sexta-feira, 22 de julho de 2016

LISBOA

Lisboa GCTE é a capital de Portugal e a cidade mais populosa do país. Tem uma população de 547 733 habitantes[2] , dentro dos seus limites administrativos. Na Área Metropolitana de Lisboa, residem 2 821 697 pessoas (2011), sendo por isso a maior e mais populosa área metropolitana do país. Lisboa é o centro político de Portugal, sede do Governo e da residência do chefe de Estado. É o "farol da lusofonia" (Daus): a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem a sua sede na cidade. É ainda a capital mais a ocidente do continente europeu na costa atlântica.
O estatuto administrativo da cidade foi originalmente concedido pelo ditador Júlio César enquanto município romano. O imperador acrescentou orgulhosamente à palavra “Olisipo”, que deu origem ao nome de Lisboa, a designação "Felicidade Júlia" (Felicitas Julia), em sua memória. Eram berberes os autóctones lisboetas, nómadas radicados à beira-Tejo, de alma africana, povo detentor de uma cultura profundamente enraizada, em terras de dois continentes, já no fim do século V. Pouco depois do início do século XII, em 1147, os cruzados que ajudam Afonso Henriques na Reconquista tomam a cidade.
O estatuto administrativo da cidade foi originalmente concedido pelo ditador Júlio César enquanto município romano. O imperador acrescentou orgulhosamente à palavra “Olisipo”, que deu origem ao nome de Lisboa, a designação "Felicidade Júlia" (Felicitas Julia), em sua memória. Eram berberes os autóctones lisboetas, nómadas radicados à beira-Tejo, de alma africana, povo detentor de uma cultura profundamente enraizada, em terras de dois continentes, já no fim do século V. Pouco depois do início do século XII, em 1147, os cruzados que ajudam Afonso Henriques na Reconquista tomam a cidade.
Lisboa é considerada como cidade global devido à sua importância em aspectos financeiros, comerciais, mediáticos, artísticos, educacionais e turísticos.[3] [4] É um dos principais centros económicos do continente europeu, graças a um progresso financeiro crescente favorecido pelo maior porto de contentores da costa atlântica da Europa[5] e mais recentemente pelo Aeroporto Humberto Delgado, que recebe mais de 20 milhões de passageiros anualmente (2015). Lisboa conta com umarede de auto-estradas e um sistema de ferrovias de alta velocidade (Alfa Pendular), que liga as principais cidades portuguesas à capital.[6] A cidade é a sétima mais visitada do sul da Europa, depois de IstambulRomaBarcelonaMadridAtenas e Milão, com 1 740 000 de turistas em 2009, tendo em 2014 ultrapassado a marca dos 3,35 milhões. A nível global, Lisboa foi a 35.ª cidade com maior destino turístico em 2015, cerca de 4 milhões de visitantes. [7] [8] Em 2015, foi considerada a 11.ª cidade turística mais popular, à frente de MadridRio de JaneiroBerlim e Barcelona[9]
região de Lisboa é a mais rica do país, com um PIB PPC per capita de 26 100 euros (4,7% maior do que o PIB per capita médio da União Europeia). A sua área metropolitana é a vigésima mais rica do continente, com um PIB-PPC no valor de 58 mil milhões de euros, o que equivale a cerca de 35% do PIB-PPC total do país.[10] Lisboa ocupa o 122.º lugar entre as cidades com maiores receitas brutas do mundo.[11] A maioria das sedes das multinacionais instaladas em Portugal encontram-se na região de Lisboa, a nona cidade do mundo com maior número de conferências internacionais.[12]
Para Samuel Bochart, um francês do séc. XVII que se dedicou ao estudo da Bíblia, o nome Olisipo, é uma designação pré-romana de "Lisboa" que remontaria aosFenícios[13] Segundo ele, a palavra “Olisipo” deriva de "Allis Ubbo" ou "Porto Seguro" em fenício, porto esse situado no Estuário do Tejo[14] Não existe nenhum registo que possa comprovar tal teoria. Segundo Francisco Villar, [15] [16] “Olisipo” seria uma palavra de origem tartessa sendo o sufixo ipo usado em territórios de influência Turdetano-Tartessica.[17] O prefixo "Oli(s)" não seria único visto estar associado a outra cidade lusitana de localização desconhecida, que Pomponius Meladizia chamar-se "Olitingi".[18]
