São Paulo (pronúncia em português: [sɐ̃w̃ ˈpawlu]
ouça) é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Sudeste e tem por limites os estados de Minas Gerais a norte e nordeste, Paraná a sul, Rio de Janeiro a leste e Mato Grosso do Sul a oeste, além do Oceano Atlântico a sudeste. É dividido em 645 municípios e sua área total é de 248 222,362 km², o que equivale a 2,9% da superfície do Brasil, sendo pouco maior que o Reino Unido. Sua capital é omunicípio de São Paulo e seu atual governador é Geraldo Alckmin.
Com mais de 44 milhões de habitantes,[4] ou cerca de 22% da população brasileira, é o estado mais populoso do Brasil, a terceira unidade política mais populosa da América do Sul e a subdivisão nacional mais populosa do continente americano.[8] A população paulista é uma das mais diversificadas do país e descende principalmente de italianos, que começaram a emigrar para o país no fim do século XIX,[9] de portugueses, que colonizaram o Brasil e instalaram os primeiros assentamentos europeus na região, de povos ameríndios nativos, de povos africanos e de migrantes de outras regiões do país. Outras grandescorrentes imigratórias, como de árabes, alemães, espanhóis, japoneses e chineses, também tiveram presença significativa na composição étnica da população local.
A área que hoje corresponde ao território paulista já era habitada por povos indígenas desde aproximadamente 12000 a.C. No início do século XVI, o litoral da região começou a ser visitado por navegadores portugueses e espanhóis. No entanto, apenas em 1532 o português Martim Afonso de Sousa iria fundar a primeira povoação de origem europeia — a vila de São Vicente, na atual Baixada Santista. No século XVII, os bandeirantes paulistas intensificaram aexploração do interior da colônia, o que acabou por expandir os domínios territoriais dos portugueses na América do Sul. No século XVIII, após a instituição daCapitania de São Paulo, a região começa a ganhar peso político. Após a independência, durante o Império, São Paulo começa a se tornar um grande produtor agrícola (principalmente de café), o que acaba por criar uma rica oligarquia rural regional, que iria se alternar no comando do governo brasileiro com as elitesmineiras durante o início do período republicano. Sob o regime de Vargas, o estado é um dos primeiros a iniciar um processo de industrialização e sua população se torna uma das mais urbanas da federação.
Segundo o IBGE, em pesquisa realizada em setembro de 2015, São Paulo tinha a maior produção industrial do país, com o maior PIB entre todos os estados brasileiros. Em 2011, a economia paulista respondia por cerca de 32,1% do total de riquezas produzidas no país, o que tornou o estado conhecido como a "locomotiva do Brasil".[10] Se fosse um país independente, seu PIB nominal poderia ser classificado entre os 20 maiores do mundo (estimativa de 2010).[11]Além da grande economia, São Paulo possui índices sociais relativamente bons em comparação ao registrados no restante do país, como o segundo maiorÍndice de Desenvolvimento Humano (IDH), o segundo maior PIB per capita, a segunda menor taxa de mortalidade infantil e a quarta menor taxa deanalfabetismo entre as unidades federativas brasileiras.
Índice
[esconder]História[editar | editar código-fonte]
Primeiros povos e colonização portuguesa[editar | editar código-fonte]
A região do atual estado de São Paulo já era habitada por povos indígenas desde aproximadamente 12000 a.C.[12] Por volta do ano 1000, o seu litoral foi invadido por povos tupis procedentes da Amazônia[13]
No início do século XVI, o litoral paulista já tinha sido visitado por navegadores portugueses e espanhóis, mas somente em 1532 se deu a fundação da primeira povoação de origem europeia, São Vicente, na atualBaixada Santista, por Martim Afonso de Sousa. Com a criação da Vila de São Vicente, instalou-se, o primeiro parlamento na América: a Câmara da Vila de São Vicente. Realizaram-se também as primeiras eleições em continente americano. A procura de metais preciosos levou os portugueses a ultrapassarem a Serra do Mar, pelo antigo caminho indígena do Peabiru e, em 1554, no planalto existente após a Serra do Mar, foi fundada a vila de São Paulo de Piratininga pelos jesuítas liderados por Manuel da Nóbrega. Até o fim do século XVI, os portugueses fundaram outras vilas no entorno do planalto, como Santana de Parnaíba, garantindo, assim, a segurança e subsistência da vila de São Paulo.[14]
A fundação de São Vicente no litoral paulista iniciou o processo de colonização do Brasil como política sistemática do governo português, motivada pela presença de estrangeiros que ameaçavam a posse da terra.[15] Evidentemente, antes disso já havia ali um núcleo português que, à semelhança de outros das regiões litorâneas, fora constituído por náufragos e datava, provavelmente, do início do século XVI. Foi, no entanto, durante a estada de Martim Afonso de Sousa que se fundou, em 20 de janeiro de 1532, a vila de São Vicente e com ela se instalou o primeiro marco efetivo da colonização brasileira.[16]
A faixa litorânea, estreita pela presença da Serra do Mar, não apresentava as condições necessárias para o desenvolvimento da grande lavoura. Por sua vez, o planalto deparava com o sério obstáculo do Caminho do Mar, que, ao invés de ligar, isolava a região de Piratininga, negando-lhe o acesso ao oceano e, portanto, a facilidade para o transporte. Em consequência, a capitania ficou relegada a um plano econômico inferior, impedida de cultivar com êxito o principal produto agrícola do Brasil colonial, a cana-de-açúcar, e de concorrer com a principal zona açucareira da época, representada por Pernambuco e Bahia.[17]
Estabeleceu-se, em Piratininga, uma policultura de subsistência, baseada no trabalho forçado do índio. Os inventários dos primeiros paulistas acusavam pequena quantidade de importações e completa ausência de luxo. O isolamento criou no planalto uma sociedade peculiar. Chegar a São Paulo requeria fibra especial na luta contra as dificuldades do acesso à serra, os ataques dos índios, a fome, as doenças, o que levaria a imigração europeia a um rigoroso processo seletivo. Tais condições de vida determinariam a formação de uma sociedade em moldes mais democráticos que os daquela que se estabelecera mais ao norte da colônia.[17]
As bandeiras[editar | editar código-fonte]
