segunda-feira, 9 de maio de 2016

PARANA

Paraná é uma das 27 unidades federativas do Brasil,[7] localizado na Região Sul, da qual é o único a ter área limítrofe com estados de outras regiões.[8] Sua capital, Curitiba, era o município mais populoso do estado em 2009,[9] e o 8º mais populoso do país em 2010. Está dividido em 39 microrregiões e 10 mesorregiões, subdivididos em 399 municípios.[10] Alguns dos municípios mais populosos são: LondrinaMaringáPonta GrossaCascavelSão José dos Pinhais e Foz do Iguaçu com população superior a 250 mil habitantes.[11] Faz divisa com Mato Grosso do Sul a noroeste, São Paulo ao norte e ao leste, Santa Catarina ao sul,Argentina a sudoeste,Paraguai a oeste e oceano Atlântico a leste. Sua área é de 199 307,922 km²,[1] um pouco menor que a Romênia, país com formato semelhante.[12]
Seu território abrange toda a extensão da antiga República do Guairá à época do Império Espanhol, era a província mais nova do Império do Brasil, desmembrada de São Paulo em 1853,[13] sendo primeiro presidente o senhor Zacarias de Góis e Vasconcelos.[13] Foi criada por motivos diversos, podendo ser citados uma punição pela participação dos paulistas na Revolta Liberal de 1842, um acordo pelo apoio oferecido pelos paranaenses à Revolução Farroupilha e o cultivo lucrativo da erva-mate.[13] É também o mais novo estado da Região Sul do Brasil,[13] logo depois do Rio Grande do Sul (1807) e Santa Catarina (1738).
O estado é historicamente conhecido por sua grande quantidade de pinheirais espalhados pela porção do planalto sul.[nota 1] onde o clima é subtropical úmido, como nos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul[14] enquanto o resto do Brasil é tropical.[15] Os ramos dessa árvore aparecem na bandeira e no brasão, símbolos adotados em 1947.[16] Atualmente, esse ecossistema encontra-se muito destruído devido à ocupação humana.[17]
relevo do Paraná é dos mais altos do Brasil: 52% do território estadual tem altitude superior a seiscentos metros e somente 3% do território tem altitude inferior a trezentos metros. Os rios mais importantes do Paraná são o Paraná, o Iguaçu, o Ivaí, o Tibagi, o Paranapanema, o Itararé e o Piquiri e o clima do estado é classificado como temperado.[14] [18]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome do estado é derivado de "Paraná", termo da língua geral paraná, que significa "rio".[19] Refere-se ao rio Paraná, que delimita a fronteira oeste de seu território, onde ficava o salto de Sete Quedas (hoje submerso pela represa da Usina Hidrelétrica de Itaipu) na divisa com Mato Grosso do Sul, já na Região Centro-Oeste,[20] e com o Paraguai. O rio Paraná nasce da confluência dos rios Paranaíba e Grande, quase mais a oeste de Minas Gerais.[21] O potamônimo[nota 2] deu o nome à região, que foi elevada à categoria de província autônoma em 1853, desmembrando-se da Província de São Paulo, e à categoria de estado em1889. A pronúncia "Paranã" era encontrada até há pouco tempo.[22] [23] Os naturais do estado do Paraná são denominados paranaenses.[24]

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História do Paraná

Primeiros tempos[editar | editar código-fonte]


