sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

COQUEIRO

coqueiro (Cocos nucifera), é um membro da família Arecaceae (família das palmeiras). É a única espécie classificada no gênero Cocos.
É uma planta que pode crescer até 30 m de altura, com folhas pinadas de 4–6 m de comprimento, com pinas de 60–90 cm. As folhas caem completamente, deixando otronco liso.

Origens[editar | editar código-fonte]

As origens desta planta são passíveis de discussão. Enquanto algumas autoridades reclamam o Sudeste Asiático (região peninsular) como o seu local de origem, outros colocam a sua origem no nordeste da América do Sul. Registros fósseis da Nova Zelândia indicam aí a existência de pequenas plantas similares ao coqueiro de mais de 15 milhões de anos.
Fósseis ainda mais antigos foram também descobertos no Rajastão, na Índia.
Qualquer que fosse a sua origem, os cocos espalharam-se através dos trópicos, em particular ao longo da linha costeira tropical.
Como o seu fruto é pouco denso e flutua, a planta é espalhada prontamente pelas correntes marinhas que podem carregar os cocos a distâncias significativas. A palmeira do coco prospera em solos arenosos e salinos nas áreas com luz solar abundante e pancadas de chuva regular (75–100 cm anualmente), o que torna a colonização da costa relativamente fácil.
Já foram encontrados cocos transportados pelo mar tão ao norte como na Noruega em estado viável, que germinaram subsequentemente em circunstâncias apropriadas. Entretanto, nas ilhas do Havaí, o coco é considerado como introdução, trazida primeiramente às ilhas há muito tempo por viajantes polinésios de sua terra natal no Sul doPacífico.

Fruto[editar | editar código-fonte]

Coco.
Botanicamente falando, um coco é um fruto seco simples classificado como drupa[1] fibrosa (não uma noz). A casca (mesocarpo) é fibrosa e existe um "caroço" interno (oendocarpo lenhoso). Este endocarpo duro tem três poros de germinação que são claramente visíveis na superfície exterior, uma vez que a casca é removida. É através de um destes que a pequena raiz emerge quando o embrião germina.
O termo "coco" foi desenvolvido pelos portugueses no território asiático de Malabar, na viagem de Vasco da Gama à Índia (1497-1498), a partir da associação da aparência do fruto, visto da extremidade, em que o endocarpo e os poros de germinação assemelham-se à face de um "coco" (monstro imaginário com que se assusta as crianças; papão; ogro), conforme conta o historiador João de Barros no seu livro Décadas da Ásia (1563) "[...]por razão da qual figura, sem ser figura, os nossos lhe chamaram coco, nome imposto pelas mulheres a qualquer coisa, com que querem fazer medo às crianças, o qual nome assim lhe ficou, que ninguém lhe sabe outro, [...]." [2] . Do português o termo passou ao espanhol, francês e inglês "coco", ao italiano "cocco", ao alemão "Kokos" e aos compostos "coconut", inglês, e "Kokosnuss", alemão.
Em algumas partes do mundo, macacos treinados são usados na colheita do coco. Escolas de treinamentos para macacos ainda existem no sul da Tailândia. Todos os anos são realizadas competições para identificar o mais rápido colhedor.
A Tailândia exporta 25 mil toneladas de coco por ano, os maiores compradores são, Brasil, China, Canadá, Índia e Inglaterra, o país é o terceiro maior produtor de coco do mundo, perdendo apenas para Cuba e Brasil, relativamente países de clima tropical.
  1. No Brasil se produz muita cocada feito do fruto da polpa do coco da baia.

