sábado, 4 de março de 2017

SEQUENCIA DE NUMEROS REAIS

Em análise matemática, uma sequência de números reais é uma função real cujo domínio é o conjunto dos números naturais. O estudo destas sequências traz resultados importantes na análise matemática de funções reais. Livros de análise matemática de função reais de uma variável real, usualmente, tratam sobre sequências. [1][2] Ao decorrer deste artigo iremos nos referir a estas sequências somente usando o termo sequência.

Definição[editar | editar código-fonte]

Uma sequência de números reais é uma função real  definida no conjunto dos números naturais . Notações usuais são:  ,  ou, ainda, por extenso . Ao escrever  estamos denotando apenas o termo da sequência de índice , chamado de -ésimo termo da sequência .

Exemplos[editar | editar código-fonte]

a) 
b) 
c) 
Diretamente relacionado a sequência temos o conceito de subsequência. Uma subsequência de  é sua restrição a um subconjunto infinito . Denotamos tal subsequência por  ou, simplesmente,  no caso do conjunto  estar subentendido. Note que toda subsequência  de uma sequência  é uma sequência, já que está definida para , isto é, para cada , temos um .

Exemplo[editar | editar código-fonte]

 onde, aqui,  denota o conjunto dos números naturais pares, é uma subsequência da sequência .

Classificação[editar | editar código-fonte]

Dizemos que uma sequência de números reais  é limitada quando existe um intervalo  tal que  para todo . Caso contrário, ela é dita ser ilimitada. Além disso, dizemos que uma sequência  é limitada superiormente quando existe um número  tal que  para todo . Analogamente, dizemos que uma sequência  é limitada inferiormente quando existe  tal que .

Exemplos[editar | editar código-fonte]

(a)  é uma sequência limitada, pois .
(b)  é uma sequência ilimitada, mas limitada inferiormente. Com efeito, .

Sequências de números reais também são classificadas conforme o comportamento de seus termos. Uma sequência  é dita ser (monotonamente) não decrescente quando . Ela é dita ser (monotonamente) crescente quando . Analogamente, dizemos que  é uma sequência (monotonamente) não crescente quando . E, dizemos que ela é (monotonamente) decrescente quando . Em qualquer um destes casos, dizemos que a sequência é monótona.

Exemplos[editar | editar código-fonte]

(a) é uma sequência limitada e decrescente.
(b)  é uma sequência ilimitada e crescente.
(c)  é uma sequência limitada não monótona.

Uma sequência também é classificada conforme a convergência de seus termos. Definimos a convergência de uma sequência ao tratar da definição de limite de uma sequência.

Limite de uma sequência[editar | editar código-fonte]

A noção de limite se refere à tendencia dos termos de um sequência dada quando tomamos índices grandes. Por exemplo, ao tomarmos índices grandes, vemos que os termos da sequência  são números muito próximos de zero. Isto nos dá a noção de que esta sequência de números tende para o número zero quando fazemos  tender para o infinito. Livros de Cálculo[3][4] costumam explorar a noção de limite de sequências de forma intuitiva. Aqui, apresentamos um abordagem mais formal, típica de textos de análise matemática.

Definição de limite de uma sequência[editar | editar código-fonte]

Diz-se que  é o limite da sequência de números reais  quando para todo número real , existe  tal que se para todo índice , tem-se . Quando existe um tal  para uma dada sequência , dizemos que esta é uma sequência convergente. Neste caso, escrevemos:
que lê-se L é o limite da sequência  quando  tende ao infinito. Escreve-se, também,  quando  que lê-se  tende a  quando  tende ao infinito. Ainda, é comum dizer simplesmente que o limite da sequência  é , tomando-se por entendido que . Neste contexto, escreve-se 
Caso não exista um tal  com a propriedade mencionada, dizemos que a sequência é divergente. Isto é,  é uma sequência divergente quando, para todo , existe um número real  tal que para todo  existe um índice  tal que  ou .

Exemplo[editar | editar código-fonte]

(a)  é uma sequência convergente. Com efeito, tomando , vemos que para cada  podemos escolher um  tal que . Logo, para todo índice  tem-se .
(b)  é uma sequência divergente. Com efeito, seja  e . Daí, temos que para todo  temos, por exemplo, que todo índice ímpar  implica  ou . O raciocínio é análogo caso tentarmos . Se, tomarmos  e , então para todo  temos que os índices pares  são tais que . Análogo para . Assim, temos demonstrado que a sequência dada diverge.

Propriedades do limite[editar | editar código-fonte]

Limites de sequências têm uma série de propriedades. Aqui, enunciamos algumas das mais importantes (veja, por exemplo, os livros de análise matemática indicados nas referências deste artigo).

Unicidade[editar | editar código-fonte]

Se uma sequência tem um limite, ele é único.
[Expandir]Demonstração.
Observamos que se  é o limite de uma sequência dada , então toda subsequência de  converge para .
Exemplo[editar | editar código-fonte]
 converge para zero, assim como a subsequência  formada apenas pelos índices pares da sequência .

Propriedades Aritméticas[editar | editar código-fonte]

Se  e  é uma sequência limitada, então .
[Expandir]Demonstração.
Sejam  e  sequências de números reais convergentes, então:
  1.  se 
[Expandir]Demonstração.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ir para cima Lima, Elon Lages (2013). Curso de Análise - Volume 1 14 ed. IMPA. ISBN 9788524401183
  2. Ir para cima Ávila, Geraldo (1995). Introdução à Análise Matemática. Edgard Blücher. ISBN 8521201680
  3. Ir para cima Stewart, James (2013). Cálculo 5. ed. Cengage Learning. ISBN 9788522112593
  4. Ir para cima Anton, Howard (2007). Cálculo - um novo horizonte 8 ed. Bookman. ISBN 9788560031801

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