Capitanias hereditárias (Luís TeixeiraRoteiro de todos os sinais..., c. 1586. Lisboa, Biblioteca da Ajuda
Antes da metade do século XVII, os colonizadores que exploravam a costa meridional da Capitania hereditária de São Vicente vieram da Europa, mais precisamente de Portugal, que um século antes descobriu o Brasil. O litoral sul da Capitania de São Vicente é hoje a Microrregião de Paranaguá. O interesse dos portugueses nas terras litorâneas paranaenses era buscar madeiras de lei. Nesse tempo estimulou-se o contato entre os espanhóis e os vicentinos com a bacia hidrográfica do rio da Prata. Foi garantida a frequência do percurso do litoral sul, que durou pouco e que recomeçou com intervalos.
Por esse motivo, os portugueses estariam procurando indígenas para escravizar e minérios para produzir riquezas. Entrando pelo litoral, os paulistas foram em direção ao oeste, com o objetivo de procurar índios, na mesma época em que a principal atividade econômica de Curitiba e Paranaguá foi a mineração.[25] [26]
As lendas a respeito das vastas minas de ouro e prata iludiram os inúmeros aventureiros quando eles vieram para a região de Paranaguá.[26] No ano de 1613, o próprioSalvador Correia de Sá, o Velho assumiu o cargo de superintendente das minas do sul do Brasil. Ficou dentro de três meses consecutivos na região. Naquela época, trabalhou com cinco especialistas que foram contratados diretamente de Portugal.[25] O nobre português esteve à procura de uma onça de ouro mas as tentativas foram infrutíferas.[25] [27] O visconde de Barbacena enviou paro sul do Brasil, o espanhol Rodrigo de Castelo Branco, que tinha profundos conhecimentos sobre as minas do Peru. Em 1680, uma carta foi escrita à bico de pena por Rodrigo de Castelo Branco ao monarca lusitano, demonstrando-o igualmente mais desiludido a respeito da lenda das minas de prata.[27]
Quando estava quase acabando o século XVII, os sonhos de grandes riquezas de minério foram deixados para trás, continuou o trabalho de extrair o ouro de aluvião, dito "de lavagem", por meio do qual os poucos habitantes do litoral paranaense procuravam recursos para a compra de produtos de outros lugares.[26] Os índios que sobreviviam à matança eram aprisionados e colocados para trabalhar na lavoura, na extração da madeira e outros serviços.[27] No século XVIII, começaram a ser utilizados os escravos africanos[27] e, de acordo com o censo de 1798, o número destes era relativamente maior que o dos índios.[27]
A cidade de Paranaguá foi elevada à categoria de vila por meio de uma carta régia datada de 29 de julho de 1648.[28] Foram formados com a vila de Paranaguá, os chamados campos de Curitiba, cuja altitude gira em torno de mil metros, apenas uma comunidade.[27] A economia de Paranaguá era baseada na agricultura e a pecuária nos campos.[27] Curitiba foi elevada à categoria de vila em 1693[29] e aos poucos passou ser o centro urbano mais importante do Paraná.[27] Para isso foi necessário estabelecer a grande estrada do gado, ligando o Rio Grande do Sul até Sorocaba.[30]

Província do Paraná[editar | editar código-fonte]


1822
Províncias Imperiais
As comarcas de Paranaguá e Curitiba foram criadas por força do alvará de 19 de fevereiro de 1811, passando a fazer parte da capitania de São Paulo. O príncipe Dom João, cinco anos antes de ser coroado rei de Portugal, atendeu a pedido da Câmara Municipal para a criação da Capitania do Paraná.[31] Dez anos depois, uma disputa separatista foi formulada em aberto pela Conjura Separatista, cujo líder foi Floriano Bento Viana, porém, não conseguiu sair vitorioso.[32] [33]
Os então chamados "parnanguaras", submetidos aos comandantes da tropa local, continuaram mesmo após a independência do Brasil, embora a atividade política era expressa em diligências e petições que observavam a emancipação político-administrativa, uma vez que aquelas terras eram distantes e perderam o interesse do governo provincial de São Paulo.[27] A Revolução Farroupilha (1835-1845) e a Revolução Liberal de 1842 foram os acontecimentos que repercutiram no plano nacional e com os quais se evidenciava e contribuía para a importância política e estratégica da região.[27]
O projeto de lei transformava a comarca de Curithyba na província mais nova do Império do Brasil,em maio de 1843.[34] Os deputados imperiais de Minas Gerais e São Paulo foram destaque na elaboração da legislação.[34] De acordo com os deputados paulistas, a punição da Província de São Paulo é o motivo verdadeiro da criação da novaprovíncia, por desmembramento da Província de São Paulo, propriamente dita.[34]
A exportação de erva-mate para os mercados uruguaioargentinoparaguaio e chileno favoreceu o incremento à economia do Paraná, cuja atividade principal era o comércio de gado.[27] Enquanto continuavam as representações e a luta no Parlamento, os deputados prometiam a emancipação da futura província.[27] O projeto de criação daProvíncia do Paraná, que teria como capital provisória (que depois seria confirmada) o município de Curitiba, foi definitivamente assinada pelo imperador em 29 de agosto de1853.[35]
O primeiro presidente da província, Zacarias de Góis e Vasconcelos chegou à capital a 19 de dezembro e o alcance de recursos para as ações que se faziam necessárias e a tomada de medidas destinadas a impulsionar a economia local foram as metas empenhadas pelo governante. Parte da mão-de-obra e dos capitais que se empregavam no preparo e comércio da erva-mate, foi procurado pelo presidente a fim de encaminhar para outras atividades, principalmente de lavoura. Mas a invernada e a venda de muares para São Paulo continuava a ser o negócio mais lucrativo da província. Na década de 1860, essa atividade chegou ao ponto mais alto e no final do século passou a entrar em declínio.[36]
A necessária continuidade administrativa não foi alcançada pelo governo do Paraná, durante o período provincial, já que o número de presidentes da província do Paraná, que o poder imperial tinha plena liberdade de nomeá-los, era de 55 governantes ao longo de uma história de 36 anos.[37] Sob a liderança de Jesuíno Marcondes e seu cunhado Manuel Alves de Araújo, que eram membros das famílias dos barões de TibagiCampos Gerais, os liberais paranaenses se organizaram. Naquela época, ambas as famílias formavam a oligarquia mais poderosa na região.[36] Manuel Antônio Guimarães e Manuel Francisco Correia Júnior, de famílias que controlavam o comércio do litoral, chefiavam os conservadores.[36]

