sábado, 29 de agosto de 2015

SUDOROSE

A sudorese é uma propriedade corporal que ajuda a regular a temperatura do corpo. Também chamado de transpiração, o suor é um fluido à base de sal que é liberado pelas glândulas sudoríparas.
Mudanças na temperatura do seu corpo, na temperatura exterior ou no seu estado emocional podem causar sudorese. As áreas do corpo que mais liberam suor são:
  • Axilas
  • Rosto
  • Palmas das mãos
  • Solas dos pés.
Sudorese em quantidades normais é um processo corporal essencial. A transpiração normal é aquela que não interfere na realização de suas atividades diárias e nem causa desconforto.
Sudorese é o ato de produzir e libertar suor, que tem início quando a temperatura corporal central é superior a 37ºC.
O suor é necessário para o controle da temperatura corporal, sobretudo durante o exercício físico ou quando a temperatura ambiente está mais elevada.
A sudorese é regulada pelo sistema nervoso autônomo simpático, através da estimulação das glândulas sudoríparas por nervos específicos.

Sudorese Excessiva (Hiperidrose)

Hiperidrose é uma condição patológica caracterizada pela secreção excessiva de suor, ultrapassando a necessidade de termoregulação devido à disfunção do sistema nervoso autônomo.

Hiperidrose Primária

É uma disfunção rara e permanente do centro sudomotor do cérebro que, por motivos desconhecidos, estimula de forma exagerada as glândulas sudoríparas de determinadas regiões do corpo, causando uma importante sudorese localizada.
As regiões do corpo mais acometidas são as mãos, as axilas, a face, os pés e, ocasionalmente o tronco e o couro cabeludo.

Hiperidrose Secundária

É a sudorese excessiva resultante de uma doença de base conhecida como hipertireoidismo, terapia hormonal, tumores malignos, obesidade, menopausa.

Ruborização Facial

A ruborização facial severa incontrolável é causada pela hiperatividade do sistema nervoso simpático, sendo classificada como um tipo de hiperidrose.
Manifesta-se especialmente durante estímulos emocionais e atividades sociais.Suar é um processo fisiológico vital para o bom funcionamento dos órgãos e das reações metabólicas. Porém, quando a função excede os limites, causando odores ruins e manchando as roupas, o que é uma função natural do corpo passa a ser fonte de constrangimento. A hiperhidrose, como é chamado o excesso de suor, incomodou a aposentada JMS, de 50 anos, por bastante tempo. “Independentemente do clima, se estava calor ou frio, suava muito nas axilas. Recorria a desodorantes e antitranspirantes, mas estes não solucionavam o problema. Aquilo me incomodava muito, porque queria usar uma camiseta ou algo assim e me sentia constrangida por causa do suor em excesso”, lembra. “Resolvi procurar uma dermatologista, que me sugeriu aplicações de botox. Por enquanto, fiz somente uma, há cerca de 40 dias, mas já sinto o ótimo resultado. Tenho que voltar ao consultório daqui a quatro meses para fazer outra aplicação. Sei que melhorou bastante e estou me sentindo muito feliz e segura com o tratamento.”

A dermatologista Maria de Fátima Melo Borges diz que a aplicação de toxina botulínica é bem aceita como um dos tratamentos eficazes contra o suor patológico (BETO MAGALHAES/EM/D.A PRESS)
A dermatologista Maria de Fátima Melo Borges diz que a aplicação de toxina botulínica é bem aceita como um dos tratamentos eficazes contra o suor patológico
Não só nas axilas, mas o suor excessivo pode brotar nos pés e das mãos. O dermatologista Antônio Júlio de Araújo Barreto, com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), esclarece que a sudorese é o ato de produzir e libertar suor, que tem a importante função de controle de temperatura: suamos para equilibrar a temperatura do nosso corpo com o ambiente. “Existe a hidrose (transpiração), a hiperhidrose (transpiração abundante, excessiva), a bromidrose (suor com cheiro ruim) e a cromidrose (suor com cor).”

“A hiperhidrose pode ocorrer de forma fisiológica. Um exemplo: quando se fazem exercícios físicos, o suor tem função de controlar e equilibrar a temperatura do corpo com a do local. Já a primária é uma disfunção rara e permanente do cérebro que, por motivos desconhecidos, estimula, de forma exagerada, as glândulas sudoríparas de determinadas regiões do corpo. A secundária é a sudorese excessiva, resultante de uma doença de base como hipertireoidismo, terapia hormonal, tumores malignos, obesidade, menopausa. A hiperhidrose pode ser, também, uma característica genética – há famílias ‘calorentas’. Não se passa hiperhidrose e esta não é uma doença contagiosa.”

