sábado, 4 de junho de 2016

MARABA

Marabá (AFI[maɾa'ba]) é um município da microrregião de Marabá, na mesorregião do Sudeste Paraense, no estado do Pará, no Brasil. É o município sede daRegião Metropolitana de Marabá. Se localiza cerca de 500 quilômetros ao sul da capital do estado. Sua localização tem, por referência, o ponto de encontro entre dois grandes rios, Tocantins e Itacaiunas, formando uma espécie de "y" no seio da cidade vista de cima. É formada basicamente por seis distritos urbanos interligados por rodovias.[8] [9]
O povoamento de origem europeia da região de Marabá principiou em fins do século XIX, com a chegada de imigrantes goianos e maranhenses. A emancipação municipal ocorreu em 1913, com seu desmembramento do município de Baião. O desenvolvimento do município, durante um grande período, foi dado peloextrativismo vegetal, mas, com a descoberta da Província Mineral de Carajás,[10] Marabá se desenvolveu muito rapidamente, tornando-se um município com forte vocação industrial, agrícola e comercial.[11] Atualmente, Marabá é um grande entroncamento logístico, interligada por cinco rodovias ao território nacional, por via aérea, ferroviária e fluvial.[12]
Atualmente, o município é o quarto mais populoso do Pará, com 262 085 habitantes em 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),[5]e com o 4º maior produto interno bruto (PIB) do estado em 2013, com 5,2 bilhões de reais.[7] O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é 0,668, considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento/2010.[6] Sua renda per capita em 2013 era de 20 687,01 reais.[7] É o principal centro socioeconômico do sudeste paraense e um dos municípios mais dinâmicos do Brasil.[13]
Marabá tem, como característica, sua grande miscigenação de pessoas e culturas, que faz jus ao significado popular do seu nome: "filho da mistura".[nota 1] A cidade também é conhecida como Cidade Poema, pois seu nome foi inspirado no poema Marabá do escritor Gonçalves Dias.[14]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

etimologia da palavra "Marabá" é de um vocábulo indígena mayr-abá, que significa filho do estrangeiro com a índia ou ainda, fruto da índia com o branco.[15] Otupinólogo Eduardo de Almeida Navarro aponta, como origem do termo, o tupi antigo maraba, que designava "filho de francês com índia" ou "bastardo".[16]
Um poema escrito por Gonçalves Dias teria inspirado Francisco Coelho a denominar o seu armazém de aviamento de Casa Marabá, no então povoado de Pontal. O armazém, na verdade um grande barracão, servia aos pioneiros de todo tipo de secos e molhados. Lá, segundo a tradição, Coelho comprava ocaucho coletado, andirobacopaíba, frutos da mata, caças diversas, e nos fundos mantinha um cabaré, com a venda de bebidas e shows com mulheres.[17]
Somente em 1904, a subprefeitura do "Burgo do Itacaiúnas" é transferida para o povoado de Pontal, na época com 1 500 habitantes, com o nome de Marabá. É a primeira vez que esta denominação aparece em um documento oficial.[18]

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História de Marabá
Até o início do século XVI – quando a colonização de origem europeia (representada pelas missões religiosas) e osbandeirantes paulistas alcançaram esta porção do território brasileiro - havia, nela, uma considerável população indígena. Seis povos indígenas habitavam o território de Marabá: os Arara[19] ; os Asuriní[20] ; os Gavião[21] ; os Kayapó[22] ; osParakanã[23] ; e os Suruí[24] . Após o contato com o colonizador de origem europeia, houve uma redução rápida da população indígena, provocado por: epidemias de doenças contraídas após o contato com o colonizador; apresamento de índios para o trabalho escravo; e assassinato em massa de populações indígenas que se encontravam em áreas de interesse para a colonização [25] .
A primeira tentativa oficial de colonização de origem europeia, no entanto, somente ocorreu em 1808, quando, em umdecretodom João VI aprovou a criação da Capitania de São João das Duas Barras e nomeou Theotônio Segurado paraouvidor da mesma.[26] A capitania existiu entre 1808 e 1814, e compreendia o território do atual estado brasileiro doTocantins (na época, capitania de Goyaz) e a porção sul da capitania do Grão-Pará.[27] Durante o período em que sustentou o status de capitania, teve duas sedes, sendo uma delas a freguesia de Barra do Tacay-Una, atual Marabá.[28][29]

Colonização e Povoamento de Origem Europeia[editar | editar código-fonte]