República[editar | editar código-fonte]

As eventuais manifestações, e sem organicidade, de simpatia pela república, aconteceram a partir do manifesto de 1870.[36] O movimento não chegou se aprofundar, mesmo após a fundação dos jornais Livre Paraná, em Paranaguá, e A República, em Curitiba, e a criação de clubes republicanos em ambos os municípios. Na campanha republicana se destacaram alguns paranaenses, mas fora da província.[36] [38]Vicente Machado da Silva Lima foi figura na projeção nos primeiros anos do novo regime e o único representante dos republicanos no Assembleia Provincial, tendo sido eleito pelo Partido Liberal.[39]

Panteon dos Heroes, onde jazem os corpos dos legalistas que combateram no Cerco da Lapa.
As várias crises políticas que marcaram os primeiros anos da república foram sofridas pelo estado[38] e sua primeira constituição estadual, que vigorou até a vitória do movimento revolucionário de 1930, só foi promulgada em abril de 1892.[38] No Paraná ocorreram violentos combates, durante a Revolução Federalista, já que as tropas federalistas e legalistas se encontraram em seu território. O acerto de contas foi feito, depois que o estado foi abandonado pelos federalistas.[40] A repressão foi desencadeada contra os "maragatos" e o poder assumido pelos "pica-paus".[38] Até 1930, tal divisão continuou apesar de eventuais conciliações.[40]
Os mesmos limites da antiga comarca deveriam ser as verdadeiras divisas geopolíticas da província do Paraná, em consequência do que uma complicada questão de fronteiras com Santa Catarina se prolongou até a segunda década do século XX. Esse litígio territorial surgiu a partir da descoberta e ocupação dos campos de Palmas.[41] O "sertão" que correspondia à costa, era considerado por Santa Catarina com base na carta régia de 1749, enquanto o princípio de uti possidetis era apoiado pelo Paraná.[38] A competência de distribuir terras num mesmo território era exercida pelos dois estados.[38]
O ganho de causa foi obtido três vezes no Supremo Tribunal Federal por Santa Catarina, mas decisões foram embargadas pelo Paraná. A Guerra do Contestado iria se travar nessa área litigiosa.[38] Foi feita a partilha da região em litígio, com a questão finalmente encerrada, por decisão arbitral do presidente da república, em 1916.[42]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Geografia do Paraná
O Paraná é uma das 27 unidades federativas do Brasil, localizado a norte da região Sul, tendo como limites fazendo fronteiras com os estados de São PauloSanta CatarinaMato Grosso do Sul e dois países:Paraguai e Argentina.[43] A área do estado é de 199 307,922 km²[1] (algumas fontes indicam 199 709,1 km²), equivalente a 2,34% do território brasileiro, onde 1 603,770 km² estão em perímetro urbano.[44]
relevo do Paraná é formado por planaltos e planícies. Os planaltos ocupam a maior parte do território paranaense. Os principais planaltos são o Primeiro Planalto Paranaense no leste, o Segundo Planalto Paranaense no centro-leste e o Terceiro Planalto Paranaense no norte e no oeste. A principal planície é a Baixada Litorânea banhada pelo Atlântico.[45] As principais bacias hidrográficas do Paraná são: a bacia do rio Paraná, no oeste, a bacia do rio Paranapanema no norte, a bacia do rio Iguaçu no sul e as bacias do Atlântico Sudeste e do Atlântico sul no leste.[46]
Os principais climas do Paraná são: subtropical na porção sul planáltica e o tropical no norte, no nordeste, no noroeste, no oeste e no sudoeste.[47] O Paraná tem diferentes tipos de vegetação. Os principais são: afloresta ombrófila mista na porção sul planáltica, a vegetação litorânea na costa leste e a floresta tropical no norte, no nordeste, no noroeste, no oeste e no sudoeste, além dos campos de CuritibaCastroPonta GrossaGuarapuavaCampo Mourão e Palmas.[48]