O médico ressalta que a cura depende da causa. “Sabemos que uma das funções da gordura é ser isolante témico. Por isso, os obesos têm uma chance maior de ter hiperhidrose. Se ele retomarem ao percentual de gordura ideal para seu tamanho, o suor tende a voltar ao normal. Outro exemplo: se uma mulher começou a ter hiperhidrose porque entrou na menopausa, a reposição hormonal resolverá o problema. Ajuda muito o uso de roupas leves, banhos frios e ar-condicionado. Quanto à bromidrose e à cromidrose (que são causadas por bactéria, já que o suor do ser humano não tem cheiro nem cor), estas podem ser tratadas com medicações, avaliadas em cada caso por um dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), lembrando que é fundamental uma boa higiene pessoal.”

Várias causas Paulo Augusto Miranda, presidente do Departamento de Endocrinologia e Metabologia da Associação Médica de Minas Gerais, explica que a sudorese é controlada de forma involuntária pelo sistema nervoso autônomo. “A hiperatividade simpática é a causa mais comum da hiperidrose. Seja relacionada ao estresse ou mesmo em repouso. Algumas doenças endocrinometabólicas estão associadas à sudorese excessiva, como obesidade – pacientes obesos apresentam maior sudorese; hipertireoidismo – o excesso de hormônios tireoidianos causa um estado de aumento da atividade simpática gerando tremores, ansiedade e aumento da sudorese.”

A sudorese exagerada também é associada ao excesso do hormônio de crescimento (GH – Growth Hormone, na sigla em inglês), uma patologia rara que leva ao aumento das extremidades no adulto, ou ao gigantismo, quando acomete crianças e adolescentes. “Uma das queixas mais frequentes nesse grupo de pacientes é a hiperidrose. No caso destas patologias com causa da hiperidrose, o tratamento específico de cada uma delas é o indicado para a reversão ou melhora dos sintomas.”

Tratamento De acordo com Maria de Fátima Melo Borges, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional MG, o tratamento pode ser feito pelo uso de medicamentos locais (sais de alumínio, glicopirrolato) ou iontoforese , que controlam a produção do suor pela glândula sudorípara. Medicamentos orais também são receitados, mas somente em casos muito específicos, devido aos efeitos colaterais. A aplicação de toxina botulínica, principalmente nas axilas, é bastante eficiente e já está bem estabelecida como solução para bloquear a produção do suor. Em casos especiais é feita uma cirurgia para remover as glândulas sudoríparas ou os gânglios que participam da inervação das glândulas (simpatectomia).

Relação do uso de antitranspirantes com câncer de mama ou Alzheimer não passa de lenda, segundo especialistas (JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS)
Relação do uso de antitranspirantes com câncer de mama ou Alzheimer não passa de lenda, segundo especialistas
A polêmica dos sais de alumínio e o câncer
Existe uma tese de que o uso diário de antitranspirante está relacionado ao aparecimento do câncer de mama, o que seria comprovado pela detecção de alumínio, que entra na composição do produto, em células humanas. O alumínio teria sido medido no tecido mamário humano com níveis superiores aos encontrados no sangue. Alguns estudos teriam demonstrado a absorção da substância em aplicação tópica por meio dos sais de alumínio (cloridrato de alumínio, cloreto de alumínio ou complexos de alumínio-zircônio) contidos nos antitranspirantes, os quais, comprovadamente, apresentariam efeitos tóxicos ao organismo humano, em determinadas quantidades, de forma cumulativa.

Para Renata Magalhães, dermatologista da Universidade Federal de Campinas (Unicamp) e docente da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), tais informações não passam de lenda. Os dados não foram tirados de nenhuma pesquisa, mas, sim, de boatos que circulam na internet ou pelo boca a boca. “Fizemos uma releitura da literatura médica mundial e não conseguimos encontrar nada que pudesse justificar que o uso de desodorantes e antitranspirantes causam câncer de mama, ou mesmo o Mal de Alzheimer , afirma ela. “Tudo não passa de popular”, garante.

