(5)
Observa-se que para , o rendimento é 100% e que o rendimento fica maior que 100% abaixo de 0 K. Como uma eficiência maior que 100% é contrária à primeira lei da termodinâmica, 0 K é então a menor temperatura possível, ou o zero absoluto. De fato, a menor temperatura já alcançada é de  como relatado em 1985 pelo National Institute of Standards and Technology (NIST). Subtraindo o lado direito da equação 5 da parte média e reorganizando, obtém-se:
onde o sinal negativo indica o calor retirado do sistema. Esta relação sugere a existência de uma função de estado, definida como :
 (6)
onde o índice indica um processo reversível. A variação da função num ciclo qualquer é zero, como é necessário para qualquer função de estado. Esta função é a entropia do sistema como descrito acima. Podemos reordenar a equação 6 para obter a definição da temperatura em termos de entropia e de calor:
 (7)
Para um sistema onde a entropia pode ser formulada como uma função  da energia interna  a temperatura é dada por :
 (8)
A temperatura é portanto a taxa de variação da energia interna com respeito à entropia quando as demais variáveis, a saber o volume, são mantidas constantes (o que implica  mediante a primeira lei da termodinâmica uma vez que a variação de volume e em consequência o trabalho são nulos, e na expressão anterior por conseguinte).

Com base na física estatística[editar | editar código-fonte]

As definições modernas da temperatura mostram-se todas de alguma forma relacionadas à física estatística, e nesta a temperatura é definido em termos da energia cinética média por graus de liberdade de cada partícula integrante do sistema. A temperatura é associada ao movimento das partículas em uma determinada substância, aumentando se a energia de movimento, ou agitação, das partículas aumentarem, e vice versa. Neste contexto o termo movimento das partículas não implica restrição ao movimento de translação das mesmas (no movimento associado à trajetória retilínea ou balística), mas também envolve as energias cinéticas internas de uma determinada partícula, a saber as associadas à vibração e rotação, conforme antes abordado.
Moléculas têm mais graus de liberdade do que átomos individuais visto que podem vibrar e rotacionar, além de transladar. Em equilíbrio, entretanto, tem-se sempre a mesma energia média associada a cada grau de liberdade da partícula, sendo a temperatura diretamente associada a esta energia média. A temperatura é, em essência, uma medida de energia cinética média por grau de liberdade e por partícula, portanto, podendo perfeitamente ser medida em joules.

Ver também[editar | editar código-fonte]


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Referências

  1. Ir para cima Herch Moysés Nussenzveig (1996). Curso de Física Básica. Fluidos, Oscilações e Ondas, Calor 2 3ª ed. Edgard Blücher [S.l.] ISBN 85-212-0045-5.
  2. Ir para cima UFSC - Disciplina FSC5137 - Ondas e Calor - Pág. 6
  3. Ir para cima Sobre o zero absoluto
  4. Ir para cima Fox, Maggie (15/02/2010). «Cientistas desenvolvem maior temperatura da história nos EUA»O Globo. Consultado em 16/02/2010.
  5. Ir para cima «Teste obtém a maior temperatura da história»Estadao.com.br. 16/02/2010. Consultado em 16/02/2010.
  6. Ir para cima Kittel and Kroemer, pp. 462 (em inglês)
  7. Ir para cima Comparam-se aqui gases com partículas que possuam igual número de graus de liberdade
  8. ↑ Ir para:a b Vu-Quoc, L., Configuration integral (statistical mechanics), 2008 (em inglês)
  9. Ir para cima Fixsen, D. J.. (2009-12-20). "The Temperature of the Cosmic Microwave Background(em en)The Astrophysical Journal 707 (2): 916. DOI:10.1088/0004-637X/707/2/916ISSN0004-637X.
  10. Ir para cima Kolb, Edward; TURNER, Michael (1994). The Early Universe (em inglês) (Reading: Addison-Wesley). p. 14-16. ISBN 0-201-62674-8.

Notas

  1. Ir para cima Partículas puntuais ou monoatômicas têm três graus de liberdade, correspondendo à liberdade de movimento nas três direções espaciais . Se as partículas forem moléculas diatômicas rígidas há 5 graus de liberdade, três associados às translações citada e dois associados aos dois eixos perpendiculares de rotação da molécula (o giro sobre o eixo é desprezível). Se os átomos puderem ainda oscilar longitudinalmente há mais um grau cinético, em um total de seis graus de liberdade cinéticos (sete se for incluída a parcela que corresponde à energia potencial elástica). O raciocínio se estende para moléculas triatômicas e para moléculas mais complexas, onde o número de graus de liberdade pode ser consideravelmente maior, principalmente quando incluem-se os modos normais de vibração.
  2. Ir para cima Na primeira definição tem-se a média da energia cinética de um dado grau de liberdade de uma partícula específica ao longo de um tempo suficientemente longo, e também que esta média será a mesma para qualquer grau de liberdade de qualquer partícula considerada (princípio da equipartição da energia). Já na segunda definição tem-se que a temperatura também mensura a energia cinética média por grau de liberdade de cada partícula do sistema como a razão, determinada em um dado instante de tempo em particular, entre a energia cinética total associada às partículas do sistema (a energia térmica) e o número total de graus de liberdade cinéticos associados às mesmas partículas, bem como a igualdade dos resultados quaisquer que sejam os instantes de tempo escolhidos. A igualdade destas definições, e do valores obtidos qualquer que seja a partícula similar escolhida na primeira definição ou o instante de tempo escolhido na segunda, só é possível em virtude do sistema encontrar-se em equilíbrio térmico, sendo este um requisito indispensável às definições de temperatura conforme apresentadas.
  3. Ir para cima energia térmica de um sistema pode alterar-se em função da variação da energia interna deste sistema, que ocorre ou por calor ou pela execução de trabalho (ver primeira lei da termodinâmica), ou ainda pela simples conversão de energia térmica em energia potencial interna ao sistema sem que haja, entretanto, alteração na energia interna do sistema.
  4. Ir para cima O zero kelvin implica que todos os átomos e moléculas estão no estado fundamental, e não necessariamente com energia cinética nula. Entretanto a energia cinética no estado fundamental é extremamente baixa em comparação com os valores a temperaturas pouco acima do zero absoluto e pode para quase todos os casos ser completamente negligenciada.
  5. Ir para cima A definição da escala Célsius guarda íntima conexão com os pontos de fusão e ebulição da água sob pressão de 1 atm., encontrando-se o primeiro a 0 °C e o último a 100 °C, conforme tal definição. Tais pontos são em verdade os que definem a escala Celsius. As correlações com a escala kelvin são, entretanto, inevitáveis.
  6. Ir para cima Os subindices na expressão do calor  derivam das palavras inglesas Hot (quente) e cold (frio). Repare que  na análise subsequente referem-se respectivamente aos MÓDULOS dos calores envolvidos, e não aos valores dos calores em si, que a rigor, obedecem a convenção de sinais adotas ao abordar-se a primeira lei.
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