Geomorfologia[editar | editar código-fonte]


Mapa físico do Paraná.
solo brasileiro de maior fertilidade, a terra roxa, na porção setentrional do Paraná, é responsável pelo revestimento de 40% da área territorial do estado. Desde1920, a expansão da cafeicultura no território estadual foi de responsabilidade deste solo propício à este cultivo. São de qualidade inferior tanto os solos dasformações campestres como das formações florestais. Mas, para o aproveitamento dos solos das formações florestais e das campestres, as técnicas inovadoras estão sendo utilizadas.[49]
Aproximadamente 52% do território do Paraná são superiores a 600m e 89% superiores a 300 m; apenas três por cento são inferiores a 200 m. As superfícies planas dispostas a grande altitude dominam o quadro morfológico. Os planaltos que formam as serras do Mar e a Serra Geral são compostos pelas superfícies planas e dispostas a grande altitude. O relevo do Paraná é formado basicamente por cinco unidades geomorfológicas que se seguem do litoral para o interior, nesta ordem geral: baixada litorâneaserra do Marplanalto cristalinoplanalto paleozóico e planalto basáltico.[50]
Para melhor compreensão dessas unidades geomorfológicas, observar-se-á do seguinte procedimento explanativo: a baixada litorânea se inicia na baía de Paranaguá e termina na Serra do Mar, que é o divisor de águas entre as duas primeiras unidades de relevo e após ambos primeiros quadros morfoestruturais, eis a seguir os três planaltos paranaenses, conforme classificação criada pelo geólogo alemão Reinhard Maack: o primeiro planalto paranaense (da Serra do Maraté a Serrinha), o segundo planalto paranaense (da Serrinha até Serra Geral) e o terceiro planalto paranaense (da Serra Geral até o talvegue do rio Paraná).[45]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]