Os autores da Antiguidade conheciam uma lenda que atribuía a fundação de Olisipo ao herói grego Ulisses[19] , provavelmente baseando-se em Estrabão[20] :Ulisses teria fundado em local incerto da península Ibérica uma cidade chamada Olisipo (Ibi oppidum Olisipone Ulixi conditum: ibi Tagus flumen). [21] [22]Posteriormente, o nome latino teria sido corrompido para "Olissipona". Ptolomeu deu a Lisboa o nome de "Oliosipon". Os Visigodos chamaram-na Ulishbon[23] e osMouros, que conquistaram Lisboa no ano 714, deram-lhe em árabe este nome اليكسبونا (al-Lixbûnâ) ou ainda لشبونة (al-Ushbuna).Na gíria popular, os naturais ou habitantes de Lisboa são chamados "alfacinhas". A origem da palavra é desconhecida. Supõe-se que o termo se explica pelo facto de existirem hortas nas colinas da primitiva cidade de Lisboa, onde verdejavam "plantas hortenses utilizadas na culinária, na perfumaria e na medicina", vendidas na cidade. A palavra alface provem do árabe e poderá indicar que o cultivo da planta começou aquando da ocupação da Península Ibérica pelos Muçulmanos. Há também quem sustente que, num dos cercos de que a cidade foi alvo, os habitantes da capital portuguesa tinham como alimento quase exclusivo as alfaces das suas hortas. O certo é que a palavra ficou consagrada e que os grandes da literatura portuguesa convencionaram tomar por alfacinha um lisboeta. [24]Em Lisboa encontram-se vestígios do Neolítico, Eneolítico e Neo-neolitico. [25] Durante o Neolítico, a região de Lisboa foi habitada por povos que também viveram neste período noutros espaços da Europa atlântica. Estes povos construíram vários monumentos megalíticos[26] . É ainda possível encontrar alguns dólmens[27] e menires[28] nos campos em redor da cidade.Situado no estuário do rio Tejo, o excelente porto de Lisboa tornou-a cidade ideal para abastecer de alimentos os navios que rumavam para as Ilhas do Estanho (actuais Ilhas Scilly) e para a Cornualha. O povocelta invadiu a Península no primeiro milénio a.C.. [29] Graças a casamentos tribais com os povos ibéricos pré-romanos, aumentou significativamente na região o número de falantes da língua celta.O povoado pré-romano de Olisipo, com origem nos séculos VIII-VII a.C., assentava no morro e na encosta do Castelo. A Olisipo pré-romana foi o maior povoado orientalizante de Portugal. Estima-se que a sua população rondasse entre 2 500 e 5 000 pessoas.[30] Olisipo seria um um bom fundeadouro para o tráfego marítimo e para o comércio com os fenícios.[31] [32]
Achados arqueológicos sugerem que já havia trocas comerciais com os fenícios na região de Lisboa em 1 200 a.C. [33] , levando alguns historiadores a admitir que teriam habitado o que é hoje o centro da cidade, na parte sul da colina do castelo[34] Na praça de D. Luís, em Lisboa, foram localizados vestígios de um fundeadouro com mais de 2000 anos, remontando ao século I aC e ao século V dC, onde os navios ancoravam para fazer descargas e reparações e também para o trânsito de passageiros e carga.[35]Além de viajarem daí para o Norte, os fenícios também aproveitaram o facto de estarem na desembocadura do maior rio da Península Ibérica para fazerem comércio de metais preciosos com as tribos locais. [36] Outros importantes produtos aí comercializados eram o sal, o peixe salgado e os cavalos puros-sangue lusitanos, bem conhecidos na Antiguidade.[37]Recentemente (1990/94)[38] vestígios fenícios do século VIII a.C. foram encontrados sob a Sé de Lisboa. Não obstante, alguns historiadores modernos[39] consideram que a ideia da fundação fenícia é irreal, convictos que Lisboa era uma antiga civilização autóctone (chamada pelos romanos de ópido) que se limitava a estabelecer relações comerciais com os fenícios, o que explicaria a presença de cerâmicas e de outros artefactos com tal origem.
Uma velha lenda refere que a cidade de Lisboa foi fundada pelo herói grego Odisseu (Ulisses),[carece de fontes] e que, tal como Roma, o seu povoado original era rodeado por sete colinas. Os gregos chamavam-na cidade de Olisipo[carece de fontes] Se todas as viagens de Ulisses através do Atlântico tivessem ocorrido como Théophile Cailleux as descreveu,[40] isso significaria que Ulisses fundou a cidade vindo do Norte, antes de dar a volta ao Cabo Malea, (que Cailleux diz ser o Cabo de São Vicente), na sua viagem para Sudeste, rumo a Ítaca. No entanto, a presença dos fenícios, mesmo ocasional, é anterior à presença helénica neste território. Posteriormente, o nome grego da cidade teria sido corrompido em latim para Olissipona. Outros deuses pré-romanos da Lusitânia [41] são AracusCariocecusBandua e Trebaruna.[42]Uma velha lenda refere que a cidade de Lisboa foi fundada pelo herói grego Odisseu (Ulisses),[carece de fontes] e que, tal como Roma, o seu povoado original era rodeado por sete colinas. Os gregos chamavam-na cidade de Olisipo. [carece de fontes] Se todas as viagens de Ulisses através do Atlântico tivessem ocorrido como Théophile Cailleux as descreveu,[40] isso significaria que Ulisses fundou a cidade vindo do Norte, antes de dar a volta ao Cabo Malea, (que Cailleux diz ser o Cabo de São Vicente), na sua viagem para Sudeste, rumo a Ítaca. No entanto, a presença dos fenícios, mesmo ocasional, é anterior à presença helénica neste território. Posteriormente, o nome grego da cidade teria sido corrompido em latim para Olissipona. Outros deuses pré-romanos da Lusitânia [41] são Aracus, Cariocecus, Bandua e Trebaruna.