Goiânia (pron. [ɡoˈjɐ̃niɐ][8] ) é um município brasileiro, capital do estado de Goiás, distando 209 km de Brasília, a capital nacional, sendo assim, a capital estadual mais próxima da capital federal.
Localizada no centro do seu estado, foi planejada e construída para ser a capital política e administrativa de Goiás sob influência da Marcha para o Oeste, política desenvolvida pelo governo Vargas para acelerar o desenvolvimento e incentivar a ocupação do Centro-Oeste brasileiro. Os estreitos laços de amizade e inteirações políticas entre Pedro Ludovico Teixeira e Vargas contribuíram bastante para essa empreitada. Sofreu um acelerado crescimento populacional desde a década de 1960, atingindo um milhão de habitantes em 1996. Desde seu início, a sua arquitetura teve influência do Art Déco, que definiu a fisionomia dos primeiros prédios da cidade.[9]
É a segunda cidade mais populosa do Centro-Oeste, sendo superada apenas por Brasília. É um importante polo econômico da região,[10] sendo considerada um centro estratégico para áreas como indústria, medicina, moda e agricultura.
De acordo com as estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população é de 1 430 697 habitantes em 2015, sendo a sexta maior cidade do Brasil em tamanho, com 256,8 quilômetros quadrados de área urbana e o décimo segundo município mais populoso do Brasil.[5] A Região Metropolitana de Goiânia possui 2 421 831 habitantes, o que a torna a 13ª região metropolitana mais populosa do país.[11]
Goiânia pertence à Mesorregião do Centro Goiano e à Microrregião de Goiânia. Com uma área de aproximadamente 739 km², possui uma geografia contínua, com poucos morros e baixadas, tendo terras planas na maior parte de seu território, com destaque para o rio Meia Ponte, além dos córregos Botafogo e Capim Puba. Goiânia destaca-se entre as capitais brasileiras por possuir o maior índice de área verde por habitante do Brasil, ultrapassada apenas por Edmonton em todo o mundo.[12] [13] [14]
Índice
[esconder]Etimologia[editar | editar código-fonte]
O nome para batizar a cidade teria vindo da adaptação ortográfica e possivelmente fonética do título do livro Goyania, a primeira publicação literária cuja temática gira em torno de Goiás. Trata-se de um poema épico do escritor Manuel Lopes de Carvalho Ramos, publicado em 1896 no Porto pela tipografia a vapor de Arthur J. de Sousa. A circulação do livro é muito limitada, razão pela qual a nomeação da cidade permanece desconhecida do grande público. Também é considerada a hipótese de que o nome foi escolhido em evocação à Pedra Goyania, na Serra Dourada, cujo nome emana do poema.[15]
História[editar | editar código-fonte]
Projeto[editar | editar código-fonte]
Antes da chegada dos europeus ao continente americano, a porção central do Brasil era ocupada por indígenas do tronco linguístico macro-jê, como os acroás, os xacriabás, os xavantes, os caiapós, os javaés, entre outros povos.[16]
A colonização de origem europeia de Goiânia teve origem em 1735, com as primeiras propostas de mudança da capital da capitania de Goiás. O então governante da província, Marcos José de Noronha e Brito, ambicionava transferir a sede administrativa da capitania de Vila Boa para Meia Ponte. Em 1830, Miguel Lino de Morais, segundo governante da província de Goiás durante o Império do Brasil, propôs que a capital fosse transferida para a região onde hoje se localiza o estado do Tocantins, próximo ao município de Niquelândia.[17] Segundo ele, "a mudança da Capital para uma região mais povoada e de comércio mais fraco, é uma medida a ser tomada com urgência".[18] Àquela altura, Vila Boa sofria com a estagnação econômica provocada pelo fim do ciclo do ouro na região, sendo incomum a construção de mais do que uma casa por ano na cidade.[17]
