A canfístula é uma árvore decídua a semidecídua, com florescimento decorativo e muito utilizada na arborização urbana na América do Sul. Seu porte é grande, alcançando de 15 a 40 metros de altura, com copa ampla e globosa. O tronco atinge 50 a 120 cm de diâmetro e possui casca fina quando jovem , que engrossa e se torna escamosa com o passar do tempo. Apresenta folhas bipinadas, alternas, com foliólulos ovalados e coriáceos. As inflorescências surgem no verão. Elas são grandes, terminais e do tipo espiga, carregadas de botões dourados que se abrem em flores amarelas da base em direção ao ápice. O fruto é um legume, seco, indeiscente, lanceolado e achatado, contendo uma a duas sementes elípticas.
A canafístula é uma excelente opção para o paisagismo urbano ou rural. Ela produz sombra fresca no verão e perde parte ou todas as folhas no inverno. Sua floração é um verdadeiro espetáculo de flores amarelas e forma um tapete de pétalas no chão. Ecologicamente é considerada uma importante árvore oportunista, que se beneficia de clareiras, sendo por este motivo utilizada em recuperação de áreas degradadas. Sua madeira é rosada, moderadamente densa e de boa durabilidade quando seca. É utilizada em trabalhos de marcenaria, construção civil e no fabrico de dormentes, entre outros.
Deve ser cultivada sob sol pleno, em solo fértil, drenável, enriquecido com matéria orgânica e irrigado regularmente no primeiro ano após o plantio. Tolera o frio e geadas, adaptando-se ao clima subtropical e temperado. Multiplica-se por sementes, que devem ser escarificadas para quebra de dormência. Emergem cerca de 15 a 30 dias após a semeadura. As mudas devem estar bem desenvolvidas antes de plantar no local definitivo, pois são sensíveis a formigas e ao vandalismo.De acordo com o Sistema de classificação de
Cronquist, a taxonomia de Pe/tophorum dubium
obedece à seguinte hierarquia:
Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe: Magnoliopsida (Dicotiledonae)
Ordem: Fabales
Família: Caesalpiniaceae (Leguminosae:
Caesalpinioideae)
Espécie: Pe/tophorum dubium (Sprengel) Taubert,
Engler et Prantl, Natürl. Pflanzenf. ed. I.
3(3).77:176, 1892.
Sinonímia botânica: Caesa/pinia dubia Sprenger;
Cassia disperma Vellozo; Pe/tophorum
voge/ianum Bentham
Nomes vulgares no Brasil: acácia-amarela; amendoim, amendoim-falso, angico-bravo,
camurça, curucaia, ibirá e monjoleiro, em São Paulo; amendoim-bravo; angico; angicoamarelo
e angico-cangalha, em Minas Gerais; angico-vermelho e pororoca, no Paraná;
barbatimão, cabeça-de-negro e cabelo-de-negro, no Rio de Janeiro; cambuí, em Mato
Grosso do Sul e em Minas Gerais; canafiste; canafrista-branca, no Paraná; canafrístula;
cancença e favinha, em Pernambuco; canela-de-veado; canhafistula; caobi; cássia-amarela;
farinha-seca e faveira, na Bahia e em Minas Gerais; faveiro, no Distrito Federal, em Minas
Gerais e em São Paulo; guarucaia, em Minas Gerais e em São Paulo; guazu; ibira-puitá, no
Rio Grande do Sul e em São Paulo; jacarandá-de-flor-amarela; madeira-nova, em
Pernambuco e na Paraíba; pau-vermelho; quebra-serra, na Bahia; sobrasil; tamboril, na
Bahia, em Pernambuco e no Rio de Janeiro; tamboril-branco; tamboril-bravo, na Bahia e em
São Paulo; tamburi.
Nomes vulgares no exterior: arbor de artigas, no Uruguai; cariafístula e ybira puitá, na
Argentina; pacay, na Bolívia, e yvyra pyta, no Paraguai.
Etimologia: Pe/tophorum, o que conduz o disco, referindo-se ao estigma; dubium, . Em
tupi-guarani, é conhecida como ibira-puita-guassú, que significa "madeira-vermelhagrande"
(Longhi, 1995)
Descrição
Forma: árvore caducifólia (perde totalmente as folhas no inverno), com 10 a 20 m de altura
e 35 a 90 cm de DAP, podendo atingir excepcionalmente 40 m de altura e 300 cm de DAP,na idade adulta. No Nordeste do Brasil, atinge 12 m de altura.