Uso[editar | editar código-fonte]

Coqueiros em um clima tropicalem Barra de Punaú no Brasil.
Todas as partes do coco, salvo talvez as raizes, são úteis e as árvores têm comparativamente um alto rendimento (até 75 cocos por ano); ele então possui significativo valor econômico. De fato em Sânscrito o nome para o coqueiro é kalpa vriksha, o qual se traduz como "a árvore que fornece todas as necessidades da vida". Os usos das várias peças da palma incluem:
  1. O branco, parte gorda da semente, é comestível (fresco) e usado (seco e dissecado) em culinária;
  2. A cavidade é cheia de "água de coco" que contém os açúcares que são usados como uma bebida refrescante, e na composição da sobremesa gelatinosa nata de coco;
  3. Leite de coco (que tem aproximadamente 17% de gordura) é feito processando o coco ralado com água quente que extrai o óleo e os compostos aromáticos;
  4. O líquido obtido da incisão da base das inflorescências do coqueiro forma uma bebida conhecida em inglês por "toddy", nas Filipinas chamada tuba e em Moçambique,sura;
  5. Os botões da ponta de plantas adultas são comestíveis e são conhecidos como "cabaço de coco" (embora a colheita desta mate a árvore);
  6. O interior da ponta crescente é chamado coração-da-palma ou "palmito" e comido em saladas, chamadas às vezes "salada do milionário" (isto também mata a árvore);
  7. Copra é a carne seca da semente, usada para preparar o óleo do coco;
  8. O resíduo que fica depois de preparar o óleo é usado como ração para animais;
  9. O tronco fornece madeira para construção;
  10. As folhas fornecem materiais para cestas e palha de telhado;
  11. A casca e a fibra do coco podem ser usados para combustível e são uma fonte boa do carvão de lenha;
  12. Servem ainda em artesanato no fabrico de joias, utensílios domésticos, objetos decorativos entre outros;
  13. Nos teatros, usavam-se metades de casca de coco que, batidas, davam o som de cascos de cavalo;
  14. A fibra pode ainda ser usada para o fabrico de cordas e tapetes, para enchimento de estofos e para o cultivo de orquídeas e outras plantas;
  15. Havaianos usam o tronco oco para dar forma a um cilindro, que pode servir como recipiente, ou mesmo canoas pequenas.
  16. A água do coco tem componentes presentes no plasma do sangue e é conhecida por ter sido usada como um líquido endovenoso de hidratação no passado quando havia uma falta de líquido próprio paratransfusão de sangue. A água do coco tem teores elevados de potássiocloreto e cálcio, porém sua osmolaridade média é de cerca de 500mOsm, contra 300mOsm do plasma sanguíneo. Já foi indicada em situações emergenciais em que se pretendia o aumento destes eletrólitos , porém, sabe-se hoje que seu uso endovenoso deve ser proscrito visto que além de haver diferença nas osmolaridades, os antígenos ali presentes podem desencadear choque por anafilaxia ou hemólise autoimune.

Coco no folclore[editar | editar código-fonte]

A lenda popular da Indonésia denominada Hainuwele ("A rapariga do coco") conta a história da introdução do coqueiro em Seram.