Em 1863, José Vieira Couto de Magalhães, também governante da província de Goiás, retoma a proposta em seu livroPrimeira Viagem ao Rio Araguaia, onde descreveu a situação decadente de Vila Boa: "temos decaído desde que a indústria do ouro desapareceu (...) continuar a capital aqui é condenar-nos a morrer de inanição, assim como morreu a indústria que indicou a escolha deste lugar". Os debates sobre a necessidade de transferir a capital de Vila Boa prosseguiram até a Proclamação da República. A primeira Constituição do Estado de Goiás, promulgada em 1° de junho de 1891, previa a transferência da sede do governo em seu artigo 5°.[17] [19] Tal artigo foi mantido nas constituições seguintes, de 1898 e 1918.[17] [19]
Antes de ser inaugurado, o município de Goiânia era referido nos documentos oficiais como "futura capital", "nova capital" ou simplesmente "nova cidade", o que significa que o município permaneceu, no âmbito legal, inominado por dois anos. Em 2 de agosto de 1935, por força do disposto no artigo 1° do decreto estadual número 327, deu-se a denominação de Goiânia à nova capital.[15]
Fundação[editar | editar código-fonte]
A proposta de transferir a capital de Goiás permaneceu em latência até à Revolução de 1930, quando Pedro Ludovico Teixeira foi nomeado interventor federal por Getúlio Vargas.[20] No final de 1932, Pedro Ludovico tomou as primeiras providências para que Goiânia fosse construída. A proposta de transferir a capital de Goiás, que àquela altura já durava há pelo menos 180 anos, encontrou campo fértil na política do governo federal. A decisão de Pedro Ludovico estava em consonância com a Marcha para o Oeste, política desenvolvida pelo governo Vargas para acelerar o desenvolvimento e incentivar a ocupação do Centro-Oeste brasileiro. O sucesso da Marcha dependia da implantação de uma infraestrutura básica que possibilitasse a migração de pessoas do Sul e do Sudeste; assim sendo, Pedro Ludovico promoveu, além da mudança da capital, a construção de rodovias e umareforma agrária.[17]
Em 20 de dezembro de 1932, por força do decreto estadual número 2737, Pedro Ludovico criou uma comissão encarregada de escolher o local onde seria construída a nova capital,[17] presidida por D. Emanuel Gomes de Oliveira, então bispo de Goiás. Os trabalhos da comissão foram instalados em 3 de janeiro de 1933, quando o coronel Antônio Pireneus de Souza, um de seus membros, sugeriu a escolha de três técnicos (os engenheiros João Argenta e Jerônimo Fleury Curado e o médico Laudelino Gomes de Almeida) para realizarem os estudos das condições topográficas, hidrológicas e climáticas das localidades de Bonfim (atual Silvânia), Pires do Rio Ubatan (atual vila de Egerineu Teixeira, emOrizona) e Campinas (atual bairro de Campinas).[19] O relatório final da comissão apontou uma fazenda localizada nas proximidades do povoado de Campinas como local ideal para a edificação da futura capital.[17] O relatório da comissão, após ser submetido ao parecer dos engenheiros Armando de Godoy, Benedito Neto de Velasco e Américo de Carvalho Ramos, foi encaminhado a Pedro Ludovico. Apesar da forte campanha antimudancista, o interventor decidiu que a capital seria construída na região de Campinas.[19]
O decreto estadual número 3359, de 18 de maio de 1933, determinou a escolha da região às margens do córrego Botafogo, compreendida pelas fazendas "Criméia", "Vaca Brava" e "Botafogo", no então município de Campinas, para a edificação da nova capital de Goiás.[19] Em 6 de julho do mesmo ano, Pedro Ludovico assinou um decreto encarregando o arquiteto urbanista Attilio Corrêa Lima da elaboração do projeto da nova capital em estilo Art Déco. Armando de Godoy reformularia o projeto original, inserindo o parcelamento doSetor Oeste e fortes mudanças no arruamento do Setor Sul, concebendo tal área sob forte inspiração do movimento das cidades-jardim, teoria fundada pelo urbanista Ebenezer Howard. Em 1935, Armando assinou o plano diretor de Goiânia. A partir do plano, executado pelos engenheiros Jerônimo e Abelardo Coimbra Bueno, abriram-se três avenidas principais (Goiás, Araguaia e Tocantins), as quais confluem para a parte mais elevada do terreno do Centro, onde por sua vez foi erigido o Palácio das Esmeraldas, sede do governo estadual. Uma quarta avenida principal (Paranaíba) foi aberta perpendicularmente às três avenidas mencionadas, conectando o Parque Botafogo ao antigo aeroporto (localizado no atual Setor Aeroporto).[17]
