segunda-feira, 20 de julho de 2015

GLORIA PEREZ

Glória Perez

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Glória Perez
Glória Perez em um bate-papo.
Data de nascimento25 de setembro de1948 (66 anos)
Local de nascimentoRio Branco Acre
Nacionalidade brasileira
OcupaçãoAutora de telenovelas
CônjugeLuiz Saupiquet Perez (1969-1984)
Glória Maria Ferrante Perez (Rio Branco25 de setembro de 1948) é uma autora de telenovelasséries e minisséries brasileiras.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascida, em Rio Branco, no Acre, filha do advogado Miguel Jerônimo Ferrante e da professora Maria Augusta Rebelo Ferrante. Sua mãe, por sua vez, foi filha de piauiense com cearense, e seu pai filho de italianos. O avô paterno era um operário mecânico que fugiu de São Paulo por ter envolvimento com o movimento anarquista. Ao chegar no Acre conheceu a avó de Glória, uma viúva italiana recém-chegada com quatro filhos. Casaram-se. Glória tem um único irmão chamado Saulo, que é médico.
Tinha 15 anos quando a família mudou-se para Brasília. Em Brasília, Glória cursou o colegial (Elefante Branco) e entrou para a UNB, onde cursou 3 anos de Direito, abandonando o curso em 1968, quando a universidade foi invadida por militares. No Rio de Janeiro formou-se em Historia pela UFRJ, cursou o mestrado em Historia do Brasil, também na UFRJ, mas nāo chegou a defender tese: durante sua elaboração Aceitou o convite de Janete Clair e optou pela carreira na televisão.
Em 1969 casou com o engenheiro Luiz Carlos Saupiquet Perez, e com ele teve três filhos: Daniela (1970), Rodrigo (1972) e Rafael (1977). Glória e Luiz Carlos se divorciaram em 1984
Duas tragédias abalaram a vida de Glória: sua filha, Daniella Perez, que na época trabalhava como atriz em uma novela que Glória escrevia, De Corpo e Alma, foi brutalmente assassinada em dezembro de 1992 pelo colega de trabalho Guilherme de Pádua; e um de seus filhos, Rafael, veio a falecer aos 25 anos, em 28 de novembrode 2002, vítima de infecção intestinal generalizada.
A tragédia que ocorreu com Daniella e temendo que os réus fossem beneficiados pela justiça foi o que moveu a autora em uma campanha apoiada pela grande mídia que recolheu mais de um milhão de assinaturas, que resultou na inclusão do homicídio na Lei de Crimes Hediondos.
Glória possui netos, filhos de Rodrigo, que é casado. Em 2009 enfrentou outro drama: descobriu ter um linfoma, um tipo de câncer, e passou todo esse mesmo ano realizando cirurgias e sessões de quimioterapia, além de ter precisado consumir vários medicamentos regularmente. Felizmente, se curou da doença.

Vida profissional[editar | editar código-fonte]