[42]Presume-se que os gregos antigos tiveram na foz do rio Tejo um posto de comércio durante algum tempo,[carece de fontes] mas os conflitos que grassavam por todo o Mediterrâneo levaram sem dúvida ao seu abandono, devido sobretudo ao poderio de Cartago nessa época. Parece certo no entanto que o território de Lisboa é primordialmente ocupado por populações mediterrânicas organizadas em torno de uma família nuclear. As influências civilizacionais desta região saloia da Estremadura é fenícia, púnica e, sobretudo, em termos estruturais, berbere-moura e latino-romana. Esta última, exógena, mais requintada, dominará enquanto cultura de poder, nas estruturas administrativas e do ensino, quando os legados do Império Romano são apropriados pela Igreja Católica. [43] [44]Após a conquista de Cartago, os romanos iniciam as guerras de pacificação do ocidente. Cerca de 139/138 a.C., conquistaram Olisipo, durante a campanha de Decimus Junius Brutus, que reforçou as muralhas da cidade para se defender das tribos hostis. A Lisboa de então foi depois anexada ao império e recompensada com a atribuição decidadania romana, privilégio então raríssimo para povos não romanos.[carece de fontes] Felicitas Julia beneficia assim do estatuto de município, juntamente com os territórios em seu redor, num raio de 50 km, não pagando impostos a Roma, ao contrário do que se passava com quase todos os outros castros e povoados autóctones conquistados. A cidade foi por fim integrada, com larga autonomia, na província da Lusitânia, cuja capital era Emeritas Augusta, a actual Mérida, situada na Estremadura espanhola. A Olisipo romana dispunha-se em anfiteatro desde a colina do Castelo de São Jorge até ao Terreiro do Trigo, o Campo das Cebolas, a antiga Ribeira Velha e a Rua Augusta. [45] Um dos mais antigos e importantes vestígios da presença romana em Lisboa são as ruínas de um magnífico teatro (século 1) então construído no local que hoje corresponde ao nº 3A da Rua de São Mamede, em Alfama, muito frequentado pelas elites da época. [46] [47] [48] [49]No tempo dos romanos, a cidade era famosa pelo fabrico de garum, alimento de luxo feito de pasta de peixe, conservado em ânforas e exportado para Roma e todo o império. Outros produtos comercializados eram o vinho e o sal. Ptolomeu designava essa primordial Lisboa como sendo a cidade de Ulisses. No seu tempo, para além exploração das minas de ouro e prata, a maior receita provinha de tributos, impostos, resgates e saques, que incluíam ouro e prata dos tesouros públicos dos povos da Lusitânia e de outras feitorias peninsulares. [50] [51] [52] [53]No finais do império romano, Olisipo seria um dos primeiros agregados que espontaneamente acolheram o cristianismo. O primeiro bispo da cidade foi São Gens. Em consequência da queda do império, Lisboa foi vítima de invasões bárbaras, dos Alanos, dos Vândalos e dos suevos, tendo sido parte do seu reino. Foi tomada pelos visigodos de Toledo, que lhe chamavam “Ulishbona”. [54]Após três séculos de saques, pilhagens e perda de dinâmica comercial, “Ulishbuna” pouco mais seria que uma vila como muitas outras do início do século VII. Em 711, aproveitando uma guerra civil dos visigodos, tropas mouriscas lideradas por Tárique invadem a Península Ibérica. O que sobra do ocidente peninsular romano é conquistado por Abdelaziz ibn Musa, um dos filhos de Tárique. Segundo velhos historiadores, “Olishbuna” não lhe escapa. Investigadores modernos desmentem essa versão afirmando que não existiu invasão muçulmana de Lisboa. Eram berberes os autóctones lisboetas, detentores de uma cultura profundamente enraizada. [55] [56] [57]Na versão da conquista, ano de 714, Lisboa é tomada por mouros do norte de África, chamados Aluxbuna (al-Lixbûnâ) em árabe, cujo antigo nome teria sido Cudia (Kudia ou ainda Kudiya).[58] Construiu-se neste período a cerca moura.
Lisboa pertenceu à primeira taifa de Badajoz no ano de 1013, criada pelo eslavo liberto Sabur Al-Amiri (1013-1022), um saqaliba, antigo súbdito de Aláqueme II.[59] [60]Enquanto se fragmentavam as Taifas islâmicas do Sul, no Norte sucedia o Condado Portucalense do Reino de Leão, já em plena Reconquista da Península Ibérica. Apesar de estabelecida em Guimarães, a força económica e a autonomia do Condado Portucalense residia no Porto, i.e. em Portucale, no porto da cidade de Cale, em Gaia. Bem podemos imaginar como seria o novo reino, movido pelo dinamismo comercial da jovem cidade de mercadores que, na foz do segundo maior rio da Península Ibérica, o rio Douro, usufruía então de importância semelhante à de Lisboa no rio Tejo, e que acabaria também por ser conquistada.Diz o geógrafo árabe Edrisi que em Lisboa
"o mar lança palhetas de ouro pela praia fora". No Inverno " os habitantes da cidade vão até ao rio em busca desse metal e a isso se dedicam enquanto o frio dura".