Em outubro de 1933, o jornal O Social realizou um concurso cultural com seus leitores para escolher o nome da nova capital de Goiás. Em 16 de novembro do mesmo ano, o jornal trouxe a apuração dos votos. "Petrônia", nome em homenagem a Pedro Ludovico Teixeira, sugerido pelo poeta e juiz de direito da cidade de Pires do Rio, Léo Lynce (Cyllenêo de Araújo), havia recebido 105 votos, enquanto "Goiânia", nome sugerido pelo professor Alfredo de Faria Castro, não conseguiu atingir a marca de 10 votos. Ao assinar o decreto de 2 de agosto de 1935, Pedro Ludovico deixou claro que o resultado do concurso pouco importava para ele; o governante deu a denominação de Goiânia à nova capital, não revelando os motivos para tal escolha, que permanecem desconhecidos até hoje. Ludovico manifesta-se simplesmente, no artigo primeiro do decreto estadual 327, de 2 de agosto de 1935, "ficam fundidos em um único os atuais municípios de Campinas, Hidrolândia e parte dos territórios dos de Anápolis, Bela Vista e Trindade, que passarão a constituir o município de Goiânia...".[15]
Em 24 de outubro de 1933, em local determinado por Corrêa Lima, — um planalto onde atualmente se encontra o Palácio das Esmeraldas, na Praça Cívica —, Pedro Ludovico lançou a pedra fundamental da nova cidade. A data foi escolhida para homenagear os três anos do início da Revolução de 1930. Diversas caravanas oriundas do interior do estado saíram em direção ao local para prestigiar o evento. O padre Agostinho Foster realizou a missa solene, acompanhado pelo coral do Colégio Santa Clara, de Campinas. Após a missa, foi iniciada a roçagem do local e Pedro Ludovico proferiu um discurso onde previa que "dentro de cinco anos, grande porção desta área destinada à futura cidade estará coberta de luxuosas e alegres vivendas".[17]
| Meus senhores, afinal Goiânia nasceu e está crescendo. É muito jovem, é criança mesmo. Tem apenas 8 anos de idade, descontando o lapso de tempo destinado a estudos e instalações. Uma cidade, como sabeis, se constrói, se completa, com o perpassar dos séculos e das gerações. Goiânia apareceu com um objetivo de oxigenamento e progresso para Goiás. Surgiu como um farol para iluminar o estado. Esta terra precisava ser abalada por qualquer acontecimento que a fizesse lembrada e que a fizesse vibrar. Vivia sob tal modorra, sob tal apatia que dava a impressão que vivia de cócoras. Tudo pequenino, vazio, rotina, burocracia. Goiânia foi o estímulo, o excitante, o choque que obrigou o nababesco paquiderme a levantar-se. A cidade, no passado, era refúgio a que os homens se recolhiam quando a guerra explodia nas fronteiras. A cidade era fortaleza e abrigo. A cidade moderna é o repositório de todos os afetos do homem. Ali tem ele o seu lar, a sua família, os seus amigos, as reservas para a sua subsistência e os focos para a sua cultura. A cidade moderna educa e civiliza. É o fator mais valioso para reforçar a homogeneidade das pátrias. |
— Trecho do discurso de Pedro Ludovico no dia de fundação oficial de Goiânia.[21]
