quarta-feira, 9 de março de 2016

POLICULTURA

POLICULTURA. Termo híbrido, de um elemento grego “polys” = numeroso, e de um elemento latino “cultura” no sentido de cultivo agrícola. Com  mais propriedade, dever-se-ia dizer plu­ricultura. É o sistema agrícola baseado no cul­tivo de vários produtos, seja simultaneamente, seja por um processo de rotação de terras. Um determinado regime de policultura se pode definir em função de sua escala: um sistema de monocultura familiar pode constituir um sis­tema de policultura regional, se cada fa­mília ou cada propriedade ou unidade de produção  se aplica ao cultivo de um produto diverso. O mesmo se diz da região, com rela­ção à economia nacional. O regime de policul­tura apresenta várias vantagens: 1) garante maior estabilidade econômica à família, região ou nação inteira; 2) associa-se mais facilmente ao regime da propriedade rural familiar, bene­ficiando-se de suas vantagens; 3) facilita a melhor conservação dos solos que não se es­gotam pelo cultivo de um só produto; 4) per­mite maior complementariedade na produ­ção mais diversificada para atender melhor às exigências do consumo. Naturalmente, a policultura encontra também suas dificuldades prin­cipalmente no tacante à assistência técnica mais diversificada de que carece o agricultor.

Fonte: Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo – Fernando Bastos de Ávila – Fundação Nacional de Material Escolar –Rio de Janeiro – 1972
Fonte: Blog do Tony


MONOCULTURA. Termo híbrido, de um elemento grego “mónos” = único e de elemento latino  “cultura”, no sentido de cultivo agrícola. Com  mais propriedade se deveria dizer “unicultu­ra”. É o sistema agrícola baseado no cultivo extensivo de um só produto, por exemplo, a monocultura cafeeira ou canavieira. Do ponto de vista da economia nacional, tem vantagens e desvantagens. As vantagens principais são: as de facilitar a industrialização e comerciali­zação do produto, de permitir uma apuração crescente das técnicas de seu cultivo e de pos­sibilitar processos uniformes de mecanização. Entre as desvantagens, que geralmente neutra­lizam as vantagens enunciadas, enumeram-se: esgotamento rápido do solo pela não apli­cação do sistema de rotação das culturas; ins­tabilidade na economia da nação e sua extre­ma dependência dos mercados consumidores. Uma economia fundada num regime de mono­cultura fica sempre ao sabor das cotações dos preços de seu produto. Quando estas cotações sobem, expande-se desordenadamente a cul­tura única; quando as cotações baixam, estocem-se ou se destroem as safras, gera-se o desemprego e explodem as crises sociais e políticas. A monocultura, aliás, não é apenas um regime agrícola, mas identifica-se, em ge­ral, com uma estrutura social e econômica, mar­cada pelas seguintes características: 1) ausên­cia da pequena propriedade rural familiar absorvida pelo latifúndio; 2) carência dos bens de subsistência básica que devem ser importados com as divisas obtidas na exportação do produto único; a comercia­lização dos bens de consumo fica assim sob o controle dos manipuladores da exportação; 3) absenteísmo dos proprietários rurais que confiam suas culturas extensivas a capatazes e administradores mercenários, para viverem nos centros urbanos disputando ou exercendo car­gos públicos pelos quais possam garantir a permanência do regime; 4) existência de um proletariado rural inorganizado, sem condições de reivindicar os seus direitos, vivendo assim ao sabor do paternalismo patronal. A econo­mia brasileira, ainda predominantemente agrí­cola, evoluiu através de ciclos marcados pela predominância de produtos extrativos únicos: pau-brasil, cana-de-açúcar, mineração, pecuá­ria e café. Só nos últimos decênios a abertura do ciclo da industrialização e a experiência sofrida das consequências da monocultura ca­feeira encamínharam o país para um tipo de economia mais diversificada, conquanto o café ainda constitua a maior parte da riqueza na­cional. O conceito de monocultura se associa também ao sistema da plantation, que é um tipo de estabelecimento agro-industrial, ocupan­do grande extensão de terras, dirigido por pessoas de melhor técnica, visando à produção de uma determinada, categoria de produtos destinados a um mercado fixo. A plantation requer grandes investimentos de capitais e uma organização de tipo empresarial. Utiliza em geral mão-de-obra numerosa e de baixo custo visando a uma maximização do lucro. Resultou de uma exigência das economias industriali­zadas, necessitadas de matérias-primas e pro­dutos alimentares em larga escala.

Nenhum comentário:

Postar um comentário