Almunime Al-Himiar descreve Lisboa com mais requinte :
"É uma cidade à beira-mar, com ondas que se quebram de encontro às muralhas, admiráveis e de boa construção. A parte ocidental da cidade é encimada por arcos sobrepostos assentes em colunas de mármore apoiadas em envasamentos de mármore. Por natureza, a cidade é belíssima". [61]
O geógrafo Yâqût al-Hamâwî revela outras coisas ainda :
"É uma velha cidade perto do mar, a oeste de Córdova. Nos montes à sua volta há lindos falcões e nela se produz o melhor mel de todo o al-Andalus, conhecido como al-ladharnî. Parece açúcar e conserva-se embrulhado em pano para não se estragar. A cidade é junto do rio Tejo e perto do mar. Tem no solo jazidas de ouro puro e nas encostas excelente âmbar."[62]

Ibne Saíde, no século XIII, diz, por seu lado, que Lisboa "é noiva em alcova nupcial."Diz-nos a historiografia tradicional portuguesa que al-Ushbuna foi conquistada aos mouros por Afonso Henriques. Sabe-se hoje que foram as classes senhoriais marranas doEntre-Douro-e-Minho, cujo patrono era São Tiago, os obreiros da conquista e que Afonso Henriques pertence ao grupo desses noroestinos cristãos de língua portuguesa que dominarão o Centro e o Sul pagão de Portugal e se perpetuarão deixando descendência. [63]
Diz-nos a historiografia tradicional portuguesa que al-Ushbuna foi conquistada aos mouros por Afonso Henriques. Sabe-se hoje que foram as classes senhoriais marranas doEntre-Douro-e-Minho, cujo patrono era São Tiago, os obreiros da conquista e que Afonso Henriques pertence ao grupo desses noroestinos cristãos de língua portuguesa que dominarão o Centro e o Sul pagão de Portugal e se perpetuarão deixando descendência. [63]A primeira tentativa de reconquista de Lisboa ocorre em 1137. Fracassa frente às muralhas da cidade. Em 1140 acorrem aos sediantes cruzados em trânsito por Portugal. Juntos, empreendem novo ataque, que também falha. Só sete anos depois, os cristãos reconquistariam a povoação dando graças ao primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques. O rei concede-lhe foral em 1179. Em 1255, graças à sua localização estratégica, Lisboa torna-se a capital do reino. Terminada a reconquista, consolidada a religião cristã e instituída a língua portuguesa, é criada a diocese de Lisboa que, no século XIV, será elevada a metrópole (arquidiocese).
Nos últimos séculos da Idade Média a cidade expandiu-se e tornou-se um importante porto, com comércio estabelecido com o norte da Europa e com as cidades costeiras doMar Mediterrâneo. Em 1290 o rei Dom Dinis criou a primeira universidade portuguesa em Lisboa que, por causa de um incêndio, foi transferida para Coimbra em (1308), quando a cidade já dispunha de grandes edifícios religiosos e conventuais.Dom Fernando I, o Formoso, construiu a famosa Muralha Fernandina[64] , já que a cidade crescia rapidamente para fora do perímetro inicial. Começando pelo lado dos bairros mais pobres e acabando nos bairros da burguesia, a maior parte do dinheiro utilizado na execução do projeto veio desta última. Esta estratégia mostrou-se conveniente, já que de outra forma a burguesia deixaria de financiar a obra.O novo capítulo da história de Lisboa é iniciado com a revolução motivada pela Crise de 1383-85. Após a morte de Fernando de Portugal, o Reino deveria passar a ter como soberano nominal o Rei de Castela,João I de Castela, e ser regido por Leonor Teles de Menezes. Porém o rei castelhano quis ser soberano efectivo ou, como se costuma dizer, "rei e senhor", persuadindo a sogra e rainha regente a renunciar ao governo e a ceder-lho. Isto, sem o consentimento das Cortes, constituía uma usurpação de poder, o que deu guerra. Depois de cerca de ano e meio de luta, a burguesia da cidade, com as suas ligações inglesas e capitais avultados, seria um dos vencedores: o Mestre de Avis é aclamado João I de Portugal, depois de levar a bom termo o cerco de Lisboa de 1384 e antes de ganhar, em 1385, a Batalha de Aljubarrota, sob a liderança de Nun'Álvares Pereira, contra as forças castelhanas reforçadas com miltares franceses e apoiadas pelos fidalgos portugueses que prestavam vassalagem ao rei de Castela.Em 1385 Lisboa substitui Coimbra como capital do reino.[65]Os descobrimentos marítimos portugueses eram, nos finais do século XV, uma das prioridades estratégicas de D.João II, que ascendeu ao trono em 1481 e que mudou a sua residência do Castelo de São Jorge para o Terreiro do Paço (Paço da Ribeira) que, por esse motivo, assim ficou conhecido : o grande “terreiro” onde e em redor do qual se concentravam os grandes estaleiros de construção naval de Lisboa e onde ficou instalado o paço real, no lado ocidental da “praça do comércio”. [66] Seria esse o melhor local para o jovem soberano vigiar o Tejo, lá do alto de uma fina torre, ali mesmo a dois passos das ruelas de fama duvidosa por ele preferidas em escapadelas nocturnas.
Portugal fica na vanguarda dos países seus contemporâneos ao ser o primeiro a transformar a pesquisa tecnológica e científica em política de Estado e ao abrir as portas a especialistas aragoneses, catalães, italianos e alemães com o objectivo de aumentar e enriquecer os conhecimentos náuticos de oficiais e simples marinheiros. Esta política seria incrementada com o saber de pilotos orientais.[67] [68] [69] [70]Várias expedições se fazem com tripulações portuguesas integrando expatriados de outros reinos que levarão à descoberta dos arquipélagos dos Açores, Madeira eCanárias. Com sérios argumentos, afirmam alguns historiadores que caravelas portuguesas terão entretanto alcançado o Brasil. Relacionam-se tais argumentos com projectos secretos de João II que, antes do Tratado de Tordesilhas contratou navegantes e cartógrafos. Um destes, alemão, chamava-se Martin Behaim. Num dos seus mapas, desenhado pouco antes da descoberta "oficial" da América, destaca-se a sul um vasto território no prolongamento da Ásia. Seria intenção do rei ocultar a sua existência com vista a garantir, perante as ambições de Castela, o predomínio de uma área colonial de vital importância para Portugal. [71]

Permite o povoamento das ilhas atlânticas a oeste e sudoeste de Portugal fundar cidades-portos necessários para a exploração de novos mercados. De Lisboa partem inúmeras expedições nessa época dosdescobrimentos (séculos XV a XVII), como a de Vasco da Gama, em 1497-1498, fazendo melhorar o porto de Lisboa, centro mercantil da Europa, ávida por ouro e especiarias.[72]Na alta da expansão colonial portuguesa, as casas ribeirinhas de Lisboa tinham entre três a cinco andares: uma loja e, acima dela, instalações comerciais. Duas gravuras da Rua Nova dos Mercadores noséculo XVI descobertas em Londres ilustram essa realidade e o importante papel da presença negra na cidade. [73] Lisboa passou a ocupar o lugar de Génova no comércio de escravos [74] provenientes de África, da península Ibérica[75] e resto da Europa[76] Tornou-se um porto em que circulavam cativos que depois eram vendidos para diversos pontos da Europa.[77] [78] Lisboa era então frequentada por muitos comerciantes estrangeiros.