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Em 2 de agosto de 1935, através do Decreto estadual 327, foi criado o município da nova capital, o qual recebeu o topônimo de Goiânia. Em 20 de novembro instalou-se o município e, em 13 de dezembro, foi assinado um decreto determinando a transferência da Secretaria Geral, da Secretaria do Governo e da Casa Militar para a cidade. Posteriormente, foram transferidas a Diretoria Geral da Segurança Pública e a Companhia de Polícia Militar (1935), e a Diretoria Geral da Fazenda (1936), sendo a efetiva transferência da capital do estado oficializada em 1937, através do decreto número 1816. Contudo, a inauguração oficial de Goiânia só aconteceria em 5 de julho de 1942, quando foi realizado, no Teatro Goiânia, o batismo cultural da nova capital de Goiás.[17] [19] De 1° a 11 de julho, a cidade passou por um clima de euforia, sendo palco de festas, discursos de políticos vindos de todo o país, sessões solenes, bailes e inúmeras inaugurações de obras.[17] Na ocasião, realizaram-se também o 8º Congresso Brasileiro de Educação e a Assembleia-Geral do Conselho Nacional de Geografia e do Conselho Nacional de Estatística, órgãos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).[19]
Expansão urbana[editar | editar código-fonte]
Em 1950, o centro de Goiânia já contava com vários prédios públicos, construídos no estilo art déco e constituintes de um significativo acervo da arquitetura brasileira.[18] [22] Por esta razão, em 18 de novembro de 2003 um conjunto de 22 prédios e monumentos públicos localizados no núcleo central de Goiânia e do bairro de Campinas foi incorporado oficialmente ao patrimônio histórico e artístico nacional.[18]
Entre as décadas de 1940 e de 1950, a nova capital de Goiás já registrava um crescimento superior ao planejamento inicial, que era de 50 mil habitantes. Da população de mais de 53 mil pessoas em 1950, cerca de 40 mil (cerca de 75%) viviam em território urbano, formado basicamente pelos bairros Centro, Norte, Sul, Oeste e cidade satélite. Até 1955 Goiânia experimentou um crescimento considerado moderado para uma cidade recém-implantada. No entanto, o crescimento demográfico aumentou consideravelmente devido a uma série de fatores, tais como a chegada da estrada de ferro em 1951, a retomada da política de interiorização de Vargas entre 1951 e 1954, a inauguração da Usina do Rochedo em 1955, a construção de Brasília entre 1956 e 1960, as obras viárias que promoveram a ligação do Planalto Central com o resto do país e uma das leis aprovadas por Eurico Viana, então prefeito da cidade, que consistia em não obrigar os donos de loteamentos em oferecer estrutura urbana nos novos bairros causou o surgimento de cerca de cem novos na cidade em regiões mais distantes, como Jardim Balneário Meia Ponte,[23] Coimbra, Universitário, Norte Ferroviário, Funcionários, Sul, Oeste, Aeroporto, Fama e Pedro Ludovico.[18] Nessa década a capital goiana ganhou mais 125 bairros.[24] Em 1960, Goiânia já contava com mais de 150 mil habitantes.[18]
A década de 1960 é crucial para a definição de Goiânia como uma das maiores metrópoles brasileiras. Os novos bairros mudaram a fisionomia da cidade, que passou a requerer mais infraestrutura, transportes, energia e escolas. Surgiram ainda, nessa época, as Universidades Católica e Federal, o que fez com que os jovens que buscavam formação acadêmica permanecessem em Goiânia. A proximidade com a capital federal impulsiona o desenvolvimento da capital goiana. Os voos para Goiânia aumentam e o aeroporto é transferido para o bairro Santa Genoveva.[18]
Na década de 1970, à medida em que a população mais do que dobra em relação à década anterior, o trânsito goianiense ganha o acréscimo de milhares de carros. A cidade ganha três emissoras de televisão, três jornais diários e o Estádio Serra Dourada, à época um dos mais modernos do país. A partir de 1970, Goiânia expandiu significativamente seus loteamentos urbanos, mantendo um alto ritmo de crescimento populacional, que faz com que a cidade chegue a 1980 com mais de 700 mil habitantes, dos quais 98% vivia em área urbana. Esse aumento demográfico provoca o surgimento de um grande número de loteamentos voltados para as classes de renda mais baixa em cidades vizinhas, como Aparecida de Goiânia que, apesar de franca expansão, são dotadas de precária infraestrutura urbana. A partir de então, o crescimento demográfico se mantém num ritmo mais lento que outrora. No final da década de 1990, ao contrário do que acontecia nos anos 70 e 80, Goiânia recebe um grande número de famílias carentes oriundas do Nordeste e Norte do país. Com expansão do agronegócio, o Centro-Oeste passa a ser uma nova fronteira de oportunidades. Ao mesmo tempo, a classe média goianiense experimenta, na década de 2000, forte incremento na área habitacional com o surgimento dos condomínios horizontais.