Referências

  1. Ir para cima Antonieta Barreira Cravo. frutas & ervas que curam. Hemus; ISBN 978-85-289-0489-5. p. 80.
  2. Ir para cima Barros, João de. Da Ásia de João de Barros Dos feitos que os Portuguezes fizeram no Descubrimento, e conquista dos Mares, e Terras do Oriente. Década Terceira. Lisboa : Na Régia Officina Typografica, 1777-1788 (Biblioteca Nacional Digital)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
Commons possui imagens e outras mídias sobre Coqueiro
  • Informações adicionais sobre cocosA produção de água de coco tem incentivado novos plantios em todo o país, o que ajudou o Brasil a subir no ranking geral dos maiores produtores de coco do mundo. Saiu da décima posição, que ocupava em 1990, para o quarto lugar, em 2011, com uma safra estimada em 2,8 milhões de toneladas de coco, atrás apenas da Indonésia (que produz 19,5 milhões de toneladas), das Filipinas (que tem safra anual de 15,3 milhões) e da Índia (que colhe 10,8 milhões de toneladas de coco ao ano).
    Considerada apenas a produção de água de coco, o Brasil é líder mundial e movimenta R$ 450 milhões com esse negócio.
    Entre as dúvidas frequentes sobre o plantio de coqueiros, estão frutos verdes que caem do pé, árvores doentes e a melhor forma de adubar o solo.
    Confira:
    1) Como obter um ciclo mais produtivo
    De cerca de 30 coquinhos que não murcham do meu coqueiro, aproximadamente oito chegam a vingar, enquanto os demais caem ainda pequenos. O que faço para obter um ciclo mais produtivo?
    Estela Jorge Moretto
    Rio de Janeiro (RJ)
    A perda de frutos imaturos é comum na cultura do coqueiro. É importante manter o solo em bom estado de umidade e, ao mesmo tempo, assegurar uma adubação equilibrada utilizando uma formulação NPK na proporção 20-10-20. Adicione também adubação orgânica.
    O ataque de ácaros, no entanto, pode ser outro motivo para a produção escassa do coqueiro. Nesse caso, recomenda-se aplicar a mistura de óleo de algodão 1,5% com detergente neutro 1% (300 mililitros de óleo e 200 mililitros de detergente) adicionada em 20 litros de água. Inicialmente, faça três aplicações a cada 15 dias e, posteriormente, a cada mês. O jato do produto deve ser dirigido para os cachos recém-formados e livres de ataques.
    CONSULTOR: HUMBERTO ROLLEMBERG FONTES, engenheiro agrônomo, pesquisador em fitotecnia da Embrapa Tabuleiros Costeiros (CPATC), Av. Beira Mar, 3250, Bairro 13 de Julho, Caixa Postal 44, CEP 49025-040, Aracaju (SE), tel. (79) 4009-1311, humberto.fontes@embrapa.br
    2) O que fazer para melhorar o desenvolvimento dos pés
    O que posso fazer para melhorar o desenvolvimento de dois pés de coco-da-baía, qual é o adubo mais recomendado para a cultura e quanto tempo leva para dar frutos?Pedro Angelo de Moura
    Lavras (MG)
    O coqueiro é uma planta originária de clima tropical, encontrando melhores condições de desenvolvimento em locais onde a temperatura média mantém-se em 27ºC e umidade relativa do ar em torno de 80%. Em condições climáticas desfavoráveis, principalmente quando a temperatura se aproxima de 15ºC, a planta não consegue expressar todo seu potencial produtivo.
    Já em condições adequadas de clima e solo e com uso de mudas de boa qualidade, a recomendação é fazer uma adubação química anual de 3 a 5 quilos por planta adulta. Também é importante fazer adubação orgânica anual com esterco, ou outra fonte, na quantidade de 10 a 20 quilos por coqueiro adulto.
    Em plantas adultas, o efeito da adubação ocorre a partir do segundo ano após a primeira realização. No caso de coqueiros jovens, as dosagens devem variar de acordo com a idade de cada planta. Indica-se aplicar de duas a três vezes na zona de coroamento uma mistura N-P-K a 20-10-20, por exemplo.
    Observe a necessidade de manutenção do solo úmido. Em se tratando de plantas jovens e da variedade utilizada, o início da produção ocorre em média a partir do terceiro e quarto ano de idade. Vale ressaltar que o uso de mudas de má qualidade pode comprometer os resultados do plantio.
    CONSULTOR: HUMBERTO ROLLEMBERG FONTES, engenheiro agrônomo, pesquisador em fitotecnia da Embrapa Tabuleiros Costeiros (CPATC), Av. Beira Mar, 3250, Bairro 13 de Julho, Caixa Postal 44, CEP 49025-040, Aracaju, SE, tel. (79) 4009-1311, humberto.fontes@embrapa.br