A maior riqueza de Lisboa desde o fim do século XVI era o ouro e o monopólio dos produtos do Brasil. Findos os conflitos e guerras entre conservadores e liberais, foi perdido o monopólio e do ouro só uma pequena parte chegava aos cofres reais devido ao contrabando e à pirataria. [79] [80]
Encontrava-se o país numa situação económica difícil quando as nações da Europa, iniciando a industrialização, enriqueciam com o comércio das Américas (a Inglaterra viria a dominar o comércio brasileiro) e daÁsia. É entretanto em Lisboa, em 1640, que terá lugar a principal revolta na Restauração da Independência.Os problemas do comércio aumentam quando, em 1636, os Catalães se revoltam, povo mercador como o de Lisboa também oprimido pelas taxas castelhanas. É a Portugal que Madrid vem reclamar homens e fundos para submeter a Catalunha. É então que os mercadores da cidade se aliam à pequena e média nobreza. Tentam convencer oDuque de Bragança, Dom João, a aceitar o trono, mas este, como o resto alta nobreza, é favorecido por Madrid e só a intenção de o tornar rei o convence. Os conspiradores assaltam o Palácio do Governador e aclamam o novo rei (D. João IV), primeiramente com o apoio do Cardeal Richelieu, francês, e depois recorrendo à velha aliança com aInglaterra, processo este designado como Restauração da Independência (1640).
A Lisboa da pós-Restauração será uma cidade cada vez mais dominada pelas ordens religiosas católicas. Mais de quarenta conventos são fundados na cidade, para além dos trinta já existentes. Religiosos ociosos, cujo sustento é assegurado por esmolas e expropriações, contam-se aos milhares, somando mais de 5% da população da cidade. O clima político torna-se cada vez mais conservador, mais autoritário. Reprimindo a classe mercadora, concentra-se a Inquisição no controlo das mentalidades, vigiando ideias e a criatividade, que suprime em nome da “pureza” da fé. Filhos indignos da herança paterna, que antes se dedicavam ao comércio e às empresas de além-mar, refugiam-se nas ordens religiosas e passam a viver à conta de outrem, na maioria dos casos sem convicção religiosa.Lisboa seria então o grande palco de autos-de-fé movidos pela Igreja contra apóstatas, heréticos, cristãos-novos, judeus em particular, acusados de desvios do cristianismo. [81] Além destes, qualquer cidadão podia ser sacrificado por “pecados” irrisórios denunciados por vinganças mesquinhas. A delação era elevada a virtude. Na maior parte dos casos por falsas razões ou por motivos fúteis, as vítimas eram queimadas vivas em aparatosas fogueiras acendidas em locais como o Rossio e a Praça do Comércio, perante multidões excitadas que à vezes apaziguavam a vergonha com churrascadas e vinho. [82] [83] Tais espectáculos, animados por hábeis carrascos da Coroa, em que participavam representantes das autoridades eclesiástica e secular, duraram até 1821. Eram regularmente honrados com a presença do rei D. João V, que se empenhava em não ficar aquém da vizinha Espanha e de outros países europeus em obras grandiosas, notáveis feitos e grandes medidas como as do Santo Ofício. Tais práticas repressivas, cultivando o medo, suscitando um estigma na alma de um povo, serviriam de modelo a governantes vindouros, que delas souberam tirar bom partido. [84] [85] Foi ele quem ordenou em 1731 a construção do Aqueduto das Águas Livres.Lisboa foi quase na totalidade destruída a 1 de Novembro de 1755 por um terrível terramoto.Foi reconstruída segundo os planos traçados pelo Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo), Ministro da Guerra e Negócios Estrangeiros. Oriundo da baixaNobreza, depressa reagiu perante as ruínas do terramoto logo depois de ter dito ser necessário enterrar os mortos, cuidar dos vivos e reconstruir a cidade. A parte central reconstruida terá o nome de Baixa Pombalina. A quadrícula adoptada nos planos de reconstrução permitiria desenhar as praças do Rossio e Terreiro do Paço, esta com uma belíssima arcada aberta em frente do rio Tejo.Ainda no século XVIII e a instâncias de D. João V, o Papa concederá ao arcebispo da cidade o título honorífico de Patriarca e a nomeação automática como Cardeal (daí o título de "Cardeal Patriarca de Lisboa").Nos primeiros anos do século XIX Portugal foi invadido pelas tropas de Napoleão Bonaparte, obrigando o rei Dom João VI a deslocar-se temporariamente para o Brasil. Lisboa ressentiu-se. Muitos bens foram saqueados pelos invasores. A cidade viveu intensamente as lutas liberais. Teve início uma época de florescimento dos cafés e teatros. Mais tarde, em 1879, foi aberta a Avenida da Liberdade que iniciou a expansão citadina para além da Baixa.
O centro cultural e comercial da cidade passou para o Chiado durante o século XIX (cerca de 1880). Com as velhas ruas da Baixa já ocupadas, os donos de novas lojas e clubes estabeleceram-se na colina anexa, que rapidamente se transformou. Aqui são fundados clubes célebres, como o Grémio Literário, afamado pelas histórias de Eça de Queirós, frequentado por Almeida GarrettRamalho OrtigãoGuerra JunqueiroOliveira Martins e Alexandre Herculano. Surgiram no Chiado lojas de roupas da moda, em particular de Paris, e outros produtos de luxo, grandes armazéns no estilo do Harrods de Londres ou das Galerias Lafayette de Paris, novos cafés de luso-Italianos, como O Tavares e o Café do Chiado.Espectáculo típico de tavernas e pequenos recintos dos bairros populares de Lisboa, o fado [86] [87] , a partir do início do século, «… conhece uma gradual divulgação e consagração popular, através da publicação de periódicos que se consagram ao tema e da consolidação de novos espaços performativos numa vasta rede de recintos …».[88] Ao mesmo tempo, em espaços amplos como a Praça de Touros do Campo Pequeno, a tourada torna-se um dos divertimentos populares preferidos. O teatro popular outeatro de revista, pegando em temas de velhas comédias e dramas eruditos, ocupa novas salas da capital. Outro passatempo, tipicamente português, é a Oratória, praticada por actores que, comentando temas em moda, imitam o Padre António Vieira com uma retórica cheia de floreados, com argumentos superficiais, por vezes cantando, em espetáculos onde se disputa prémios. Matam ainda os alfacinhas os seus ócios em grandes jardins públicos que surgem em Lisboa imitando o Hyde Park de Londres e jardins das cidades alemãs. O primeiro é o Jardim da Estrela.