[18]
Período contemporâneo[editar | editar código-fonte]
Em setembro de 1987, Goiânia foi palco do mais grave acidente radiológico já ocorrido no continente americano[25] e o maior do mundo em área urbana.[26] Na ocasião, mais de 240 pessoas foram expostas à radiação quando dois catadores de lixo desmontaram um aparelho de radioterapia, removendo dele partículas da substância radioativaCésio-137.[27]
Apesar da ocupação desordenada, que ainda se mantém em certas regiões do município, nomeadamente as zonas Noroeste e Sudoeste (que apresentaram, entre 1991 e 2000, taxas de crescimento populacional anual de 9% e 14,5%, respectivamente),[28] Goiânia ainda se mantém como referência em qualidade de vida em relação às demais capitais brasileiras. Isso fez com que a cidade recebesse vários empreendimentos imobiliários e se tornasse alvo de forte especulação imobiliária. Desde 2005, Goiânia voltou a experimentar um significativo aumento no índice de qualidade de vida. Bairros afastados começam a receber asfalto, esgoto, iluminação e novas áreas de lazer. A cidade passou a ostentar o título de capital com maior concentração de área verde por habitante. Apesar disso, a cidade enfrenta problemas crônicos como engarrafamentos e atendimento ruim na saúde, frutos de um crescimento populacional vertiginoso e desordenado. Goiânia registra uma das maiores médias de carros por habitante do Brasil e, apesar de ser referência em vários tipos de tratamento médico, sua rede se encontra sobrecarregada por pacientes vindos do interior de Goiás e de outros estados.[18]
Geografia[editar | editar código-fonte]
Goiânia é a capital do décimo segundo estado mais populoso do Brasil, Goiás,[29] situando-se próximo ao paralelo 16º40'43'' sul e do meridiano 49º15'14'' oeste.[30] A área do município é controversa, e varia conforme fonte de dados. A própria prefeitura refere 739 km²[31] e o IBGE indica 733 km².[32] Suas cidades limítrofes são Nerópolis e Goianápolis ao norte; Aparecida de Goiânia ao sul; Senador Canedo e Bela Vista de Goiás ao leste; e Goianira e Trindade ao oeste.[33]
Região Metropolitana de Goiânia[editar | editar código-fonte]
O intenso processo de conurbação atualmente em curso na chamada Grande Goiânia vem criando uma metrópole cujo centro está em Goiânia e atinge os municípios de Abadia de Goiás, Aparecida de Goiânia,Aragoiânia, Bela Vista de Goiás, Bonfinópolis, Brazabrantes, Caldazinha, Caturaí, Goianápolis, Goianira, Guapó, Hidrolândia, Inhumas, Nerópolis, Nova Veneza, Santo Antônio de Goiás, Senador Canedo,Terezópolis de Goiás e Trindade.[34] A Região Metropolitana de Goiânia foi criada no ano de 1999 e atualmente é constituída por 20 municípios,[35] sendo a décima maior aglomeração urbana do Brasil, com 2 206 134 habitantes.[36] Seu Produto Interno Bruto (PIB) representou menos de 40% do estado em 2005.[37] [38]
![]() | Goianira | Nerópolis | Santo Antônio de Goiás |
| |||
| Trindade | Goianápolis | ||||||
| Abadia de Goiás | Aparecida de Goiânia/Aragoiânia | Senador Canedo |
Hidrografia[editar | editar código-fonte]
