sábado, 22 de agosto de 2015

VODU

Vodu é um misto de crenças cristãs e ritos africanos,onde o elemento sobrenatural é preponderante. É um ritual de culto a deuses de origem africana e aos santos mais representativos da Igreja Católica.
O vodu teve origem na África e foi trazido pelos escravos que vieram para a América, na época da colonização.
O vodu é uma religião que cultua os antepassados e entidades chamadas de loas. Cada loa é reverenciada no seu dia próprio, onde animais (galinha, cabra), são sacrificados e oferecidos, junto com frutas e outras comidas.
Os hogans (feiticeiros) são verdadeiros chefes espirituais. As mulheres que conduzem o ritual são chamadas de mambu.
Os rituais de vodu, chamados de magia negra, são acompanhados de danças, cantos e músicas tocadas em instrumentos de percussão. Os participantes, vestidos com roupas típicas, entram em transe e incorporam os loas (os bons e os maus espíritos).
No Brasil o vodu misturou-se a outras práticas religiosas, principalmente o catolicismo. Em cada estado recebeu um nome e característica próprias: na Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo passou a ser chamado Candomblé jeje; no Maranhão e no Amazonas Tambor de Minas e em Pernambuco o Xangô.
No Haiti, país da América Central, o vodu é a religião cultuada pela maioria da população. A feitiçaria e o Estado estiveram ligados durante toda a história haitiana. Desde cedo os governantes proclamavam ser homens sobrenaturais, pois contavam simultaneamente com a força do Estado e com sua condição de bruxos eficientes.  Quase todos os homens que governaram o país, comandavam paralelamente as danças cerimoniais.Vodum, vodun, voodoo ou vodu são termos que se referem aos ramos de uma tradição religiosa teísta-animista baseada nos ancestrais que tem as suas raízes primárias entre os povos Ewe-Fon do Benim, onde é, hoje, a religião nacional, com mais de 7 milhões de adeptos. Além da tradição fon, ou do Daomé, que permaneceu na África, existem tradições relacionadas que lançaram raízes no Novo Mundo durante a época do tráfico transatlântico de escravos (século 16 - século 19) e que persistem até hoje, como o candomblé brasileiro, o vodu haitiano, a santería cubana, o vudu da Luisiana etc. "Vodum" pode designar tanto a religião quanto os espíritos centrais nessa religião.

África[editar | editar código-fonte]

Área original do vodu e das línguas gbe
O vodum da África Ocidental (Vodun ou Vudun na língua fon do Benin e da Nigéria e na língua ewe do Togo e Gana) é uma religião tradicional da costa da África Ocidental, da Nigéria a Gana. É distinta das religiões animistas tradicionais do interior desses mesmos países, e semelhante a diversas religiões surgidas com adiáspora africana no Novo Mundo, como o vodu haitiano, o vodu da República Dominicana, o candomblé jeje no Brasil, o voodoo da Luisiana e a santería emCuba, que são sincretizadas com o cristianismo e as religiões tradicionais africanas do povo bacongo.
É praticado pelos EweKabyeMinaFon e (com um nome diferente) os povos iorubás do sudeste do GanaTogo meridional e central, Benin meridional e central, e sudoeste da Nigéria. A palavra vodún (pronunciado vodṹ - ou seja, com um u nasal em um tom alto) é o termo Gbe (Ewe-Fon) para a palavra "espírito".
60% da população do Benim, cerca de 4,5 milhões de pessoas, pratica vodum. Além disso, muitos dos 15% da população beninense que denominam-se "cristãos" praticam, na verdade, uma religião sincretizada, semelhante ao vodu haitiano ou ao candomblé brasileiro. Muitos deles são descendentes de escravos libertos brasileiros que se fixaram na costa perto de Ouidah. Em Togo, cerca de metade da população indígena pratica religiões, das quais o vodum é, de longe, a mais seguida, com cerca de 2,5 milhões de seguidores. Pode haver outros milhões de vodúnsis entre os ewés de Gana: 13% da população de 20 milhões são ewe e 38% dos ganenses pratica religiões tradicionais. Cerca de 14 milhões dos nigerianos pratica religiões tradicionais, principalmente o vodum.

