Pleonasmo é uma figura de linguagem usada para intensificar o significado de um termo através da repetição da própria palavra ou da ideia contida nela. A palavra pleonasmo tem origem no latim "pleonasmu" e significa redundância.
Exemplo de Pleonasmo
No poema de Manuel Bandeira, na frase, "Chovia uma triste chuva de resignação", o autor ao usar a palavra chuva, repete a ideia já contida no verbo chover (chovia chuva). Essa repetição foi usada para reforçar a expressividade do verbo chover.
"Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada)
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite".
(Embora a manhã já estivesse avançada)
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite".
Pleonasmo Intencional
O pleonasmo intencional é usado como recurso de estilo, quando se pretende que o leitor ou o ouvinte, se surpreenda, e fique mais atento ao que está sendo escrito ou falado.
Na música - Valsinha - de Chico Buarque de Holanda e Vinícius de Morais, podemos encontrar um pleonasmo:
"E alí dançaram tanta dança,
que a vizinhança toda despertou".
que a vizinhança toda despertou".
Pleonasmo Vicioso
O pleonasmo vicioso de linguagem é a repetição supérflua da palavra ou da ideia contida nela, são vícios de linguagem. Por exemplo:
"Entrar para dentro."
"Sair para fora."
"A brisa matinal da manhã."Eu canto um canto matinal”. (Guilherme de Almeida)
"Sair para fora."
"A brisa matinal da manhã."Eu canto um canto matinal”. (Guilherme de Almeida)
“A ameaça, o perigo, eu os apalpava quase”. (Guimarães Rosa)
Quando fazemos uso de expressões redundantes com a finalidade de reforçar uma idéia estamos utilizando a figura de linguagem chamada pleonasmo. Quando bem elaborada, além de embelezar o texto, esta figura de linguagem intensifica e destaca o sentido da expressão onde foi empregada.
Deve-se evitar, entretanto, o uso de pleonasmos viciosos. Estes não têm valor de reforçar uma noção já implicada no texto. Antes são fruto do desconhecimento do sentido das palavras por parte do falante. O pleonasmo vicioso é muito utilizado na modalidade oral, o que acaba influenciando a modalidade escrita. Veja alguns exemplos:
“Menino, entre já para dentro”.
“Eu fui fazer um hemograma de sangue hoje de manhã”.
“Joana sofre de leucemia no sangue”.
“Eu vi com esses olhos que um dia a terra há de comer”.
“A protagonista principal do filme ‘O sorriso de Monalisa’ é Julia Roberts”.
Fontes
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 406.
TUFANO, Douglas. Estudos de Língua Portuguesa – Minigramática. São Paulo, Moderna, 2007.Pleonasmo é uma palavra de origem grega (pleonasmós, ou πλεονασμός), passando para o latim como pleonasmus, tendo o significado de abundância, ou superabundância, ou ainda redundância.
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 406.
TUFANO, Douglas. Estudos de Língua Portuguesa – Minigramática. São Paulo, Moderna, 2007.Pleonasmo é uma palavra de origem grega (pleonasmós, ou πλεονασμός), passando para o latim como pleonasmus, tendo o significado de abundância, ou superabundância, ou ainda redundância.
Pleonasmo é uma figura de linguagem gramatical criada através da repetição, na fala ou na escrita, de ideias ou palavras com o mesmo sentido, intensificando o significado dessa ideia. Trata-se de um vício, quanto é utilizado por inconsciência ou ignorância, ou pode ser um efeito literário, quando em textos escritos. Geralmente é utilizado para dar uma maior força à expressão ou ideia.
O pleonasmo pode ser de dois tipos diferentes, conforme sua utilização:
- Pleonasmo estilístico ou literário, que é usado como recurso de um escritor em seu texto, com o objetivo de enfatizar uma ideia ou conceito;
- Pleonasmo vicioso, quando utilizado na linguagem falada, fora de qualquer contexto literário. Nesse caso, o pleonasmo também é chamado de tautologia.