2 Canafístula
Tronco: cilíndrico, mais ou menos reto ou levemente curvo
e achatado e com base acanalada. Fuste com até 15 m de
comprimento.
Ramificação: dicotômica, cimosa. Copa ampla, umbeliforme,
largamente achatada-arredondada.
Casca: com espessura de até 25 mm. A casca externa é
marrom-escura, rugosa, provida de pequenas fissuras
longitudinais, que se desprendem em lâminas pequenas
quando jovem e em placas retangulares em exemplares
velhos. Quando jovem, apresenta abundantes lenticelas,
de distribuição difusa ou colunar multisseriada; solitárias
ou anastomosadas, de disposição e abertura horizontal
(Gartland & Salazar, 1992). A casca interna é dura, rósea,
pouco fibrosa.
Folhas: compostas, bipinadas, alternas, de até 50 cm de
comprimento por 25 cm de largura, com 16 a 21 pares de
pinas, de cor verde-escura; cada pina com 24 a 30 pares
de folíolos elípticos-oblongos, opostos, de 5 mm alO mm
de comprimento e 2 mm a 3 mm de largura, ápice
acuminado e base desigual.
Flores: amarelo-vivas ou alaranjadas, com até 2 cm de
comprimento, em vistosas panículas ou racemos
terminais ferrugíneos e tomentosos, medindo até 30 cm
de comprimento.
Fruto: sâmara com 4 a 9,5 cm de comprimento e 1 a 2,5
cm de largura. Contorno longitudinallanceolado ou
elíptico, com ápice agudo e base estreitada. Superfície
castanho-avermelhada a marrom, puberulenta, com
nervuras predominantemente no sentido longitudinal;
estas são mais fortes na região central, delimitando o
núcleo seminífero que se estende até o ápice. Em cada
fruto, com uma a quatro sementes no sentido longitudinal.
Semente: de contorno longitudinal ovado e transversal,
elíptico; superfície lisa, brilhante, amarelo-esverdeada.
Testa membranácea. Na parte basal-Iateral, encontra-se
um hilo oval, micrópila visível e rafe curta e fina, oposta à
micrópila (Oliveira & Pereira, 1984). Com cerca de 1 cm
de comprimento e 4 mm de largura.
Biologia Reprodutiva e Fenologia
Sistema sexual: planta hermafrodita.
\(etor de polinização: principalmente as abelhas e diversos
insetos pequenos.
Floração: de setembro a março, em São Paulo; de outubro
a março, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina; em
novembro, no Mato Grosso do Sul; de dezembro a março,
no Rio Grande do Sul e no Paraná e, de março a agosto,
em Pernambuco.
Frutificação: os frutos amadurecem de abril a outubro, no
Rio Grande do Sul; de abril a agosto, no Paraná; em maio, no
Distrito Federal; de maio a dezembro, em São Paulo e, de
junho a agosto, em Santa Catarina. O processo reprodutivo
inicia entre sete e doze anos de idade, em plantio.
Dispersão de frutos e sementes: autocórica, principalmente
barocórica, por gravidade, e anemocórica: os frutos são
lentamente dispersos pelo vento. As sementes da
canafístula são encontradas no banco de sementes do solo.
Ocorrência Natural
Latitude: 7° S (Paraíba) a 30° S (Rio Grande do Sul), no Brasil,
atingindo o limite Sul a 300
25'S em Artigas, no Uruguai.
Variação altitudinal: de 30 m (Rio de Janeiro) a 1.300 m
(Minas Gerais) de altitude.