Dificuldades econômicas, tino sertanista, localização geográfica (São Paulo era um importante centro de circulação fluvial e terrestre), espírito de aventura, seriam poderosos impulsos na arrancada para o sertão. Desde os primeiros tempos da colonização eram constantes as arremetidas, num bandeirismo defensivo que visava a garantir a expansão paulista do século XVII. Este seria o grande século das bandeiras, aquele em que se iniciaria o bandeirismo ofensivo propriamente dito, cujo propósito era em grande parte o lucro imediato proporcionado pela caça ao índio. Da vila de São Paulo partiram as bandeiras de apresamento chefiadas por Antônio Raposo Tavares, Manuel Preto, André Fernandes, entre outros.[17]
As condições peculiares de vida no planalto permitiram que os paulistas, durante os dois primeiros séculos, desfrutassem de considerável autonomia em setores como defesa, relações com os índios, administração eclesiástica, obras públicas e serviços municipais, controle de preços e mercadorias.[18]
Do bandeirismo de apresamento passou-se ao bandeirismo minerador, quando a atividade de Borba Gato, Bartolomeu Bueno da Silva, Pascoal Moreira Cabral e outros foi recompensada com o encontro dos veios auríferos em Minas Gerais e Mato Grosso. Dura provação foi o efeito do descobrimento do ouro sobre São Paulo e outras vilas do planalto: todos buscavam o enriquecimento imediato representado pelo metal precioso.[19] Assim, o povoamento dos sertões brasileiros fez-se com sacrifício dos habitantes de São Paulo e em detrimento da densidade populacional da capitania. Essa ruptura demográfica, aliada a fatores geográficos já mencionados (a serra do Mar), ocasionou uma queda da produtividade agrícola, bem como o declínio de outras atividades, o que acentuou a pobreza do povo no decorrer do século XVIII. A capitania, que então abrangia toda a região das descobertas auríferas, foi transferida para a coroa e ali instalou-se governo próprio em 1709, separado do governo do Rio de Janeiro e com sede na vila de São Paulo, elevada à categoria de cidade em 1711.[18]
Ciclo do ouro, decadência e restauração da capitania[editar | editar código-fonte]
No final do século XVII, bandeirantes paulistas descobrem ouro na região do Rio das Mortes, nas proximidades da atual São João del-Rei. A descoberta das imensas jazidas de ouro provoca uma corrida em direção às Minas Gerais, como eram chamadas na época os inúmeros depósitos de ouro por exploradores advindos tanto de São Paulo quanto de outras partes da colônia. Como descobridores das minas, os paulistas exigiam exclusividade na exploração do ouro, porém foram vencidos em 1710 com o fim daGuerra dos Emboabas, perdendo o controle das Minas Gerais, que se torna capitania autônoma em 1721. O ouro extraído de Minas Gerais seria escoado via Rio de Janeiro.[20]
O êxodo em direção às Minas Gerais provocou a decadência econômica na capitania, e ao longo do século XVIII esta foi perdendo território e dinamismo econômico até ser simplesmente anexada em 1748 à capitania do Rio de Janeiro. Assim, pouco antes de ser anexada ao Rio de Janeiro, São Paulo perdeu território para a criação da Capitania de Goiás e a Capitania do Mato Grosso. Estas duas capitanias correspondem hoje aos estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Tocantins, Distrito Federal e o Triângulo Mineiro.[21]
Em 1765, pelos esforços do Morgado de Mateus é reinstituída a Capitania de São Paulo e este promove uma política de incentivo à produção de açúcar para garantir o sustento da capitania. A capitania é restaurada entretanto com cerca de um terço de seu território original, compreendendo apenas os atuais estados de São Paulo e Paraná e parte de Santa Catarina. O Morgado de Mateus criou a Vila de Lages e Campo Mourão para a defesa da capitania. Foram criadas várias outras vilas, como Campinas ePiracicaba, fato que não ocorria desde o início do século XVIII em São Paulo, onde logo a cana-de-açúcar desenvolve-se.[21]
A capitania de São Paulo ganha peso político, durante a época da Independência do Brasil, pela figura de José Bonifácio, natural de Santos, e em 7 de setembro de 1822 a Independência é proclamada às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, por Dom Pedro I. Em 1821 a capitania transforma-se em província. Em 1853 é criada a província do Paraná, e São Paulo perde território pela última vez, ficando a partir daquela data com seu território atual, tendo suas divisas atuais fixadas em definitivo apenas na década de 1930.[21]
Ciclo do café e República Velha[editar | editar código-fonte]
Em 1817 é fundada a primeira fazenda de café de São Paulo[carece de fontes], no vale do rio Paraíba do Sul, e, após a Independência do Brasil, o cultivo de café ganha força nas terras da região do Vale do Paraíba, enriquecendo rapidamente cidades como Guaratinguetá, Bananal, Lorena, Pindamonhangaba e Taubaté. O Vale enriquece-se rapidamente, gerando uma oligarquia rural, porém o restante da província continua dependente da cana-de-açúcar[22] e do comércio que vai se estabelecendo na cidade de São Paulo, impulsionado pela fundação de uma Faculdade de Direito em 1827.[23]
Entretanto, a exaustão dos solos do Vale do Paraíba e as crescentes dificuldades impostas ao regime escravocrata levam a uma decadência no cultivo do café a partir de 1860 e o Vale vai se esvaziando economicamente enquanto o cultivo do café migra em direção ao Oeste Paulista, substituindo o cultivo da cana-de-açúcar, resultando em grandes mudanças econômicas e sociais. A proibição do tráfico negreiro em 1850 leva a necessidade de busca de nova forma de mão de obra e a imigração de europeus passa a ser incentivada pelo governo Imperial e provincial.[24] O escoamento dos grãos passa a ser feito via porto de Santos, o que leva a fundação da primeira ferrovia paulista, a São Paulo Railway, inaugurada em 1867, ligando Santos a Jundiaí, passando por São Paulo, que começa a se transformar em importante entreposto comercial entre o litoral e o interior cafeeiro.[24] O café vai adentrando paulatinamente o oeste paulista; em 1870, a penetração da cultura encontra os férteis campos de cultivo de terras roxas do nordeste paulista, onde surgiram as maiores e mais produtivas fazendas de café do mundo. Atrás de novas terras para o café, exploradores adentram o até então desconhecido quadrilátero compreendido entre a Serra de Botucatu e os rios Paraná, Tietê e Paranapanema no final do século XIX e início do século XX.[25] O sul paulista (Vale do Ribeira e região de Itapeva) não atrai o cultivo do café e sofre com litígios de divisa entre São Paulo e Paraná, sendo, portanto posto à margem do desenvolvimento do resto da província, tornando-se, até os dias atuais, a região mais pobre do território paulista.[26]