O início de fato de sua carreira se deu em 1983, quando colaborou com Janete Clair, em Eu Prometo. ) Com o falecimento da autora titular, Glória assumiu a responsabilidade e levou a história até o fim, com supervisão de texto de Dias Gomes.
No ano seguinte, assinou com Aguinaldo Silva uma parceria para a novela Partido Alto, primeira novela de ambos como autores-titulares.
Em 1984 apresentou a sinopse de Barriga de Aluguel, tema polêmico e desconhecido na época. O projeto ficou na gaveta por ser considerado "fantasioso" e "inverossímil" . Gloria foi para a TV Manchete, onde escreveu a novela Carmem, um projeto de José Wilker, então diretor artístico da Casa. A novela conseguiu altos índices de audiência, chegando a superar a Rede Globo. Devido ao sucesso, a autora voltou a sua antiga emissora para escrever a minissérie Desejo, tendo grande êxito.
No mesmo ano, foi ao ar, finalmente, a novela Barriga de Aluguel. A trama, que conseguiu grande sucesso, teve seu término após 243 capítulos, sendo uma das maiores novelas em número de capítulos.1
Em 1992, Glória lançou De Corpo e Alma, marcada pelo assassinato de sua filha, a atriz Daniella Perez, cometido pelo colega de cena , Guilherme de Pádua.
Em 1995, Glória levou ao ar Explode Coração, uma trama que falava sobre a internet e as novas possibilidades que ela abria para a humanidade, incluindo a de promover encontros improváveis: no caso da novela, a de um politico importante e uma garota cigana, protagonizada por Tereza Seiblitz.2 Uma das curiosidades dessa novela, é que Gloria criou um programa muito semelhante ao Skype, que ainda estava longe de existir, através do qual os protagonistas se conheciam. E na abertura, Hans Donner antecipa Steve Jobs, mostrando uma tela touch screen.
Em 1998, escreveu a minissérie Hilda Furacão, protagonizada por Ana Paula ArósioDanton Mello e Rodrigo Santoro, baseada no romance de Roberto Drummond (vivido por Danton Mello na minissérie). No mesmo ano, Glória escreveu um episódio para a série Mulher, que retratava um tema também pouco discutido e polêmico: o intersexo.
No fim de 1998, Glória assinou com remake de Pecado Capital, baseado na novela original de Janete Clair. Entre 2001 e 2002 escreveu o grande sucesso O Clone, exibido pela Rede Globo entre os mesmos anos, e que falava da experiência de clonar um ser humano, contrapondo os valores do ocidente desafiando e querendo tomar o lugar de Deus na fabricação da vida, aos valores de uma sociedade completamente subserviente a Deus: a muçulmana! A novela teve uma versão nos EUA, realizada pela Telemundo, e em 2012, quando a maior feira de televisão do mundo, a MIPCOM, selecionou os 50 programas mais importantes dos últimos 50 anos, foi o único programa brasileiro incluído na lista.
Em 2003, Glória criou o seriado A Diarista, que foi ao ar no mesmo ano como especial de fim de ano. Obtendo grande sucesso, a série entrou para a grade oficial da Rede Globo em Abril de 2004, desta vez escrita por Aloísio de Abreu e Bruno Mazzeo.
Glória em palestra.
Em 2005, escreveu América, que tratava do drama dos brasileiros obcecados pelo "sonho americano", que se entregavam nas māos dos coyotes para tentar atravessar a fronteira através do México e tentar a vida nos EUA
Em 2007, lançou a minissérie Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, que mostrou a história do Acre e seus povos e revelou como o local se tornou um território brasileiro através da luta de sua gente.
Em 2009, Glória lançou a telenovela Caminho das Índias, que teve como temática a cultura indiana. No mesmo ano, foi considerada pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.3
Em outubro de 2012, estreou Salve Jorge, que teve como tema o tráfico internacional de pessoas. A novela falou do drama dos brasileiros traficados e escravizados no exterior, atraídos por tentadoras propostas de trabalho.
No início de 2013, Glória também se destacou com a minissérie O Canto da Sereia, na qual supervisionou o texto.
Uma marca das novelas de Gloria Perez são as campanhas de alcance social que ela introduz em suas tramas: Aids, crianças desaparecidas, dependentes químicos, saúde mental, tráfico humano, etc. A campanha contra as drogas de O Clone, foi premiada nos EUA, pelo FBI e pelo DEA.
Em 2013, Glória anuncia que escreverá uma série, sobre um serial killer, que terá direção de Amora Mautner (que posteriormente deixou a produção, para se dedicar à nova novela de João Emanuel Carneiro, sendo assumido por Mauro Mendonça Filho4 e tem o título provisório de Dupla Identidade.5 6 Para fazer a série que estreia em setembro de 2014, trabalha com base em conversas com psiquiatras e especialistas em perfis psicológicos.7 8 Além disso criou um blog, em que publica o que pesquisa para a série.9

Carreira[editar | editar código-fonte]

Televisão[editar | editar código-fonte]

Telenovelas
AnoTrabalhoEmissoraEscalaçãoParceiros titulares
1983Eu PrometoRede GlobocolaboradoraJanete Clair
1984Partido Altoautora principalAguinaldo Silva
1987CarmemRede Manchete
1990Barriga de AluguelRede Globo
Desejo
1992De Corpo e Alma
1995Explode Coração
1998Pecado Capital
Hilda Furacão
2001O Clone
2005América
2007Amazônia, de Galvez a Chico Mendes
2009Caminho das ÍndiasCarlos Lombardi e Elizabeth Jhin10 (escreveu alguns capítulos)
2012Salve Jorge
2013O Canto da Sereiasupervisão de texto 11
2014Dupla Identidadeautora principal

Prêmios[editar | editar código-fonte]