É então, em 1907, que, alarmadas, as elites impõem a ditadura com João Franco, mas é tarde de mais. Em 1908 a família real sofre um atentado (no Terreiro do Paço) em que morrem El-Rei Dom Carlos de Portugal e o herdeiro do trono, o Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança, numa acção provavelmente executada pelos anarquistas(que neste período atacam figuras públicas em toda a Europa). Em 1909 os operários de Lisboa organizam greves frequentes. Em 1910, em Lisboa, dá-se a revolta que implantaria a república em Portugal. Uma grande quantidade de habitantes da cidade, incitados pelo Partido Republicano Português, formam barricadas nas ruas e são distribuídas armas. Os exércitos ordenados a reprimir a revolução são desmembrados pelas deserções. O resto do país é obrigado a seguir a capital, apesar de continuar profundamente rural, católico e conservador. É proclamada a Primeira República. Em 1912 os monárquicos do norte aproveitam o descontentamento com as leis liberais dos republicanos e tentam um golpe de estado, que falha.Em 1916 Portugal entra, por via da Aliança, na Primeira Guerra Mundial. Em plena crise nacional, mobiliza homens e recursos consideráveis. São muitas as baixas. Perante o desastre do Corpo Expedicionário Português, Sidónio Pais é um dos que se opõem ao Governo do Partido Democrático acabando por liderar novo golpe em dezembro de 1917, protagonizado pela Junta Militar Revolucionária, de que era Presidente. No dia oito é demitido o Governo da União Sagrada chefiado por Afonso Costa e o poder transferido para a Junta. Destituído Bernardino Machado, Afonso Costa assume provisoriamente o cargo de Presidente da República. Emite uma série de decretos ditatoriais que mudam a Constituição e lhe dão poderes acumulados de Presidente e chefe do Governo, fundando uma República Nova que antecipará o Estado Novo. A política torna-se mais tensa. Há fome no país.[carece de fontes]

Sidónio será morto a tiro em dezembro de 1918. O fim da Primeira República tem lugar em 1926, quando a direita conservadora antidemocrática (largamente liderada pelos descendentes da antiga Nobreza do norte do país e pela Igreja Católica) toma por fim o poder, após duas outras tentativas em 1925. Alega pretender acabar com a anarquia, que ela própria tinha criado. Liderado pelo General Gomes da Costa, o novo governo adota uma ideologia fascista, sob a liderança do ditador Salazar.[carece de fontes]


novo regime governaria impunemente o país durante quatro décadas. Essa impunidade seria justificada pelas muitas e generosas ‘’ofertas” de Salazar ao “bom povo português”, alardeadas pelos meios de comunicação e ilustradas em cerimónias solenes frequentadas pelas elites da época. A maior delas foi a Ponte Salazar (hoje Ponte 25 de Abril), inaugurada em 1966 com toda a pompa e circunstância : tornava real um velho sonho, unia o Norte e o Sul através da capital, era a maior do continente.[carece de fontes]


Estado Novo foi derrubado pela Revolução dos Cravos, a 25 de Abril de 1974. Ao golpe militar seguiu-se o período conturbado doPREC, marcado particularmente em Lisboa pela propaganda e acção da esquerda, da mais moderada à mais radical. O Comício da Fonte Luminosa seria evento decisivo para o futuro político do país[89] [90] [91]


A agitação é ao mesmo tempo agravada por grupos de extrema direita que chegam ao ponto de bloquear os acessos à cidade e de levar a cabo acções terroristas no norte do país com o intuito de travar os progressos da revolução. Durante dois anos, em 1974 e 1975, Lisboa foi invadida por jornalistas estrangeiros e esteve nas luzes da ribalta dos principais meios de comunicação internacionais. O repórter Horst Hano da televisão alemã ARD foi um dos mais importantes, dando cobertura particularmente completa aos principais eventos políticos em Portugal e em Espanha entre 1975 e 1979. [92]

Dez anos após a queda do regime fascista, já longe dos dramas do Processo Revolucionário em Curso, é assinado em Lisboa em 1985 o Tratado de Adesão à Comunidade Económica Europeia, no Mosteiro dos Jerónimos pelo então Presidente da República, Mário Soares.[93] Desde então Lisboa e o país têm sido governados, em alternância partidária, por um regime democrático.