Distribuição geográfica: Peltophorum dubium ocorre de
forma natural no nordeste da Argentina, nas províncias de
Misiones, Corrientes, Formosa e Chaco (MartinezCrovetto,
1963; Arboles, 1992), no leste do Paraguai
(Lopez et al., 1987), no norte do Uruguai (Lombardo,
1964) e no Brasil (Mapa 1), em Alagoas (Heringer &
Ferreira, 1973), na Bahia (Mello, 1968/1968; Lima,
1977; Occhioni, 1981; Harley & Simmons, 1986; Lewis,
1987; Pinto et aI., 1990; Lima & Lima, 1998), no Espírito
Santo, em Goiás, em Mato Grosso do Sul (Conceição &
Paula, 1986; Leite et aI., 1986; Assis, 1991; Conceição,
1991; Souza et aI., 1997; Romagnolo & Souza, 2000),
em Minas Gerais (Thibau et aI., 1975; Occhioni, 1981;
Brandão et aI., 1989; Gavilanes & Brandão, 1991;
Brandão, 1992; Brandão & Araújo, 1992; Brandão &
Silva Filho, 1993; Brandão et aI., 1993; Brandão &
Araújo, 1994; Vilela et aI., 1994; Brandão et aI., 1995;
Carvalho et aI., 1995; Pedralli & Teixeira, 1997; Brina,
1998; Carvalho et aI., 2000), na Paraíba (Ducke, 1953),
no Paraná (Inoue et aI., 1984; Roderjan & Kuniyoshi,
1989; Goetzke, 1990; Roderjan, 1990a; Roderjan,
1990b; Oliveira, 1991; Soares-Silva et aI., 1992; Silva
et aI., 1995; Nakajima et aI., 1996; Souza et aI., 1997),
em Pernambuco (Ducke, 1953; Lima, 1954; Tavares,
1959; Lima, 1970), no Rio de Janeiro (Mello, 1950;
Guimarães, 1951; Barroso, 1962/1965; Occhioni, 1974;
Bloomfield et aI., 1997b), no Rio Grande do Sul (Mattos,
1983; Reitz et aI., 1983; Brack et aI., 1985; Thum,
1992}.em Santa Catarina (Reitz et aI., 1978; Occhioni,
1981), e no Estado de São Paulo (Mainieri, 1970;
Nogueira, 1976; Baitello & Aguiar, 1982; Nogueira et aI1982; Silva, 1982; Bertoni et aI., 1987; Demattê et aI.,
1987; Pagano et aI., 1987; Vieira et aI., 1989; Nicolini,
1990; Kotchetkoff-Henriques & Joly, 1994; Durigan &
Leitão Filho, 1995; Nave et aI., 1997; Cavalcanti, 1998;
Durigan et aI., 1999)
Aspectos Ecológicos
Grupo sucessional: espécie secundária inicial (Durigan &
Nogueira, 1990), mas com caracteristica de pioneira
(Marchiori, 1997).
Características sociológicas: a canafístula é abundante em
formações secundárias, mas com poucos indivíduos,
geralmente de grande porte, ocupando o estrato dominante
do dossel em floresta primária. Desempenha papel pioneiro
nas áreas abertas, em capoeiras e em matas degradadas. É
comumente encontrada colonizando pastagens, ocupando
clareiras e bordas de mata. É árvore longeva.
Regiões fitoecológicas: Peltophorum dubíum é freqüente
em todo o domínio da Floresta Estacionai Semidecidual
Submontana e Montana, onde ocupa o estrato dominante
(Roderjan, 1990). É também encontrada em outras
tipologias florestais, como Floresta Estacionai Decidual
austral, na bacia do rio Jacuí, onde ocupa o estrato
emergente (Klein, 1984); Cerradão (Bertoni et aI., 1987;
Durigan et aI., 1999); Chaco Sul-Mato-Grossense
(Conceição, 1991); Encraves vegetacionais na Região
Nordeste (Tigre, 1964; Fernandes, 1992); Caatinga (Lima
& Lima, 1998), e Pantanal Mato-Grossenseçonde ocorre
nas áreas de transição entre as partes úmidas e secas
(Conceição & Paula, 1986). A espécie também tem sido
observada na flora de áreas erodidas de calcário bambuí,
no sudoeste da Bahia (Lima, 1977). Fora do Brasil, é
encontrada na Selva Misionera na Argentina e parte do
Chaco no Paraguai.
Clima
Precipitação pluvial média anual: desde 700 mm (Bahia) a
2.300 mm (Santa Catarina).
Regime de precipitações: chuvas uniformemente
distribuídas na Região Sul (excetuando-se o norte do
Paraná), e periódicas, com chuvas concentradas no verão
ou no inverno, nas outras regiões.
Deficiência hídrica: moderada, no inverno, no oeste do
Estado de São Paulo, norte do Paraná e sul de Mato
Grosso do Sul, e forte, com estação seca de cinco a sete
meses na Região Nordeste (Bahia, Paraíba e Pernambuco) e
centro-norte de Minas Gerais.
Canafístula 3
Temperatura média anual: 18,1°C (Diamantina, MG) a
25,3°C (Bom Jesus da Lapa, BA).