Brasil[editar | editar código-fonte]

A tradição e a cultura dos escravos jejesewésfonsminasfantes e axântis deram origem no Brasil às tradições conhecidas como:

Cuba[editar | editar código-fonte]

A tradição fon mais ou menos "pura" de Cuba é conhecida como La Regla Arará. Ver também: Santería.

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

É importante notar que a palavra Voodoo é a mais comum, conhecida e usada na cultura popular americana, embora seja vista como ofensiva pelas comunidades praticantes da Diáspora africana. As soletrações diferentes deste termo podem ser explicadas como segue:
A palavra voodoo é usada para descrever a tradição creole de New Orleansvodou é usado para descrever a tradição vodu haitiana.
vudu da Luisiana, também conhecido como New Orleans Voodoo, é uma religião da diáspora africana, uma forma de espiritualidade que foi desenvolvida falando-se a língua francesa e o Creole pela populaçãoAfro-americana do estado de Luisiana, nos Estados Unidos.

Haiti[editar | editar código-fonte]

Bandeira vodu
O vodu haitiano, chamado de Sèvis Gine("serviço africano") no Haiti, tem também fortes elementos dos povos IgboCongo da África Central e o ioruba daNigéria, embora muitos povos diferentes ou "nações" da África tenham representação na liturgia do Sèvis Gine, assim como os índios tainos, os povos originais da ilha agora conhecida como Hispaniola.
Formas crioulas de vodu existem no Haiti (onde é nativo), na República Dominicana, em partes de Cuba, e nos Estados Unidos, e em outros lugares em que os imigrantes de Haiti dispersaram durante os anos. É similar a outras religiões da diáspora africana, tais como Lukumi ou Regla de Ocha (conhecida também comosantería) em Cubacandomblé e umbanda no Brasil, todas essas religiões que evoluíram entre descendentes de africanos transplantados nas Américas.

Jamaica[editar | editar código-fonte]

Obeah é uma forma de religião ou culto de ancestrais africanos praticado na Jamaica, Voduns.

Voduns[editar | editar código-fonte]

Mawu é o ser supremo dos povos Ewe e Fon, que criou a terra e os seres vivos e engendrou os voduns, divindades que a ("Mawu" é do gênero feminino) secundariam no comando do universo. Ela é associada a Lissá, que é masculino, e também corresponsável pela criação, e os voduns são filhos e descendentes de ambos. A divindade dupla Mawu-Lissá é intitulada Dadá Segbô (Grande Pai Espírito Vital).
Os voduns na África são agrupados em "famílias" chefiadas por um vodum principal, ora representando um elemento ou fenômeno da natureza, ora da cultura. Existem, basicamente, 4 famílias principais:
  • Os Ji-vodun, ou "voduns do alto", chefiados por  (forma basilar de Heviossô).
  • Os Ayi-vodun, que são os voduns da terra, chefiados por Sakpatá.
  • Os Tô-vodun, que são voduns próprios de uma determinada localidade (variados).
  • Os Henu-vodun, que são voduns cultuados por certos clãs que se consideram seus descendentes (variados).
No Brasil, os voduns são cultuados nos terreiros de candomblé, sobretudo nos da nação jeje, onde ainda se conserva alguma lembrança da divisão por famílias.

Rituais[editar | editar código-fonte]

Voduns não usam roupas luxuosas, não gostam de roupas de festa e, geralmente, preferem a boa e velha roupa de ração. As danças são cadenciadas em um ritmo mais denso e pesado. Os voduns estão sempre de olhos abertos e, salvo algumas exceções, conversam (usando preferencialmente um dialeto próprio) e dão conselhos a quem os procura.

Iniciação[editar | editar código-fonte]

iniciação ao culto dos voduns é complexa é longa e pode envolver longas caminhadas a santuários e mercados e períodos de reclusão dentro do convento ou terreiro hunkpame que podem chegar a durar um ano, quando os neófitos são submetidos a uma dura rotina de danças, preces, aprendizagem de línguas sagradas e votos de segredo e obediência.

