A apresentação do complexo de Édipo dada acima é, no entanto, simplificada. Na realidade o resultado da resolução do complexo de Édipo é sempre uma identificação como ambos os pais e a força de cada uma dessas identificações depende de diferentes fatores, como a relação entre os elementos masculinos e femininos na predisposição fisiológica da criança ou a intensidade do medo de castração ou da inveja do pênis. Além disso, a mãe mantém em ambos os sexos um papel primordial, permanecendo sempre o principal objeto da libido[5].

O período de latência[editar | editar código-fonte]

Depois da agitação dos primeiros anos de vida segue-se uma fase mais tranquila que se estende até a puberdade. Nessa fase a libido é desinvestida das fantasias e da sexualidade, tornando-as secundárias, mas reinvestida em outros meios como o desenvolvimento cognitivo, aprendizado, a assimilação de valores e normas sociais que se tornam as atividades principais da criança, continuando o desenvolvimento do ego e do superego[5].

A fase genital[editar | editar código-fonte]

A última fase do desenvolvimento psicossocial é a fase genital, que se dá durante a adolescência. Nessa fase as pulsões sexuais, depois da longa fase de latência e acompanhando as mudanças corporais, despertam-se novamente, mas desta vez se dirigem a uma pessoa do sexo oposto. Como se depreende da explanação anterior, a escolha do parceiro não se dá independente dos processos de desenvolvimento anteriores, mas é influenciada pela vivência nas fases anteriores. Além disso, apesar de continuarem agindo durante toda a vida do indivíduo, os conflitos internos típicos das fases anteriores atingem na fase genital uma relativa estabilidade conduzindo a pessoa a uma estrutura do ego que lhe permite enfrentar os desafios da idade adulta[5].

A teoria psicanalítica dos transtornos mentais[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Transtorno mental

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A melhor maneira de definir “distúrbio” é caracterizá-lo como deficiência psicológica com repercussão na área emocional e interpessoal. Este termo caracteriza uma faixa que vai desde formas neuróticas leves até a loucura, na plenitude do seu termo. "Normal" seria aquela personalidade com capacidade de viver eficientemente, manter um relacionamento duradouro e emocionalmente satisfatório com outras pessoas, trabalhar produtivamente, repousar e divertir-se, ser capaz de mensurar, julgar e lidar com base realista suas qualidades e imperfeições, aceitando-as como são. A falha de uma, outra ou o conjunto dessas características pode indicar a presença de uma deficiência psicológica ou “distúrbio” mental.
Classificam-se os distúrbios mentais em 3 grandes tipos básicos:

Primeiro tipo: neuroses[editar | editar código-fonte]

É a existência de tensão excessiva e prolongada, de conflito persistente ou de uma necessidade prolongadamente frustrada, é sinal de que na pessoa se configurou uma neurose. A neurose determina uma modificação, mas não uma desestruturação da personalidade e muito menos de perda de valores da realidade. Costuma-se catalogar os sintomas neuróticos em certas categorias, como:
a) de Ansiedade (de angústia) - a pessoa é tomada por sentimentos generalizados e persistente de intensa angústia sem causa objetiva. Alguns sintomas são: palpitações do coração, tremores, falta de ar, suor, náuseas. Há uma exagerada e ansiosa preocupação por si mesmo.
b) Fobias - uma área da personalidade passa a operar por respostas de medo e ansiedade. Na angústia o medo é difuso e quando vem à tona é sinal de que já existia, há longo tempo. Se apresenta envolta em muita tensão, preocupação, excitação e desorganização do comportamento. Na reação fóbica, o medo se restringe a uma classe limitada de estímulos e representações objetais. Geralmente verifica-se a associação do medo a certos objetos, animais ou situações.
c) Obsessiva-compulsiva: a obsessão é um termo que se refere a ideias que se impõem repetidamente à consciência. São por isto dificilmente controláveis. A compulsão refere-se a impulsos que levam à ação. Está intimamente ligada a uma desordem psicológica chamada transtorno obsessivo-compulsivo.