Temperatura média do mês mais frio: 13,8°C (Francisco
Beltrão, PR) a 23,7°C (Bom Jesus da Lapa, BA).
Temperatura média do mês mais quente: 20°C
(Diamantina, MG) a 27,2°C (Corumbá, MS).
Temperatura mínima absoluta: -7,1°C (Campo Mourão, PR).
Número de geadas por ano: médio de zero a quinze;
máximo absoluto de 40 geadas, na Região Sul.
Tipos climáticos (Koeppen): principalmente em subtropical
úmido (Cfa); subtropical de altitude (Cwa e Cwb); tropical
(Aw), e eventualmente em temperado úmido (Cfb) e em
semi-árido (Bsh), na Bahia (Lima & Lima, 1998).
Solos e Nutrição
Peltophorum dubíum ocorre naturalmente em vários tipos
de solos, aparecendo em solos ácidos, inclusive de
Cerradão, até solos de alta fertilidade química. Em plantios
experimentais, tem crescido melhor em solos de fertilidade
química média a alta, bem drenados e com textura de
franca a argilosa. Não tolera solos rasos, pedregosos ou
demasiadamente úmidos.
Esta espécie é bastante exigente em N (nitrogênio)
(Nicoloso et aI., 2000). Recomenda-se aplicar 2,5 g de
fertilizante da formulação NPK 4-14-8, por recipiente
(volume de terra: 400' ml) (Pacheco, 1977). A adição de
lodo ou de esterco de curral e esterco de galinha bem
curtidos, na composição de substrato, são eficazes em
produzir mudas de canafístula de elevada qualidade
(Guerra, 1983).
Sementes
Colheita e beneficiamento: os frutos da canafístula devem
ser colhidos quando mudam de coloração verde-escura
para marrom-elara-acinzentada. Como os frutos
permanecem na árvore por muito tempo, quando as
sementes são colhidas muito secas, geralmente apresentam
germinação lenta e irregular, mesmo se deixadas imersas
na água por tempo superior a 72 horas (Duarte, 1978).
Por se encontrarem no interior de vagens indeiscentes, as
sementes de canafístula são de difícil extração. A extração
é feita manualmente, com o auxílio de um cacete, ou em
máquinas beneficiadoras, tipo debulhadora de milho
adaptada para sementes florestais (Ragagnin & AmaralNúmero de sementes por quilograma: 4.200
(Castiglioni, 1975) a 25.000 (Amaral & Araldi, 1979).
Um quilograma de frutos contém aproximadamente 200
g de sementes (Longhi, 1995), ou entre 4.900 e
12.000 sementes (Arboles ..., 1992; Durigan et al.,
1997) e o número de frutos/kg é igual a 5.280.
Tratamento para superação da dormência: as sementes
da canafístula apresentam forte dormência tegumentar,
que pode ser superada em ambientes naturais pelo
aumento repentino da temperatura do solo por ocasião
da abertura de clareiras na floresta (Costa & Kageyama,
1987). Para obtenção de mudas, com os tratamentos:
escarificação mecânica por dois a cinco minutos
(Figliolia & Silva, 1982) ou 30 minutos (Alcalay et al.,
1988) e escarificação com papel de lixa (Arboles ...,
1992); pelo corte do tegumento na região oposta à da
emergência da radícula (Alcalay et al., 1988) ou corte
do tegumento na região radicial (Figliolia & Silva,
1982); imersão em ácido sulfúrico concentrado por dois
a dez minutos (Bianchetti & Ramos, 1981), 20 minutos
(Guerra et al., 1982; Perez et al., 1999) ou por 30
minutos (Capelanes, 1991), ou imersão em água
ambiente por 24 horas (Marchetti, 1984). Os
tratamentos de imersão em água quente fora do
aquecimento (70 a 95°C) não são eficientes para
superar a dormência (Bianchetti & Ramos, 1981). As
sementes mantêm germinação baixa e irregular, se não
forem submetidas a tratamento para superação da
dormência. Para sementes não tratadas, os tratamentos
pré-germinativos utilizados por Figliolia & Silva
(1982), não foram eficazes na permeabilização do
tegumento.