Hierarquia[editar | editar código-fonte]

Commons
Commons possui imagens e outras mídias sobre Vodum

Referências

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Ajayi, J.F. and Espie, I. "Thousand Years of West African History" (Ibadan: Ibadan University Press, 1967).
  • O Livro dos Deuses Voduns, Vodun no Brasil-
  • Akyea, O.E. "Ewe." New York: (The Rosen Group, 1988).
  • Asamoa, A.K. "The Ewe of South-Eastern Ghana and Togo: On the eve of colonialism," (Ghana: Tema Press. 1986).
  • Ayivi Gam l . Togo Destination. High Commissioner for Tourism. Republic of Togo, 1982.
  • Bastide. R. African Civilizations in the New World. New York: Harper Torchbooks, 1971.
  • Decalo, Samuel. "Historical Dictionary of Dahomey" (Metuchen, N.J: The Scarecrow Press, 1976).
  • Deren, Maya. "Divine Horsemen: The Living Gods of Haiti." (London: Thames and Hudson, 1953).
  • "Demoniacal Possession in Angola, Africa". Journal of American Folk-lore. Vol VI., 1893. No. XXIII.
  • Ellis, A.B. "Ewe-Speaking Peoples of the Slave Coast of West Africa" (Chicago: Benin Press, 1965).
  • Fontenot, Wonda. L. "Secret Doctors: Enthnomedicine of African Americans" (Westport: Bergin & Garvey, 1994).
  • Hazoum ‚ P. “Doguicimi. The First Dahomean Novel" (Washington, DC: Three Continents Press, 1990).
  • Herskovits, M.J. and Hersovits, F.S. Dahomey: An Ancient West African Kingdom. Evanston, IL: Northwestern University,
  • Hindrew, Vivian M.Ed., Mami Wata: African's Ancient God/dess Unveiled. Reclaiming the Ancient Vodoun heritage of the Diaspora. Martinez, GA: MWHS.
  • Hindrew, Vivian M.Ed., Vodoun: Why African-Americans Fear Their Cosmogentic Paths to God. Martinez, GA. MWHS:
  • Herskovits, M.J. and Hersovits, F.S. "An Outline of Dahomean Religious Belief" (Wisconsin: The American Anthropological Association, 1933).
  • Hurston, Zora Neale. "Tell My Horse: Voodoo And Life In Haiti And Jamaica." Harper Perennial reprint edition, 1990.
  • Hyatt M. H. "Hoodoo-Conjuration-Witchcraft-Rootwork" (Illinois: Alama Egan Hyatt Foundation, 1973), Vols. I-V.
  • Journal of African History. 36. (1995) pp. 391–417.Concerning Negro Sorcery in the United States;
  • Language Guide (Ewe version). Accra: Bureau of Ghana Languages,
  • Manoukian, Madeline. “The Ewe-Speaking People of Togland and the Gold Coast”. London: International African Insittute, 1952.
  • Maupoil, Bernard. "La Geomancie L'ancienne des Esclaves" (Paris: L'universit‚ de Paris, 1943).
  • Metraux, Alfred. "Voodoo In Haiti." (Pantheon reprint edition, 1989)
  • Newbell, Pucket. N. “Folk Beliefs of the Southern Negro”. S.C.: Chapel Hill, 1922.
  • Newell, William, W. "Reports of Voodoo Worship in Hayti and Louisiana," Journal of American Folk-lore, 41-47, 1888. p. 41-47.
  • Pliya, J. "Histoire Dahomey Afrique Occidental" (Moulineaux: France, 1970).
  • Slave Society on the Southern Plantation. The Journal of Negro History. Vol. VII-January, 1922-No.1.

    Maio é o período do ano mais ativo para os adeptos do vodu, pois é quando se intensificam o ritual e as magias em busca da “felicidade”.

    Quando pensamos em vodu, sempre nos vem à mente bonecos sendo espetados por agulhas. Este conceito pode ser visto até mesmo em um recente comercial de TV, onde uma garota faz uma magia contra um rapaz lançando mão de uma prática vodu. Contudo, esse grupo religioso misterioso envolve muito mais que isso.

    Nos Estados Unidos, por exemplo, o vodu é praticado há mais de cem anos nos Estados de Louisiana e Mississipi. No Haiti, quase toda a população se envolve com o vodu – o país tem o voduísmo como religião oficial. Já no Brasil, o seu exercício foi veiculado com grande sincretismo, pois se misturou ao catolicismo nordestino e aos cultos afros.