Os primeiros a participarem da formação do povoado de Marabá foram chefes políticos deslocados de guerrilhas que tinham, como palco, o norte de Goyaz, mais precisamente a cidade de Boa Vista do Tocantins (atual Tocantinópolis). Ocoronel Carlos Leitão, acompanhado de seus familiares e auxiliares de trabalho, deslocou-se em dezembro de 1894 para o sudeste do Grão-Pará, estabelecendo seu primeiro acampamento em localidade situada em terras próximas à confluência do rio Itacaiunas. Fixaram-se definitivamente na margem esquerda do Tocantins, cerca de 10  km rio abaixo do outro acampamento, em local que foi denominado Burgo do Itacayuna, em 5 de agosto de 1895.[30]
Do ponto em que foi instalado o acampamento, os colonos começaram a abrir caminho na floresta a procura de campos naturais que servissem para criação de bovinos. Em uma dessas incursões, encontrou-se uma árvore que escorria leite vegetal de seu caule, da qual suspeitou ser caucho - árvore da qual se extrai o látex, e se produz a borracha. Em 1895, Carlos Leitão seguiu para a capital da província para ter reunião com o então presidente do Grão-Pará, José Paes de Carvalho, a quem solicitou colaboração, visto a necessidade de se colonizar a região. Paes de Carvalho contemplou o coronel Leitão com seis contos de reis em dinheiro e estoque de medicamentos que seriam empregados no combate à doenças tropicais.[31] Conseguido seu intento de ajuda e por terem os testes do leite vegetal endurecido comprovado que se tratara de látex (borracha) de caucho, Leitão, de volta ao Burgo do Itacayuna, difundiu a informação a todos da pequena colônia. Nos meses que se seguiram, chegaram os primeiros grupos de trabalhadores para extração do caucho.[32]
O comerciante maranhense Francisco Coelho teria sido um dos primeiros a estabelecer-se no local, entre os rios Tocantins e Itacaiunas, em 7 de junho de 1898. O objetivo era negociar com os extratores de caucho, que passando pela foz do rio Itacaiunas, navegavam pelo rio Tocantins.[33] Os registros atribuem a Francisco Coelho o nome da localidade que viria a ser a sede do município de Marabá. Ele teria instalado no local uma casa comercial – Casa Marabá - cujo nome era uma homenagem ao poeta Gonçalves Dias. O nome do ponto comercial paulatinamente passou a designar a pequena vila que se formou na confluência do rio Itacaiunas.[34]

Formação do município[editar | editar código-fonte]

Embarque de castanha-do-pará em pequenas embarcações.
Desse entreposto comercial, onde o "Itacaiunas desaguando no Tocantins, apertando uma faixa de terra em forma de península",[nota 2] surgiu a cidade de Marabá. Criado em 27 de fevereiro de 1913, através da lei estadual 1 278, o município foi instalado formalmente em cinco de abril do mesmo ano, data que passou a ser comemorada como seu aniversário. O primeiro intendente municipal, cargo à época correspondente ao de prefeito, foi o coronel Antônio Maia, escolhido e nomeado na data de instalação. Marabá, mesmo sediando o município, permaneceu com a categoria de vila por quase dez anos, recebendo o título de cidade em 27 de outubro de 1923, através da lei estadual 2 207.[35] Em 1914, Marabá passou a sediar a comarca, em ato instituído através do decreto 3 057, de 7 de fevereiro de 1914. A instalação da comarca se deu em 27 de março de 1914, procedida pelo juiz de direito Monteiro Lopes.[36]
As frentes migratórias para a região de Marabá, a partir de meados da década de 1920, destinavam-se, especialmente, à extração e comercialização de castanha-do-pará e, desde os fins da década de 1930, no garimpo de diamantes no leito do rio Tocantins.[37] A cidade recebia imigrantes vindos de várias regiões do Brasil, principalmente donordeste (com destaque ao Piauí e Maranhão), de Goiás e Minas Gerais, e imigrantes árabes (com destaque aos libanesespalestinos e sírios), constituindo uma camada importante na sociedade local. Em 1929, a cidade já se encontra iluminada por uma usina a lenha e, em 17 de novembro de 1935, o primeiro avião pousa no aeroporto recém-inaugurado na cidade. Nesse período, a cidade era composta por 450 casas e 1 500 habitantes fixos.[38]