1996
1998
2001|2002
2005
2007
2009

Referências

  1. Ir para cima Barriga de Aluguel - Curiosidades (em português) Memória Globo. Visitado em 28 de fevereiro de 2014.
  2. Ir para cima Intérprete da cigana Dara, gostaria de repetir parceria com Glória Perez: 'Ficaria muito feliz com um convite' O Globo (01 de janeiro de 2012). Visitado em 28 de fevereiro de 2014.
  3. Ir para cima Época - NOTÍCIAS - Os 100 brasileiros mais influentes de 2009 revistaepoca.globo.com. Visitado em 20 de Dezembro de 2009.
  4. Ir para cima Kogut, Patrícia (28 de fevereiro de 2014). Mauro Mendonça Filho vai dirigir série de Glória Perez O Globo. Visitado em 28 de fevereiro de 2014.
  5. Ir para cima Glória Perez escreve série e explica fim da parceria com Wolf Maya: Foi ele que me abandonou Caras Online (30 de agosto de 2013). Visitado em 24 de janeiro de 2014.
  6. Ir para cima Oliveira, Fernando (24 de janeiro de 2014). Globo inicia testes para seriado de Glória Perez sobre serial killer Mundo da TV - R7. Visitado em 24 de janeiro de 2014.
  7. Ir para cima Patrícia Kogut (14 de maio de 2014). Série de Gloria Perez sobre 'serial killer' estreia em setembro O Globo. Visitado em 24 de maio de 2014.
  8. Ir para cima Patrícia Kogut (09 de outubro de 2013). Gloria Perez prepara seriado de ação O Globo. Visitado em 04 de junho de 2014.
  9. Ir para cima Patrícia Kogut (13 de junho de 2014). Gloria Perez cria blog e publica o que pesquisa para série policial O Globo. Visitado em 13 de junho de 2014.
  10. Ir para cima http://contamais.com.br/noticias/nacionais/carol-castro-e-convidada-para-a-proxima-novela-de-elizabeth-jhin/747
  11. Ir para cima O Canto da Sereia - A história. Visitado em 24 de janeiro de 2014.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
Wikiquote possui citações de ou sobre: Glória Pérez
  • Website oficial (em português)A pouco mais de um mês do fim de mais um sucesso, Gloria Perez divide sua rotina entre os desfechos de "Caminho das Índias", a quimioterapia que a fez adotar perucas e as saídas às ruas para buscar inspiração e renovar as energias.
    Pontualmente às cinco da tarde, Gloria Perez abre a porta de seu apartamento, no Posto 6 de Copacabana, com um largo sorriso no rosto dando as boas-vindas. Produzida, bem-humorada e com brilho nos olhos, a autora dos 45 pontos no Ibope, hoje a maior audiência da televisão brasileira, me

    mostra seu escritório. Ali é o local de trabalho (ela mora no mesmo bairro, perto dali). Gloria me convida para ir à varanda, onde a vista do Forte e, lógico,

    do mar azul de Copa, são deslumbrantes. Oferece um cafezinho, preparado na hora por pela mesma, e o papo flui. Gloria, do lado de dentro da cozinha; eu, do lado de fora. Ficamos separados por uma bancada, onde fica um laptop. Numa mesa de vidro, uma imensa tela de computador exibe a foto de Daniela Perez. A TV permanece ligada o tempo inteiro. No computador portátil, Gloria Perez escreve sozinha, diariamente - e em pé! - 32 páginas da trama que mostra para o Brasil uma cultura desconhecida, encantadora e cheia de contrastes.

    Durante mais de uma hora de conversa, falamos de tudo um pouco. Com direito a muitas gargalhadas e pausas quase dramáticas. Essa espécie de sacerdotisa do horário nobre me mostrou um lado seu que poucos conhecem: o da avó orgulhosa de seus netos (presentes num porta-retratos) até a mulher que namora, sim! Esperava encontrar a escritora de folhetins vitoriosos passando por mais uma dificuldade em sua vida. Afinal, Gloria faz quimioterapia para combater um linfoma, já retirado da tireoide. Me surpreendi, porém, ao ver uma mulher cheia de vida e disposição, que coloca as pernas em cima da mesa, tamanha a descontração. É um pouco desta brasileira que a Canal Extra mostra a partir de agora. Saiba como pensa e vive Gloria Perez, a autora de "Caminho das Índias", cuja própria vida valeria uma novela.

    O tema "Índia"
    "Estive com a Globo lá em Cannes, na França, durante a MIPCOM (feira internacional onde TVs do mundo todo apresentam seus produtos) e houve uma festa indiana. Quando vi aquelas mesas, aquelas roupas, fiquei encantada com a mistura que tinha ali na minha frente, do milenar com o futuro. Então, pensei: "Tenho que falar disso"".

    Medidor do Ibope
    "Tenho um em casa. É claro que a maquininha do Ibope me emociona, mas já não tem o mesmo impacto de antes. A tendência hoje é que o controle esteja nas mãos do telespectador. Ele determina o que e quando vai assistir. Isso muda tudo. A medição tradicional já não responde a essas mudanças. Hoje, o impacto da repercussão é mais forte. O grande barato é andar pelas ruas e ouvir as pessoas falando as expressões da novela, ver as vitrines cheias de moda indiana...".