Longevidade e armazenamento: as sementes da
canafístula são de comportamento ortodoxo (Eibl et aI.,
1994; Perez et aI., 1999). Sementes com faculdade
germinativa inicial de 99%, armazenadas em sacos de
papel Kraft, em câmara seca e em temperatura ambiente,
com umidade relativa de 50%, aos 25 meses
apresentaram germinação de 92%, enquanto as
armazenadas em sala apresentaram uma germinação de
82% (Amaral et al., 1988). Sementes com faculdade
germinativa inicial de 95%, armazenadas em tamborete
em câmara fria (3 a 5°C e 92% de UR) apresentaram
germinação de 41% após sete anos de armazenamento.
Germinação em laboratório: os substratos areia a 26 e
30°C, papel mata-borrão branco a 22 e 26°C e papeltoalha
a 24 e 26°C, podem ser utilizados nos estudos
de germinação desta espécie (Ramos & Bianchetti,
1984). As sementes de canafístula são indiferentes à
qualidade e intensidade da luz (Perez et al., 1999).
Produção de Mudas
Semeadura: pode ser feita diretamente em recipientes, sendo
recomendado semear duas sementes. Se o recipiente for
saco de polietileno, recomenda-se que este tenha
dimensões mínimas de 20 cm de altura e 7 cm de
diâmetro. As mudas de canafístula, produzidas em
tubetes de polipropileno de tamanho médio.iapresentararn
um custo total de produção três vezes menor em relação
ao apresentado pelas mudas formadas em sacos de
polietileno (Machado et al., 1998). A repicagem, quando
necessária, deve ser feita entre três a cinco semanas após
a germinação, ou quando a muda atingir 3 a 6 cm de
altura. A canafístula apresenta elevada tolerância à poda
radicial, podendo-se podar as mudas a 20 cm de
profundidade (Locatelli & Galvão, 1980). As mudas são
formadas por uma raiz pivotante muito desenvolvida em
comprimento e espessura, da qual saem umas poucas
raízes laterais, curtas e bem mais finas (Carvalho &
Carpanezzi, 1982).
Germinação: epígea, com início entre seis e 120 dias após a
semeadura. O poder germinativo é alto, até 95% em
sementes com superação da dormência, e baixo, até 28%
em sementes sem superação da dormência. As mudas
atingem porte adequado para plantio, cerca de quatro meses
após a semeadura. Mudas com 50 cm de altura, de raiz nua
e pseudo-estacas de canafístula também apresentam bom
pegamento no plantio (Souza Cruz, 1992). Para Portela et
aI. (1999), mudas desta espécie não necessitam de
sombreamento na fase de viveiro, podendo ser produzidas
sob pleno sol.
Associação simbiótica: as raízes da canafístula não
associam-se com Rhizobium (Campelo, 1976; Allen &
Allen, 1981;Carvalho & Carpanezzi, 1982; Faria et al.,
1984a; 1984b; Gaiad & Carpanezzi, 1984; Oliveira,
1999). Entretanto, no Paraguai, menciona-se que suas
raízes têm nódulos grandes e que fixam nitrogênio (Lopez et
al., 1987). Deve-se investigar a presença de fungos
micorrízicos arbusculares.
Propagação vegetativa: propaga-se por enxertia através do
método da garfagem em fenda cheia apresentando, após 30
dias, 100% de pegamento (Silva, 1982). Propaga-se
também por estacas radiciais. Segundo Kirst & Sepel
(1996), a canafístula apresenta capacidade de
micropropagação através de emissão de gemas laterais,
embora nas condições testadas, o número médio de gemas
obtido por ápice tenha sido relativamente baixo (duas a três
para cada ciclo de quatro semanas). Segundo os autores,
para que se obtenham clones de canafístula, que possam ser
testados a campo, é necessário que se otimize a capacidade
dos ápices desenvolverem gemas laterais por períodos mais
longos, que taxas de multiplicação sejam maiores e que se
obtenha uma freqüência de rizogênese maior.
Características Silviculturais
A canafístula é uma espécie heliófila (Ferreira, 1977;
Inoue & Galvão, 1986); mediana mente tolerante a
baixas temperaturas. Sofre lesões por geadas com
temperatura mínima de - 1°C (Embrapa, 1986). Em
florestas naturais, árvores adultas toleram temperaturas
de até - 7°C. No Estado de São Paulo é considerada
tolerante às geadas (Durigan et al., 1997), e tolera
perfeitamente as baixas temperaturas do inverno gaúcho
(Maixner & Ferreira, 1976).
Hábito: variável, geralmente irregular, com perda de
dominância apical, com bifurcação desde a base ou com
formaçâo de galhos grossos, ainda que não seja rara a
forma monopódica. Há ocorrência de desrama natural.
