sexta-feira, 26 de agosto de 2016

LÍNGUA LEONESA

leonês (Llionés)[1][2] (denominado nas falas tradicionais como cabreirés[3]senabréspaḷḷuezu[4][5]) é o termo usado para fazer referência ao conjunto de falasromânicas vernáculas no bloco ocidental do domínio linguístico ásture-leonês (que abarca também os dialetos do ocidente asturiano e a língua mirandesa, própria deMiranda do Douro) no norte e oeste da região histórica de Leão (atualmente províncias de LeãoSamora [6][7][8] e Salamanca - embora nesta última não existam, atualmente, quaisquer falantes de leonês) e em algumas áreas adjacentes em território português. O leonês difere dos dialetos agrupados sob o asturiano [9], embora não haja uma divisão clara em termos puramente linguísticos. Estima-se que os falantes de leonês rondem atualmente 20,000 a 50,000 indivíduos[10][11]. As partes mais ocidentais das províncias de Leão e Samora pertencem ao território do diassistema galego-português, embora exista continuidade entre os dialetos dos dois domínios linguísticos.
Os dialetos leonês e asturiano são desde há muito reconhecidos como constituintes de um único diassistema linguístico, chamado atualmente de ásture-leonês pela maior parte dos estudiosos mas denominada anteriormente como leonês. Durante a maior parte do século XX, linguistas como Ramón Menéndez Pidal (no seu estudo "Sobre el dialecto leonés[12]) referiam-se ao leonês como uma língua ou dialeto histórico descendente do latim, abrangendo dois grupos: por um lado, os dialetosasturianos e, por outro, certos dialetos falados nas províncias de Leão e Samora em Espanha, juntamente com um dialeto relacionado, em Trás-os-Montes [9][13][14].
O leonês carece de normas ortográficas reguladas oficialmente. Várias associações propuseram uma norma própria para o dialeto, diferenciada das já existentes no domínio linguístico ásture-leonês (como o asturiano, regulado pela Academia de la Llingua Asturiana, ou o Anstituto de la Lhéngua Mirandesa, que regula o mirandês), enquanto que outras associações e escritores propõem seguir as normas ortográficas da Academia de la Llingua Asturiana.
Topónimos e outro vocabulário relacionado com a linguagem ásture-leonesa mostram que os seus traços linguísticos possuíram uma maior extensão geográfica no passado, incluindo partes das províncias de LeãoSamora e SalamancaCantábriaEstremadura e até a província de Huelva, em grande parte devido à expansão doReino de Leão no território peninsular. Derivado do latim, foi sendo implantado como a língua usada tanto a nível público como a nível privado nos territórios do Reino de Leão até que foi sendo progressivamente substituída pelo espanhol [15], ficando praticamente reduzida ao uso oral após a união dos reinos de Leão e de Castela, onde alíngua castelhana adquiriu um papel predominante.
Após vários séculos relegada a um segundo plano, no século XIX iniciou-se a sua recuperação, consolidada ao longo do século XX com autores como Eva González Fernández e especialmente nos primeiros anos do século XXI com uma nova geração de escritores aos que se juntam diversos estudos sociolinguísticos, em simultâneo com várias associações culturais e instituições (sendo reconhecida no Estatuto de Autonomia de Castela e Leão) que promovem o seu uso e difusão[16].
UNESCO catalogou o diassistema ásture-leonês como estando em perigo de extinção e recomenda a sua preservação [17].

Território e falantes[editar | editar código-fonte]

Por ser uma língua falada por um grupo restrito, o Leonês é falado apenas no norte e oeste da província de Leão e entre gente da Serra de La Cabreira; já se encontra perto de ser extinto em Zamora. Em face disso, o Conselho Leonês, de Zamora, de Coyaza, de Mansiella de las Mulas ou La Bañeza fazem campanhas, em favor da sua não-extinção, ensinando o Leonês para a população mais jovem e, também, lutam na tentativa de conseguir aceitação desta linguagem entre a população urbana.
Essas campanhas têm obtido resultados satisfatórios. Houve um aumento do número de jovens que tem do Leonês se utilizado, ao menos na escrita.
A comunidade que vive em território Leonês e vários partidos políticos têm lutado para criar uma comunidade autônoma leonesa, à margem da comunidade de Castela e Leão, que obteve autonomia em 1983.

A língua leonesa e outras línguas romances[editar | editar código-fonte]

LeonêsPortuguêsGalegoFrancêsItalianoVênetoCastelhanoCatalãoLatim
facerefazerfacerfairefarefarehacerferfacere
fiyufilhofillofilsfigliofiolohijofillfilius
famefomefamefaimfamefamehambrefamfames
gochuporcoporco,
cocho
cochon
porc
maialeporselocerdo,
puerco
porcsus
vieyuvelhovellovieuxvecchiovecioviejovellvetus
choverechoverchoverpleuvoirpioverepiòvarelloverplourepluere