    Andando pelas ruas
    "Não dá para sair o dia inteiro quando se está com uma novela, mas sinto muita necessidade desse contato com a vida. Para mim, é muito difícil fazer uma novela me mantendo isolada. Ando pelas ruas sem pensar na trama, em pesquisa, em nada. Isso me energiza, eu preciso disso, do contato com as pessoas, com a vida. Ouvir alguém contar uma história, um problema, mesmo que não tenha nada a ver com a novela. Isso é vida".

    Namoro, sim!
    "Lógico que eu namoro! No momento, estou só. Você acha que alguém namora fazendo novela? É difícil. Não precisa interromper, mas tem que ser um romance muito firme para durar enquanto você está escrevendo um folhetim, porque tem que acertar o relógio pela sua rotina. E não é nada fácil".

    Vida noturna
    "Eu gosto de dançar na Gafieira Estudantina, saio para jantar com meus amigos, tenho uma vida bem movimentada. No entanto, não vou para onde está

    o holofote, porque meu trabalho já é debaixo do holofote. Gosto de viver uma vida mais discreta".

    Com cara de casa

    "Meu escritório é meu lugar, onde tenho tudo, onde tenho minha pesquisa. Em casa, tem o telefone tocando, tem o cachorro que não gosta da novela... Ele sabe desligar o computador com a pata! É muito estressante".

    Copacabana 

    "Sou uma pessoa de cidade grande. Vim do mato, mas sou uma pessoa da cidade. Gosto disso, desse burburinho. E Copacabana é uma síntese do Rio, gosto dessa diversidade daqui, gosto de andar de bicicleta, ir à praia. Neste momento, não posso pegar sol (por causa da quiomioterapia), mas, quando posso, Copacabana é perfeito. E o melhor é que não tem fotógrafo nenhum, porque eles não ficam em Copa. Agora, se você for para Ipanema, lá é cheio de paparazzi".

    Críticas
    "Não me atenho a críticas porque acho que a televisão não produziu uma crítica à altura dela. Nós só tivemos um crítico de TV, que foi o Arthur da Távola, sabe por quê? Porque era um homem que gostava de novelas. Tem gente que tem coluna de TV, mas não gosta de novela. Como diz o Lombardi (Carlos Lombardi, o autor), gente que o jornal não considerou suficientemente boa para fazer crítica de cinema, e se ressente disso. O ressentimento transparece no que escrevem, como se a gente tivesse culpa! Esses, em vez de crítica, fazem campanhas, contra ou a favor de determinado autor. Tem uma loura que até

    inaugurou o gênero "crítica anônima" para falar mal da minha novela. Quem pode respeitar alguém que não assina o que pensa? Eu não respeito. E quando a

    coisa é pessoal, como neste caso, não dá para levar em conta, certo?".

    Popular é brega?
    "Existe uma distorção cultural no Brasil que é rejeitar o popular, identificá-lo como falta de qualidade. Lembro que quando botava o Zeca Pagodinho na novela, muita gente torcia o nariz, achava brega. Hoje, o Zeca virou unanimidade, mas é sempre preciso que alguém que se apresente como chique ponha a etiqueta de qualidade para que a aceitação seja plena. Quando eu vim do Acre, adorava Luiz Gonzaga. Meus colegas morriam de rir, achavam breguíssimo. Depois que Caetano Veloso disse que ele era um gênio, passaram a idolatrá-lo".

    TV e cinema
    "A TV, a novela brasileira, fizeram a crônica da vida brasileira, o que o cinema não fez. Se você pegar uma novela da década de 70, vai ver exatamente como era o Brasil naquela época. Já no cinema isso não acontece. Quem retrata o cotidiano da vida brasileira são as novelas. Num determinado momento, o cinema brasileiro, que não começou assim, tomou um rumo perigoso: os filmes tinham que ser todos geniais, tinham que defender teses. O cotidiano, o retrato dos sentimentos, o simples, o cinema-diversão, ficou de la-do, como algo alienante. Ultimamente, a coisa tem mudado. Que bom que seja assim!".

    "Firangi estrangeira"
    "Essa expressão "firangi estrangeira" me soou engraçada. A tradução junto com a palavra ficou engraçada. Como eu iria explicar o tempo todo que "firangi"

    significa "estrangeira"? É de propósito. Criticar isso é o que as nossas avós chamavam de procurar pelo em ovo".

