terça-feira, 30 de maio de 2017

ANEL MATEMATICA

Em matemática, um anel é uma estrutura algébrica que consiste num conjunto, juntamente com duas operações binárias (normalmente chamadas de adição e multiplicação), onde cada operação combina dois elementos para formar um terceiro elemento. Para se qualificar como um anel, o conjunto juntamente com as suas duas operações deve satisfazer determinadas condições; especificamente, o conjunto deve ser um grupo abeliano sob adição e um monoide sob multiplicação tal que a multiplicação distribui sobre a adição.
Embora essas operações sejam familiares em muitas estruturas matemáticas, tais como sistemas de números ou números inteiros, elas também são muito gerais, tomando uma ampla variedade de objetos matemáticos. A onipresença dos anéis os torna um princípio organizador central da matemática contemporânea. O ramo da matemática que estuda os anéis é conhecido como teoria dos anéis.

Definição[editar | editar código-fonte]

Um anel é uma estrutura algébrica que consiste num conjunto  com um elemento  e duas operações binárias  e  que satisfazem as seguintes condições:
  1. Associatividade de  
  2. Existência de elemento neutro (0) de  
  3. Existência de simétrico de  
  4. Comutatividade de  
  5. Associatividade de  
  6. Distributividade de  em relação a  (à esquerda e à direita): 
Alguns autores incluem ainda o axioma:
7. Existência de elemento neutro (1) de  
Em particular, temos que  é um grupo abeliano. Como em qualquer grupo, o inverso para a adição de um elemento  cuja existência é garantida pela terceira condição, é único e costuma ser representado por  Além disso, se  costuma-se representar  por 

Exemplos[editar | editar código-fonte]

  • O conjunto  dos números inteiros forma um anel relativamente à adição e à multiplicação usuais. O mesmo acontece com o conjunto  dos números racionais, o conjunto  dos números reais e o conjunto  dos números complexos.
  • O conjunto dos números complexos que são raízes de polinómios da forma  ···  com coeficientes inteiros, forma um anel relativamente à adição e à multiplicação usuais, o anel dos inteiros algébricos.
  • O menor anel é formado somente por 
  • Seja  um grupo abeliano e seja End() o conjunto dos endomorfismos de  Se, dados  ∈ End(), se definir a adição de  ∈ End() de  com  por  então End() é um anel relativamente às operações adição e composição.

Casos particulares[editar | editar código-fonte]

Divisores de zero[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Divisor de zero
Sejam  um anel e  um elemento de  diferente de  Diz-se que  é um divisor de zero se existir algum  ∈  \  tal que  ou que 
Exemplos:
  • O anel Z dos números inteiros não tem divisores de zero.
  • Seja  um número natural maior do que  e seja Z com a adição e o produto assim definidos: se  ∈ Z então  é o resto da divisão por  da soma dos números inteiros  e  e  é o resto da divisão por  do produto dos números inteiros  e  Então Z tem divisores de zero quando e só quando  for composto. Neste caso, se a e b forem números naturais tais que  então, em Z 

Ideais[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ideal (teoria dos anéis)
Sejam  um anel e  um subconjunto não vazio de  Diz-se que  é um ideal à esquerda de  se
Diz-se que  é um ideal à direita de  se satisfizer as duas primeiras das condições anteriores, juntamente com
Diz-se que  é um ideal bilateral se for simultaneamente um ideal à esquerda e um ideal à direita.
Caso  seja um anel comutativo, não há diferença entre os conceitos de ideal à esquerda e ideal à direita. Fala-se então somente de ideais.
Exemplos:
  • Os inteiros pares formam um ideal do anel dos números inteiros. Mais geralmente, se  ∈ Z\{±}, o conjunto dos inteiros que são múltiplos de  é um ideal do anel dos números inteiros e, de facto, todos os ideais do anel dos números inteiros. são daquela forma.
  • Seja  o conjunto das funções  de R² em R² da forma
onde  ∈ R. Então, se  for a função nula, se  for a adição de funções e se  for a composição, então  é um anel (não comutativo). Se
então  é um ideal à esquerda, mas não é um ideal à direita.
Se  for um anel e  for um ideal (à esquerda ou à direita), considere-se em  a relação de equivalência ∼ assim definida:
 ∼  se e só se  ∈ 
Se  ∈  seja  a sua classe de equivalência; seja  o conjunto de todas as classes de equivalência. Então, se se definir
 é novamente um grupo abeliano. Além disso, se  for um ideal à esquerda e se  ∈  então faz sentido definir a função
Analogamente, se  for um ideal à direita e se  ∈  então faz sentido definir a função
Caso  seja um ideal bilateral,  volta a ser um anel se se definir

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

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Ver também[editar | editar código-fonte]


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