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

Com a abertura da PA-70 (atualmente um trecho da BR-222), em 1969, Marabá é ligada à Rodovia Belém-Brasília. A implantação de infraestrutura rodoviária fez parte da estratégia do governo federal de integrar a região ao resto do país.[39] Além disso, o plano de colonização agrícola oficial, a instalação de canteiros de obras, especialmente a construção da Hidroelétrica de Tucuruí, a implantação do projeto ferro Carajás (todos estes depois inseridos no Programa Grande Carajás)[40] e a descoberta da mina de ouro da Serra Pelada, aceleraram e dinamizaram as migrações para Marabá nas décadas de 1970 e 1980.[41]
Em 1970, o município foi declarado Área de Segurança Nacional (Decreto-lei 1 131, de 30 de outubro de 1970), condição que perdurou até o fim da ditadura militar em 1985.[42] Aliado ao fato de a região ser estratégica para a política de integração, ela foi o ambiente da Guerrilha do Araguaia, resultando numa presença ostensiva das tropas do Exército Brasileiro, tornando, a cidade, uma das bases de operações dastropas federais. Também em 1970 foi criado o PIN (Programa de Integração Nacional) que, dentre outras medidas, previa a construção da rodovia Transamazônica, cujo primeiro trecho foi inaugurado em 1971,[43]juntamente com a criação de um posto do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Marabá.[11]

Década de 1980[editar | editar código-fonte]

Praça Duque de Caxias.
Em 1980, a cidade é assolada pela maior enchente da sua históriaː o Rio Tocantins sobe 17,42 metros. Em consequência disto, há uma reformulação no planejamento do crescimento e expansão urbana da cidade.[44] Em 1984, entra, em funcionamento, a Estrada de Ferro Carajás e, em 1988, se dá início aos preparativos para a instalação de indústrias siderúrgicas para produção de ferro-gusa, negócio que veio trazer grandes benefícios econômicos para o município.[45]
Em 1985, Marabá deixa de ser área de Segurança Nacional e, na eleição para prefeito - a primeira eleição direta realizada sob a égide da Nova República - Hamilton Bezerra (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) derrota Vavá Mutran (Partido Democrático Social), cessando uma longa hegemonia na política local da chamada "oligarquia da castanha". Tal fato aconteceu devido ao apoio de boa parte das lideranças camponesas, do então governador Jader Barbalho e de movimentos sociais.[46]
Em 1987, ocorreu um conflito que ficou conhecido como o Massacre de São Bonifácio ou Guerra da Ponte. A peleja ocorreu entre os garimpeiros de Serra Pelada e a Polícia Militar do Pará com o auxílio do Exército Brasileiro. A manifestação que gerou o massacre bloqueou o acesso à Ponte Mista de Marabá e pedia a reabertura de Serra Pelada com o rebaixamento da cava do garimpo. O governo informou, inicialmente, que duas pessoas morreram. Depois, acresceu esse número para nove. Contudo, há registros que contam que houve 79 garimpeiros desaparecidos em decorrência do conflito. No entanto, por parte das tropas da Polícia e do Exército, não houve registros de baixas. Tal episódio tem características muito semelhantes aos do Massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, que ocorrera nove anos antes, na ponte sobre o Rio Tocantins.[47]

Da Década de 1990 à Crise Econômica[editar | editar código-fonte]

década de 1990 é marcada pelo acirramento dos conflitos no meio rural. Neste período, há uma explosão demográfica muito grande nesta região, causada principalmente pela grande demanda de mão de obra, não acompanhada de políticas estatais de contenção demográfica e qualificação do trabalhador. A mão de obra não qualificada acabava sendo deslocada para a zona rural, o que, aliado às questões de irregularidades fundiárias existentes desde a década de 1970, acabavam por aumentar as tensões no meio rural.[48] Tais tensões no campo culminaram em assassinatos de sindicalistascamponeses, líderes religiosos e políticos.[49]
Em 2011, Marabá participou ativamente, com todo o sudeste do Pará, da consulta plebiscitária que definiu sobre a divisão do estado do Pará. O município sedia os dois principais organismos de luta pela causa na região, a "Comissão Brandão" e a "AMAT Carajás".[50] Embora ocorresse expressiva votação em Marabá favorável à divisão (mais de 90% de aprovação),[51] o peso da região de Belém se fez maior e se sobrepôs ao anseio local.[52] Entretanto, mesmo com a derrota na votação, o município continua, juntamente com a região, a pleitear a separação para criação do estado do Carajás.[50]
Desde o estouro da Grande Recessão no Brasil em 2008, Marabá sofreu um processo de desindustrialização. O parque industrial da cidade, que chegou a ter 11 grandes siderúrgicas funcionando com capacidade plena em janeiro de 2008, chegou a julho de 2009 com somente uma das empresas operando regularmente. Os principais mercados consumidores da gusa e do aço do município, os Estados Unidos, o Japão e aRepública Popular da China, reduziram sua demanda e forçaram as empresas a dar férias coletivas aos funcionários.[53] [54]
Entre 2011 e meados de 2013, Marabá sofreu efeitos de "refluxo" da crise econômica iniciada em 2008, causados principalmente por dois fatores: primeiro, a formação de uma bolha de preços no mercado imobiliário local, que estavam superaquecidos artificialmente desde 2010;[55] o segundo efeito foi uma grande crise fiscal que se desenrolou desde o início de 2012, em função dos desacertos de política econômica a nível municipal, que levaram ao inchaço da máquina pública mesmo em períodos de sérias dificuldades econômicas no município.[56]

