O clima semiárido é um tipo de clima caracterizado pela baixa humidade e pouco volume pluviométrico. Na classificação mundial do clima, o clima semiárido é aquele que apresenta precipitação de chuvas média entre 200 mm e 400 mm.[1]
No Brasil[editar | editar código-fonte]
O clima semiárido está presente no Brasil nas regiões Nordeste e Sudeste (norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo), associado ao importante bioma da caatinga, rico em biodiversidade, endemismos e bastante heterogênea. A área do semiárido corresponde a aproximadamente 982 563,3 quilômetros quadrados (cerca de 11% do total do território).[2] [3] [4] Na classificação brasileira, o clima semiárido é aquele com precipitação inferior a 1000 mm. Com precipitação média anual inferior a 300 mm por ano e estiagens que duram às vezes mais de dez meses, Cabaceiras, na Paraíba, tem o título de município mais seco do país.[5]
É definido por quatro dos principais sistemas de circulação atmosférica. Ao atuarem na região, os bloqueios atmosféricos podem provocar longos períodos de estiagem (nos anos marcados pelo fenômeno de El Niño). Já o período de chuvas se concentra em poucos meses do ano, principalmente no "inverno do NE", associado à passagem de frentes frias e a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e das bordas dos vórtices ciclônicos em altos níveis (VCANs) troposféricos (no verão).
A precipitação pluviométrica é em média cerca de 750 mm por ano, podendo apresentar grande variabilidade climática (ano a ano) e uma distribuição irregular no espaço e no tempo. As altas temperaturas médias anuais (cerca de 26oC), com pequena variabilidade interanual, exercem forte efeito sobre a evapotranspiração potencial que, por sua vez, determinam o déficit hídrico durante a estiagem anual, daí a importância da irrigação ao longo do rio São Francisco para o manejo e aumento da produtividade agrícola, principalmente de frutas.
A evapotranspiração é o fluxo de vapor de água da superfície e vegetação para a atmosfera, sendo um componente importantíssimo do balanço hídrico e de energia da superfície. Como o subsolo é rico em rochas cristalinas (de baixa permeabilidade), a formação de aquíferos subterrâneos é inibida. O regime de chuvas rápidas e fortes também impedem a penetração de água no subsolo. Uma outra característica do semiárido brasileiro é a presença de sais nos solos, precipitados pela evaporação intensa, o que inibe a produtividade agrícola.
A pesquisa relacionada ao clima também estuda os parâmetros agrometeorológicos que afetam o desenvolvimento e rendimento das culturas – em particular aqueles relacionados com o suprimento de água para os processos metabólicos das plantas. Estudos têm sido realizados para estimar a evapotranspiração, essenciais para o estabelecimento de programa de irrigação eficazes. Os estudos no NE abrangem as culturas de manga, banana, goiaba, acerola e de tâmara.
Para conviver com a distribuição irregular das chuvas, uma das técnicas mais utilizadas no semiárido brasileiro é o armazenamento da água em açudes, para utilização nos períodos secos. O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) tem utilizado esta técnica há mais de um século, com a construção de grandes açudes públicos em todos os Estados da região Nordeste. Outra forma é a construção de cisternas que guardam a água das chuvas recolhida pelos telhados das casas.
O problema da distribuição e acesso à água é mais relevante no NE brasileiro que propriamente sua escassez.[6] Na maior parte do semiárido brasileiro, a precipitação média anual é de mesma ordem de grandeza daquela encontrada, por exemplo, em cidades europeias como Paris e Barcelona.
Desertificação[editar | editar código-fonte]
A exploração inadequada dos solos faz com que 68% do semiárido nordestino esteja em processo grave de desertificação.[7]
Perímetro[editar | editar código-fonte]
O semiárido brasileiro estende-se por uma área que abrange os estados da Região Nordeste, com exceção do Maranhão (86,48%), além do Sudeste (13,52%) também, ocupando uma área total de 974 752 km². Ocupa os seguintes estados:
- Alagoas
- Bahia
- Ceará
- Minas Gerais
- Espírito Santo
- Paraíba
- Pernambuco
- Piauí
- Rio Grande do Norte
- Sergipe
Referências
- ↑ DRY LANDS AND DESERTIFICATION - National Science Foundation, Flanders, Belgium; Geography Department, University of Gent, Belgium.