Referências

  1. Ir para cima A língua leonesa é conhecida como:
  2. Ir para cima La Crónica de León (2009). «Encuentro de literatura asturleonesa» (em español). Consultado em 17 de noviembre.
  3. Ir para cima Diario de León (2010). «Viaje a donde sí se habla leonés (I)» (em espanhol). Consultado em 16 de febrero.
  4. Ir para cima Diario de León (2010). «La tierra del tseite, el tsinu y la tsana» (em ásture-leonês). Consultado em 22 de marzo.
  5. Ir para cima Roberto González-Quevedo (2010). «El l.lobu» (em ásture-leonês). Consultado em 8 de marzo.
  6. Ir para cima Este domínio linguístico abarca as AstúriasLeãoSamora e Miranda do Douro. Atualmente restam rasgos linguísticos na toponímia e vocabulário Cântabro e nas províncias SalamancaEstremadura e Huelva, em grande parte devido à expansão do Reino de Leão no território peninsular.
  7. Ir para cima Seco Orosa, Ana. (2001). "Determinación de la frontera lingüística entre el gallego y el leonés en las provincias de León y Zamora" (18). ISSN 0212-999X, p. 73-102.
  8. Ir para cima Bautista, Alberto. (2006). "Linguas en contacto na bisbarra do Bierzo" (6). ISSN 1616-413X, p. 15-22.
  9. ↑ Ir para:a b Krüger, Fritz (2006): Estudio fonético-histórico de los dialectos españoles occidentales. Zamora: CSIC/Diputación de Zamora. p. 13
  10. Ir para cima González Riaño, Xosé Antón; García Arias, Xosé Lluis. (2008). "Estudiu Sociollingüísticu De Lleón: Identidá, conciencia d'usu y actitúes llingüístiques de la población lleonesa.". Academia de la Llingua AsturianaISBN 978-84-8168-448-3, p. 15-22.
  11. Ir para cima García Gil, Héctor (2008). Asturian-Leonese: linguistic, sociolinguistic, and legal aspects. Working Papers. Mercator Legislation, Dret i legislació lingüístics. (Barcelona: CIEMEN). p. 25. ISBN ISBN 978-84-8168-394-3. Verifique|isbn= (Ajuda).
  12. Ir para cima García Gil 2009, p. 10.
  13. Ir para cima Marcos, Ángel/Serra, Pedro (1999): Historia de la literatura portuguesa. Salamanca: Luso-Española. p. 9
  14. Ir para cima Menéndez Pidal, Ramón (1906): El dialecto leonés
  15. Ir para cima José Ramón Morala (2009). «Norma y usos gráficos en la documentación leonesa. En Aemilianese I, S. 405-429 (2004)» (PDF) (em español). pp. 509 y 427. Consultado em 17 de noviembre.
  16. Ir para cima Junta de Castilla y León (2009). «Estatuto de Autonomía de Castilla y León, Art. 5/2» (em español). Consultado em 20 de noviembre.
  17. Ir para cima UNESCO (2009). «Atlas Interactivo UNESCO de las Lenguas en Peligro en el Mundo» (em español). Consultado em 26 de noviembre.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Menéndez Pidal, R.: "El dialecto Leonés". Revista de Archivos, Bibliotecas y Museos, 14. 1906.
  • García Gil, Hector (2010). «El asturiano-leonés: aspectos lingüísticos, sociolingüísticos y legislación». Working Papers Collection. Mercator Legislation, Dret i legislació lingüístics. (25). ISSN 2013-102X.
  • Academia de la Lengua Asturiana«Normes ortográfiques». 2005. ISBN 978-84-8168-394-3.
  • García Arias, Xosé Lluis (2003). Gramática histórica de la lengua asturiana: Fonética, fonología e introducción a la morfosintaxis histórica. Academia de la Llingua Asturiana. ISBN 978-84-8168-341-7.
  • González Riaño, Xosé Antón; García Arias, Xosé Lluis (2008). II Estudiu sociollingüísticu de Lleón (Identidá, conciencia d'usu y actitúes llingüístiques de la población lleonesa). Academia de la Llingua Asturiana.ISBN 978-84-8168-448-3.
  • Galmés de Fuentes, Álvaro; Catalán, Diego (1960). Trabajos sobre el dominio románico leonés. Editorial Gredos. ISBN 978-84-249-3436-1.
  • Linguasphere Register. 1999/2000 Edition. pp. 392. 1999.
  • López-Morales, H.: “Elementos leoneses en la lengua del teatro pastoril de los siglos XV y XVI”. Actas del II Congreso Internacional de Hispanistas. Instituto Español de la Universidad de Nimega. Holanda. 1967.
  • Staff, E.: "Étude sur l'ancien dialecte léonnais d'après les chartes du XIIIÈ siècle", Uppsala. 1907.
  • Gessner, Emil. «Das Altleonesische: Ein Beitrag zur Kenntnis des Altspanischen».
  • Hanssen, Friedrich Ludwig Christian (1896). Estudios sobre la conjugación Leonesa. Impr. Cervantes.
  • Hanssen, Friedrich Ludwig Christian (1910). «Los infinitivos leoneses del Poema de Alexandre». Bulletin Hispanique (12).
  • Krüger, Fritz. El dialecto de San Ciprián de Sanabria. Anejo IV de la RFE. Madrid.
  • Morala Rodríguez, Jose Ramón; González-Quevedo, Roberto; Herreras, José Carlos; Borrego, Julio; Egido, María Cristina (2009). El Leonés en el Siglo XXI (Un Romance Milenario ante el Reto de su Normalización). Instituto De La Lengua Castellano Y Leones. ISBN 978-84-936383-8-2.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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