O enriquecimento provocado pelo café e a constante chegada de imigrantes italianos, portugueses, espanhóis, japoneses e árabes à província, além do desenvolvimento de uma grande rede férrea, trazem prosperidade a São Paulo.[27] Estima-se que dos 4 milhões de imigrantes que o Brasil recebeu entre 1880 e 1930, 70% destes estabeleceram-se na Província de São Paulo.[28] A entrada de milhares de imigrantes foi importante para São Paulo posto que representou o crescimento do mercado consumidor interno de outros bens produzidos pela própria Província, tais como açúcar, aguardente e álcool.[29] Com isto, há um grande crescimento econômico e populacional em São Paulo entre o final do século XIX e começo do século XX trazidos pelo café.[30]
| “ | A política desencadeada pela cafeicultura paulista, estimulando e promovendo intensamente a imigração, em proporções bem superiores às possibilidades de emprego no campo, favoreceu muito o crescimento da população urbana. | ” |
Os censos demográficos de 1872 e de 1900 revelam o real impacto deste crescimento demográfico no Município de São Paulo e na então Província de São Paulo. Em 1872, somente dez localidades urbanas possuíam mais de 30 mil habitantes, sendo São Paulo a única que não se localizava no litoral.[28] Com uma população de 31.385 habitantes, São Paulo era a capital com a nona maior população dentre as 20 capitais de província censeadas (em comparação, o Rio de Janeiro, então chamado deMunicípio Neutro na condição de capital do País, era a maior cidade do Brasil na época, contabilizando 274.972 pessoas);[33] já a Província de São Paulo contava com uma população de 837.354, sendo equivalente à província com a quinta maior população (em comparação, Minas Gerais, a província do Brasil com maior população na época, contabilizava 2.039.735 pessoas).[34] Em 1900, tanto o Município quanto o novo Estado de São Paulo passam a contar com a segunda maior população municipal e estadual do Brasil: a população do Município de São Paulo explode para 239.820, permanecendo o Rio de Janeiro ainda com a maior população no Brasil (811.443 residentes), e o Estado de São Paulo registra 2.282.279 de habitantes, enquanto o Estado de Minas Gerais permanece com a maior população estadual (3.594.471).
Ao se instalar a república, afirmava-se claramente o predomínio econômico do novo estado. Se o Brasil era o café, o café era São Paulo. Essa realidade repercutiu na esfera nacional, daí a homogeneidade de 1894 a 1902, em três quadriênios consecutivos, com os presidentes Prudente de Morais, Campos Sales e Rodrigues Alves. No início do século XX, com o avanço das ferrovias rumo ao Rio Paraná são criados dezenas de municípios ao longo das ferrovias Estrada de Ferro Sorocabana, NOB e Companhia Paulista de Estradas de Ferro, ocupando o Oeste Paulista.[27]
São Paulo ingressou com dois trunfos na era republicana: a riqueza do café e o sistema de mão de obra imigrante, que fora introduzido antes da abolição da escravatura e já se adaptara e integrara no modo de produção da agricultura paulista. Assim equipado, beneficiando-se da fraqueza institucional decorrente da proclamação da república, São Paulo aliou seu poder econômico à força eleitoral de Minas Gerais e instaurou a política do café com leite, que teve por consequência uma mudança no federalismo no Brasil, sendo até hoje visíveis os resultados.[35] Para isso, concorreu também a visão empresarial de seus homens de negócios, cafeicultores principalmente, que, ainda no império, haviam aprendido a usar com presteza e vigor o poder político em defesa de seus interesses econômicos.[35]
Perceberam de imediato a oportunidade da introdução do imigrante estrangeiro e a subsidiaram com recursos da província, uma vez que o governo imperial dispensava maiores atenções ao estabelecimento de núcleos coloniais do que à imigração assalariada. Com a nova situação criada pela instituição do regime republicano, puderam ampliar seus meios de ação. Daí por diante, até a crise de 1929, não perderam de vista a expansão e defesa do produto que sustentava a economia da região.[35] [36]Apesar das dissensões internas e de várias dissidências, o Partido Republicano Paulista (PRP) conseguiu manter grande coesão em face da União, o que lhe permitia levar avante uma política que satisfazia, em geral, aos interesses dominantes e que, inegavelmente, contribuiu para o prestígio de São Paulo dentro da federação.[36]
O presidente de São Paulo de 1916 a 1920, Dr. Altino Arantes Marques enfrentou os 5 G: a Primeira Guerra Mundial, a grande geada de 1918, Greve Geral de 1917, a gripe espanhola e a invasão de gafanhotos no interior de São Paulo.[37] Em 1924, durante a presidência de Carlos de Campos, ocorre em São Paulo, tanto na capital quanto no interior, a Revolução de 1924, que obriga Carlos de Campos a se retirar da capital. Acontecem destruições e depredações e bombardeiro por parte do governo federal. Os rebeldes são derrotados e rumam para o interior do Brasil.[38] Washington Luís chega à presidência da república em 1926, sendo porém deposto em 24 de outubro de1930.[39]
Revolução de 1930 e Revolução de 1932[editar | editar código-fonte]
Em 1° de março de 1930, o presidente de São Paulo, o paulista Júlio Prestes, foi eleito presidente da república, mas não tomou posse, impedido pela Revolução de 1930, a qual também derrubou da presidência da república Washington Luís que fora presidente de São Paulo entre 1920 e 1924.[39] São Paulo então passou a ser governado pelos vencedores da Revolução de 1930 e logo em seguida se revoltou contra essa situação protagonizando a Revolução de 1932. Júlio Prestes e Washington Luís foram exilados. Os jornais apoiadores do PRP foram destruídos.[39] [40]