- ↑ Ministério da Integração Nacional, 2005. Semiárido. Relatório Final.,acessado em 11 de julho de 2008.
- ↑ Relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - FAO., acessado em 23 de abril de 2011.
- ↑ {John E. Oliver (Editor): The Encyclopedia of World Climatology (Encyclopedia of Earth Sciences Series), 854 pp., Publisher: Springer, Language: English, ISBN-10: 1402032641, 2005}
- ↑ Revista Globo Rural
- ↑ {http://www.un.org/waterforlifedecade/}
- ↑ Reportagem sobre desertificação
Ligações externas[editar | editar código-fonte]
- Mapa do Semiárido Brasileiro
- Instituto Nacional do Semiárido
- Articulação pelo Semiárido
- Departamento Nacional de Obras Contra as Secas
O Semiárido nordestino, tem como traço principal as frequentes secas que tanto podem ser caracterizadas pela ausência, escassez, alta variabilidade espacial e temporal das chuvas. Não é rara a sucessão de anos seguidos de seca.
As características do meio ambiente condicionam fortemente a sociedade regional, a sobreviver principalmente de atividades econômicas ligadas basicamente à agricultura e a pecuária. Estas se realizam sempre buscando o melhor aproveitamento possível das condições naturais desfavoráveis, ainda que apoiadas em base técnica frágil, utilizando na maior parte dos casos, tecnologias tradicionais.
Apesar da urbanização ocorrida nos últimos anos, a ocupação principal de sua força de trabalho é a agropecuária. A estrutura fundiária é extremamente concentrada, embora seja grande o número de pequenos estabelecimentos ou unidades de produção familiar.
Geoambientalmente além das vulnerabilidades climáticas do Semiárido, grande parte dos solos encontra-se degradada. Os recursos hídricos caminham para a insuficiência ou apresentam níveis elevados de poluição. A flora e a fauna vêm sofrendo a ação predatória do homem. E os frágeis ecossistemas regionais não estão sendo protegidos, ameaçando a sobrevivência de muitas espécies vegetais e animais e criando riscos à ocupação humana, inclusive associados a processos, em curso, de desertificação.
Caracterização da Região Semiárida
• Precipitações médias anuais iguais ou inferiores 800 mm.
• Insolação média de 2.800 h/ano.
• Temperaturas médias anuais 23 a 27 C.
• Regime de chuvas marcada pela irregularidade (espaço/tempo).
• Domínio do Ecossistema Caatinga (diversidade).
• Solos, maioria, areno-argilosos – pobres em MO.
• Cristalino – substrato dominante.
• Limitações pluviométricas e baixa retenção dos solos = rios temporários.
• Águas subterrâneas – bacias sedimentares ou cristalino, bacias sedimentares – boa vazão e qualidade.
• 57,53 % da área do NE e 40, 54 % da população do NE.
• 21,6 % do PIB do NE.
Características principais da realidade atual
• Pobreza, densidade, diversidade;
• Gado, algodão, lavouras alimentares;
• Agricultura familiar;
• Urbanização/retenção, economia sem produção;
• Escassez abastecimento humano.
Principais Desafios a Enfrentar
• Demográfico (12,4 hab/km² em 70 e 21,6 em 2000);
• Ambiental (diversidade, extrativismo, desertificação);
• Escassez de Água (acesso, demanda > oferta);
• Econômico (transição urbana, agropecuária);
• Institucional (coordenação);
• Educacional;
• Sócio-cultural e Político.
As características do meio ambiente condicionam fortemente a sociedade regional, a sobreviver principalmente de atividades econômicas ligadas basicamente à agricultura e a pecuária. Estas se realizam sempre buscando o melhor aproveitamento possível das condições naturais desfavoráveis, ainda que apoiadas em base técnica frágil, utilizando na maior parte dos casos, tecnologias tradicionais.