Centenário - presente[editar | editar código-fonte]

O ano de 2013 foi especial para o município, pois culminou em seu centenário de emancipação política. Na semana do centenário, entre 1 e 7 de abril, muitas programações culturais e artísticas foram realizadas no município. Várias celebrações foram feitas, dentre elas a reconstituição da viagem de balsa capitaneada por Carlos Leitão de Carolina até Marabá[57] . A expedição, com balsa construída inteiramente talos e palhas de Buriti,[58] no intuito de replicar a característica da embarcação original construída pelo Coronel Leitão, foi promovida pela equipe de técnicos e pesquisadores da Casa da Cultura, que por impossibilidade de navegação em virtude da existência da Hidroelétrica do Estreito, não saiu de Carolina, mas da cidade vizinha, Estreito. Todo o percurso iniciou-se em 16 de abril e foi finalizado no dia 27 de abril, com grande festa em Marabá.[59] [60]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Geografia de Marabá
Em destaque, uma Bertholletia excelsa, árvore símbolo do município.
Ocupando uma área de 15.092,268 km², Marabá conta atualmente com 262 085 habitantes, é o décimo município mais populoso da Amazônia. A sede municipal apresenta as seguintes coordenadas geográficas: 05º 21' 54" latitude Sul e 049º 07' 24" longitude WGr. Localizada no sudeste do Pará, na microrregião de Marabá, limita-se com os municípios de: Novo RepartimentoItupirangaNova Ipixuna e Rondon do Pará (ao norte); São Geraldo do AraguaiaEldorado dos CarajásCurionópolis e Parauapebas (ao sul); Bom Jesus do TocantinsSão João do Araguaia e São Domingos do Araguaia (ao leste); e São Félix do Xingu (ao oeste).[61]
A topografia do município de Marabá apresenta as maiores altitudes da região Sudeste do Pará, através das serras dos Carajás, Sereno, Buritirama, Paredão, Encontro, Cinzento e Misteriosa. Desse complexo, destaca-se a serra dos Carajás, como a de maior porte. Entretanto, é na serra do Cinzento que se encontra a altitude máxima do município de Marabá, com 792 metros. As serras dos Carajás, Cinzento e Buritirana estão situadas em áreas de conservação, sob jurisdição federal, denominadas de Floresta Nacional do Tapirapé-Aquiri e a Reserva Biológica do Tapirapé, onde se encontram diversas cavernas. Suas formas de relevo estão englobadas pela unidade morfoestrutural denominada de Depressão Periférica do Sul do Pará, onde dominam os planaltos amazônicos.[62]
É bastante diversificada a cobertura vegetal do município de Marabá. A fitofisionomia das florestas do município de Marabá se caracteriza por três tipos: A floresta ombrófilaaberta, a floresta ombrófila densa e as áreas antrópicas. Na área urbana de Marabá predominam as florestas antrópicas. Por apresentar esta característica tão diversa o município detém um dos maiores patrimônios naturais do Brasil, abrigando em seu território grandes reservas florestais como a Reserva Biológica do Tapirapé, com 103.000 ha (1.030 km²), e a Floresta Nacional do Tapirapé-Aquiri, com 190.000 ha (1.900 km²), além da Terra Indígena Mãe Maria, com 64.488.416 ha (644.88 km²), que fica próximo a sede municipal de Marabá, esta pertencendo ao município de Bom Jesus do Tocantins [63]
Marabá está situada em uma área de baixa altitude, na confluência de dois rios – o Itacaiunas e Tocantins – e sofre com as enchentes anuais em decorrência da topografia e da influência direta de quatro rios: Itacaiunas, Tocantins, Tauarizinho e Sororó. Além das bacias relativas a estes rios, o município está inserido nas bacias dos rios Aquiri, Tapirape, Cinzento, Preto, Parauapebas e Vermelho. Destas, estão incluídas totalmente na área do município as bacias dos rios Tapirapé, Cinzento e Preto. Destaca-se a bacia do Itacaiúnas por banhar todo o município, em cuja foz encontra-se a sede municipal de Marabá e cobre a maior área, isto é, 5.383,4 km².

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