A década de 1930 em São Paulo caracterizou-se, do ponto de vista econômico, pelos esforços de ajustamento às novas condições criadas pela crise mundial de 1929 e pela derrocada do café. Do ponto de vista político, o período foi marcado pela luta em prol da recuperação da hegemonia paulista na federação, atingida pela Aliança Liberal e afinal aniquilada pela revolução de 1930.[40] Esta submeteu o estado à ação dos interventores federais, que, de início, nem paulistas eram. Surgiram logo as reivindicações a favor de um governo paulista, o que, na versão dos vencedores da Revolução de 1930, era visto como tentativa de a restaurar os grupos hegemônicos paulistas, cujos interesses, tanto econômicos quanto políticos, estavam sendo prejudicados pela nova situação.[40]
Habituadas a conduzir seu próprio destino, as classes dirigentes se insurgiram sob a liderança do Partido Democrático, então presidido pelo professor Francisco Morato, justamente o partido aliado à revolução getulista de 1930.[41] A organização política rompeu, porém, com o governo federal e constituiu, com as classes conservadoras e o velho PRP, a Frente Única Paulista. Esta procurou aliança com outros estados, particularmente com a oposição gaúcha, mas afinal os paulistas rebelaram-se,[41] contando apenas com o apoio de tropas do Estado de Maracaju (atual Mato Grosso do Sul).[42]
Em 9 de julho de 1932, irrompeu a revolução constitucionalista de São Paulo. Governava o estado, como interventor federal, o paulista Pedro Manuel de Toledo, logo proclamado governador. Formaram-se batalhões de voluntários, e aderiram ao movimento algumas unidades do Exército, um forte contingente de Mato Grosso e a quase totalidade da força pública estadual.[41] Foram mobilizados inicialmente cinquenta mil homens, cujo comando coube ao general Bertoldo Klingler, e depois ao coronel Euclides de Oliveira Figueiredo.[42]
A indústria participou da revolução com entusiasmo. Sob a direção de Roberto Cochrane Simonsen, todo o parque industrial paulista foi colocado a serviço da rebelião, dedicado à produção bélica. Organizou-se também o abastecimento interno. A luta durou, porém, apenas três meses e terminou com a derrota dos paulistas e a perda de centenas de vidas.[42] Alguns meses após a capitulação, o governo federal, a fim de pacificar o país, decidiu convocar eleições para a Assembleia Constituinte, respondendo ao objetivo principal dos revolucionários paulistas: a restauração da ordem constitucional. Enquanto isso, São Paulo foi ocupado militarmente de outubro de 1932 a agosto de 1933. Foram exilados o ex-governador Pedro de Toledo, seu secretariado e outros políticos que tomaram parte ativa na revolução.[42]
Industrialização e metropolização[editar | editar código-fonte]
Após a Primeira Guerra Mundial, o cultivo do café no pais começa a enfrentar crises de excesso de oferta e concorrência de outros países. O cultivo começa a ser controlado pelo governo, a fim de evitar crises e fazendas fecham, levando imigrantes em direção a São Paulo, onde se tornam operários.[40] Pressões políticas exigindo o fim do predomínio da elite cafeeira paulista surgem e movimentos artísticos como a Semana de 1922 propagam novas ideias sociais e econômicas. A imigração externa começa a se enfraquecer e grevesanarquistas e comunistas rebentam em São Paulo enquanto impérios industriais como o de Matarazzo são formados.[43]
Em 1930 o café entra em sua derradeira crise com a Grande Depressão, o colapso dos preços externos dos grãos e a Revolução de 1930, que retira os paulistas do poder. Dois anos depois, em 1932, São Paulo combate Getúlio Vargas na Revolução Constitucionalista, em uma tentativa de retomar o poder perdido, porém é derrotado militarmente. A crise do café se amplifica e o êxodo rural em direção à cidade de São Paulo esvazia o interior do estado.[40] No período do Estado Novo com Ademar de Barros como governador do estado ePrestes Maia prefeito da cidade de São Paulo, o estado entra em uma nova fase de desenvolvimento com a construção de grandes rodovias e usinas hidrelétricas.[44]
A Segunda Guerra Mundial interrompe as importações de produtos e a indústria paulista inicia um processo de substituição de importações, passando a produzir no estado os produtos até então importados. O processo intensifica-se no governo de Juscelino Kubitschek, que lança as bases da indústria automotiva no ABC paulista.[22]
Para suprir a mão de obra necessária, o estado passa a receber milhões de nordestinos, que substituem os antigos imigrantes, que agora passam a compor a classe média paulista, como operários.[45] Este rápido aumento populacional promove um processo de metropolização, onde a cidade de São Paulo se aglomera com as cidades vizinhas, formando aRegião Metropolitana de São Paulo.[46]
Nas décadas de 1960 e 1970 o governo estadual promove diversas obras que incentivam a economia do interior do estado, esvaziado desde a crise do café em 1930. A abertura e duplicação da Via Dutra (BR-116) recupera e industrializa o Vale do Paraíba, que se concentra em torno da indústria aeronáutica de São José dos Campos.[47] Para o Oeste, a implantação do Aeroporto Internacional de Viracopos, a criação daUniversidade Estadual de Campinas (Unicamp) a abertura de rodovias como a Rodovia Anhanguera e Bandeirantes e Rodovia Washington Luís o implemento de técnicas modernas de produção, em especial da cana-de-açúcar e de seu subproduto, o álcool combustível, levam novamente o progresso às regiões de Campinas, Sorocaba,Central, Ribeirão Preto e Franca.[48]
Este processo de recuperação econômica do interior intensifica-se a partir da década de 1980, quando inúmeros problemas urbanos, como violência, poluição e ocupação desordenada, afligem a Região Metropolitana de São Paulo.[49] Entre 1980 e 2000 a grande maioria dos investimentos realizados no estado foi feita fora da capital, que passa de uma metrópole industrial para um polo de serviços e finanças. O interior torna-se industrializado e próspero, em especial entre os eixos Campinas - Piracicaba - São Carlos - Ribeirão Preto - Sorocaba - São José dos Campos - Taubaté.[50]
Entretanto, mesmo com o enriquecimento e industrialização do interior, outros estados passam a ter uma taxa de crescimento econômico ainda mais elevada que São Paulo, principalmente as regiões Sul e Centro-Oeste. Atualmente, ainda que o crescimento não seja mais tão alto e haja concorrência de outros estados, São Paulo é o principal polo econômico e industrial da América do Sul, sendo o maior mercado consumidor do Brasil.