Lisboa continua a desenvolver-se ao ritmo das mais importantes capitais europeias, melhorando as suas infraestruturas e construindo novas, remodelando o sistema de transportes urbanos, de segurança e saúde. Em 1994 é Capital Europeia da Cultura. Em 1998 inaugura a sua segunda ponte, na altura a mais longa de toda a Europa e a quarta maior do mundo, a Ponte Vasco da Gama. Nesse mesmo ano organiza a EXPO 98, no Parque das Nações, com o tema Oceanos.

Os limites da cidade, ao contrário do que ocorre em grandes cidades, encontram-se bem delimitados dentro dos limites do perímetro histórico. Isto levou à criação de várias cidades ao redor de Lisboa, como LouresOdivelasAmadora e Oeiras, que são de facto parte do perímetro metropolitano de Lisboa. Mais recentemente, a sul do Tejo, mas pertencentes já ao distrito de Setúbal, AlmadaSeixal e Barreiro são também casa para a expansão urbanística de Lisboa em particular após 1974, beneficiando da proximidade ao centro nevrálgico de Lisboa, embora com uma identidade claramente distinta da existente a norte do Tejo. [95] [96]


Os limites da cidade, ao contrário do que ocorre em grandes cidades, encontram-se bem delimitados dentro dos limites do perímetro histórico. Isto levou à criação de várias cidades ao redor de Lisboa, como LouresOdivelasAmadora e Oeiras, que são de facto parte do perímetro metropolitano de Lisboa. Mais recentemente, a sul do Tejo, mas pertencentes já ao distrito de Setúbal, AlmadaSeixal e Barreiro são também casa para a expansão urbanística de Lisboa em particular após 1974, beneficiando da proximidade ao centro nevrálgico de Lisboa, embora com uma identidade claramente distinta da existente a norte do Tejo. [95] [96]Lisboa tem ganho terreno ao rio com sucessivos aterros, sobretudo a partir do século XIX. Esses aterros permitiram a criação de avenidas, a implantação de linhas de caminho-de-ferro e a construção de instalações portuárias e mesmo de novas urbanizações como o Parque das Nações e equipamentos como o Centro Cultural de Belém.