Apesar da urbanização ocorrida nos últimos anos, a ocupação principal de sua força de trabalho é a agropecuária. A estrutura fundiária é extremamente concentrada, embora seja grande o número de pequenos estabelecimentos ou unidades de produção familiar.
Geoambientalmente além das vulnerabilidades climáticas do Semiárido, grande parte dos solos encontra-se degradada. Os recursos hídricos caminham para a insuficiência ou apresentam níveis elevados de poluição. A flora e a fauna vêm sofrendo a ação predatória do homem. E os frágeis ecossistemas regionais não estão sendo protegidos, ameaçando a sobrevivência de muitas espécies vegetais e animais e criando riscos à ocupação humana, inclusive associados a processos, em curso, de desertificação.
Caracterização da Região Semiárida
• Precipitações médias anuais iguais ou inferiores 800 mm.
• Insolação média de 2.800 h/ano.
• Temperaturas médias anuais 23 a 27 C.
• Regime de chuvas marcada pela irregularidade (espaço/tempo).
• Domínio do Ecossistema Caatinga (diversidade).
• Solos, maioria, areno-argilosos – pobres em MO.
• Cristalino – substrato dominante.
• Limitações pluviométricas e baixa retenção dos solos = rios temporários.
• Águas subterrâneas – bacias sedimentares ou cristalino, bacias sedimentares – boa vazão e qualidade.
• 57,53 % da área do NE e 40, 54 % da população do NE.
• 21,6 % do PIB do NE.
Características principais da realidade atual
• Pobreza, densidade, diversidade;
• Gado, algodão, lavouras alimentares;
• Agricultura familiar;
• Urbanização/retenção, economia sem produção;
• Escassez abastecimento humano.
Principais Desafios a Enfrentar
• Demográfico (12,4 hab/km² em 70 e 21,6 em 2000);
• Ambiental (diversidade, extrativismo, desertificação);
• Escassez de Água (acesso, demanda > oferta);
• Econômico (transição urbana, agropecuária);
• Institucional (coordenação);
• Educacional;
• Sócio-cultural e Político.
Quantidade de municípios do Semiárido na área de atuação da SUDENE
| Estado | Qtd. municípios na área de atuação da SUDENE | Qtd. municípios dentro do Semiárido | Qtd. municípios fora do Semiárido |
| Maranhão | 217 | 0 (0,00%) | 217 (100,00%) |
| Piauí | 223 | 127 (56,95%) | 96 (43,05%) |
| Ceará | 184 | 150 (81,52%) | 34 (18,48%) |
| R.G. do Norte | 167 | 147 (88,02%) | 20 (11,98%) |
| Paraíba | 223 | 170 (76,23%) | 53 (23,77%) |
| Pernambuco | 185 | 122 (65,95%) | 63 (34,05%) |
| Alagoas | 102 | 38 (37,25%) | 64 (62,75%) |
| Sergipe | 75 | 29 (38,67%) | 46 (61,33%) |
| Bahia | 417 | 265 (63,55%) | 152 (36,45%) |
| Minas Gerais | 168 | 85 (50,60%) | 83 (49,40%) |
| Espírito Santo | 28 | 0 (0,00%) | 28 (100,00%) |
| Total__________ | 1.989 | 1.133 (56,96%) | 856 (43,04%) |
Legislação
Portaria MI nº 89 (16.03.2005 - Ministério da Integração Nacional)
Atualiza a relação dos municípios pertencentes à região Semiárida do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste - FNE.
Atualiza a relação dos municípios pertencentes à região Semiárida do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste - FNE.
Portaria Interministerial nº 1 (09.03.2005)
Atualiza os critérios que delimitam a região Semiárida do Nordeste.
Atualiza os critérios que delimitam a região Semiárida do Nordeste.
Lei 7.827 (27.09.1989)
Regulamenta o art. 159, inciso I, alínea c, da Constituição Federal, institui o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte - FNO, o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste - FNE e o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste - FCO, e dá outras providências.
Regulamenta o art. 159, inciso I, alínea c, da Constituição Federal, institui o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte - FNO, o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste - FNE e o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste - FCO, e dá outras providências.
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