Geografia[editar | editar código-fonte]
São Paulo é uma das 27 unidades federativas do Brasil, localizado a sudoeste da região Sudeste. A área do estado é de 248 222,362 km², a maior parte ao norte do Trópico de Capricórnio, sendo a décima segunda unidade da federação em área do Brasil e a segunda do Sudeste, atrás apenas de Minas Gerais.[3] O estado apresenta um relevo relativamente elevado, possuindo 85% de sua superfície entre trezentos e novecentos metros de altitude, 8% abaixo dos trezentos metros e 7% acima dos novecentos metros.[51]
A distância entre os seus pontos extremos norte-sul é de 611 quilômetros, e de 923 quilômetros entre os extremos leste-oeste. O fuso horário do estado segue ohorário de Brasília, que é três horas atrasado em relação ao Meridiano de Greenwich.[52] Limita-se com os estados de Minas Gerais a norte e nordeste, a Paranáa sul, e o Rio de Janeiro a norte e Mato Grosso do Sul a oeste, além do Oceano Atlântico a sudeste, tendo 3 670,8 km de linha divisória.[8] [53]
A maior parte do seu território está situado na Bacia Sedimentar do Paraná, que possui solos basálticos, latossólicos, terras roxas e podzólicos e é formada pela Depressão Periférica, com altitudes entre 600 e 750 metros, e pelo Planalto Ocidental Paulista, a maior unidade geomorfológica de São Paulo, ocupando aproximadamente metade do território estadual, além das cuestas, formadas por rochas vulcânicas de basalto.[52]
A Bacia Sedimentar Cenozoica, no leste paulista, possui colinas e é formada por latossolos. O Cinturão Orogênico do Atlântico abrange o Planalto Atlântico, uma área de transição entre a bacias sedimentares Cenozoica e do Paraná, sendo formado por cambissolos, latossolos neossolos litólicos e solos podzólicos, com altitudes médias entre 700 e 2 000 metros. O litoral é constituído de planícies abaixo dos trezentos metros de altitude, que fazem limite com a Serra do Mar.[52] Situada na Serra da Mantiqueira, aPedra da Mina, com 2 798,39 metros de altitude, é o ponto mais elevado do território paulista e o quinto do país.[54]
Hidrografia[editar | editar código-fonte]
Ver também: Lista de rios de São Paulo
São Paulo possui seu território dividido em 21 bacias hidrográficas,[55] inseridas em três regiões hidrográficas, sendo a maior delas é a do Paraná, que cobre grande parte do território estadual. Destaca-se o Rio Grande, que nasce em Minas Gerais e separa este São Paulo ao norte e, ao se juntar com o Rio Paranaíba, forma o Rio Paraná, que separa São Paulo de Mato Grosso do Sul.[56] Dois importantes rios paulistas afluentes da margem esquerda do Rio Paraná são o Paranapanema, com 930 quilômetros de extensão e um divisor natural entre São Paulo e Paraná na maior parte do seu curso[57] e o Tietê, que possui uma extensão de 1 136 quilômetros e percorre todo o território estadual de sudeste a noroeste, desde sua nascente, em Salesópolis, até sua foz, no município de Itapura.[58] [59]
A região hidrográfica do Atlântico Sudeste compreende, em geral, apenas pequenos rios que descem da Serra do Mar e atravessam a planície litorânea em direção ao oceano. O rio Paraíba do Sul, formado pela junção dos rios Paraitinga e Paraibuna, é o maior e mais importante, com 1 150 quilômetros de extensão, cruzando a região doVale do Paraíba Paulista e penetrando no estado do Rio de Janeiro, onde se situa grande parte de seu curso.[60] [61] Também se destaca a Ribeira do Iguape, o rio mais importante do litoral de São Paulo.[52] Por último, há a região hidrográfica do Atlântico Sul, que está localizada no extremo sul de São Paulo, bem próximo à divisa com o estado do Paraná, sendo formada por rios de pequeno porte que desembocam diretamente no oceano.[62] Outros rios importantes são do estado são Jacaré-Guaçu, Jacaré-Pepira, Moji-Guaçu, Pardo, do Peixe, Piracicaba e Turvo.[8]
Clima[editar | editar código-fonte]
O território paulista abrange sete tipos climáticos distintos, levando-se em conta as temperaturas e as precipitações. Nas áreas serranas do estado, existem os climas subtropical (Cfa na classificação climática de Köppen-Geiger), nas áreas de maior altitude, como as serras da Mantiqueira e do Mar, possuindo verões úmidos, quentes e temperaturas médias inferiores a dezoito graus no mês mais frio do ano; eoceânico (Cfb e Cwb), com chuvas regulares e bem distribuídas durante todo o ano e verões mais amenos.[65]
No litoral, o tipo climático é tropical superúmido, muito semelhante ao clima equatorial predominante na Amazônia (Af), com precipitações superiores a sessenta milímetros mensais em todos os meses do ano, sem a existência de uma estação seca. O clima tropical de altitude(Cwa), predominante no território paulista, mais especificamente no centro do estado, é caracterizado por uma estação chuvosa no verão e outra seca no inverno, com temperatura superior a 22 graus no mês mais quente do ano. Nas demais áreas, há o clima semiúmido (Aw) com precipitação inferior a 60 milímetros em um ou mais meses do ano e mais quente, sendo as temperaturas médias superiores a dezoito graus durante o ano. Há também pequenas áreas características das monções (Am).[65]
A ocorrência de neve é muito rara, mas já foi registrada em Campos do Jordão e também há relatos de que o fenômeno tenha ocorrido em vários pontos do sul do estado, com exceção do Vale do Ribeira.[66] [67] As geadas são comuns, principalmente em áreas mais elevadas, com altitude superior a oitocentos metros.[68]
Meio ambiente[editar | editar código-fonte]
Ver também: Lista de parques estaduais de São Paulo
A maior parte da cobertura vegetal natural do estado de São Paulo é formada pelos biomas Mata Atlântica e cerrado. O primeiro, com sua típica fauna e flora ricas, cobria 81,8% do território paulista na época da colonização portuguesa e foi bastante devastado, principalmente na época da expansão cafeeira para o oeste, no século XX, restando hoje apenas 8,3% dos remanescentes originais, espalhados em vários fragmentos, protegidos por lei estadual. Na Serra do Mar, a Mata Atlântica é classificada como floresta ombrófila densa, passando a ser mesófila (também denominada "mata de planalto") à medida que avança para os planaltos do interior, com espécies que perdem suas folhas durante o inverno, no período da estação seca.[51] [69]
O cerrado, que já cobriu 12% do território paulista, domina principalmente áreas do Centro-Oeste Paulista, sendo um bioma muito ligado ao tipo de solo, variando desde os campos sujos até os cerradões. Hoje cobre apenas 1% da área do estado, sendo que apenas 18% estão protegidas em unidades de conservação. Sua fauna é rica em espécies, principalmente de aves (menos de 10% endêmicas) e mamíferos. A Serra da Mantiqueira é formada por áreas de Mata Atlântica (floresta ombrófila densa ou floresta montana) e porcampos de altitude. Há também, no litoral, pequenas áreas de dunass, com espécies plantas resistentes ao calor e ao grau de salinidade, e manguezais, principalmente na foz dos rios, além das restingas. Em geral, a flora paulista é constituída por espécies tanto de regiões tropicais quanto de regiões subtropicais.[51] [69]