Salto São Francisco, a maior queda de água do sul do Brasil, com 196 metros.
A rede hidrográfica é composta pelos rios da bacias hidrográficas do Atlântico Sul e do Atlântico Sudeste que dirigem suas águas de maneira direta para a faixa litorânea e pelos rios afluentes do Paraná que dirigem suas águas para a porção ocidental. Os rios da Bacia do Atlântico Sul têm cursos de menor extensão, pelo fato de que suas nascentes estão localizadas há poucos quilômetros da faixa costeira. Os rios de maior comprimento da Bacia do Atlântico Sudeste são cujas águas vão em direção ao território estadual de São Paulo, onde o rio Ribeira de Iguape desemboca, ou seja, joga suas águas no Oceano Atlântico. Boa parte da área do estado faz parte, dessa forma, dos afluentes do rio Paraná. Os rios de maior extensão da bacia hidrográfica do Paraná são o Paranapanema, que serve de divisa com o território estadual de São Paulo, e o Iguaçu, que serve, em parte, de divisa com o território estadual de Santa Catarina e a República Argentina. O rio Paraná serve de fronteira oeste com o território estadual de Mato Grosso do Sul e com a República do Paraguai.[46]
No ponto de convergência das divisas do território estadual de Mato Grosso do Sul com a República do Paraguai, do território estadual do Paraná com o território estadual de Mato Grosso do Sul e do território estadual do Paraná com a República do Paraguai estavam localizados os saltos de Sete Quedas. Os saltos de Sete Quedas eram constituídos pelo rio Paraná na descida do Terceiro Planalto Paranaense em direção à garganta que fazia a condução do rio para a planície platina.[46] No ano de 1982, ambos os saltos ficaram debaixo d'água, devido aos protestos dos partidários do ambientalismo, pela represa lacustre da Usina Hidrelétrica de Itaipu.[51] Na extremidade meridional, o rio Iguaçu também faz a descida do Terceiro Planalto Parananse, dirigindo-se à mesma garganta. Então são formados os saltos do Iguaçu, que não sofreram a afetação pelo uso dos materiais de construção que os pedreiros carregavam nas obras da barragem, porque a Usina de Itaipu está localizada em direção à confluência de ambos os acidentes geográficos fluviais.[46]
hidrografia do Paraná pode ser classificada em seis bacias hidrográficas:[46]
  • Bacia do Rio Paraná, cujos afluentes mais importantes são os rios Piquiri e Ivaí;[46]
  • Bacia do Rio Paranapanema, drenada pelos rios PirapóTibagidas Cinzas e Itararé;[46]
  • Bacia do Rio Iguaçu, que tem como principais afluentes os rios Chopim, no sul do estado, e Negro, no limite com Santa Catarina.[46]
  • Bacia do Rio Ribeira do Iguape, cujas águas drenam para o rio Ribeira do Iguape.[46]
  • Bacia do Litoral Paranaense, cujas águas drenam direto para o Oceano Atlântico.[46]
  • Bacia do Rio Tibagi, cujo principal rio é o Tibagi, com 550 km de extensão.[46]

Clima[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Clima do Paraná

Mapa climático do Paraná.
O território paranaense abrange três tipos climáticos distintos, levando-se em conta as temperaturas e as precipitações: os climas CfaCfb e Cwa que pertencem àclassificação de Köppen. O clima Cfasubtropical com boa distribuição de chuvas durante o ano e verões em que faz calor, tem área de ocorrência no norte, no noroeste, nooeste e no sudoeste do estado. As temperaturas médias anuais registradas são superiores a 19 °C e a pluviosidade é de 1.500mm anuais, alguma coisa com grande elevação na costa do que no sertão.[47]
O clima Cfb, subtropical com boa distribuição de chuvas durante o ano e verões amenos. Sua área de ocorrência é a porção de maior altitude do estado e sua área de abrangência corresponde ao Primeiro Planalto, ao Segundo Planalto e ao leste do Terceiro Planalto. A média das temperaturas ao ano tem variação por volta de 17 °C[52] e a pluviosidade é superior a 1.200mm anuais.[47]

Curitiba é a capital mais fria do Brasil.[53]
O clima Cwasubtropical com verões em que faz calor e invernos secos, tem ocorrência na extremidade norte-ocidental do estado. É o que se chama de clima tropical de altitude, porque, ao contrário do que ocorre com os climas Cfa e Cfb, com boa distribuição dechuvas registradas durante o ano, este é caracteristicamente chuvoso com relação aos regimes tropicais com invernos secos e chuvas de verão, mas, no Paraná, esse período de seca só é registrado por um período de dois meses no máximo.[nota 3]
temperatura anual tem variação por volta de 20 °C e a pluviosidade tem alcance de 1.300mm anuais. Quase a totalidade do estado tem sujeição a um período superior a cinco dias de geada por ano, mas no sul e nas partes de maior altitude dos planaltos é registrado um período superior a dez dias.[47] A neve tem menos aparição na área de Curitiba e, mais frequentemente, na região onde se localizam Palmas e Guarapuava.[54]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Vegetação do Paraná
Existem duas tipologias de cobertura vegetal no Paraná. São elas: florestas e campos. As florestas são subdivididas em tropicais e subtropicais. Os campos, em limpos e cerrados. A floresta tropical integra a Mata Atlântica, que servia de cobertura da totalidade da fachada leste do Brasil com suas formações latifoliadas. No Paraná, era responsável pela a ocupação primitiva de uma área que correspondia a 46% do estado, onde se incluíam as porções de menor altitude (baixada litorânea, encostas da serra do Marvales do ParanáIguaçuPiquiri e Ivaí) ou de baixa latitude (a totalidade do norte do estado).[48]