Segundo tipo: psicoses[editar | editar código-fonte]

O psicótico pode encontrar-se ora em estado de depressão, ora em estado de extrema euforia e agitação. Em dado momento age de um modo e em outro se comporta de maneira totalmente diferente. Houve uma desestruturação da sua personalidade. O dado clínico para se aferir à psicose é a alteração dos juízos da realidade. O psicótico passa a perceber a realidade de maneira diferente, mas não menos real em sua percepção. Por isso afirma com convicção que tem percepções que nos parecem irreais não apoiadas nem justificadas na lógica e na razão. Nas psicoses, além da alteração do comportamento, são comuns alucinações (alterações dos órgãos dos sentidos: ouvir vozes, ver coisas, sentir cheiros ou toques) e delírios (alterações do pensamento sob forma de conspirações, perseguição, grandeza, riqueza, onipotência ou de predestinação). As Psicoses se manifestam como:
a) Esquizofrenia - apatia emocional, carência de ambições, desorganização geral da personalidade, perda de interesse pela vida nas realizações pessoais e sociais. pensamento desorganizado, afeto superficial e inapropriado,riso insólito, bobice, infantilidade, hipocondria, delírios e alucinações transitórias. (Consultar DSM-V ou CID 10 para mais subtipos)
b) Maníaca-depressiva – caracteriza-se por perturbações psíquicas duradouras e intensas, decorrentes de uma perda ou de situações externas traumáticas. O estado maníaco pode ser leve ou agudo. É caracterizado por comportamento exacerbado, hipersexualidade. Os maníacos são cheios de energia, inquietos, barulhentos, falam alto e têm ideias bizarras, uma após outra. O estado depressivo, ao contrário, caracteriza-se por inatividade e desalento. Seus sintomas são: apatia, pesar, tristeza, desânimo, crises de choro, perda de interesse (embotamento afetivo) pelo trabalho, por amigos e família, bem como por suas distrações habituais. Torna-se lento na fala, não dorme bem à noite, perde o apetite, pode ficar um tanto irritado e muito preocupado.
c) Paranoia – caracteriza-se sobretudo por ilusões fixas. É um sistema delirante. As ilusões de perseguição e de grandeza são mais duradouras do que na esquizofrenia paranoide. Os ressentimentos são profundos. É desconfiado, agressivo, egocêntrico e destruidor. Acredita que os fins justificam os meios e é incapaz de solicitar carinho.
d) Psicose alcoólica – é habitualmente marcada por violenta intranquilidade, acompanhada de alucinações de uma natureza aterradora.

Terceiro tipo: psicopatias[editar | editar código-fonte]

Os psicopatas não estruturam determinadas dimensões da personalidade, verificando-se uma espécie de falha na própria construção. As principais características das psicopatias são: diminuição ou ausência da consciência moral (Super eu). O certo e o errado; o permitido e o proibido não fazem sentido para eles. Desta maneira, simular, dissimular, enganar, roubar, assaltar, matar, não causam sentimentos de repulsa e remorso, em suas consciências nem sob forma de ação ou pensamento. O único valor para eles é o de seus interesses egoicos: ausência de empatia; inexistência de alucinações; ausência de manifestações neuróticas; falta de confiança; busca de estimulações fortes; incapacidade de adiar satisfações; não toleram um esforço rotineiro e não sabem lutar por um objetivo distante; não aprendem com os próprios erros, pelo fato de não reconhecerem estes erros; em geral, têm bom nível de inteligência e baixa capacidade afetiva; parecem incapazes de se envolver emocionalmente. Não entendem o que seja socialmente produtivo.

Avaliação e crítica da teoria[editar | editar código-fonte]