Com o objetivo de preservar e recuperar o meio ambiente, bem como a flora e fauna, foram criadas unidades de conservação (UCs). Em 2008, São Paulo possuía 26 parques estaduais, 22 estações ecológicas, 21 estações experimentais, onze florestais estaduais, oito hortos florestais, quatro parques ecológicos, duas reservas biológicas e uma reserva estadual, totalizando 97 unidades de conservação, que juntos cobriam uma área de 899 664 hectares (ha) (aproximadamente 4% do território estadual) ou 25% da cobertura vegetal paulista.[69]
Demografia[editar | editar código-fonte]
Ver também: Complexo Metropolitano Estendido e Megalópole Rio-São Paulo
Segundo o censo brasileiro de 2010, a população do estado de São Paulo era de 41 262 199 habitantes, sendo a unidade da federação mais populosa do país, concentrando 21,6% da população brasileira[70] e apresentando uma densidade demográfica de 166,25 habitantes por quilômetro quadrado, a terceira maior do país, atrás apenas do Distrito Federal (444,07 hab./km²) e do Rio de Janeiro (365,23 hab/km²).[71] De acordo com este mesmo censo demográfico, 39 585 251 habitantes viviam na zona urbana (95,94%) e 1 676 948 na zona rural (4,06%). Ao mesmo tempo, 20 077 873 pessoas eram do sexo masculino(48,66%) e 21 184 326 do sexo feminino (51,34%), tendo uma razão de sexo de 94,78[72] [73] . Entre 2000 e 2010, São Paulo registrou um crescimento populacional de 11,61%, acima da média da região Sudeste (11,15%), mas abaixo da média brasileira (12,48%).[74]
Dos 645 municípios paulistas, apenas nove possuíam população superior a quinhentos mil habitantes (que concentravam 42,38% da população do estado), 75 possuíam entre 100 001 e 500 000 habitantes (32,33% da população), 49 entre 50 001 e 100 000 (8,25%), 120 entre 20 001 e 50 000 (9,48%), 122 entre 10 001 e 20 000 (4,24%), outros 122 entre 5 001 e 10 000 (2,09%), 137 entre 2 001 e 5 000 (1,16%) e vinte abaixo de 2 000 habitantes (0,08%).[75] Sua capital, São Paulo, com seus 11 253 503 habitantes, concentrava 27,3% da população estadual[76] Para 2015, a estimativa populacional é de 44 396 484 habitantes.[4]
O Índice de Desenvolvimento Humano do estado de São Paulo é considerado médio conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Segundo o último Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, divulgado em 2013, com dados relativos a 2010, o seu valor era de 0,783, estando na segunda colocação a nível nacional e na primeira a nível regional. Considerando-se o índice de longevidade, seu valor é de 0,845, (3º), o valor do índice de de renda é 0,789 (2º) e o de educação é de 0,719 (2º).[77]
A incidência de pobreza, em 2003, era de 26,60% (sendo 14,85% o índice de pobreza subjetiva), e o índice de Gini no mesmo ano era 0,45.[78] O rendimento médio familiar mensal, no período de 2008-2009, era de R$ 3 450,94, e a despesa média familiar mensal era de R$ 3 337,00.[79] O rendimento médio dos vínculos empregatícios do estado estava, em 2008, em R$ 1 663,36.[80]
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Aglomerados urbanos mais populosos de São Paulo Estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para julho de 2014[81] [4] [82] [nota 1] | |||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
São Paulo Campinas | |||||||||||
| Posição | Localidade | Mesorregião | Pop. | S. J. dos Campos Sorocaba | |||||||
| 1 | São Paulo | São Paulo | 20 935 204 | ||||||||
| 2 | Campinas | Campinas | 3 055 996 | ||||||||
| 3 | S. J. dos Campos | Vale do Paraíba | 2 430 392 | ||||||||
| 4 | Sorocaba | Macro Metropolitana Paulista | 1 867 260 | ||||||||
| 5 | Santos | São Paulo | 1 781 620 | ||||||||
| 6 | Ribeirão Preto | Ribeirão Preto | 1 645 996 | ||||||||
| 7 | Piracicaba | Piracicaba | 1 400 113 | ||||||||
| 8 | Jundiaí | Macro Metropolitana Paulista | 761 524 | ||||||||
| 9 | S. J. do Rio Preto | S. J. do Rio Preto | 438 354 | ||||||||
| 10 | Bauru | Bauru | 364 562 | ||||||||
Religiões[editar | editar código-fonte]
De acordo com o censo demográfico de 2010, da população total do estado, existiam 24 781 288 católicos apostólicos romanos (60,06%), 9 937 853 evangélicos(24,08%), 1 356 193 espíritas (3,29%), 444 968 testemunhas de Jeová (1,08%), 153 564 budistas (0,37%), 141 553 umbandistas e candomblecistas (0,34%), 81 810 católicos apostólicos brasileiros (0,20%), 70 856 novos religiosos orientais (0,17%), 65 556 mórmons (0,16%), 51 050, judaístas (0,12%), 31 618 católicos ortodoxos (0,08%), 20 375 espiritualistas (0,05%), 17 827 esotéricos (0,04%), 14 778 islâmicos (0,04%), 4 591 pertencentes a tradições indígenas (0,01%) e 1 822 hinduístas (0,00%). Existiam ainda 3 357 682 pessoas sem religião (8,14%), 214 332 com religião indeterminada ou múltiplo pertencimento (0,52%), 50 153 não souberam (0,12%) e 18 038 não declararam (0,04%).[83]
Segundo a divisão da Igreja Católica no Brasil, São Paulo pertence à Regional Sul I e seu território é dividido em seis províncias eclesiásticas e seis arquidioceses(Aparecida, Botucatu, Campinas, Ribeirão Preto, São Paulo e Sorocaba), mais 35 dioceses.[85]
São Paulo também possui os mais diversos credos protestantes ou reformados. Do total de evangélicos, 6 088 132 pertenciam às evangélicas de origem pentecostal (14,75%), 1 064 243 às evangélicas de missão (2,58%) e 2 785 478 a igrejas evangélicas não determinadas (6,75%). Dentre o total de seguidores das igrejas evangélicas pentecostais, 2 161 035 pertenciam à Assembleia de Deus (5,24%), 1 182 360 à Congregação Cristã do Brasil (2,87%), 444 455 ao Evangelho Quadrangular (1,08%), 437 935 à Universal do Reino de Deus (1,06%), 186 248 à Igreja Deus é Amor (0,45%), 77 913 à Igreja O Brasil para Cristo (0,19%), 58 235 a comunidades evangélicas (0,14%), 21 725 à Casa da Bênção (0,05%), 11 295 à Maranata (0,03%), 4 581 à Nova Vida (0,01%), 7 256 a igrejas pentecostais renovadas não determinadas (0,02%) e 1 495 506 a outras igrejas pentecostais (3,62%). Em relação às evangélicas de missão, 485 601 eram batistas (1,18%), 263 019 adventistas (0,64%), 210 197 presbiterianos(0,51%), 56 421 metodistas (0,14%), 40 255 luteranos (0,1%), 3 861 congregacionais (0,01%) e 4 888 distribuídos em outras igrejas de missão (0,01%). Havia ainda 439 595 pertencentes a outras religiosidades cristãs (1,07%).[83]
Entre as novas religiões orientais, a mais predominante era a Igreja Messiânica, com 41 892 seguidores (0,1%). Dentre os sem religião, 166 121 eram ateus (0,4%), 37 273 eram agnósticos (0,09%) e 3 154 468 não eram ateus nem agnósticos (7,64%). 208 664 possuíam religião indeterminada ou mal definida (0,51%) e 5 694 declararam possuir múltiplas religiões.[83]
Composição étnica e migração[editar | editar código-fonte]
A população indígena em São Paulo à época da chegada dos portugueses, foi estimada em 196000, de acordo com John Hemming [86] .