    O fascínio pelo oculto

    O pesquisador Josh Macdowell atribui a busca pelo oculto à curiosidade humana, que conduz o homem ao esforço pelo conhecimento das coisas secretas, aquelas que parecem extrapolar os cinco sentidos. De fato, desde épocas remotas, o homem tem perseguido desvendar o oculto. Segundo comenta a psicóloga e professora universitária Any Lílian, “a busca permanente pelo oculto, em geral, é o que todos fazemos ao tentar alargar nossos conhecimentos, o que pode ser saudável, pois muito do conhecimento filosófico e científico construído pela humanidade se originou de ‘mistérios’ tidos como ocultos no passado, mas que estão desvendados no presente”.

    Entretanto, o que temos diante de nós aqui é uma manifestação religiosa rigorosamente ocultista envolvendo elementos que, para muitos, não passariam de lendas religiosas de filmes de terror. Serpentes, fetiches, zumbis, cemitérios e outros itens dão conta de atrair a atenção dos pesquisadores ao “mundo vodu”. O que pretendemos nesta matéria não é promover o voduísmo, mas reportar seus mistérios e crenças exóticas, esclarecendo e informando nossos leitores.

    O voduísmo no Haiti

    O termo vodum ou vodu, como chamamos, teve sua origem no Oeste da África, num reino chamado Daomé, atualmente conhecido como Benin.Com a escravidão no século 19, os nativos de Daomé foram capturados e levados para que fossem trocados por armas e alimentos por mercadores europeus, o que os levou a se estabelecer em muitas partes das Índias Ocidentais e no Haiti. Como na época a igreja católica demorou a constituir um clero que pudesse batalhar pela religião cristã no Haiti, esta ausência prolongada deu aos escravos a oportunidade de combinarem a sua religião, o vodu, com o catolicismo, formando um denso sincretismo (mistura) religioso. Diz-se que 95% dos haitianos são católicos e 100%, adeptos do vodu. Tanto é assim que, às vezes, é difícil determinar onde acaba o catolicismo e começa o voduísmo.

    O presidente haitiano, Jean Bertrand Aristides, ex-padre católico, declarou, em abril de 2003, o vodu como religião oficial do país. Com essa posição do governo, os casamentos realizados no vodu passaram a ser aceitos e considerados oficiais, tendo valor religioso, como ocorre com as demais religiões ao redor do mundo.

    Contudo, apesar da proeminência voduísta no país, existe também um trabalho missionário cristão que tem incomodado o sossego desse grupo. O fundador da Missão Evangélica do Norte do Haiti, Jean Berthony, promove anualmente uma campanha evangelística no país, o que tem gerado bons resultados. Numa dessas ocasiões, as autoridades locais proibiram o seu trabalho, declarando que a cruzada evangelística do pastor Berthony teria sido a responsável por expulsar todos os espíritos vodus do país durante um tempo.

    Mas a importância do vodu no Haiti ultrapassa o âmbito religioso. O turismo haitiano tem explorado o voduísmo com afinco. A ministra do turismo, Martine Deverson, disse: “Hoje em dia existe uma consciência maior do patrimônio cultural do Haiti, e o vodu, apesar de freqüentemente ser confundido com magia negra, pode ser fator de atração para os visitantes”.

    A adoração no voduísmo

    Como em muitas religiões, o vodu também possui um templo. Mas o que caracteriza o santuário é uma coluna chamada poteau-mitan. Localizada no centro do templo, essa coluna é considerada sagrada pelos seguidores e é em sua volta que as cerimônias de comunicação com as divindades são realizadas. Ao redor da poteau encontram-se desenhos decorativos chamados vevers. São representações heliográficas de diversas entidades adoradas no vodu. Aliás, entidades é que não faltam no vodu, que possui um grande panteão.

    Os nomes das divindades se alteram, dependendo da região onde o ritual é praticado, mas a maioria dos adeptos dessa prática considera o panteão que veio do Oeste africano. As entidades desses panteões, por muitas vezes, são consideradas pelos adeptos como espíritos de pessoas que já morreram, homens que tiveram importância dentro da comunidade religiosa, príncipes ou sacerdotes. Esses espíritos levam o nome de loas, e podem ser classificados em entidades de dois grupos:

    • Rada: entidades transmitidas por Daomé.
    • Petros: entidades que, ao longo do tempo, infiltraram-se na prática religiosa vodu.

    Segundo a crença vodu, as manifestações dos grupos petros e rada têm personalidades e sensibilidades definidas e procuram sempre seguir uma família específica de adeptos. Outras divindades são públicas, manifestando-se em qualquer pessoa.