A teoria freudiana é a mais influente das teorias do desenvolvimento da personalidade e dos transtornos mentais. Ela influenciou grande parte do pensamento psicoterapêutico durante todo o século XX. Seus principais pontos fortes são:[5]
  1. A introdução de novos processos psíquicos, como o inconsciente, a sexualidade infantil, id, ego e superego, além de acentuar a importância dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento do indivíduo;
  2. a ênfase no desenvolvimento emocional da criança, ao contrário de outras teorias que enfatizam somente o desenvolvimento cognitivo. A teoria freudiana procura explicar porque os seres humanos não se comportam sempre de maneira lógica e como o conteúdo do pensamento abrange mais do que a pesquisa cognitiva costuma estudar.
As principais críticas à teoria freudiana referem-se a:[5]
  1. Problemas metodológicos com relação à coleta dos dados:
    1. O uso dos métodos próprios da psicanálise exige que o pesquisador seja ele mesmo um psicanalista. A longa formação exigida para isso provoca, por um lado, problemas práticos e também problemas com relação à imparcialidade da pesquisa, uma vez que após a longa formação psicanalítica um pesquisador dificilmente poderá ser imparcial.
    2. As sessões psicoterapêuticas de Freud, com base nas quais suas teorias foram desenvolvidas, não foram gravadas, mas reconstruídas de memória, às vezes imediatamente depois das sessões, às vezes apenas horas mais tarde. Dessa forma suas anotações podem ser vítimas das distorções típicas da memória, um problema similar se refere a basear teorias sobre a infância em lembranças de adultos.
  2. Problemas metodológicos com relação à possibilidade de comprovação da teoria: os conceitos freudianos são de difícil definição e operacionalização. Isso quer dizer que um mesmo comportamento observável pode ser explicado por diferentes processos psíquicos e vice-versa, o que dificulta a realização de um exame empírico de tais conceitos.
  3. A ênfase excessiva da sexualidade infantil: Apesar de ter sido a primeira a chamar a atenção para essa face até então desconhecida do desenvolvimento humano, deixou de lado muitas outras faces, como a influência social. Assim, Malinowski encontrou entre os povos de Papua-Nova Guiné por ele pesquisados poucos indícios do complexo de Édipo, tal como descrito por Freud. Ligado a esse problema se encontra outro, ligado à estrutura tautológica com que a teoria freudiana muitas vezes se reveste: criticas à teoria são, por vezes, vistas como formas de repressão dos conteúdos inconscientes.

Desenvolvimento posterior[editar | editar código-fonte]

O trabalho de Sigmund Freud foi continuado por sua filha Anna Freud. Outros autores procuraram desenvolver a teoria, enfatizando outros aspectos e procurando solucionar os pontos críticos, entre eles os que mais se destacam são os psicanalistas Heinz Kohut, Melanie Klein e Karen Horney; os humanistas Abraham Maslow e Carl Rogers; o fundador da psicologia do desenvolvimento individual Alfred Adler e o fundador da psicologia analítica Carl Jung.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit. Berlin: Springer. ISBN 3 540 66230 8
  • Carver, Charles S. & Scheier, Michael F. (2000). Perspectives on personality. Boston: Allyn and Bacon. ISBN 0 2055 2262 9
  • Dalgalarrondo, Paulo (2000). Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes médicas. ISBN 85-7307-595-3
  • Etchegoyen, R. Horacio (2004). Fundamentos da Técnica Psicanalítica2ª Ed. Porto Alegre-RS: Artmed. ISBN 85-363-0206-2
  • Friedman, Howard S. & Schustack, Miriam (2003). Teorias Da Personalidade. Prentice Hall Brasil. ISBN 8587918508
  • Goodwin, C James (2005). História da psicologia moderna. São Paulo-SP: Cultrix.
  • Hothersall, D. (2006). História da psicologia moderna. São Paulo-SP: McGraw-Hill.
  • Miller, Patricia (1993). Theorien der Entwicklungspsychologie. Heidelberg: Spektrum. ISBN 3-86025-077-9 (Original: Theories of developmental psychology, 1993).
  • Pervin, Lawrence A.; Cervone, Daniel & John, Oliver (2005). Persönlichkeitstheorien. München: Reinhardt. ISBN 3-497-01792-2 (Original: Personality: Theory and research, 2004)
  • Sigmund Freud (1996), Strachey, James (Ed.). Edição standard brasileira das obras de Sigmund Freud, 24 V. Rio de Janeiro-RJ: Imago.

Referências

  1. ↑ Ir para:a b c Pervin, Lawrence A.; Cervone, Daniel & John, Oliver (2005). Persönlichkeitstheorien. München: Reinhardt.
  2. Ir para cima Carver, Charles S. & Scheier, Michael F. (2000). Perspectives on personality. Boston: Allyn and Bacon.
  3. Ir para cima Freud, Sigmund (1937). Análise Terminável e Interminável. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
  4. Ir para cima Mecanismos de Defesa - Artigos de Psicologia
  5. ↑ Ir para:a b c d e f g h i j k l m n o p Miller, Patricia (1993). Theorien der Entwicklungspsychologie. Heidelberg: Spektrum.