Mesmo assim, é preciso certo cuidado com o uso. A dermatologista Maria de Fátima Melo explica que os desodorantes, como são feitos com perfumes, podem ocasionar reações alérgicas nas pessoas sensíveis ao princípio utilizado. “Como o próprio nome sugere, são substâncias para reduzir ou mascarar o odor. Já os antitranspirantes agem no funcionamento da glândula sudorípara, regulando a produção do suor. Muitas vezes há a associação dos dois princípios nos produtos comercializados”, explica.

De acordo com a dermatologista, os antitranspirantes mais eficientes são realmente feitos à base de sais de alumínio e considerados substâncias seguras para uso local. Ela também afirma que não existem estudos científicos sérios, bem conduzidos, relacionando seu uso ao câncer de mama. “O que se vê são publicações alarmistas, sem nenhum fundamento científico, principalmente nas redes sociais, às vezes até com imagens de doenças cutâneas sem relação com câncer, causando medo e desinformação.”

A médica ressalta que esses produtos não precisam ser evitados. “Os produtos industrializados ou formulados pelos dermatologistas são feitos com substâncias seguras, em doses adequadas, e podem ser usados sem receio. Eles não apresentam nenhum efeito tóxico ao organismo. Isto, desde que sejam obedecidos os princípios de se utilizar substâncias seguras, bem estabelecidas e em dosagens adequadas. O calomelano, que já foi usado no passado e vendido livremente para manuseio em casa e como desodorante, hoje está proibido por ser um composto de mercúrio (cloreto mercuroso).”

Maria de Fátima lembra que há outras medidas capazes de reduzir a presença de bactérias locais e otimizar o uso de desodorantes e antitranspirantes: usar roupas de algodão, que absorvem melhor a umidade e reduzem este contato com a pele, a depilação, sabonetes antissépticos no banho e os cuidados com as roupas, como lavagem e troca frequente.A transpiração é a forma com que o corpo regula a sua temperatura, especialmente durante atividades físicas ou em ambientes mais quentes. A sudorese é regulada pelo sistema nervoso e produzida pelas glândulas sudoríparas. Em alguns casos a hiperatividade dessas glândulas produz o que chamamos de sudorese excessiva ou hiperidrose. Esse quadro se caracteriza pela transpiração em excesso e pode afetar todo o corpo ou apenas a região palmar das mãos, planta dos pés, axilas, região inframamária, inguinal ou craniofacial.
Essa condição afeta cerca de 1% da população, e apesar de não se tratar de doença grave causa bastante desconforto e constrangimento para seus portadores. A vida social e profissional é afetada e muitas pessoas passam a tentar esconder esse problema.
A sudorese excessiva pode ser primária ou secundária, normalmente associada ao hipertireoidismo, menopausa, obesidade etc. As causas da sudorese primária são desconhecidas e os sintomas podem aparecer em qualquer fase da vida.
Alguns fatores podem agravar o quadro de hiperidrose: aumento da temperatura ambiente, atividades físicas, febre, ansiedade e ingestão de alimentos condimentados.
Na maioria dos casos o uso de antitranspirantes ou medicamentos não surtem o efeito desejado. Para alguns casos, as aplicações de toxina botulínica tipo A pode ser de grande ajuda para diminuir a quantidade de suor produzido.O suor é fundamental para o controle da temperatura interna do organismo. Quando ela sobe, os centros cerebrais responsáveis pelo equilíbrio térmico detectam esse aumento, fazem a pessoa suar e a evaporação da água que se formou na pele alivia a sensação de calor.
O controle da sudorese é involuntário e determinado pelo sistema nervoso autônomo, aquele responsável pelas batidas do coração, pelo ritmo respiratório e por outras funções que exercemos sem nos dar conta de que estão sendo realizadas.
Algumas pessoas, no entanto, manifestam uma sudorese excessiva (ou hiperidrose) que interfere em seu convívio social. Por causa das mãos sempre molhadas (imagem1), cumprimentar alguém ou fazer um carinho na namorada podem provocar sensação desagradável tanto em quem faz quanto em quem recebe o gesto de afeto ou cordialidade.
Outras vezes, o problema se manifesta nas axilas (imagem 2) e não há elegância que resista à roupa com marcas de suor debaixo dos braços. A hiperidrose pode ocorrer também com frequência nos pés (imagem 3) e no rosto. Neste último caso, diante de mínimo estresse social, a pessoa fica ruborizada e sua muito, o que pode ser fonte de inúmeros constrangimentos.
PRINCIPAIS QUEIXAS
Drauzio – Quais são as principais apresentações da sudorese excessiva?