Do ponto de vista hidrográfico, Goiânia e sua região metropolitana se localizam numa região onde há 22 sub-bacias hidrográficas, as quais deságuam nos ribeirões Anicuns, Dourados e João Leite. Todas as sub-bacias pertencem à bacia hidrográfica do rio Meia Ponte, afluente direto do rio Paranaíba. Hidrograficamente, Goiânia possui 85 cursos d'água, sendo oitenta córregos, quatro ribeirões e um único rio.[39] [40] [41] [42] Desde sua fundação, a cidade teve um crescimento populacional desordenado que trouxe problemas ambientais como consequência, com destaque para as erosões, principalmente a fluvial, que vem comprometendo a qualidade de seus cursos d'água.[42]
Geologia e geomorfologia[editar | editar código-fonte]
Goiânia está em uma região de dobramentos formados no período neoproterozoico, cujo relevo do local é composto por planaltos com pequenos declives, o que dá ao território paisagens aplanainadas,[43] [44] O solo da cidade é do tipo terra roxa.[45]
Geomorfologicamente, Goiânia está dividida em cinco categorias: Planalto dissecado de Goiânia, Chapadões de Goiânia, Planalto embutido de Goiânia, Terraços e Planícies da Bacia do rio Meia Ponte e os Fundos de Vales.[45] [46] As características geomorfológicas de tais categorias contribuem para que Goiânia tenha uma topografia relativamente aplainada, apresentando poucosdeclives, onde os maiores se localizam em locais isolados, com erosões ou próximos a cursos d'água e vales. Tais declives fizeram com que Goiânia tivesse uma altitude baixa em relação à cidades vizinhas, se tornando um degrau em pleno planalto.[45] [47]
Relevo e vegetação[editar | editar código-fonte]
Localizada na região central do Brasil, Goiânia possui uma altitude de 749 metros.[48] Mesmo tendo uma topografia aplainada, a cidade contém regiões altas ou baixas,[47]como o Morro do Mendanha, que possui 841 metros de altitude, e é nele que se localizam torres que pertencem à emissoras de televisões locais. Há também o Morro da Serrinha, tendo 816 metros de altura.[49]
Goiânia se localiza num estado onde o cerrado é a vegetação predominante de 70% de seu território. A cidade contém um solo arenoso e ácido, formado por duas estações distintas. Há várias tipologias florestais na cidade de regiões de savana.[50] [51]
Clima[editar | editar código-fonte]
| Maiores acumulados de precipitação em 24 horas registrados em Goiânia por meses (INMET, 1961-presente)[52] | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Acumulado | Data | Mês | Acumulado | Data |
| Janeiro | 124,7 mm | 19/01/1969 | Julho | 28,1 mm | 20/07/1979 |
| Fevereiro | 102,4 mm | 23/02/1978 | Agosto | 44,4 mm | 29/08/2001 |
| Março | 99,9 mm | 08/03/1997 | Setembro | 77,5 mm | 19/09/1979 |
| Abril | 116,8 mm | 11/04/2014 | Outubro | 127,8 mm | 28/10/1996 |
| Maio | 79,1 mm | 30/05/1979 | Novembro | 93,2 mm | 12/11/1990 |
| Junho | 47,1 mm | 04/06/1988 | Dezembro | 136,6 mm | 09/12/2005 |
Em Goiânia predomina o clima tropical com estação seca (Aw, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger).[47] Estando numa região de alta altitude, o ar é relativamente seco na maior parte do ano, chegando a níveis críticos entre os meses de julho e setembro e ao extremo em agosto.[53] As temperaturas mais baixas são registradas no inverno e as mais altas na primavera.[54] A temperatura é amena durante todo o ano, com média compensada de 23,2 °C,[55] sendo a média mínima de 18 °C[56] e a máxima de 30 °C (normal climatológica de 1961-1990).[57] Há duas estações bem definidas: uma chuvosa, de outubro a abril, e outra seca, de maio a setembro, sendo o índice pluviométrico anual de aproximadamente 1 570 milímetros (mm).[58] [59]
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1961 a menor temperatura já registrada em Goiânia foi de 2,6 °C em 10 de julho de 1994,[60] e a maior atingiu 40,4 °C em 17 de outubro de 2015.[61] O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 136,6 mm em 9 de dezembro de 2005. Outros grandes acumulados foram 134 mm em 22 de dezembro de 1972, 127,8 mm em 28 de outubro de 1996, 124,7 mm em 19 de janeiro de 1969, 116,8 mm em 11 de abril de 2014, 107,6 mm em 7 de dezembro de 2009, 107,4 mm em 27 de outubro de 1965 e 102,4 mm em 23 de fevereiro de 1978.[52] O menor índice de umidade relativa do ar foi de 11%, nas tardes dos dias 22 de setembro de 2007, 11 de setembro de 2008, 5 de setembro de 2011 e 6 de setembro do mesmo ano.[62]
