segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

SEQUENCIA

Em matemática, o conceito de sucessão (português europeu) ou sequência (português brasileiro) tem significado similar ao uso comum da palavra, mas recebe uma definição precisa. Formalmente falando, uma sequência é uma função cujo domínio é um conjunto contável totalmente ordenado. Define-se o tamanho de uma sequência pelo número de elementos que esta possuí, podendo existir sequências infinitas ou finitas. [1]

Definição e Notação[editar | editar código-fonte]

Em análise matemática, define-se uma sequência como uma função  definida sobre um subconjunto  dos números naturais que toma elementos no conjunto .[2]
Usualmente para sequências, denotamos o valor de  em  por  em vez de  Este termo  é dito ser o -ésimo termo da sequência. A notação  é usada para denotar a sequência , cujos índices são tomados no conjunto . Quando o conjunto dos índices  está subentendido, normalmente escrevemos  ou, simplesmente, . Por extenso, escrevemos . Observamos, ainda, que as notações  e  também são encontradas, embora estas se confundem com a notação usual para conjuntos.[3][4][5][6][7]

Sequências infinitas[editar | editar código-fonte]

Uma sequência numérica infinita é uma função , cujo domínio é o conjunto dos número naturais.[5][6][7] Com menos formalidade, uma sequência infinita é uma sequência em que todo termo possui um sucessor. Alguns exemplos são:
  1. a sequência de números pares (2, 4, 6,...);
  2. a sequência de números primos (2, 3, 5, 7,...);
  3. a sequência de aproximações por falta para  (3; 3,1; 3,14; 3,141; 3,1416,...);
  4. a sequência (1, 1, 1, 1, 1,...).

Sequências bi-infinitas[editar | editar código-fonte]

No estudo de dinâmica simbólica[8], é usado o conceito de uma sequência bi-infinita: uma sequência que é indexada não por , mas por . Assim, usa-se a notação para se referir a sequência . Também usa-se a notação mais compacta  com um ponto separando a parte com índices negativos da parte com índices naturais.

Sequência de números reais[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Sequência de números reais
Em análise matemática, uma sequência de números reais é uma função real cujo domínio é o conjunto dos números naturais. Isto é, uma sequência de números reais  é uma função . O estudo destas sequências traz resultados importantes na análise matemática de funções reais. [5][6] São exemplos de sequências reais:
a) 
b) 
c) 

Sequências definidas de forma recursiva[editar | editar código-fonte]

Dizemos que uma sequência  esta recursivamente definida quando são dados o seu primeiro termo  e uma lei explícita que relaciona seu -ésimo termo,  com um ou mais termos anteriores, i.e. é explicitamente dada uma função . Sequências definidas recursivamente são, também, chamadas de sequências indutivas ou recorrentes.
Na sequência, apresentamos algumas sequências recorrentes comumente estudas.

Progressão Aritmética[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Progressão aritmética
Em uma progressão aritmética (P.A.), cada termo é igual à soma do termo anterior com uma constante denominada "razão da P.A.". Essa razão é geralmente representada pela letra r. Escrevemos então  ou , onde  e  são constantes previamente definidas.
Exemplos

Progressão Geométrica[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Progressão geométrica
Em uma progressão geométrica (P.G.), cada termo é igual ao produto do termo anterior por uma constante denominada "razão da P.G.". Ou seja,  é uma progressão geométrica quando , tendo sido dados o primeiro termo  e a razão .
Exemplos

Sequência de Fibonacci[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Sequência de Fibonacci
Espiral baseada na sequência de Fibonacci.
A sequência de Fibonacci  é definida por  e , para, i.e.:

Método para extração da raiz quadrada[editar | editar código-fonte]

Exemplo ilustrativo do método da raiz quadrada.
Dado um número positivo qualquer , desejamos encontrar um número  positivo tal que . Suponhamos, agora, que nos é conhecida apenas uma aproximação  para . Notemos que:
e, observamos que:
  1.  é um valor entre  e ;
  2. se a aproximação  aumenta de valor, então o fator  diminui e vice-versa;
  3.  é solução de , se .
Destas observações, vemos que uma melhor aproximação para  pode ser obtida tomando a média aritmética entre  e , i.e.:
.
Agora,  é uma nova aproximação de  e, repetindo o argumento acima, temos que a média:
é uma aproximação para  ainda melhor que .
Seja, então,  a sequência definida recursivamente por:
.
Podemos mostrar que  converge para . Esta sequência tem origem na Mesopotâmia (séc. XVIII a.C.) e é talvez o método mais eficiente para extração da raiz quadrada.[6]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ir para cima Introduction to Real Analysis - Robert G. Bartle, Donald R. Sherbert, página 53
  2. Ir para cima LIMA, Elon Lages. Curso de análise. Rio de Janeiro: IMPA, 2004, 11ª ed., vol. 1, cap. 4, p. 100.
  3. Ir para cima CATTAI, Adriano Pedreira. Análise matemática I. Universidade do Estado da Bahia (UNEB). 2º semestre 2008. Disponível em: <http://files.cattai.webnode.com/200000018-891b68b0de/analiseUM_cattai_uneb.pdf>. Acessado em: 16 de dezembro de 2014. Página 38.
  4. Ir para cima Halmos, Paul R.. Teoria ingênua do conjuntos. Rio de Janeiro: Editora Ciencia Moderna, 2001. ISBN 9788573931419
  5. ↑ Ir para:a b c Lima, Elon Lages. Curso de Análise - Volume 1. 14 ed. [S.l.]: IMPA, 2013. ISBN 9788524401183
  6. ↑ Ir para:a b c d Ávila, Geraldo. Introdução à Análise Matemática. [S.l.]: Edgard Blücher, 1995. ISBN 8521201680
  7. ↑ Ir para:a b Ávila, Geraldo Severo de Souza. Análise Matemática para Licenciatura. 3 ed. São Paulo: Blucher, 2006. p. 73. ISBN 978-85-212-0395-7
  8. Ir para cima Lind, Douglas. An Introduction To Symbolic Dynamics and Coding. [S.l.: s.n.], 1996. ISBN 978-0521551243

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ávila, Geraldo Severo de Souza. Análise matemática para licenciatura. Edgard Blucher. ISBN 85-212-0295-4
  • Lima, Elon LagesAnálise real. Rio de Janeiro: IMPA.
  • Rudin, W. Principles of Mathematical Analysis. 2 ed. New York, McGraw-Hill, 1964.
  • Michael Spivak. Calculus. Publish or Perish, 2008. ISBN 978-0-914098-91-1.

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