sábado, 5 de março de 2016

CRIOLUS

No Brasil do século XIX e anterior, chamava-se de crioulos os escravos não-mestiços que tinham nascido na terra, diferenciando-os daqueles nascidos na África. Os escravos africanos que sabiam falar português e conheciam os costumes brasileiros, eram chamados de "negros ladinos" (derivado de latinos, mas já com a conotação de esperto). Escravos africanos que desconheciam a língua portuguesa e os costumes da nova terra eram denominados "negros boçais". Certamente, este tom pejorativo contaminou posteriormente o significado de crioulo. Em geral, os escravos mestiços eram apenas chamados de mulatos, já subentendendo-se que sabiam falar português e conheciam os costumes locais como os escravos crioulos.
No Brasil do século XX e atual, a palavra crioulo designa pessoas de pele escura descendentes de africanos subsaarianos, incluindo negros e mulatos, e pode ser considerado racialmente ofensivo. Não inclui pessoas de origem asiática, norte-africana, Ameríndios ou qualquer outra que tenha a pele escura.

Em Portugal e suas antigas colônias africanas[editar | editar código-fonte]

No mundo lusófono, o termo crioulo denomina os filhos de casamentos inter-raciais ou, por extensão, as culturas nascidas do encontro entre o mundo europeu e o africano (como a caboverdiana ou asantomense). Em geral, este termo não tem conotação ofensiva nestas regiões. A conotação desta palavra como miscigenação originou a expressão língua crioula para designar as línguas resultantes da mistura de dois ou mais idiomas distintos, em geral, as que surgiram nos territórios colonizados pelos europeus como mistura de idiomas europeus e não-europeus.

Na América Espanhola[editar | editar código-fonte]

Na América espanhola, criolo, em geral, designa uma pessoa descendente de europeus que tenha nascido na América. Os filhos dos grandes aristocratas europeus - em especial espanhóis - que tinham filhos nascidos em terras americanas, chamavam a seus filhos de criollo. O termo era então usado como sinônimo para todo aquele que nascesse fora de seu país de origem. Atualmente o termo apresenta várias nuances desse significado original dependendo de cada país ou região da América espanhola. Por exemplo, na Argentina, o termo é utilizado geralmente para referir-se aos descendentes dos antigos colonizadores espanhóis que vivem no interior do país, mas não aos descendentes dos imigrantes mais recentes, mesmo que descendentes de espanhóis.
No Rio Grande do Sul, estado brasileiro fronteiriço com a Argentina e Uruguai, a palavra crioulo é utilizada para designar os descendentes dos antigos colonizadores portugueses, isto é, o gaúcho tradicional, como se pode ver no nome do Museu Crioulo e do programa de televisão Galpão Crioulo. Entretanto, cientes do seu uso no resto do Brasil, alguns procuram diferenciar, utilizando a palavra "crioulo" para designar pessoas de pele escura e a palavra espanhola "criolo" para designar os descendentes brancos dos antigos colonizadores portugueses. Assim, denominam de "Balcão do Criolo" a uma janela do palácio do governo estadual de onde os antigos presidentes da província e governadores costumavam discursar para o povo.De origem portuguesa, o termo crioulo surgiu na época colonial para fazer referência às pessoas que, embora descendentes de europeus, nasceram em países originárias da colonização europeia.
Também se chamava crioulos aos negros nascidos no território americano (nomeadamente, no Brasil). O termo, neste caso, era usado para diferenciar esses cidadãos americanos de raça negra daqueles que tinham chegado da África na qualidade de escravos.
A noção de crioulo, actualmente, permite referir-se àquilo que provém de países em que houve escravatura negra, ou ainda ao dialecto que resulta da evolução de uma língua de contacto entre os colonizadores e os povos autóctones.
Para a linguística, o crioulo é a língua natural resultante da mistura da língua autóctone com uma outra língua e que passa a ser língua materna. Existem diversos crioulos, nomeadamente o crioulo de base lexical portuguesa, isto é, aqueles que resultam do contacto linguístico entre falantes portugueses e falantes de línguas não europeias, durante a época dos Descobrimentos. Aliás, chama-se crioulo ao dialecto falado em Cabo Verde. Por tratar-se da língua que tem recebido maior atenção por parte de linguistas, escritores e artistas, o crioulo cabo-verdiano encontra-se mais sistematizado e estudado para além de constituir um património cultural, que define a identidade do povo cabo-verdiano.
Existem línguas crioulas de plantação (como o crioulo francês do Haiti, o papiamentu, o crioulo inglês da Jamaica e os crioulos portugueses de Cabo Verde, de São Tomé e Príncipe e da Guiné Bissau) e línguas crioulas de fortaleza (como o crioulo sino-português de Macau, o crioulo indo-português de Goa e de Damão e o crioulo de Timor Leste, entre outros já extintos).
Por fim, o cavalo crioulo é uma raça equina que se cria na América do Sul e que descende do cavalo andaluz trazido para aquele continente pelos conquistadores espanhóis.


Leia mais: Conceito de crioulo - O que é, Definição e Significado http://conceito.de/crioulo#ixzz421wzUyEf

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