    Hungans e mambos

    A maioria das religiões possui líderes que conduzem seus cultos e rituais. No vodu isso também existe, e são conhecidos por hungans. A mulher também tem a sua participação, porém, a terminologia a ela conferida é mambo.

    Existem algumas informações que apontam o voduísmo como uma religião matriarcal, na qual a mambo é conhecida também como rainha, porém, é o hungan que preside o hunfort, o santuário religioso. O sacerdote vodu possui várias posições: atua como curandeiro, adivinho e exorcista. Nas comunidades em que se observam a falta do sacerdote a mulher toma a frente, sendo considerada a maior autoridade religiosa.

    Boneco vodu

    Sem dúvida, o boneco vodu é o primeiro elemento que vem à mente dos leigos quando se fala em voduísmo. Tal objeto é empregado para invocar os poderes dos deuses do vodu e recebe o nome de fetiche, que significa feitiço. O fetiche é confeccionado por quem irá realizar o trabalho de magia e, enquanto é feito, a pessoa tem de mentalizar os objetivos que quer alcançar com o ritual e “transmitir” sua energia ao boneco. O fetiche deve ser feito com a semelhança anatômica de uma pessoa: cabeça, tronco e membros. Partes indispensáveis para a “eficácia” da magia são os órgãos genitais masculinos ou femininos. O boneco precisa ser batizado com o nome da pessoa que irá representar e, geralmente, é feito de massa de modelar, pano ou outro material.

    Segundo as sacerdotisas, tais bonecos são feitos para realizar o bem, para se alcançar prosperidade e curas. O que a pessoa precisa fazer é perfurá-los com espetos ou alfinetes. Mas na prática as intenções nem sempre são essas.

    Zumbis

    Outro elemento do culto vodu é o zumbi. O cinema norte-americano popularizou esses “personagens” em seus filmes. Todavia, os seguidores do vodu dizem o seguinte: “Aquilo que o cinema mostra é totalmente diferente do que é feito na prática vodu. Os zumbis não são pessoas mortas, como divulga o cinema”.

    Na verdade, segundo os ensinos vodus, o processo para se chegar a ser um zumbi é feito por meio de ervas que contêm substâncias capazes de deixar a pessoa em um estado de “morto-vivo”. Para o médico Carlos Alberto Serafim, especialista em cardiologia, esses compostos de ervas deixam o batimento cardíaco mais lento. As ervas utilizadas pelos sacerdotes têm a capacidade de dilatar as pupilas, fazendo a pessoa perder a sensibilidade à luz e deixando-a em um estado de transe, o que facilita o processo de ritual feito pelo sacerdote, uma vez que o candidato torna-se totalmente manipulável.

    O pesquisador e antropólogo do museu botânico da universidade de Harvard, Estados Unidos, Wade Davis, que se envolveu com a sociedade secreta do Haiti, foi procurado há algum tempo por dois psiquiatras que acreditavam existir uma poderosa droga capaz de transformar uma pessoa em zumbi. Davis explicou o seguinte:

    “O ritual se dá por meio da magia negra [...] a vítima tem todo o indício de morte aparente, quase não respira, tem a pele fria, quase não tem pulsação e, mesmo assim, está viva”.

    Isto se deve ao fato de a pessoa ficar horas sem oxigenação no cérebro, o que reduz o seu nível de consciência. O curioso é que entre os componentes da fórmula utilizada pelos feiticeiros podem ser encontrados narcóticos, tetradotoxina, veneno neurotóxico e até veneno de rãs.

    Magia do bem ou do mal?

    Apesar de tudo isso, existe uma certa militância por parte de alguns voduístas em insistir que a magia vodu trabalha para o bem. No vodu, a idéia de distinção entre a magia do bem e do mal é difundida com esmero, pois a sacerdotisa ou o sacerdote geralmente recusa-se a realizar magia negra que, segundo eles, se destinaria apenas aos bokors – oficiantes do ritual com fins maléficos. Assim, hungans e mambos realizam rituais para o “bem” e os bokors, para o mal.

