Graciliano Ramos de Oliveira (Quebrangulo, 27 de outubro de 1892 — Rio de Janeiro, 20 de março de 1953)[1] foi um romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX, mais conhecido por seu livro Vidas Secas (1938).[2]
Índice [esconder]
1 A família de Graciliano Ramos
2 Biografia
3 Obras
3.1 Traduções
3.2 Publicações sobre Graciliano Ramos
4 Prêmios
5 Referências
6 Ligações externas
A família de Graciliano Ramos[editar | editar código-fonte]
Basicamente Graciliano Ramos, origina-se de dois troncos os Ramos de Oliveira e os Ferreira Ferro. Pelo lado paterno proveniente de São Miguel dos Campos/AL e instalando-se em Viçosa/AL e pelo lado materno de Buíque/PE, logo a família de Graciliano Ramos, outrora em Quebrangulo, Buíque e Palmeira dos Índios. Esses troncos familiares foram explorados pelo genealogista e pesquisador Eduardo Padilha dos Santos, em "Os ramos de Graciliano Ramos", o artigo divide-se em duas partes sendo a primeira tratando da ascendência e fatos históricos e a segunda da genealogia de suas famílias assim como sua descendência.
Biografia[editar | editar código-fonte]
Graciliano Ramos nasceu em Quebrangulo, em 27 de outubro de 1892. Primeiro de dezesseis irmãos de uma família de classe média do sertão nordestino, ele viveu os primeiros anos em diversas cidades do Nordeste brasileiro, como Buíque (PE), Viçosa e Maceió (AL). Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro, onde passou um tempo trabalhando como jornalista.[2]
Em setembro de 1915, motivado pela morte dos irmãos Otacília, Leonor e Clodoaldo e do sobrinho Heleno, vitimados pela epidemia de peste bubônica, volta para o Nordeste, fixando-se junto ao pai, que era comerciante em Palmeira dos Índios, Alagoas. Neste mesmo ano casou-se com Maria Augusta de Barros, que morreu em 1920, deixando-lhe quatro filhos.[3]
Foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios em 1927, tomando posse no ano seguinte. Ficou no cargo por dois anos, renunciando a 10 de abril de 1930.[3] Segundo uma das auto-descrições, "(...) Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas."[4] Os relatórios da prefeitura que escreveu nesse período chamaram a atenção de Augusto Frederico Schmidt, editor carioca que o animou a publicar Caetés (1933).[5]
Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial, professor e diretor da Instrução Pública do estado. Em 1934 havia publicado São Bernardo,[3] e quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso após a Intentona Comunista de 1935. Com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, consegue publicar Angústia (1936), considerada por muitos críticos como sua melhor obra.[6]
Em 1938 publicou Vidas Secas. Em seguida estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspetor federal de ensino.
Em 1945 ingressou no antigo Partido Comunista do Brasil - PCB (que nos anos sessenta dividiu-se em Partido Comunista Brasileiro - PCB - e Partido Comunista do Brasil - PCdoB),[7] de orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos Prestes;[1] nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com a segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, retratadas no livro Viagem (1954).[2] Ainda em 1945, publicou Infância, relato autobiográfico.
Adoeceu gravemente em 1952. No começo de 1953 foi internado, mas acabou falecendo em 20 de março de 1953, aos 60 anos, vítima de câncer do pulmão.[3]
Obras[editar | editar código-fonte]
As obras de Graciliano Ramos:[8]
Wikisource-logo.svg Relatorio ao Governador do Estado de Alagoas. 1929
Wikisource-logo.svg 2.° Relatorio ao Sr. Governador Alvaro Paes. 1930
Caetés - romance - Editora Schmidt, 1933; (ganhador do Prêmio Brasil de Literatura);
São Bernardo - romance - Editora Arial, 1934;
Angústia - romance - Editora José Olympio, 1936;
Vidas Secas - romance, - Editora José Olympio, 1938;
A Terra dos Meninos Pelados - contos infanto-juvenis - Editora Globo, 1939;
Brandão Entre o Mar e o Amor - romance - Editora Martins, 1942 - Escrito com Jorge Amado, José Lins do Rego, Aníbal Machado e Rachel de Queiroz;
Histórias de Alexandre - contos infanto-juvenis - Editora Leitura, 1944;
Dois dedos - coletânea de contos - R.A. Editora, 1945;
Infância - memórias - Editora José Olympio, 1945;
Histórias Incompletas - coletânea de contos - Editora Globo, 1946;
Insônia - contos - Editora José Olympio, 1947;
Memórias do Cárcere - memórias - Editora José Olympio, 1953; (obra póstuma)
Viagem - crônicas - Editora José Olympio, 1954; (obra póstuma)
Linhas Tortas - crônicas - Editora Martins, 1962; (obra póstuma)
Viventes das Alagoas - crônicas - Editora Martins, 1962; (obra póstuma)
Alexandre e Outros Heróis - contos infanto-juvenis - Editora Martins, 1962); (obra póstuma)
Cartas - correspondência - Editora Record, 1980; (obra póstuma)
O Estribo de Prata - literatura infantil - Editora Record, 1984; (obra póstuma)
Cartas de amor à Heloísa - correspondência - Editora Record, 1992; (obra póstuma)
Garranchos - textos inéditos - Editora Record, 2012. (obra póstuma)
Traduções[editar | editar código-fonte]
Graciliano Ramos também dominava o inglês e o francês. Realizou algumas traduções:[9]
Memórias de um Negro, de Booker T. Washington, Companhia Editora Nacional, 1940;
A Peste, de Albert Camus, Editora José Olympio, 1950.