As florestas de araucárias são típicas da região Sul do Brasil e principalmente do Paraná.
Dá se a definição de floresta subtropical como uma floresta que mistura formações de latifoliadas com de coníferas. A árvore que representa estas últimas é a Araucaria angustifolia, que não é visível em agrupamentos puros. A floresta ombrófila mista servia de cobertura vegetal das maiores altitudes do estado, ou seja, a maioria do Primeiro Planalto, a porção mais para leste do Terceiro Planalto e uma menor parte do Segundo Planalto. Essa formação era responsável pela ocupação de 44% do território do Paraná e a floresta ombrófila mista ainda integrava parte dos estados paulistacatarinense e gaúcho. Hoje em dia, a mata de araucária é a floresta mais desmatada do Brasil, por ser a única pela qual são apresentados muitos indivíduos pertencentes à mesma espécie (pinheiros) em agrupamentos de densidade suficiente (embora não sejam verdadeiros) para que seja permitido ainda mais facilmente o extrativismo vegetal.[48]
Além de existir o pinheiro, a floresta mista também é oferecedora de espécies latifoliadas valiosas para a economia, como a imbuia, o cedro e a erva-mate. Nas últimas décadas do século XX, somente uma menor parte das formações florestais era conhecida pela sua subsistência no estado. Derrubar para explorar madeira e formar campo para a agricultura ou pastagens foram comportamentos antiecológicos que quase eliminaram completamente a floresta ombrófila mista. Os últimos remanescentes de florestas existentes no Paraná estão situados na planície litorânea, na encosta da serra do Mar e nos vales dos rios Iguaçu, Piquiri e Ivaí.[48]
Define-se por campos limpos aqueles onde há ocorrência sob o formato de manchas que espalham-se pelos planaltos paranaenses. A maior dessas manchas é a dos que chamam-se Campos Gerais do Paraná, pelos quais é revestida a totalidade do leste do Segundo Planalto. Seu formato aproximado corresponde à imensidão de uma meia-lua no mapa estadual de vegetação. Entre as demais manchas de campo limpo incluem as de Curitiba e Castro, no Primeiro Planalto, as de GuarapuavaPalmas e outras, de tamanho pequeno, no Terceiro Planalto. Os campos limpos são ocupantes de mais de nove por cento do território do Paraná. Os campos cerrados são pouco expressivos no Paraná, pelos quais é ocupada uma área de maior redução — menos que um por cento da área do estado. Os campos cerrados são formadores de manchas menores no Segundo Planalto e no Terceiro Planalto.[48]

Ecologia[editar | editar código-fonte]


Panorama aérea das cataratas do Iguaçu, fronteira Argentina-Brasil.
Quinze das vinte e nove unidades de conservação administradas pelo governo brasileiro, através do IBAMA, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, são o Parque Nacional do Iguaçu, (em Foz do IguaçuSão Miguel do IguaçuSerranópolis do IguaçuMatelândia e Céu Azul),[56] o Parque Nacional de Ilha Grande (em AltôniaSão Jorge do PatrocínioVila Alta e Icaraíma),[57] o Parque Nacional do Superagui (em GuaraqueçabaParanaguá e Antonina),[58] o Parque Nacional dos Campos Gerais (em Ponta GrossaCastro e Carambeí),[59] o Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (em MatinhosGuaratuba, Paranaguá e Morretes),[60] a Floresta Nacional de Açungui (em Campo Largo),[61] a Floresta Nacional de Irati, (em Teixeira Soares e Fernandes Pinheiro),[62] a Floresta Nacional de Piraí do Sul (em Piraí do Sul),[63] a Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba (em GuaraqueçabaAntonina e Paranaguá),[64] a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, (em Diamante do NorteMarilenaNova LondrinaPorto RicoQuerência do Norte e São Pedro do Paraná),[65] a Estação Ecológica de Guaraqueçaba (em Guaraqueçaba),[66] a Estação Ecológica da Mata Preta (emClevelândia e Palmas)[67] a Reserva Biológica das Perobas (em Tuneiras do Oeste e Cianorte),[68] a Reserva Biológica das Araucárias (em ImbituvaIpiranga e Teixeira Soares)[69] e o Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas (em Palmas e General Carneiro).[70]