    Analisando algumas manifestações afro-brasileiras, vemos que existe também uma grande preocupação em não macular sua prática religiosa, a fim de que seus conceitos e propósitos não sejam confundidos. Os umbandistas, por exemplo, se esforçam em pregar que sua religião desenvolve magias voltadas para o bem, enquanto que a Quimbanda, para o mal. Todavia, ao verificarmos as práticas observadas pelos dois segmentos, constatamos que seus elementos ritualísticos são rigorosamente idênticos. Por exemplo, as oferendas com sacrifícios de animais e os toques dos tambores e danças são partes peculiares dos cultos afros. Semelhantemente, isso ocorre também no Candomblé, onde a prática de sacrifícios de animais é “exigida” pelas entidades por ocasião das possessões dos espíritos.

    Rótulo diferente, embalagem igual

    Como o leitor pode perceber, o nome vodu, em relação a algumas manifestações afros, pode até ser diferente, mas os fundamentos principais expressados em suas práticas não são tão estranhos assim, quando comparados com as práticas exercidas nas macumbas, independente da linha a que pertencem: Umbanda, Quimbanda, Candomblé... onde os fetiches do vodu são substituídos pelos patuás.

    Até o sincretismo do voduísmo com o catolicismo do Haiti pode ser claramente enxergado no Brasil por meio dos cultos afros. Podem-se alterar os nomes, mas as castas espirituais são as mesmas: orixás africanos e santos católicos dividem os mesmos altares. Se no vodu o lado da “esquerda” existe, no Brasil temos a Quimbanda. Tal como no voduísmo, nos cultos afro-brasileiros também são feitos “trabalhos” em cemitérios e oferendas em cachoeiras, encruzilhadas, etc. Aliás, muitas iniciações da Quimbanda são feitas em cemitérios. Enquanto no vodu confeccionam-se fetiches batizados com o nome da pessoa que se almeja atingir, nos cultos afro-brasileiros costuram-se as bocas dos sapos com o nome da pessoa dentro. O vodu pede um período de preparo para os iniciados, no Candomblé o iniciado deve se preparar por alguns meses. Os pais e mães-de-santo possuem os mesmos atributos dos hungans e das mambos.

    A herança espiritual muda de nome, mas não muda de senhor. O rótulo é diferente, mas a embalagem é igual!

    Contra o vodu

    A prática vodu é feitiçaria sem maquiagem. A Bíblia identifica tais práticas como cultos demoníacos. A história relata que a igreja primitiva teve de ser submetida a constantes advertências por parte dos apóstolos porque os cristãos daquele tempo eram seduzidos a buscar nos feitiços e magias a “felicidade”. Hoje em dia, é isso o que constatamos entre aqueles que não têm suas vidas regidas pela Palavra de Deus. A Bíblia é expressa em apresentar sua oposição aos sacrifícios dos cultos afro-brasileiros ou voduístas: “Que digo pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam é a demônios que sacrificam e não a Deus...” (1Co 10.19,20).

    Para que possamos alcançar bênçãos, curas e outros benefícios, seja para nós ou para nossos amigos, parentes ou irmãos, não precisamos confeccionar nem “energizar” nenhum objeto, principalmente bonecos. Tampouco devemos ter medo de magias, pois a Bíblia nos assegura que contra os crentes o encantamento é inválido, não tem eficácia (Nm 23.23).

    Quando precisarmos de algo, devemos recorrer ao Senhor nosso Deus, colocando diante dele nossas necessidades (Mt 21.22; Mc 11.24). Somos purificados pela luz divina e não por meio de rituais tenebrosos. Para tanto, devemos apenas andar na presença de Deus, mantendo comunhão uns com os outros. Agindo assim, o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado (1Jo 1.7).

    Muitos brasileiros (inclusive alguns crentes, infelizmente) possuem certa tendência ao misticismo, o que os leva a assediar o oculto, e isso, muitas vezes, os torna vítimas de seus próprios desejos. Os crentes com essa tendência devem, a todo custo, resistir a tais ensinos e seguir a receita básica diária para a sua vida espiritual: leitura bíblica, oração, testemunho e santificação. Somente assim conseguirão sair vitoriosos diante das setas inflamadas do diabo.

    Cerimoniais vodu

    Geralmente, as cerimônias são realizadas no período noturno. Fazem parte do ritual: bebidas de rum, frutas e jarros de barros. As bebidas e comidas são erguidas e oferecidas aos loas, para invocá-los. No intuito de alegrar essas entidades, os voduístas lhes oferecem também sacrifícios de aves, porcos, galinhas, bodes e afins. Após as oferendas com danças, os loas possuem os corpos de seus súditos. É interessante que nas possessões os indivíduos não possuem consciência daquilo que fazem e, conseqüentemente, não se lembram de nada após o término do ritual.