| [Esconder] | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Temperatura máxima absoluta (°C) | 37,8 | 35,8 | 35,6 | 34,5 | 35,4 | 35,8 | 35,5 | 37,7 | 38,9 | 40,4 | 37,3 | 36,4 | 40,4 |
| Temperatura máxima média (°C) | 29,2 | 29,4 | 30,1 | 30 | 29,1 | 28,7 | 28,9 | 31,2 | 31,9 | 31 | 29,7 | 28,9 | 29,8 |
| Temperatura média (°C) | 23,8 | 23,8 | 24 | 23,6 | 22,2 | 20,9 | 20,9 | 23 | 24,5 | 24,6 | 24,1 | 23,5 | 23,2 |
| Temperatura mínima média (°C) | 19,7 | 19,7 | 19,5 | 18,5 | 16 | 13,7 | 13,2 | 15 | 18,1 | 19,5 | 19,6 | 19,7 | 17,7 |
| Temperatura mínima absoluta (°C) | 9,1 | 14,7 | 14 | 11,2 | 5,7 | 3,5 | 2,6 | 6,1 | 10,4 | 12,1 | 14,4 | 12,9 | 2,6 |
| Precipitação (mm) | 266,8 | 214,8 | 206,8 | 118,9 | 35,9 | 9,2 | 6,6 | 13,2 | 45,4 | 166,9 | 219 | 267,9 | 1 571,4 |
| Dias com precipitação (≥ 1 mm) | 18 | 15 | 15 | 8 | 4 | 1 | 1 | 2 | 5 | 12 | 16 | 19 | 116 |
| Umidade relativa (%) | 75 | 76 | 74 | 71 | 65 | 60 | 53 | 47 | 53 | 65 | 73 | 76 | 65,7 |
| Horas de sol | 183,8 | 156,9 | 203,1 | 229 | 249,7 | 269 | 286,8 | 281,2 | 212,3 | 188,2 | 174,2 | 172,6 | 2 606,7 |
| Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (normal climatológica de 1961-1990;[55] [63] [56] [64] [65] [66] [67] recordes de temperatura: 1961-presente).[60] [61] | |||||||||||||
Ecologia e meio ambiente[editar | editar código-fonte]
Goiânia está localizada em pleno cerrado, um dos biomas mais devastados do Brasil. A cidade e sua região metropolitana fazem parte de uma das regiões de Goiás onde a vegetação original é pouco preservada.[68] Para agravar, a cidade tem sofrido com um aumento na poluição do ar, diretamente relacionado à queima dos combustíveis fósseisnos automóveis. Com sua grande frota de veículos, a qualidade do ar de Goiânia foi considerada ruim durante uma pesquisa realizada em 2007. Enquanto o padrão doConselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) é de 160 mg/m³ de emissões por ano, o da capital goiana é de 240 mg/m³, próximo a cidades como São Paulo, com 279 mg/m³.[69] [70] Entretanto, Goiânia mantém uma grande quantidade de áreas verdes para uma metrópole em seu território, tendo 94 m² de área verde por habitante, um valor muito próximo da campeã mundial, Edmonton, no Canadá, que possui 100 m², e superando em 43 m²/hab. Curitiba, até cerca de 2010 frequentemente apontada como a cidade brasileira com mais áreas verdes. Goiânia possui um índice de área verde por habitante quase oito vezes maior do que os 12 m²/hab. recomendados pelaOrganização das Nações Unidas.[71]
Goiânia é a capital brasileira mais arborizada do país, sendo este o motivos de ter recebido o título de "Capital verde do Brasil"[71] e de melhor qualidade de vida. No início de 2005, a cidade possuía seis parques e cinco anos depois quadruplicou esse valor. Através do maior programa de plantio voluntário do planeta, intitulado "Plante a Vida", realizado pela prefeitura da cidade, foram distribuídas mais de um milhão de mudas de plantas nativas do cerrado à população da capital goiana. São cerca de 950 mil árvores plantadas somente em via pública.[71] Atualmente, Goiânia possui 28 parques e bosques.[72]
O Lago das Rosas é o mais antigo parque da cidade, inaugurado no dia 30 de novembro de 1971, mas construído desde a década de 1940. Com uma área de 315 000 m², sua arquitetura baseia-se no art déco. O parque Vaca Brava, na região sul da cidade, possui uma área de quase 80 000 m², além de locais de prática esportiva.[72]