Conforme pesquisa de autodeclaração do censo de 2010, 26 264 150 paulistas eram brancos (63,65%), 12 122 826 pardos (29,38%), 2 244 326 pretos (5,44%), 570 150amarelos (1,38%), 44 800 indígenas (0,11%) e 15 937 sem declaração (0,04%).[87] Considerando-se a nacionalidade, 41 056 694 eram brasileiros (99,5%) e 205 505 eram estrangeiros (0,50%). Entre os brasileiros, 40 995 417 eram natos (99,35%) e 61 276 naturalizados (0,15%).[88] Em relação à região de nascimento, 34 648 345 no Sudeste (83,97%), 4 628 959 no Nordeste (11,22%), 1 141 476 no Sul (2,77%), 243 815 no Centro-Oeste (0,59%) e 95 124 no Norte (0,23%).[89] 32 763 387 nasceram no próprio estado (79,4%) e 8 498 812 em outras unidades da federação e/ou no exterior (20,6%).[90] Muitas pessoas migram de outros estados brasileiros para São Paulo em busca de trabalho ou melhores condições de vida.[91] O estado com maior presença em território paulista, em 2010, era a Bahia, com 1 702 676 residentes (4,13%), seguido por Minas Gerais, com 1 616 885 (3,92%), e pelo Paraná, com 1 003 286 (2,43%).[89]
A população descende principalmente de imigrantes europeus (sobretudo portugueses, italianos, espanhóis e alemães). Também há grandes comunidades de povos doOriente Médio (libaneses, sírios e armênios) e Ásia Oriental (japoneses, coreanos e chineses), além de descendentes de africanos.[8] A forte imigração no final do século XIX e início do século XX, trouxe ao estado pessoas de todas as partes do mundo. Dos mais de cinco milhões de imigrantes que desembarcaram em território brasileiro, boa parte se fixou em território paulista. Em 2010 106 099 pessoas emigraram do estado de São Paulo para outros países, sendo 42 232 para a Europa (39,8%), 26 565 para a América do Norte (25,04%), 23 741 para a Ásia (22,38%), 5 576 para a Oceania(5,26%) 5 476 para outros países da América do Sul (5,16%) 1 770 para a África (1,67%) e 646 para a América Central (0,61%). Entre os principais países destino estão os Estados Unidos, com 22 327 emigrantes (21,04%), o Japão, com 21 276 (20,05%), e o Reino Unido, com 8 404 (7,92%).[92]
De acordo com um estudo de 2006, a composição genética de São Paulo é a seguinte: 79% de herança europeia, 14% de herança africana e 7% de herança indígena.[93] Um estudo mais recente, de 2013, encontrou 61,9% de contribuição europeia, 25,5% africana e 11,6% ameríndia.[94] Na região de Araraquara, interior do estado, um estudo de 2011 estimou que o conjunto da população local tenha 76% de seus antepassados provenientes da Europa, 18% da África e 6% nativos do continente americano[95] .
