Fonte: Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo – Fernando Bastos de Ávila – Fundação Nacional de Material Escolar –Rio de Janeiro – 1972
Fonte: Blog do Tony
MONOCULTURA. Termo híbrido, de um elemento grego “mónos” = único e de elemento latino “cultura”, no sentido de cultivo agrícola. Com mais propriedade se deveria dizer “unicultura”. É o sistema agrícola baseado no cultivo extensivo de um só produto, por exemplo, a monocultura cafeeira ou canavieira. Do ponto de vista da economia nacional, tem vantagens e desvantagens. As vantagens principais são: as de facilitar a industrialização e comercialização do produto, de permitir uma apuração crescente das técnicas de seu cultivo e de possibilitar processos uniformes de mecanização. Entre as desvantagens, que geralmente neutralizam as vantagens enunciadas, enumeram-se: esgotamento rápido do solo pela não aplicação do sistema de rotação das culturas; instabilidade na economia da nação e sua extrema dependência dos mercados consumidores. Uma economia fundada num regime de monocultura fica sempre ao sabor das cotações dos preços de seu produto. Quando estas cotações sobem, expande-se desordenadamente a cultura única; quando as cotações baixam, estocem-se ou se destroem as safras, gera-se o desemprego e explodem as crises sociais e políticas. A monocultura, aliás, não é apenas um regime agrícola, mas identifica-se, em geral, com uma estrutura social e econômica, marcada pelas seguintes características: 1) ausência da pequena propriedade rural familiar absorvida pelo latifúndio; 2) carência dos bens de subsistência básica que devem ser importados com as divisas obtidas na exportação do produto único; a comercialização dos bens de consumo fica assim sob o controle dos manipuladores da exportação; 3) absenteísmo dos proprietários rurais que confiam suas culturas extensivas a capatazes e administradores mercenários, para viverem nos centros urbanos disputando ou exercendo cargos públicos pelos quais possam garantir a permanência do regime; 4) existência de um proletariado rural inorganizado, sem condições de reivindicar os seus direitos, vivendo assim ao sabor do paternalismo patronal. A economia brasileira, ainda predominantemente agrícola, evoluiu através de ciclos marcados pela predominância de produtos extrativos únicos: pau-brasil, cana-de-açúcar, mineração, pecuária e café. Só nos últimos decênios a abertura do ciclo da industrialização e a experiência sofrida das consequências da monocultura cafeeira encamínharam o país para um tipo de economia mais diversificada, conquanto o café ainda constitua a maior parte da riqueza nacional. O conceito de monocultura se associa também ao sistema da plantation, que é um tipo de estabelecimento agro-industrial, ocupando grande extensão de terras, dirigido por pessoas de melhor técnica, visando à produção de uma determinada, categoria de produtos destinados a um mercado fixo. A plantation requer grandes investimentos de capitais e uma organização de tipo empresarial. Utiliza em geral mão-de-obra numerosa e de baixo custo visando a uma maximização do lucro. Resultou de uma exigência das economias industrializadas, necessitadas de matérias-primas e produtos alimentares em larga escala.
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