José Ribas Milanez –  A principal queixa das pessoas que procuram o médico é o suor excessivo nas mãos e nos pés. A segunda é a sudorese exagerada na região axilar que se manifesta principalmente na fase ativa da vida de homens e mulheres e, em terceiro lugar, destaca-se a sudorese excessiva no rosto (imagem 4), sintoma que se desenvolve, na maior parte das vezes, na idade adulta, ao redor dos 30, 40 ou 50 anos. Esse tipo de sudorese interfere, por exemplo, nas atividades profissionais e na vida social de pessoas como executivos, advogados, juízes ou de candidatos a um emprego.
Drauzio – Existe relação nítida entre o episódio da sudorese excessiva e o estresse? A pessoa quando está calma sua menos?
José Ribas Milanez –
Há uma nítida correlação entre estresse e desencadeamento das crises nos grupos que apresentam sudorese excessiva no rosto e nas axilas (imagem 5). No grupo palmar-plantar, em que também pesam os fatores estressantes, às vezes, mesmo estando calmas e tranquilas, as pessoas podem suar muito. Esse é o grupo que mais sofre.
IMPACTO PSICOLÓGICO DA HIPERIDROSE
Drauzio – Qual o impacto psicológico desse tipo de problema na vida das pessoas?
José Ribas Milanez – Muitas vezes, não nos damos conta do impacto psicológico, social e de seu reflexo na forma de viver dos pacientes que esse tipo de problema provoca. Já recebemos crianças que não conseguiam ser alfabetizadas. O estresse que representava ir à escola, enfrentar colegas e professora era tão grande que impedia o processo de aprendizagem. Adolescentes com hiperidrose não estabelecem relacionamentos, não namoram e evitam aproximar-se de outras pessoas.
Os sintoma
s não desaparecem com a idade. Já tivemos a oportunidade de atender um adulto com 47/48 anos que nunca tinha experimentado um relacionamento social que não fosse pago. Pagar as pessoas com as quais saía diminuía seu nível de estresse e ele suava menos. Também tratamos de um executivo que mandou construir uma mesa com três metros e meio de largura a fim de dificultar a aproximação de quem entrasse em sua sala para não ter que lhes apertar as mãos.
Como se pode imaginar, a sudorese excessiva pode interferir até na escolha profissional. Apesar da vocação, de que adianta formar-se engenheiro ou arquiteto se as mãos sempre molhadas comprometem a capacidade de desenhar?
Drauzio – Por que a sudorese excessiva ocorre especialmente nessas regiões do corpo?
José Ribas Milanez – Cabeça, mãos, axilas, virilhas e pés (imagem 6) são as regiões do organismo onde mais existem glândulas sudoríporas. O suor produzido especialmente nesses locais ajuda a regular a temperatura do corpo. Todas as vezes que somos submetidos a estímulos estressantes, o sistema nervoso manda impulsos para uma dessas regiões e a sudorese se manifesta.
CARACTERÍSTICAS GENÉTICAS E GRUPOS DE RISCO
Drauzio – São conhecidas as causas da hiperidrose?
José Ribas Milanez – Como existem pessoas que, quando estressadas, têm dor de estômago, dor de cabeça, hipertensão e algumas chegam a enfartar e até a morrer, há um grupo que em resposta ao estresse sua muito. Em mais da metade dessespacientes (56%), foi encontrado um parente de primeiro grau (pai, mãe, filho, irmão) ou de segundo grau com o mesmo tipo de resposta ao estresse. A hiperidrose, portanto, tem características genéticas que se manifestam em determinadas famílias.
Drauzio – É possível identificar um grupo de risco mais vulnerável à hiperidrose?
José Ribas Milanez – “Descoberta” recente da literatura e nossa experiência pessoal indicam que quanto maior o índice de massa corpórea, piores são os sintomas. Os gordinhos suam mais. Também foi notado que, em mais de 50% dos casos, a hiperidrose está relacionada com o diabetes. Pessoas com sudorese excessiva são diabéticas ou têm parentes diabéticos. Portanto, fazem parte do grupo de risco o gordinho, os diabéticos e aqueles que têm outros casos de sudorese abundante na família.
Drauzio – Quais são as explicações para esses quadros?
José Ribas Milanez – Herança genética é a explicação que se conhece por enquanto. Algumas famílias apresentam essa característica de suar além do necessário para manter a temperatura do corpo. Isso não significa que avô, pai e filho manifestem o problema na mesma intensidade. Às vezes, os sintomas são moderados no avô, intensos no filho e podem ou não aparecer no neto.