    No vodu, mais ou menos como ocorre na Umbanda, as danças em volta da ponteau-mitan são de suma importância, pois servem para se obter a espiritualidade: as pessoas que se envolvem com a dança são mais rapidamente possuídas. Para cada divindade existe um tipo de música, instrumento e ritmos específicos, segundo o gosto de cada loa, que exige que tudo seja purificado e consagrado para o ritual. Na Umbanda, os atabaques também são consagrados para fazer que os orixás de Aruanda e Orum se manifestem.

    As serpentes também fazem parte de alguns cerimoniais. No ritual chamado mambo, o réptil é retirado de um cesto e posto bem próximo do rosto da sacerdotisa que, ao tocar no animal, recebe, supostamente, visão especial e poderes sobrenaturais.

    Segundo a crença vodu, os primeiros homens criados eram cegos e foi justamente a serpente que conferiu visão à espécie humana.

    O feitiço do zumbi

    Dentro do sistema de crenças vodus, o zumbi é um dos feitiços mais temidos. Muito mais do que a magia dos bonecos. O bokor, praticante de magias e feitiços, possuído por uma entidade chamada Baron Samedi, fornece as diretrizes para a pessoa que deseja praticar a magia. O “cliente” tem de ir ao cemitério, à meia-noite, e ali apresentar ofertas especiais às divindades. Dali, ele deve tomar um punhado de terra para cada pessoa que deseja matar (esta é considerada uma magia negra para a morte). Após pegar a terra, o praticante deve espalhá-la pelos lugares em que suas vítimas costumam passar. Depois, retira algumas pedras de um túmulo, as quais servirão como instrumentos para realizar o designo maligno. Quando o praticante joga a pedra na porta da casa da pessoa para qual a magia foi direcionada, a vítima começa a adoecer e a emagrecer, chegando à morte em um curto espaço de tempo.

    Mas, segundo a crença vodu, o feitiço pode ser desfeito. Se por acaso esta pessoa for diagnosticada a tempo de que recebeu o tal feitiço, ela deve procurar um hungan rapidamente para retirar-lhe a magia e expulsar os maus espíritos.

    Biblicamente, sabemos que o crente não precisa se preocupar com feitiços de nenhuma espécie, por mais assustadores que sejam. A palavra de ordem para que o cristão não seja alvo destes e de outros dardos do diabo é temer a Deus: “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Sl 34.7). Em nossas vidas, a maldição sem causa não se cumpre (Pv 26.2).

    Um homem com duas almas

    O s haitianos praticantes do vodu acreditam que o homem possui duas almas:

    Gros bon ange: cuja tradução é: “grande anjo bom”. Essa alma, segundo acreditam os haitianos, tem a capacidade de sair do corpo enquanto a pessoa dorme. E, se não retornar, a pessoa morre.

    Petit bon ange: traduzido quer dizer “pequeno anjo bom”. Essa alma, segundo crêem, protege e guia o adepto. Quando a pessoa morre, ela permanece por alguns dias guardando o corpo. Somente após um período de nove dias, contando a partir do sepultamento, é realizado um ritual para afastá-la.

    Como a reencarnação faz parte da crença vodu, seus praticantes acreditam que a petit bon ange se transforma em algum objeto ou animal, geralmente uma grande serpente. Após a transformação, se os rituais de sacrifícios e cerimônias, sob a responsabilidade dos parentes, forem negligenciados, a vingança da petit bon ange se volta contra eles.

    Aos interessados em saber mais sobre vodu e crenças ocultas, segue uma relação de obras interessantes e alguns sites:

    • Dicionário de religiões, crenças e ocultismo, de Nichols & Mather, Editora Vida, 2000.
    • O império das seitas, de Walter Martin, Editora Betânia, 1993.
    • Entendendo o oculto, de Mcdowell & Stewart, Editora Candeia, 1996.
    • Os fatos sobre os espíritos guias, de Ankerberg & Weldon, Chamada da Meia-Noite, 1996.
    • www.icp.com.br – Instituto Cristão de Pesquisas.
    • www.cacp.com.br - Centro Apologético Cristão de Pesquisas.

     

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