    Sinopse original
    "Agora é que vou começar a escrever a novela que não está na sinopse. A sinopse acaba no momento em que Bahuan (Márcio Garcia) volta para a Índia e fica entre casar com uma mulher milionária ou tentar reconquistar o amor de Maya (Juliana Paes). O meu jeito de escrever não é nada previsível. Não sou daquelas pessoas que sabem exatamente o que vai acontecer. Gosto muito de me surpreender, acabar um capítulo e eu mesma não saber como vou resolver aquilo, porque é um jogo comigo mesma, me diverto com tudo isso".

    Merchandising social
    "Fiquei marcada pelo público por causa das campanhas sociais nas minhas novelas. Resolver o problema não é a nossa função, mas, sim, colocar em discussão, lançar luz, botar um holofote em cima do assunto. Se você faz um país inteiro discutir com quem vai ficar a mocinha, também pode fazer todo mundo discutir algo que mude a vida das pessoas. É isso que sempre busco nas minhas novelas".

    Yvone, a psicopata
    "Quando criei Yvone (Letícia Sabatella), queria mostrar uma psicopata não assassina, porque essa personagem ninguém mostrou ainda. Os psicopatas estão aí. Como diz a Ana Beatriz Barbosa (autora do livro "Mentes perigosas"), o perigo mora ao lado. E costumam se dar muito bem, sempre, porque não têm limites, passam por cima de tudo e de todos para obterem o que querem. Eles estão sempre matando, não necessariamente as pessoas, mas os sonhos, os projetos, a confiança que se deposita neles. Matar só acontece se as pessoas constituírem uma pedra no caminho deles. Se não precisam, puxam o tapete".

    Yvone x Guilherme de Pádua
    "Não pensei em Guilherme de Pádua quando criei a Yvone. Ele é um psicopata assassino, armou à mão da mulher, planejou, emboscou e assassinou minha filha porque não apareceu em dois capítulos e achou que estava saindo da novela. Só um psicopata faz isso e depois fala disso da maneira que um psicopata fala: com trivialidade. Para um psicopata, as outras pessoas são apenas um meio para conseguir um objetivo. Guilherme de Pádua e Paula Thomaz (hoje, Paula Nogueira Peixoto) mataram, deram pêsames à família e foram dormir tranquilamente. A polícia acordou os dois. São coisas que só psicopatas fazem, só alguém completamente desvinculado de sentimentos, de empatia com outro ser humano, é capaz de fazer".

    Livro sobre o caso Daniella
    "Tenho um material muito grande que os jornalistas me deram ao falarem com o assassino na cadeia, com entrevistas que fizeram com os delegados que prenderam Guilherme, contando da prisão. Fiz um banco de dados que está começando ainda, e botei na internet, numa página associada ao meu blog. Ali está tudo reunido, por sequência. Desde a investigação até a sentença do juiz".

    Quimioterapia
    "Já fiz três das seis sessões de quimio que eu preciso fazer. A ideia que eu tinha da quimio era muito negativa, de uma coisa assustadora, dolorosa... Mas é igual a ler uma bula de remédio. Quando você vê os efeitos colaterais do remédio, já se imagina sentindo todos eles. Não é bem assim. Comecei a conversar com muitas pessoas que passaram por esse processo sem grandes danos. Alguns tiveram enjoo, ou algum outro sintoma, outros não tiveram nada. Eu, até hoje, não tive nada. Claro que não se pode comparar meu caso com casos muito graves. Tive um linfoma que estava na tireoide, era primário, e foi inteiramente retirado. A quimio é preventiva".

    Vaidade
    "Senti que as pessoas valorizam muito essa coisa da queda do cabelo, eu não valorizei. Tenho três perucas, de tons diferentes. Uma mais curta, uma média e uma longa, na qual faço rabo de cavalo e tudo. Não tem problema nenhum, o cabelo nasce de novo, assim que acabar a quimioterapia vai começar a nascer outra vez". 
    A pouco mais de um mês do fim de mais um sucesso, Gloria Perez divide sua rotina entre os desfechos de "Caminho das Índias", a quimioterapia que a fez adotar perucas e as saídas às ruas para buscar inspiração e renovar as energias.
    Pontualmente às cinco da tarde, Gloria Perez abre a porta de seu apartamento, no Posto 6 de Copacabana, com um largo sorriso no rosto dando as boas-vindas. Produzida, bem-humorada e com brilho nos olhos, a autora dos 45 pontos no Ibope, hoje a maior audiência da televisão brasileira, me