Drauzio – Existe algum procedimento que ajude a reduzir a sudorese nas pessoas com tendência à hiperidrose?
José Ribas Milanez – É muito difícil conseguir controlar a sudorese excessiva. As pessoas acabam aprendendo que reduzir o nível de ansiedade talvez acalme os sintomas e diminua a intensidade do suor, mas que é quase impossível controlar a manifestação do problema. Faço sempre uma brincadeira com minhas pacientes adolescentes. Pergunto-lhes: “E se você tivesse que cumprimentar o Brad Pitt na porta do cinema?” Todas parece derreterem de tanto que suam só em pensar nessa possibilidade.
É fácil falar – “Mantenha a calma se tiver que cumprimentar seu ídolo, conseguir trabalho, atingir determinada meta”; difícil conseguir fazê-lo.
FAIXA ETÁRIA DAS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES
Drauzio – Quando costuma aparecer esse problema? É de nascença, começa na infância ou pode ocorrer mais tardiamente na adolescência?
José Ribas Milanez – Nossa observação e a literatura, que é pobre no assunto, sugerem que o grupo das mãos e dos pés já nasce com o problema. As mães notam que os pezinhos e as mãozinhas dos bebês são caracteristicamente mais úmidos e mais frios.
Os adolescentes pertencem ao grupo axilar. São os jovens que, saindo de casa para enfrentar os apelos da vida, percebem que a sudorese excessiva compromete os relacionamentos e a possibilidade de namorar ou de arranjar emprego.
O grupo craniofacial é constituído por executivos, por pessoas que trabalham engravatadas e de terno e por senhoras nas quais a sudorese excessiva manifesta-se mais tardiamente.
Drauzio  A incidência de hiperidrose é igual nos dois sexos?
José Ribas Milanez – As mulheres são discretamente mais afetadas do que os homens: 60% dos casos ocorrem com mulheres e 40%, com homens. A esse respeito, porém, existe um dado interessante. Trabalhos realizados na Arábia Saudita indicam outra realidade: a cada 70 homens correspondem apenas 10 mulheres com hiperidrose. Talvez essa constatação denote simplesmente a fisionomia de uma sociedade em que os homens têm acesso a tudo e as mulheres, a nada.
PROPRIEDADE DA INDICAÇÃO CIRÚRGICA
Drauzio – Quem sofre maior impacto psicológico negativo, os homens ou as mulheres?
José Ribas Milanez – O impacto psicológico negativo é idêntico nos dois sexos. Tanto a vida dos homens quanto a das mulheres torna-se extremamente limitada pela sudorese excessiva. Por isso, dentro do campo da cirurgia torácica, esse é um tratamento que traz satisfação pessoal imediata. O paciente que entra no consultório procurando ajuda não é o mesmo que aparece no primeiro retorno após a cirurgia. Seu sorriso mudou, sua vida mudou.
Drauzio – O que acontece com ele?
José Ribas Milanez – Ele se descobre para a vida. Estamos desenvolvendo uma tese sobre a qualidade de vida desses pacientes. Só para ter uma ideia, antes da cirurgia, 100% deles declaram que sua qualidade de vida é ruim ou muito ruim. Nenhum a classifica como boa ou mesmo como regular. Trinta dias depois da cirurgia, quando retornam para consulta, 86,5% caracterizam a qualidade de vida como melhor ou muito melhor. Apenas 4% apresentam algum tipo de queixa ou sudorese compensatória em outras regiões do corpo que possam comprometer o resultado do tratamento.
Drauzio – Certa vez vi num programa de televisão um rapaz apresentado como paranormal de cujas mãos pingava muita água. Provavelmente se tratava de um caso de hiperidrose e não de paranormalidade, não é?
José Ribas Milanez – Provavelmente se tratava de um fenômeno absolutamente fisiológico, interpretado como paranormal por aqueles que não o compreendem convenientemente. Certas pessoas, quando chegam ao consultório, me perguntam – “O senhor quer ver uma piscina?” – e deixam pingar o suor que escorre de suas mãos. O mesmo acontece com algumas crianças que, nervosas por estarem diante de um médico desconhecido, deixam um rastro de suor no chão por onde passam.
CASOS MAIS GRAVES
Drauzio – Qual foi o caso mais grave que você já atendeu?