Muitos dos parques de Goiânia são da responsabilidade do governo municipal. A prefeitura criou em 20 de julho de 2007 a Agência Municipal de Meio Ambiente, em substituição da antiga Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), com atribuições relativas à gestão da política ambiental do município, onde estão incluídas as funções de implementação e coordenação da execução dessa política, direcionada para o desenvolvimento sustentável em todo o território da cidade.[73] A Companhia de Urbanização de Goiânia tem a responsabilidade de cuidar das praças do município.[74]
Demografia[editar | editar código-fonte]
| Crescimento populacional | |||
|---|---|---|---|
| Censo | Pop. | %± | |
| 1940 | 48 166 | ||
| 1950 | 53 389 | 10,8% | |
| 1960 | 151 013 | 182,9% | |
| 1970 | 380 773 | 152,1% | |
| 1980 | 717 526 | 88,4% | |
| 1991 | 922 222 | 28,5% | |
| 2000 | 1 093 007 | 18,5% | |
| 2010 | 1 302 001 | 19,1% | |
| Fonte: IBGE[75] [76] [77] [78] [79] [80] | |||
A população do município em 2014, de acordo com o IBGE, era de 1.412.364 habitantes, sendo o município mais populoso do estado e o12º do Brasil.[81] O principal motivo para a grande população está na proximidade de Goiânia com Brasília, que impulsionou o crescimento do município e a região entre ele e a capital federal, tornando o Eixo Goiânia-Brasília o terceiro maior aglomerado populacional do país, reunindo cerca de nove milhões de pessoas.[82] A Região Metropolitana de Goiânia é atualmente a décima maior aglomeração urbana do Brasil, com uma população de 2.206.134 habitantes.[83] [84] Apresenta uma densidade populacional de 1 782,5 habitantes por km²,[85] sendo a maior de seu estado.[86]
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Goiânia é considerado elevado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo seu valor 0,832, o segundo maior de todo estado de Goiás (em 242 municípios); terceiro de toda Região Centro-Oeste do Brasil (em 446) e o 111° de todo Brasil (em 5 507). Considerando apenas a educação, o valor do índice é de 0,933 (classificado como muito elevado), enquanto o do Brasil é 0,849. O índice da longevidade é de 0,751 (o brasileiro é 0,638) e o de renda é de 0,813 (o do Brasil é 0,723).[87] [88] A cidade possui a maioria dos indicadores elevados e parecidos com os da média nacional segundo o PNUD. A taxa de alfabetizaçãoadulta é 96,78%.[89] A incidência da pobreza, medida pelo IBGE, é de 3,64%, o limite inferior da incidência de pobreza é de 2,92%, o superior é de 4,35% e a incidência da pobreza subjetiva é de 4,35%.[90]
Desigualdade social[editar | editar código-fonte]
Segundo dados do IBGE, em 2011 Goiânia possuía sete aglomerados subnormais, que são: Emílio Póvoa, Quebra Caixote, Rocinha, a primeira e segunda etapa do Jardim Botânico, a área I do Jardim Goiás e uma invasão numa parte do Jardim Guanabara,[91] e somavam uma população de 3 495 pessoas em 1 066 domicílios.[92] Goiânia é a metrópole brasileira com o menor número de favelas do país.[93] Embora o termo favela não seja bem visto pelas autoridades da cidade por não haver muitos morros no município, em 2009 existiam 141 áreas irregulares, chamadas de invasões. Segundo especialistas, tal situação é maquiada em Goiânia, já que as famílias moradoras em locais como esses são retiradas dos locais e colocadas nas periferias da cidade.[94] O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,42, numa escala entre 1,00 (pior número) e 0,00 (melhor).[90] Em 2010, a Organização das Nações Unidas constatou que Goiânia é a cidade mais desigual do Brasil e a décima do mundo, à frente de outras capitais como Belo Horizonte, Fortaleza, Brasília e Curitiba.[95] Na visão de professores especialistas, a região central do Brasil a qual compreende Goiânia e Brasília é alvo de alto fluxo migratório de populações de baixa renda e escolaridade, principalmente advindas das regiões norte e nordeste do país, reforçando a concentração de renda observada através da especulação imobiliária.[96]

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