    mostra seu escritório. Ali é o local de trabalho (ela mora no mesmo bairro, perto dali). Gloria me convida para ir à varanda, onde a vista do Forte e, lógico,

    do mar azul de Copa, são deslumbrantes. Oferece um cafezinho, preparado na hora por pela mesma, e o papo flui. Gloria, do lado de dentro da cozinha; eu, do lado de fora. Ficamos separados por uma bancada, onde fica um laptop. Numa mesa de vidro, uma imensa tela de computador exibe a foto de Daniela Perez. A TV permanece ligada o tempo inteiro. No computador portátil, Gloria Perez escreve sozinha, diariamente - e em pé! - 32 páginas da trama que mostra para o Brasil uma cultura desconhecida, encantadora e cheia de contrastes.

    Durante mais de uma hora de conversa, falamos de tudo um pouco. Com direito a muitas gargalhadas e pausas quase dramáticas. Essa espécie de sacerdotisa do horário nobre me mostrou um lado seu que poucos conhecem: o da avó orgulhosa de seus netos (presentes num porta-retratos) até a mulher que namora, sim! Esperava encontrar a escritora de folhetins vitoriosos passando por mais uma dificuldade em sua vida. Afinal, Gloria faz quimioterapia para combater um linfoma, já retirado da tireoide. Me surpreendi, porém, ao ver uma mulher cheia de vida e disposição, que coloca as pernas em cima da mesa, tamanha a descontração. É um pouco desta brasileira que a Canal Extra mostra a partir de agora. Saiba como pensa e vive Gloria Perez, a autora de "Caminho das Índias", cuja própria vida valeria uma novela.

    O tema "Índia"
    "Estive com a Globo lá em Cannes, na França, durante a MIPCOM (feira internacional onde TVs do mundo todo apresentam seus produtos) e houve uma festa indiana. Quando vi aquelas mesas, aquelas roupas, fiquei encantada com a mistura que tinha ali na minha frente, do milenar com o futuro. Então, pensei: "Tenho que falar disso"".

    Medidor do Ibope
    "Tenho um em casa. É claro que a maquininha do Ibope me emociona, mas já não tem o mesmo impacto de antes. A tendência hoje é que o controle esteja nas mãos do telespectador. Ele determina o que e quando vai assistir. Isso muda tudo. A medição tradicional já não responde a essas mudanças. Hoje, o impacto da repercussão é mais forte. O grande barato é andar pelas ruas e ouvir as pessoas falando as expressões da novela, ver as vitrines cheias de moda indiana...".

    Andando pelas ruas
    "Não dá para sair o dia inteiro quando se está com uma novela, mas sinto muita necessidade desse contato com a vida. Para mim, é muito difícil fazer uma novela me mantendo isolada. Ando pelas ruas sem pensar na trama, em pesquisa, em nada. Isso me energiza, eu preciso disso, do contato com as pessoas, com a vida. Ouvir alguém contar uma história, um problema, mesmo que não tenha nada a ver com a novela. Isso é vida".

    Namoro, sim!
    "Lógico que eu namoro! No momento, estou só. Você acha que alguém namora fazendo novela? É difícil. Não precisa interromper, mas tem que ser um romance muito firme para durar enquanto você está escrevendo um folhetim, porque tem que acertar o relógio pela sua rotina. E não é nada fácil".

    Vida noturna
    "Eu gosto de dançar na Gafieira Estudantina, saio para jantar com meus amigos, tenho uma vida bem movimentada. No entanto, não vou para onde está

    o holofote, porque meu trabalho já é debaixo do holofote. Gosto de viver uma vida mais discreta".

    Com cara de casa

    "Meu escritório é meu lugar, onde tenho tudo, onde tenho minha pesquisa. Em casa, tem o telefone tocando, tem o cachorro que não gosta da novela... Ele sabe desligar o computador com a pata! É muito estressante".

    Copacabana 

    "Sou uma pessoa de cidade grande. Vim do mato, mas sou uma pessoa da cidade. Gosto disso, desse burburinho. E Copacabana é uma síntese do Rio, gosto dessa diversidade daqui, gosto de andar de bicicleta, ir à praia. Neste momento, não posso pegar sol (por causa da quiomioterapia), mas, quando posso, Copacabana é perfeito. E o melhor é que não tem fotógrafo nenhum, porque eles não ficam em Copa. Agora, se você for para Ipanema, lá é cheio de paparazzi".