Fauna[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Fauna do Paraná
Segundo o ambiente geográfico existem na fauna do Paraná, animais que tem vida:[71]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Demografia do Paraná
Crescimento populacional
CensoPop.
1872126 722
1890249 49196,9%
1900327 13631,1%
1920685 711109,6%
19401 236 27680,3%
19502 115 54771,1%
19604 296 375103,1%
19706 997 68262,9%
19807 749 75210,7%
19918 443 2998,9%
20009 558 45413,2%
201010 444 5269,3%
Fonte: IBGE[72]
Segundo o censo demográfico de 2010 realizado pelo IBGE, em 2010, o Paraná contava 10 439 601 habitantes, sendo o sexto estado mais populoso do Brasil (depois de São PauloMinas GeraisRio de JaneiroBahia e Rio Grande do Sul), concentrando 5,47% da população brasileira.[11] [73] Segundo o mesmo censo, 5 128 503 habitantes eram homens e 5 311 098 habitantes eram mulheres.[11] Ainda segundo o mesmo censo, 8 906 442 habitantes viviam na zona urbana e 1 533 159 na zona rural.[11] Em dez anos, o estado registrou uma taxa de crescimento populacional de 9,27%.[74]
Em relação ao ano de 1991, quando a população era de 8 443 299,[75] esses números mostram uma taxa de crescimento anual de 1,4%, inferior a do Brasil como um todo (1,6% para o ano de 2000).[76] Segundo o censo de 2000, o Paraná é o sexto estado mais populoso do Brasil e concentrava 5,63% da população brasileira.[76] Do total da população do estado, 4 826 038 habitantes são mulheres e 4 737 420 habitantes são homens.[77] Para 2000, a estimativa é de 9 558 454 habitantes.[78] Cerca de 85,3% dos habitantes do estado moram nas cidades.[79]
A explicação para o motivo desse crescimento é essa: a população paranaense não só aumentou naturalmente, mas também o estado recebeu a imigração de colonos que vieram principalmente de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais. Os paulistas, os gaúchos, os catarinenses e os mineiros tiveram atração pela fertilidade dos solos de matas ainda virgens.[80]