Lisboa é uma das capitais mais amenas da Europa, com um clima mediterrânico (Csa segundo a classificação climática de Köppen)[97] [98] fortemente influenciado pela Corrente do Golfo. A Primavera é fresca a quente (de 8 °C a 26 °C) com sol e alguns aguaceiros. O Verão é, em geral, quente e seco e temperaturas entre 16 °C a 35 °C. O Outono é ameno e instável, com temperaturas entre 12 °C e 27 °C e o Inverno é tipicamente chuvoso e fresco, também com algum sol). A temperatura mais baixa registada foi de -1,2 °C e a mais elevada foi de 42,0 °C.[99] A temperatura da água do mar varia entre os 15 °C e 16 °C em Fevereiro e entre os 20 °C e 21 °C em Agosto e Setembro, sendo que a média anual é de 17.5 °C. Nas tardes de Verão, o vento tende a soprar moderado (por vezes forte) de noroeste. Pela sua condição geográfica, está entre as capitais europeias com Invernos mais amenos, sendo raras as temperaturas abaixo de zero e bastante esporádica a queda de neve; embora os registos mais recentes datem de 2006 e 2007, podem passar-se muitos anos sem que neve em Lisboa. [carece de fontes]Lisboa é uma cidade repleta de espaços verdes, de variadas dimensões. Foi nesta cidade que surgiu o primeiro jardim botânico português: Jardim Botânico da Ajuda. Alguns dos jardins da cidade estão em processo de recuperação, no intuito da criação de um corredor verde na cidade, enquanto outras áreas, anteriormente concentrando elevados níveis de tráfego e poluição, estão a ser requalificadas, sendo o caso mais recente o da CRIL - 2ª Circular. [101]
Em temos de qualidade do ar, apresenta níveis progressivamente descendentes de poluição atmosférica, embora ainda com partículas NO2 claramente superiores ao limite legal.[102] Estes valores de partículas decorrem da utilização acima da média europeia de tráfego automóvel, por contraponto à utilização de transportes públicos, o que distingue Lisboa de outras capitais europeias. Em anos recentes, têm sido feitas melhorias dentro e fora de Lisboa no planeamento da rede de transportes públicos ferroviária [103] e rodoviária [104] , permitindo uma utilização mais eficiente e eficaz e, por consequência, menos poluição emitida.
Existem em Lisboa mais de uma centena de parquesjardinsquintas e tapadas, entre eles o Parque Eduardo VII, o Parque Florestal de Monsanto, o Jardim Botânico da Ajuda, oJardim Botânico de Lisboa, o Jardim da Estrela, a Tapada da Ajuda, entre muitos outros. O Parque Florestal de Monsanto é o maior e mais importante parque da cidade, chamado o seu "Pulmão Verde",[105] ao ser a única grande floresta em Lisboa (as outras mais próximas são a Tapada de Mafra, a Tapada da Ajuda e a Serra de Sintra). Por sua vez, destacam-se entre os jardins o Parque Eduardo VII, o Jardim Botânico da Ajuda e o Jardim Botânico de Lisboa. O primeiro por ser a maior zona verde no centro antigo de Lisboa, e os outros dois por possuírem uma variadíssima colecção de espécies arborícolas. Possui um aquário: o Aquário Vasco da Gama; e um oceanário: o Oceanário de Lisboa. A cidade também possui diversos jardins, sendo de destacar o Jardim Zoológico de Lisboa, o Jardim da Estrela, o Jardim Botânico da Ajuda e o Campo de Santana. Existem ainda importantes parques urbanos como o Parque Eduardo VII, o Parque da Bela Vista e o Parque José Gomes Ferreira.De maneira sumarizada, Lisboa está dividida em três sectores:[106] Sudoeste (Monsanto-Ajuda-Alcântara), com basaltos do Complexo Vulcânico de Lisboa e calcários do Cenomaniano; Noroeste, com formações doCenozóico (Complexo de Benfica) e Miocénico; Este (Miocénico).Segundo a carta geológica (folha 34-D, escala 1:50 000) de Lisboa, podem ser encontradas diversas formações que a seguir se descrevem:[106]
  • A Formação da Bica[desambiguação necessária] data do Cenomaniano superior e é composta por calcários compactos e calcários apinhoados. Tem uma espessura que no máximo atinge os 50m. Nela podem ser encontrados elementos diversos como fósseis de Neolobites vibrayeanus, nódulos de sílex e biostomas de rudistas.
    • A Formação de Benfica data do Eocénico até ao Oligocénico e é composto por argilas e margas de cor vermelha, e conglomerados com calcários rolados. Nela se encontram os Calcários de Alfornelos.
    • As Camadas de Prazeres datam do Aquitaniano até ao Burdigaliano inferior. São compostas por argilas intercaladas por margas calcárias com fósseis de Venus riberoi e por níveis carbonosos. No topo podem ser encontradas argilas avermelhadas com canais formados por ostreídeos. Atinge uma espessura máxima de 45m.
    • As Areolas de Avenida da Estefânia pertencem ao Burdigaliano. Basalmente são constituídas por areias e grés argilosos. Possuí também areias argilosas micáceas com fósseis de Chlamys pseudopandorae. A cumear estas areolas existem biocalcarenitos.
    • Os Calcários de Entrecampos datam do Burdigaliano. No topo, a formação é coberta por areia de granulosidade fina e por siltitos argilosos, e mais profundamente existem biocalcarenitos finamente arenosos com grande quantidade de moldes de moluscos.
    • As Argilas de Forno do Tijolo são datadas do Burdigaliano. São compostas por areias de carácter argiloso, por siltitos e por grés finos, com muitos fósseis que são intercalados por biocalcarenitos de aparição rara.
    • As Areias de Quinta do Bacalhau pertencem ao Burdigaliano e são constituídas por areias do tipo fluvial e por argilas típicas de planícies de inundação. No topo, possui bancos de ostras intercaladas.
    • O Calcário de Casal Vistoso pertence ao Burdigaliano e é composto por calcários arenosos, com moluscos e algas rodófitas. As areias com Placuna miocenica, como o nome indica, possui fósseis de Placuna miocenica. Data do Burdigaliano. São também compostas por areias do tipo fluvial, por argilas arenosas e por areias compirolusite. Na parte superior podem ser encontradas areias típicas de deltas e de dunas.
    • Os Calcários de Musgueira pertencem ao Langhiano. São constituídos por calcarenitos de tonalidade clara, com muitos fósseis, sobretudo de moluscos e rodófitas. Possuem 5 a 6m de espessura.
    • As Areias de Vale de Chelas são do Langhiano, sendo compostas por areias tipicamente fluviais e feldspáticas. No topo existem areias dunares.
    • Os Calcários de Quinta das Conchas são do Langhiano e são compostos, na base, por biocalcarenitos com ostras. No topo, são constituídos por biocalcarenitos que alternam com argilas siltosas.
    • As Argilas azuis de Xabregas pertencem ao Langhiano. Como o nome indica são de tonalidade azul e são ricas em carapaças de organismos pelágicos. Por vezes neles ocorrem areias finas.
    • Os Grés dos Grilos pertencem ao Langhiano e tem uma espessura que pode atingir 15m. São compostos por arenitos grosseiros de cor amarela. Possuem também alguns fósseis, como a os da espécie Ostrea crassissima.
    • Os Calcários de Marvila datam desde o Serravaliano terminal até ao Tortoniano inferior. São compostos por arenitos calcários e calcários margosos.
    • As Areolas de Braço de Prata podem atingir os 20m de espessura. São compostas por areias e arenitos finos intercalados por camadas de calcário margoso com muitos fósseis. Estas areolas datam de entre o Serravalino terminal e o Tortoniano inferior.
    • Finalmente, as Areolas de Cabo Ruivo são constituídas, na parte superior, por areias, arenitos e argilas, e no topo por biocalcarenitos grosseiros. São do Serravaliano terminal até ao Tortoniano inferior.
    • Segundo o Protocolo CML - MNHN, de 1998, previa-se a classificação de diversas ocorrências de interesse geológico existentes na cidade de Lisboa. Estas ocorrências localizam-se nos seguintes locais: Av. Duarte Pacheco, Rua Fialho de Almeida, Av. Gulbenkian, Rua Sampaio Bruno, Avenida Infante Santo, Rua Amílcar Cabral, Boa Hora - Aliança Operária, Pedreira da Serafina, Travessa das Águas Livres e Rio Seco.[106]





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