    Críticas
    "Não me atenho a críticas porque acho que a televisão não produziu uma crítica à altura dela. Nós só tivemos um crítico de TV, que foi o Arthur da Távola, sabe por quê? Porque era um homem que gostava de novelas. Tem gente que tem coluna de TV, mas não gosta de novela. Como diz o Lombardi (Carlos Lombardi, o autor), gente que o jornal não considerou suficientemente boa para fazer crítica de cinema, e se ressente disso. O ressentimento transparece no que escrevem, como se a gente tivesse culpa! Esses, em vez de crítica, fazem campanhas, contra ou a favor de determinado autor. Tem uma loura que até

    inaugurou o gênero "crítica anônima" para falar mal da minha novela. Quem pode respeitar alguém que não assina o que pensa? Eu não respeito. E quando a

    coisa é pessoal, como neste caso, não dá para levar em conta, certo?".

    Popular é brega?
    "Existe uma distorção cultural no Brasil que é rejeitar o popular, identificá-lo como falta de qualidade. Lembro que quando botava o Zeca Pagodinho na novela, muita gente torcia o nariz, achava brega. Hoje, o Zeca virou unanimidade, mas é sempre preciso que alguém que se apresente como chique ponha a etiqueta de qualidade para que a aceitação seja plena. Quando eu vim do Acre, adorava Luiz Gonzaga. Meus colegas morriam de rir, achavam breguíssimo. Depois que Caetano Veloso disse que ele era um gênio, passaram a idolatrá-lo".

    TV e cinema
    "A TV, a novela brasileira, fizeram a crônica da vida brasileira, o que o cinema não fez. Se você pegar uma novela da década de 70, vai ver exatamente como era o Brasil naquela época. Já no cinema isso não acontece. Quem retrata o cotidiano da vida brasileira são as novelas. Num determinado momento, o cinema brasileiro, que não começou assim, tomou um rumo perigoso: os filmes tinham que ser todos geniais, tinham que defender teses. O cotidiano, o retrato dos sentimentos, o simples, o cinema-diversão, ficou de la-do, como algo alienante. Ultimamente, a coisa tem mudado. Que bom que seja assim!".

    "Firangi estrangeira"
    "Essa expressão "firangi estrangeira" me soou engraçada. A tradução junto com a palavra ficou engraçada. Como eu iria explicar o tempo todo que "firangi"

    significa "estrangeira"? É de propósito. Criticar isso é o que as nossas avós chamavam de procurar pelo em ovo".

    Sinopse original
    "Agora é que vou começar a escrever a novela que não está na sinopse. A sinopse acaba no momento em que Bahuan (Márcio Garcia) volta para a Índia e fica entre casar com uma mulher milionária ou tentar reconquistar o amor de Maya (Juliana Paes). O meu jeito de escrever não é nada previsível. Não sou daquelas pessoas que sabem exatamente o que vai acontecer. Gosto muito de me surpreender, acabar um capítulo e eu mesma não saber como vou resolver aquilo, porque é um jogo comigo mesma, me diverto com tudo isso".

    Merchandising social
    "Fiquei marcada pelo público por causa das campanhas sociais nas minhas novelas. Resolver o problema não é a nossa função, mas, sim, colocar em discussão, lançar luz, botar um holofote em cima do assunto. Se você faz um país inteiro discutir com quem vai ficar a mocinha, também pode fazer todo mundo discutir algo que mude a vida das pessoas. É isso que sempre busco nas minhas novelas".

    Yvone, a psicopata
    "Quando criei Yvone (Letícia Sabatella), queria mostrar uma psicopata não assassina, porque essa personagem ninguém mostrou ainda. Os psicopatas estão aí. Como diz a Ana Beatriz Barbosa (autora do livro "Mentes perigosas"), o perigo mora ao lado. E costumam se dar muito bem, sempre, porque não têm limites, passam por cima de tudo e de todos para obterem o que querem. Eles estão sempre matando, não necessariamente as pessoas, mas os sonhos, os projetos, a confiança que se deposita neles. Matar só acontece se as pessoas constituírem uma pedra no caminho deles. Se não precisam, puxam o tapete".

    Yvone x Guilherme de Pádua
    "Não pensei em Guilherme de Pádua quando criei a Yvone. Ele é um psicopata assassino, armou à mão da mulher, planejou, emboscou e assassinou minha filha porque não apareceu em dois capítulos e achou que estava saindo da novela. Só um psicopata faz isso e depois fala disso da maneira que um psicopata fala: com trivialidade. Para um psicopata, as outras pessoas são apenas um meio para conseguir um objetivo. Guilherme de Pádua e Paula Thomaz (hoje, Paula Nogueira Peixoto) mataram, deram pêsames à família e foram dormir tranquilamente. A polícia acordou os dois. São coisas que só psicopatas fazem, só alguém completamente desvinculado de sentimentos, de empatia com outro ser humano, é capaz de fazer".

