumínio, sulfato de potássio.
Gesso na Construção Endurecimento
Gesso na Construção PROPRIEDADES
PEGA (temperatura e tempo de calcinação, finura, água amassamento e impurezas ou aditivos.)
Dentre as suas propriedades físicas vale destacar:
a dureza 2 na escala de Mohs; a densidade 2,35; a elevada solubilidade; e a cor que, a depender das impurezas contidas nos cristais, varia entre incolor, branca, cinza e amarronzada.
Gesso na Construção PROPRIEDADES
Gesso na Construção PEGA
Influência da Temperatura na Pega de Pastas de Gesso
Fonte: IBRACON
Gesso na Construção PEGA
Relação água/gesso no tempo de pega
(Parte 1 de 4)
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