Segurança pública e criminalidade[editar | editar código-fonte]
| Homicídios Dolosos por 100 mil habitantes[96] | ||
|---|---|---|
| Ano | N° Total | % |
| 1999 | 12.818 | 35,27 |
| 2000 | 12.638 | 34,18 |
| 2001 | 12.475 | 33,30 |
| 2002 | 11.847 | 31,25 |
| 2003 | 10.954 | 28,57 |
| 2004 | 8.753 | 22,58 |
| 2005 | 7.076 | 17,86 |
| 2006 | 6.057 | 15,45 |
| 2007 | 4.877 | 12,19 |
| 2008 | 4.432 | 10,96 |
| 2009 | 4.564 | 11,18 |
| 2010 | 4.325 | 10,49 |
| 2011 | 4.193 | 10,08 |
| 2012 | 4.836 | 11,53 |
| 2013 | 4.444 | 10,50 |
| 2014 | 4.294 | 10,06 |
São Paulo, assim como os demais estados do Brasil, conta com dois tipos de corporações policiais para realizar a segurança pública em seu território, a Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), a maior polícia do Brasil e a terceira maior da América Latina em efetivo, com 138.000 militares,[97] e a Polícia Civil do Estado de São Paulo, que exerce a função de polícia judiciária e é subordinada ao governo do estado.[98]
De acordo com dados do "Mapa da Violência 2011", publicado pelo Instituto Sangari e pelo Ministério da Justiça, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes doestado de São Paulo é a terceira menor do Brasil. O número de homicídios de São Paulo caiu de 39,7 para 14,9 por 100 mil habitantes no período entre 1998 e 2008. O estado, que ocupava o 5º lugar entre os estados mais violentos do país em 1998, passou a ocupar a 25ª posição em 2008, atrás apenas do Piauí e deSanta Catarina, apresentando uma queda acima de 62% no número de assassinatos durante o período pesquisado.[99] [100]
Em 2010, de acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o estado alcançou a taxa de 10,47 homicídios por 100 mil habitantes, uma redução de 70,3% em relação ao número registrado em 1999, que foi de 35,27 homicídios a cada 100 mil habitantes. A atual taxa de homicídios do estado está próxima do considerado suportável pela Organização Mundial da Saúde, que é de 10 homicídios por 100 mil habitantes. Outros índices de criminalidade também apresentaram queda no período pesquisado, como o estupro, que teve redução de 75%.[101] [102]
De acordo com dados do "Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008", também publicado pelo Instituto Sangari, os dez municípios paulistas com as maiores taxas de homicídios por grupo de 100 mil habitantes são Caraguatatuba (70,4), São Sebastião (60,6), Itapecerica da Serra (56,8), Ibiúna (49), Pedro de Toledo (48,4), Juquitiba (46,9), Diadema (45,8), Itaquaquecetuba (45,1), Francisco Morato (45,1) e Embu-Guaçu (43,3).[103] No "Mapa da Violência 2011", o único município paulista que aparece na lista das 100 cidades mais violentas do Brasil é Caraguatatuba, que ocupou a 91ª posição com uma taxa de homicídios de 58,1 por 100 mil habitantes.[99]
Governo e política[editar | editar código-fonte]
Ver também: Lista de governadores de São Paulo
O estado de São Paulo, assim como em uma república, é governado por três poderes, o executivo, representado pelo governador, o legislativo, representado pelaAssembleia Legislativa do Estado de São Paulo, e o judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e outros tribunais e juízes. Além dos três poderes, o estado também permite a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos.[105]
A atual constituição do estado de São Paulo foi promulgada em 1989, acrescida das alterações resultantes de posteriores Emendas Constitucionais.[106]
O poder executivo paulista está centralizado no governador do estado, que é eleito em sufrágio universal e voto direto e secreto pela população para mandatos de até quatro anos de duração, podendo ser reeleito para mais um mandato.[106] Sua sede é o Palácio dos Bandeirantes, que desde 19 de abril de 1964 é sede do governo paulista e residência oficial do governador.[104] [107] Desde o começo do período republicano, assumiu pela primeira vez o governo do estado a junta governativa paulista de 1889, que esteve no poder entre 16 de novembro e 14 de dezembro de 1889. Depois, Prudente de Morais, que era membro da junta, assumiu o cargo após ser nomeado para a função. Foi apenas no ano de 1891 onde ocorreu a posse do primeiro governador eleito pelo Congresso Constituinte, Américo Brasiliense de Almeida Melo.[108] Nos últimos anos, o cargo de governador tem sido exercido por Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho, paulista natural de Pindamonhangaba.[109] [110] Ele foi eleito no primeiro turno daseleições 2010,[111] com 50,63% dos votos válidos, equivalente a 11 519 934 votos, derrotando os candidatos Aloizio Mercadante (8 016 866 votos, 35,23%) e Celso Russomanno (1 233 897 votos, 5,42%), sucedendo Alberto Goldman, que assumiu o cargo em 2 de abril de 2010, após a renúncia do governador José Serra para se candidatar à presidência da república.[112] Em 2014, Geraldo Alckmin foi reeleito no primeiro turno, com 57,32% dos votos válidos (12.065.402 votos). Além do governador, há ainda no estado a função de vice-governador, que substitui o governador caso este renuncie sua posição, seja afastado do poder ou precise afastar-se do cargo temporariamente. Atualmente, o cargo é exercido por Marcio França.[113]
O poder legislativo de São Paulo é unicameral, constituído pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, localizada no Palácio 9 de Julho. Ela é constituída por 94 deputados, que são eleitos a cada quatro anos. No Congresso Nacional, a representação paulista é de três senadores e setenta deputados federais.[114]
O poder judiciário tem a função de julgar, conforme leis criadas pelo legislativo e regras constitucionais brasileiras, sendo composto pordesembargadores, juízes e ministros.[115] Atualmente, a maior corte do Poder Judiciário paulista é o Tribunal de Justiça de São Paulo, localizada no Palácio da Justiça, nocentro de São Paulo.[116]
Com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral divulgou um balanço, em 4 de outubro de 2007, listando os estados com o maior número de parlamentares cassados por corrupção desde o ano 2000. São Paulo ocupa a terceira posição na lista, com 55 parlamentares cassados, atrás somente de Minas Gerais (71 cassações) e do Rio Grande do Norte (60 cassações).[117] Ainda de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o estado possuía, em novembro de 2013, 31 518 809 eleitores, o que representa 22,2% dos eleitores do país, sendo o maior colégio eleitoral do Brasil.[118]
Símbolos estaduais[editar | editar código-fonte]
Assim como nas outras unidades de federação, os símbolos do estado de São Paulo são a bandeira, o brasão e o hino.[106]
A atual bandeira do estado de São Paulo foi proposta pelo escritor Júlio Ribeiro, em 1888, e aprovada mais de cinquenta anos depois. Ela é composta por treze faixas, sendo sete delas pretas e seis brancas, além de um retângulo vermelho, com quatro estrelas amarelas em volta de um círculo branco onde há um desenho do mapa do Brasil na cor azul escura. Seu desenho simboliza a gênese dos brasileiros, representando também as três raças que formam o povo brasileiro: vermelha, branca e preta. As estrelas que contornam o círculo branco representam o cruzeiro do sul. Oficialmente, a bandeira atual só chegou a ser adotada em 27 de novembro de 1946, quando os estados e município ganharam novamente o direito de criar e utilizar símbolos, por meio da Decreto-lei 16.349 da Constituição Federal.[119]
Já o brasão, que não está retratado na bandeira, foi instituído e assinado pelo governador Pedro Manuel de Toledo em agosto de 1932. É composta por um escudo português vermelho e uma espada com o punho voltado para baixo sobre o cruzamento de um ramo de louro, à direita e um ramo de carvalho, à esquerda. A lâmina separa as letras "SP", tudo em prata. Seus suportes são dois ramos de cafeeiro frutificados, de sua cor, cujas hastes se cruzam abaixo, além de uma faixa com uma inscrição latina "PRO BRASILIA FIANT EXIMIA" (que significa "Pelo Brasil façam-se grandes coisas") gravado em prata sobre faixa de esmalte.[120]
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