    3) Como tratar coqueiros doentes
    Será que os três coqueiros do meu sítio em Mateus Leme (MG) estão doentes e eu mesmo posso tratá-los? Dão cachos com muitos coquinhos que secam e caem sem vingar. Quando alguns poucos crescem, não prestam.
    Custodio Ribeiro
    Belo Horizonte (MG)
    Frutos do coqueiro podem não vingar devido à diversos fatores, como estresses ambientais, desequilíbrio nutricional das plantas, ataque de ácaros ou de doenças nos frutos, entre outros. Para a melhoria do pegamento dos cocos, recomenda-se realizar adubação orgânica com cerca de 5 a 10 quilos de esterco por planta, complementada por adubação química utilizando-se 3 quilos de uma formulação NPK (20-10-20) por coqueiro.
    O adubo deve ser distribuído a lanço ao redor das plantas, entre 0,5 metro e 1,5 metro do estipe, e, em seguida, incorporado ao solo. A resposta deve ocorrer, em média, somente após o segundo ano, desde que mantida as condições satisfatórias de umidade do solo.
    No caso do ataque de ácaros, os cachos novos podem ser pulverizados com uma mistura de óleo de algodão (1,5%) com detergente neutro (1%), sendo três repetições a cada 15 dias e, posteriormente, uma vez por mês. No entanto, para uma orientação correta do controle, é importante solicitar a um engenheiro agrônomo da região para verificar se o ácaro-da-necrose, ou uma possível enfermidade, é o principal responsável pelos danos que estão ocorrendo nos coqueiros.
    CONSULTORA: JOANA MARIA SANTOS FERREIRA, pesquisadora da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Av. Beira Mar, 3250, Caixa Postal 44, CEP 49025-040, Aracaju, SE, tel. (79) 4009-1344, sac@captc.embrapa.br
    4) Como plantar coqueiro-anão
    Quero aproveitar meu terreno e pensei no coqueiro-anão. Preciso saber como e quando plantar, e o mais importante: onde conseguir as mudas
    Anderson Barlsoze de Souza Nova Iguaçu, RJ
    Se o objetivo é produzir água de coco, o mais recomendá­vel é o coqueiro-anão. Comece o cultivo no início da estação chuvosa ou use um sistema de irrigação. Em três ou quatro anos pode ser iniciada a colheita. A árvore tem produção anual de 150 a 200 frutos.
    O coco-anão também pode ser utilizado como coco seco, mas para isso precisa ser colhido aos 12 meses. Podem ser plantadas 100 mudas de coqueiro-anão em um hectare, em espaçamento de 10 x10 metros.
    Cerca de um mês antes do cultivo, abra covas para preencher com terra, três quilos de adubo orgâ­nico e 800 gramas de superfosfato simples. Fixe a muda no solo sem enterrar o caule. Depois de um mês do plantio, realize a adubação em cobertura com 300 gramas de uréia e 200 gramas de cloreto de potássio. Mudas podem ser adquiridas na Embrapa de Petrolina, (85) 3862-2845, enpnz.snt@embrapa.br, com Fernando Duarte Vianna.
    CONSULTOR: HUMBERTO ROLLEMBERG FONTES, fitotecnista, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Av. Beira-Mar, 3250, Praia 13 de Julho, Caixa Postal 44, Aracaju, SE, tel. (79) 4009-1344, sac@cpatc.embrapa.br
    5) Como evitar o apodrecimento do coqueiro
    Os frutos do meu coqueiro estão apodrecendo com algo parecido com a doença do ácaro. Há como combater a enfermidade?
    Reinaldo Araujo de Almeida | Ipatinga (MG)
    Existe um complexo de fungos associado à podridão e à queda de frutos de coqueiro. O Ceratocystis paradoxa causa a podridão negra do coco, provocando perdas devido à queda prematura de frutos jovens e dos mais desenvolvidos. Outro fungo que leva os frutos ao chão é o Lasiodiplodia theobromae, responsável pela podridão basal pós-colheita do coco verde. Nesses casos, é comum a exsudação de albume líquido na forma de gotas junto às brácteas (folhas modificadas).
    A queda de cocos ainda pode ser resultado de má nutrição, presença de ácaros ou de outros agentes causadores de doenças, como o Cylindrocladium sp. e o Colletotrichum gloeosporioides. Há produtos no mercado para o controle da podridão dos frutos do coqueiro. Mas é necessário que um engenheiro agrônomo realize o diagnóstico correto da enfermidade.
    CONSULTORES: VIVIANE TALAMINI E FREDERICO A. DE OLIVEIRA, pesquisadores da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Av. Beira Mar, 3.250, Caixa Postal 44, Aracaju (SE), CEP 49025-040, tel. (79) 4009-1300

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