Exemplos de Pleonasmo
Temos diversos exemplos de pleonasmo na literatura, desde Vinícius de Moraes até Fernando Pessoa, passando por outros autores célebres da literatura portuguesa e brasileira.
- Gonçalves Dias, por exemplo, utiliza o pleonasmo em “Morrerás morte vil / na mão de um forte”, onde redunda a ideia de morte;
- Fernando Pessoa utiliza o pleonasmo em “Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal?”, fortalecendo a ideia de sal e salgado;
- Vinícius também usa o pleonasmo em diversos de seus poemas, como “E rir meu riso / E derramar meu pranto”, ressaltando em ambos os versos a ideia de alegria e de dor;
- Manuel Bandeira faz da repetição um exemplo de pleonasmo em seus versos “Chovia uma triste chuva”, reforçando a ideia da tristeza sentida.
Não é somente na literatura, porém, que encontramos pleonasmos. Também na linguagem falada podemos vê-lo, como nos exemplos abaixo:
- Anexar junto;
- Descer para baixo;
- Hemorragia de sangue;
- Suicidou-se a si mesmo;
- Adiar para depois;
- Panorama geral.
Pleonasmo Intencional
O pleonasmo também pode ser considerado intencional, quando é usado como recurso de estilo, surpreendendo o ouvinte ou o leitor para que tenha sua atenção mais voltada ao que está exposto.
A música Valsinha é um bom exemplo disso, onde Vinícius de Moraes e Chico Buarque utilizam o pleonasmo no verso “dançaram tanta dança”.
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Índice
[esconder]Pleonasmo literário[editar | editar código-fonte]
Também denominado pleonasmo de reforço, estilístico ou semântico, trata-se do uso do pleonasmo como figura de estilo para enfatizar algo num texto. Grandes autores usam muito este recurso. Nos seus textos os pleonasmos não são considerados vícios de linguagem, e sim pleonasmos literários.
Pleonasmo vicioso[editar | editar código-fonte]
Trata-se da repetição desnecessária de algum termo ou ideia na frase. Essa não é uma figura de linguagem, e sim um vício de linguagem.
Exemplos[editar | editar código-fonte]
- Anexar Junto
- Subir para cima
- Descer para Baixo
- Hemorragia de sangue
- Entrar para dentro
- Sair para fora
- Suicidou-se a si mesmo
- Panorama geral
- Adiar para depois
- Fogo que arde
- Prefeitura Municipal
- elo de ligação
- certeza absoluta
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- detalhes minuciosos
- anexo junto à carta
- todos foram unânimes
- encarar de frente
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planejar antecipadamente - (planear em Português Europeu)
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer pessoalmente
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- seguindo em frente
- pessoa humana (não confundir com pessoa física ou pessoa jurídica. Este termo é sim um pleonasmo)
- fato real - (facto em Português Europeu; nas variantes não brasileiras do Português fato é a indumentária correspondente a terno no Brasil)
- um mês de mensalidade
- multidão de pessoas
- consultoria especializada
- modelo de referência
- outra alternativa
- voltar atrás
Pleonasmos literários[editar | editar código-fonte]
"Iam vinte anos desde aquele dia
Quando com os olhos eu quis ver de perto
Quanto em visão com os da saudade via."
(Alberto de Oliveira)
Quando com os olhos eu quis ver de perto
Quanto em visão com os da saudade via."
(Alberto de Oliveira)
"Morrerás morte vil na mão de um forte."
(Gonçalves Dias)
(Gonçalves Dias)
"O cadáver de um defunto morto que já faleceu"
(Roberto Gómez Bolaños)
(Roberto Gómez Bolaños)
"E rir meu riso"
(Vinícius de Moraes)
(Vinícius de Moraes)
Pleonasmo musical[editar | editar código-fonte]
"Vamos fugir para outro lugar"
(Gilberto Gil)
(Gilberto Gil)
"Eu vivo na espera de poder viver a vida com você."
(Charlie Brown Jr)
(Charlie Brown Jr)
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