    Livro sobre o caso Daniella
    "Tenho um material muito grande que os jornalistas me deram ao falarem com o assassino na cadeia, com entrevistas que fizeram com os delegados que prenderam Guilherme, contando da prisão. Fiz um banco de dados que está começando ainda, e botei na internet, numa página associada ao meu blog. Ali está tudo reunido, por sequência. Desde a investigação até a sentença do juiz".

    Quimioterapia
    "Já fiz três das seis sessões de quimio que eu preciso fazer. A ideia que eu tinha da quimio era muito negativa, de uma coisa assustadora, dolorosa... Mas é igual a ler uma bula de remédio. Quando você vê os efeitos colaterais do remédio, já se imagina sentindo todos eles. Não é bem assim. Comecei a conversar com muitas pessoas que passaram por esse processo sem grandes danos. Alguns tiveram enjoo, ou algum outro sintoma, outros não tiveram nada. Eu, até hoje, não tive nada. Claro que não se pode comparar meu caso com casos muito graves. Tive um linfoma que estava na tireoide, era primário, e foi inteiramente retirado. A quimio é preventiva".

    Vaidade
    "Senti que as pessoas valorizam muito essa coisa da queda do cabelo, eu não valorizei. Tenho três perucas, de tons diferentes. Uma mais curta, uma média e uma longa, na qual faço rabo de cavalo e tudo. Não tem problema nenhum, o cabelo nasce de novo, assim que acabar a quimioterapia vai começar a nascer outra vez".

    Prazo de validade
    "Não é que você passe a ver a vida de outra maneira, mas essas coisas sempre lembram que temos prazo de validade. Às vezes, a gente esquece disso e é bom ficar alerta. Sempre dei muito valor às pequenas coisas, mas passei a dar um pouco mais, a me preocupar com os que vêm depois de mim. Sempre convivi muito com essa ideia de que a gente tem prazo de validade, sempre".

    Morte
    "Sempre percebi a morte de uma forma muito natural. Vim do interior, do Acre, então convivi intimamente com a natureza, e o ciclo da vida é muito presente e claro para mim. Mostra que tudo tem fim, que as coisas se renovam. É bonito que seja assim, a gente precisa sair para outros chegarem, assim como outros saíram para a gente chegar".

    O final da novela
    "O final de "Caminhos"? Esperem por grandes emoções. Posso adiantar que Duda (Tania Khalill) não vai morrer de parto, como estão espalhando; a família de Opash (Tony Ramos) não vai ficar na miséria, nem Zeca (Duda Nagle) vai ficar paralítico! Imagina, também disseram que Raul (Alexandre Borges) vai matar Yvone. Isso não existe. As pessoas devem estar loucas para se livrarem dela. Credo, o pessoal gosta de ópera! E ainda faltam 32 capítulos para eu escrever". 


    Leia mais: http://extra.globo.com/tv-e-lazer/gloria-perez-abre-casa-fala-de-vida-morte-rebate-criticas-395091.html#ixzz3gR3UljiC

    Prazo de validade
    "Não é que você passe a ver a vida de outra maneira, mas essas coisas sempre lembram que temos prazo de validade. Às vezes, a gente esquece disso e é bom ficar alerta. Sempre dei muito valor às pequenas coisas, mas passei a dar um pouco mais, a me preocupar com os que vêm depois de mim. Sempre convivi muito com essa ideia de que a gente tem prazo de validade, sempre".

    Morte
    "Sempre percebi a morte de uma forma muito natural. Vim do interior, do Acre, então convivi intimamente com a natureza, e o ciclo da vida é muito presente e claro para mim. Mostra que tudo tem fim, que as coisas se renovam. É bonito que seja assim, a gente precisa sair para outros chegarem, assim como outros saíram para a gente chegar".

    O final da novela
    "O final de "Caminhos"? Esperem por grandes emoções. Posso adiantar que Duda (Tania Khalill) não vai morrer de parto, como estão espalhando; a família de Opash (Tony Ramos) não vai ficar na miséria, nem Zeca (Duda Nagle) vai ficar paralítico! Imagina, também disseram que Raul (Alexandre Borges) vai matar Yvone. Isso não existe. As pessoas devem estar loucas para se livrarem dela. Credo, o pessoal gosta de ópera! E ainda faltam 32 capítulos para eu escrever". 


    Leia mais: http://extra.globo.com/tv-e-lazer/gloria-perez-abre-casa-fala-de-vida-morte-rebate-criticas-395091.html#ixzz3gR3UljiC

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