Densidade demográfica do Paraná.
  0-25 hab/km²
  25-50 hab/km²
  50-100 hab/km²
  100-150 hab/km²
  150-200 hab/km²
  200-300 hab/km²
  300-400 hab/km²
  400-500 hab/km²
  > 500 hab/km²
densidade demográfica no estado, que é uma divisão entre sua população e sua área, é de 52,37 habitantes por quilômetro quadrado, sendo a décima segunda maior do Brasil e com uma densidade comparada à do país africano Burkina Faso.[81] A maior parte da população do estado se concentra na Mesorregião Metropolitana de Curitiba, que corresponde à região leste paranaense, com mais de 30% da população paranaense.[82]
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do estado, considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é de 0,820, sendo o sexto maior do Brasil e o menor da Região Sul.[83] Considerando apenas a educação, o índice é 0,913 (o brasileiro é 0,849); o índice de longevidade é 0,809 (o brasileiro é 0,638) e o índice de renda é 0,739.[83] A renda per capita é de 16 928 reais.[84] Entre 1991 e 2000, o estado registrou uma forte evolução tanto no seu IDH geral quanto na educação, longevidade e renda, critérios utilizados para calcular o índice.[85] A educação foi o critério que mais evoluiu em nove anos, de 0,778 em 1991 para 0,879 em 2000, e em 2005 o valor passou a ser 0,913.[85] Depois da educação, vem a longevidade, que em 1991 tinha um valor de 0,678, passando para 0,747 em 2000 e 0,809 em 2005.[83] [85] E, por último, vem a renda, o critério que menos evoluiu entre 1991 (0,678) e 2000 (0,736),[85] subindo para 0,739 em 2005.[83] Quanto ao IDH-M, que é uma média aritmética dos três subíndices, a evolução também foi significativa, passando de 0,711 em 1991 para 0,787 em 2000, e em 2005 o valor passou para 0,820, saindo da categoria de médio IDH e atingindo o patamar de Índice de Desenvolvimento Humanoelevado.[83] [85] O município com o maior IDH é Curitiba, capital do estado, com um valor de 0,856, enquanto Ortigueira, situado na Mesorregião do Centro Oriental Paranaense, tem o menor valor (0,620).[86]
coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,47, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor.[87] A incidência da pobreza, medida pelo IBGE, é de39,07%, o limite inferior da incidência de pobreza é de 35,86% o superior é 42,27% e a subjetiva é 25 47%.[87]

Etnias[editar | editar código-fonte]

Grupos étnicos no Paraná[88]
EtniaPorcentagem
Brancos
  
77,24%
Pardos
  
18,25%
Pretos
  
2,84%
Amarelos
  
0,92%
Indígenas
  
0,33%
A população do Paraná é composta basicamente por brancospardosnegros e indígenas. No Brasil colonial, os colonizadores espanhóis foram os primeiros a iniciar o povoamento no território paranaense.[89] O Paraná, foi colonizado por portugueses e imigrantes, tais como italianosalemãespolonesesucranianos,japoneses e árabes.[90] Há também minorias de imigrantes neerlandesescoreanoschinesesbúlgarosrussosfranceseschilenosargentinos e muitos outros.[91]

De Immigrant (O Imigrante), moinho em estilo holandês na colônia neerlandesa deCastrolanda, em Castro.
Em 2006, segundo dados da PNAD, a população paranaense está composta por brancos (77,24%), negros (2,84%), pardos (18,25%),asiáticos (0,92%) e indígenas (0,33%).[88]
Atualmente vivem no estado do Paraná 9 015 indígenas, distribuídos em dezenove grupos, que ocupam área de 85 235,030 hectaresde extensão. Um total de 17 áreas já se encontram demarcadas definitivamente pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão dogoverno brasileiro responsável pela questão, e nelas se encontra a totalidade dos indígenas residentes no estado.[92]
São os seguintes os grupos indígenas residentes no estado do Paraná e suas respectivas áreas: Apucarana, Ava Guarani, Barão de Antonina, FaxinalIlha da CotingaIvaí, Laranjinha,Mangueirinha, Marrecas, Ocal, Palmas, Pescada, Pinhalzinho, Queimadas, Rio AreiaRio das CobrasSão JerônimoSuperagüi, Tekoha-Añetetê e Tibagy/Mococa.[92]

Religião[editar | editar código-fonte]


Catedral de Maringá, o segundo monumento mais alto da América do Sul.
Tal qual a variedade cultural verificável no Paraná, são diversas as manifestações religiosas presentes no estado.[93] Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, tanto devido à colonização quanto à imigração — e ainda hoje a maioria dos paranaenses declara-se católica —, é possível encontrar atualmente no estado dezenas de denominações protestantes diferentes, assim como a prática dobudismo, do islamismoespiritismo, entre outras.[93]
Religião no Paraná[93]
ReligiãoPorcentagem
Catolicismo romano
  
76,60%
Protestantismo
  
16,63%
Sem religião
  
4,23%
Espiritismo
  
0,64%
Outros
  
1,45%
De acordo com dados do censo de 2000 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do Paraná está composta por: católicos (76,60%), protestantes (16,63%), pessoas sem religião (4,23%), espíritas (0,64%),budistas (0,15%), muçulmanos (0,06%), umbandistas (0,05%) e judeus (0,02%).[93]

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