José Ribas Milanez – Sob o ponto de vista psicológico, considero três casos como os mais significativos. O primeiro é o caso da criança de sete anos que não conseguia ser alfabetizada e que, por ignorância dos pais, era espancada por eles. Seus cadernos ficavam molhados pelo suor excessivo que brotava em suas mãos. Os professores de uma escola do interior não entendiam o problema e relatavam o fato aos pais que batiam no filho porque achavam que ele fazia aquilo de propósito.
O segundo foi o de um senhor de 48 anos que nunca conseguiu estabelecer um relacionamento que não fosse pago. Ele passou mais da metade de sua vida útil sem ter experimentado um momento de tranquilidade.
Outro caso que me chamou a atenção envolvia quatro pessoas da mesma família, todas com hiperidrose, que viviam como párias sociais. O pai se encarregava do sustento das filhas que permaneciam trancadas dentro de casa sem nenhum relacionamento fora do lar.
Drauzio – Nos casos de hiperidrose, o que mais atrapalha o relacionamento social é o das mãos?
José Ribas Milanez – Sem dúvida nenhuma, a hiperidrose das mãos choca muito e atrapalha qualquer tipo de contato. Imagine uma pessoa que tivesse de trabalhar segurando um microfone. Os choques provocados pelo suor de suas mãos impediriam que ela desempenhasse essa atividade profissional.
DIAGNÓSTICO DA HIPERIGROSE PATOLÓGICA
Drauzio – Como se estabelece a diferença entre pessoas com hiperidrose patológica e as que apenas suam muito e com facilidade?
José Ribas Milanez – Para ter uma ideia mais precisa, vou citar alguns números. No estudo que estamos realizando, entrevistamos aproximadamente 2.500 pacientes com esse tipo de queixa. Desses 2.500, foram selecionados 600 para tratamento cirúrgico. Os outros 1.900 têm queixas como suor excessivo em outras partes do corpo provocado por alterações hormonais, obesidade, alto grau de ansiedade ou, ainda, por outras patologias associadas, mas não são casos tão graves. Várias dessas pessoas, desde que bem orientadas, acabam não precisando de tratamento cirúrgico.
Nem todo o mundo que apresenta sintomas parecidos com os da hiperidrose precisa ser operado. Se fizermos as contas, apenas entre 30% e 35% das pessoas entrevistadas são encaminhadas para a cirurgia.
TRATAMENTOS NÃO CIRÚRGICOS
Drauzio – Vamos começar falando dos tratamentos não cirúrgicos?
José Ribas Milanez – São vários os tratamentos não cirúrgicos. Existem medicamentos para serem tomados por via oral que podem diminuir o grau de sudorese, substâncias adstringentes para serem passadas nas axilas e nas mãos e existem injeções de botox, procedimento muito em moda atualmente nos tratamentos estéticos, que ajudam a controlar a sudorese.
Drauzio – Qual o mecanismo de ação do botox no tratamento da hiperidrose das mãos?
José Ribas Milanez – O botox bloqueia a transmissão nervosa das glândulas sudoríporas e requer de 35 a 40 aplicações em cada mão para produzir o efeito desejado nos casos de hiperidrose.
Drauzio – Isso não interfere na movimentação das mãos?
José Ribas Milanez – Dependendo do número de tratamentos, em alguns casos, o botox pode interferir discretamente com a movimentação fina. Pianistas ou tocadores de violão podem ressentir-se um pouco desse efeito colateral.
Todas as injeções são aplicadas na palma da mão em uma única sessão e o efeito dura de quatro a seis meses. Nossa experiência indica que os pacientes suportam até quatro tratamentos, mas são muito resistentes a submeter-se à quinta aplicação. Artistas com sudorese excessiva axilar procuram esse tipo de tratamento quando estão gravando uma novela, participando de um show importante ou fazendo uma turnê. Em geral, a partir da quarta sessão, porém, procuram solução mais definitiva.
Drauzio – Fiquei impressionado com o número de picadas dessas injeções. Tudo é feito de uma só vez, numa única sessão?
José Ribas Milanez – Tudo é feito de uma única vez. É bom salientar que a medicação indicada para controlar a sudorese excessiva exige uma dose bastante próxima da dosagem tóxica. Resultado: o paciente acaba se expondo aos malefícios dessas drogas com pouco benefício no que se refere ao suor. Por isso, recomenda-se o tratamento cirúrgico, quando os sintomas são intensos e interferem socialmente na vida do paciente.
DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO CIRÚRGICO
Drauzio – Como é realizada a cirurgia?
José Ribas Milanez – Antigamente, ela era realizada através de duas incisões na região cervical. A cicatriz era grande e a cirurgia demorava muito tempo. Hoje, é feita por videocirurgia através de duas incisões de apenas meio centímetro: uma abaixo da mama das mulheres ou do mamilo dos homens e outra na axila que servem para introduzir a câmara de televisão e o bisturi elétrico ou ultrassônico (imagem 8).
Drauzio – E vocês operam como se estivessem brincando de videogame, olhando para a tela e não para o paciente?
José Ribas Milanez – O médico opera olhando dentro do tórax do paciente pela televisão. Na verdade, ele enxerga com mais precisão, porque a imagem captada pela câmera é nítida, colorida e 20 vezes maior do que as estruturas naturais. Assim, uma estrutura de 0,5 cm aparece na tela como se tivesse 10 cm. Essa precisão com que se identificam as estruturas, o aumento e a nitidez da imagem dão maior segurança para o cirurgião.
Drauzio – Qual é a estrutura que vocês pretendem tratar durante a cirurgia?
José Ribas Milanez – Ao lado da coluna torácica, existe uma estrutura chamada cadeia simpática constituída por pequenos gânglios de 0,5 cm. Cada região do corpo tem uma correspondência bem precisa na cadeia simpática. Os gânglios seguem as costelas do tórax: gânglio número 1 localiza-se na costela 1; o número 2, na costela 2 e assim sucessivamente. Queixas de hiperidrose nas mãos têm relação com o gânglio número 2; nas axilas com os gânglios números 3 e 4. O tratamento consiste, então, em eliminar o gânglio que corresponde ao sintoma do paciente. Como se costuma dizer, elimina-se o interruptor da sudorese.
Drauzio – E no final, como fica a cicatriz?
José Ribas Milanez –A  cicatriz é mínima. Resume-se a dois pontinhos: um na axila e o outro na altura da marquinha do sutiã e do biquíni (imagem 9). Hoje, costuma-se dar apenas um ponto intradérmico e, trinta dias depois da cirurgia, o sinal é quase imperceptível. Essas novas técnicas cirúrgicas tornaram o tratamento da hiperidrose mais fácil,
RESULTADOS PÓS-CIRÚRGICOS
Drauzio – Qual é a evolução desses casos?
José Ribas Milanez – Quando o paciente acorda depois da cirurgia, já não sua mais nas mãos, nas axilas e a sudorese dos pés está reduzida em 70%. Na verdade, a coisa mais gratificante nesse tipo de tratamento é ver o paciente acordar. Ele olha as mãos, coloca-as no rosto para sentir que estão secas e quentes e percebe feliz que seu problema desapareceu.
Drauzio – Quanto tempo depois da cirurgia ele recebe alta?
José Ribas Milanez – Geralmente, ele é internado de manhã, operado na hora do almoço e à tardinha ou na manhã seguinte pode voltar para casa. No Hospital das Clínicas e no Albert Einstein, eles pernoitam no hospital e fazem uma radiografia de controle no dia seguinte. Depois disso, podem ir embora.
Drauzio – A sudorese que deixa de ter nas mãos ou nas axilas não vai ser compensada por sudorese em outros pontos do organismo?
José Ribas Milanez – Essas pessoas suam demais por excesso do tono simpático. Só que o tono simpático precipitado por esse estresse não passa para outro local. O que passa é o que a mão ou a axila representava no controle da temperatura do organismo.
Dessa forma, em 100 pessoas operadas, 60 vão suar um pouco mais na barriga e nas costas, quando estiverem em ambientes muito quentes, fazendo exercícios, ou na praia, debaixo do sol, por exemplo. Como as mãos e as axilas desses pacientes deixaram de participar na regulação da temperatura, a sudorese aumentará um pouco em outros locais do corpo. No entanto, apenas quatro delas nesse grupo de cem reclamam de tal sintoma e acham que não valeu a pena tal substituição. As outras 96 não emitem qualquer sinal de que se incomodam com isso.
Essa reação acontece especialmente com os indivíduos mais gordinhos, quando o índice de massa corpórea é superior a 25. Nos mais magros, ela é praticamente igual a zero.

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