Não obstante a característica ramificação dicotômica do
tipo ortotrópica, a canafístula deve sofrer poda corretiva
como complemento e desramas periódicas para
aumentar a altura comercial. A espécierebrota dos
pontos de poda.
Métodos de regeneração: recomenda-se o plantio da
canafístula a pleno sol, em plantio puro, com bom
crescimento, porém forma inadequada. Na maioria dos
plantios, apresenta sobrevivência superior a 80%, mas
com heterogeneidade entre as plantas no crescimento
em altura e diâmetro e na forma. Em plantio misto,
associado com espécies pioneiras, apresenta poucos
ramos, boa desrama e cicatrizaçâo natural, formando
fuste alto e livre de nós (Kageyama et a(, 1990). A
canafístula serve no tutoramento de espécies
secundárias-clímax; em vegetação matricial arbórea, em
capoeiras muito jovens, devendo-se abrir faixas largas,
garantindo-se iluminação direta da copa ou em
povoamentos densos espontâneos de Leucaena
leucocephala com abertura de faixas, preferencialmente
na direção Leste - Oeste (Zelazowski & Lopes, 1993).
Brota vigorosa da touça, após corte.
Sistemas agroflorestais: em sistema silviagrícola, na
arborização de culturas perenes, como o chá (Thea
sinensis) na Argentina. A espécie também é
recomendada para sombreamento de pastagens, abrigos
para o gado e em quebra-ventos, por apresentar copa
ampla. Mudas grandes com 2 a 3 m podem ser
transplantadas com sucesso com as raízes nuas
(Maixner & Ferreira, 1976). Resiste a ventos fortes,
sem quebra de galhos ou tombamento da árvore. No
Paraguai, estacas de canafístula são usadas para postes
vivos, que em pouco tempo brotam e começam a se
desenvolver (Parodi, 1934).
Canafístula 5
Melhoramento e Conservação dos
Recursos Genéticos
Peltophorum dubium está ameaçada de extinção no Estado
de São Paulo (ltornan et al., 1992), sendo necessária
preserva-Ia ex situ através de populações-base, sob a
forma de testes de progênies e procedências (Siqueira &
Nogueira, 1992). Instituições como o Instituto Florestal de
São Paulo e a Embrapa Florestas têm-se preocupado com
o melhoramento e a conservação genética desta espécie
(Nogueira et al., 1982; Shimizu et al., 1987). Testes
efetuados no Paraná e em São Paulo evidenciaram
variabilidade genética entre procedências e entre progênies
de canafístula (Siqueira et al., 1986; Shimizu et al.,
1987). Para esta espécie, nos locais sem déficit hídrico,
evidenciou-se a diferença entre as populações evoluidas
em regiões com e sem déficit hídrico (Shimizu et aI.,
1987).
Crescimento e Produção
A canafístula apresenta crescimento rápido (Tabela 1); a
produtividade volumétrica máxima registrada é 19,60 m31
ha.ano' (Nogueira et al., 1982). O baixo crescimento
observado em Concórdia - SC deveu-se às geadas fortes
verificadas em todos os quatro anos do experimento.
Higuchi (1978) elaborou equações volumétricas para
volume comercial com e sem casca, para as condições
edafo-c1imáticas de Foz do Iguaçu - PR e Guaíra - PRo
Características da Madeira
Massa específica aparente: a madeira da canafístula é
densa (0,75 a 0,90 q/cm-). a 15% de umidade (Braga,
1960; Stillner, 1980; Mainieri & Chimelo, 1989).
Massa específica básica: 0,53 a 0,65 q/cm" (Silva et
al., 1983). Cor: alburno róseo-claro levemente
amarelado; cerne com alternâncias irregulares de
colorido róseo-acastanhado e de bege rosado-escuro,
freqüentemente com veios escuros irregulares.
Características gerais: superfície irregularmente lustrosa
e um tanto grosseira ao tato; textura médio-grosseira;
grã fortemente revessa e diagonal. Cheiro e gosto
imperceptíveis.
Durabilidade natural: resistência moderada ao
apodrecimento. Estacas de cerne desta espécie
mostraram-se ser altamente resistente a fungos e
resistente a cupins (Cavalcante et al., 1982). Contudo,
a vida média da madeira de canafístula em contato com
EXCELENTE MATERIAL SOBRE A CANAFÍSTULA
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