Publicações sobre Graciliano Ramos[editar | editar código-fonte]
Graciliano Ramos - Literatura Comentada - Vivina de Assis Viana, Ed. Abril Cultural, 1989
Graciliano Ramos: cidadão e artista - Carlos Alberto dos Santos Abel, UNB, 1999.
Graciliano Ramos e o Partido Comunista Brasileiro: as memórias do cárcere, Ângelo Caio Mendes Corrêa Junior, 2000. (Dissertação de Mestrado em Letras, Universidade de São Paulo | orientador: Alcides Celso de Oliveira Vilaça.
Graciliano Ramos: infância pelas mãos do escritor - Taisa Viliese de Lemos, Musa Editora, 2002.
Graciliano Ramos - Wander Melo Miranda, Coleção Folha Explica, Publifolha, 2004.
A infância de Graciliano Ramos - Audálio Dantas, Callis, 2005. (Menção Altamente Recomendável, em 2006, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, na categoria Informativo.)
Graciliano Ramos - Myriam Fraga, Moderna, 2007.
Cartas inéditas de Graciliano Ramos a seus tradutores argentinos Benjamin de Garay e Raúl Navarro - Pedro Moacyr Maia, EDUFBA, 2008.
Graciliano Ramos: um escritor personagem - Maria Izabel Brunacci, Autêntica, 2008.
Graciliano Ramos e o mundo interior: o desvão imenso do espírito - Leonardo Almeida Filho, UNB, 2008.
Graciliano Ramos e o desgosto de ser criatura - Jorge de Souza Araujo, EDUFAL, 2008.
A imagem da linguagem na obra de Graciliano Ramos - Maria Celina Novaes Marinho, Humanitas FFLCH, 2.ed., 2010.
Graciliano Ramos e a novidade: o astrônomo do inferno e os meninos impossíveis - Ieda Lebensztayn, Hedra, 2010.
Graciliano: Retrato fragmentado - Ricardo Ramos, Globo, 2011.
O velho Graça - Denis de Moraes, Boitempo, 2012.
Prêmios[editar | editar código-fonte]
Os prêmios concedidos a Graciliano Ramos:
1936 - Prêmio Lima Barreto (Revista Acadêmica) - Angústia
1939 - Prêmio Literatura infantojuvenil (Ministério da Educação) - A Terra dos Meninos Pelados
1942 - Prêmio Felipe de Oliveira - Conjunto da Obra
1962 - Prêmio da Fundação William Faulkner (Estados Unidos) - Vidas Secas, como livro representativo da Literatura Brasileira Contemporânea.
1964 - Prêmios Catholique International du Cinema e Ciudad de Valladolid (Espanha), concedidoS a Nelson Pereira dos Santos, pela adaptação para o cinema do livro Vidas Secas.
2000 - Personalidade Alagoana do Século XX [10]
2003 - Prêmio Nossa Gente, Nossas Letras / Prêmio Recordista [11]
2003 - Medalha Chico Mendes de Resistência [12]
2013 - Escolhido pelo Governo Federal para o PNBE - Programa Nacional Biblioteca da Escola - Memórias do Cárcere
Referências
↑ Ir para: a b «Linha do Tempo». Consultado em 16 de janeiro de 2011
↑ Ir para: a b c «Escritor brasileiro - Graciliano Ramos». Consultado em 17 de janeiro de 2011
↑ Ir para: a b c d «Releituras - Graciliano Ramos». Consultado em 16 de janeiro de 2011
Ir para cima ↑ «Auto-Retrato». Consultado em 16 de janeiro de 2011
Ir para cima ↑ «Graciliano Ramos». Consultado em 17 de janeiro de 2011
Ir para cima ↑ «Oswaldo Goeldi - Graciliano Ramos». Consultado em 16 de janeiro de 2011
Ir para cima ↑ «Graciliano Ramos - Graciliano Ramos e outros artistas da época denunciaram criticamente as mazelas sociais brasileiras, sobretudo a seca nordestina». Consultado em 17 de janeiro de 2011
Ir para cima ↑ «Obras». Consultado em 16 de janeiro de 2011
Ir para cima ↑ «Outras Obras». Consultado em 16 de janeiro de 2011
Ir para cima ↑ Site oficial de Graciliano Ramos.
Ir para cima ↑ Site oficial de Graciliano Ramos.
Ir para cima ↑ Site oficial de Graciliano Ramos.
Ligações externas[editar | editar código-fonte]
Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Graciliano Ramos
Wikisource
O Wikisource possui obras de
Graciliano Ramos
Página oficial, feita pela família de Graciliano Ramos
Revista Cult 120 anos de Graciliano Ramos
Programa Metrópolis, TV Cultura, 120 anos de Graciliano Ramos
Garranchos e O Velho Graça iluminam o percurso do alagoano Graciliano Ramos - O Estado de S.Paulo 19/10/2012.
A alma agreste de Graciliano Ramos Jornal do Comércio - publicado em 27/10/2012.
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v • e
Obras de Graciliano Ramos
Categorias: Nascidos em 1892Mortos em 1953Romancistas do BrasilEscritores modernistas do BrasilMemorialistas do BrasilPrefeitos de Palmeira dos ÍndiosNaturais de QuebranguloComunistas do BrasilCiclo das SecasMortes por câncer de pulmãoGraciliano Ramos
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